O CÉU NA TUA BOCA

boca celeste.jpg

Rompe a escuridão desta noite de Verão, sem luar, ilumina a verdade por desnudar de um desejo coberto pelo pudor de um fino manto reflector que espelha a luz da centelha que vislumbro no teu olhar.

Rasga o silêncio deste tempo valioso, espalha ao vento o som do sentimento que gemes e que gritas quando tremes e me agitas num agradável frenesim. Escuto emudecido, o teu sussurro no meu ouvido, a voz interior que me fala do amor que se faz ouvir quando ecoa nas paredes do meu abraço, por dentro do espaço que nos rodeia, firmamento, a redoma transparente de um momento fecundo sem ruído de fundo que o possa perturbar.

Arranha esta pele que não estranha a tua, o desenho de meia-lua nas garras que me cravas no corpo que ofereço, entrega total, insensata. (pres)Sinto o teu amor em cada gota do suor nessa cascata de emoções que jorra dos corações para a cútis que a absorve com sofreguidão. A sede que se mitiga, a língua pela barriga em sentido descendente, rumo à nascente convertida na foz desses rios que partem de nós em enxurrada e desaguam serenos na confluência criada quando nos fundimos e nos tornamos um.

Retalha o ar com o teu perfume perfeito, espalha no meu peito o cheiro dos cabelos que penetro com os dedos em busca de um jardim suspenso no tempo sem fim que duram as carícias que parecem libertar a essência desse odor que me seduz. Aquilo que me reduz a um escravo da tua fragrância, dependente. A minha ânsia de te respirar quando me sufoca a falta de ti, um medo que não aceito porque temo desse jeito ver mirrar as flores silvestres imaginárias, tuas cortesãs, plantadas no meu olfacto como memórias permanentes da tua condição de rainha do corpo que definha quando a saudade lhe drena a energia vital pela raiz.

Fixa na minha boca o rasto do teu sabor, um trilho para o amor que degusto em cada instante beijado. O gosto lacrado no cofre da minha imaginação, secreta a combinação discreta com que só eu o possa abrir depois. Quando fazemos a dois, colados, aquilo que na mente germinar, em cada corpo um manjar repleto de estímulos para o palato em festa.

Os meus lábios na tua testa.
O meu corpo prostrado em cima do teu, aterragem forçada.
Destino selado nas nuvens do céu.

Dessa tua boca selvagem, alada.
publicado por shark às 15:55 | linque da posta | sou todo ouvidos