Terça-feira, 31.05.11

A POSTA NO NACIONALISMO ANFITRIÃO

Ao longo do diálogo o gajo deixou-me várias vezes surpreendido com o detalhe do seu conhecimento acerca da história recente do nosso país. Porém, revelou-me igualmente uma noção clara da realidade portuguesa no contexto da União Europeia e desta crise medonha que nos faz vermo-nos gregos para pagar as contas.

E ainda lhe somou o conhecimento empírico, o saber de experiência feito que lhe abriu a pestana para a verdade do que nos entala afinal enquanto povo, a nós, eu e ele, que temos em comum apenas o facto de ser esta a terra onde escolhemos investir o presente e o futuro da nossa existência.

 

Deixou-me impressionado, pela bagagem que revelou acerca de coisas tão díspares como a história da vida dos milionários portugas ou as fragilidades da nossa esquerda perante um cenário de crise financeira.

Aliás, ainda mais impressionado fiquei com tudo o que o gajo teve para me dizer, neste magnífico diálogo entre compatriotas, quando finalmente me revelou que só há nove anos abraçou a nacionalidade portuguesa, este homem nascido na Roménia que se provou bem mais conhecedor do país que agora é o nosso do que a esmagadora maioria dos que cá nasceram e certamente muito mais inteligente do que aqueles que adoptam a generalização no seu discurso quando se referem aos de fora que querem mandar embora, tudo farinha do mesmo saco, por acharem que essa forma de ver as coisas representa o nacionalismo que alegam defender.

 

Este homem de que vos falo conseguiu em escassas dezenas de minutos mostrar-se mais patriota e esclarecido acerca do país do que qualquer dos que até hoje me tentaram impingir a xenobofia e o racismo quase como consequências naturais do pensamento nacionalista.

E eu, que amo a minha Pátria e por ela morreria se disso dependesse a sua defesa, envaideço-me sempre que alguém de outra terra adopta a minha para viver e constituir família.

 

Independentemente dos casos foleiros isolados que servem de sustento para a argumentação pacóvia de quem ama mais os dogmas e o culto do ódio do que a Pátria que os extremistas que se arvoram arautos do nacionalismo apregoam defender, o homem com quem hoje tive o privilégio de conversar bastaria para consolidar a razão das minhas convicções.

publicado por shark às 18:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

ESTÁ A REGRESSAR O CALOR

E por isso é normal que fique cada vez mais fino o gelo sob os nossos pés.

publicado por shark às 17:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA SEM NOME

Como estamos todos saturados de temas densos que em nada ajudam a malta a descontrair um bocado da crise opto hoje por um tema mais ligeiro, porquanto muito sério.

Em causa está a flagrante injustiça cometida para quem ao longo de milénios assumiu o ingrato papel de dar nomes às coisas e às pessoas. Quer dizer, somos todos muito rápidos a desdenhar de quem se esmifrou a olhar para um filho para concluir: meu filho, tens mesmo cara de Hideraldo. Ou minha filha, toda tu és Ermengarda. Mas nesse desdém imediatista esquecemos a angústia de quem se vê a braços com tamanha responsabilidade.


Recuemos um pouco no tempo (pouco, porque estas coisas do tempo são muito relativas em termos cósmicos) e vistamos a pele (de mamute ou assim) do primeiro gajo a olhar embevecido para aquele espaço mágico entre as pernas da sua neandertala, encantado, e a querer louvá-la.

No meio dos seus grunhidos pré-históricos de aflição por não saber que nome dar àquilo, imaginemos o que terá saído para que, muito tempo depois, alguém considerasse vagina o nome mais adequado.

Não domino dialectos do tempo das pinturas de Foz Côa, mas não deixo de pasmar perante o que terá saído da boca daquela criatura peluda para virmos a baptizar o tal espaço sagrado com um nome tão complicado de pronunciar e sem piadinha nenhuma.

 

Mas a minha admiração abrange também a posterior adopção de nomes alternativos. Notem bem: alguém deu cabo da tola a pensar em nomes suplementares para algo já devidamente catalogado num conjunto de sons qualquer.

Ah e tal, vagina é um nome que não lembra ao caralho (já vão perceber porque acabo de me exceder na linguagem). Eu olho para aquilo e só me ocorre cona.

E toca de espalhar a nova terminologia pelos amigos do bairro chunga até a coisa (o nome da coisa) chegar aos ouvidos da elite pensadora da sua época.

Claro está que quem abraçou o nome original reclamou de imediato a patente imaginária e terá desabafado com os mais próximos: atão um gajo aqui a dar voltas ao miolo para arranjar um nome para aquilo e vem-me aquele primogénito de uma meretriz inventar um nome novo? Tenho que providenciar de imediato um esquema eficaz para a respectiva conspurcação! Vamos espalhar o boato de que se trata de uma asneira, de uma ordinarice que não se pode tolerar, de um pecado mortal.

 

Mas o que é certo é que a designação pirata acaba provavelmente por ser a mais utilizada no quotidiano de todos nós os que usufruímos dos nomes que não precisámos de inventar, até porque não soa muito razoável e ainda menos estimulante a pessoa, em pleno acto, sair-lhe um vou comer-te essa vagina toda. Não sei se a questão é fonética ou semântica ou se tem apenas a ver com o fruto proibido inerente ao palavrão como o entendemos, mas a verdade é que quem inventou o termo cona parece ter tido maior acerto na sua opção.

 

Isto não invalida o reconhecimento da relevância dos autores de quaisquer nomes, bem vistas as coisas.

Não levam a sério o assunto e acham que é fácil dar nomes às cenas?

Então tentem colocar-se na posição do primeiro gajo que olhou para, sei lá,  um calhau. Ou para a pila do tal mamute prestes a ser esfolado para cobrir, entre outras, as partes pudibundas dos nossos antepassados das cavernas, e percebeu que se tratava da mesma coisa (do mesmo coiso) que ele pretendia agasalhar, perante o olhar interessado da fêmea a quem pretendia dar com a moca na tola, e precisou de arranjar assim de repente um nome comum para designar os dois pénis em apreço num conveniente plano de igualdade linguística…

publicado por shark às 15:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Segunda-feira, 30.05.11

BLACK & WHITE

  

Foto: Shark

publicado por shark às 19:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Domingo, 29.05.11

VENCER A INDECISÃO FOR DUMMIES

Se quisermos começar do zero para vencermos a indecisão ao longo da semana podemos começar por nos colocar a seguinte questão: queremos estar do lado dos que defendem o honrar dos compromissos assinados com quem nos emprestou a massa ou preferimos fazer como nos apetecia relativamente aos nossos créditos ao consumo e mandar os gajos irem receber ao totta e aguentarmo-nos à bomboca com pala de islandeses mas com alma de portugas?

A escolha da primeira hipótese elimina Bloco de Esquerda, PCP e praticamente todos os partidos concorrentes sem assento parlamentar, a escolha da segunda afasta PS, PSD e CDS/PP.

Outra questão porreira para a exclusão de partes é a seguinte: preferimos eleger deputados sérios mas que passam pelo Parlamento sem piar ou deputados de paródia que dão imenso nas vistas e podem transformar, com a sua atitude (chamemos-lhe) irreverente ou as suas ideias peregrinas, o hemiciclo num circo?

Ainda podemos perguntar-nos se preferimos como rosto de Portugal lá fora políticos com perfil dos Homens da Luta (não há aqui nada de pejorativo fora deste contexto específico e eurofestivaleiro) ou daqueles do costume que pelo menos não dão barraca como fanarem canetas aos homólogos ou dispararem calinadas spagueti a toda a hora.

Há outro filtro interessante para orientar o nosso sentido de voto de uma forma consciente e não a reboque de sondagens, bitaites da treta ou impulsos muito alvos na intenção mas completamente ao lado dos mesmos no seu resultado prático: preferimos eleger um partido que não inclua no seu discurso coisas tão estapafúrdias como a obrigatoriedade do vegetarianismo, um referendo acerca da reinstauração da monarquia ou da actual e já referendada lei do aborto ou antes alinhamos com os que pelo menos garantem a manutenção de algum bom senso no poder?

E já agora, preferimos uma opção bem estruturada, gravada a ferros no cerebelo de quem nela acredita, mas irrealista pelo que implica em termos de conjuntura económica e social ou, embora achemos piada e nos sintamos com ganas de fazer uma revolução pelo voto à maluca, preferimos cingir as escolhas possíveis às que até já se mostraram desastradas mas pelo menos não viram isto tudo de pantanas em meia dúzia de dias?

Respondidas todas estas questões e somando-lhe uma pitada de reflexão acerca do inevitável binómio esquerda/direita vão ver como só fica indeciso quem for preguiçoso demais para pensar...

publicado por shark às 22:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (38)

A POSTA À BASTONADA A TORTO E A(O) DIREITO

O Bastonário da Ordem dos Advogados, cujo discurso já por diversas vezes elogiei aqui, entendeu nos últimos tempos dar uma de Passos Coelho e de cada vez que abre a boca sai asneira.

Agora entendeu insurgir-se contra o juíz que aplicou prisão preventiva aos dois jovens directamente associados à última grande realização cinematográfica do país real que a internet nos deu a conhecer.

 

Diz o Pinto que os juizes entenderam transformar a Justiça em instrumentos de terror, pela desproporção da pena aplicada, diz ele, tendo em conta a situação não ter deixado sequelas na vítima. É nesta justificação imbecil que o Bastonário deita a perder a credibilidade da argumentação que em muitos aspectos era reconhecida como válida relativamente à própria situação da Justiça.

Tendo em conta a explicação clara, detalhada e bem fundamentada para a medida de coação que o juiz não se coibiu de fornecer, bem como a displicência, a leviandade, como entende que uma brutalidade daquelas não deixa sequelas na vítima, Marinho Pinto provou que apenas está interessado em atacar os magistrados e em sacudir água de um capote, o dos advogados, cujo discurso afinal denuncia as suas culpas na manutenção de um Código Penal que de aterrorizador só tem os da impunidade máxima para os criminosos e da aparente irrelevância atribuída ao sofrimento das vítimas.

publicado por shark às 20:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sábado, 28.05.11

A POSTA QUE VENHA O DIABO E ESCOLHA

De um político exigimos coisas simples como bom senso, inteligência e capacidade de liderança na qual incluímos a habilidade diplomática necessária para gerar consensos.

Também lhe pedimos que respeite e defenda valores como os da solidariedade, da liberdade, da igualdade de direitos entre os cidadãos à qual adicionamos a isenção, obrigatória quando no exercício de algum poder.

Seria óptimo podermos contar com sentido de Estado, patriotismo realista mas inequívoco e ainda beneficiarmos do seu espírito de missão do qual acreditamos fazer parte a impermeabilidade relativamente à corrupção ou aos compadrios.

Sonhamos um político hábil na gestão de conflitos de interesses, na selecção e recrutamento dos melhores de entre os seus pares e na capacidade de mobilização em torno de objectivos que valha a pena perseguir enquanto nação.

Fantasiamos uma pessoa íntegra, carismática, ponderada, convicta, experiente, eficiente, justa, tenaz.

Já nem arriscamos sugerir que nunca minta, que respeite compromissos eleitorais, que seja coerente, que seja capaz de colocar a Pátria, que é o território, o passado colectivo e a cultura mas também são as pessoas que lhe justificam a existência, acima de tudo, acima de Deus.

 

Agora é só olharmos com atenção para o naipe de candidatos disponíveis e descobrir um entre eles que cumpra pelo menos os requisitos do parágrafo inicial, a ver se não precisamos de retirar mais nada ao capítulo das exigências...

publicado por shark às 19:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

NOVO TEMPORAL NA GRANDE LISBOA

De repente um lindo dia de Primavera transformou-se nisto, há poucos minutos atrás:

 

céu lisboeta 28 maio

 

 

céu zona lisboa 28 maio

Fotos: Shark

 

publicado por shark às 15:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Sexta-feira, 27.05.11

EU GOSTO DE ANIMAIS

trem de aterragem

Foto: Shark

publicado por shark às 15:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA NA MENSAGEM COLADA NA FACHADA DE UM BLOCO IMÓVEL: JÁ ERA

Um dos principais trunfos do Bloco de Esquerda para alavancar a sua expressão eleitoral foi a irreverência da ala PSR, a falsa noção de que a presença de deputados provindos desse viveiro de contestatários criativos iria acabar com o bafio parlamentar tradicional pela multiplicação do espírito Acácio Barreiros dos primórdios.

Pura ilusão. Depois de constituído e instalado um grupo relativamente numeroso de bloquistas a mística esboroou-se e a diferença esperada transformou-se no sapo do mais do mesmo que em nada contribuiu para dinamizar ou sequer animar, tirando uma ou outra boca da plateia e respectivo troco, o ambiente no hemiciclo.

 

Claro que os visados e respectivos apoiantes sentirão o parágrafo acima como um insulto, partindo do princípio de que ainda sentem ferver no sangue a alma de esquerda revolucionária e não se revêem no papel de alimárias iguais às outras que tanto denunciaram nessa condição.

Contudo, só os mais esquecidos terão perdido o rasto às imagens dos divertidos murais, dos slogans imaginativos e, acima de tudo, das causas que constituíam uma segunda bandeira para as várias farinhas do mesmo saco que BE formou.

 

Com o passar do tempo, os perseguidores de utopias viram-se relegados para segundo plano em questões como a da IVG e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da defesa das minorias étnicas que até o PS com os seus turbantes e a forma como lidou no poder com um aumento da imigração sem precedentes ou a legítima (embora patética) colagem de um Passos Coelho à imagem de africano honorário, uma lança numa comunidade onde o Bloco dava cartas, lhe sonegaram. Da mesma forma nascem deolindas e homens da luta à revelia e até com indisfarçável alergia à conotação com aquilo que o BE de facto representa aos olhos de quem contesta.

 

Por outro lado, os eleitores suplementares da coligação de organizações quase inexpressivas que o BE representa, gente sem filiação partidária que embarcou na esperança de uma alma nova para o cenário político português, de uma agitação das águas com base em temas polémicos que a esquerda dita revolucionária tanto acarinhou em teoria, viram-se defraudados com a apatia bloquista em matéria da defesa de causas tão polémicas como a eutanásia ou a legalização das drogas leves.

Porém, o jovem e irreverente Bloco herdeiro da tenacidade da UDP, da criatividade do PSR e da energia dispersa de diversas correntes da esquerdalha não alinhada envelheceu.

 

E nota-se, no olhar sem chama das figuras mais mediáticas de um Bloco em queda livre nas sondagens, que se acomodaram às mordomias inerentes a um estatuto de deputado, de político a sério, mais crescido, e por isso deixam cair as suas lutas mais emblemáticas para alinharem pelo mesmo diapasão dos comunistas a quem já não fazem sombra e servirem apenas como mais uma inócua voz do contra muito jovial e sem gravatas à vista mas com o caviar a transbordar-lhes na modorra que, no caso concreto, só indicia uma indesmentível decadência.

publicado por shark às 11:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quinta-feira, 26.05.11

XACÁVER O QUE POSSO DISPARATAR HOJE...

Ora para combater a crise (a da moral e dos bons costumes) nada melhor do que referendar uma lei referendada (como a do aborto ou assim), certo?

E ainda por cima rende votos à brava entre os papalvos conservadores que não prestem atenção às letrinhas pequenas que só aparecem horas depois da afirmação bombástica em maiúsculas...

publicado por shark às 14:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Terça-feira, 24.05.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

iate em doca seca

Foto: Shark

 

 

publicado por shark às 10:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Segunda-feira, 23.05.11

A POSTA NA DEMOCRACIA DE TELENOVELA

Confesso-me saturado deste jogo do descrédito entre socialistas e social-democratas. A cada dia a Comunicação Social confronta-nos com uma nova suspeita, uma nova acusação, um novo aditamento à lápide da credibilidade das principais alternativas para um país em aflição.

Vejo os principais candidatos a Primeiro-Ministro de Portugal aproveitarem o único debate para se provarem mentirosos, algo de prever desde o desabafo de Passos Coelho quanto às negociações com Sócrates sem a presença de testemunhas e que nos deixou apenas com a certeza de que um dos dois é um mentiroso.

 

Claro que é fácil apontar de imediato o dedo ao suspeito do costume, mas confesso que me basta ficar com a certeza de que tenho cinquenta por cento de hipóteses de contribuir para eleição de um fulano sem honra e sem palavra, algo inerente à condição de aldrabão seja de quem for, para me sentir desconfortável.

Além disso, não é difícil encontrar mentiras (ou omissões, ou incoerências ou o que quisermos chamar-lhes) no percurso e no discurso do oponente mais destacado ao líder socialista. Basta estarmos atentos ao que os jornalistas nos oferecem para percebermos que não há inocentes nesta forma corrente mas nem por isso correcta de fazer política.

É perturbador assistir ao esforço permanente de emporcalhamento recíproco que se adivinha para os próximos dias pelo que já se vê, algo que no mínimo afasta as prioridades sérias do centro das atenções numa altura em que os indecisos são às centenas de milhar.

 

E ainda mais assustador o cenário se torna quando olhamos com mais atenção as restantes alternativas ao nosso dispor...

publicado por shark às 20:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA QUE ANDA TUDO DOIDO

Que se passa com esta terra? Não há vagas no Júlio ou será que esgotou o stock de camisas de forças?

publicado por shark às 19:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 22.05.11

A POSTA QUE NÃO ME APETECE BRINCAR

Cada um de nós vive em função da conjuntura, da personalidade, da formação pessoal, de uma série de factores que nos distinguem por dentro e por fora, a influência do exterior que nos educa e acaba por nos encaminhar para determinada forma de estar que encaixa ou não nos valores que subscrevemos.

Essa diferença que nos torna únicos não impede que exista uma interacção, o apelo social irresistível que lima as arestas ou fornece os pretextos para ultrapassarmos aquilo que nos distingue e pode, pelo conflito de interesses ou mera incompatibilidade de vivências ou de características, afastar.

 

Por vezes as tais diferenças podem tornar-se obstáculos incontornáveis, quando o comportamento dos outros colide de forma frontal com a escala de valores que abraçamos. O conflito pode (embora não deva) nascer dos termos em que manifestamos a nossa opinião, esse exercício de liberdade de que podemos usufruir enquanto estiverem salvaguardados os seus limites mais ou menos consensuais.

Por isso confesso que estou a fazer um esforço para reprimir a expressão linear do repúdio que uma das notícias para encher chouriço de uma televisão qualquer me provocou, tentando moderar as emoções que as palavras deveriam transmitir.

 

Em causa está uma iniciativa levada a cabo em Braga, nomeadamente uma tomatada que um grupo de cerca de mil pessoas entendeu copiar dos espanhóis.

Durante dois ou três minutos vi no ecrã a forma como largas centenas de pessoas investiram a sua energia, o seu tempo e recursos, toneladas de comida, que poderiam salvar vidas noutro lugar qualquer. Mais de mil pessoas, numa praça, divertidas a arremessarem comida umas às outras apenas porque lhes deu para aí e não para encherem contentores com os seus projécteis improvisados e tratarem de os fazer chegar às bocas de outras pessoas que, neste mesmo país, jamais se divertiriam daquela forma por não terem com o quê. Nem força anímica para o conseguirem.

 

Podia agora dissertar uma moral qualquer, a minha, acerca do que está implícito de hostil na brincadeira tão pueril daquela gente minhota.

Mas prefiro entregar a ti que lês este texto a conclusão que a tua visão das coisas, a tua escolha, entenda extrair.

 

Já disse o que precisava de dizer.

publicado por shark às 15:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Sábado, 21.05.11

BARDAMERKEL COM ESSA CONVERSA

A xôdona Merkel decidiu manifestar o seu desconforto por os portugueses se reformarem mais tarde e terem mais dias de férias do que os seus compatriotas na Alemanha e não faltaram as vozes da direita e da elite financeira portuguesa a aplaudirem a frontalidade da madame.

Pois eu acho que a xôdona Merkel e os seus admiradores portugas deviam ganhar vergonha nas caras e acrescentarem ao desabafo parvalhão e invejoso o desconforto devido ao facto de nesta altura se estar a discutir um salário mínimo para os alemães que deverá ser fixado em cerca do dobro do nosso.

publicado por shark às 14:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 20.05.11

MISS PÉTALA MOLHADA

 

miss pétala molhada

Foto: Shark

 


publicado por shark às 23:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

AQUELA PESSOA

Aquela pessoa parecia emparedada pelas vicissitudes da vida, tentava impedir a vitória da insanidade temporária que se queria instalar de vez naquele olhar perdido nas imagens de um passado para onde fugia, sempre que se sentia à toa, em busca de um santuário para resguardar a lucidez.

 

Aquela pessoa parecia encurralada por uma situação lixada, tentava em vão procurar uma solução até que desistia, por algum tempo, e fechava-se num tormento muito seu, olhar aparentemente perdido num qualquer ponto mas na verdade olhava para dentro, alucinado pela pressão, abraçado a uma solidão que defende a pessoa do sufrágio dos outros nos momentos menos bons.

 

Aquela pessoa parecia isolada numa causa perdida, numa ilha deserta de alternativas que era um pouco como um naufrágio aos bocadinhos, afogada a pessoa em problemas da vida que a sufocavam, emparedada por detrás de muros que construíra pedra por pedra na sua mente alucinada, por detrás daquele olhar perdido num espaço profundo que a loucura, com a vontade que evidenciava de ali se instalar, nunca parava de escavar.

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publicado por shark às 13:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 19.05.11

A POSTA DEJÁ VU

Até nem torci por nenhum deles, pois nunca escondi qual é a minha escolha na matéria, mas prestei alguma atenção ao confronto porque uma pessoa nunca sabe se às tantas até acaba por valer a pena.

Percebi que no início uma das partes iria jogar ao ataque e assim aconteceu. Contudo, a defesa contrária foi dando conta do recado e acabou por tomar as rédeas da coisa a espaços.

Foi uma falsa sensação de equilíbrio, já que entre um favorito e um contendor que toda a gente dá por antecipadamente derrotado existe sempre uma estatística e raramente privilegia este último.

Quando se jogou no miolo do terreno, onde imperam a inteligência e a convicção, a balança pendeu para um dos lados e foi aí que o resultado final se construiu.

Apesar de um bom esforço de recuperação, o mais fraco acabaria por baquear diante da maior experiência e da melhor estratégia. O vencedor antecipado acabou por segurar a magra vantagem até ao fim e mereceu a tal vitória que se adivinhava, dado o desequilíbrio de forças em campo.

 

Portas e Porto estão em forma e eu tenho a malapata de torcer sempre mais um bocadinho pelos perdedores.

publicado por shark às 23:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 18.05.11

A POSTA NA FALSA PARTIDA

corrida ao tacho

Foto: Shark

 

Há muito tempo que antes do início da época dos saldos a malta mercadora dá a volta ao texto chamando-lhe promoções mas, na prática, fazendo a mesmíssima coisa.

Pelo que tenho visto nos noticiários o mesmo se passa com a campanha eleitoral.

 

Ainda não foi dado o tiro de partida, mas a corrida já começou...

 

publicado por shark às 19:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NA CRISE DE PACOTILHA E NO PATRIOTISMO TRÔPICÁU

Para além de desconchavarem as finanças às pessoas, as crises provocam um dano colateral que é o de desconchavarem as próprias pessoas. Isso é fácil de constatar em dois ou três dias de maior atenção às conversas de café, nas quais se expurgam as emoções violentas provocadas pela dificuldade em escolher o destino de férias ou em jantar todos os dias ou em encher por completo os recintos de diversão, nomeadamente os centros comerciais e os estádios de futebol.

 

Se a pobreza envergonhada é constantemente denunciada por tudo quanto é organização de índole humanitária presume-se que os mais aflitos não falam da crise, antes a calam bem fundo e tentam disfarçá-la a custo perante os olhares atentos da vizinhança habituada a topar esses indicadores de oscilação no estatuto social que tanto pesam nos moldes de relacionamento a adoptar.

Quer isto dizer que as conversas de café são alimentadas precisamente por quem não faz ideia do que é a falta de dinheiro para pagar a prestação ou a renda da casa, apenas ouve falar, e não quer dar nas vistas pela positiva.

 

Quem fala da crise acaba sempre por denunciar o seu alheamento às respectivas consequências. Claro que não falta por onde pegar, os dramas do quotidiano nos telejornais, o problema dos outros, e o inevitável malandro do Sócrates que provavelmente foi o responsável até pela crise financeira mundial.

E um gajo fica calado a mexer o açúcar na chávena, a ouvir a multidão de entendidos acerca disto das crises, gente de gerações recentes, de camadas da população que não fazem ideia da dimensão que a coisa assume no quotidiano de quem precisa de pedir batatinhas na mercearia porque no hiper ninguém as fia.

É gente que numa altura em que a Pátria mais precisa de força e de coragem para dar a volta prefere rosnar que mais valia entregarmos esta merda aos espanhóis (ou aos filipinos, tanto faz desde que sejam mais abastados).

E um gajo continua calado a mexer o açúcar na bica que já é um luxo enquanto os entendidos nesta coisas das dificuldades de uma pessoa, a prestação do leasing do carrão, a reparação do plasma, a mensalidade do colégio privado, as férias que já não podem ser na Tailândia mas, a muito custo, talvez no Peru ou assim.

 

E só dá ganas de um gajo romper o silêncio com algo mais do que a pancada da colher na chávena, de lhes chamar estúpidos com as letras todas por não saberem do que falam e por exibirem a estupidez numa coisa tão óbvia como virarem-se para Espanha, preguiçosos, quando toda a gente sabe, ignorantes, que não faltam argumentos para justificar como melhor escolha para a entrega do país, sobretudo em termos de futuro na única preocupação que os move, uma potência emergente como a China.

 

Ou, na que seria a minha alternativa de eleição (para aproveitarmos o acordo ortográfico e assim, sua gente burra e sem visão estratégica global), o mais ensolarado dos novos-ricos, o nosso irmão Brasil…

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publicado por shark às 11:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Terça-feira, 17.05.11

CRISIS? WHAT CRISIS?

Dá a sensação, pela atitude, que muita malta verbaliza a crise mas pouca acredita mesmo a sério que ela se venha a fazer sentir com maior dureza ainda.

publicado por shark às 13:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 16.05.11

E SE PENSAM QUE EU ESTAVA A EXAGERAR MAIS ABAIXO...

 

desenho de luz

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 20:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

TEMPORAL NA ZONA DE LISBOA

Vindo do nada acaba de desabar um temporal, mais um, puxado a granizo e trovoada que, no meio deste calor, transforma o clima alfacinha no de Nairóbi.

publicado por shark às 19:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 15.05.11

BLOGOSFERA SUPERIOR

A Namorada de Wittgenstein é um dos meus blogues de culto, assinado pela Maria João Freitas.

Recomendo-vos uma visita prolongada ao espaço, mas para não terem dúvidas de que valerá a pena espreitem esta delícia de posta.

publicado por shark às 23:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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