Quarta-feira, 31.10.12

A PONTE PARA ALI

 

névoa matinal

 


Foto: Shark

publicado por shark às 08:14 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE JÁ BASTA

A ver se eu apanhei o espírito da coisa: o Governo acha que está na hora de redimensionar o Estado, o que todos sabemos corresponde a aniquilar o Estado Social de onde mais facilmente se podem amputar recursos para tapar buracos, enquanto a Oposição acredita ser possível, por exemplo, dirigir o cutelo para as tais gorduras cujo peso tarda em fazer-se sentir na balança.

Claro que depois entram em cena as contas e é aí que as vozes começam a destoar, com uns a provarem sem margem para dúvidas que o fim do Estado Social como o construímos ao longo de gerações é a única salvação e outros antes pelo contrário, cheios de fé na gestão das alternativas e de indignação perante o ultraje que a demissão por parte do Estado das suas responsabilidades sociais constitui.

Assim sendo, onde está a dúvida?

 

Parece-me claro que a austeridade é perniciosa para a saúde mental dos políticos de direita, como é normal no abuso de qualquer substância perigosa para a saúde da economia e que ainda por cima causa dependência.

Ficam doidos de entusiasmo perante a possibilidade real de confiarem aos privados tudo quanto possa gerar lucro, mesmo que sob o controlo do Estado pareça condenado a dar prejuízo. E não escondem essa febre do ouro capitalista, essa tentação demoníaca de confiar a vida de todos nós ao funcionamento do mercado que, como é fácil provar, resulta ainda menos do que apostar por inteiro na Divina Providência.

A receita é simples: há bronca nas contas, a culpa é da esquerda (o Sócrates, sempre ele) e da sua insistência em maluqueiras como computadores portáteis para milhares de miúdos sem hipóteses de acesso aos mesmos, reformas, Novas Oportunidades, Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito, coisas assim sem jeito nenhum porque envolvem investimento de dinheiro dos contribuintes, do Estado, desviando enormes maquias do domínio privado.

Nesta linha de raciocínio, o Governo não hesita nas contas: corta-se em ordenados, subsídios de desemprego, reformas, investimento público, SNS, Justiça, Educação e investe-se na estabilidade da banca, nas facilidades para as empresas exportadoras, em tudo quanto possa ser desviado para longe das despesas do Estado com o bem estar dos seus cidadãos, nomeadamente dos menos abastados e sem meios para terem seguros de saúde, PPR's e outras opções à intervenção estatal nas coisas que nos interessam. Ah, também não negligenciam a Defesa (de onde pingam uns submarinos e outros negócios chorudos) e a Administração Interna (que não faltem os meios para controlar a turba).

 

Custa a perceber porque ainda há tantos portugueses que se deixam ir no embalo da culpa do Sócrates (ainda que exista, os que lá estão foram eleitos no pressuposto de corrigirem as asneiras do antecessor) e desviam a atenção da inépcia flagrante deste Governo na correcção dos alegados desmandos da governação socialista (a diferença nos resultados está à vista) que foi promessa eleitoral de proa.

Não custa adivinhar que cada dia a mais por este caminho será um dia a menos ao dispor de quem possa dar a volta à situação antes que Portugal e a Grécia se (re)fundam por igual.

publicado por shark às 01:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 28.10.12

NÃO TE MEXAS

 

não te mexas

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:53 | linque da posta | sou todo ouvidos

SAUDADES DO TINO DE RANS

A anunciada candidatura do mais bizarro híbrido do jet set português à presidência de uma Câmara Municipal pode inspirar-nos sorrisos, pelo absurdo, como pode sugerir-nos insultos, pelo descaramento. Mas pode e deve alertar-nos para o facto de esta iniciativa do bobo da corte poder constituir o primeiro passo para que, por exemplo, os participantes na casa dos segredos comecem a tomar conta das Juntas de Freguesia das suas terras, de assistirmos à propagação de um fenómeno que já se faz sentir em diversas áreas da vida pública e que se traduz na projecção mediática como principal critério de selecção seja para o que for.

 

O Tiririca, como se previa, já está a fazer escola neste país cheio de sentido de humor e vazio de alternativas. De resto, o enérgico Coelho madeirense já tinha apanhado essa onda e agora lá anda, mais a família e amigos, a dar cabo da cabeça ao Alberto João. O passo seguinte, na lógica simples dos famosos que precisam mesmo de dar o litro para atraírem os holofotes, é esta candidatura sonsa de um espertalhão que vai a todas (e a todos?) para rentabilizar o protagonismo, seja ele qual for.

É esse precedente que me preocupa, neste contexto de desorientação eleitoral tão permeável a figurões e figurinhas, e me leva a dar razão aos que pugnam em defesa da classe política.

De facto, o exemplo que me move é uma exibição grotesca de um dos cenários possíveis para o eventual castigo que os eleitores pretendam aplicar ao todo barrado com a manteiga da generalização. Substituir os políticos por figuras decorativas sem qualquer espécie de noção da responsabilidade que um cargo político acarreta, e as broncas não acontecem a brincar nem se resolvem com meia dúzia de larachas, é nada mais nada menos do que uma leviandade descomunal.

 

É certo que sobejam exemplos de palhaçadas governativas e de folclore autárquico, mas uma Democracia digna desse nome leva-se a sério. Se temos que exigir mais e melhor dos nossos políticos, existem mecanismos ao alcance para isso acontecer.

Se entregamos o poder às figuras mediáticas ou aos palradores populistas, em vez de o devolvermos às pessoas capazes e de bem que possam promover a recuperação do país podemos assistir num futuro próximo a um pandemónio que só agravará ainda mais a crise em que mergulhámos.

E abrimos os portões para a entrada de figuras bem menos simpáticas, tiranos oportunistas, que brotam como cogumelos ao mínimo indício do que, na prática e tendo em conta personagens como o tal candidato anti-lojas do chinês, constituem nada divertidos e sempre muito perigosos vazios de poder.

publicado por shark às 00:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sábado, 27.10.12

SOFIA MESQUITA: UMA ISCSPIANA COMO DEVE SER

Vejam AQUI como uma mulher do ISCSP luta por um posto de trabalho e percebam a minha vaidade por ter vivido naquela casa a minha passagem pelo ensino superior.

 

E arranjem já um emprego em condições à rapariga!

publicado por shark às 14:16 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 23.10.12

FLOWER POWER

 

autocaravanas

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA QUE O FUTURO ESTÁ A RESOLVER O PROBLEMA

Nunca achei muita piada à mania de impor quotas de participação de determinados grupos seja no que for. Por norma são as mulheres as supostas beneficiadas com essas medidas alegadamente proteccionistas, mas eu não consigo vislumbrar a vantagem competitiva obtida por via desta imposição de um número mínimo de pipis, quaisquer pipis, nos centros decisores onde as pilas predominam.

 

A boa intenção é óbvia e não a contesto nesse plano, é sempre bonito a sociedade preocupar-se com os seus desequilíbrios.

Todavia, questiono os moldes. Impor quotas soa mal logo na parte do impor, como se o grupo beneficiado só pudesse safar-se à força e não pelo reconhecimento do seu mérito.

Se a ideia é dar cabo do humor aos machistas, acho que peca pela base: eles vão sempre olhar para as quotas como um favor às coitadinhas das gajas. E elas vão sempre ter que provar a sua capacidade sob maior escrutínio do que aquele a que é submetido um colega do mesmo ofício ou função.

É aqui que a coisa me parece desvirtuar a tal boa intenção, pois a descriminação pela positiva acarreta riscos como qualquer outra forma de descriminação. Nem que seja pela janela de oportunidade para a inferiorização de quem precise de tais benesses.

 

A igualdade entre géneros, como entre raças ou credos, começa em casa com a educação que é dada e com os exemplos que se mostram para os mais novos seguirem.

E no caso em apreço, tendo em conta os factos que os números traduzem num tempo em que a divisão de tarefas se consolida e a igualdade de circunstâncias se acentua, qualquer homem que se oponha hoje às quotas mínimas para mulheres vai provavelmente evitar que no futuro estas lhe sejam aplicadas.

publicado por shark às 15:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Segunda-feira, 22.10.12

ENTARDECER

 

laranja fogo

 


Foto: Shark

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publicado por shark às 19:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA QUE ESTÁ NA HORA DE INTERVIR

Sim, há dias em que a vontade que dá é deixar andar, deixar correr e ficar parado a ver o que acontece e entretanto torcer por milagres ou profetizar um apocalipse em lume brando.

Mas os dias têm o problema de passarem, uns atrás dos outros, e o tempo que passa é tempo desperdiçado quando os problemas teimam em não se resolverem por si. E alguns são como infecções.

E há dias em que a vontade que dá é mesmo a de não deixar gangrenar.

 

O país já começou a despertar para a necessidade de um antídoto para este veneno que nos consome as contas públicas ou privadas, para esta lenta agonia que destrói sonhos, ambições, vidas que tínhamos planeado com base em pressupostos que deixaram de se verificar e agora há portuguesas e portugueses a padecerem de males que julgávamos impossíveis, falência sistemática de empresas e de cidadãos, desemprego, emigração em massa, despejos a toda a hora e a fome (a fome!!!) a romper o véu do segredo quando as pessoas, enfraquecidas, já nem conseguem esconder a miséria da sua condição.

É essa a situação que enfrentamos, todos sem excepção, a cada dia que passa, a cada dia que nos ameaça com um medo qualquer.

 

Depressa percebemos a futilidade dos discursos por parte de quem nos lidera ou de quem parece melhor colocado para a sucessão, a vacuidade das palavras que denuncia a ausência de soluções. Basta prestar um pouco de atenção, apenas a necessária para entender o quanto temos a perder se em cada dia que passa nos permitirmos cruzar os braços e esperar que o dia seguinte nos sirva de bandeja uma reviravolta nas circunstâncias, embalados na mesma apatia que tantos povos já tramou e muitos ainda acabará por tramar.

Depressa percebemos que não basta esperar, à sombra de uma esperança sem alicerces e que a brisa dos factos desmorona a cada dia que passa sem o empenho estender a mão à vontade de mudança para que esta possa acontecer.

 

Está na hora de mudar, a crise confirma esse facto inegável. E não basta olhar para as alternativas como um conjunto de variações de cinzento e acabar por escolher a que estiver mais à mão: é necessário o passo seguinte de aperfeiçoamento da Democracia, a sua reconversão à medida destes dias em que só a participação activa dos cidadãos poderá efectivar, nas ruas, como nas redes sociais, como nas urnas, com a urgência que se impõe.

publicado por shark às 16:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

ISTO NÃO É PARA ME METER COM NINGUÉM...

...Mas até o FC Pampilhosa do Botão conseguiu não ser eliminado da Taça de Portugal nesta jornada.

 

Bom dia. :)

publicado por shark às 09:30 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 21.10.12

RELEVÂNCIA

 

relevante

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 20.10.12

A POSTA QUE NEM SABEMOS O QUE ESTAMOS A PERDER

As notícias mais recentes acerca do Público e da Lusa são das que mais fragilizam uma classe já de si esfarrapada pela proliferação e aumento de intensidade das diversas pressões. Os jornalistas estão cada vez mais reféns do medo de perderem os seus empregos, um medo legítimo para quem sabe fazer algo que não serve para fazer mais porra nenhuma.

Seria leviano afirmar que não existem jornalistas corajosos, independentes, ou malucos o bastante para continuarem a pugnar pelos princípios sagrados do ofício. Contudo, no actual contexto de aperto do torniquete por parte dos poderes que controlam o pilim só pode tratar-se de temerários, pois mesmo os mais bem intencionados serão, mais cedo ou mais tarde, confrontados com decisões muito difíceis de tomar.

 

Temos que convir que o estandarte da verdade já conheceu melhores dias. Num mundo governado por aldrabões, a missão de informar as coisas tal e qual transforma-se num exercício kamikaze e abundam os exemplos de como essa sim é uma verdade insofismável.

Morrem jornalistas, todos os anos, em todo o planeta, nessa batalha pela tal verdade que, bem vistas as coisas, ninguém parece querer ouvir. Basta olhar para o que prende as audiências para percebermos porque é cada vez mais exigente o esforço para manter o entusiasmo perante coisas sérias, com toda a gente preocupada com o sexo furtivo nas casas dos segredos e apenas meia dúzia em busca de informação acerca daquilo que verdadeiramente interessa.

A lógica é simples de entender: as audiências só espevitam perante assuntos da treta, os anunciantes só patrocinam conteúdos da treta, os jornalistas são obrigados a concentrar a atenção naquilo de que o público gosta, as minorias deixam de prestar atenção e às tantas deixa de haver espaço no mercado para tanta fast press. Ou seja, o efeito bola de neve acaba por arrastar tanto os que teimam em fazer o trabalho sério que não dá lucro à casa como os que se esmifram para alimentar páginas com aquilo que toda a gente sabe porque é aquilo que toda a gente publica.

 

No meio disto tudo ainda entram em cena os políticos que ameaçam e pressionam, os patrões que precarizam e despedem e a ditadura fria e impessoal dos critérios das agências publicitárias. Entretanto, fora das redacções, a Democracia sucumbe e a falta de uma Comunicação Social sólida e independente ajuda nas exéquias.

Os jornalistas não são soldados ou polícias, a sua única arma é a esperança na diferença que consigam fazer, tantas vezes à custa da teimosia, da abnegação e do brio que podem custar-lhes o emprego se os interesses atingidos mexerem os cordelinhos certos na teia de ligações perigosas contra as quais um jornalista pouco ou nada pode fazer. E as contas podem ser acertadas a qualquer momento, os poderes nunca esquecem os golpes sofridos e não lhes falta paciência para esperarem o pouco tempo necessário para apanharem a jeito profissionais tão desamparados, mesmo a nível sindical.

 

Uma crise capaz de fechar farmácias às centenas dá cabo das contas a um órgão de Comunicação Social e encurrala ainda mais quem tenha dedicado a vida a essa nobre função, sabendo todos nós como a maioria dos grandes grupos financeiros tem o dedo ligeiro no gatilho quando toca a despedir. E depois, que futuro espera um jornalista, mesmo dos bons, veteranos, com provas dadas, quando o chão lhe foge debaixo dos pés?

É quase cruel exigir a alguém que cumpra bem o seu papel quando até o cumprimento escrupuloso das regras do jogo do ofício pode afinal constituir o cavar da cova onde deitarão as carreiras todos quantos se virem apanhados por uma das várias trituradoras que a crise estimula. Pessoas, tal como as que usufruem do seu trabalho no derradeiro bastião da Democracia, de qualquer Democracia.

Nenhuma resiste à falência dos valores que a Comunicação Social representa e são esses os que mais tentam destruir aqueles para quem a verdade possa constituir uma ameaça real, sobretudo quando estão em causa interesses vitais, ainda que ilegítimos, dos poderosos que não param de abusar.

 

E esta é uma verdade que uma Democracia saudável não poderá jamais ignorar.

publicado por shark às 19:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sexta-feira, 19.10.12

TAMBÉM FOI BOM PARA TI?

Era tão intenso o seu prazer na relação com a escrita que terminava cada texto num descontrolado frenesim de pleonasmos múltiplos.

publicado por shark às 17:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Terça-feira, 16.10.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

saia vermelha

 


Foto: Shark

publicado por shark às 20:38 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA SEM PANINHOS QUENTES

Os filmes e documentários acerca da II Guerra Mundial e do terceiro reich divulgaram alguns arquétipos das figuras sinistras que o nazismo produziu.

Uma das que primam pelo realismo é a da típica guarda-prisional alemã, sempre uma personagem repelente, autoritária, fria, desumana, capaz de abusar do seu poder sem qualquer espécie de escrúpulo com base na eterna desculpa das ordens para cumprir. É um clássico, de resto profusamente ilustrado e documentado para podermos identificar o tipo de gente que não queremos voltar a ter perto de qualquer tipo de poder, de qualquer ascendente sobre seja quem for.

Esse cliché do autómato humano, de uma criatura isenta de emoções perante a exigência de cumprir uma lei, uma norma ou apenas uma teimosia pessoal, não é uma caricatura.

A falta de escrúpulos das guardas-prisionais da Waffen SS e derivados não é um exclusivo de outro tempo e de outro país. A crueldade também não.

A prova está AQUI.

 

É difícil reprimir o apelo ao insulto perante este tipo de casos que provam existir mais do que uma espécie humana, a que possui algum mecanismo de protecção contra a desumanização e a outra.

Essa outra, que inclui crápulas das mais variadas proveniências, só varia na dimensão da sua repugnante interpretação da existência (a sua e a dos outros) e em função das circunstâncias, da conjuntura em que se podem permitir libertar a besta interior. Vão tão longe quanto mais solta a rédea e maior a fragilidade daqueles que possam dominar de alguma forma.

São pessoas sem um entendimento dos limites do razoável, sobretudo quando nos pratos da mesma balança estão os seus interesses pessoais e os das vítimas potenciais de consciências equivalentes às de um predador faminto.

 

Obrigar uma criança com fome a assistir à refeição de outras crianças com base numa dívida de 30€ contraída pelos pais em plena crise financeira é um crime contra a humanidade e, no meu entender de leigo, deveria implicar uma pena de prisão efectiva a somar à exoneração definitiva em matéria de funções ligadas aos mais jovens ou a seres humanos menos capacitados para se defenderem dos/as canalhas capazes de coisas assim.

É nojento, é imperdoável, não tem justificação possível e deve constituir-se exemplo de punição severa como aviso à navegação para outros répteis quanto à capacidade de reacção da sociedade a estas aberrações.

 

Se não levarmos a sério estes fenómenos de crueldade latente e os expurgarmos de alguma forma, quanto mais a crise nos debilitar mais esta gente sem princípios ou emoções nos poderá ter, qualquer um de nós ou os nossos filhos, nem que por um infeliz acaso do destino, à sua mercê.

publicado por shark às 20:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Segunda-feira, 15.10.12

ABANCADOS NO PODER

Aos que consigam ler em inglês recomendo vivamente a leitura desta prosa. Depois é só colocar a seguinte questão: embora com outros protagonistas e diferentes contornos, onde é que já vimos este filme?

 

Arremedo de tradução do Google Translator e de Paulo Moura:

"Quem vai governar nos EUA após as eleições?

A actual campanha eleitoral nos EUA vai determinar quem vai ser o presidente dos Estados Unidos para os próximos quatro anos. No entanto, é certo que quem for eleito para presidir à Casa Branca não vai governar o país. Uma série de relatórios recentemente divulgados destacam uma verdade antiga que ainda está para ser fundamentada com factos específicos.
A julgar pelos relatórios que chegaram à imprensa, a primeira auditoria oficial de sempre ao Sistema da Reserva Federal [FRS - Fedreal Reserve System] dos EUA revelou que o FRS aplicou quantidades incrivelmente enormes de dinheiro para as empresas norte-americanas durante e depois da crise de 2008.
Segundo o senador Bernie Sanders, Wall Street tem feito o maior negócio da China da história mundial por conta dos contribuintes norte-americanos. E o senador Sanders esclarece que uma auditoria independente, conduzida a seu pedido, revelou que a Reserva Federal destinou uns surpreendentes $ 16.000.000.000.000 (16 triliões de) dólares para as grandes corporações financeiras, de negócios e indivíduos ricos do país, sem juros, sem a aprovação do Congresso e do presidente, conforme exigido pela lei.
Se não fosse para este senador influente, esta informação poderia facilmente passar por conversa fiada atirada para criar ruído. As autoridades de Washington e a liderança da Reserva Federal não contestaram os relatórios e os meios de comunicação americanos, tão sedentos de sensacionalismo, também têm mantido silêncio sobre isso. Tudo isso demonstra como a proclamada "livre" imprensa dos EUA funciona.
No entanto, é um erro pensar que a Reserva Federal, que desempenha as funções de um banco central nos EUA e tem o direito de imprimir dólares, é dependente do governo. A Reserva Federal dos EUA é uma empresa de gestão privada, que assumiu as funções de um banco central em 1913, após uma conspiração de políticos de topo e banqueiros. Mesmo não estando previsto na Constituição e sendo praticamente independente do governo e do presidente, a Reserva Federal foi dirigindo a economia e a política dos EUA desde 1913.
Não pode haver dúvida quanto a cujos interesses a Reserva Federal dos  EUA está a tentar proteger. A recente auditoria revelou que os destinatários dos biliões emitidos pela Reserva Federal, desde 2008, incluem os principais bancos de Wall Street, incluindo Morgan Stanley, Bank of America, Goldman Sachs e Merrill Lynch.
No momento, estes bancos estão a injectar enormes fundos para a campanha eleitoral do bilionário Mitt Romney, que declarou a Rússia o inimigo número um e promete destinar recursos generosos para programas militares. A campanha do candidato democrata não está tendo qualquer tipo de escassez de fundos também. Segundo relatos, a actual campanha eleitoral está a custar a Obama acima de um bilião de dólares.
Todos esses biliões para a corrida eleitoral não estão a cair do céu. Quem vai ganhar a corrida eleitoral vai governar a Casa Branca, mas não o país."
Valentin Zorin
«The voice of Russia»

publicado por shark às 10:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 14.10.12

POUSO CERTO

 

pouso certo

 


Foto: Shark

publicado por shark às 22:16 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA DE QUE TODOS TEMOS UM POUCO

A saúde mental está a degradar-se no nosso país como em muitos outros. De resto, basta um pouco de atenção às notícias para o perceber. As alucinações e as bizarrias multiplicam-se a um ritmo que relega para segundo plano os desvios mais tradicionais, as notícias chocantes do passado passaram ao estatuto de normais e nesta normalidade aparente começamos a distinguir os primeiros indicadores de que a loucura não passa de uma questão de perspectiva e mesmo um doido intui que a da maioria acaba sempre por prevalecer como a mais acertada.

 

O conceito de loucura tem sofrido mutações ao longo do tempo ao ponto de hoje poderem circular livremente pelas ruas algumas pessoas que séculos atrás poderiam acabar amarradas a um pau, acusadas de bruxaria.

Isso prova que a loucura não passa de um desvio a um dado padrão, o da racionalidade como a maioria a defina num dado tempo ou lugar. Sim, até a Geografia pode influenciar o diagnóstico de uma loucura que pode chamar-se excentricidade noutro sítio qualquer. É uma questão cultural, mais do que psiquiátrica, pois nem mesmo a Medicina consegue meter as mãos no fogo pelas suas certezas neste domínio.

Que impressão teriam os nossos antepassados de há dois séculos atrás de um/a descendente que não sendo artista de circo se mostrasse capaz de se mandar de uma ponte amarrado a um elástico só pela pica que isso dá? Acabaria certamente numa camisa de forças, tal como qualquer defensor da política económica do actual Governo português.

 

Apesar de todo o folclore religioso que o transforma numa sumidade cheia de sabedoria e de bom senso, o próprio profeta da cristandade deve ter soado aos romanos e aos filisteus como nos soa agora o Presidente da República: completamente passado dos carretos. Claro que jamais iriam crucificar Cavaco Silva pelos seus discursos, mas isso nem que fosse apenas para não correrem o risco de que pudesse igualmente ressuscitar…

Isto a propósito de como a loucura depende acima de tudo de uma avaliação externa, como a da Troika a Portugal, por parte dos considerados sãos pela maioria (mesmo quando os sinais em sentido contrário se multiplicam). É aqui que entra a tal questão estatística: e quando os que antes se consideravam malucos forem a maioria? Quem definirá nessa altura os critérios que separam o sorriso perante uma excentricidade fora do comum e o internamento compulsivo?

 

Tal como o nosso país está a ser gerido por pessoas que talvez não se safassem do crivo de há poucas décadas atrás e provavelmente acabassem, se não no Júlio de Matos, pelo menos muito afastadas de qualquer centro decisor, quem nos garante que os tipos do FMI que andam a errar nas contas e a violar camareiras nos hotéis são bons do miolo quando insistem em impor medidas que dão cabo da cena toda ao pessoal?

É uma questão de perspectiva, lá está…

Por isso se torna importante olhar em redor para tentarmos perceber as tendências em voga em matéria de definição consensual da loucura.

 

Pelo andar da carruagem e se formos sensatos e prudentes, chegará o momento em que teremos que fazer um esforço ainda mais rigoroso para, pelo menos aos olhos deles, parecermos igualmente sãos.

publicado por shark às 16:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 13.10.12

NÃO TE PERCAS

 

começa aqui

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NUMA ALTERNATIVA GLOBAL

São muitos os cenários avançados pelos analistas relativamente ao que o futuro desta crise nos poderá trazer. Os mais optimistas, e que soam mais cretinos, acreditam sempre numa reviravolta milagrosa e surfam lá em cima, na crista imaginária da onda sinusoidal no gráfico feliz para sempre do ciclo económico que, às urtigas com a tradição, depois de muitos anos flat começou a recuar como acontece antes dos tsunamis. Os assim-assim, mais prudentes na camuflagem da sua absoluta incapacidade para entenderem o fenómeno e menos ainda para esboçarem soluções pertinentes, balouçam o discurso ao ritmo do vento que sopra cada vez mais descontrolado pela sobreposição de temporais.

Porém, os ventos sopram de feição para os mais pessimistas. Com o caos a instalar-se aos bocadinhos na vida de todos nós, as conjecturas mais rocambolescas dos profetas da desgraça e dos teóricos da conspiração assumem um realismo que as decalca na perfeição por cima dos passageiros de um barco com timoneiros desastrados e visivelmente cada vez mais atarefados a açambarcarem para a tripulação os poucos coletes salva-vidas a bordo.

Mas de todos os fantasmas e ameaças que este naufrágio financeiro desenha no horizonte, o mais dantesco é o espectro do afogamento da Democracia no meio de um mar revolto e repleto de vítimas da pirataria a braços com a luta pela própria sobrevivência, demasiado aflitas para recordarem que quando a Democracia vai ao fundo arrasta sempre consigo a Liberdade sua siamesa como se esta tivesse de repente um bloco de cimento amarrado aos pés.

 

O maior papão desta fase gelatinosa do sistema capitalista é sem dúvida a certeza (esta soou esquisita) de que ao seu eventual colapso sucederá o pandemónio social e a crise política desmesurada, propícia ao surgimento dos vazios de poder mesmo a jeito para ditadores e/ou oportunistas sempre prontos para ocuparem o palanque dos iluminados de circunstância que discursam a salvação fardada como uma medida de força.

No meio da escuridão, aprisionados pela sensação de impotência e pelo desespero de causa, todos se ajuntam em redor dos detentores de isqueiros e seguem essa luz. O medo e a desorientação constituem ingredientes perfeitos para cegarem uma população com a incandescência de palavras fortes e de opções radicais que são as que sobram na falta de alternativas.

 

Muitas vezes é o pânico o maior responsável pela desorientação colectiva que abre caminho aos momentos mais negros da eterna luta da elites pelo poder, por qualquer tipo de poder. Com os líderes democráticos desacreditados pelos maus resultados e pelas parangonas que lhes denunciam fraquezas e tentações afinal tão disseminadas nos hábitos das populações, a pequena escala de um problema global, as pessoas apontam o dedo aos maus exemplos e depois, como é típico, generalizam.

A Democracia acaba conspurcada pelo mau desempenho de alguns dos seus protagonistas transitórios e definha às mãos do crescente desinteresse dos cidadãos nos seus mecanismos, mesmo sem estarem esgotados todos os recursos e serem tentadas todas as suas versões, tantas arestas possíveis de limar que podem fazer toda a diferença entre fracasso e sucesso do único regime possível, aquele em que o povo é mesmo quem mais ordena se assim o entender.

 

Para salvar um país, e isto aplica-se à escala planetária, por vezes nem uma revolução basta. A simples troca de rostos e de personalidades nos tronos ou cadeirões, mesmo com operações de cosmética ideológica e até de funcionamento dos mecanismos de acesso ao poder (quando restam alguns), não resulta se o regime não mantiver um contacto próximo com a população que o sustenta.

É a História, que tão bem documenta esse pressuposto, a afirmá-lo na realidade dos factos que regista: nenhum povo informado e na plena posse das suas faculdades racionais suporta eternamente a privação da liberdade ou o mau desempenho dos seus líderes, eleitos ou não.

 

Em Portugal estamos encurralados pelo binómio desastre financeiro e governativo/ausência de alternativas credíveis para o resolverem ou, no mínimo, lhe amortecerem a pancada.

Por isso mesmo, muitos até desabafam saudades de Salazar e dão o peito às balas demagógicas dos que não têm receitas milagrosas mas podem brilhar por comparação com líderes trapalhões e políticos desmotivados, dos que falam mais alto e mais grosso do que os restantes papagaios de serviço nestas confusões.

No entanto, a esperança que podemos até depositar nesta ou naquela figura circunstancial não pode ficar entregue ao livre arbítrio do comando à (cada vez maior) distância dos eleitores, de xis em xis anos, e nenhuma atenção prestada durante os intervalos. E é nos intervalos que se cozinham estas sopas dos pobres que nos oferecem quando as coisas correm mal e as asneiras se expõem como f(r)acturas que nos privam cada vez mais de uma vida como a entendemos normal.

 

Associação? Feito.

 

É preciso fazermos alguma coisa ou arriscamos que outros o façam por nós, com os resultados que estão à vista. Para uns a opção poderá ser a luta nas ruas, já lá andam muitos. Mas para outros a coisa, o combate que urge travar, pode passar por mais do mesmo, Democracia robusta com Liberdade a sério para dela poder usufruir, mas com maneiras.

O conceito não é novo, mas continua na moda por via do artigo 2º de uma tal de Constituição que parece ter-se tornado num estorvo para quem aprecia a governação distante, feita à revelia dos interesses dos cidadãos e eleitores. Chama-se Democracia Participativa e devolve ao povo as rédeas do seu destino num período em que esse controlo directo se revela mais necessário.

 

Ontem nasceu a Global Vox, o primeiro passo de um movimento de cidadãos anónimos com ganas de proporem uma alternativa isenta dos erros e das fragilidades que o sistema, tal como está a ser interpretado pelos seus executantes, evidencia. Mas não com base em novidades ou em ideologias (re)feitas à pressa e à medida dos interesses de apenas alguns, antes sustentada, essa alternativa, no reforço dos mecanismos democráticos por via da intervenção popular, da emergência da cidadania que todos sabemos estar na hora de incentivar. Pela erradicação de vícios e de impurezas que só um contacto próximo com o poder nos permite, pelo fim da carta branca para a rebaldaria.

 

Orgulho-me de ter partilhado com outros cidadãos a assinatura do documento que dará origem, num futuro muito próximo, à criação de uma alternativa que vos convido a conhecer.

Pelo menos deixamos todos de poder afirmar que não existe uma...

publicado por shark às 21:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 11.10.12

A POSTA UMDOLITÁ

umdolitá



Quando for grande vou sempre escolher o da esquerda!

 

Montagem: Shark

publicado por shark às 23:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

a sardinha é minha

 


Foto: Shark

publicado por shark às 21:51 | linque da posta | sou todo ouvidos

UMA JÓIA DE DESCOBERTA

Astrónomos acabam de descobrir no meio da constelação de Caranguejo um planeta rochoso maior do que a Terra e feito acima de tudo de diamante.

O 55 Cancri E (chama-se assim, não me perguntem porquê) está um nadinha fora de mão mas certamente que ourives de todo o mundo já estão a preparar os seus investimentos na indústria aeroespacial.

 

(Já agora, alguém pode ir num instantinho confirmar se o calhau não está no nosso espaço aéreo ou assim?) 

publicado por shark às 15:19 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NO WIKILEAKS PAY PER VIEW

A Wikileaks despertou paixões intensas no mundo inteiro, amores e ódios tão profundos que tiveram pelo menos o condão de expor às claras a aliança perigosa entre o poder político e o poder financeiro (veja-se o bloqueio bancário à organização, impedindo-a de recolher donativos, mais a actual condição de exilado de Assange).

Depressa a Wikileaks conquistou o apoio de outra organização semi-clandestina, os Anonymous, que igualmente pretende denunciar e mesmo boicotar a acção dos poderes que abusam, nomeadamente na luta pelo livre acesso à informação.

Há gente dos Anonymous detida por fornecer dados sensíveis à Wikileaks sob o pressuposto da divulgação pública e sem restrições dos mesmos.

E por isso, esta novidade no Wikileaks estourou como uma bomba e a cisão parece o menor dos problemas que a organização de Assange poderá enfrentar, tendo em conta as primeiras reacções dos seus parceiros que se afirmam traídos e não são conhecidos por se ficarem…

 

Como diz o povo, não havendo dinheiro não há palhaços. E a Wikileaks, por via do boicote acima referido e provavelmente também pela situação complicada do seu fundador, cedeu à tentação SCUT (na parte do utilizador pagador), escolheu uma forma radical (a paywall acima lincada) e nada consentânea com a moral da história como os Anonymous a pretendiam.

O dinheiro, uma das maiores ameaças como ambas as organizações o entendem, acaba assim por aterrar à bruta na sopa de quem protagoniza uma das maiores caldeiradas dos últimos anos e, curiosamente, torna-se pela sua falta num foco de divisão entre os que o atrapalham nas mais altas esferas da circulação monetária.

 

É frustrante, vista de fora, esta provável separação de esforços numa luta que continuará comum aos activistas de uma e outra organização.

Será claramente uma vitória para os (abusos de) poderes que combatem e cuja receita ganhadora passa também por dividir para reinar, mas é fácil de perceber como o pragmatismo (ou desespero de causa) da Wikileaks colide frontalmente com o espírito da coisa para os Anonymous.

 

Ou então é um problema de comunicação e aí recomenda-se ao Assange que contacte o Governo Português ou outro membro da liga dos eternamente incompreendidos mas sempre a abarrotar de boas intenções… 

publicado por shark às 12:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 10.10.12

WINDOWS XP(TO)

 

janela típica de massamá

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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