Sábado, 30.06.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

contrasenso luminoso

Foto: Shark

publicado por shark às 13:37 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 29.06.12

A POSTA CONSTRUÍDA EM BETÃO DESARMADO

Isto de a pessoa ser pai é um processo de construção. Um gajo vai construindo os alicerces enquanto aguarda a hora agá, pedra a pedra, numa mentalização prévia dos requisitos a que se obriga para o cabal cumprimento da função, sem fazer ideia do que o espera.

Depois eles nascem e a pessoa já tem uma porta aberta, construída para os acolher, e vai erguendo à pressa as mais sólidas paredes para proteger a criatura pequena e indefesa que ocupa todo o horizonte, todo o espaço existente em nós mais aquele que for preciso arranjar.

E depois o telhado, improvisado à medida das possibilidades, coberto com os materiais que a conjuntura disponibiliza, telhas boas aqui, remendos de madeira mais além, para impedir que nem do céu possam surgir as ameaças exteriores à redoma à prova de bala que tentamos em vão impor em redor do centro absoluto da nossa atenção.

Mas um dia eles começam a falar e depois provam que sabem pensar e chega a hora de nós, pais em construção, providenciarmos as janelas.

E é aí que no horizonte coberto das cores garridas de um mundo perfeito de fantasia em que os tentamos manter até para lá do razoável começam a surgir os remendos incolor, pintados pelo nosso pequeno grande amor a partir da paleta das suas interrogações e da sabedoria que nos escapa, adquirida lá fora ou a partir da dedução permitida pela inteligência em desenvolvimento acelerado.

As janelas que abrimos de par em par aos nossos filhos são sempre enormes, panorâmicas, aos olhos de quem as constrói reprimindo a tentação do gradeamento ou de qualquer outra forma de impedir que um filho possa cair enquanto espreita as vistas que partilhamos para ajudá-lo a perceber melhor o caminho que irá percorrer depois. Vistas de curto alcance, claro, um passo de cada vez para evitar os tropeções, e o filho a tentar espreitar pelo óculo que disponibilizamos de facto em vez da janela que se abre à nossa imaginação e nós, os pais em construção, a falar das coisas da vida, tijolo a tijolo mais o revestimento a azulejo para essas revelações soarem mais bonitas, para parecerem melhores do que são.

E nós, construtores em construção, muito liberais, somos apanhados desprevenidos com o trabalho de grupo na escola acerca de contraceptivos e com uma simples e prática questão lançada sem malícia no meio do nosso discurso encurralado no tempo das abelhinhas e das flores:

 

- Ó pai, para que é que há preservativos com diferentes sabores? 

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publicado por shark às 17:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Quinta-feira, 28.06.12

PORTUGAL-ESPANHA: O DÉCIMO-SEGUNDO JOGADOR

sexta feira treze

Foto: Shark

publicado por shark às 23:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 26.06.12

A POSTA QUE É NA CRISTOTECA QUE CRISTO TOCA

Confesso: estou em pulgas para saber novidades da anunciada cristoteca de Fátima e tenho devorado tudo quanto a Comunicação Social tem especulado acerca desse ansiado bastião da náite como ela deve ser na interpretação católica dos que tanto torcem o nariz aos antros de depravação espalhados país fora pelo demo.

A sério, acredito que para muitos jovens crentes a cristoteca representará pouco menos do que um milagre pois para a maioria deles será a única hipótese de frequentarem um espaço de diversão nocturna que, de resto, poderá mesmo cometer a ousadia de ter as portas abertas aos fiéis até altas horas da madrugada, havendo quem arrisque a possibilidade de a cristoteca manter as suas portas abertas para lá das 23 horas!

 

A euforia que invadiu os Seminários e agrupamentos de escoteiros de norte a sul de Portugal impõe a divulgação de toda a informação possível, mesmo que provinda de fontes anónimas celestiais.

É nesses pequenos pecados da fuga de informação que todos bebemos (sem álcool) o essencial para matar a sede de conhecimento acerca de tão abençoada iniciativa pastoral, embora seja de prever que os lucros sejam de imediato distribuídos pelos pobres mais à mão, depois de deduzidas as despesas com o pessoal.

 

O recrutamento de pessoal também é um mistério, tendo em conta algum tipo de paralelo com as discotecas tradicionais e pagãs em matéria de funções a desempenhar.

É de prever que por detrás do balcão do bar encontremos catequistas formados para formatarem a juventude cristã no sentido de apreciarem o alto teor católico do sumol de laranja ou mesmo de ananás.

Por outro lado, em cada porteiro terá que existir um sacristão da paróquia, altamente especializado na identificação dos fiéis e capaz de impedir o acesso à cristoteca por parte de filisteus embuçados.

O DJ, naturalmente, será um padre. Isto traduz um esforço na racionalização dos recursos por poder acumular com a selecção musical a celebração da Eucaristia, sendo de prever que se trate de um prior bastante prafrentex e com uma abrangência que engloba a malukeira de uns Evanescence ou a sobriedade de um Frei Hermano da Câmara remix.

 

Claro que esta ideia peregrina envolve riscos calculados por parte da secular instituição que a irá pôr em prática, nomeadamente pela necessária abertura ao exterior imposta pela necessidade de promoção da iniciativa.

E se um dia, depois de meses a filtrarem a playlist em busca de palavrões, obscenidades e outros desvios à moral cristã e aos elevados valores que irão nortear a cristoteca chega o dia em que permitem, sei lá, uma emissão em directo da bué de irreverente RFM ou assim?

 

O fanico dos mais beatos empreendedores ligados à iniciativa será de tal forma que acabam desmaiados na pista.

Em posição de missionário, se Deus quiser…

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publicado por shark às 17:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 25.06.12

CONFÚCIO DE BOLSO

Há poucas formas tão estúpidas de desperdiçar tempo como o que se esbanja com alguém de cujo rasto nem a saudade restou.

publicado por shark às 01:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Domingo, 24.06.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

grupo cota

Foto: Shark

publicado por shark às 22:03 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 19.06.12

A POSTA NUMA BOSTA PROTEGIDA PELA FÉ (EM CINEMASCOPE)

Nunca deve ter passado pela cabeça dos dinossauros que um dia iriam extinguir-se. Eram grandes, eram fortes e o planeta parecia feito à medida para nada lhes faltar (tirando uma ou outra alteração climática mais acentuada que lhes podia dar cabo das hortas e da criação).

Ainda não sabemos bem como, mas a maioria aponta para o céu a explicação. Terá sido intervenção divina, um calhau grande o bastante para virar a superfície da Terra do avesso e cobrir a atmosfera com o pó que os privou da luz do sol e abriu caminho ao império dos mamíferos dos quais nos destacámos depois de uns tempos a estagiar com o resto do macacal.

 

Os dinossauros, coitados, foram apanhados com as calças na mão e acrescentaram um saber que de pouco lhes valeu na altura: tamanho não é documento.

E lá andaram os antepassados das ratazanas a disputar território e recursos com o resto da bicharada estranha desses dias e algures surgiram os símios e os dinossauros devem dar duas voltas no fóssil quando constatam os minorcas que lhes sucederam na fila para uma calhauzada qualquer. Ou uns mísseis bem ogivados, também se chega lá assim.

Tal como os anteriores inquilinos desta esfera azul enquanto não acabamos de a pintar de outras cores, não nos passa pela cabeça que a extinção seja uma possibilidade a considerar.

Soa quase herética tal profecia pois qualquer religião com bom senso soma dois mais dois e arranja sempre forma de haver sobreviventes no dia do Juízo Final.

Os dinossauros perderam-se pela falta de fé, no fundo...

 

Nós, antes pelo contrário, até já fazemos filmes nos quais enfrentamos telescópios nos olhos os calhaus enormes que nos possam ameaçar e ganhamos!

A esperança é a última a morrer e mesmo o seu funeral será filmado pela Paramount Pictures (os tais sobreviventes que a fé cuidará de salvar, lembram-se?), pelo que os inventores dos coletes à prova de bala nada terão a temer, pelo menos na sua minoria.

Nisso, os dinossauros não tinham o que lhes valer. O perigo caiu-lhes em cima sem que tivessem sequer tomado consciência da ameaça que a grande fisga cósmica lhes catapultou. E os mais agnósticos poderão até arriscar que nem a fé lhes valeria em tais circunstâncias e se calhar nessa até têm razão.

Claro que nós, tão eternos e tão alegadamente únicos seres vivos do universo e arredores, criados à semelhança de Deus (aí, os dinossauros e a Lili Caneças não poderiam competir), temos uma fé à prova de imprevistos e já temos as ameaças possíveis todas catalogadas. Ainda elas mal acabam de se manifestar e já alguém está a proceder ao registo, análise e comentário detalhado em horário nobre nas televisões. Nada nos surpreende, pois acreditamos piamente na inevitabilidade da sobrevivência de mais do que (logo elas) as baratas mesmo em caso de holocausto nuclear.

Aliás, Hollywwod já previu a ocorrência em películas como o famoso The Day After, tudo sob controlo no reino dos cenários.

 

Tudo isto a propósito da fanfarronice com que todos percorremos o nosso tempo no nosso espaço, certos de que por muita trampa que produzamos jamais ficaremos soterrados (enterrados?) sob a mesma como o Samuel (Beckett) tão bem teatralizou.

Podemos envenenar os rios, abater as árvores todas, intoxicar a atmosfera com todos os dejectos gasosos que conseguirmos soltar como lastro, como um rasto que o progresso justifica e a nossa magnificente e esplendorosa existência impõe. O medo não nos assiste nem relativamente aos calhaus caídos sobre o toutiço (a todos? Não, uma pequena mas irredutível aldeia gaulesa...) nem aos holocaustos nucleares, nem às alterações climáticas.

Somos invulneráveis, insubstituíveis, todo-poderosos senhores do planeta que Deus limpou de lagartos de maiores dimensões para nos oferecer um paraíso para pintarmos de fresco com a nossa natureza de térmitas talhadas para roer os próprios pilares de sustentação da vida.

 

Toda a bicharada do Mesozóico, mesmo que defecasse em simultâneo, não conseguiria melhores resultados na transformação disto tudo numa gigantesca (à nossa pequena escala) instalação sanitária a céu aberto por mais que se tente esconder.

Chamamos-lhe evolução, mas eu não vejo grande diferença entre a bosta imensa de um brontossauro do jurássico e a merda produzida pelos actuais broncosauros de um período que a indústria cinematográfica e a Ciência só poderão, no futuro dos amanhãs que sorriem na tela, retratar como a era do patético.

Inferior.

publicado por shark às 01:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Quinta-feira, 14.06.12

PASSARINHA TAMBÉM PUXA CARROÇA

tecto de biblioteca em Praga

Foto: Shark

publicado por shark às 21:46 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 13.06.12

A POSTA QUE JÁ ENJOA

Como estamos a lidar com uma estatística muito favorável para um prognóstico, uma hipótese em duas, é de prever que em milhares de cretinos com bichos adivinhos, sejam polvos, vacas ou pardais de telhado, haja centenas que poderão reclamar o acerto no resultado do Portugal-Dinamarca.

Aliás, ainda com base na mesma garantia de apenas ter que acertar numa de duas alternativas, até haverá dezenas a poderem invocar o estatuto de vidente para o seu papagaio por ter comido primeiro a bolacha pintada com a bandeira do vencedor do Portugal-Holanda.

E mais, se logo à partida forem mesmo milhares os cretinos com bichos alegadamente adivinhos até pode, é mais difícil, mas pode haver um animal capaz de transcender qualquer ser humano nesse dom tão em voga nos dias que correm sem cromos como o Zandinga para substituírem os bichos dos macacos amestrados pela sede de projecção e escolher a guloseima certa até ao jogo final.

 

Claro que não faltarão municípios interessados em ver surgir no seu concelho uma galinha visionária ou mesmo um porco ciclista, pois já toda a gente percebeu que os holofotes dos quinze minutos de fama apontam de imediato para onde os milagres possam acontecer, de preferência em directo e em exclusivo mas nunca de surpresa para poderem afinar agulhas com um patrocinador.

É no fundo o síndrome do emplastro, com a vantagem de o bicho poder servir de pretexto para a gula do dono pelas câmaras, que sempre se revela quando a ocasião justifica e nada mais à mão do que um Europeu de futebol quando ainda está fresca a memória dos tentáculos saudosos do pioneiro alemão deste folclore dos segundos planos.

De repente lá começam os noticiários mais os programas desportivos habituais mais os programas desportivos especiais na sua busca incessante do bruxo genuíno, torcendo para que não seja uma barata, uma cascavel ou mesmo um crocodilo. Até um urso de peluche serviria, se o vento o inclinasse para o lado da bandeira da selecção vencedora.

 

Esta faceta pitoresca do entusiasmo futeboleiro não é diferente de muitos outros estratagemas a que o anónimo sem jeito nenhum seja para o que for recorre para chamar a si a atenção imbecil dos caça-palermas que trabalham nos media, tanto pode ser barricar-se num apartamento de Chelas gritando que tem uma bomba quase a ferver no interior do micro-ondas como aproveitar o sucesso da filha pimba num programa televisivo inenarrável mas muito popular entre as massas devoradoras de tudo quanto acontece nas capas das revistas ou nos ecrãs (e cada vez mais nos monitores).

De cada vez que acontece algum evento capaz de congregar multidões ou de encaixar num espaço do tempo mediático as referências de que toda a gente quer estar a par, lá teremos centenas ou milhares de cidadãos convictos do seu direito ou mesmo do seu mérito para justificar nem que seja metade do rosto apanhado na borda da fotografia a um famoso qualquer.

 

Naturalmente, os cidadãos anónimos e sem jeito para seja o que for terão que disputar com outros cidadãos, igualmente anónimos mas com um talento especial qualquer, a atenção de quem forja famas e fabrica fortunas. É aí que entra a bicharada, como poderia entrar a tia acamada há muitos anos em coma profundo e que de repente acorda e alguém se lembra de ligar para uma televisão ou um jornal. São testas de ferro perfeitos para os seus porta-voz de circunstância que assim recolhem os louros da atenção sem os espinhos da necessidade de produzir, de fazer ou de dizer algo de suficientemente relevante para se transformar num momento de grande informação.

Já toda a gente sabe que não precisa de esforçar-se mais do que o necessário para se encaixar no critério de selecção dos chouriços com que se enchem páginas de publicações ou minutos de emissão, apenas pela esperteza de estar associado a uma figura de uma moda suficientemente duradoura ou apenas oportuna.

 

É no oportunismo que está o segredo desta receita magnífica para confeccionar enchidos que contrabalancem os horrores do quotidiano ou vão ocupando o espaço deixado vazio pela ausência de factos ou de pessoas dignas de o ocuparem ou apenas pela negligência grosseira daqueles a quem essa tarefa deveria competir. Mas preferem percorrer o país em busca do ornitorrinco capaz de adivinhar o resultado de um jogo decisivo de futebol.

E eu, o camelo do espectador, fico pelo menos a saber que a situação do país, a crise marada, não é assim tão desesperada porque afinal, seja na Amareleja ou nos arredores de Vila Real, existe um português capaz de ser dono de um bicho capaz de adivinhar pela simples consulta do menu o final de uma história tão mal jogada que até parece que o Cristiano Ronaldo vai nu.

publicado por shark às 16:23 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 12.06.12

GRAFITI LOVER

grafiti gregoriano

Foto: Shark

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publicado por shark às 15:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

A MÁQUINA QUE NUNCA EXISTIU

No laboratório número sete do recém-criado (num futuro não muito distante, vendo a coisa numa perspectiva cósmica) organismo público para a investigação científica um dedicado funcionário exultava de alegria quando finalmente o director do seu departamento o recebeu.

 

- Senhor Director (a maiúscula é só para enfatizar a reverência, não se faz nada ao calhas), venho comunicar-lhe o sucesso absoluto na concepção de uma máquina do tempo!

- Uma máquina do tempo? Ó Sousa, francamente…

 

O director, Dr. Teixeira de Almeida, parou por instantes para limpar os óculos no sentido de ver melhor o relatório de 450 páginas em triplicado, com o selo branco do ministério e a rubrica do director adjunto que o Sousa pousara ao lado da pen com a cópia digital autenticada pelo gabinete de supervisão e análise, enquanto contorcia o rosto num esgar de reprovação.

 

- Então você, Sousa, a saber das dificuldades que passamos por causa dos cortes orçamentais e anda a desperdiçar o seu tempo e os recursos do Estado a inventar engenhos perigosos? Você tem ideia da quantidade de papelada e de aprovações necessárias para viabilizar uma ideia destas?

- Mas ó Senhor Director, a Humanidade sempre sonhou com as viagens no tempo, talvez se consiga um apoio comunitário ou assim…

- Homem, você já viu o risco de viajar no tempo? Quanto é que ia custar o seguro, já pensou? Quer dizer, mandamos um funcionário público para o passado, ele altera sem querer os acontecimentos, muda-nos o presente todo e depois quem é que paga o prejuízo?

- O Senhor Director desculpe, queria só dizer que o projecto da máquina do tempo foi desenhado tendo em conta essa preocupação e por isso o equipamento só permite viajar no futuro, mesmo quando, na viagem de volta, regressamos ao passado que acontecerá sempre num ponto do tempo situado no futuro relativamente ao ponto de partida…

- É por estas e por outras, Sousa, que o meu amigo não progride na carreira com maior rapidez. As coisas têm que ser bem pensadas, não basta ter ideias mirabolantes e toca a andar para o progresso como se o mundo acabasse amanhã e o Sousa pudesse assistir hoje ao acontecimento. Lá por não arriscar o recuo no tempo e assim não poder alterar o rumo dos acontecimentos isso não quer dizer que haja maneira de garantir a segurança das pessoas e dos bens!

- Como assim, Senhor Director?

- Você tem ideia de quanto dinheiro e quantos postos de trabalho são gerados pelo Euromilhões, Sousa? Não tem, mas devia. No dia em que for possível viajar para o futuro quem é que vai dar emprego a essa gente toda no passado que é o nosso presente? E já pensou que entre os excêntricos beneficiados em sorteio com jackpot pode estar o filantropo que financiará os projectos futuros desta instituição? E os impostos que o Estado deixa de encaixar com essa brincadeira? Francamente, ó Sousa…

- O Senhor Director desculpe, acho que já percebi a ideia. Vou então desmantelar o aparelho e apagar os planos para termos mais espaço em memória.

- E veja lá, ó Sousa, se de futuro tem mais tino e aplica os recursos disponíveis em coisas que sejam do interesse público e que justifiquem os postos de trabalho aqui criados pelo país e que tanta falta fazem às pessoas.

 

No silêncio da pequena oficina de desmantelamento e reciclagem das criações consideradas inúteis ou obsoletas, o Sousa pousou por instantes a vista no equipamento que lhe competia destruir e pareceu hesitar.

No dia seguinte, o encarregado da manutenção e limpeza bateu à porta do CEO da WorldWide Inventions , Alberto Sousa, para lhe pedir uma substituição do detergente limpa-vidros:

 

- Somos uma empresa privada com accionistas à espera de dividendos, acha que se pode desperdiçar dinheiro em detergentes mais caros? Esse serve muito bem. Quer mais alguma coisa, Zé?

 

O colaborador deixou o luxuoso gabinete contrariado mas nem se atreveu a contestar, sobretudo quando não lhe saía da cabeça o nome da sua mulher, Ernestina Teixeira de Almeida, na carta de despedimento da papelaria onde trabalhava até ao dia em que, sem qualquer explicação, o euromilhões e todos os jogos, apostas e lotarias do planeta deixaram de existir. 

publicado por shark às 11:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quinta-feira, 07.06.12

O CÉU DE DANTE

o céu de dante

Foto: Shark

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publicado por shark às 18:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

CAPITULAÇÃO EMUDECIDA

Nada temas das palavras que tenha para te dirigir. Sim, sei que as palavras podem ferir mas não passam de balas de papel, de folhas sopradas pelo vento e condenadas ao esquecimento como todas as que sentiste na pele como agressões. Eram palavras que falavam de emoções desnorteadas, das vidas desencontradas com a de cada um de nós ao longo de um caminho que apenas o silêncio permitiria a dois.

A paixão primeiro e as palavras depois, descabidas, talvez mal escolhidas por quem as queria iguais a uma mão cheia de boas intenções que se mereciam explicadas, talvez menos com palavras e mais com acções.

Não fujas, mesmo assim, das palavras que saem de mim sem controlo, desesperadas, são palavras de um tolo, disparadas à queima-roupa fardadas de mecanismos de defesa sem qualquer tipo de ponderação. Saem da boca armada em canhão, arrogantes, e afinal revelam-se impotentes para cumprirem o objectivo ambicionado, não passam de tiros que passam ao lado do alvo verdadeiro sem o tocarem sequer de raspão.

Escuta antes o coração que não se deixa influenciar por circunstâncias, que ignora irrelevâncias exteriores à essência dos amores que entenda abraçar. O coração não sabe falar e a razão, depois de alucinada, dispara palavras em rajada que são feitas do medo de perder alguém que apesar de tudo se quer ou nenhuma palavra sairia desta boca que antes te beijaria em busca do silêncio feito trégua.

As palavras não merecem a mágoa que possam provocar, são por natureza efémeras e em nada reflectem a eternidade das mais fortes emoções, as palavras são apenas as expressões tangíveis de uma tentativa frustrada de conjugar os impossíveis, de organização de um caos que se instala no lugar dos vazios deixados pelo fim de um amor ou apenas pela ameaça pendente que obriga a vociferar e isso é equivalente ao ladrar de cães sem vontade alguma de morder.

São palavras que fazem doer, eu sei, mas não passam de armas de arremesso em desespero de causa, são feitas de pólvora seca ao longo de uma pausa que deveria servir para pensar que o melhor para os lábios seria beijarem o que a vida tem de bom.

Uma vida melhor, facilitada pela ausência de som.

publicado por shark às 16:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

visto ao espelho

Foto: Shark

publicado por shark às 16:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA QUE ESTÁ NA HORA DE ACORDAR ANTES QUE TENHA DE SER À BRUTA

Ver um porta-voz de um partido político de um Estado de Direito agredir alguém no meio de um debate televisivo não é inédito, mas nunca deixa de nos surpreender.

Mas ver esse deputado de um partido político a esbofetear uma deputada de outro partido sem que nenhum dos homens presentes no estúdio mexa um dedo para o evitar, ou mesmo para punir a besta, é algo que sinceramente não estou preparado para engolir.

 

Em Portugal permitimos a indivíduos como Duarte Lima o acesso ao poder, pelo que não devemos estranhar que na Grécia, onde também estão mais longe do abismo porque continuam a avançar para o subsolo, seja possível eleger como deputado da nação um grandessíssimo cabrão que eu muito desejaria apanhar a sós num espaço qualquer.

O porco que fala pela extrema-direita grega não é diferente dos porcos que falem por qualquer outra organização ou ideologia. Os porcos não se distinguem tanto pelas ideias sujas mas sim pelas acções badalhocas que protagonizam.

E este suíno personificou ao vivo e em directo o tipo de dejecto que não podemos permitir nas instituições que nos governam e representam.

 

Não gosto da extrema-direita nem da maioria das pessoas que perfilham tal ideologia. Desprezo cobardes capazes de permanecerem sentados quando uma mulher é agredida. Mas odeio bandalhos cuja baixeza conduz a este tipo de comportamento. Odeio, sim, e não renego a minha vontade de os deixar incapazes de se moverem ao longo de meses numa cama de hospital. Ou pior.

Sou (tento ser) uma pessoa de bem até onde as minhas limitações o permitem, mas perante estes cenários o meu único instinto é conseguir ser pior, ainda mais violento e desprezível do que os canalhas como aquele porco que não vejo como de esquerda ou de direita, apenas porco.

E eu não avalio os porcos pelas respectivas tendências políticas, até porque nem lhes reconheço capacidade intelectual para as distinguirem. Um porco segue por onde calha, embora tenda a optar pelo maior chiqueiro e parece-me ser o caso.

 

Contudo, para lá do nojento que as imagens em causa representam está o sinal de alerta para aquilo que espera os gregos no futuro próximo e que, em circunstância alguma, poderemos tolerar no nosso país.

Mais vale arriscarmos a democracia do que a entregarmos de forma indigna a gente que queremos longe de todo e qualquer tipo de poder, pois a ameaça que representam não é um mal em potência mas sim um facto ignóbil que precisamos afastar ou mesmo abolir.

Cada vez mais não escolho partidos ou ideologias mas sim pessoas. Pessoas de bem sabem sempre escolher em função da sua consciência, sabem definir prioridades, têm mecanismos naturais de defesa contra instintos ou ideias hostis ao que entendemos como decência.

São essas as que quero no poder, qualquer que seja a sua visão do mundo, e nunca as bestas como o suíno grego ou qualquer versão menos espalhafatosa mas igualmente perniciosa que possamos albergar por cá.

 

A Democracia está em profunda agonia e não é com escolhas ao estilo Sporting ou Benfica, o meu clube é para sempre, o meu partido é igual, que podemos defendê-la ou dar a volta aos cacos em que imbecis e incapazes de esquerda ou de direita ou de nem se sabe bem o quê deixaram a Pátria que temos o imperativo moral de proteger, pelo voto, pela intervenção directa nas decisões importantes.

 

E se está em causa impedir os porcos de qualquer raça, ideologia ou pretexto de poderem aproximar-se sequer dos mecanismos de poder, perante a ameaça que representam nenhuma arma me parece excessiva.

publicado por shark às 13:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 06.06.12

PORTA SEIS

porta seis

Foto: Shark

publicado por shark às 12:32 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 05.06.12

A POSTA BEM MEDIDA

Inconscientemente ou não acabamos por definir a nossa relação com os outros depois de medida a distância a que os colocamos sobre uma escala imaginária. Ou seja, para entendermos com clareza o papel e a relevância dos outros para nós basta situarmos cada pessoa num ponto da tal escala (imaginemos uma régua ou uma fica métrica, por exemplo).

A ideia é fácil de concretizar, sobretudo depois de colocadas no seu lugar meia dúzia de pessoas que façam parte do nosso círculo mais restrito de companhias (os filhos estão excluídos pois o grau de proximidade que sentimos é “colado” e não se requerem medições). Passo a especificar.

 

Começo por definir melhor os contornos da imagem a partir do qual poderão acompanhar o raciocínio: a pessoa coloca-se de perfil e a fita métrica está no chão. Depois pode ir colocando, com o poder da mente, as pessoas com as quais se relaciona em função de um critério subjectivo da proximidade a que nos sentimos de cada pessoa em causa.

Claro que existem variáveis de acordo com o género (a pessoa ficar de perfil tem ligação com esta diferença) e outros factores que nos distinguem e a técnica de medição (utilizemos uma escala em centímetros para facilitar a compreensão da cena) acabará por ser influenciada pelo peso dessas incógnitas, mas com as necessárias adaptações qualquer um/a conseguirá aplicar a coisa (ou o coiso) ao seu caso concreto.

 

Depois de alinhados como em formatura na parada, devemos percorrer com o olhar (é com o pensamento, mas assim fica mais realista) todos aqueles rostos que temos por mais familiares. Um aviso: o equipamento de medição pode tornar-se desconfortável quando percebemos que a distância a que colocamos cada pessoa pode constituir um embaraço inesperado. É o caso quando chega a hora de colocar o chefe ou qualquer outro superior hierárquico, pois enquanto para alguns de nós a única distância ansiada é a equivalente à distância a percorrer entre o pouso dessa pessoa e o nosso posto de trabalho, para outros a distância para alguém com esse estatuto não pode ultrapassar o comprimento da própria língua para que esta consiga aceder com facilidade às botas ou ao fundo das costas do outro, ao ponto de, nesta perspectiva, os superiores poderem situar-se num ponto da escala de medição mais próximo do que o dos seus próprios amantes e/ou cônjuges.

 

Mais centímetro, menos centímetro

 

As pessoas amadas ficam sempre ao alcance da mão, embora no caso de amantes a distância nunca possa ultrapassar, tendo em conta o perfil, a que vai da pessoa à ponta dos mamilos ou, tendo pila, a que vai da pessoa à ponta da dita cuja (a medição não pode ser efectuada no modo stand by, tem mesmo que ser em on – mesmo que uma e outra distância quase coincidam).

Por outro lado, um/a amigo/a verdadeiro/a ficará sempre no ponto acessível a um abraço mas com uma distância ligeiramente superior à da medição acima descrita, para evitar confusão de estatutos que poderá adulterar os resultados e as conclusões possíveis de tirar.

 

Outra das armadilhas (chamemos-lhe ilusões de óptica para haver uma tábua de salvação) deste processo de avaliação simples da nossa distância aos outros é a aparente contradição entre a proximidade efectiva e aquela que desejaríamos manter em dado momento relativamente à pessoa. Exemplo clássico é o da vizinha boazona que, na prática, está colocada a uma distância equivalente à existente entre as portas de nossas casas mas basta entrar connosco ao mesmo tempo no elevador para de imediato a colocarmos num ponto da escala em que até conseguimos cheirá-la (a fita métrica, no caso em apreço). A vizinha boazona é uma aberração estatística, neste contexto, não podendo ser-lhe atribuído um cariz mais do que aleatório e, naturalmente, oscilante em função das circunstâncias específicas e, lá está, dos relevos nos perfis em apreço.

 

Uma introspecção com conta, peso e medida

 

Ainda assim, a medição de relevâncias acaba por nos fornecer indicadores claros acerca do que os outros significam para nós, pelo menos em matéria da proximidade que lhes queremos atribuir.

Naturalmente, pessoas aparentemente com idênticos estatutos (por ser igual o vínculo que nos une às mesmas) podem estar nos antípodas da nossa escala de medição individual. É o caso dos nossos professores do liceu, sendo natural que enquanto o professor de Matemática seria colocado mais ou menos na Austrália a curvilínea professora de Inglês encaixaria como uma luva no ponto atribuído à vizinha no exemplo acima.

Aqui vemos como é possível utilizar a escala para entendermos a atribuição de importância em função das matérias de estudo preferidas e isso diz muito da pessoa.

 

Este último aspecto transporta-nos de imediato para a validação científica do método em causa que, embora de alguma forma comprometida pelos inúmeros imponderáveis, se concretiza de forma empírica quando meditamos acerca da distância a que estamos colocados relativamente a algumas pessoas que podem fazer parte, pelos estranhos desígnios do acaso, da nossa existência e depois observamos o posicionamento das mesmas numa abordagem espontânea.

Para o efeito são requeridos equipamentos complementares capazes de fornecerem o rigor que em qualquer ciência se impõe.

Se quiser observar com exactidão o posicionamento dos/as seus ex deverá ter à mão um par de potentes binóculos.

E se pretender, num gesto ousado, referenciar a sogra o Planetário será o seu melhor ponto de vista. 

publicado por shark às 16:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

AOS VOSSOS LUGARES

aos vossos lugares

Foto: Shark

publicado por shark às 14:49 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 04.06.12

(S)EM SENTIDO

Sem poder assumir-me pacifista no sentido restrito do termo, consigo ainda assim odiar qualquer guerra. Não existe pretexto válido para acontecer uma, embora depois de iniciada por uma parte seja inevitável o mesmo recurso pela outra, a legítima defesa que é reconhecida aos indivíduos como às nações.

Odeio tanto a guerra como desprezo quem dirige esse ódio a quem as combate, ignorantes do facto de a maioria das guerras serem provocadas pelos políticos e não pelos generais.

Os militares, sobretudo os que pisaram um campo de batalha, são pessoas cuja coragem, espírito de sacrifício e abnegação merecem todo o respeito daqueles a quem salvaguardam desse cenário de terror, oferecendo a própria vida na defesa de quem não a pode assegurar.

 

Num combate, onde quer que ele aconteça, essas pessoas fardadas são quase sempre obrigadas a experimentarem em simultâneo a maioria das emoções mais fortes que conhecemos, levadas ao extremo que o instinto de sobrevivência induz.

O medo, paradoxo, só serve quando devidamente encaminhado para a prudência que sob fogo pode fazer a diferença entre matar ou morrer.

A coragem pode até implicar o risco excessivo, pois é sabido que os heróis acabam quase sempre tombados na sequência de um gesto típico de uma pessoa de bem.

Essa é uma das matérias odiosas que uma guerra tem, os melhores são os mais vulneráveis porque as balas inimigas não respeitam valores.

 

Em nenhum conflito militar alguém pode no fim sentir-se vencedor, tamanha a perda sofrida por cada parte envolvida nessa solução radical. Ninguém ouse ambicionar uma guerra sem vítimas, com uniforme ou não, e a simples existência destas perdas já constitui uma derrota para quem as enfrentou, qualquer que seja o desfecho no tempo e na conjuntura em que ele se verificar.

O tempo pode apagar todas as cicatrizes de um campo de batalha onde ocorra a maior carnificina, da mesma forma que os ventos da História mudam repentinamente de direcção.

E um dia no futuro, o exército, o país, o bloco vitorioso de hoje poderá vestir a pele do derrotado sem ser disparada uma arma sequer, apenas na sequência de um processo de evolução que pode alterar de forma significativa os equilíbrios que sustentam, na prática, os benefícios obtidos a partir de uma vitória relativa em dado momento e em circunstâncias que podem ser alteradas em menos de uma geração.

 

Mas seja como for, muito acima dos sarilhos arranjados por políticos e diplomatas de mãos dadas com os poucos que entendem as guerras como um ganho pessoal e raramente as disputam onde deve ser, estão os soldados que no passado empunharam armas e no futuro, tudo indica, continuarão alerta à espera das ordens que lhes compete cumprir sem dúvidas ou hesitações.

Não existe para um guerreiro qualquer espaço de manobra para a indisciplina e uma ordem, por quão absurda, não é coisa passível de questionar quando existem outros homens dispostos a matar o pensador distraído ou o rebelde atrevido mais os camaradas de armas que dependem da execução perfeita de um plano, do cumprimento escrupuloso das regras de um jogo onde a parada é sempre a mais alta que se pode conceber.

A ideia é matar e não morrer e esse tipo de pressão não é identificável no conforto de um sofá a partir do qual é tão fácil criticar os que andam aos tiros quanto é exigível que se entenda primeiro o sacrifício em causa por parte dos que, como na nossa guerra ultramarina, a mais recente, arriscam uma vida estropiada ou perdida de vez.

 

A guerra é sempre uma estupidez e ninguém melhor para o afirmar do que quem nela participou, alguém que enfrentou horrores impensáveis, que viveu tormentos virtualmente impossíveis de esquecer. Um civil pode sentir-se traumatizado para a vida pelo momento em que atropelou um cão na estrada, por isso não é assim tão complicada a compreensão do que está em causa para quem escolhe ou é obrigado por ser apanhado por uma armadilha da política externa, uma mina que explodirá em primeira instância sob as botas daquelas e daqueles que enviamos para lutar sem perdão para os desertores.

 

A guerra é um palco de horrores cuja intensidade pode conduzir à insanidade dos menos capazes, dos menos preparados, dos mais sensíveis ao sofrimento de outros seres humanos que, no meio da refrega, podem ser os melhores amigos que o soldado conheceu e a quem jurou proteger, com a vida se o destino o quiser.

E por isso, ao meu ódio pela guerra sobrepõe-se o respeito e a admiração por todos quantos algum dia a tiveram (ou terão) de enfrentar.

Isso é algo de que no meu conjunto de valores e no reconhecimento dos que se exigem aos combatentes de qualquer tempo e em qualquer lugar jamais poderei abdicar.

publicado por shark às 22:33 | linque da posta | sou todo ouvidos

PASSATEMPO

wheres wally

Montagem: Shark

publicado por shark às 14:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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