Domingo, 30.09.12

A POSTA QUE HOJE AINDA PODEMOS ESCOLHER

Deus quis que, entre os homens, uns fossem senhores e os outros, servos, de tal maneira que os senhores estejam obrigados a venerar e amar a Deus, e que os servos estejam obrigados a amar e venerar o senhor (…)

 

Saint Laud de Angers

 

 

Assim se resumia, preto no branco, a definição das hierarquias numa sociedade feudal.

Eram simples, à época, estas questões melindrosas do lugar que as pessoas devem ocupar em função dos critérios de outras pessoas que reclamam os melhores para si mesmas.

Havia uma elite, os senhores, e havia o resto da malta, os servos, numa relação legitimada (e certamente abençoada) pela vontade de Deus.

Não havia muito a pensar com as coisas postas dessa forma: Deus quis e a partir daí fim de papo.

Depois era só aceitar a lotaria do destino e rezar (a probabilidade era tão escassa que só mesmo com milagres) para nascer no lado certo desta arrumação básica das prateleiras sociais.

 

Só em 1789 o mundo produziu algo de significativo para contrariar o espírito da coisa no escrito acima, depois de séculos mergulhados numa mera disputa de poderes entre os diferentes senhores e na qual ao povo (o tal resto da malta) competia sempre servir de carne para canhão.

Mas como a História sempre nos ensinou, os mecanismos de poder bem sucedidos nunca desaparecem em definitivo. Ficam latentes, à espera do momento certo, das circunstâncias mais favoráveis para ressurgir, noutras mãos, com outros rostos, com as mutações necessárias para se adequarem aos propósitos dos mais poderosos em cada tempo e em cada lugar.

 

Quando na citação acima substituímos Deus por dinheiro e olhamos em nosso redor é impossível reprimir uma certa inquietação. A chamada agenda neoliberal tem paulatinamente removido do caminho os obstáculos a um feudalismo em versão moderna, igualmente fascista mas mais civilizada, mais consentânea com os estragos que os últimos dois séculos provocaram nas contas dos que ganham mais. Mas é um facto que o poder político surge cada vez mais distante, para lá das muralhas policiais e das barreiras à Informação que os preservam da ira legítima dos cidadãos quando se percebem abusados ou vítimas de um embuste, tal como é incontestável o primado do dinheiro nas decisões seja de quem for, seja onde for, amado e venerado ao ponto de merecer o sacrifício de vidas, imensas, como só aos deuses se permite sem contestação.

E eles, os senhores da finança que controlam os senhores da política e da justiça e todos quantos procuram cobertura sob a capa de um estatuto superior ao da maioria dos cidadãos, fomentam porque lhes convém essa organização tão simples: senhores e servos. Ou senhores e trabalhadores por conta de outrem, desde que devidamente amansados pela desautorização do movimento sindical, pela precariedade dos postos de trabalho, pelo apelo ao consumo desmedido, pelo condicionamento ou mesmo manipulação da informação que mais pesa na opinião pública, pela degradação sistemática e objectiva dos mais sólidos pilares da Democracia e por todos os meios que possam tornar cada cidadão refém e, se possível, devoto a essa causa duvidosa.

 

Quando os sinais se somam e continuamos a ignorá-los temos razão para nos assustarmos. Podemos ou não levar a sério as perspectivas mais desconfortáveis e pessimistas, consoante o nosso próprio ponto da situação quanto àquilo em que a nossa vida se tornou no meio da aceleração e da alienação que quase nos são impostas como um preço a pagar pela felicidade em que alegadamente se tornou a integração na sociedade, implicando esta a posse de bens que funcionam como as bijutarias com que compraram Manhatan aos indígenas.

A esses privaram de um pedaço de terra. A nós, compram-nos aos poucos a alma. Ou, quando tal caminho não resulta, vergam-nos pelo medo da exclusão social a que nos condenam se não conseguirmos atinar ou se a conjuntura for desfavorável e se necessário desertam, mesmo que estejam em causa grandes aglomerados populacionais, como o exemplo da cidade de Detroit tão bem documenta e as várias nações miseráveis do mundo gritam nas nossas caras viradas para o lado, problema dos outros que a nós jamais atingirá, enquanto perdemos o controlo das nossas vidas, a soberania das nossas nações e tudo aquilo que nos possa defender do regresso ao passado numa das suas memórias mais desprezíveis.

 

E é sempre no presente que se constroem as várias Histórias possíveis.

publicado por shark às 19:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

PURE CHESS

 

manif

 


Montagem: Shark

publicado por shark às 01:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 29.09.12

CHARQUINHO FOREVER!

 

charquinho o bairro

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:36 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 28.09.12

A POSTA NO SINISTRO COM CULPA

Pensando bem, o que se podia esperar de um Governo que se apresenta pela Direita mas sem prioridade e tem conduzido as medidas da troika em comprovado excesso de velocidade?

publicado por shark às 17:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

PÁGINA EM BRANCO

Quero ver-te como a uma mulher nua deitada na cama à espera de mim.

Depois quero aproximar-me e tactear o caminho certo para te preencher com tudo aquilo que faça sentido para ti que o descobres apenas nesses momentos de interacção a dois.

Quero ver-te disponível e sentir-te impossível de satisfazer sem todo o empenho que a tua generosidade bastaria para justificar. Quero também transmitir na perfeição tudo aquilo que me permites sentir, mais a minha gratidão pela forma como te entregas, vulnerável mas poderosa, o poder do fogo numa rosa dos ventos que me compete soprar.

Quero ver-te cheia de vida, a expressão completamente alterada pelo efeito que consigo provocar, o meu prazer e aquele que queres partilhar com terceiros, indiscreta, só tu conheces a receita secreta que confidencio aos poucos na intimidade dos nossos encontros casuais.

Quero ver-te assim, misteriosa. No silêncio da minha contemplação, mesmo antes de estender a mão para começar um novo capítulo da nossa história na tua pele como numa folha de papel dos primórdios desta nossa relação promíscua. Quero que me deixes tatuar-te com mensagens que transportes contigo para terras distantes onde as exibas a outros amantes que te saibam merecer, capazes de entenderem a magia desta nossa relação e de te olharem com tanta atenção que te faça sentir possuída sem o seres.

Quero ver-te assim, despida. À espera de mim e do que tenho para dar, ansiosa, a beleza serena de uma prosa ou o simulacro de um poema nas palavras e nas imagens que gravo na memória daqueles a quem te mostras depois de te sentires preenchida por mim, a pele marcada pelo registo do tempo em que foste minha, uma curta passagem, que exibas orgulhosa como um diamante que só eu saberia lapidar.

Quero saber que te dás a olhar aos outros porque te gostas cobiçada, não te aceitarias privada dessa emoção que acaba por ser a principal razão da tua existência, vaidosa, maquilhada por mim, esculpida a partir de um nada aparente que vale por um infinito à medida de quem queira e possa e consiga prolongar a exploração desse enorme ponto de interrogação que o teu silêncio induz e me lanças à cara em tom de desafio.

 

Sim, gosto de ver-te despida e incomoda-me a ideia de deixar-te à mercê do frio.

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publicado por shark às 16:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A POSTA QUE JESUS SAIU MAIS À MÃE

A hipótese de Jesus (o Cristo, não o do Benfica) ter sido um homem casado, novamente ressuscitada a partir de um papiro descoberto por uma investigadora de Harvard, Karen King, continua a ser contestada pelo Vaticano.

De resto, a maioria dos entendidos parece privilegiar a hipótese de estarmos perante uma fraude, embora ainda não existam factos científicos consensuais que confirmem ou desmintam o pressuposto.

O Vaticano, tal como muitas "igrejas" empoleiradas na figura desse homem extraordinário da Nazaré (a do Médio Oriente, não a nossa), insiste em rejeitar toda e qualquer prova que possa atribuir a Jesus uma ligação íntima a fêmeas da espécie, revelação que embora não pudesse desmentir o brilhantismo da postura e da determinação desse homem único e mesmo a sua progenitura divina, poderia demolir muitos dos dogmas que baseiam a própria estrutura da Igreja Católica. 

 

Esta reacção urticária do Vaticano a qualquer espécie de humanização de Jesus, nomeadamente no que concerne a qualquer evidência capaz de beliscar a sua (com ésse maiúsculo, na grafia católica-apostólica-romana) imprescindível virgindade, constitui uma teimosia tão imbecil (pela motivação) quanto compreensível (pela motivação) porque uma versão mais terrena de Cristo deixaria em maus lençóis toda uma interpretação da coisa, mais puritana, menos carnal e sobretudo sem gajas no primeiro plano da hierarquia.

Para mim, falso católico porque baptizado à força antes sequer de saber falar, presumo que precisamente para evitar alguma contestação da minha parte ao ritual, um dos maiores pecados da Igreja Católica passa precisamente pelo mal que fizeram ao mundo quando decidiram afastar as mulheres do palco principal. Muito do que de mau acontece no nosso tempo e no nosso Ocidente cristão deriva da concepção nada imaculada desta construção de um Jesus à medida dos interesses de uns quantos gabirus.

Engolir uma mulher no cenário, mesmo santa, só mesmo com gravidez por obra e graça do Espírito Santo (o dos milagres, não o dos créditos à habitação) podia assumir algum tipo de protagonismo num tempo e num mundo para homens que se queriam à imagem e semelhança de um deus que toda a gente intui ter pila.

 

Dá-me jeito, admito, porque estou do lado certo da barricada num contexto de hierarquias entre os géneros tal como a Igreja Católica as define na essência e na dimensão prática da sua intervenção. No entanto, custa-me perceber a intrujice na génese desta forma de ver as coisas como me custa a aceitar as respectivas repercussões do ponto de vista menos religioso e mais social. Nesta religião como nas outras, que isto das gajas serem apenas figurantes numa película muito machona interessa imenso às pessoas com pila independentemente do nome pelo qual O chamam...

E por isso não estranho a reacção do Vaticano, a sua descrença veiculada por todos os crentes mais ilustres ao dispor no meio académico, ainda por cima tendo sido uma mulher a dar a cara pelo tal papiro que, sendo genuíno, desmentiria tantos pressupostos que poucas religiões conseguiriam evitar uma autêntica revolução nas suas estruturas.

 

Dou graças, embora sem saber a quem (com maiúscula, em havendo), por mais esta hipótese de desmistificação de uma importante fonte de bafio e até de injustiça para com o papel que as mulheres devem poder assumir na construção da Igreja que também é a sua.

E acima de tudo por imaginar este mundo livre da canga demoníaca que a relação homem/mulher e o sexo nela implícito têm merecido por parte de quem recusa entender que por detrás do sagrado papel de uma mãe existe o de uma mulher para assumir.

 

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publicado por shark às 13:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA NO QUE FAZ FALTA

Precisamos de redescobrir os instintos que nos possam alertar para a emergência de reparar em coisas importantes tão simples como o cheiro da terra molhada pela primeira grande chuvada de Verão.

publicado por shark às 11:18 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 27.09.12

SINGELA HOMENAGEM À DEFUNTA

 

a defunta

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

PORQUE UM SILÊNCIO CRESCIDO NÃO CHORA

Tentou em vão, vezes sem conta, deixar o coração falar pela ponta de cada dedo, com a boca no teclado e o som no monitor, embutido no falso silêncio das palavras que queria escrever em vez das lágrimas que não conseguia verter e afogavam aos poucos uma parte de si que tanto gostaria de preservar.

Também tinha vontade de gritar, mas não podia. Gritava com o olhar mas ninguém entendia essa linguagem, procurou outra abordagem e lembrou-se das palavras que tudo diziam às pessoas que as liam e quis acreditar que podia assim desabafar sem permitir que o desespero pintasse uma imagem de calimero que não correspondia a tudo aquilo que sentia e precisava comunicar.

Com palavras que queria escrever, sentidas, palavras tão parecidas com as lágrimas que não podia verter e que explicassem tal e qual a intensa carga emocional que precisava aliviar no vagão das tristezas e das aflições, nesse comboio de emoções que percorria uma linha no coração que às vezes lhe doía, revoltado por não conseguir dizer tudo quanto diria cada uma das lágrimas por verter naquelas palavras que tentou em vão, vezes sem conta, oferecer ao coração como uma porta de saída para toda a pressão acumulada.

 

Mas essa porta de fantasia, como uma pálpebra que não humedecia, permaneceu trancada.

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publicado por shark às 11:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 26.09.12

TONS ALENTEJANOS

 

alentejo raiano

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:42 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE ASSIM ATÉ A ANARQUIA PARECE SOLUÇÃO

Desde o início dos tempos, o critério de selecção dos líderes passou pelo reconhecimento de uma qualquer superioridade num indivíduo que se destacava por algum motivo de entre a multidão. O melhor guerreiro, o melhor caçador ou, em menor escala mas numa tradição que perdurou até aos nossos dias, o melhor comunicador.

Claro que tal como os nossos antepassados deverão ter aprendido às suas custas, o jeito para a comunicação de pouco valia na prática para a gestão muito terra a terra dos interesses de uma tribo ou clã em tempos hostis.

Curiosamente, foi esse o talento que se impôs até aos nossos dias e o rei leão foi substituído pelo bobo papagaio que, como sentimos agora no lombo, fala que é uma maravilha mas quando a coisa dá para o torto sente-se a falta de um rosnar a sério, capaz de espantar hienas e abutres que mesmo em tempo de crise nunca abdicam do seu quinhão.

 

Depois de ultrapassada a fase das mocas e das lanças e de todo esse arsenal ao dispor dos candidatos à liderança do passado, os que se impunham pela força, a coisa foi evoluindo ao ponto de os chefes deixarem de provar a sua competência no campo de batalha. A esperteza entrou em cena e os líderes começaram a mandar fazer, o que os privou de poderem exibir as suas habilidades, como a sua coragem e até, quando já começavam a soar os canhões, a sua inteligência para lidarem com os imprevistos da governação, depois de entregue a terceiros por delegação de competências a actuação física no terreno mas também boa parte das decisões difíceis a tomar.

A ideia de os líderes serem deuses, o que naturalmente os livrava da tropa, não vingou mas depressa se encontraram outras formas de legitimar a liderança sem provas dadas.

Bastava ser filho do líder anterior. E esse ser filho daquele que o antecedeu. Ficava tudo numa boa, filho de peixe sabe nadar e assim…

 

Mas afinal não era mesmo nada assim e às tantas os franceses decidiram virar tudo do avesso e entregaram o poder ao povo (pelo menos era essa a intenção), repescando um sistema porreiro que os gregos tinham bolado tempos atrás mas sem grande popularidade à época entre os que gostavam de mandar à chapada, uma tal de Democracia.

De repente, os líderes passaram a ter que se submeter ao sufrágio e aos candidatos deve ter-lhes logo ocorrido: sou um cobardolas, fui um cábula na escola (na altura não havia equivalências e assim…), a única coisa de jeito que sei fazer é dar a volta aos outros com o meu paleio. E agora?

Bom, rodearam-se de uma legião de gente que não possuindo a mesma visibilidade e o mesmo carisma até percebiam daquilo e como cenas tipo o brio, a honra, a dignidade e o amor à Pátria ainda existiam a coisa ia-se fazendo com maior ou menor dificuldade.

Claro que os líderes não tardaram a perceber que aquilo da Democracia não lhes garantia a preservação dos couratos quando metiam o pé na argola e o paleio, com a malta a ir à escola e a alargar os horizontes, não remediava as mentiras, as omissões, os abusos de poder aqui e além. E passaram a incluir no seu séquito uns espiões, uns polícias com mais caparro ou mesmo, nas democracias de fachada, unidades militares de elite para manterem o povo manso como dá jeito para mandar sem problemas, manifestações e outras desordens populares que ficam tão mal nos noticiários.

 

A república do venha a mim

 

Depois de acautelada a segurança e a preservação de si e dos seus, os líderes não tardaram a perceber que ao contrário de uma ditadura (que é um conceito muito rígido e que exige uma postura musculada que custa um dinheirão e só dá chatices à pessoa), uma democracia é muito mais flexível em sabendo como ultrapassar os seus melindres.

Se já nem precisavam provar os seus méritos, aos líderes bastava assegurarem a vitória eleitoral para poderem depois implantar nos sítios certos a sua corte, família, compadres, cúmplices e outras pessoas de confiança, legislar de forma ambígua para dar espaço de manobra a muitas interpretações e salvaguardar a impunidade no futuro, ficando este garantido para lá do período transitório de liderança por via de uns favores enquadráveis na zona cinzenta ética e moral (com alçapões populistas, etc.) e sem temor a uma Justiça sem meios e sem mecanismos funcionais para punir em tempo útil alguém do topo e esse topo é feito por uns poucos que controlam milhões com os seus, de caminho abafando as vozes dissonantes pelo controlo de uma Comunicação Social feita refém de coisas comezinhas como a necessidade dos salários por parte de quem a faz.

E esta versão do paraíso, este political dream moderno, acontece nos nossos dias e é tão apetecível que os mais poderosos líderes democráticos do planeta não hesitam em vergar pela força os tolos (sobretudo os de nações cheias de recursos naturais por explorar) que demoram demasiado tempo a perceberem como é que se faz e ameaçam estragarem-lhes o arranjinho.

 

Este mar de oportunidades para quem alcança o poleiro depois de afastados aos poucos do caminho os entraves como a decência, a lealdade e outras mariquices do género, nem sempre é de pequena vaga, como nas ruas dos países à rasca, primaveras ou quaisquer outras estações, se vê.

Alguns líderes do passado (recente) aprenderam à sua custa que existem limites para a tolerância de um povo para com os abusos de poder, qualquer que seja o regime, e essa lição parece até fácil de assimilar e de levar à prática com uma pitada de patriotismo e de bom senso e sem a desfaçatez de acharem que no tal mar de oportunidades a elite prospera e o povo… nada.

Sem alternativas sérias de poder, as populações desorientadas olham para os seus líderes tão capazes de falar como incapazes de fazer e em águas cada vez mais conturbadas, com a acumulação de temporais a indiciar uma tempestade à escala global, percebem-se entregues à bicharada porque o peixe graúdo insiste numa clássica mas comprovadamente utópica ilusão: a de que na ideia deles vai correr tudo bem.

 

Porque quem se lixa sempre, e apenas, é o mexilhão.

publicado por shark às 14:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 25.09.12

FLOWER POWER

 

fogo de artifício natural

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:36 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE NINGUÉM VAI ESPERAR SENTADO

Uma das motivações que me levaram a entrevistar o Dr. Mário Frota tempos atrás foi a de ser fácil adivinhar o quanto se multiplicariam, num contexto de crise, os desleixos e os abusos até por parte de empresas e de marcas insuspeitas (por construirem uma reputação baseada na alegada qualidade dos seus produtos ou serviços).

Curiosamente, vejo desenhar-se no horizonte comigo a protagonista, contracenando com uma dessas empresas com um ar publicitário muito chique mas sem produtos com qualidade e resistência a condizer, um filme típico dos que movem o meu ilustre entrevistado e a Associação que em boa hora criou.

 

Por enquanto é só um mau pressentimento, mas se for caso disso logo vos darei conta de mais um produto a evitar. E porquê.

publicado por shark às 16:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA SEM FACTURA

O aumento em flecha da carga fiscal vai desequilibrar a balança de tal forma para a fuga ao fisco que vamos passar a ter uma economia paralela assimétrica.
publicado por shark às 11:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

BLACK & WHITE

 

cleópatra

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:51 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE ESTOU A FALAR PARA O BONECO

Em momentos de crise existem domínios da governação que se tornam patinhos feios ou chegam a eclipsar-se das prioridades de governantes e de governados.

Claro que me dava jeito lançar a pedra seguinte apenas ao Estado e, logo de seguida, ao Governo que confiou num Francisco José Viegas para tornar ainda mais invisível a Cultura que a simples perda de um Ministério próprio não lhes bastou como sinal do que aí vinha.

E também é óbvio que acabarei por recordar os tempos felizes e abastados em que o Ambiente, essa preocupação política tão evidente (e conveniente) quando o dinheiro não falta, existia como algo de que se ouvia falar.

Mas não vou por aí, precisamente porque parte do fenómeno de abandono da Cultura quando a crise aperta e as hierarquias se relevam entre os diferentes Ministérios e Secretarias de Estado é alimentado pela própria percepção (e consequente reacção, ou respectiva ausência) transmitida pela opinião pública.

 

É, ou dizem que é, normal que as pessoas aceitem como natural o desinvestimento na Cultura quando o dinheiro escasseia para as coisas sem as quais não podemos viver, Saúde, Administração Interna (para não ficarmos como a Grécia, blá blá blá...), Economia (por ser o viveiro de milagres mais à mão) e por aí fora até só restarem as coisas sem as quais se passa bem.

Não tenho tanta certeza, tanta fé nesse critério grunho como seria de esperar. Até porque um ano civil das famosas gorduras atacadas onde mais se amontoam (em boa medida nos tais sectores indispensáveis), bastariam para fornecer energia ao longo de muito tempo para manter vivos projectos que funcionam, numa sociedade decente, como as escolas de formação dos clubes de futebol.

 

Reparem: a formação dos clubes é uma espécie de seguro de vida para os mesmos. É o único embrião de jogadores, a alternativa à contratação a peso de ouro de vedetas estrangeiras de segundo plano que estrangula as contas das SAD e afunda na decadência as colectividades que as justificam.

Por outro lado, jovens recrutados para a prática desportiva não serão os melhores candidatos aos vícios e comportamentos que o ócio e a falta de perspectivas induzem.

A Cultura cumpre um papel equivalente. São os mais pequenos, instituições e pessoas, os primeiros a perderem quando cortes estéticos (ninharias, no contexto global) se fazem sentir.

Tal como no futebol, sem actividades culturais de âmbito local ou regional devidamente apoiadas e que abram as portas aos mais jovens para um mundo que lhes pode estar vedado por muitas razões, é quase impossível ver nascerem talentos.

Tal como no futebol nenhum craque se notabilizará se jamais puder calçar um par de chuteiras, na Cultura não irão surgir os virtuosos a quem é recusado o contacto com o instrumento ou a arte por descobrir em si.

 

Depois há a crise, com todas as suas pressões e anseios. E aos mais novos, sem acesso a algo que todos parecemos tomar por supérfluo quando o pilim escasseia, resta o quê para expressarem de forma não violenta tudo aquilo que os revolta no futuro risonho que lhes é negado, dia após dia, neste presente sem alternativas culturais que os ajudem a canalizar tudo para uma qualquer forma de expressão artística?

Enquanto escrevo sei o quanto tudo isto poderá soar fútil, pseudo-intelectual de pacotilha, lírico, o que se queira chamar a quem chame a atenção para estes luxos em tempo de crise, precisamente porque também sei o que é viver num país sem essa fonte de pessoas positivas, esclarecidas e capazes de proporcionarem a uma população enfraquecida alguns momentos de deleite como só a Cultura pode proporcionar.

 

São vistas muito curtas. E se não lutarmos pela mudança que inverta o estatuto de palhaço rico (ou de parente pobre) com que pintamos quem se dedica ao que, na prática, constitui das mais fortes argamassas para a coesão social, nem podemos adivinhar que parte da nossa identidade essa miopia acabará por aniquilar.

publicado por shark às 00:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Domingo, 23.09.12

DESCANSEM A VISTA

 

detalhe de um rio

 


Foto: Shark

publicado por shark às 19:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA QUE BLASFÉMIA É INVOCAR O NOME DE QUALQUER DELES EM VÃO

No meu quotidiano não há espaço para Maomé e por isso tenho que confessar o meu profundo estar-me nas tintas para esse, como para outros profetas. Compreendo a importância de um profeta, vivo num país forrado a crucifixos, mas para fazer humor nem me passaria pela cabeça recorrer a tais figuras, tanto pela falta de piada que por norma esse tipo de estatuto implica nas pessoas e nos profetas como pelo respeito que me merecem as crenças dos outros. E também porque o meu conceito de bom senso não abarca os picanços a extremistas, fanáticos e afins.

 

Contudo, e porque o Marco do Bitaites me informou acerca de mais um sinal de insanidade por parte de um governante de um país tão aliado dos EUA como o CDS do PSD na actual coligação, quando as coisas chegam ao ponto de envolver ataques a embaixadas, assassinatos encomendados e outras formas de intimidação a pessoa sente-se algo forçada a tomar partidos. Nem que seja para não dar abébias à estratégia do medo tão necessária à imagem de força por parte dos gabirus que aproveitam qualquer pretexto para agitarem a turba.

Se o que está em causa é um choque ou mesmo uma guerra de civilizações, mesmo estando a minha a rebentar pelas costuras em variadíssimos aspectos basta-me uma vista de olhos rápida sobre a alternativa e o meu lado da barricada fica definido com enorme clareza.

 

Sou cristão, mas a minha proximidade ao lado mais praticante da coisa é nula (se exceptuarmos, uns casamentos, uns baptizados e até um ou outro funeral) e a minha ligação ao divino, o nosso ou o deles, jamais bastaria para alimentar o meu empenho em qualquer tipo de cruzada. Até porque não consigo mesmo distinguir as pessoas em função das suas crenças religiosas, excepto quando me deparo com as diferenças mais óbvias das suas opções de vida relativamente às minhas e num contexto de me tentarem impor regras que não aceito nem reconheço nessa condição.

É uma mania comum a muçulmanos e a cristãos, embora estes últimos já não tenham reunidas as condições para a evangelização à bruta nas masmorras e um lote significativo dos primeiros tentem precisamente reuni-las.

 

Mas estas caldeiradas só têm de religioso o estandarte preferido dos fundamentalistas islâmicos, o nosso Deus não é chamado para o assunto mas sim o líder deste mundo a Este do paraíso (que é para onde vão os mártires deles) mais os judeus em geral e os israelitas em particular.

Nós, ocidentais, não somos todos sunitas ou xiitas. Mas como até bebemos álcool e comemos porco à fartazana e deixamos as miúdas descascarem-se à grande, para além de permitirmos (mesmo sem achar piada) que os criativos debochem com os temas tabu para eles, os radicais aproveitam para juntar tudo no mesmo ramalhete para poderem fazer-se explodir em Madrid, em Londres ou na Pampilhosa e isso constituir uma grande vitória contra os infiéis americanos na mesma.

 

Afinal não são os deuses que devem estar loucos...

 

Aquilo é gente chanfrada, nisso acho que até os nascidos em terras muçulmanas mas tão agnósticos como eu concordam. Se os valores ocidentais, ou os excessos que eles permitem, começam a servir de pretexto para crimes (outra designação é eufemismo) praticados ou encorajados em nome de Alá no intuito de nos levarem a, por temor, aceitarmos que definam por nós os limites da liberdade de expressão ou outras temos o caldo entornado. Sejam Alá, Buda ou mesmo o nosso, não há pão para malucos mesmo que isso implique termos que passar revista diária às carruagens do metro ou aceitarmos que os nossos países permaneçam aliados militares de quem possa travar de alguma forma tal ameaça, sem olhar aos danos colaterais (como aliás é apanágio dos terroristas e seus mandantes).

 

É esse o erro de palmatória dos instigadores destas revoltas populares anti caricaturas ou anti filmes ou anti o raio que os parta a todos: os actos concretizados e as ameaças veladas têm um efeito na opinião pública ocidental que é contrário aos interesses dos próprios, pois reagimos mal à coação e abrimos mais a pestana aos verdadeiros propósitos dos que tentam dividir as tendências, aproveitando o pluralismo que cultivamos e a liberdade que o fomenta, para reinarem as trevas medievais.

Gostamos dos tais valores, mesmo com as suas fraquezas, quem não gosta que não consuma e que nos desampare a loja em matéria de obscurantismo, de intimidação e de censura.

Ninguém pode negar que, embora de inspiração cristã, já demos quanto baste para esse triste peditório...

publicado por shark às 01:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sábado, 22.09.12

UM RIGOROSO EXCLUSIVO EM PRIMEIRA MÃO: O CARRO OFICIAL DA COORDENAÇÃO DA COLIGAÇÃO

 

camião da coordenação da coligação

 


Montagem: Shark

publicado por shark às 01:02 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE ANIMAIS

 

pássarodoverão

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:02 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 21.09.12

O DESAFIO DOS PONTOS DE INTERROGAÇÃO

Seria fácil aceitar qualquer uma das explicações mais ou menos rebuscadas, mais ou menos científicas, para os vários mistérios que envolvem o surgimento das pirâmides de Gizeh. De resto, as respostas em falta criaram terreno fértil para a especulação e a necrópole mais famosa deste planeta começou a surgir no firmamento de alguns ilustres pensadores como a estrela do Norte para as teorias que envolvem gente de fora.

Muito de fora.

 

Começo por recordar a minha referência ao agnosticismo que pauta um estilo pessoal de abordagem aos imensos mistérios e deuses e outras paranormalidades que existem ou a malta inventou. Não contem com isenção, sinto-me no direito de pender mais para este ou aquele lado, mas igualmente não esperem certezas absolutas ou convicções firmes.

Até prova em contrário, coisas por provar não fazem nem farão parte das minhas crenças ou fés.

E neste contexto, as Pirâmides só me servem como ponto de partida para raciocínios elementares acerca de tudo quanto se vai sabendo (ou especulando) acerca daquele prodígio tão impressionante que às tantas até começaram a questionar-lhe a autoria.

 

Sempre que determinada teoria ou hipótese desencadeia reacções de fúria ou de pânico por parte de sumidades ou de instituições fico de imediato de pé atrás, pois a História ensina-nos que essas reacções só acontecem quando as ideias têm pernas para andar e constituem alguma espécie de ameaça para poderes vários e interesses obscuros.

No caso concreto das Pirâmides o simples facto de uma delas ter sido o edifício mais alto do mundo durante mais de quatro mil anos bastaria para, no mínimo, deixar alguém curioso por dar uma vista de olhos nos registos deixados por quem planeou e executou tão brilhante obra da engenharia e da arquitectura.

E é aqui que entra em jogo a minha primeira interrogação: alguém faz acontecer algo que não é superado por mais de quatro milénios, milhares de pessoas esgravatam ao longo do tempo as entranhas dos edifícios e o solo adjacente, encontram múmias, encontram artefactos, encontram tudo menos qualquer referência a como a coisa se fez?

 

Enquanto uns, mais realistas, se desdobram em cálculos que comprovam possibilidades mecânicas ao alcance dos egípcios da época (mas não possuem qualquer confirmação de corresponderem à realidade do que se passou), outros mais arrojados reparam em coincidências em catadupa que são um facto em si e por isso sustentam ainda melhor as suas teorias que para os outros não passam de fantasias.

Mas a verdade é que ninguém explica, como ninguém pode desmentir, a realidade (a coincidência) do paralelo no alinhamento das três pirâmides principais com o das estrelas no cinturão da constelação de Orion. Tal como surpreende um nadinha a sintonia perfeita das esquinas na base dos monumentos com os pontos cardeais, isto numa altura em que não existiam bússolas. E depois ainda temos a curiosidade de aparecerem estruturas similares num ponto bem distante do planeta, a América Central, quando ainda não havia net para estas coisas se propagarem nem retroescavadoras para a sua concretização.

 

A ausência de registos acerca daquele milagre nascido no meio do pó, com calhaus acima das duas e até às vinte toneladas trazidos de locais distantes há milhares de anos atrás, é mesmo uma motivação pertinente para tentarmos descobrir o que se passou afinal.

Bem vistas as coisas, as respostas em falta podem desmentir uma caterva de pressupostos e demolir milénios de deturpações.

publicado por shark às 10:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Quinta-feira, 20.09.12

E AS RATINHAS?

 

os ratinhos tambem sao criaçao de deus

 


Foto: Shark

publicado por shark às 22:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA QUE ELA ESTÁ A OLHAR PARA TI

A felicidade é frágil. Essa é a sua única debilidade, o defeito que podemos apontar para a livrar da ameaça da perfeição. As coisas perfeitas são como equipa que ganha e a felicidade precisa ser mexida, cultivada, regada como uma flor no canteiro que é a beleza que podemos e devemos nutrir para que sobreviva, feliz.

A felicidade é um bem raro e precioso porque depende de factores externos, cruzamentos de caminhos, sorte nos destinos, mas também da capacidade intrínseca para alguém a sentir e sobretudo para conseguir preservá-la das permanentes agressões a que se vê submetida, em alguns casos apenas por existir e com isso incomodar quem não a consiga experimentar. E a felicidade é sensível, até a inveja ou o ciúme a beliscam porque uma felicidade a sério não consegue entender essas coisas, más vontades deliberadas ou mesmo as situações azaradas que a afastam do sítio onde gosta de estar, perceptível, omnipresente em cada sopro de vida de quem a possa albergar.

A felicidade precisa de se sentir defendida, reclamada a todo o tempo por quem com ela tenha trocado um olhar. É frágil, desprotegida perante tudo quanto acontece para a perturbar, mais a ignorância ou a distracção de quem nem a consegue distinguir por entre as cortinas de fumo do que mesmo sendo acessório atinge as pessoas como essencial.

A felicidade é possessiva e não gosta de ver a pessoa distraída com as outras, as emoções negativas que são proibidas numa felicidade como deve ser. Ela queria ser a única mas exige mesmo é ser a principal, a rainha plenipotenciária da atenção dos seus súbditos felizardos por inerência, quer que todos aceitem o seu cariz indispensável para uma existência como todos dizem querer, saudável e feliz.

É a própria felicidade quem o diz, quase o grita, quando por entre os medos de uma pessoa aflita, por entre a tristeza temporária, passageira, que tolera apenas por ser um bom termo de comparação consigo mesma, favorece o seu esplendor de fonte de sensações positivas e clareza de raciocínio no aproveitar do melhor que uma vida nos dá, afirma-se indispensável para as coisas correrem melhor.

A felicidade é generosa pela influência do amor na sua forma de estar. O amor gosta imenso de dar e a felicidade respeita essa vontade e até fica satisfeita com o resultado obtido pela sua intervenção, aquilo que recebe de volta quase não conta porque amar já quase basta para se ser completamente feliz.

 

E a pessoa acredita, por ser a própria felicidade quem o diz.

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publicado por shark às 14:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 19.09.12

A POSTA NA SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS

Quando o Fernando Nobre entendeu embarcar no suicídio da sua imagem, afundando-se como se viu nas tormentas eleitorais, certamente a AMI comeu por tabela.

Muitas instituições acabam coladas à figura dos seus líderes mais empenhados, mais competentes ou simplesmente mais carismáticos e acabam dependentes do desempenho pessoal dessas figuras de proa que dão rosto à missão que visam cumprir. É algo de compreensível, justo ou não, até porque quando o rosto da causa está na mó de cima isso acarreta resultados positivos directos e mensuráveis, o que implica a aceitação tácita do reverso da medalha.

 

Tendo isso em mente, Isabel Jonet também deveria ter ponderado previamente as suas declarações ao DN a propósito do Estado Social. E ainda que dessa ponderação não resultasse uma coerente (com o cargo) mudança de opinião, teria sido boa ideia poupar o Banco Alimentar às consequências de uma sinceridade política que fica bem a qualquer cidadão mas, como o outro exemplo mais acima tão bem ilustra, o preço a pagar pelo usufruto de um direito de liberdade de expressão e de opinião que ninguém pode limitar é o de lesarem seriamente os interesses das instituições que os notabilizam.

 

O contrário também pode acontecer e não raras vezes figuras públicas deixam-se apanhar por esquemas, por organizações e por pessoas que julgam bem intencionadas e depois descobrem tratar-se de embusteiros. Acontece e pode manchar a popularidade de quem dela mais precisa.

Por isso todos os cuidados são poucos na gestão das intervenções públicas por parte de quem possui a fama (e o proveito) e a influência capazes de fazerem a diferença na divulgação de uma causa ou de um projecto de índole humanitária, da mesma forma que devem usar de extrema prudência na selecção das causas pelas quais dão a cara.

 

Isabel Jonet tem feito um trabalho notável no BA. Tem desempenhado a sua função com tamanho sucesso e mestria que os resultados estão à vista, com reconhecimento internacional incluído, ao ponto de ser ela o rosto da instituição.

Claro que isso não invalida que eu discorde imenso das suas posições acerca do Estado Social e que até as ache contraditórias relativamente ao cariz da causa que abraçou. Mas isso são outros quinhentos: existe a Isabel Jonet do BA e existe a Isabel Jonet de si mesma, pessoa com opiniões, com inclinações políticas, e sem dúvida com todo o direito a expressá-las.

Por isso não acho justa ou sequer inteligente a reacção de quem já afirma nas redes sociais a sua intenção de suspender a generosidade para com o Banco Alimentar como retaliação pelas opiniões da respectiva responsável.

E porquê?

 

Porque se aceitarmos que pessoas (que ocupam cargos de forma sempre transitória) possam de alguma forma denegrir e ou mesmo destruir uma qualquer causa ou instituição a que estejam ligadas vou querer que me expliquem o que vamos fazer em relação à instituição Parlamento, à instituição Governo e mesmo à instituição Presidência da República depois de por lá terem passado os que sabemos…

publicado por shark às 15:18 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 18.09.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

amarelo alfacinha

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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