RACIOCÍNIOS DESNECESSÁRIOS

Tomamos a maioria das decisões que influenciam o rumo das nossas vidas sem a noção do impacto das mesmas, de forma leviana. E o mesmo se aplica às decisões que deixamos por tomar, preguiçosos ou apenas inconscientes das repercussões que os adiamentos podem implicar.
Não pretendo com isto generalizar um padrão de comportamento, até porque todos nos esforçamos (uns mais do que os outros) para racionalizar de alguma forma as (poucas) escolhas que a vida nos concede.

No entanto, a maioria das histórias de existência que conheci no meu tempo de vida, a minha também, fazem-se de equívocos menores que assumem proporções colossais e de desmazelos aparentemente inconsequentes que se traduzem depois em perdas infelizes e desnecessárias.
Parece que não temos a percepção da realidade quando a projectamos no futuro, naquele instante em que tentamos sopesar os prós e os contras desta ou daquela atitude ou omissão. E depois é sempre tarde demais para arrepiar caminho.

Estranho é percebermos muitas vezes que nos deixamos levar por impulsos irracionais, o feitio e essas cenas, com a consciência de que não vamos no melhor sentido e avançamos mesmo assim. Depois logo se vê. E vê-se, à nossa custa e à custa de todos quantos sejam afectados pelas nossas decisões.
A nossa vida acaba assim por seguir rumos que muitas vezes não correspondem ao que desejamos, nem sempre por obra de um acaso infeliz mas pela nossa intervenção ou alheamento desastrados. A tal leviandade que nos trai.

Por isso é quase um milagre que algum ser humano consiga ser a todo o tempo verdadeiramente feliz.
publicado por shark às 13:04 | linque da posta | sou todo ouvidos