Quarta-feira, 29.06.11

BODY BUILDING POR PARTES

Hoje é só para maiores de 18 (mas não pedem o Cartão de Cidadão à entrada).

publicado por shark às 20:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

AQUELA NUVEM

Foto: Shark

 

Aquela nuvem ao longe, tão escura mas tão distante que não intimidava quem queria usufruir dos dias com sol, avançou devagar no horizonte e começou a desenhar no céu a sua imagem sinistra de ampulheta invertida, o tempo esgotado no espaço cada vez mais ocupado pelo manto de breu que vinha pousado sobre os ombros do temporal.

Ao longe, tão escura mas ainda a uma distância segura que permitia ambicionar o desvio, para passar só de raspão, empurrada pelo Verão para as terras cinzentas de outros mais habituados a borrascas, a chuvadas sempre imprevistas para quem nunca usou um chapéu protector.

Aquela nuvem logo ali, olhos nos olhos, tão escura e cada vez menor a abertura disponível na janela azul reservada para o brilho do sol. O tempo encurtado grão a grão, entornado na ampulheta invertida que apesar de imaginada exprime o essencial da desconfortável sensação de estar tão próxima a perdição encharcada, a aflição por vezes chorada pelos que, já debaixo daquela nuvem, enfrentam a enxurrada porque o seu tempo ensolarado acabou.

Tão escura, tão perto, o último dique desabou à vista desarmada da multidão apanhada de surpresa pela violência da tormenta até que alguém mais atento comenta que ouviu dizer na televisão que vinha aí um furacão financeiro, um colossal aspirador de dinheiro que já havia atravessado outras regiões com a devastação dos seus raios e trovões mais a chuva muito intensa, a torrente tão imensa que pouco ou nada lhe resistia.

E agora chegara o dia em que aquela nuvem ao longe, tão escura mas tão distante na percepção distorcida, optimista, do horizonte enegrecido pelo temporal, havia avançado na direcção menos desejada.

 

A água já cobria a única estrada de acesso à salvação quando falaram na evacuação emergente, qualquer espécie de fuga em frente naquela batalha perdida contra forças poderosas de um mal que esmagava qualquer esforço individual pela sobrevivência e aos poucos tomaram todos consciência de que aquela nuvem tão escura abdicara de ser futura e cobria agora o presente com um desastre iminente e para muitos terminal.

 

Só aí a maioria se deu conta de como a sua negligência apática braços dados com uma esperança excessiva, patética, haviam resultado para as suas expectativas numa combinação fatal. 

publicado por shark às 10:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 28.06.11

FLOWER POWER

no teu abraço

Foto: Shark

 

 

No teu abraço há cheiro, há cor, há uma onda de calor sem igual, um conforto especial que me envolve e me prende e muito me seduz. Ao teu abraço me entrego, tão feliz como um cego a quem oferecem a luz.

publicado por shark às 02:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

SÓ O TOYOTA VEIO PARA FICAR

O Salvador Caetano não...

publicado por shark às 00:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 27.06.11

O DESTINO DIABÓLICO DO ANGÉLICO

Diz o povo que o diabo pode estar por detrás da porta e essa possibilidade implica uma atitude mais prudente por parte de quem pretenda dificultar-lhe a vida quando queira dar cabo da nossa.

O Angélico, jovem com estatuto de figura pública e por isso mesmo com um futuro risonho no horizonte em termos de condições de vida para dela gozar, ignorou a estatística e arrastou consigo mais três para um acontecimento que já matou um e ficará com toda a certeza marcado no corpo e na mente dos que lhe sobreviverem.

 

De pouco servem os moralismos de pacotilha na sequencia deste tipo de circunstância, excepto se servirem o propósito de chamarem a atenção dos que ainda podem escolher entre facilitar a vida ao azar por lhe amplificarem as consequências.

É essa a única saída para algo de bom resultar de algo tão mau para quem se viu envolvido no pior momento do Angélico.

De acordo com os dados revelados pela Comunicação Social, o acidente de viação em causa terá resultado do rebentamento de um pneu. É um azar.

Contudo, igualmente têm vindo a lume as negligências e os excessos que aumentam sobremaneira as hipóteses de algo não correr apenas mal mas ainda pior.

 

A tragédia do Angélico resultou do azar e de uma conjugação dos tais factores que o potenciam e o amplificam: alguém entendeu confiar a um grupo de jovens um bólide com mais de 250 cavalos e nem se preocupou em acautelar a existência do seguro obrigatório; desse grupo de jovens apenas um, o que escapou incólume, teve o bom senso necessário para usar o cinto de segurança mais do que imprescindível num carro que atinge velocidades que em caso de simples travagem brusca transforma os passageiros em mísseis humanos; o excesso de velocidade, quase inevitável naquela conjugação malta nova/carro potente, fica confirmado pelo estado lastimável em que ficou a máquina.

Só ficou de fora, até ver, a eventual condução sob o efeito de substâncias que possam alterar a capacidade de reacção do condutor para estarem reunidas as condições para o azar ter vida fácil.

 

É essa a mensagem que vale a pena reter desta situação da qual já resultou um morto e dois feridos graves (a gravidade das lesóes sofridas pelo Angélico não permitem grande euforia quanto ao futuro). A legião de admiradores do Angélico deve concentrar-se mais no mau exemplo transmitido e que pode servir de alerta prévio para situações análogas e menos no azar que afinal tanto fizeram para atrair.

 

O Angélico, que tanto cuidou do corpo, deveria ter cuidado da cabeça também pois quando esta falha é sempre o outro que paga.

publicado por shark às 14:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 23.06.11

EU GOSTO DE AVIÕES

silhueta voadora

Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 01:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Terça-feira, 21.06.11

A POSTA QUE ME VEJO GREGO PARA SER OPTIMISTA

A gente aqui sossegadinhos à espera dos frutos do milagre económico que um novo Governo permite sonhar e às tantas por esta hora os gregos descompõem a cena no Parlamento deles e fazem-nos a folha por tabela...

publicado por shark às 22:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA EMPRESÁRIA EM NOME INDIVIDUAL

veículo de mercadorias

 

Foto: Shark

 

 

Um dos sinais mais visíveis da entrada de Portugal na Europa dos ricos (os gregos devem fartar-se de rir desta) foi a súbita proliferação dos veículos comerciais ligeiros, os populares diesel com dois lugares que renovaram num ápice a frota de velhas carrinhas com bancos rebatidos nos dias úteis, com os putos a viajarem deitados nas caixas de carga dos carros de trabalho que também eram de passeio se a polícia não os topasse nessa ilegalidade óbvia.

Os comerciais ligeiros passaram a ser o símbolo do dinamismo da economia agora animada pela entrada de milhares de cidadãos no mundo dos negócios, no grande boom dos empresários em nome individual que podiam agora adquirir um veículo a gasóleo que dava um jeitão para ir à terra no fim-de-semana, beneficiando da poupança do Imposto Automóvel nos veículos de mercadorias e sem terem que optar por uma Ford Transit ou outro matatu(*) dessa dimensão.

 

As contas dessa altura eram feitas com base no pressuposto de que a prestação do Aluguer de Longa Duração (ALD) se pagava a si própria apenas com base na poupança resultante da diferença de preço entre combustíveis.

A malta fazia as contas aos quilómetros que percorria habitualmente, substituindo o preço do litro da gasolina pelo do diesel e depois somava-lhe a estimativa dos quilómetros necessários a mais, no âmbito do negócio em part-time e respectiva expansão, para a prestação mensal ficar coberta por inteiro nessas contas iluminadas pelo brilho no olhar de quem podia pela primeira vez sonhar com um carro novo, mesmo com uma rede separadora entre os lugares propriamente ditos e o tal espaço versátil misto passageiros/carga.

 

Este deslumbramento pelintra, cuja euforia levou muitos, burros (como este vosso amigo), a abandonarem bons empregos para embarcarem na aventura mercantil traduziu-se também no aparecimento dos centros comerciais que albergaram os sonhos dos lojistas maçaricos e acrescentaram à prestação do carro mais um ror de despesas fixas que a banca, sempre solícita nesse expediente, não tardaria a suportar em prestações suaves sob a forma de créditos pessoais “para obras em casa” que depressa começaram a apertar os calos empresariais e ainda nem tinha começado o descalabro financeiro que aterrou nos colos de uma multidão alimentada pela ilusão de uma vida melhor e depressa.

 

Comerciais muito ligeiros

 

Entretanto, os comerciais ligeiros envelheceram antes do final do contrato de ALD e parte dos lucros obtidos pelos comerciantes júnior seriam investidos na diferença entre um chasso desvalorizado à bruta pela própria lei da oferta e da procura e um carro novo a estrear com imensa cavalagem e prestação a condizer, mesmo com um generoso valor residual deixado para o fim que nunca acontecia.

O fim, mas o da ilusão, acabaria por chegar para muitos com o súbito desaparecimento dos bólides às mãos das empresas contratadas para os recuperarem depois de várias prestações baterem no poste.

E com a aflição da esmagadora maioria desses pequenos empresários em nome individual falidos começaram a diminuir de forma drástica as vendas dos diesel dois lugares enquanto aumentavam na proporção os trabalhadores precários, aqueles que aceitavam quaisquer condições para poderem pagar as dívidas às instituições financeiras e ainda conseguirem honrar compromissos como a renda da casa ou a escola dos filhos.

 

Antes da entrada na terra da fantasia milionária, quando a classe média se concentrava na procura dos melhores e mais estáveis empregos e depois acrescentava o tal part-time na economia paralela, a tal dos bancos rebatidos nas carrinhas, o lucro era limpo, livre de encargos, e a gestão familiar era feita com base na poupança desse dinheirinho a mais que dava para as férias e outros luxos menores.

Mas depois de reconvertidos à máquina montada para facilitar o endividamento, a certeza de um permanente florescimento da economia que toda a gente acreditou possível, os portugueses (como outros europeus) alteraram o paradigma e as contas passaram a ser feitas em função de estimativas de crescimento, as falsas expectativas que tornaram a poupança num desperdício de tempo para quem queria ter já a bochechos aquilo que poderia ter depois sem alcavalas e toda a gente em redor fomentava, o Estado também – por muito que não fosse esse o discurso institucional -, esses investimentos na qualidade de vida muito acima do que os rendimentos permitiriam, mesmo que jamais acontecesse uma crise que os pudesse comprometer.

 

Mas está a acontecer.

E mais uma vez a frota de veículos de mercadorias começou a ser renovada em consonância...

 

 

(*) Os matatus são carrinhas de nove lugares do tipo Toyota Hiace que prestam uma espécie de serviço alternativo de transporte público em vários países africanos.

 

publicado por shark às 11:25 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 20.06.11

A POSTA NO COELHO À PERDEDOR

nobre português

 

Há quem louve a enorme nobreza na insistência de Passos Coelho em honrar o seu compromisso perante o Nobre das galinhas. Coerência, disse ele, avançando destemido com a primeira amostra da sua capacidade decisória em matéria de selecção de recursos humanos.

E o outro, coitado, pouco habituado a estas cenas pornográficas da política hardcore, lá se deixou embarcar no sonho do prémio de consolação para o anterior fracasso nas presidenciais.

Ia ser Presidente da Assembleia da República, até a vitória retumbante dos social-democratas parecia abrir-lhe as portas do cadeirão.

 

Tudo começou quando o Nobre percebeu que grão a grão enche a galinha o papo mas quando surgiu no horizonte a hipótese de a ave poedeira ser a dos ovos de ouro imaginou logo que conseguia encher um silo num instante e toca de dar um ar da sua graça junto de uma aposta que lhe pareceu segura.

Olá, estou aqui e subscrevo o conteúdo programático do Bloco de Esquerda ao ponto de, com enorme sacrifício pessoal (era semear para colher, pois não havia um cargo decente disponível na altura), me assumir mandatário (talvez porque soava parecido com a palavra mandar, algo a que se habituara no âmbito do seu percurso de dirigente humanitário).

E lá se pendurou no magnífico resultado eleitoral do BE para fazer as primeiras aparições no fascinante mundo da política partidária que, coerente, nunca deixaria de criticar enquanto pessoa fora do sistema.

 

Claro está que o passo seguinte era a eleição mais à mão e o bom do Nobre acreditou que a sua colagem a homem de esquerda bastaria para afiambrar os votos desorientados de quem não se revia na multidão de candidatos que começa a ser tradição entre os kamikaze presidenciais da esquerda espartilhada.

Porém, nem a ameaça de suicídio assistido (o número artístico do tiro na cabeça, um clássico do drama na política contemporânea) evitou a vitória do opositor, logo à primeira volta, e um lugar no pódio que terá sabido a pão que o diabo amassou no bico palerma de muitos, públicos e anónimos, que se deixaram arrastar pelo ímpeto expansionista do homem que se desmentiu sempre na qualidade de político embora na política pareça, de forma coerente, insistir em desmentir-se pela qualidade. Pela sua falta.

 

Mas o bom do Nobre, homem de grande fôlego, viu na vitória de Cavaco a janela de oportunidade adequada para o envio dos seguintes cupões. De resto, toda a gente percebeu o quanto a participação de Nobre nas presidenciais contribuiu para a eleição do homem de bolo-rei no bico e o Fernando, mais astuto do que o Pedro (o que não constitui proeza por aí além, mas enfim...), sabia que o desespero de causa alimentado pelas sondagens à tangente poderia ser determinante para que o líder laranja, à rasca, olhasse para ele, o Fernando Nobre da AMI, e visse algo que a mais ninguém lembraria: um coelho caído de bandeja na cartola para dar a volta aos números da angústia.

Um magnífico candidato do PSD para Presidente da Assembleia da República que quase partilhava, por ir lá muitas vezes, o estatuto de africano honorário reclamado pelo futuro Primeiro-Ministro, nem mais.

 

E lá voltou o Nobre à ribalta da cena política, essa coisa estranha de que nunca fez parte e por isso poderia mudar para melhor por dentro, como se habituara no seu percurso pela Cirurgia Geral.

Mas este desafio abraçado pelo doutor mais parecia uma autópsia, quando somados os votos da sua candidatura ficou claro que nem os do próprio partido que o recomendou conseguiu recolher por inteiro.

Não foi uma tenda de campanha, foi uma barracada das antigas que, queiramos ou não, retira um pedaço da mística ao líder laranja.

 

É um bocado como uma prova de ciclismo na qual o camisola amarela começa manco e arranca para a corrida na cauda do pelotão, mesmo a jeito para o carro vassoura que vai afastando para a berma (é fazer a conta a quantas vezes a camisola mudou de dono) aqueles que conseguem montar a bicicleta mas não logram disfarçar o seu ritmo irregular e com pouca pedalada.

publicado por shark às 20:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

NOVIDADES À DIREITA

Se repararem na coluna da direita deste blogue encontram um grupo de linques para blogues de uma rede em que o Charquinho passou a estar integrado. Por norma somos encaminhados para espaços à maneira e para postas porreiras.

Tentem confirmar estes pressupostos quando vos der para aí. E se não gostarem digam que a gerência tira.

 

O utente tem sempre razão.

publicado por shark às 14:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

PURE CHESS

rocha carvão

 

Foto: Shark

 

Espuma branca de uma ira incendiada pela impaciência das ondas numa sucessão que quebra aos poucos a resistência pintada com a cor do carvão.

Tags:
publicado por shark às 01:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 19.06.11

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA

Um gajo chamado Paulo Morais que, fiquei agora a saber, foi vice-presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou perante outras câmaras (as de televisão) que o principal centro de corrupção deste país chamado Portugal é nada mais nada menos do que a Assembleia da República.

Ou seja, o indivíduo aponta para um dos principais pilares do sistema democrático como um dos seus principais cancros, com o beneplácito, entre outros, do Bastonário da Ordem dos Advogados (também presente na ocasião).

Das duas uma: ou o Paulo Morais sabe do que está a falar e pode prová-lo e estamos perante um assunto demasiado sério para ser remetido para o momento fait divers dos noticiários ou, assim seja, trata-se de mais um papagaio irresponsável dos que minam a credibilidade da democracia por lhes prestarem demasiada atenção.

 

 

Em qualquer dos cenários possíveis acima, ou eu estou mesmo a tornar-me num outsider disto tudo ou deveriam produzir-se consequências.

Começo pelo cenário aparentemente menos grave para o país.

Podemos então pressupor que o tal Morais é um daqueles fala-baratos que se empoleiram num qualquer palanque de circunstância e manda umas bocas para chamar as atenções.

Bom, nesse caso, o tal Morais é uma ameaça para a Democracia porque ao enxovalhar os seus órgãos representativos está, por inerência, a enxovalhar o sistema no qual pelos vistos até já protagonizou um cargo com alguma relevância mesmo em termos nacionais. E então será normal prever que o fulano vai ser chamado a uma comissão parlamentar de inquérito para fazer prova das suas alegações e, neste cenário, ter que desmenti-las e sofrer as consequências legais das suas difamações de um todo que engloba centenas de potenciais suspeitos.

 

Mas existe a hipótese sinistra de o Paulo Morais ser afinal um homem que sabe demais e por algum motivo entendeu tornar públicos os seus conhecimentos na matéria, embora sejam sempre de desconfiar as acusações atiradas a eito para uma plateia sem nomes que as possam consubstanciar.

Se esta for a realidade factual estamos perante uma acusação da maior gravidade pois a corrupção ainda é um crime e trata-se de um problema de consequências imprevisíveis pelo que pode representar.

Nesse caso, julgo eu, impõe-se na mesma chamar o Paulo Morais perante um qualquer mecanismo da Justiça que lhe imponha a concretização das suas insinuações, nomeadamente pela nomeação directa das pessoas envolvidas e dos exemplos concretos da tal corrupção que estará sediada num, senão no, mais importante dos mecanismos de defesa desta Pátria e da sua população.

 

O que me assusta no meio disto tudo é a reacção relativamente indiferente da Comunicação Social ao teor de uma acusação tão séria à Assembleia da República. Relegando um facto destes para um plano secundário só podemos concluir que ou os jornalistas são todos uns imbecis (o que alguns até parecem comprovar) ou estão de alguma forma coniventes com o tal fenómeno de corrupção que um tipo que nem é um ilustre desconhecido alega, não é o Coelho da Madeira ou assim, e assobiam para o lado de forma displicente e que os torna suspeitos de cumplicidade num esquema organizado de destruição do país (sim, é esse o efeito da corrupção por onde ela passa).

 

Seja como for, eu sou um cidadão português e preciso de acreditar em duas coisas: que a Assembleia da República é constituída pelos representantes eleitos pelo povo de que faço parte para falarem e agirem por mim (e eu não pactuo com a corrupção) e é uma instituição na qual posso depositar a minha confiança e, a segunda coisa, que a Justiça deste país possui os meios ao seu alcance para averiguar de imediato a veracidade das alegações do Paulo Morais e, uma vez apurados os factos, dar início à punição dos (alegados, eu sei) prevaricadores.

 

Se falhar qualquer das duas convicções acima enumeradas resta-me optar entre a emigração, a apatia cobarde ou a luta armada.

publicado por shark às 16:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Sábado, 18.06.11

UM ANO DEPOIS

 

josé saramago

 

 Foto: Shark

 

 

É difícil de contestar o pressuposto de que não há insubstituíveis, pois a vida continua muito para lá do fim da de cada um de nós. Três gerações passadas e já somos não mais do que uma referência secundária, uma imagem difusa que outras, com a nitidez que só o presente confere, substituem no quotidiano dos que cá ficam.

Essa é a verdade, dura para quem não gosta de encarar estes factos ainda que os reconheça na sua própria realidade de contacto com antepassados distantes por algumas décadas, para a esmagadora maioria de nós.

 

Sim, somos substituíveis e somos substituídos mas há sempre quem sinta que saiu a perder, filhos, pais, gente próxima demais para ignorar a nossa falta e conseguir de alguma forma compensá-la.

Porém, existem pessoas que de tão dotadas estendem a sua presença para lá das fronteiras normais, acabam adoptadas, figuras públicas, por desconhecidos que as sentem como verdadeiros familiares ou até mais.

Essas pessoas também são substituíveis, outras nascerão em seu lugar para lhes ocuparem os mesmos espaços em tempos distintos, e outras a seguir. Mas a presença dos melhores, dos mais reconhecidos nos talentos que o mundo mais valoriza em cada época, acompanha gerações a fio, preenche a memória dos que acompanham a história e vivem a vida, às tantas, sob a influência de estranhos que nos seus legados deixaram a influência decisiva para definir os contornos do caminho a seguir porque ninguém os conseguiria substituir nessa dimensão transcendente que é privilégio de apenas alguns.

 

Insubstituíveis não haverá, pois a vida sempre encontrará uma alternativa, acontece nas pessoas como nas flores que nascem de entre as fissuras de um muro quando o vento do acaso transporta as suas sementes para um lugar assim.

Mas o rasto dos eleitos perdura no tempo, numa ausência sentida a cada momento, a imortalidade garantida sob a forma de uma saudade espalhada por contágio e que parece não ter fim.

publicado por shark às 16:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

VAIDOSO MAS SINCERO

Seria hipócrita esconder o meu orgulho por considerarem digna de publicação uma foto minha neste espaço.

publicado por shark às 13:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

NO CENTRO DA LAVOURA

Fico muito contente por ter sido concedida, num tira-teimas, a pasta da Agricultura a alguém do CDS/PP.

Agora sim, os agricultores vão saber com quantos paus se faz um subsídio.

publicado por shark às 00:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

CULTURA DA LARANJA

Estou muito curioso quanto ao futuro desempenho do novo Secretário de Estado da Cultura.

(Nomeadamente no que respeita à blogosfera.)

publicado por shark às 00:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sexta-feira, 17.06.11

COMO DESENRASCAR A GERAÇÃO?

Podem começar por seguir ESTE exemplo tão saudável para pouparem uns trocos. Pelo menos na época estival...

publicado por shark às 19:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

EU GOSTO DE AZUL

azul a espaços

Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 11:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 16.06.11

SE CALHAR O LEX LUTHOR É DE OLHÃO...

Quando nós, sociedade, confiamos a alguns de entre nós os super-poderes realistas que julgamos necessários para combater os diversos males gerados pelas sinergias negativas de grupo, coisas que não sendo equivalentes a uma força sobre-humana ou à visão de raio X constituem uma entrega efectiva da custódia e mesmo da aplicação prática dessa vantagem sobre os restantes, por exemplo a decisão de punir ou de libertar pessoas acusadas de crimes e assim, nós, sociedade, pressupomos que existem mecanismos sérios de filtragem ao longo do caminho a percorrer por esses super cidadãos.

A ideia é impedir que esses super-poderes caiam em mãos erradas, pelo risco que implicam de subverter qualquer sistema pela raiz, pelo próprio fundamento que o sustenta. Por isso, quando uma magistrada é apanhada a conduzir embriagada e em contra-mão ou dez candidatos a juízes são apanhados no copianço nós, sociedade, sentimos uma estranha necessidade de ver essas pessoas privadas dos tais atributos que devem utilizar a nosso favor, o da sociedade, mas podem preferir contra.

Uma das formas mais estupidamente simples de avaliar o carácter desses futuros ou presentes super cidadãos é a observação dos seus actos. Se alguém é apanhado a cometer um crime ou apenas uma fraude, não precisamos de ter um canudo para ficarmos com a ligeira impressão de estarmos perante alguém sem qualidades para exercer as funções tão vitais que precisamos bem cuidadas.

Ao decidirem passar uma esponja sobre o ilícito moral da dezena de trafulhas, permitindo-lhes o acesso ao arsenal, os responsáveis por tamanha ignomínia comprovam-se eles próprios incapazes para o seu papel de barreira de protecção contra os medíocres que possam atingir esse patamar tão elevado do qual, depois de munidos da força e da imunidade que nós, sociedade, pretendemos entregar a uma elite de gente boa, inteligente e honesta, podem tornar-se uma séria ameaça.

 

Não sei quantos cúmplices por inerência, os que decidiram dessa forma ignóbil, se aliaram ao gang xerox quando ignoraram a responsabilidade que lhes foi, indevidamente, atribuída.

 

Mas por mim nem um dos intervenientes nesta farsa sem juízo e sem vergonha merece a confiança necessária para fazer parte directa ou indirectamente da Justiça.

Depois de infiltrados no sistema são eles a krypnonite que o enfraquecerá de forma sistemática até outros o poderem liquidar.  

publicado por shark às 22:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

A POLÍTICA INFORMATIVA ENCRESPADA E COM GALINHAS NO BICO

Em pleno noticiário, o Crespo declara-se amicíssimo de Fernando Nobre e insurge-se contra a hostilidade do PS para com o homem. Essa hostilidade expressou-se na recusa dos socialistas em aceitarem o homem das galinhas com pão na qualidade de Presidente da Assembleia, note-se, e Maria de Belém ficou estupefacta a olhar para o alegado jornalista.

Entra o Relvas. Ah e tal porque isso é um excesso de fulanização e mainãoseioquê.

 

Excesso de fulanização??? 

Hostilidade???

Vindo das bocas que vem, nomeadamente de quem declarou que jamais governaria em coligação ou simples acordo enquanto o PS fosse liderado por fulano, não soa apenas disparatado.

 

Soa imbecil. 

publicado por shark às 21:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quarta-feira, 15.06.11

A POSTA NO ECLIPSE LUNAR (3)

eclipse lunar a meio

Foto: Shark

publicado por shark às 23:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

A POSTA NO ECLIPSE LUNAR (2)

eclipse lunar 15 junho

Foto: Shark

publicado por shark às 23:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NO ECLIPSE LUNAR

inicio eclipse lunar 15 junho

Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 23:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

DES(P)ERTO DALI

Quem pudesse vê-lo à distância não o reconheceria, naquele deserto imaginário em que se sentia à mercê da sede de paz. Era ali que se isolava quando lhe parecia que não estava à altura daquilo que se sabia capaz, um homem que vivia tão depressa que quase derrapava nas curvas aceleradas do mundo que chamava seu.

Fechava-se agora num planeta árido, sem céu, o horizonte vazio de um deserto, tudo tão longe e a morte tão perto da sua mente, a lucidez intermitente que julgava salvação mas o torturava com uma aflição aguda que quase fazia doer a cabeça castigada pelo calor de uma luz que saía do nada por cima de si.

Estava além, passava por ali. Sem pontos de referência nem um objectivo a alcançar, limitava-se a caminhar a sós num deserto alienígena, desorientado. Mas preferia-se sossegado naquele refúgio sagrado que o poupava a uma razão empenhada em massacrar-lhe a vontade de ficar longe daquele ponto de fuga onde mergulhava no silêncio que encontrava nos oásis postiços da sua miragem interior.

Estava ali, sem ir para além. Sentia-se melhor sem partilhar o seu pior com os outros de quem fugia para um espaço amplo que não passava de uma caixa forrada por dentro com um cenário onde desempenhava o seu papel, onde poupava os outros à loucura reflectida na sua obsessão, a mente enfraquecida pela pressão e o corpo à deriva naquele deserto, tudo tão longe e a morte tão perto da cabeça que agarrava com ambas as mãos quando reunia a força necessária para romper o ciclo demolidor, para escapar ao interior isolado rumo a uma pena capital como sentia a sua incapacidade de reagir e o receio de interagir por temer o contágio do mal que o arrastava para aquele papel de caminhante solitário, a pele do dromedário na história beduína para a qual não encontrava um fim.

 

Estava aquém, ficava por ali.

E não queria de todo que outros o vissem assim.

publicado por shark às 16:50 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 14.06.11

TEMPO DE PASSAR

tempo de passar

Foto: Shark

publicado por shark às 00:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

A verdade inconveniente

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO