Quarta-feira, 26.02.14

A posta que não é para ti

A importância de a ter.

A importância.

A ambição de atingir um determinado patamar de valorização por parte de terceiros, a validação por inerência de um umbigo gigantesco sem terreno fértil para se alimentar. Muito importante para quem precisa sentir-se assim, mesmo sustentando esse sentimento numa mentira, numa farsa, na chamada de atenção para a fachada enquanto o resto da coisa desaba por erros flagrantes no alicerces e fundações.

A importância que se reclama, validada apenas por uma permanente interpretação, errada, da própria pessoa desesperada por um lugar de destaque no palco da vida no qual se julga competente para assumir o papel principal.

A importância que se julga possuir, de forma patética, com base apenas em indicadores imbecis, em reacções forjadas nos bastidores de uma chantagem de circunstância, emocional, ou impostas com as costas quentes pela asa de alguém importante de verdade que a oferece por mera obrigação e nunca pelo mérito impossível de reconhecer.

A irrelevância, dura realidade, provada a cada dia pelos resultados de merda obtidos na sequência de cada intervenção desastrada, desastrosa, na vida dos outros que a sua, tão importante, avança sustentada somente por um lindo ramalhete de ilusões colhidas diariamente no jardim encantado onde a pessoa importante passeia a sós nessa condição de protagonista inventada pela imaginação.

Importância alguma, na prática. E a que exista em teoria, sonhada, aparece fundamentada no reino da fantasia, na mente pueril da pessoa iludida por palmadinhas piedosas nas costas somadas à distracção displicente no que respeita a tudo aquilo que um simples espelho e dois dedos de testa conseguem revelar tão bem.

Porque mesmo importante seria aprender a avaliar a escassa importância que afinal se tem. 

publicado por shark às 23:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 10.02.14

A posta que há só uma

Arrogantes, julgamos ter uma noção acerca da forma como enfrentaremos um dia determinado acontecimento. Acreditamos até que estamos preparados, que fomos capazes de interiorizar uma qualquer defesa construída com a racionalidade de quem, ingénuo, se pensa capaz de gerir as emoções. E é mentira, é ilusão, é uma triste tentativa de construção de barreiras de papel, de sacos de areia patéticos que nem uma enxurrada de lágrimas interiores conseguem conter.

 

Surge sempre na existência da maioria de nós um momento capaz de fazer desmoronar todas as veleidades acerca dessa pressuposta resistência ao que a vida trouxer. Porque a vida também sabe levar, também sabe roubar os dados adquiridos em que se transformam as realidades e as presenças que tomamos por eternas, tanto quanto nos presumimos de alguma forma imortais. Contudo, não depende da nossa vontade a capacidade de resistir, a habilidade para reagir de acordo com aquilo que afinal não passa de uma previsão infantil.

 

As emoções, selvagens, nunca se deixam domesticar.

 

A lei da vida, talvez a única que não conseguimos desrespeitar, impõe regras simples, ciclos inevitáveis com um princípio e depois um meio a galope rumo ao fim que rejeitamos, ao longo do tempo tolo em que acreditamos num para sempre que não passa de uma armadilha, de uma fantasia absurda que o tempo se encarrega de desmantelar.

Uma máquina que alguém irá desligar à hora predestinada ninguém sabe porquê.

 

A minha mãe acreditava ser possível conquistar, pelas boas acções e pela fé, um lugar no céu.

A mim, resta lidar com os vários infernos à solta nesta cabeça fraca que não os adivinhou, incapaz de entender aquilo que o coração agora lhe grita, desorientado, por saber que o dela, tão fatigado, entretanto parou.

publicado por shark às 02:02 | linque da posta

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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