E OS ALUNOS ADEPTOS DO GIL VICENTE CHUMBAM TODOS?

cartola na carteira.gif

Eu sei que esta posta interessa mais a quem tem filhos em idade escolar, pelo que vou esforçar-me para reduzir a coisa ao essencial.
E começo pelo princípio: de cada vez que um Governo altera ou permite alterar o esquema de funcionamento do Ensino é mais vincada a sua crescente desresponsabilização das obrigações que os nossos impostos lhe impõem.

Tenho uma filha no segundo ano do primeiro ciclo (a antiga segunda classe). Este ano, como é costume, foi agendada uma reunião com os pais e encarregados de educação para, em simultâneo, apresentar a bela trampa de decisões do “agrupamento” que rege os destinos da escola da minha filha e fingir que respeitaram a intenção do Executivo de iniciar as aulas até ao final desta semana. Hoje, portanto.
O primeiro indicador de que algo não bate certo foi o facto de a dita reunião ter sido marcada para as 13:30 horas de um dia de semana…

Mas esperavam-nos revelações ainda mais elucidativas da barraca que o Estado dá nesta matéria.

As aulas passam a ter início meia hora mais cedo, o que até parece um transtorno menor. Estapafúrdio (e exemplificativo da tal desresponsabilização de que falo acima) é o facto de a esses trinta minutos corresponder um intervalo de igual período, não remunerado aos professores. Este pormenor implica que os alunos ficam durante meia hora ao relento, pois os blocos escolares são encerrados e muitos espaços de recreio não possuem uma área coberta. No pico do Inverno isto soa cruel e desnecessário, à conta da poupança de 30 minutos de trabalho de um professor.

Para os professores, para além da inovação do livro de ponto com sumários no 1º ciclo, nasce a obrigação de compartimentar a matéria em disciplinas (o que os impossibilita de criar uma sequência lógica e agradável para as aulas). No fundo, transporta-se o esquema do segundo ciclo para o primeiro. Fica tudo menos apelativo para alunos e professores.
Se considerarmos que a escola deve ser um espaço agradável precisamente para estes dois grupos, é óbvio o divórcio entre a lógica do Governo e a prática no terreno. Nada de inovador, portanto…

E depois os novos períodos “complementares”, o Apoio Escolar (os TPC passam a TPE) e as Actividades de Enriquecimento Escolar (os putos acrescentam mais duas horas ao tempo de permanência numa escola que os “põe na rua” todos os dias às 10:30), tudo desenhado para converter a escola num martírio (já tinham aquela ideia peregrina da hora e meia de aula no antigo secundário e agora começam a prepará-los mais pequeninos para o abandono escolar).

Eu pasmo com estas alarvidades. E se antes estranhava a súbita psicose de encerramento de escolas, com base na gasta e duvidosa argumentação da melhoria da eficácia do sistema, agora não duvido que o sistema quer é poupar umas coroas (sem que isso implique uma redução fiscal para quem o sustenta e, por isso, à nossa custa).
No fundo, o Estado quer obrigar quem pode a inscrever os filhos no privado. E para isso pioram aquilo que podem (parece mal deixar degradar o equipamento escolar e tal), alterando as regras a um ponto que torna insustentável a vida de alunos, professores e pais.

Se somarmos estas aberrações à forma desastrada (desastrosa) como a classe docente tem vindo a ser tratada (humilhada), é fácil de prever a alegria que irá reinar no ano lectivo que agora começou.

Como apontamento final deste lençol não posso deixar de referir um questionário de preenchimento “obrigatório” (deve ser, deve…) onde, entre outras informações importantíssimas, procuram saber com que idade o aluno foi desfraldado, o tipo de parto que o trouxe ao mundo, quantas assoalhadas tem a casa onde vivem e, esta é mesmo de bradar aos céus, qual o seu clube de futebol preferido!!!

É de mim ou andam mesmo a gozar com a nossa cara?
publicado por shark às 21:40 | linque da posta | sou todo ouvidos