Quarta-feira, 28.03.12

A POSTA AMIGA

Qualquer conceito, mesmo o mais simples de entender, possui a flexibilidade intrínseca das coisas susceptíveis de se submeterem à lotaria da interpretação individual. Ou mesmo colectiva, pois existem conceitos cuja interpretação e consequente aplicação prática variam de acordo com a localização de quem os adopta.

Quando por detrás de um conceito existem emoções entramos no domínio do aleatório nas interpretações e o consenso torna-se impossível.

A amizade pertence a esse grupo e isso torna-a passível de variar de pessoa para pessoa enquanto conceito ao ponto de qualquer semelhança entre as percepções de cada um/a não passar de pura coincidência.

 

Já li, já ouvi e já vivi a amizade, no melhor e no pior, o bastante para me sentir capaz de defender a minha definição pessoal e infelizmente intransmissível desse conceito tão moldável como a plasticina de que parecem construídas algumas relações rotuladas com esse selo de garantia de qualidade na ligação entre pessoas.

Aqui já começo a esboçar o cepticismo que caracteriza o meu saber mais de experiência feito do que fruto de algum tipo de teorização que, bem vistas as coisas, é tão infrutífera como a do sexo dos anjos.

A amizade séria, como gosto de lhe chamar, implica à partida alguma sintonia na interpretação do conceito ou pelo menos o respeito necessário pela inevitável diferença na forma como a sentimos, a entendemos e decidimos abraçar.

 

O abraço constitui, de resto, um excelente indicador para o calibre da emoção associada à amizade e essa não dispensa, na minha versão da coisa, uma ligação de tal forma forte e inequívoca que a transforma, a par com a frequência de contacto, quase numa relação familiar.

A amizade é amor, é o amor possível entre duas pessoas que não o podem ou não o querem viver e até pode (e deve) fazer parte de uma relação amorosa.

Por isso não pode ser entendida de forma leviana, aligeirando algo que qualquer pessoa sabe ser assunto sério quando dá pela falta ou quando percebe a diferença que um amigo de qualquer género pode fazer em bons ou maus momentos da existência da pessoa.

 

Um amigo é leal e de absoluta confiança.

Um amigo conhece-nos bem porque contacta connosco com a frequência suficiente para se manter a par e poder assimilar as nossas grandezas e as nossas misérias.

Um amigo está sempre presente nas aflições de forma voluntária e nos momentos especiais por inerência.

Um amigo chora por nós e faz das fraquezas forças para nos ajudar, nem que seja por se disponibilizar para ouvir, mesmo levando grandes secas.

Um amigo é indispensável, é um conselheiro, é uma referência que guiamos e nos guia ao longo de um caminho difícil de percorrer a sós e eu não tenho.

 

Mas também não sou.

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publicado por shark às 15:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Segunda-feira, 26.03.12

A POSTA NAS CONTAS DE SUMIR

Tempos atrás, quando ainda mal adivinhava a pancada do facebook, afirmei aqui que deixaria de blogar no dia em que o contador me provasse que teria mais leitores se distribuísse as postas nas caixas do correio do edifício onde moro.

Hoje venho aqui assumir que na altura menti.

Ou enganei-me a fazer as contas, tanto faz.

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publicado por shark às 22:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

COM CHAVE DE OURO

Por vezes só nos apercebemos da relevância de alguns momentos quando mais tarde nos confrontamos com algum símbolo, algum gatilho para a lembrança de sensações que revivemos com tanta nitidez que se torna impossível confundi-las com episódios passageiros ou experiências menores.

Algumas dessas realidades marcantes podem funcionar como chaves do cadeado de um qualquer baú da nossa tola onde enfiamos tudo aquilo com o qual não conseguimos lidar, pelo menos com a distância relativa que sempre acreditamos o tempo proporcionará.

E é quando nos vemos perante a inevitabilidade de aceitar o impacto de determinadas emoções que julgávamos esvaírem-se em amnésia ao longo do caminho que, quase embaraçados, reconhecemos as memórias e as pessoas que perduram uma vida inteira e engolimos em seco quando o coração dispara e tentamos fingir que não percebemos porquê.

 

Julgo ser normal que tentemos arquivar no mesmo ficheiro a totalidade, coisas boas e coisas más, de uma experiência que por algum motivo sabemos não ser possível de repetir. Chamam-lhe mecanismos de defesa, estas tentativas vãs de converter em arquivo morto tudo aquilo que possamos sentir como um desgosto, uma desilusão, uma derrota. E por norma não defendem de coisa alguma, expostos que estamos às esquinas da vida nas quais podemos chocar de frente com a tal realidade incómoda que a preguiça ou algum receio não assumido ou seja o que for nos levou a encaixotar, em local recôndito, para evitar perturbações desnecessárias.

O problema está em parte contido nessa definição de prioridade que torna o conceito de necessidade numa coisa invulgarmente flexível: apanhado de surpresa, o tal mecanismo de defesa funciona como os alarmes dos carros quando ligados a uma buzina roufenha e simplesmente não cumpre o seu papel dissuasor de lembranças perturbadoras.

 

Logo à partida, esse sistema de vigilância instalado para impedir o acesso involuntário a coisas que preferimos discretas num canto tem um desempenho directamente proporcional à firmeza de intenções de quem o montou. Quando queremos mesmo encerrar o assunto é como se tivéssemos a segurança pessoal do Presidente Obama de sentinela à porta, mas se apenas tentamos varrer para debaixo do tapete aquilo que nos possa afectar em dada altura é como se a combinação do cofre fosse deixada num post-it cheio de cores berrantes para prender a atenção da pessoa.

Não existe uma defesa para as defesas feitas de papel, construidas apenas para criar uma barreira artificial de olhos que não vêem coração que não sente e deixá-la à mercê do vendaval que pode ser provocado pelo agitar das asas de borboletas no Japão ou pela simples evocação de emoções tão fortes que até uma palavra, um gesto ou um som podem fazer explodir de repente na mente desguarnecida do cidadão.

 

É essa a inevitável provação que espera os incautos fiados na virgem do esquecimento destinado às situações e pessoas sem rasto e mesmo sem rosto mas que afinal de pouco ou nada vale quando estão em causa os tais momentos que perduram, latentes, na essência do que valeram e na excelência do que continuarão a valer.

publicado por shark às 01:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 24.03.12

WUTHERING HEIGHTS

em desuso

Foto: Shark

publicado por shark às 23:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NO BASTÃO AZUL

Até podia achar coincidência o facto de estas imagens de polícias ávidos de baterem nas pessoas, sobretudo pessoas que informam, acontecerem quase sempre ao longo dos mandatos laranja no poder, mas não acho.

Ao eterno apelo da Direita para privilegiar a disciplina sem dispensar a repressão para mantê-la soma-se o evidente temor do actual Primeiro-Ministro de que as coisas descarrilem nas ruas e temos garantida a receita trauliteira que as palavras do poder insinuam e a vergonha no Chiado denunciou.

 

Já levei bastonadas da polícia e posso confirmar que aquilo dói mais do que a picada de meia dúzia de abelhas em simultâneo num mesmo local da nossa anatomia.

Aproveitei para deitar um relance à expressão do agente da autoridade que se preparava para me aviar a segunda de mão quando entendi bater em retirada, centenas de metros até o peso da couraça daquela amostra de robocop o forçar a desistir da perseguição, e percebi que a criatura não estava de todo aberta ao diálogo e a uma amena troca de impressões acerca do facto de aquela ser (mais) uma carga policial desnecessária e violenta em demasia para o que estava em causa na altura.

Ficam fora de si, os homens fardados a quem compete espancar os que discordam ou, como no exemplo mais recente se percebe, apenas incomodam com o relato das proezas de quem se pode transformar numa destravada arma de arremesso do regime quando o caldo entorna e o povo decide reclamar onde a Democracia o deixa.

 

É isso que recordo quando acontece mais um episódio daqueles que o tempo e diversas investigações e inquéritos inconsequentes acabam por reduzir a um incidente sem grande expressão, até porque, como este povo pacato se apressará a referir, até nem morreu ninguém.

Pois não morreu, mas podia ter morrido. Ou pelo menos sido gravemente ferido como o jovem a quem um tiro da polícia nos desacatos nas portagens da ponte 25 de Abril amarrou a uma cadeira de rodas. E seja como for, não podemos estar reféns da dimensão das consequências para a avaliação da gravidade do que se passou.

Foi grave, como o são todos os abusos de autoridade, como o são todos os ataques à liberdade de informação que, por muitas histórias que se contem, ficam bem expressos na intimidação que se quer vincar quando se espancam jornalistas identificados na condição. Para deixar um aviso à navegação, devidamente condimentado com a sugestão de indumentária e de posicionamento para salvaguarda da segurança não dos jornalistas mas da imagem futura de um Governo que até estranha tamanha pacatez perante tanto desmando, tanta dificuldade que nos impõe a ressaca do mau desempenho de quem nos tem governado desde que a (primeira) Revolução aconteceu.

 

Pensava eu que o terror popular perante as fardas (na altura cinzentas) dos que batiam sem dó nem restrições ao mínimo sururu em qualquer local público, com particular apetência pelas redondezas dos estádios de futebol, treinando à época para uma ameaça real dos nossos dias, a das claques organizadas, tinha acabado mas na altura era imposto sem recear uma Imprensa censurada que virava a cara para o lado ou levava com o lápis azul, ou pior. Mas agora caminha-se de regresso a esses dias sem lei para alguns.

E é essa a vontade dos que mandam ou permitem ou sugerem que se espanquem profissionais da Informação no exercício das suas funções, substituir pelo medo as ferramentas que no passado tanto jeito deram a quem governou.

 

E é essa a realidade obscura por detrás destes abusos que apalpam o pulso à contestação enquanto o tentam torcer à bastonada, tentando amedrontar os que se manifestem e aqueles que possam “denegrir” com a detergente verdade dos factos todos os esforços, todos os discursos institucionais hipócritas de alegada condenação da violência que, para acontecer, careceu de alguma autorização (dita) superior e que visa especificamente intimidar todos quantos protestam as suas queixas mais aqueles que as possam amplificar.

 

Sai-lhes sempre o tiro pela culatra quando nem assim os conseguem silenciar.

publicado por shark às 19:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quinta-feira, 22.03.12

UMA SECA MILIONÁRIA

Joe Berardo, jovem empresário do sector agrícola com diversas plantações de árvores das patacas, afirma que a manter-se o clima actual a cultura "desaparece toda" em Portugal até 2016.

publicado por shark às 09:28 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 18.03.12

BLACK & WHITE

este rio não é de janeiro

Foto: Shark

publicado por shark às 13:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 17.03.12

A POSTA NUMA CAUDA DO TAMANHO DO UMBIGO

Um dos maiores desafios que me foram colocados na adolescência foi o de conseguir chamar a atenção pela diferença (uma das abordagens mais radicais mas igualmente muito eficaz nessa fase, nessa época), algo que ficava bem a um jovem aspirante a rebelde, até porque a New Wave e o Punk introduziram no visual da rapaziada uma variedade de cortes e de cores suficientemente espalhafatosa para clarificar a postura.

E garanto-vos que não era fácil impor a tal diferença de forma passiva, com uma aparência quase normal a ombrear com franjas até ao umbigo, caracóis oxigenados até à raiz ou clones do último dos moicanos com um tufo de cabelo espetado como o de um piassaba a fazer de faixa central num crânio rapado à máquina zero all around.

 

Era esse o filme que nos esperava nas matinés do Beat ou do Porão da Nau nas quais urgia dar nas vistas perante as miúdas para ser possível a esperança de um engate, algo de muito significativo do ponto de vista do adolescente com pila naquela altura e espero que no de agora também.

Claro que ajudava ter um rosto apresentável mas era quase inevitável que elas se concentrassem nos pormenores que faziam a tal diferença que nos distinguia por entre os litros de acne e metros cúbicos de hormonas destrambelhadas espalhados pelas salas em busca do seu momento especial.

Aprendíamos depressa que mais importante do que uma cara bonita era a expressão que lhe colávamos que podia fazer a diferença entre as resmas de trombas de otários cheios de tiques de tanto sacudirem as carolas para tirarem as franjas dos olhos. A partir daí, desse instante mágico em que ela nos fixava com o olhar e fazia-se um clique qualquer que abria as portas ao curtir, que eram umas horas intermináveis de beijos na boca e pouco mais do que a promessa de algo mais que seria sempre algo marcado para amanhã ou depois logo se via.

 

Esses rituais de acasalamento acelerado à luz das psicadélicas ou em movimento retardado pelo estranho piscar do strobe eram o primeiro agitar das penas enfezadas na cauda de qualquer jovem pavão, assumindo-se assim vitais para a manutenção de um ego confiante e de uma atitude a condizer, numa guerra sem quartel pela quota de mercado disputada no mesmo território de gajos capazes de passarem uma hora ou mais na manutenção das suas cabeleiras espaciais e que julgavam sempre réplicas perfeitas das trunfas do Limahl ou dos gajos dos Duran Duran.

Mesmo admitindo que a essa concorrência feroz dei o mesmo tratamento que ainda hoje costumo aplicar, transformando aquelas superproduções capilares em sinais claros de desespero de causa por escassez de argumentação alternativa que, depois de refinado o paleio pela observação atenta dos discursos dos mais bem sucedidos no bairro ou na escola, servia de contraponto para a música com que abafávamos a que mal nos permitia trocar mais do que três ou quatro palavras seguidas, tenho que enfatizar a dificuldade enfrentada por quem queria marcar a diferença sem precisar para isso de seguir um padrão...

 

Tudo isto a propósito de como as coisas não mudam tanto assim com o tempo e continuam a dar cartas os gajos que mais investem no visual, seja porque se depilam ou porque vão ao ginásio dia sim dia também ou porque usam os óculos de sol que mais estiverem a dar nessa semana. E serão gajos igualmente capazes de utilizarem uma hora da sua existência para cuidarem de tudo ao pormenor, de abraçarem visuais extravagantes no limite do inenarrável ou de qualquer outro recurso numa guerra onde vale tudo menos arrancar olhos para dar nas vistas e ultrapassar assim a barreira inicial, a da indiferença, sem precisarem de outras armas para vencerem a primeira das batalhas.

Contudo, e também isso não muda com o tempo, o último a rir continua a ser o que ri melhor.

 

E na verdade o que interessa, quando a poeira assenta, é um gajo conseguir sempre saber onde estava afinal a piada.

publicado por shark às 23:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

MENSAGEM SUBLIMINAR

mensagem subliminar

Foto: Shark

publicado por shark às 21:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NUM PICOITO INTERROMPIDO

Volta e meia os moralistas do costume decidem reagir por antecipação, aproveitando o ensejo para adicionar as guerras perdidas no passado e que acabam por relacionar umas com as outras porque acham que faz tudo parte do mesmo esquema medonho, da gigantesca conspiração das minorias para conspurcarem o sistema perfeitinho e maneirinho que vêm moldando desde os tempos da santa inquisição.

Parece ser o caso, pois o Picoito não é o primeiro a (ab)usar (d)o microfone e (d)o teclado para influenciar mentalidades a tempo de estarem prontas para enfrentarem eventuais referendos no futuro, inclusive na estratégia estafada de relembrar derrotas do passado, como a da IVG, para tornarem ainda mais terrífico o papão libertário.

 

Julgo que a esquerda actual tem mais em mãos para ficar entretida do que trazer para a berlinda o melindre da adopção por casais não compostos pelo ancestral binómio macho/fêmea. Não, nem lhes chamo casais homossexuais pois se a lei lhes reconhece o estatuto de casais é isso que são e nem mesmo a ILGA deveria destacá-los dos restantes como se fossem uma espécie ameaçada.

É impossível dar conversa e entender a motivação de alguém que se veste paladino de uma causa que consiste em desacreditar cidadãs e cidadãos da sua capacidade de criarem filhos por via da sua orientação sexual não padronizada nos cânones da maioria. Contudo, é igualmente impossível aceitar que transmitam o contágio conservador por todos os meios ao seu dispor sem tentar equilibrar a parada da argumentação. Sobretudo quando o impulso é prematuro e, por inerência, a motivação se torna um tudo nada missionária.

 

A questão dos princípios parece-me ser a que está em causa em ambos os lados desta divergência. Se para os Picoitos deste mundo a cena do amor e do casamento e da família só é como deve ser se nela intervierem sempre cidadãos de géneros diferentes (ou será que se comprovadamente não forem homossexuais já podem ser do mesmo?), para muitas outras pessoas sem acesso a microfones o princípio é outro e diz que toda a gente é livre de se assumir nas suas diferenças, ainda que se trate de grupos minoritários, e não merece por isso um tratamento distinto por parte de quem as não tolera.

A coisa vista deste lado soa a medieval porque qualquer fundamento para a discriminação tem que recuar a esses dias em que os costumes eram impostos à bruta, ou pelo menos aos tempos mais recentes em que a diferença era tida como uma ameaça a exterminar, se tivermos em conta a necessidade de inferiorizar grupos de cidadãos na sua capacidade plena por via da cor da pele, da orientação sexual ou do diabo que carregue os tais cruzados com sede repressora.

A coisa vista deste lado soa a desprezo não por quem é portador de uma diferença incómoda mas por quem ousa assumi-la e reclamar esse direito às claras. Não faltam os escândalos de alcova, os segredos escapados a bastiões, mesmo sagrados, alegadamente insuspeitos, dessa moral tradicional para o evidenciar.

 

Por tudo isto estamos perante mais uma falsa questão, mais um erguer do eterno papão antes que a Democracia, algum referendo maluko ou assim, faça das suas e desminta pela maioria expressa em votos a ilusão alimentada por uns quantos de que ainda é a sua a versão correcta e generalizada de um mundo como se quer.

É esse o medo que agita os Picoitos nas catacumbas da sua sociedade perfeita na uniformidade, sem mácula à superfície, perdoada em segredo pelos seus desvarios nos bastidores, incapazes de aceitarem a mudança que não se pode proibir como dantes se podia e de reconhecerem aos outros o mesmo estatuto se não o souberem merecer com, pelo menos, o sigilo, o encobrimento dessas tentações demoníacas que só podem entender como doenças ou, num patamar superior de alucinação, como maldições que desejariam banidas mas, no mínimo, pretendem impedir de usufruírem de uma cidadania plena se for desajustada da realidade que os Picoitos pretendem, de facto, impor.

 

Eu não subscrevo essa irritante mania.

publicado por shark às 20:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA QUE É DEIXÁ-LOS IR

Multiplicam-se no meu leque de conhecimentos os casos de homens portugueses que se atracam a brasileiras, deixando para trás família, emprego e o que mais houver como se o mundo fosse acabar amanhã.

Claro que a primeira reacção das pessoas à proliferação destas relações transatlânticas é a de rotularem as brasileiras de predadoras, acabando a coisa num crescendo que quase as remete à condição de feiticeiras daquelas que as mulheres traídas da geração anterior à minha afirmavam meterem qualquer coisa na sopa dos seus homens agora roubados pela bruxaria tropical.

 

Sempre achei as portuguesas as melhores mulheres do Mundo e arredores e disso tenho dado conta aqui. Essa minha crença não me cegou, contudo, aos detalhes de somenos importância que vão aos poucos estigmatizando (dito assim até parece que acredito na cena) as brasileiras com a associação de ideias mais óbvia: bundinha e fio dental.

Sim, tal como as muitas alegadas vítimas dessas desfazedoras de lares com sotaque prestei a esses pormenores a atenção suficiente para que a simples alusão a esse grupo específico de fêmeas me cole um sorriso no rosto de forma espontânea.

Contudo, isso nunca me pareceu tão ameaçador quanto isso porque qualquer observador mais atento conclui que as portuguesas só não se batem de igual para igual na exposição solar dos glúteos.

É portanto apenas uma questão de dimensão dos tecidos.

 

Assim sendo, esta diáspora de cônjuges fascinados pela paixão ao ritmo do samba permanece para mim envolta em mistério e vejo-me forçado a pensar a coisa mais além do que um fio dental possa representar. É aqui que entram em cena os mecanismos mais elementares da masculinidade lusitana, de entre os quais se destaca o descomplicómetro instalado junto aos disjuntores da complexa maquinaria de controlo do desejo que partilhamos com as nossas moças. Esse extraordinário equipamento de série no macho comum português está na origem de muitos indicadores que são erradamente confundidos com insensibilidade mas na verdade não passam de naturais divergências entre nós, que temos o aparelho, e elas que desejam tanto ou mais mas estão antes equipadas com uma espécie de retardador de abertura como os dos cofres nos bancos.

 

Maço-vos com esta breve abordagem à engenharia dos sistemas porque só aí consigo encontrar a fonte do tal fascínio que enlouquece tantos bons maridos e pais com desvarios tropicais que se consta serem doença sem cura conhecida.

As brasileiras, sem dúvida montes de femininas, parecem possuir um equipamento idêntico ao nosso e o que isso implica de diferente no estabelecimento de sólidas e tórridas relações diplomáticas está à vista.

As portuguesas, de caras as melhores do Mundo e arredores, são tesouros de valor incalculável e sabem-no e mantêm essa fortuna fora do alcance dos piratas em que nos tornamos quando o tal descomplicómetro dispara.

Já as brasucas, sem dúvida montes de uma data de coisas, são muito mais despachadas e generosas na entrega do ouro ao bandido que, quase por imperativo moral, privilegia o lucro fácil e regressa sempre ao local do crime o que, toda a gente sabe, é receita garantida para se deixar apanhar.

 

Perante este problema como o pintam é possível teorizar o que se queira e inventar pretextos ou desculpas mais ou menos elaboradas na maquilhagem da sua pretensa validade factual, nem que seja para armar ao pingarelho do alto da cátedra que deitou o olhar de esguelha às imagens do Carnaval do Rio mas nunca ousaria sequer sambar.

Porém, isso para mim é complicado demais quando o assunto envolve esses eternos alvos da cobiça (e da inveja, e do despeito, e da censura) e o meu equipamento de série prova funcionar na perfeição quando encaminha o raciocínio para uma simples questão aritmética: por cada patrício que se deixa embeiçar por uma irmã de além-mar há uma portuguesa desamparada, até mesmo revoltada, e isso pode ser o mote para anular perante as brasileiras a tal aparente desvantagem.

Nessas circunstâncias, juro pela minha perna de pau, fica muito mais permeável à abordagem.

publicado por shark às 00:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sexta-feira, 16.03.12

FLOWER POWER

flower power

Foto: Shark

publicado por shark às 01:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quinta-feira, 15.03.12

A POSTA NOS LEÕES PROPRIAMENTE DITOS

Pode dizer-se que o Sporting reserva sempre os seus grandes momentos para os melhores palcos.

publicado por shark às 22:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 14.03.12

PERFUME IDEOLÓGICO

Alguns políticos de topo denunciam com sinceridade a matéria de que são feitas as suas ideias porque confundem eloquência com flatulência.

publicado por shark às 00:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 09.03.12

BLACK & WHITE

em tempos fui

Foto: Shark

publicado por shark às 18:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA NOS AMANHECERES SIMULADOS QUE CANTAM

Um consumidor visivelmente encantado pelo seu amanhecer simulado

 

 

Se eu fosse um empresário do ramo das inutilidades-ainda-mais-disparatadas-em-tempo-de-crise gostava de poder anunciar ao meu departamento de vendas, ainda antes de limparem por completo as ramelas às horas da madrugada a que as pessoas são forçadas a trabalhar: hoje vamos vender resmas de despertadores Oregon Scientific com Simulador de Amanhecer!

Vamos por momentos ignorar o requinte de crueldade de alguém ser capaz de propor a pessoas quase acabadas de acordar a venda do seu mais recente instrumento de tortura, pois esta posta, apesar de gratuita, é um veículo publicitário indirecto e por isso temos que respeitar as regras elementares de funcionamento do mercado.

 

O que me move, para além da secreta esperança de um dia algum empresário montes de bem sucedido na venda de, sei lá, campainhas de porta com simulador de aurora boreal me oferecer uma pequena fortuna por uma referência ao seu produto tão inédito quanto difícil de impingir poucos minutos depois de ultrapassado pelo consumidor incauto o torpor dos primeiros minutos de cada dia, é em boa medida o sono.

Sim, recebi a sedutora proposta para a compra de um sensacional despertator Oregon Scientific ainda sob o efeito do ódio ao equipamento homólogo actual e à sua ingrata missão.

 

Ainda assim deixei-me seduzir pelo barulho das luzes da simulação de alvoradas e prestei alguma atenção à dita maravilha tecnológica, nem que fosse para perceber em que consiste a coisa.

Agora já pode acordar ao som dos pássaros mesmo que more numa grande cidade! – É assim, com esta entusiasmada proclamação dos amanhãs de manhãs que cantam, que a Loja21 nos agarra para a leitura dos inúmeros predicados do seu produto do dia.

Fico então a saber que a luz mágica desta maravilha com que o progresso promete acordar-nos estimula a produção de cortisol, uma hormona que a empresa diz ajudar a preparar o organismo humano para o novo dia depois do período de sono.

Claro que começo por identificar um distúrbio hormonal neste organismo humano cuja reacção a um despertador comum é similar à de um espancamento (o meu despertador partilha essa sensação desconfortável) e sinceramente nunca senti que existisse algures em mim uma espécie de mão hormonal estendida para me ajudar nesses momentos terríveis.

 

Prosseguindo na apreciação dos inúmeros argumentos para a aquisição imediata de um Oregon Scientific (com simulador de amanhecer, não sei se já referi) fico a saber que este multi-funções serve de lâmpada de mesa de cabeceira e assim não corro o risco de partir o candeeiro ao tentar desligar o despertador! Ou seja, um enorme estímulo à poupança que, como veremos adiante, é bastante conveniente promover em paralelo com o simulador de amanhecer.

Porém, quanto mais avanço no explanar de atributos menos tentado me sinto a aproveitar o preço especial de corrida que só hoje posso pagar.

Por exemplo, quando na tentativa de suavizar a pesada carga pejorativa associada a um dispositivo para acordar a pessoa (algo tão infrutífero como forrar com estofos de veludo o interior de um caixão para o tornar mais acolhedor) me referem que basta um suave movimento da mão diante do mostrador para desactivar a repetição do alarme (que pode ser o cantar dos passarinhos como a voz estridente da Júlia Pinheiro num anúncio em FM) o caldo do meu impulso de compra entorna.

Só quem nunca precisou de acordar antes das 11 da madrugada percebe onde reside o problema deste pormenor aparentemente tão inócuo: um suave movimento da mão e o simulador de amanhecer anoitece? Até podia disparar a luminosidade do sol em Mercúrio que os meus suaves mas sucessivos movimentos manuais acautelavam um não menos suave regresso ao simulador de ressonar até o próprio equipamento desistir da ideia, simular que vai ao WC e deixar-me da mão para não levar uma berlaitada na gaiola onde guarda os tais pássaros com pendor urbano e que cantam com pronúncia de Taiwan.

 

Mas só caio em mim depois de perceber o quanto acreditam os seus promotores nos tais orégãos científicos com a prudente nota final que nos avisa que o equipamento é mesmo fabuloso e acordamos com enorme vigor e mainãoseioquê mas não compensa nem substitui o número de horas necessárias a um descanso adequado.

Quer isto dizer que o simulador de amanhecer não dá abébias ao cliente que veja ali uma janela de oportunidade para poder regressar da 24 à hora em que o amanhecer não é simulado e isso retira algum brilho à retro-iluminação proporcionada pela lâmpada de halogéneo de 42 W.

 

O que a apaga mesmo é um tipo deparar-se, no meio do rol de características do despertador xpto, com uns tais de botões reto iluminados em âmbar: quando olhamos melhor para o preço promocional, só hoje, de €114,90 e nos lembramos de que estamos a falar de um despertador (aquelas cenas medonhas para acordarem um gajo demasiado cedo, estão a ver?) dá-nos vontade de enfiar aquilo Deus sabe onde e a quem e então ilumina-se o dia com um sorriso porque percebemos na hora a utilidade específica dos mesmos.

 

publicado por shark às 12:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quinta-feira, 08.03.12

A POSTA NO CÚMULO DA CUSQUISSE

A ver se me organizo: o Big Bang terá nascido do vazio, do nada. Nesse caso, no dia em que os telescópios conseguirem recuar até esse tempo no espaço vamos poder assistir a algo a que ninguém assistiu porque nada existia na altura?

publicado por shark às 23:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NAS FORÇAS DA NATUREZA (QUE NÃO É FEMININA POR MERO ACASO)

Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

E é também o dia em que chega à Terra o efeito da maior tempestade solar dos últimos cinco anos e cujo impacto se faz sentir ao nível da perturbação nas comunicações e na desorientação de sistemas habitualmente tão rigorosos como o GPS.

 

Se existisse um dia internacional da coerência era hoje também.

publicado por shark às 09:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 07.03.12

CUIDADO COM O CÃO

cuidado com o cão

Foto: Shark

publicado por shark às 22:33 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 06.03.12

A POSTA QUE O QUE FAZ FALTA É ACORDAR A MALTA

Desabafava tempos atrás o Primeiro-Ministro no exílio, José Sócrates, que não há coisa pior para um político do que uma crise. Concordo.

Deve ser terrível para quem não tem ovos sequer para uma omoleta de promessas e se vê obrigado a substituir o sorriso polaroid por uma carranca mais consentânea com o figurino geral.

Isso preocupa-me enquanto cidadão dependente de uma política mais sorridente, claro.

Porém, embora admita essa ligeira consternação pelo drama humano de um político sem coelhos na cartola ou, no caso concreto, mesmo já sem cartola, tenho que puxar a brasa à minha sardinha de pelintra e aproveitar a engenharia do raciocínio acima:

Não há pior para um gajo teso do que a falta de dinheiro.

 

Isto dito assim parece bem menos profundo do que é. Mas mesmo as ideias de quem não completou a licenciatura mas assume isso com toda a frontalidade podem ter baixios.

O problema não é menor, se tivermos em conta as proporções entre a aflição do político obrigado a gerir uma crise e a de um gajo teso intimado a resolvê-la.

De resto essa diferença passa pela descontracção com que o actual PM assume a sua determinação em gozar as férias no Algarve como de costume, enquanto para a maioria dos tesos isso das férias é apenas mais um período no qual se torna demasiado óbvia a falta de liquidez.

 

Mas dizia eu que a falta de dinheiro atrapalha imenso o gajo teso. Isto acontece porque o sistema está pensado no sentido de punir quem se atrasa a cumprir, numa lógica perversa porque desenhada para enterrar ainda mais quem já nada em problemas. Ou seja, a pessoa tem falta de dinheiro e isso implica penalizações pecuniárias que a agravam.

É fácil de perceber como a coisa funciona numa dinâmica trituradora de efeito dominó que só abranda quando o gajo teso já nem mexe porque nada sobra para lhe confiscar, numa bola de neve que se torna imparável depois de somadas todas as alcavalas.

Este ciclo vicioso acaba por ilustrar aquele que os governantes sentem na pele de terceiros quando se vêem a braços com uma crise não propriamente sua, com as perdas e penalizações e juros a não permitirem a saída do vermelho porque, lá está, a lógica do sistema não engloba a abébia para os prevaricadores: se tem pouco e não chega, para castigo fica sem nada. Ou ainda pior, fica com menos qualquer coisa do que nada porque as dívidas são para honrar mesmo quando já não existam meios para o efeito e empréstimos são para quem deles não precise porque até consegue pagar a respectiva prestação.

 

Nestes becos com saída garantida do sistema a falta de dinheiro é mesmo do pior porque a quem menos tem é a quem a coisa mais faz doer, implacável na sua purga dos que não merecem pertencer ao mundo dos que valem apenas porque têm e os restantes constituem-se embaraços, maus exemplos como grãos numa engrenagem pensada para a prosperidade globalizada e incapaz de processar a situação inversa.

E enquanto aos políticos apanhados por uma crise é atribuído um rótulo de incapazes que os afasta do centro do poder político mas os aproxima do poder financeiro ávido de retribuir uma simpatia para encorajar outras, aos gajos tesos apanhados no mesmo contexto é exibido o chicote do flagelo social associado ao estatuto de caloteiro para os manter à distância de qualquer poder que não aquele que lhes permite votar nos que depois retribuirão o gesto, nunca se abstendo, uma vez esmifrados até ao tutano, de os votarem ao maior ostracismo que a democracia permita e a sociedade seja capaz de tolerar.

publicado por shark às 15:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

COM OLHOS DE VER

observador

Foto: Shark

publicado por shark às 11:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 05.03.12

A POSTA QUE ESTOU A FALAR EM DIAS DA SEMANA

Porque será que cada vez mais à segunda tenho a percepção de que a sexta é só daqui a um ano e picos?

publicado por shark às 09:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sábado, 03.03.12

SEXTO SENTIDO

Abre os teus olhos como janelas de uma casa no topo de uma montanha e deixa fugir o olhar pelo mundo tão belo como o vês, segue-o de perto e percorre de lés a lés a paisagem de cortar a respiração.

Escuta o bater mais acelerado do coração que rufa como um tambor no silêncio em teu redor e decifra a mensagem que o vento vai entregando a cada momento dessa tua pausa observadora e percebe como a vida melhora só pelo prazer de conseguires absorver em pequenas porções de imagens e de sons as mais poderosas sensações que esses sentidos podem oferecer.

Saboreia nos lábios a memória de um beijo, deixa-te abraçar pelo desejo e liberta da caixa de pandora numa manhã radiosa de Primavera a anarquia da imaginação, o gosto salgado da paixão na tua boca, o corpo deixado à solta numa aventura arrojada que te sabe a amante beijada quando te lembras assim, sem amarras, de tudo aquilo que desejavas e às tantas ainda podes ter.

Aspira a brisa da madrugada que te faz recordar o odor de uma noite passada a amar sem reservas, abre de novo a gaveta onde encerras tudo aquilo que constitua evocação do que renegas sem querer, apenas no sentido de prevenir uma recaída, o descontrolo de uma doença mal curada que te possa ensandecer, quando amas isso pode doer, inspira fundo agora esse ar que transporta de fora o que escondes dentro de ti.

Sente a pele que reage por si num arrepio que sabes não ter nascido do frio porque no interior da tua mente há um corpo incandescente alojado no teu e agora abres os olhos para veres no céu desenhados pelos rastos de aviões os contornos dos amantes e o calor das emoções que te envolvem com a suavidade de braços feitos de cetim.

 

Pensa nas coisas postas assim e utiliza acima de tudo a intuição, concentra nela a tua atenção e deixa-te arrastar pela estrada que o instinto traçar enquanto tudo te é permitido pelo tempo que se faz esquecido de nos avisar que continua sempre a passar porque é como uma locomotiva sem travões que ignora apeadeiros ou estações, a vida não pode esperar pelo que se possa deixar para amanhã logo se faz e o tempo recusa andar para trás para recolher os atrasados para usufruírem da permanente celebração que é uma vida com a sede de paixão que tenhas reprimido.

 

Segue as pegadas desnudas do teu sexto sentido.

 

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publicado por shark às 23:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

PALAVRA

Era uma palavra, isso sabia.

Apenas não compreendia porque não fazia sentido por si, porque não podia ser apenas palavra como se entendia mas submeter-se ao arbítrio na sua interpretação. Até a palavra solidão se bastava, toda a gente a conotava com um conceito universal. Sozinha, a solidão já tinha um significado e isso ainda lhe juntava a coerência. Até a solidão conhecia a independência das muletas como a palavra as entendia, todas aquelas de que precisava para se conseguir explicar.

Uma palavra sozinha sentia-se palavra nenhuma porque precisava das outras até para se afirmar na condição:

ÉS UMA palavra.

E isso já a palavra sabia, mas todos os outros precisavam das outras palavras para a reconhecerem na condição sem ficarem com cara de ponto de interrogação a olharem para uma palavra e só quererem saber afinal o que quer dizer em concreto, ali, a palavra palavra, mas palavra o quê, foi a pergunta que lhes deixei.

 

É que palavra de honra que às tantas já nem eu sei.

 

publicado por shark às 21:40 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 02.03.12

BLACK & WHITE

incognita

Foto: Shark

publicado por shark às 01:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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