Sexta-feira, 31.08.12

DE CORAÇÃO

 

de coração

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:29 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 30.08.12

A POSTA NOS PEQUENOS E MÉDIOS ALDRABÕES

Da mesma forma que me revolta a tentativa torpe de descartar para cima dos cidadãos um descontrole das contas do país por, alegadamente, andarmos todos a viver acima das nossas possibilidades, uma falácia digna de gentinha sem vergonha nem maneiras se tivermos em conta o despautério generalizado por parte da banca que usou e abusou do vínculo de confiança com os seus clientes para os endividar em larga escala, não posso deixar de reparar no desaparecimento súbito de mais de cem mil crianças das declarações de IRS quando passou a ser obrigatório o número de contribuinte para a miudagem.

 

No momento de enfrentarmos todos as consequências de uma crise internacional que destapou o covil da multiplicação de asneiras, de maroscas e de excessos cometidos ou apenas permitidos por quem nos governou nas últimas décadas toda a gente se vira contra os políticos, e com razão, como responsáveis pelo estado a que as coisas chegaram.

Todavia, se aos governantes se podem imputar responsabilidades e culpas óbvias é preciso uma grande lata por parte de boa parte da população para apontar o dedo aos de cima e passar a esponja sobre os seus pecados individuais.

A trafulhice do cidadão comum, sem dúvida com o beneplácito ou pelo menos a distracção por parte de quem tem por missão legislar e fiscalizar, é multiplicada por milhões e tem muito, mas mesmo muito, peso no desequilíbrio das contas deste Estado em aflição.

 

É isso que se revela em cada uma das iniciativas destinadas a acabar com o regabofe: são sempre aos milhares os beneficiados por baixas fraudulentas, por subsídios injustificados, por pensões ilegítimas, por uma lista infindável de esquemas, de truques, de aldrabices como esta invenção de falsos dependentes a cargo que poupa uns trocos no IRS a pagar. É o Estado que estão a lesar, para além de falsearem o jogo da vida por ganharem de forma ilegítima mais do que os seus colegas de trabalho decentes e que não aldrabam o país.

E não cola a ideia de que o mau exemplo vem de cima, pois venha o exemplo de onde vier só o segue quem quiser.

 

Por isso já nem levo a sério as conversas de café nas quais os inocentes aos magotes se queixam dos maus, dos poderosos que enganam o povo, quando lhes conheço de ginjeira as múltiplas jogadas em que envolveram ou ainda envolvem os seus quotidianos.

Os outros é que fazem, os outros é que são e tudo de errado que fazemos é lavado com a água benta das coisas com justificação. Há sempre uma há mão, tal e qual os tais outros malandros, os lá de cima, nos oferecem as suas que são quase sempre para o bem do país.

Essa carga não pode ser aligeirada dos lombos de todos quantos se comportaram como burros, tão cegos pela ganância como os mandantes que criticam e invejosos do sucesso de outros larápios (burla equivale nas consequências a roubo). Venderam a alma por trocos, no fundo, e não têm moral para apontar o dedo seja a quem for.

 

Um país que não consiga encontrar defesas contra estas mentalidades mesquinhas, estas manias egocêntricas de egoístas munidos de esperteza saloia bem sucedida em tempo de vacas gordas, é ingovernável. Qualquer outra interpretação do fenómeno é um investimento irresponsável numa forma de estar que antes não nos servia e agora é quase uma traição.

 

E essas não se medem em função do tamanho do prejuízo causado a uma Pátria à qual já pouco resta para roubar.

publicado por shark às 23:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Terça-feira, 28.08.12

BEBÉ, GATA, PRINCESA, ANJO

 

BEBÉ GATA PRINCESA ANJO

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NO SORRISO AMARELO

Encontro nas declarações de muitos figurões um humor daqueles que suscitam, nos que os rodeiam ou lhes prestam demasiada atenção, uma reacção muito semelhante à provocada pela flatulência: quase toda a gente se ri, mas ninguém sabe explicar onde está a piada.

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publicado por shark às 10:25 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 27.08.12

A POSTA QUE NUNCA MUDAM DE CANAL

Uma das coisas que mais me irritam e preocupam nesta caldeirada europeia é a mania de que sempre que há assuntos urgentes por resolver reúnem-se a Merkel e o francês de serviço na liderança à la Louçã (bicéfala) que nenhum tratado consignou.

Será a realidade dos factos, sem dinheiro não há palhaços, mas constitui uma desconsideração para com nações que não se tratam como verbos de encher, entregues os destinos de todo um continente a quem exerce um poder que, por derivar da condição financeira, afinal apenas comprou.

Mas a entrevista de António Borges, na qual um gajo que ninguém elegeu ou nomeou para um Ministério ou Secretaria de Estado revela a sua decisão privada acerca do futuro do canal público, conseguiu irritar-me e preocupar-me ainda mais.

 

O paralelo está à vista: na Europa dita comunitária como neste desgraçado país não manda a política, recheada de figurantes, de testas-de-ferro patéticos de quem mais ordena. Manda o dinheiro.

Claro que não faltam os defensores da teoria de que sim senhor, faz todo o sentido que mande quem paga. Contudo, essa teoria esbarra no caso da RTP com o pequeno detalhe de sermos nós, a multidão de pelintras, a pagar. A mesma que ajuda a sustentar parlamentos e comissões e outras ilusões europeias de poder para o povo que paga à grande e à francesa mas acaba sempre espoliado do que seja seu ou seja de todos por quem já nem tenta disfarçar o incómodo que estas coisas da Democracia e dos Estados de Direito podem causar à livre iniciativa, ao empreendedorismo ganancioso, ao furor capitalista desastroso e descarado que já nos perdeu a EDP e agora ameaça destruir cinquenta anos de trabalho e de experiência adquirida que todos pagámos a peso de ouro, entregando-o a quem se devam favores milionários.

 

Na questão europeia a situação é, ou pelo menos parece, idêntica. Gregos, portugueses e outros povos do sul com menos jeito para as contas andaram séculos a contribuir para que o Velho Continente se tornasse num paraíso por comparação com a maioria e agora que a acumulação de riqueza parece ser o único critério de avaliação da grandeza e da relevância das nações (como das pessoas) são colocados num canto com orelhas de burro enquanto, nas tintas para órgãos de soberania ou mesmo para as próprias estruturas criadas para o efeito no âmbito da alegada União, alemães e franceses, os Borges desse filme, anunciam as suas decisões e impõem-nas à revelia de qualquer legitimidade que não a de serem a malta do pilim.

Ou quem a representa.

 

Em ambos os casos, tudo o que de importante acontece parece determinado por poderes que não os institucionais, não aqueles a quem confiamos as decisões que mais interessam a cada um de nós e ao colectivo que integramos. Tudo o que acontece, cada vez menos razoável, parece provir de quem pouco ou nada se interessa pelo impacto das tais decisões comunicadas por gente sem mandato para as tomar e ainda menos para as impor, com troikas ou com falsas tutelas legitimadas por um sistema cada vez mais difícil de entender no funcionamento e na sua lógica distorcida pelas questões marginais do lucro fácil, imenso e despudorado que rege quase tudo o que emana de quem manda. Ou de quem apenas finge mandar.

publicado por shark às 23:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 26.08.12

EM ALTA

 

em alta

 


Foto: Shark

publicado por shark às 22:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NUM CÓDIGO PENAL MONTES DE SINDICAL

Arménio Carlos (CGTP) diz que a troika devia pedir desculpa pelo roubo organizado que está a fazer em Portugal.

 

Se alguém o levar a sério, vamos finalmente resolver o problema de sobrelotação das prisões...

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publicado por shark às 12:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 23.08.12

MARÉS VIVAS

 

mar português

 


Foto: Shark

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publicado por shark às 01:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 22.08.12

A POSTA DA CABEÇA AOS PÉS

Ela: Porque insistes em mimar-me tanto com palavras?

Ele: Foi a única solução que os meus lábios encontraram para beijar uma parte dos teus encantos que lhes está inacessível.

publicado por shark às 15:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA NO LAYOFF E NA DESLOCALIZAÇÃO DOS MEIOS PRODUTIVOS

Fez-lhe dez filhos ao longo de duas décadas e agora deixou-a, trocando-a por uma brasileira que entretanto conheceu.

publicado por shark às 14:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

O ÚLTIMO COMÍCIO

As palavras cambaleavam como que embriagadas pelo cheiro nauseabundo das ideias exumadas no nexo de uma causalidade arbitrária, predestinada ou não, de uma constante aleatória, que as arrastava a custo pela pista feita palco de danças que todos em volta rotulavam de imenso intelectuais.

Mal se endireitavam, as palavras circunstanciais que se atropelavam pelo desespero de causa, perdida a deixa na memória que restava da história de vida de um péssimo orador, porque eram palavras perdidas, palavras cuspidas no momento de êxtase de um exorcismo qualquer praticado naquele palanque improvisado do qual emanavam uns sons que as palavras dançavam sobre as pernas vacilantes das mentiras que não as tinham para andar.

Piruetas extraordinárias e cambalhotas involuntárias, sem atenção ao ritmo marcado pelo que, à distância, parecia o rufar de tambores na exigência de dias melhores por parte da audiência que escutava as palavras atiradas à parede como barro que não colava porque a parede parecia ter ouvidos e rejeitava também ela, estupefacta, a lógica putrefacta das ideias exumadas da sepultura onde as arquivavam, nas valas (dos lugares) comuns, tantos enganados por apenas alguns que se revelavam agora desastrados com as palavras a utilizar.

 

As palavras tropeçavam sem cessar nas raízes da insensatez plantada mesmo à beira daquela estrada sem fim que se impunha percorrer, naquela terra deitada a perder num jogo com regras a fingir, muito pouco no entanto na cotação dos aprendizes de espertalhão cuja música ecoava em fundo como a banda sonora de uma comédia sem vontade alguma de rir.

O som de palavras desequilibradas pelas ideias desenterradas à pressa para cavarem afinal a própria sepultura, escravas da lucidez que lhes matava à nascença a ilusão da confiança que pretendiam inspirar.

O ruído assustador de um comboio de palavras a descarrilar, carruagens atafulhadas de palavras desperdiçadas na viagem sem regresso a uma terra prometida no baile de uma história encantada onde a música de fundo não deslustraria em velórios, ou mesmo em funerais.

Palavras tristes demais com a sua desdita, na expressão oral que depois era escrita e as envergonhava e parecia que cada ideia as embriagava para as ajudar a esquecer o lado abjecto da sua condição de reféns daquele grupo de artistas, prodigiosos malabaristas de modelos e de conceitos, de planos que pareciam perfeitos quando o barulho das luzes se sobrepunha ao de cada palavra que se expunha ao embaraço daquela humilhação porque a demagogia as transformava numa cacofonia sem sentido algum.

 

Tantos enganados somente por um, o mais convincente no poleiro, tantos atraiçoados pelo poder do dinheiro que comprava aquelas palavras malditas que eram palavras desditas em função do tamanho da ondulação no mar onde o naufrágio já acontecia mas a bordo ninguém parecia saber.

Mesmo quando, à vista desarmada, já mal se avistava o último salva-vidas ao dispor.  

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publicado por shark às 00:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 20.08.12

(LIS)BOA NOITE

 

extremo oriente

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NUMA FICÇÃO BUÉ DE UTÓPICA

Como não me canso de referir, sou um apreciador de Ficção Científica desde tenra idade (na Idade da Pedra, mais coisa menos coisa). Gosto de perceber aquilo que preenche as expectativas dos visionários (na maioria dos casos, a FC aborda os amanhãs que disparam canhões de plasma e recorrem a transporte público de moléculas), como a ingenuidade da famosa série Espaço 1999 que previa uma colónia na Lua e afinal treze anos depois resta-nos a euforia de um laboratório com rodas na superfície marciana.

 

Os marcianos foram, de resto, os primeiros vizinhos imaginários predilectos dos autores de FC e o estereótipo mais duradouro de um ET ainda é a criatura pequena e cinzenta, com bracinhos e perninhas e uns olhos a lembrarem em simultâneo os de um ursinho de peluche e os de um tubarão bebé.

Marte assumiu, no lugar do nosso satélite natural (um rochedo seco e esburacado que nem foi preciso visitar para o descartar como habitação viável mesmo para os marcianos), o papel de palco para as primeiras conjecturas acerca da existência de vida noutro calhau que não o terceiro a contar de um sol que nem é dos mais impressionantes que hoje sabemos existirem por todo o lado que a vista telescópica alcança quando perscrutamos o céu.

 

Porém, o conceito de to bouldly go where no man as gone before (um plágio descarado dos Descobrimentos portugas) acabou por alargar o espaço abrangido pela imaginação dos criadores de FC e os marcianos tornaram-se desinteressantes perante as criaturas vagamente humanóides mas sempre calmeironas e a popular mistura homem/réptil sempre tão bem sucedida na inspiração de terror que a corrente mais pessimista, a do ET mau como facadas, com os instintos expansionistas de uma Rússia ou de uma China e armamento absolutamente devastador que ameaçavam com uma acção de despejo hostil os inquilinos desta esfera azul carregados de problemas de consciência pelo seu comportamento belicista.

De repente, a vida para lá da Terra adquiriu o colorido próprio da variedade possível em tanto Universo para explorar e os seres alienígenas pareciam provir de uma espécie de ilhas Galápagos da imaginação. Tivemos até um táxi nova-iorquino que se transformava (sim, um Transformer…) num ET de lata cheio de armamento para nos defender de outros veículos automóvel mutantes.

 

A agressividade dos extraterrestres da FC, num crescendo que acompanhava o passo dos receios que a Guerra Fria instigava nos autores, inspirou muitas versões de holocaustos possíveis com origem mais externa do que a Cortina de Ferro mas a perda de popularidade do Super-Homem e dos presidentes americanos a braços com os seus múltiplos vietnames foram confiando a cidadãos comuns a tarefa da defesa do planeta, sempre coadjuvados pelos marines que permitiam as continências aos heróis civis (sempre muito cinematográficas) e a exaltação do poderio militar que, com um arsenal diabólico de armas nucleares, passou a poder derrotar todo o tipo de invasor e respectiva tecnologia (como clássicos da estopada como o Independence Day tão bem ilustram) e ainda lavou mais branco a imagem nuclear com a eficácia atómica na luta contra a queda de meteoros do tamanho do Texas (que é maior que Hiroxima e Nagasaki juntas), no disparatado pseudo épico Armaggedon.

 

Mas nem só na quantidade e variedade dos seres de outro mundo ou nas motivações dos maus da fita a FC sofreu mutações. Outra alteração significativa dos tempos mais recentes foi a entrada em cena do pontapé na boca alienígena dado no feminino.

As heroínas capazes de enfrentarem monstros a sós mas com a mesma eficácia da melhor unidade militar vieram para ficar com a Sigourney Weaver à prova de aliens e já reúnem, em simultâneo, a capacidade de despejarem balas de metralhadora em seres de aspecto aracnídeo (mas com ares de serem construídos em peças de lego) com a inteligência superior à dos companheiros de luta masculinos.

É o caso de uma moça, Samantha Carter, que protagoniza um dos membros do SG-1, uma unidade militar terrestre que combate as tais peças de lego mais uns mistos de homem com réptil (uma tentação) e ainda arranja soluções para ET’s feitos de nevoeiro numa popular série do canal MOV que muitas horas já me consumiu.

A Sam é oficial da força aérea, preparada para o corpo a corpo contra os invasores das estrelas ou para o téte a téte cerebral com uma máquina xpto com uma válvula fundida que só a brilhante cientista guerreira consegue consertar.

E tem a vantagem (certamente alienígena, embora a série não esclareça) de ser casta e pura e nunca ceder aos impulsos machos do seu trio de parceiros no combate ao crime de quererem reduzir-nos a pó em cada novo episódio.

 

Mas o desafio mais sério colocado aos espectadores de Stargate SG-1 está em aceitar um McGyver (Richard Dean Anderson) mais entradote e que substitui os explosivos feitos com pastilha elástica pelos outros mais a sério e até é homem para destruir hordas de extraterrestres armados com coisas que disparam raios de luz equipado apenas com armas de fogo convencionais mas montes de certeiras e mais eficazes do que as fisgas improvisadas pelo jovem herói agora cinquentão que funciona como uma espécie de Francisco Louçã do grupo, ao ponto de abandonar de forma voluntária as cenas de acção nos últimos episódios da série, por manifesta incapacidade do público para vislumbrar a energia e a irreverência da juventude naquele olhar martirizado e no discurso desajustado, como é normal nos guiões de ficção cujos protagonistas e respectiva intervenção se arrastam por tempo demais.

publicado por shark às 11:46 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 18.08.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

lisblue

 


Foto: Shark

publicado por shark às 09:35 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NO PODER SEM AÇAIME

Chamam teorias da conspiração a todas as acusações por parte de muita gente com credibilidade e argumentos relativamente à actuação de Estados (ditos) democráticos no que respeita ao exercício do poder, nomeadamente pelos abusos cometidos sobretudo em nome da segurança, da estabilidade que não passa de uma paz podre que muito interessa aos mandantes do mundo inteiro.

Muitas dessas acusações põem em causa as motivações dos governantes, cada vez mais suspeitos de alimentarem verdadeiras réplicas das cortes feudais à custa de um fenómeno crescente de corrupção, de compadrio, de alianças de conveniência supra-partidárias e nada ideológicas que visam perpetuar o esquema de manutenção de uma elite intocável.

Quando alguém se destaca da multidão que prefere organizada em rebanho, o poder reage como um cão pastor e recorre aos meios colocados ao seu alcance para defender os cidadãos das muitas ameaças que uma sociedade produz. Esses meios, polícias de todo o tipo e a Lei devidamente aligeirada na interpretação por juízes com imensa flexibilidade na coluna vertebral, são afinal utilizados sem hesitações contra as próprias populações que os sustentam.

Um trio de exemplos recolhidos de diferentes pontos do planeta confere outra cor às tais teorias da conspiração: a caça impiedosa a Assange, a condenação vergonhosa das Pussy Riot e a chacina odiosa dos mineiros em greve na África do Sul.

Se as consequências dos três episódios diferem pelo grau de tragédia dos mesmos, as motivações reúnem-se em torno de um perigoso paralelo, de um ponto em comum que é o de constituírem reacções do poder a actos de revolta de pessoas com coragem para lutarem por convicções ou apenas por desespero de causa.

 

Assange rima com revenge

 

Assange colocou a cabeça a prémio no dia em que ousou desafiar alguns pressupostos que constituíam vacas sagradas da apatia generalizada que tanto agrada a qualquer líder nacional por o poupar a beliscadelas na imagem heroica que, de uma forma ou de outra, sempre tentam impingir.

Só como verdadeiros salvadores de pátrias conseguem legitimar todo o conjunto crescente de privilégios que parasitam, tantas vezes com tanta voracidade que acabam por destruir nações inteiras, as suas e as dos outros e por isso reagem por instinto com a força mais à mão.

Para o australiano mais temido (odiado?) por governantes com esqueletos nos armários estão a ser mobilizados todos os recursos de vários Estados, com o nítido intuito de silenciarem um indivíduo, ajustando contas, e de dissuadirem por tabela os restantes candidatos à repetição da façanha.

 

Free Pussy!

 

Um raciocínio idêntico terá presidido à gigantesca farsa judicial que culminou com a condenação pesada para a irreverência de três raparigas russas, inevitável como sinal do poder (ainda muito) soviético cujo rasto de prepotência tresanda mesmo a totalitário e sem tolerância para com qualquer tipo de contestação.

O mínimo que as jovens poderiam enfrentar seria mesmo a prisão, destino diferente do imposto a diversos jornalistas e outras figuras da oposição mas igualmente paradigmático do aviso à navegação que os poderosos sentem necessidade de emitir para evitarem males maiores que, na perspectiva de qualquer tirano ou tiranete, são o perigo de contágio das ideias mais rebeldes.

Foi a rebeldia das Pussy Riot que as tramou e não qualquer das acusações de treta com que as privaram do estatuto de preso político que Putin jamais lhes reconheceria.

E nem o tribunal escapa à suspeita de ser movido por cordelinhos invisíveis a partir de um Kremlin que se esforçou (mas pelos vistos não conseguiu) por não transformar em mártires de uma causa as artistas que apanharam um ano de pena por cada um dos tomates que exibiram aos russos de todos os géneros e às alimárias de todo o Ocidente que se deixam dormir enquanto as suas democracias descambam aos poucos para a mesma privação de liberdades por amor à estabilidade governativa de cada figurão instalado num pedestal dos que o poder constrói.

 

Por terrenos minados

 

Por fim, o extremo desta corda que ameaça partir entre populações cada vez mais desconfiadas e insatisfeitas com as lideranças que lhes tocam na rifa e estas últimas, cada vez mais descaradas no leque de abusos a que se permitem mais os favores que pagam com a sua permissão.

O massacre sul-africano, ao nível do que de pior o apartheid produziu, constitui-se exemplo da derradeira etapa de perversão dos valores e das obrigações dos líderes políticos, mais violentos quanto financeiramente mais relevantes os interesses a proteger.

A polícia atirou a matar quando podia recorrer a outros meios e esse tipo de decisão nunca é tomada sem ordens superiores. Em causa estava uma mina de dimensão mundial e uma empresas britânica sem tempo (que é dinheiro) a perder com a contestação que de imediato foi rotulada de ilegal e o presidente da África do Sul deixou bem clara a sua intenção de pôr um fim ao prejuízo em causa.

Foram mais de 30 os que conheceram o fim sob as balas de agentes da autoridade às ordens de um Governo que deixa claro que as ordens são para executar.

Correm mundo as imagens da execução de mineiros armados com varapaus e catanas com as quais fica mais uma vez bem clara a inexistência de limites para o uso da força, mesmo numa democracia de tom mais ou menos ocidental, dependendo apenas da relevância da causa, da dimensão do interesse ou do estado de degradação dos regimes a (des)proporção das reacções do poder às ameaças a si mesmo.

 

Perante exemplos tão flagrantes e aos quais se somam os excessos visíveis cometidos por quem manda no que é de todos mas parece propriedade apenas de alguns, os autores das teorias da conspiração soam menos... malucos.

Já aqueles que os ignoram ou tentam desacreditar, antes pelo contrário.

publicado por shark às 01:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 15.08.12

FICO MELHOR DE LADECOS?

 

fico melhor de ladecos

 


Foto: Shark

publicado por shark às 23:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

JUÍZO FINAL

A razão deu consigo aprisionada, para sua própria protecção. Deslocada para um espaço livre da perturbação que se apoderou daquele mundo interior. Vigiada a todo tempo como se fosse valiosa, algum tempo depois, quando algo lograsse a estabilização daquele lugar.

A razão tentava entender, como lhe competia, tudo o que estava a acontecer e não conseguia porque a loucura a galope na pressão demasiada espalhava informação que deixava desorientada a razão agora detida, para sua própria protecção, num derradeiro bastião de lucidez.

Cercada pela insanidade que acreditava temporária, a razão que restava era mantida isolada do caos que reinava em seu redor e que contagiava raciocínios até não fazerem sentido algum. Mas o sentido era único e obrigatório para a razão que de outra forma perderia a razão de ser, perdia o estatuto de fonte permanente de um saber mais organizado, quiçá mais controlado do que aquele pandemónio instalado no centro das emoções, em todo o lado, o pensamento arrastado para um ritmo impossível de processar em tempo útil para evitar decisões desastradas, iniciativas tresloucadas que a razão jamais poderia tolerar.

Porém, a razão parecia já não mandar e o controlo estava entregue a uma espécie de anarquia, pelas palavras que produzia e pelo comportamento anormal de tudo o resto que não a testemunha estarrecida, a razão que estava detida para sua própria protecção, perto da cabeça mas distante do coração demasiado acelerado nas curvas, salvaguardada do acidente inevitável que tamanho desnorte iria certamente provocar.

 

A razão não podia arriscar a sua integridade, era a última oportunidade de inversão para um rumo infeliz, para um regresso à lucidez infiltrada na multidão desorientada de fogos de artifício mentais, de pensamentos prejudiciais à estabilidade de todo o sistema.

Tentou ponderar um esquema de recuperação do poder, a razão forçada a aprender uma nova linguagem para a comunicação com toda aquela confusão que reinava onde a ordem deveria presidir.

A razão não podia deixar fugir nem mais um pedaço de si, já fragilizada pela força utilizada na sua providencial detenção, o presídio como salvação da lógica esgotada de argumentos, dos valores tão obsoletos que mais pareciam adequados à exposição num museu, da derradeira resistência à voz de uma consciência revolucionária, de uma insanidade que julgava temporária mas insistia em perdurar sem a razão conseguir criar os limites necessários, as barreiras que impediam os impulsos mais temerários de irem longe demais, para lá do território cartografado nos arquivos do conhecimento empírico e fora do alcance dos mecanismos de controlo impostos pela razão cada vez mais impotente e à mercê daquele motim.

 

A preocupação já não pensava assim, aparentemente aliviada da pressão pelo efeito da loucura que se apoderava aos poucos do juízo que restava e dessa forma baralhava por completo o raciocínio antes insuspeito daquela a quem competia a primeira linha de defesa contra as ameaças do exterior.

Parecia querer demitir-se das suas funções, livre das preocupações que a justificavam, relegada para segundo plano onde seria figurante na balbúrdia que as forças de segurança da razão tentavam a custo impedir de ultrapassar as fronteiras do senso comum, à solta num ambiente que era terreno hostil para a razão sem reforços nem protecção para lá daquela jaula onde não podia voar como os pensamentos enlouquecidos, como os humores descontrolados que tão má imagem forneciam de uma razão condecorada por tanta ameaça evitada no passado pela razoabilidade sua intervenção.

 

A razão, prisioneira da sua condição, observava à distância (como aconselhava a prudência) e percebia, aos poucos, que os sãos e os loucos já conseguiam conviver com a insanidade a prevalecer, enraizada ao ponto de parecer natural aquela loucura cada vez mais global que a razão, aprisionada numa masmorra de solidão, adivinhava vencedora a menos que acontecesse um milagre qualquer.

E esse conceito a razão nunca conseguiria entender, quanto mais acreditar...

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publicado por shark às 16:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

UMA €UROPA MENOS COLORIDA

 

outra €uropa

 


Foto: Shark

publicado por shark às 01:14 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 14.08.12

A POSTA NO VIDRO DO CARRO DA TUA SOGRA, PALERMA!

Existem uns autocolantes amarelos que podemos colar nas caixas do correio para assinalar a nossa intenção de não deixar atafulhar a caixa com as inevitáveis lembranças dos nossos amigos dos supermercados e das caixilharias de alumínio.

A ideia é permitir ao cidadão comum uma palavrinha a dizer quanto ao abuso na papelada num espaço que é seu e pelo qual até deve dizer a última. Faz sentido, por muito antipática que soe aos distribuidores de folhetos e similares em particular e aos publicitários em geral.

Então eu, proprietário de um veículo automóvel, devo ou não ter igualmente algum tipo de legislação, um selo para o vidro ou coisa que o valha, que garanta o mesmo direito consignado quanto à caixa do correio no caso dos limpa pára-brisas do carro?

 

A chuva de Verão é a cereja no topo do bolo em matéria de exibição do absurdo da publicidade escarrapachada nos vidros dos automóveis, nessa altura transformada numa pasta que deixada a secar quando regressa a bonança, acaba colada e difícil de limpar.

Contudo, essa iniciativa publicitária de eficácia duvidosa e por norma associada a negócios geridos por amadores implica ainda um aumento significativo do lixo provocado pelo aumento de papéis amarrotados no asfalto, completamente inúteis e na maioria arrancados em fúria pelos condutores que nem a vista passam pela mensagem que o anunciante burro pretendia divulgar.

É uma fonte de irritação permanente e em casos extremos (quando por exemplo aproveitam o vidro traseiro e a pessoa só repara em andamento) pode até comprometer a segurança na condução.

 

Esta forma de publicidade constitui para mim um abuso ainda maior do que o implícito no recurso à caixa do correio a que a lei entendeu pôr cobro, pois se a uma caixa de correio ainda se pode alegar a fragilidade na argumentação inerente ao facto de ser um receptáculo destinado a mensagens externas, no caso do vidro de um carro nem essa característica se pode invocar.

É uma pura e simples estupidez, tão estupidamente óbvia na ineficácia que não consigo lembrar, sem nomes ou referências de localização, mais do que umas clínicas dentárias barateiras, uns restaurantes orientais com entregas ao domicílio e umas seguradoras telefónicas. Isso mais os fulanos que compram qualquer carro usado, mesmo sem inspecção...

 

Considero abusiva essa utilização do meu carro estacionado como veículo publicitário não autorizado e não entendo a dualidade de critérios expressa na permissividade quanto a esta distribuição de lixo em propriedade alheia por contraponto com o espírito da lei que criou os tais autocolantes amarelos.

Trata-se de um abuso e como tal deveria ser liminarmente proibido porque viola regras elementares de bom senso e porque, extremando a coisa para lhe perceber a natureza, constitui-se precedente para um dia os distribuidores de panfletos em vidros de carros começarem a olhar para os óculos das pessoas com uma expressão gulosa e que nada prenunciará de bom.

publicado por shark às 21:43 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 12.08.12

GRAFITI LOVER

 

rebeldia sadina

 


Foto: Shark

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publicado por shark às 23:33 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NA ACELERAÇÃO PERIGOSA DE UMA ECONOMIA SEM TRAVÕES

A globalização, uma realidade aparentemente imparável, parece possuir uma característica que se destaca das demais e certamente fará as delícias de organizações e de pessoas poderosas em todo o Mundo: funciona como um gigantesco acelerador de todo o sistema capitalista, impondo ritmos de crescimento tão avassaladores que mesmo empresas de dimensão colossal acabam absorvidas pelas mega-corporações que funcionam quase como uma praga de eucaliptos nos seus nichos de mercado, gerando uma dinâmica que se pode definir como survival of the biggest.

 

O impacto deste fenómeno à escala global, cuja vertente mediática se cifra nas fusões ou assimilações de gigantes multinacionais, poderá estar na origem de dois conceitos, chamemos-lhes assim, que fazem escola há um par de décadas nas empresas de maior dimensão: na área comercial temos a escalada sistemática dos objectivos anuais e no sector produtivo impõem-se tempos-padrão para o completar de determinadas tarefas.

Em termos práticos, os directores comerciais vêem-se obrigados a desenharem objectivos cada vez mais altos e os seus congéneres da produção esforçam-se por conseguir que as suas unidades obtenham os melhores desempenhos em fracções de tempo cada vez mais curtas.

Isto parece lógico, razoável até.

 

Contudo, a realidade prática, a verdade dos factos por detrás do aparente (e seguramente temporário) sucesso desta combinação de automatismos (só as máquinas podem calibrar-se dessa forma) é o culto da frustração imposto aos comerciais que nunca chegam perto da cenoura pré-definida e da falta de brio aos técnicos a quem impõem ritmos impossíveis de abraçar sem perda da qualidade do serviço prestado. E entretanto a pressão vai dando cabo de quem trabalha, adicionada à do medo do despedimento que verga a coluna mesmo aos mais contestatários.

A realidade apresenta-se como a de um processo descontrolado, caótico, que está a definhar à mercê da sua inviabilidade, da sua falta de sintonia com um elemento fundamental da engrenagem: as pessoas.

 

Desde o início, a globalização soou-me, como a imensos economistas e outros estudiosos da dinâmica da coisa, ameaçadora. De resto, não faltam na Ficção Científica os hipotéticos cenários que o futuro pode criar a partir da tendência acelerada de canibalização de empresas por parte da sua concorrência de maior dimensão, com as regras de mercado a privilegiarem os impérios com pés de barro mas cuja voracidade acaba por trucidar tudo à sua passagem, pessoas e valores, sem hesitar em destruir-se enquanto sistema se a operação for lucrativa para os que mais interessam e que ninguém sabe muito bem quem são mas mandam cada vez mais no Mundo.

A crise provoca na globalização um fenómeno semelhante ao de um animal ferido que cego pela dor desfere golpes a quem se aproxima demais, ainda que venha em seu auxílio.

Na cegueira dos gráficos, das cotações, do lucro astronómico exigido a quem tem o seu dinheiro investido nessa máquina infernal, vale tudo para manter o tal ritmo alucinante que está a criar distorções e a pressionar decisores a arriscarem todo o tipo de golpadas, the show must go on, para cada ano representar um xis por cento de crescimento como deve ser.

 

Estão a ser cometidas asneiras com consequências irreparáveis, pelo menos no contexto do sistema capitalista como o conhecemos, com a agravante de ninguém saber o melhor passo a dar a seguir. Cada cabeça sua sentença, mesmo entre os entendidos, com o planeta em suspenso à espera de ver cair o primeiro dos gigantes que vacilam perante uma crise cada vez mais espalhada por contágio a cavalo na tal globalização que também colabora na infecção generalizada de países ou mesmo de continentes nesta orgia de milhares de milhões que se perdem em todo o lado e ninguém parece ser ganhador excepto umas figuras difusas, sinistras, especuladores ou coisa que o valha, e o sistema parece cada vez mais próximo do fim por quanto tentem chutar para canto o espectro de um armagedão financeiro que pode mesmo arrasar a sociedade como até agora a construímos.

 

E nos equilíbrios de forças nivelados por baixo, à escala global acelerada demais, basta uma pequena faísca para queimar o rastilho curto que nos separa de uma implosão como nem a Grande Depressão, mais localizada e sem tantas repercussões externas, representou.

publicado por shark às 23:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 08.08.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

lisboa bicolor

 


Foto: Shark

publicado por shark às 00:37 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NOS QUE JÁ DEVIAM TER EMIGRADO HÁ MUITO

Revolta-me ouvir portugueses ilustres, ou simplesmente mediáticos o bastante para serem entrevistados por jornalistas estrangeiros, falarem com enorme desdém do nosso país.

Mais do que me revolta, repugna-me esse destilar das fraquezas circunstanciais de uma Nação que acaba por ser vítima do fraco nível das suas figuras de proa que tanta trampa soltam pela popa ao longo do seu percurso privilegiado no país que enxovalham perante os de fora.

Numa fase tão dramática em que até a soberania foi amputada pela gangrena provocada por medíocres que, regra geral, fazem parte da mesma elite que agora insulta o país com o seu desprezo mal contido, cai mal, muito mal, esta sede de protagonismo daqueles que apontam dedos acusadores a uma Pátria que nada fizeram para proteger dos males que a afligem.

 

Uma das regras mais razoáveis do funcionamento das organizações é a que recomenda que os assuntos delicados sejam tratados em sede própria, dentro de portas, e não discutidos na praça pública. É uma lógica fácil e aplica-se a organizações de qualquer dimensão, desde pequenos grupos de cidadãos ao conjunto dos que partilham uma Pátria.

Existe, por outro lado, uma diferença clara entre o impacto negativo do alardear de verdades inconvenientes para europeu ver (e atenção ao tom utilizado) e a mensagem positiva que se pode transmitir a partir dessas mesmas realidades desconfortáveis, transmitindo uma imagem colectiva muito mais favorável aos interesses do país.

Mas não são esses que preocupam os queixinhas (piegas?) mais desbocados, sempre tão deslumbrados com o destaque garantido pela presença de microfones ou de câmaras de televisão.

 

Afirmar o descalabro de Portugal perante os estrangeiros, denegrir a imagem do país ao enfatizar as suas misérias em detrimento das muitas grandezas ao alcance de um povo bem liderado, como este já provou, é impossível de defender enquanto gesto patriota. É um exercício desnecessário de lavar de roupa suja aos olhos de estranhos, de observadores facilmente impressionáveis por estas impressões deixadas por pequenos traidores que ocupam, neste período difícil, posições de (demasiado) relevo e (ab)usam-nas na excitação do momento, sem equacionarem sequer o efeito que as suas palavras (volto a chamar a atenção para o tom) provocam em quem não possui dados suficientes para as interpretar, para as enquadrar num contexto que possa ser benéfico, em termos de opinião pública europeia, para o nosso país.

Estes factos tornam-se ainda mais relevantes, reitero, por serem produzidos por quem possui voz e influência reconhecidas o bastante para merecer tal destaque. E essa voz e influência possuem-nas igualmente na sociedade que em nada conseguiram melhorar mas denigrem sem hesitar quando a oportunidade lhes é, inexplicavelmente, concedida.

 

Com o país tão necessitado de gente de bem que dele se orgulhe e queira acima de tudo libertá-lo da actual condição, revolta-me, repugna-me que os comprovadamente incapazes andem a dar a cara aos de fora como denunciantes de males a que se consideram alheios, preocupando-se mais em sacudir água do capote do que com a imagem já de si fragilizada que a situação financeira sempre implica, para os indivíduos como para as nações, como os gregos já sentem na pele.

E não, ainda não somos a Grécia no grau de aflição.

 

Mas parece ser esse o desejo secreto desta seita sem vergonha, desta elite impostora que tenta desesperadamente, prioridades bem definidas, descartar-se das suas responsabilidades directas ou por omissão no estado de um país do qual só lhes interessa defender uma zona restrita: a periferia apátrida dos próprios umbigos.

publicado por shark às 00:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sábado, 04.08.12

VOU NO PRÓXIMO

 

vou no próximo

 


Foto: Shark

publicado por shark às 15:41 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 03.08.12

VERÃO QUE PASSA NUM INSTANTINHO

Uma das coisas que mais apetece postar durante a chamada silly season é uma silly posta. Apenas mais um texto que não interesse a ninguém, acerca de algo sem jeito algum, mais óbvio ainda na inutilidade do que os seus antecessores. Não é tarefa fácil, acreditem, a pessoa tentar transcender-se seja no que for e acima de tudo num qualquer ponto fraco, o tal ponto que temos todos imensa dificuldade em ver porque só os camaleões conseguem revirar os olhos no ângulo necessário.

Nem mesmo a visão periférica, largamente ampliada nos indivíduos do meu género nesta época estival, nos pode valer na detecção desse ponto de vista que a própria não alcança.

Resta-nos portanto a benesse da contemplação.

 

Dizem que é uma arte, conseguir falar durante horas sem dizer grande coisa. Claro que nessa perspectiva somos um país de artistas, sempre dotados na expressão oral das melhores impressões. Claro que por escrito tem menos mérito, a pessoa não está frente a frente e por isso evita uma série de constrangimentos que inibem alguns dos melhores papagaios na hora de vestirem as palavras com a magia do som.

A voz é como que o pincel, o cinzel, do comunicador da treta (dos tais que enchem chouriço com um presunto às costas) e produz sempre mais impacto na audiência do que um texto como este, particularmente vocacionado para frustar quem busca uma moral da história, um conteúdo que possa representar a mais-valia que é o imperativo moral de quem prende a atenção dos outros e lhes rouba parte do tempo com a sua intervenção.

Esta é uma silly posta porque estamos no pino do Verão. E toda a gente foi de férias e eu não. 

 

Dizia eu que o calor parece exercer um efeito de dilatação dos globos oculares masculinos, pelo menos os que ainda não deixaram de todo de gostar da fruta por tantas horas investirem no seu próprio visual. A simples ideia de passar horas a olhar para um gajo, mesmo sendo o próprio, já constitui um factor de desmotivação para quem nasce e sabe irá morrer com os olhos cada vez mais esbugalhados pela beleza tão refrescante de muitas imagens típicas do Verão. Mas há gente para tudo e eu queria mesmo era falar de cenas banais como uma silly posta exige ou acabo por me desviar do assunto.

Se a pergunta que vos assola o espírito nesta altura é "mas qual assunto?" temos a coisa bem encaminhada em termos de coerência e uma posta, tal como uma season, pode ser silly mas continua obrigada a respeitar determinados padrões. Reparem como a frase anterior brilha no firmamento da inutilidade, no rococó do palavreado inócuo que visa simbolizar a vacuidade que esperamos encontrar nesta (como em muitas outras) épocas do ano.

 

O fio condutor de um texto como este só pode ser o fio dental, isto ainda a propósito do fenómeno do reviralho ocular que aflige os da minha espécie e que já devem ter percebido nem é problema para ninguém e por isso mesmo despe bem esta posta de preconceitos contra o preenchimento do vazio com doses maciças dele mesmo. Até poderia ser um pensamento giro de filosofar, mas lá está: isso retira à silly posta toda a razão de ser porque belisca a sua essência naquele delicioso refego das nádegas que podem, em casos extremos, conduzir o incauto veranista a um torcicolo difícil de explicar a quem o acompanhe na altura nesse passeio marítimo tão repleto de focos de destabilização do ponto de vista. E essa perda do fio condutor no discurso, esses segundos letais de desconcentração, acaba por estar na origem de alguns conflitos de interesses com quem, por inerência da condição, impõe rédea curta para as vistas largas e não tolera nem perdoa a falta de discrição.

E num momento de desvario isso pode provocar um efeito terrível nos globos oculares do observador por instinto. Falha-lhe nessa altura o instinto de preservação, obliterado em absoluto pelo cruzamento com prioridade num caminho de curvas acentuadas até à colisão frontal com o olhar furioso da sogra que funciona como o candeeiro ou o sinal de trânsito que descobrimos à bruta num dos lados da cabeça distraída com o processamento exaustivo das imagens recolhidas no viveiro do imaginário mais à mão.

E esse já se sabe qual é no Verão, tanta fruta descascada que apetece fazer uma salada para combater a obesidade que tanto deslutra o macho lusitano em função dos padrões estéticos em vigor. 

 

No Verão as pessoas tendem a aligeirar a roupa, as refeições e até as ideias que possam de alguma forma atrapalhar a concentração naquilo que verdadeiramente interessa nessas alturas e que é coisa nenhuma em concreto e montes de coisas só para entreter. A malta precisa de descontrair e não dispõe de qualquer receptividade para os assuntos sérios que deveriam eles próprios alugar um apartamento em Armação de Pera ou no sudoeste da Gronelândia para descansar. E se tiverem que vir à berlinda que sejam rápidos, concisos e de rápida digestão para não adiarem a hora de ir à água que é das mais convenientes para o usufruto da visão melhorada por magia pela luz e pela cor e pelo movimento que as pessoas pulverizam no horizonte banhista do observador mais atento às questões de pormenor.

O Verão é tempo de calor.

 

E eu saio desta posta com a satisfação do dever cumprido, do objectivo alcançado neste esforço de integração por parte de alguém que bloga sem poder contar com a leveza e a descontração de um facebook ou outra coisa assim muito mais estival e sem espaço para encher chouriços a sério no meio de tanto barulho das luzes acerca de tanta coisa imbuída do mesmo espírito deste texto que vos deixo, embaraçado pela simples hipótese de alguém o ter levado a sério a ponto de o ter lido até este triste fim.

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publicado por shark às 22:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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