Segunda-feira, 11.07.11

O PONTO DA SITUAÇÃO? É UM PONTO DE INTERROGAÇÃO...

Ora vamos lá ver...

A Europa está a sangrar euros e a hemorragia chamada dívida pública não estanca e hoje bastou falar-se na Itália em apuros para as bolsas darem um enorme trambolhão.

Do outro lado do Atlântico temos os norte-americanos a braços com a possibilidade de a falta de acordo político os arrastar para uma situação parecida com a da Europa em matéria de calotes.

A África enfrenta (mais) uma seca prolongada, com toda a morte directa e indirecta que isso implica no continente mártir.

As Américas do Sul e Central transformam-se aos poucos no papão que nos tempos da Guerra Fria arrepiava as espinhas no mundo ocidental.

Temos o Japão como se sabe e da China não chegam os melhores rumores.

Em diversos países árabes do Norte de África ainda estão por completar as respectivas revoluções e ninguém parece ter certezas quanto aos rumos que irão ser tomados.

E por falar no Irão, há demasiado tempo que ninguém fala das alegadas monstruosidades (os pretextos) em embrião no próximo alvo dos ocidentais se entretanto não se esgotar o pilim para sustentar uma máquina de guerra capaz da proeza de imitar no Irão o que logrou no seu vizinho Iraque.

Depois tem havido uns vulcões, uns tornados e outros abanões na já frágil estrutura que mantém isto tudo a funcionar como se espera.

 

Mas mesmo assustador, para além de começarem a ficar escassos os destinos de férias pacatos, é analisar um a um os líderes da maioria das nações que referi e saber que serão eles, neste momento de suspense da História, a tomar as decisões fulcrais.

publicado por shark às 23:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A QUESTÃO LIXADA DA SEMANA

Agora que os Estados Unidos estão na corda bamba e sem saberem se vai haver dinheiro para pagar aos credores, qual será a reacção da Moody's?

publicado por shark às 10:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Domingo, 10.07.11

TONS DE VERÃO

ao longo da costa

Foto: Shark

publicado por shark às 02:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA NA MECÂNICA DA COISA

Tempos atrás um dos mais ilustres rostos da alta finança mundial concebeu um gigantesco embuste, embarretou pessoas, empresas e até nações.

Foi um safanão terrível na credibilidade do próprio sistema financeiro e o tal ilustre acabou dentro e provavelmente lá acabará os seus dias como castigo para o dispendioso pecado que cometeu.

 

Boa parte desta aflição, desta crise generalizada a uma escala cada vez mais global, teve início nessa Dona Bronca americana que o subprime afundou. Tem a ver com a tal confiança de que o sistema necessita para poder funcionar conforme previsto: sacar cada vez mais lucro com cada vez menos escrúpulos quanto aos meios e, se possível, de forma discreta o bastante para evitar bolsas credíveis de contestação que possam emperrar os mecanismos fazedores de fortunas que são os fins.

A coisa vista assim soa tenebrosa. E é. E os factos comprovam.

 

O maior sarilho que Madoff arranjou, dinheiro perdido a malta (“aquela” malta) recupera, foi ter virado os holofotes para uma debilidade do sistema que a populaça desconhecia e o deixa em maus lençóis: a ingenuidade.

De repente ficamos todos a saber que no céu onde o dinheiro a sério acontece, mesmo que para isso a vida dos pelintras cá em baixo se torne num inferno, há diabinhos capazes de aldrabarem as contas para inventarem rendimentos. E há anjinhos capazes de permitirem que isso aconteça de forma impune diante dos seus narizes que, presumia-se, teriam faro de perdigueiro para os malabarismos contabilísticos.

Mas se calhar o sistema estava constipado no sector da fiscalização...

 

É aqui que a crise a sério começa, quando os analistas descobrem aos poucos as incongruências de um sistema ao qual se destapam também as promiscuidades como a de existirem nas agências de rating ligações a empresas que compram a dívida pública “tabelada” pelos isentos seus associados.

Nenhum sistema, por bem montada que seja a marosca, resiste a tanta devassa das suas fraquezas quando a confiança dos investidores (as bolsas de valores, por exemplo, são muito sensíveis à prudência excessiva) é um dos pilares da sua actuação.

O efeito bola de neve transforma-se numa avalancha de ameaças para estas peças mal oleadas do mecanismo e num instante passamos da constipação fiscalizadora ao motor gripado por lhe falharem as correias de distribuição.

 

A dúvida instalada depois do escândalo Madoff alertou até os maiores beneficiários da oficina de fortunas para a necessidade de, talvez tarde demais, renunciar à batota e levar o mecanismo à inspecção com a regularidade e o rigor devidos.

O problema é que a dúvida, quando estão em causa as descidas bruscas das classes médias, faz arrefecer os vários entusiasmos indispensáveis para tudo funcionar na perfeição, nomeadamente o consumista que, por sua vez, é a ignição do comercial e de repente temos países inteiros a ligar para a assistência em viagem da divina misericórdia (esta última o sistema não engloba de série).

 

Por outro lado, quando duvidamos pode dar-nos para questionar realidades que antes nem se equacionavam.

Por exemplo: se o Madoff conseguiu enrolar tantos durante tanto tempo e o subprime com bicho apodreceu maçãs tão lustrosas como a Islândia, quem nos garante que um dia não estaremos a olhar para o passado que nos mandou para a penúria conscientes de que tudo isto da notação financeira era afinal mais uma vigarice de topo que ninguém, sobretudo os lorpas dos políticos que lhe dão o beneplácito e que são enrolados a torto e a direito pelas verrugas do sistema financeiro, topa hoje nessa condição?

publicado por shark às 01:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sexta-feira, 08.07.11

É TEMPO DE AVANÇAR

caminho de volta

Foto: Shark

 

 

Um futuro suspenso. Como todos os futuros, aliás. Capazes de trazerem uma paz duradoura ou antes uma guerra destruidora da qual sabemos à partida que não sairemos vencedores.

 

A todo o tempo sinais encorajadores que alimentam a esperança e outros, insidiosos, que aumentam a desconfiança, perigosos, e nos mantêm alerta para o inimigo que espreita fardado pelo azar, meros indicadores para irrelevantes previsões acerca do que nos espera a seguir, no futuro suspenso, por vir, que observamos à distância de um simples até já.

 

Pode ser por aqui, pelo caminho que escolhi, podia ter sido por lá, pela alternativa rejeitada. A decisão está tomada quando o tempo passou e o futuro chegou travestido no presente que é vivido também em função dos factores aleatórios que mesmo os sinais premonitórios não conseguem adivinhar.

 

O futuro suspenso ali, no limbo. Como um bloco de cimento capaz de nos esmagar ou como um pote de ouro à espera de ver onde o arco-íris beijará a terra numa tarde encharcada por aguaceiros de Primavera.

 

E este tempo que espera o futuro em suspensão é um presente envelhecido devagar porque se viu ultrapassado por amanhãs cheios de pressa para chegar.

publicado por shark às 14:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Quinta-feira, 07.07.11

A POSTA NO LIXO DESPEJADO À PORTA DELES

Reprimo a custo uma daquelas bujardas que às vezes me saem quando vos digo que o que a Moody’s merecia era que fossem dez milhões de portugueses a despejarem o lixo ou mesmo a defecarem à sua porta.

Sim, eu sei que esta é uma forma um nada suja de pôr as coisas. Mas quando penso que andou a Padeira de Aljubarrota a distribuir fruta nas moleirinhas dos castelhanos para virem agora uns engravatadinhos sinistros chamar lixo a uma das nações mais antigas da Europa passo-me.

E agora vou prosseguir.

 

Podem vir os teóricos da coisa à vontade com as suas explicações lógicas e razoáveis para existir aquilo do rating, podendo até fazerem prova do cariz imprescindível desse mecanismo para podermos continuar a comprar Mercedes a leasing.

Dêem a volta que derem jamais conseguirão fazer-me entender e ainda menos aceitar que meras empresas consigam arruinar um país com base no seu trabalho que, e isto faz mesmo muita diferença, até pode estar mal feito.

A Europa governada por passarocos capazes de deixarem que a sua União seja rapinada desta forma não pode permitir este tipo de situação, esta destruição financeira de países por ordem decrescente da sua aflição nas contas que destrói as vidas das respectivas populações.

Não há lógica que possa sustentar esta condição de países reféns das suspeitas, repito: suspeitas de que algo possa correr mal no futuro a menos que passemos a reconhecer as bolas de cristal como instrumentos científicos.

 

Portugal está em maus lençóis por uma questão de palpite dos fulanos de uma empresa com nome de restaurante de fast food. Digam-me lá se isto faz sentido nas vossas cabeças ou nas vossas algibeiras cada vez mais depenadas por estes especuladores estrangeiros…

Algo está profundamente errado no esquema que foi montado em torno do capitalismo que abraçámos e aí não há volta a dar. Dúvidas havia, esta pena capital aplicada pelo sistema, esta humilhação nacional, dissipou-as.

 

Perante factos deste calibre, o nacionalismo surge no horizonte em letras gordas como única opção ao nosso alcance para compensar a ausência de capacidade de resposta por parte da União Europeia à qual se exigiria uma posição firme e imediata que, de resto, poderá surgir agora, tarde demais para os gregos e para nós, por aparecer agora a Espanha na cauda do pelotão e ser óbvia a sua condição de próxima a ser literalmente lixada pelos desmandos das agências de rating e dos interesses obscuros que as suas decisões irão favorecer.

 

Eu não aceito ver o meu país a morrer às mãos destas jogadas financeiras de um sistema medonho, de uma dimensão paralela que não tem lugar no mundo se permite estes trambolhões na condição de vida das pessoas e das nações.

Prefiro-nos pelintramente sós.

publicado por shark às 11:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quarta-feira, 06.07.11

A POSTA NO MUSEU PORTUGUÊS DO SEXO

artes e leilões

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Um dos dois museus que visitei na minha passagem por Amesterdão foi o do Sexo. Sim, com a maiúscula que me merece um prazer que me tem acompanhado ao longo da existência para me compensar de coisas como as dores de dentes e assim.

De resto, muitos turistas como eu procuram essa oportunidade de visitarem um espaço dedicado a tão importante actividade humana. Determinante, se virmos bem as coisas.

Em Portugal não existe um Museu do Sexo e podia. Podia à grande e à francesa, pois se para um museu o espaço é importante aquilo que lhe dá razão de ser é o espólio.

E esse já a São Rosas garantiu, ao longo de muito tempo e dinheiro investidos num projecto que só por distracção ou por manifesta falta de visão estratégica ainda não foi abraçado por quem tenha a oportunidade de o conseguir.

 

Se eu fosse Presidente da Câmara de Lisboa nem pensava duas vezes. O potencial de atracção turística que vi na cidade holandesa seria aumentado de forma exponencial num país latino e de vocação anfitriã como o nosso e não me restam dúvidas de que seria um sucesso falado ao longo de décadas.

Aliás, mesmo que eu não fosse Presidente da edilidade bastaria ter a capacidade financeira para propor uma parceria que acredito muito lucrativa e seria meu o orgulho de o reclamar para a cidade onde nasci.

A São Rosas possui uma colecção notável de peças ligadas a esse fruto proibido (o turismo caseiro não faltaria), mais do que suficiente para garantir uma exposição digna de ser apreciada por quem gosta da fruta e não tem vergonha de o assumir.

 

Lamentavelmente, os anos vão passando sem que, por exemplo, a cidade das Caldas da Rainha, sem dúvida a mais adequada e a que mais sairia beneficiada com tal ex libris, tenha conseguido ultrapassar os obstáculos que impedem a concretização de uma legítima ambição por parte de quem já fez a parte mais importante e ainda por cima quer partilhá-la.

É de demoras assim que se tem feito o país que hoje nos faz deitar as mãos à cabeça, sistematicamente adiado na concretização das melhores ideias e das melhores iniciativas de que somos capazes.

 

E se continuam a fazer-se esquisitos, meus amigos autarcas e empreendedores regionais, a São Rosas é capaz de olhar para o lado de lá da fronteira e ver-lhe oferecidas as instalações que lhe faltam para a coisa acontecer.

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publicado por shark às 00:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Terça-feira, 05.07.11

EU GOSTO DE ANIMAIS

com palhinha

 

Foto: Shark

 

Com palhinha.

publicado por shark às 23:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA NUMA POSTA DAQUILO

soraia chaves

 

Eu imagino o brilho nos olhos de toda a equipa de produção da agência publicitária quando foram definidos os contornos da actual campanha da Optimus/Kanguru.

A ideia é aplicar o velho conceito do canto da sereia, mesmo sem que um consumidor como eu consiga ver a ligação, ao anúncio da maior rapidez da net em causa.

Pois, a ideia parece estapafúrdia. Mas quando descobrimos que a cantadeira é a Soraia Chaves a ideia passa para um plano secundário e o prato do dia é peixe.

Sem espinhas.

 

Eu admiro os publicitários, a sério. São gente esperta, capaz de tornar apelativo o mais desinteressante dos assuntos/produtos. Um publicitário conhece melhor o seu mercado alvo do que cada um dos progenitores desse grupo seleccionado de futuros clientes de uma cena qualquer.

É tudo analisado ao pintelho, como diria um grande economista da nossa praça.

E algum iluminado viu-se a braços com uma campanha que visava chamar a atenção dos mais distraídos para o facto de uma operadora disponibilizar uma net mais rápida do que as outras e ocorreu-lhe logo a associação de ideias mais óbvia: isto é feito à medida da Soraia Chaves.

 

Claro que podia tratar-se da promoção a um saca-rolhas, era feito à medida da Soraia Chaves também, mas deve ter sido curiosa a argumentação do mentor desta campanha tão eficaz no sentido de defender a lógica implícita na Soraia Chaves vestida de sereia (um bicho rapidíssimo, como todos sabemos) e imóvel em cima de um calhau no meio de um lago mais plácido e pasmacento do que a net do concorrente mais fraquinho da TMN.

Presumo que alguém terá questionado: então mas não faria mais sentido optar por uma atleta, uma velocista, ou por aquela camionista dos ralis?

Qual quê? Isso são tartarugas à beira da Soraia Chaves! Basta a rapariga aparecer na tv para o pessoal sair da casa de banho em passo acelerado para ainda apanhar o anúncio.

 

Por outro lado, o consumidor comum, esse eterno encantado pelo apelo publicitário, não resiste ao canto da sereia quando esta só tem uma espécie de conchinhas a cobrirem-lhe a metade sem escamas. É quase instantânea a vontade de comprar, não interessa o quê, pela colagem da carne ao peixe numa combinação tão saudável e feliz.

E nem precisa de cantar, a figura mítica, pois nove em cada dez cidadãos do sexo masculino residentes em Portugal, dos oito aos oitenta e oito anos de idade e moradores no Restelo ou no Arneiro da Azeitada (concelho de Almeirim, se não estão bem a ver onde fica) ouvem com os olhos quando se trata da Soraia Chaves e seja ela sereia, hospedeira de bordo ou canalizadora nenhuma campanha publicitária passa despercebida.

 

Chaves daquelas abrem em fracções de segundo a fechadura da nossa atenção e as portas do desejo de navegar muito depressa pela net à beira-mar, enrolados pelas ondas, enquanto ela dá à cauda e agita ligeiramente as conchinhas e os cangurus começam aos saltos no areal do nosso impulso consumidor de comunicações apressadas.

E o download da mensagem que a campanha pretende transmitir não é rápido, é praticamente instantâneo.

 

(Sim, eu reparei que o anúncio é da Vodafone. But who cares?)

publicado por shark às 11:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Segunda-feira, 04.07.11

O QUE QUISERES VER

o que quiseres ver

Foto: Shark

 

 

Qualquer crente na existência de vida extraterrestre tecnologicamente mais avançada e por isso capaz de visitar o nosso planeta, mantendo uma prudente distância que lhes confirma a superioridade intelectual, a bordo de sofisticadas naves espaciais que na ignorante perspectiva terráquea são OVNIS, sabe que uma das maiores armadilhas do encontro imediato é a ilusão de óptica.

Balões meteorológicos, protótipos de aviões de combate, fenómenos naturais, tudo serve para desiludir os mais afortunados com a bênção do avistamento que as autoridades e os desmancha-prazeres sempre encontram forma de explicar de uma forma mais racional do que a destes que a terra há de comer.

 

É sempre difícil desmentirem-nos aquilo que os olhos, órgãos da nossa inteira confiança, nos transmitem. E compreende-se que seja difícil, tendo em conta que a maioria das deturpações não ocorrem na captação da imagem (ou da ideia) mas na respectiva edição.

Quando processamos aquilo que vemos (ou ouvimos, que também se deposita uma moderada confiança na audição) acrescentamos sempre um ponto que é o resultado da combinação entre o que nos diz a lógica propriamente dita e o que nos sussurra a conclusão subjectiva a que chegamos depois de lhe incutirmos tudo aquilo que nos faz.

Dessa distorção nascem imensos equívocos (quem não viu já o padeiro ou o amigo todo agarrado à patroa, um flagrante aparente que depois é esclarecido com o desmaio momentâneo ou assim) porque no fundo acabamos por ver o que e como queremos, sempre mais ou menos do que a vista nos mostra.

 

A realidade é percepcionada da mesma forma que o burro se albarda: à vontade do dono. O meu OVNI, aquele que passou mesmo diante do meu nariz, pode ser o reflexo do sol no peito de um pato para o parceiro do lado, pois isto do barulho das luzes envolve sempre algum ruído de fundo e neste caso é a predisposição de cada um para os factos que nos confrontam.

Se a minha bisavó, que nunca ouviu falar de discos voadores excepto os de 78 rotações, pesadíssimos, que podiam planar sobre a sala até ao toutiço do meu bisavô no meio de uma desavença, visse uma luz a bailar no céu teria de imediato a certeza de que estava a assistir a uma aparição da santinha e acabava por não ver nada enquanto ajoelhava a benzer-se.

E se calhar a minha bisneta vai olhar o mesmo fenómeno e desabafar a maçada de ter que aturar mais uma excursão de venusianos a bordo do seu autocarro espacial.

 

Mas em causa estão as tais certezas que uma simples ilusão óptica ou um raciocínio inquinado pela subjectividade inevitável podem fazer desmoronar num ápice. Nem tudo o que reluz é ouro no mundo das observações precipitadas, tal como uma observação cuidada e atenta não garante o desvendar de uma receita alquimista capaz de desmentir o pressuposto atrás enunciado.

Pouco, quase nada, é garantido e a maioria das certezas não passam de enganos que nos alimentam uma falsa sensação de segurança equilibrada de forma precária num amontoado de convicções, também elas exclamadas em pontos que parecem claros à partida mas a própria vida pode escurecer até os transformar, à chegada da maturidade mais analítica, em embaraçosos (mas estimulantes) pontos de interrogação.

publicado por shark às 12:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)
Domingo, 03.07.11

O QUE É QUE VOSSA ALTEZA COAXOU?

Na ressaca da exposição mediática global do casamento real britânico, muitos analistas referiram o quanto de positivo tal enlace traria para a causa monárquica tão fustigada por eventos e personagens trágicos (Lady Di, família real nepalesa), escabrosos (Lady Fergie, Princesa Stephanie) ou apenas patéticos (não preciso de citar nomes), julgo ser oportuno prestar atenção a esses mesmos analistas quanto ao mais recente matrimónio com sangue azul, no Mónaco dos iates e da Fórmula Um.

 

A questão só se coloca quando tentamos fazer um paralelo entre as duas cerimónias acima. Se de um lado temos uma espécie de conto de fadas moderno que até inclui a transformação de uma plebeia em candidata a rainha, do outro temos algo de parecido mas com contornos um nadinha menos favoráveis à tal causa que um simples casamento parece servir.

 

O problema da monarquia moderna reside precisamente nas comparações: a realeza arrasta desde há séculos o fardo de estar à altura dos contos de encantar instalados no imaginário dos súbditos e mesmo dos que não o sendo formam o tal poder invisível e que todos os outros poderes tentam manipular chamado opinião pública.

É difícil olhar para as imagens do casamento real monegasco e vislumbrar ali uma pitada sequer do tal final feliz onde tiveram muitos infantezinhos e viveram felizes para sempre num palácio com jardim e cheio de assoalhadas, tal como não se distingue a diferença entre aquele casório e o do filho primogénito de um qualquer milionário nascido no Mónaco, em Andorra ou noutro país de fantasia para gente de brincar.

 

Por outro lado, neste plebeu desencantado não encaixa o perfil deste príncipe regente do Mónaco.

É que para o transformar num cinquentão careca, sem piadinha nenhuma e com filhos bastardos não valia a pena ter beijado o batráquio, pois não?  

publicado por shark às 20:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

UMA ESPÉCIE COM ORIGEM NO SÍTIO DO COSTUME

O novo Secretário de Estado da Cultura, nosso colega blogueiro, costuma participar num programa da TVI no qual exibe todo o seu talento enquanto comunicador que, aliás, terá em muito contribuído para a respectiva nomeação para tão importante cargo (sobretudo depois da desastrada extinção do Ministério).

 

Eu não sou candidato a ministro de coisa alguma, sou apenas um leigo que gosta de usufruir da liberdade, nomeadamente a de opinar. Isso não invalida, contudo, que goste de pensar acerca do que representam esses cargos tão importantes para um país.

Percebo de imediato que a responsabilidade inerente é imensa, tamanha a relevância das decisões tomadas para o funcionamento de pessoas, de instituições, de todo um país. Não invejo quem tenha que se ver submetido às gigantescas pressões que uma função governativa acarreta, embora tenha consciência de que só se sente pressionado quem não vista a camisola da Pátria enquanto interesse superior a qualquer outro.

 

As pressões que um responsável máximo pela Cultura em Portugal pode sofrer podem vir de muitos interesses instalados onde se movimente o dinheiro suficiente para justificar a tentativa de ingerência.

Uma forma simples de deixar clara a impermeabilidade a esses poderes é precisamente o aproveitar das oportunidades públicas, mediáticas, de vincar a independência, a incorruptibilidade e, acima de tudo, o amor à Pátria que é exigível a todos mas sobretudo aos escolhidos para governarem a nação.

Nesse contexto, não respeito um Secretário de Estado da Cultura a quem é concedida a oportunidade de recomendar a compra/leitura de um livro na televisão e em vez de aproveitar o ensejo para lançar um dos muitos talentos nacionais sem hipótese de promoção pelas grandes editoras prefere promover um autor e uma obra estrangeiros, mesmo sabendo que dessa forma só há um interesse claro que sai defendido.

 

E esse até pode ser português (na maioria da quota accionista), mas tem, na perspectiva que aqui me interessa, muito pouco de cultural.

publicado por shark às 19:10 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA MUDA PARA MELHOR

A maior ameaça para a coerência, essa aparente bitola da idoneidade e até da inteligência de uma pessoa, é a passagem do tempo.

Claro que podemos equacionar um cenário de absoluta imobilidade e ausência de comunicação por parte de alguém maníaco da coerência, quem não tem a sua (a mania)? Mas aí temos a coerência tão posta em causa, filosoficamente se quiserem, pela incoerência óbvia entre a humanidade de quem liga a essas coisas e a postura inerte de um vegetal, como pelos efeitos da dinâmica de qualquer existência sobre as melhores intenções e as mais firmes convicções de que sejamos capazes.

 

A coerência é um ideal utópico, como qualquer outro dos que abraçamos para podermos manter viva a luta pelo absurdo a que chamamos perfeição.

É uma cenoura como outra qualquer para nos obrigar a combater a preguiça mental, bute lá ser coerentes para alguma coisa nesta vida feita de incógnitas e de imprevistos fazer sentido.

E a malta entretém-se assim, nem que seja a debater a incoerência dos outros para reforçarmos a fé na que julgamos dominar mesmo quando os factos nos obrigam a inventar desculpas para as falhas inevitáveis.

Ah e tal, virei à esquerda quando devia ter virado à direita mas foi só para não atropelar a velhinha que ia atravessar na passadeira. A incoerência esbate-se assim na obrigação de arrepiar caminho por força das circunstâncias, mesmo que a tal velhinha estivesse apenas a espreitar a montra do outro lado da rua e sem qualquer intenção de atravessá-la.

 

São as nossas decisões tomadas em função das conjunturas que muitas vezes nos obrigam a reconhecer (nem que seja pela crueldade de todos os outros a identificá-la) a incoerência que nos faz sentir tão desorientados por constituir um dos pilares da nossa estrutura de funcionamento básico. Digamos que se fossemos um barco à deriva a coerência funcionaria como uma espécie de farol à vela e com um GPS programado para estar sempre à nossa vista mas sem que alguma vez o pudéssemos alcançar.

A tal cenoura que referi acima...

 

Não julguem que não tenho a noção de que estando desse lado que é o vosso, a ler os dislates de um marmanjo qualquer que nesta ocasião sou eu mesmo, pensaria de imediato: olha o cabrãozinho a tentar dar a volta à coisa a ver se passa despercebido nas toneladas de incoerências que este mesmo blogue regista...

É essa a nossa reacção instintiva contra qualquer ameaça à coerência pela qual tanto pugnamos e nos permite, por exemplo, apanhar os intrujas com a boca da mentira na botija da estupidez. Sim, a coerência é valiosa também como mecanismo de defesa contra a incoerência que possa trair quem nos queira ludibriar. E por isso, há que defendê-la a todo o custo mesmo que isso possa revelar-se incoerente relativamente à nossa firme disposição de confiar no próximo e assim.

Lá está, a legítima defesa sobrepõe-se à coerência como aliás qualquer pretexto o consegue tendo em conta a tal necessidade imperiosa, visceral, de garantirmos a tal luz que nos guia ao fundo de um túnel sem paredes que atravessamos quase às escuras numa existência minada por pontos de interrogação que, de resto, são outra ameaça letal para a coerência.

 

Se ninguém perguntar nunca corremos o risco de responder errado, da forma incoerente que, como todos sabemos, é meio caminho para a pessoa, mais depressa do que o coxo, ser apanhada a mentir.  

publicado por shark às 17:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 02.07.11

ANOITECER

anoitecer no cais

Foto: Shark

 

 

Deixa que a noite te cubra devagar com a luz pálida do luar que te fascina e por breves instantes oferece-te em silêncio à escuridão que as estrelas suas amantes rompem discretas e tenta ouvir as histórias secretas que a madrugada tem para te contar.

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publicado por shark às 20:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

FLOWER POWER

abraço de esperança

Foto: Shark

 

 

Estás sozinha num campo deserto onde de repente começa a chover e cada gota é a semente de uma flor das muitas que crescem agora em teu redor e mesmo sob os teus pés.

Estás sozinha mas olhas para cima e vês a razão desse aguaceiro no teu coração, alado pelo amor que lhe é dado por ti, em cada olhar, em cada beijar de lábios molhados de pétalas e cabelos com o mesmo cheiro das flores que te envolvem agora num abraço forte que te dou.

publicado por shark às 17:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA INVERTEBRADA

Se há osso, ou conjunto de ossos, que queremos manter inteiro esse é sem dúvida a coluna vertebral.

Tudo indica que é mesmo a mais importante das nossas preocupações em matéria de impactos sofridos por esta frágil estrutura que nos alberga a existência.

Sem a coluna vertebral seríamos provavelmente criaturas rastejantes com um horror ancestral a bichos com patas e às tantas é daí que provém o sentido figurado que atribuímos ao que muita gente apelida de espinha (claro que a mim isso não aflige, sobretudo nesta pele de esqualo virtual).

 

A dignidade é o conceito mais associado, nesse sentido figurado, à coluna. Alguém que tenha abdicado de uma terá desistido da outra por tabela, nos meandros da sabedoria popular que nos ensina a valorizar por instinto aquilo que uns renegam por simples ambição e outros numa dolorosa cedência.

E aqui abrem-se dois caminhos para a terrível perda de algo que nos transforma, em sentido figurado mas nem por isso menos concreto, numa espécie de vermes que só não reconhecemos no espelho quando conseguimos atordoar a consciência com pretextos, por norma os valores mais altos que se erguem.

Podemos perder a coluna vertebral por doença ou por acidente, em qualquer dos sentidos que possamos atribuir à espinha que impede a cabeça de se afundar pelo tronco até aos intestinos.

Se virmos a coisa pela tal analogia entre os ossos e os princípios, a ganância pode representar a doença e a aflição vestirá bem o acidente.

 

Em ambos os casos acima podemos lidar com o problema: muitas doenças têm cura e para a ganância até existem vacinas, bastam as lições do passado acerca das vidas de quem optou de livre vontade entre a tal coluna a fingir e o proveito a sorrir ali mesmo à mão, o pecado da tentação que leva as pessoas a acreditarem que vale a pena essa troca que se pode revelar fatal para quem não consiga eliminar os escrúpulos e outros resquícios da pessoa de bem lançada ao chão para uma existência reptilínea. Por outro lado, as mazelas do tal pseudo-acidente, as consequências de decisões condicionadas pela conjuntura de uma ausência de escolhas, podem ser tratadas até só restar a cicatriz que, lamentavelmente, acaba por exercer no acidentado um efeito idêntico ao da lucidez no adoentado.

As hipóteses de esse tumor maligno surgido no percurso de alguém que jamais o seguiria de forma voluntária entrar em remissão ficam assim reduzidas à respectiva insignificância, pelos efeitos perniciosos da combinação do remorso, do possível arrependimento, da inevitável vergonha e consequente perda de auto-estima, de imensos factores aos quais os crápulas, os vermes propriamente ditos, são imunes.

 

Neste contexto a coluna vertebral acaba por ter a importância que lhe queiramos atribuir, partindo do princípio de que há quem consiga abdicar dos seus por inteiro e ainda assim apertar os atacadores dos sapatos com os quais caminham, homo erectus, por entre muitos dos lesados pela sua actuação, da mesma forma que podemos acreditar que outros sobrevalorizam a coisa em qualquer sentido possível e passam a vida a penar pela defesa da integridade quase figurada porque tão facilmente esmagada pelo peso dos fardos que às vezes o destino nos impõe.

As colunas dos que delas abdicam apenas porque sim, porque podem e a vida lhes oferece de bandeja uma cenoura, um isco apetecível para fincarem as dentolas sem olharem a meios para morderem os fins não sofrem esse tipo de pressão esmagadora. E nunca vergam, tal como não partem, porque isso não acontece a algo que não se tem.

 

O maior dilema dos que agonizam com a noção de terem dobrado em demasia a espinha e se apercebem da verdadeira dimensão das lesões na sua imagem de si próprios é precisamente o que resulta da certeza da irreversibilidade dos factos, sobretudo quando se vêem chantageados pelo azar mas entendem a factura da cedência.

A perda da coluna nessas condições é irreparável, pois por mais que o lesado tente endireitar o tronco sobre a estrutura fragilizada esta ficará para sempre estigmatizada por uma cicatriz externa.

E essa marca indelével do momento decisivo agarra o perdedor a uma cadeira de rodas psicológica da qual dificilmente conseguirá levantar-se um dia.

publicado por shark às 00:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 01.07.11

SOB O SIGNO DE ORWELL

É o nome do blogue onde hoje foi publicada uma posta minha acerca do binómio escudo/euro. 

publicado por shark às 17:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

JÁ AGORA: BOM FIM DE SEMANA!

de sol a sol

Foto: Shark

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publicado por shark às 15:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

ISTO ESTÁ UMA...

loukura

Foto: Shark

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publicado por shark às 00:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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