Quarta-feira, 30.05.12

PAPAI TUCANO

papai tucano

Foto: Shark

publicado por shark às 14:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 28.05.12

EXIJO QUE A ALEMANHA SAIA DO EURO!!!

(De preferência logo na fase de grupos...)

publicado por shark às 23:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

COTTON CLUB

bordado celeste

Foto: Shark

publicado por shark às 16:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 27.05.12

A POSTA QUE DAVA JEITO PODER MEXER-LHE

À semelhança de Deus, o amor é fácil de dizer. Deve fazer parte das características das coisas que nos transcendem, essa simplicidade de serem ditas.

Porém, falar é fácil mas fazer é outra conversa, como se comprova tanto na prática da fé como na do amor que, aliás, também parece reunir mais crentes do que praticantes.

 

O amor está por toda a parte (tal e qual Deus, eu sei) e na boca de toda a gente (tal e qual a pasta medicinal Couto, pois é). Ou quase, pois nem sempre os/as praticantes apreciam administrá-lo por via oral e por isso muitas vezes acabam numa espécie de retiro espiritual para descrentes e, pior ainda, não praticantes.

Fala-se o amor como se em cada cidadão existisse um entendedor na matéria, um sacerdote capaz de guiar as ovelhas tresmalhadas pelo demo da rejeição, e até existem algumas bíblias de referência. O amor enche-lhes as bocas e as páginas de emoção tão colorida nas descrições quanto pintada nas proporções, faz-se assim, sente-se assado, esse amor apalavrado de que afinal apenas se ouviu falar.

 

À semelhança de Deus, o amor é fácil de definir porque igualmente se escuda (o conceito) por detrás da impossibilidade de ser definido. Isto pode parecer confuso, mas dá um jeitão às palradoras e aos palradores que o amor tanto seduz porque lhes abre as portas a um universo de especulações, de indefinições, de clichés e de dogmas que depois se convertem facilmente, aos olhares mais desatentos, em tratados da cena. Melhor dizendo, dá pano para mangas para se falar do que não se conhece mas pelo menos se acredita.

Define-se o amor como se em cada pessoa existisse um sabedor de experiência feito, um monge budista capaz de meditar a emoção até conseguir convertê-la em algo de tangível a partir da espiritualidade que lhe é, de forma tão romântica, atribuída.

O amor enche-lhes a mentes e as páginas de convicção tão fantasiosa nas descrições quanto imaginada nas concretizações, sente-se assim, faz-se assado, esse amor aparvalhado de que afinal apenas se desejou existir.

 

Mas essa vontade sincera, essa intenção de quem espera sempre algo mais do que tem ou entretanto deixou perder, acaba por redundar numa espécie de catecismo para a conversão dos agnósticos que, bem vistas as coisas, acabam por ser os únicos verdadeiramente genuínos porque assumem a própria incapacidade (a que os doutrinários chamam ignorância) de explicarem uma coisa que não têm a certeza de terem experimentado apesar de toda a gente em volta lhe afirmar a existência e até aceitarem essa possibilidade como válida.

Por isso, como é normal nas emoções divinas, o discurso é movido pela vontade firme de afirmar certezas mesmo sem oferecer explicações que as justifiquem e surge sempre engalanado com o rococó típico dos contos de fadas, mormente no final feliz que, no céu como na terra, nunca se conhece até a coisa acontecer.

 

publicado por shark às 23:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA NA CHATA DA FISCALIZAÇÃO

Gostava imenso de saber que raio de poder é conferido (induzido?) a estes fulanos das secretas para se sentirem no direito de pedir a substituição de quem os fiscaliza.

Esta nova revelação acerca da chata (só sobe na nossa consideração, tendo em conta a função em causa e o transtorno que estaria a causar aos abusadores) confirma os piores pressupostos que os anteriores capítulos desta mixórdia permitiram conceber.

É uma balda, aquilo que se instalou numa área sensível do aparelho governativo. E é uma balda perigosa, considerando a leviandade da actuação dos intervenientes que vão subindo à tona do lodaçal desde que alguém remexeu o fundo da coisa.

 

Estamos a falar, caso não tenham reparado, nos fulanos a quem é confiada a segurança do Estado contra ameaças externas (pragas de gafanhotos, por exemplo, pois assim de repente não me ocorre outra coisa) e internas (aqui é que a porca torce o rabo pela forma como os inimigos da Pátria são seleccionados pelos espiões).

Ou seja, estamos a falar dos gajos cuja herança, cuja carga, pela natureza das funções e da autoridade conferida, é a da PIDE-DGS.

Claro que toda a gente corre a afastar esse papão, hoje em dia seria impossível, mas a verdade é que uma polícia secreta possui meios para, em teoria, exercer chantagem sobre um político, um banqueiro e, porque não?, um jornalista.

Se essa polícia secreta começa a surgir associada com frequência a escutas e vigilâncias difíceis de explicar no âmbito da segurança do Estado, temos a ameaça interna a provir precisamente de quem é pago por nós para a evitar. Nesse caso só há que desmantelar tudo aquilo e começar de novo pela raiz, sendo que essa deve beber de um terreno fértil em pessoas de bem, patriotas, e de uma legislação muito mais rigorosa na matéria.

 

A Democracia é uma realidade muito sensível a esta acumulação de agressões aos valores e aos mecanismos que a compõem. Com a classe política sob suspeita, a Justiça sob suspeita, a alta finança sob suspeita e a Comunicação Social no estado que se sabe, pouco resta dos sustentáculos de todo o sistema e só estupidamente exagerados a roçar o imbecil podem dormir sossegados com base na fé de que tudo se componha por si.

Não compõe. Nem por si, nem por mim, nem mesmo pelo superior interesse da Nação que a seita de crápulas e de parasitas pouco a pouco consome e certamente destruirá se a população não começar a falar mais grosso.

É a Grécia revisitada, bastando olhar para o cenário em termos de alternativas que nos espera em próximas eleições, demasiado próximas de uma fase que se adivinha complicada para o país e por isso desde já perfeitas para o desabafo expresso no voto de protesto (logo agora que se fala na saída do Louçã, olha a maçada...) que, exemplos não faltam, é a praia natural de uma fauna que se estende dos Coelhos madeirenses aos pistoleiros fanáticos pseudo-nacionalistas.

É uma lotaria.

 

Por isso mesmo, todos estes pequenos golpes na pele do sistema fazem-no sangrar credibilidade até a soma de feridas se tornar numa hemorragia de confiança que ninguém no actual panorama parece capaz de estancar, sobretudo quando (e não se) as coisas descambarem a sério.

Ao descrédito das instituições sucede-se a constatação da ausência de opções e somando a isso os efeitos da crise na população temos reunidos os ingredientes para uma revolta desnorteada, sem soluções, desesperadamente hostil.

É esse o resultado final mais provável para países que, no contexto de uma conjuntura terrível, se permitem o luxo da apatia perante as evidências, perante as emergências que se multiplicam e às quais não tarda (sim, a Grécia seremos nós) ninguém poderá ou quererá acudir.

publicado por shark às 22:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sábado, 26.05.12

A POSTA ELEMENTAR, CARO WATSON

O Vaticano reafirmou com veemência a sua imensa fé na tradição: se a culpa não era do Sócrates, então só podia ser do mordomo...

publicado por shark às 22:38 | linque da posta | sou todo ouvidos

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

vidas espreitadas

Foto: Shark

publicado por shark às 21:59 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 25.05.12

A POSTA QUE PELO MENOS METADE SÃO COMPROVADAMENTE ALDRABÕES

Cada vez mais ficam de lado os pormenores e a vista abre-se sobre o grande plano que começa a parecer uma antecipação do inferno anunciado, muito para lá das dificuldades que uma crise acarreta.

Olhamos para os acontecimentos, os que nos chegam ao conhecimento, e já pouco interessa quem são os protagonistas mas apenas qual o seu papel e quais as causas e consequências da sua intervenções desastradas, levianas, perigosas até.

Pouco interessa o que vemos e o que sabemos acerca da inevitável degradação das funções, do que elas representam para o bem comum, quando ocupadas por pessoas incapazes de lhes entenderem a relevância e que por isso lhes mancham a dignidade com as suas exibições públicas de menoridade, de ignorância.

 

Embora a elite corra a cobrir a retaguarda dos seus, adiando respostas, rejeitando propostas, varrendo para debaixo do tapete a sujeira que o tempo ajuda a esquecer, vemos garantida a presença de aldrabões onde menos os desejaríamos quando as alegadas verdades de uns são categoricamente desmentidas por outros.

E quando uns são Ministros da Justiça e os outros são Procuradores Gerais da República, e quando uns são a tutela da Comunicação Social e os outros são Jornalistas, e quando uns são Primeiros Ministros cessantes e os outros são Primeiros Ministros vindouros, e quando percebemos que são os próprios a atrair a suspeita da mentira quando se contradizem entre si, essa elite gangrenada, deixamos cair os nomes, os rostos, os detalhes sórdidos da porcaria que fazem e que espalham pelo país que precisa mais do que nunca de gente de bem, respeitável e respeitada, deixam de interessar.

Interessa apenas salvaguardar os cargos que ocupam e aquilo que esses cargos representam muito para lá das figurinhas e dos figurões que os ocupem em determinado momento da História.

 

Cada vez mais aqueles a quem confiamos nada menos do que o bom funcionamento da Democracia (pedir-lhes mais do que isso seria desumano considerando a real valia do seu desempenho, bem expressa no que se vê e no que se adivinha ou deduz) parecem ignorar a responsabilidade que isso implica.

Embriagam-se com a projecção, com o poder, com a euforia do sucesso pessoal e perdem o rasto ao que lhes compete fazer a bem da nação que os promoveu, que lhes abriu as portas para um lugar na História que acabam por utilizar para nos envergonharem com a evidência de uma péssima escolha.

Sobretudo numa altura de aperto apenas lhes exigimos uma trégua no regabofe e nem isso parecem dispostos a conceder, na cegueira do poder que não respeitam e por isso se permitem condutas que trazem o descrédito muito mais para as funções do que para as pessoas que as assumem.

 

A insistência nesta aposta em males menores, nesta fé em falsas esperanças, nesta apatia que nos trai porque deixamos que nos atraiçoem, é a receita infalível para o futuro imediato do país ser equivalente ao presente de um outro país que não queremos ser e a quem igualmente um passado glorioso não poderá valer. 

publicado por shark às 12:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Domingo, 20.05.12

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

postal das nações

Foto: Shark

publicado por shark às 17:11 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NO DIABO QUE OS CARREGUE

Uma das hipóteses mais terríveis que me acudiram à ideia quando pensei em alvos mais vistosos para um atentado terrorista foi, pela conjugação perfeita dos factores que tornam relevante o acto de profunda ignomínia em causa, a Eurodisney.

Acabei por concluir, tão fofo, que não, nem mesmo o mais tresloucado operacional de um qualquer grupo de cobardes seria capaz de apontar às crianças a mira do seu ódio.

Porém, a explosão que em Itália ceifou a vida de uma estudante com dezasseis anos de idade e provavelmente desfigurou ou incapacitou mais algumas jovens com o azar de frequentarem uma escola secundária que, na demência assassina de coisas parecidas com gente, foi escolhida para palco de mais um marco na descida ao inferno que cada vez mais os outros podem ser, trocou-me as voltas.

 

Neste caso, sejam quem forem, esses outros não se enquadram naquilo que defino como ser humano. Um acto terrorista não joga certo com a maioria dos instintos primordiais mais significativos e em nada se relaciona com a racionalidade como a conseguimos interpretar, é uma pura e simples aberração.

Mas não estamos a falar de um gato que ladra como um cão, em causa está a natureza dos vermes capazes de acharem boa ideia fazerem explodir um engenho a poucos metros de um estabelecimento de ensino à hora da entrada, algo cuja crueldade supera os limites suportáveis para os seres humanos propriamente ditos e que nenhuma causa ou justificação poderá, enquanto existir uma réstia de humanidade em alguém, atenuar enquanto exibição do Mal na sua forma mais cristalina.

 

Nesta altura, e depois de levantada a suspeita sobre a Máfia, ainda não se conhece o móbil da proeza tal como não foram identificados os respectivos autores, mas a baixeza do crime torna irrelevantes quaisquer outros pormenores: perante o conjunto de traições implícitas a alguns dos valores mais importantes para nos distinguirem enquanto pessoas nada mais interessa do que arreganhar o dente sem medo a estes bastardos da Criação e devolver-lhes em coragem e desprezo o ódio desumano e a cobardia mais nojenta que a sua presença no mundo só serve para representar.

publicado por shark às 16:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA QUE NÃO É PRECISO MAIS PARA SE GANHAREM MÁS FAMAS...

Espera aí: então a janela de oportunidade tão gabada pelo Pedro afinal é o coiso do Álvaro?

publicado por shark às 12:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

FLOWER POWER

jardins suspensos

Foto: Shark

publicado por shark às 00:21 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 19.05.12

A POSTA QUE FICA TUDO EM ÁGUAS DE BACALHAU

Se uma jornalista inventa uma história rocambolesca de pressões e de ameaças por parte de um Ministro, essa pessoa certamente não estará no seu perfeito juízo.

Porém, se um Ministro efectivamente produz essas pressões e ameaças num claro abuso de poder então essa pessoa é perigosa e não estará no seu devido lugar.

Por outro lado, se uma jornalista passa por um momento desses e todo o seu jornal não se insurge de imediato, em bloco e em primeira página, a história assume contornos mais débeis do ponto de vista da credibilidade da jornalista mas mais complicados de entender se vier a verificar-se que não se tratou de pura invenção.

Naturalmente, se o Ministro pediu desculpas é imprescindível esclarecer a que se referiam as mesmas porque se pediu desculpa pela pressão e pela ameaça mentiu quando negou esses (f)actos. E se os praticou estaremos perante um abuso de poder que se estende ao pandemónio que todos percebemos existir nos serviços secretos da nação e torna o dito Ministro num governante a afastar rapidamente de qualquer poder público.

E se a jornalista inventou toda aquela história deverá ser internada de imediato numa ala psiquiátrica, pois quem inventa histórias que envolvem ministros sabe que só com provas sólidas e cópias em triplicado se evitam sarilhos mesmo muito sérios.

 

O restante folclore é serradura para os nossos olhos. Se esta embrulhada não ficar esclarecida behond any reasonable doubt estamos perante mais uma prova concreta de que das duas uma:

ou está tudo doido mas agora isso deixou de constituir um problema para a sociedade ou está tudo doido mas agora isso serve de pretexto para os tiranetes se acreditarem impunes mesmo quando é exposta a natureza vil a que se permitem no exercício das suas funções.

publicado por shark às 19:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 18.05.12

A POSTA NUM COISO QUE NÃO PÁRA DE CRESCER

Senhor Ministro da Economia, como tem ligações ao Canadá permito-me dirigir-me a V. Exa. em inglês porque compõe melhor o trocadilho: please, do not enlarge o coiso anymore!

publicado por shark às 22:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

canto alfacinha

Foto: Shark

publicado por shark às 11:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NO MANIFESTO PARA UMA ALTERNATIVA LIVRE DE INCLINAÇÕES

Aos poucos a Europa prepara-se para uma enorme convulsão, consolidada que está a impotência política para suster a queda das peças do dominó financeiro e estando já à vista, no colapso grego, a queda da peça que sustém o sistema de forma precária.

Neste contexto, Portugal apenas levará uns meses de atraso da Grécia pois só os ilusoriamente optimistas poderão acreditar que nos iremos safar por entre os pingos desta chuva ácida que corrói pelas finanças toda a estrutura social, ao ponto de podermos passar do choque de civilizações à derrota de uma delas por falta de comparência.

 

A ameaça é séria e embora até possamos acreditar-nos capazes de arregaçar as mangas e reconstruir o país depois da bronca temos sempre que ter em conta o cariz absolutamente imprevisível destes processos de degradação em bloco, como a História do Mundo o comprova com iniludível profusão.

Sendo cada vez mais óbvia a desorientação e mesmo a incapacidade dos actuais líderes europeus para lidarem com o problema, já relegando para segundo plano o silêncio desconfortável de tantas nações perante a agonia de parceiros que, pouco tempo atrás, já fantasiavam um enlace federalista.

E terá sido precisamente o falhanço na concretização dessa asneira colossal que terá deixado o euro à mercê de uma crise sem paralelo e desprovido de mecanismos que lhe pudessem valer como tábua de salvação.

 

O problema português não será tão diferente assim do que culminou com a fragmentação do mapa político-partidário na Grécia. Se tentarmos prever as tendências de voto por cá num enquadramento de aflição tão séria como a dos gregos e olharmos para as alternativas que a Democracia nos disponibiliza, presumo que não será necessária uma bola de cristal ou um comentador televisivo para adivinharmos um desfecho semelhante, tirando para já a extrema-direita da equação, e igualmente criador de um sarilho político que pode acabar com o que resta.

Por isso se torna urgente a entrada em cena das tais alternativas em falta, partidos políticos ou movimentos organizados de cidadãos capazes de interpretarem a vontade popular sob uma perspectiva menos idealista e mais pragmática.

De pouco nos serve o debate acerca do modelo de sociedade que queremos no futuro se antes não estiverem sobre a mesa as medidas capazes de resolverem, ou pelo menos atenuarem, os efeitos desastrosos da caldeirada no presente.

 

Confesso que me agradou a criação de mais um movimento de cidadãos empenhados em congregarem esforços colectivos em torno da resolução do problema. Contudo, depois de passar a vista pela informação disponível encontrei nomes, encontrei intenções, mas não encontrei nada de concreto quanto àquilo com que se compram os melões e que constitui nesta altura a maior aflição da malta. É o velho problema da esquerda livre, insistem na premissa de que se consegue suprir a falta de meios com uma dose reforçada e renovada de ideologia e acabam sempre por trocar o passo com a História e por entregarem aos oponentes o controlo do sistema quando as coisas se complicam onde mais dói a uma sociedade ocidental e capitalista, qualquer que seja a inclinação do espectro partidário.

 

Livres para reincidir?

 

Do Manifesto para a Esquerda Livre apenas retive alguma variação nos chavões tradicionais e nada que nos permita antever naquela iniciativa o brotar de algo de palpável para preencher o enorme vazio que os gregos sentem na pele e concretizam nas urnas, como arriscamos em Portugal numa conjuntura similar.

Nunca como num cenário de crise descontrolada os eleitorados se revelam mais nas tintas para as doutrinas, para as ideologias, para os binómios esquerda-direita que, na prática, pouco ou nada contribuíram para evitar o trambolhão e na hora da verdade votam ambidextros.

 

E se continuarem a fazer cócegas demagógicas e inconsequentes em busca da militância perdida, insistindo no finca-pé em lados opostos da trincheira que deveria ser comum nesta altura em vez de anunciarem a ruptura com as receitas fracassadas e a procura com afinco de uma corrente de acção em detrimento de uma corrente de pensamento, acabarão chocados com a alta tensão da reacção popular desesperada, desorganizada e permeável aos discursos mais extremistas mas, e é disso que o povo julga precisar, com a força dos argumentos e a aparente sensibilidade para uma causa que não precisa de mais esquerda ou de mais direita e sim de uma atitude firme e arrojada, independente de espartilhos ideológicos ou de conveniência partidária, abrangente quanto baste para aglutinar a maioria dos portugueses em torno de um projecto de mudança com pernas para andar.

 

A crise exige e o país implora uma alternativa vincadamente patriótica e capaz de atrair os nossos melhores para um combate onde não existem, porque se esgotam, tempo ou energia para desperdiçar em quezílias menores, em escaramuças ideológicas que desviam a atenção do que interessa.

Interessa acima de tudo salvar Portugal, quando chegar a hora do cada um por si que todos aguardam mas ninguém verbaliza.

E isso, no meu modesto entender, jamais poderá acontecer se repetirmos os erros dos outros e avançarmos para o caos repartidos entre feudos e capelinhas das elites instaladas e não com base numa união de facto entre pessoas livres, sim, mas da perpetuação de práticas e de doutrinas que já provaram não resultar em benefício seja de quem for, sobretudo quando se enfrentam os períodos menos bons que, afinal, elas próprias criaram ou permitiram.

publicado por shark às 00:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 16.05.12

ENTARDECER

baralhar a luz

Foto: Shark

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publicado por shark às 00:17 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 15.05.12

A VER SE EU PERCEBI...

A RTP queria pagar com o dinheiro dos nossos impostos a transferência milionária de um antigo jogador de futebol que faz parte de um programa da TVI 24 com um formato tão pimba que podia ser apresentado pela Júlia Pinheiro na boa?

publicado por shark às 23:49 | linque da posta | sou todo ouvidos

CONFÚCIO DE BOLSO

Quem se agarra ao tempo que passa deixa fugir o tempo que resta.

publicado por shark às 22:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Segunda-feira, 14.05.12

CONTRA TERCEIROS

contra terceiros

Foto: DN

Texto: Shark

publicado por shark às 19:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

PASSOS CURTOS

passos simples

Montagem: Shark

publicado por shark às 19:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

CHARQUINHO FOREVER!

rua quinta do charquinho

Foto: Shark

publicado por shark às 14:58 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NA ADOPÇÃO GENERALIZADA DA SENSATEZ

Uma pessoa pensa depressa e conclui que a Democracia é uma receita fabulosa para travar a tendência para os abusos por parte dos mais fortes, para impedir que se instale nas nossas vidas uma versão moderna, mais ou menos camuflada, de lei da selva.

Portanto a pessoa pressupõe que a Democracia se basta a si própria para garantir os direitos de toda uma população.

Toda? Não. Um pouco por toda a parte brotam grupos de irredutíveis diferentes da maioria cujo estatuto deixa à mercê da vontade alheia muitas decisões que até deveriam estar tomadas à partida, por inerência. E esses podem questionar a mais-valia que a Democracia representa, subordinados que ficam, na prática, ao poder dos mais numerosos mesmo quando estes se equivocam.

 

Esta introdução poderá induzir interpretações erradas. Não, não estou a vergar ao peso da crise ao ponto de me converter ao fascismo. Mesmo quando a Democracia parece incapaz de servir os legítimos interesses de algumas minorias eis que entra em cena a Liberdade a ela associada e que permite, a quem não possa ou não queira porque não tem que querer aceitar injustiças de que se sintam vítimas, contestar até uma maioria, nem que seja por maioria de razão.

Isto a propósito de um daqueles assuntos que a crise torna proibidos nas agendas partidárias por serem desconfortáveis e por se tornarem facilmente catalogados como supérfluos por não serem oportunos.

O problema é que alguns desses assuntos dizem respeito à felicidade de cidadãs e de cidadãos e, se virmos as coisas como elas são, à dignidade da sua condição de seres humanos e a frase não é bombástica, como de seguida deverão entender.

 

O assunto que me move, disparatado nesta conjuntura, blábláblá, é o da adopção por parte de todos os cidadãos e cidadãs comprovadamente capazes de criarem um filho de acordo com os critérios em vigor, independentemente da sua raça, cor ou opção sexual.

Porque me move tal assunto numa altura destas?

Boa pergunta, pois permite-me enfatizar o que o assunto tem de mais significativo, muito acima dos nojos e das renitências de uma hipotética maioria na qual se incluirão muitas pessoas incapazes de tolerarem restrições tão repugnantes como, por exemplo, ao número de filhos que podem conceber. E o factor mais relevante do assunto é o facto de estar em causa a distinção entre pessoas com base nas suas preferências sexuais, nomeadamente na sua capacidade de criarem um filho nas devidas condições.

Ou seja, a maioria(?) não aceita a felicidade de uma minoria porque os moldes diferentes dessa felicidade podem perturbar os preconceituosos mais sensíveis.

 

Para além de tresandar a fascista, pela segregação que impõe com base num pretexto absurdo, qualquer restrição tão radical aplicada a um ser humano apenas por fazer parte de um grupo mais fraco porque minoritário é uma violência e um atentado a princípios tão fundamentais que a própria Democracia a eles se deve subordinar. Sim, existem excepções a qualquer regra e situações cuja indignidade obriga a corrigir sem demoras, sob pena de tornarmos a Democracia num simples instrumento de poder com inspiração estatística.

O que está em causa é a interferência ilegítima na felicidade de pessoas, muitas ou poucas, sem qualquer justificação plausível ou argumento inteligente que a possa justificar.

 

E por isso pretendo deixar aqui a minha opinião retratada, na esperança de colaborar no lançamento de um debate que, em boa verdade, nem deveria acontecer porque ninguém tem o direito de decidir acerca dos contornos da felicidade dos outros quando estão em causa apenas as suas diferenças e quando estas não impliquem algum tipo de ameaça aos seus iguais, ponto.

Mas a vida é um permanente viveiro de absurdos e para não ficarmos um dia perdidos no meio do matagal temos que ir arrancando alguns males pela raiz.

 

É que mesmo a Democracia, confiada ao livre arbítrio do plebiscito e sem um pensamento crítico acerca das suas incongruências, embriagada pelas multidões, pode constituir terreno fértil para más sementeiras. E para a posterior colheita de um cesto de contra-sensos tão corrosivos, tão fomentadores do descrédito, que pode explodir um dia na cara da Democracia com o fragor de um imenso temporal.

publicado por shark às 01:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Domingo, 13.05.12

BOM FIM DE SEMANA!

entre margens

Foto: Shark

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publicado por shark às 00:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sábado, 12.05.12

A POSTA NAS NOVAS OPORTUNIDADES EM TOM LARANJA

A oposição de esquerda ao actual Executivo voltou a revelar enorme ingratidão e falta de sentido de Estado ao interpretar mal as declarações de Sua Excelência o Primeiro Ministro acerca dos inúmeros benefícios de que podem usufruir os desempregados deste país.

De resto, a esquerdalha (que só emporcalha as ideias geniais deste Governo Maravilha) vê-se mesmo que só sabe ser do contra e que se deixa mover pela dor de cotovelo por não ter na mão o controlo das rédeas deste puro-sangue selvagem que é Portugal e que nas visões pessimistas da oposição de esquerda não passará de uma pileca.

 

Já nem bato no ceguinho do consenso político que este constante desmancha-prazeirismo comuno-bloquista amarrota nas pontas, estragando de alguma forma o arranjinho para alemão ver. Avanço logo para o tratado de coerência implícito nas palavras do nosso jovem timoneiro, pois ninguém pode fazer de conta que não vê o empenho do PM e de toda a sua equipa em engrossar as fileiras da sua revolucionária versão do que afinal devem ser as novas oportunidades à maneira.

E é disso que se trata, pela boca de quem nos governa: o desemprego é uma janela de oportunidade ao alcance de todos (mas da qual, com enorme espírito de sacrifício e devoção à causa pública, os nossos generosos e abnegados governantes até abdicam).

 

Senão vejamos: o desemprego é um dos raros ofícios em contra-ciclo com a crise, pois aumentam as vagas para desempregados enquanto nas restantes ocupações diminuem. Além disso, o desempregado médio adquire uma panóplia imensa de conhecimentos e de experiências que lhe melhoram significativamente o desempenho pessoal. Com a vantagem, até ver, de ser uma função remunerada ao longo da vida inteira (de um exemplar adulto da ordem Ephemeropetra).

Por outro lado, um desempregado livra-se de despesas tão significativas como as quotas para o sindicato ou a comparticipação no seguro de saúde da empresa.

A poupança, ao fim de algum tempo no exercício da função, pode mesmo alargar-se a domínios tão amplos como à prestação do crédito à habitação (que não podia ser mais económica pois para os desempregados cedo ou tarde, com a intervenção da banca nesse particular, acaba por ficar de borla), ou mesmo à indumentária: depois de desempregada qualquer pessoa pode trajar informal e utilizar a roupa a partir daí disponível para partilhar o prazer de uma refeição com as traças, um piquenique no roupeiro que aproxima imenso a pessoa da natureza.

 

Agências de desemprego – o franshising do futuro

 

Os bafejados por esse estatuto tão em voga adquirem formação intensa em matérias importantes e com imensas saídas profissionais (a expressão não é a mais feliz neste contexto, eu sei...) como, por exemplo, a gestão financeira do caos. O desempregado é um técnico superior de gestão no vermelho, uma especialidade que irá abrir as portas ao desemprego em muitas empresas privadas e mesmo no sector público pelo excesso de oferta para a posição.

À experiência adquirida ao longo do tempo (que Sua Excelência o Primeiro Ministro tudo fará para prolongar) alia-se o bom aspecto de quem abraça uma existência saudável e ao ar livre (o ambiente é muito arejado sob o tabuleiro da maioria das pontes), bem como o traquejo para contornar desafios estimulantes e fora do alcance de quem prefira passar ao lado de uma grande carreira que só o desemprego proporciona.

 

Sua Excelência o Primeiro Ministro abriu com as suas declarações as portas a uma forma diferente de entender o desemprego, eliminando o estigma pelo efeito da proliferação pois até um gajo com emprego percebe que os estigmas aplicam-se sobretudo a realidades pequenas ou a grupos minoritários.

É essa a verdade que a oposição de esquerda não quer reconhecer nas sábias palavras de um homem que tudo tem feito para melhorar a imagem da Nação, nomeadamente junto dos credores, e até nesse esforço transmite o bom exemplo a seguir pelos nossos briosos desempregados, pobrezinhos mas honrados, que não devem alimentar o malparado a bem da saúde financeira de quem afinal faz girar o mundo com o dinamismo de uma russa (agora não me lembro se é uma montanha, uma roleta ou uma imigrante eslava em busca de um desemprego único no mundo como é, a partir de agora, o desemprego lusitano que, ponham os olhos nisto, é tão respeitado que o Governo fez questão de equiparar quando cortou em perfeita igualdade nos subsídios de férias como nos de desemprego.

 

E só agora, seus ingratos, se percebe o verdadeiro alcance de pérolas como o apoio tácito do PM à emigração por parte dos nossos jovens, visando criar uma maior quota de vagas disponíveis para futuros desempregados e, ainda antes do final da Legislatura, ultrapassar os próprios espanhóis na percentagem de felizardas e de felizardos com uma vida tão nova e a estrear como o apartamento ou o veículo penhorados para lhes garantir um ponto de partida perfeito, um início a partir do zero absoluto que assegura o crescimento a partir do primeiro cêntimo (ou escudo) de esmola!

publicado por shark às 01:59 | linque da posta | sou todo ouvidos

Sim, sou eu...

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