Domingo, 12.04.15

Fim de tarde

regresso a casa.jpg

 Foto: Shark

publicado por shark às 20:56 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 11.04.15

Da cobardia e outros pretextos da treta

Existem situações criadas por terceiros que me fazem hesitar entre o reconhecimento de uma limitação conjuntural (a cobardia que se sobrepõe ao paleio, por exemplo) e o diagnóstico leigo mas perfeitamente justificado de alguma forma de perturbação mental.

Das poucas pessoas que permitimos próximas esperamos, em condições normais, uma atitude inspiradora de confiança, que transmita a segurança que só os mais chegados nos podem garantir. E isto aplica-se qualquer que seja a natureza do vínculo estabelecido.

É precisamente esse detalhe no estatuto das pessoas (ditas) próximas que nos apanha sempre de surpresa quando é desmentido: se dos “de fora” esperamos tudo, dos “nossos” sabemos com o que contamos. E qualquer falha grave nesse pressuposto é quase sempre entendida como nada menos do que uma traição.

 

Para garantirmos alguma estabilidade emocional e até a valiosa sanidade mental tão ameaçada por hordas de gente chanfrada, se queremos de facto poder contar com alguém, há dois tipos de pessoa que devemos manter à distância: os cobardes, porque desertam; os malucos, porque são imprevisíveis. Pior de tudo, o misto destas duas categorias que garante, ao virar da esquina, uma reacção cobarde, deselegante e por isso hostil e, por via da loucura implícita, quando uma pessoa menos a espera.

 

É difícil identificar um/a cobarde, pois são sempre muito dados a pintarem-se capazes deste mundo e do outro e só se desmascaram quando confrontados/as com uma dificuldade ou um aumento da pressão.

Porém, uma pessoa desequilibrada acaba sempre por dar eco das suas perturbações. Aí o nosso mal está em acharmos sempre que a ligação alegadamente próxima nos permite dar a volta ao problema. Pois, tem um discurso incoerente com a acção e parece andar ao sabor do vento. Mas como gosto muito da pessoa vou ignorar esse sinal de demência e acreditar que a pessoa não negligencia a medicação. Erro crasso.

 

A pessoa que não joga com a equipa toda não controla as emoções, da mesma forma que não tem mão sobre os instintos e os raciocínios. É capaz do melhor e, cedo ou tarde, do muito pior. Se ainda por cima é cobarde, é garantido que à primeira contrariedade se esgueira para debaixo de uma pedra qualquer no sentido de escapar ao excesso de pressão. É esse o apelo natural num/a cobarde, o da deserção. E fazem-no sempre à bruta, de surpresa, de uma forma invariavelmente deselegante e estapafúrdia.

 

Ao longo de quase cinquenta anos de vida, várias pessoas com o perfil e os actos acima descritos cruzaram o meu caminho e, sem excepção, traíram-me no que mais valorizo: a confiança nas poucas pessoas em quem a deposito. E quase sempre associaram, na deselegância da sua fuga mal justificada, a absoluta falta de respeito pelo tal estatuto de pessoa próxima que, posso afiançar, não garante coisa alguma em matéria de certezas.

 

Garante, isso sim, a combinação perfeita para que nunca mais queiramos ver essas pessoas pela frente enquanto ficamos, desilusão somada, entretidos a cicatrizar aquilo que nos deixaram nas costas.

publicado por shark às 00:08 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 06.04.15

A posta no cavalo errado

Já soam lá fora as pancadas da vida determinada em forçar a sua entrada pela porta das traseiras, uma vida sem maneiras quando entre a sorte e o azar decide, caprichosa, optar pelo mal que nos possa atingir.

A porta que não aceitamos abrir mas a vida arromba com aríetes poderosos, com acontecimentos dolorosos ou com a chave deixada sob o tapete para onde varremos as lágrimas clandestinas, a da porta de acesso ao sótão onde escondemos fragilidades que ela tão bem sabe explorar.

A chuva aproxima-se das janelas com ganas de as esbofetear, ajudada pelo vento que é cúmplice de circunstância, deixado na ignorância acerca do que a vida decidiu seja para quem for. O vento nem sabe se a vida quer acabar com um grande amor só porque sim. A própria vida tem um fim e não se compadece de ilusões de eternidade, vai moldando a realidade de acordo com os seus humores.

As pancadas aumentam os temores e vão quebrando a resistência, a vida tem consciência do quanto dita as regras do jogo no tabuleiro que disponibiliza. É assim que confraterniza com as pessoas que entende como peões. Um passo em falso, pequenas hesitações, escolhas impossíveis como respostas exigidas sem perguntas que as suscitem.

A vida não gosta que a piquem com uma felicidade excessiva, torna-se muito agressiva e pode mesmo perder o controlo. Nas suas leis não existe dolo porque quase tudo acontece sem explicação plausível, a vida pode ser terrível mas não tem maldade intrínseca e por isso todas as vidas morrem solteiras na culpa. Sem maneiras, à bruta, uma vida invade o seu território e impõe o recolher obrigatório das emoções positivas.

A vida está sempre à espreita de pessoas que se acreditam felizes para sempre, de espaço preenchido por gente que sem sentido se confia ao que o destino determinar.

Sob os escombros das certezas arrogantes jazem as ruínas fumegantes de muitas ilusões construídas afinal sobre o que parecia um quintal e se tratava de areia movediça.

E a vida construtora é também demolidora quando se arma em metediça.  

publicado por shark às 23:20 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 02.04.15

Pelas ancas

Já o passeava pelo rosto quando se sentiu ansiosa pela sensação de se deixar agarrar pelas ancas, de se entregar indefesa ao poder daquele homem que sabia capaz de alternar o toque suave de uma pluma na sua pele, dedos de pianista, com a força indomável de um macho dominador.

Afastou-se devagar e deixou-se tombar no sofá, ajoelhada no chão, tentadora, à espera da sua investida avassaladora que não tardaria a acontecer.

 

Sentiu-lhe o calor enquanto ele a sondava com pequenos toques que lhe dava, como que a pedir licença para entrar, as mãos a percorrer as costas até ao fim, as nádegas agarradas com firmeza, afastadas com gentileza para a poder observar, linda como lhe parecia em qualquer parte do corpo e em qualquer posição, as ancas transformadas em alavancas e ele cada vez mais dentro e ela cada vez mais fora de si.

 

Depressa ou devagar, ele não parava de a comer transmitindo-lhe a confiança de um conhecedor, fodia-a sem deixar de fazer o amor que lhe transmitia com a boca que a cobria de beijos na nuca e na face que ela lhe oferecia para se fazer arranhar pela barba por fazer que a excitava.

E ele não parava de lhe mostrar o quanto a desejava, vigoroso, joelhos pousados na beira do sofá, mãos livres para a tocar como tão bem fazia e para a agarrar com a força que lhe conhecia, enquanto ela o estimulava com uma mão que o acariciava, braço esticado por baixo para o alcançar, rosto comprimido num pedaço de tecido coberto de suor.

 

Mais intenso e ainda melhor, o momento da pausa provisória, quando escreveram em simultâneo o final daquela história.

 

publicado por shark às 19:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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