Quinta-feira, 21.04.11

A POSTA NA INTOLERÂNCIA DE TONTO

Pressionado pelas sondagens que lhe colocam o PS nos calcanhares e pela malta do seu partido que vai soltando umas farpas que lhe auguram pouco de bom se a coisa correr menos bem no mês que vem, Passos Coelho, em desespero de causa, aproxima cada vez mais o discurso e o percurso (as feiras, as feiras...) daquele que tanto parece render ao CDS de Paulo Portas.

 

O jovem Passos, político de carreira formado nas escolas do PSD, nada tem de parvo (assim de repente não se nota) e já deu fortes indícios de ser homem para elevar a parada sempre que entende necessário.

O problema do homem, um ícone das jotas, é ainda não ter percebido que quando estamos a falar de um país não podemos raciocinar e decidir como se estivesse em causa a associação de estudantes da secundária. Prova disso é o resultado prático da aposta no equivalente a um popular do liceu, o homem das galinhas com o tacho no bico, que já lhe terá custado mais uns pontos nas sondagens e custou de facto pelo menos uma deserção anunciada pelo próprio, António Capucho, como consequência directa desse impulso juvenil do líder laranja.

 

Assim, o país inteiro começa a não levar a sério o rapaz como alternativa ao Grande Satã e as percentagens começam a serrar a fina camada de gelo sobre a qual vão derrapando as ilusões social-democratas de uma vitória categórica ao estilo irlandês.

E ele, a deixar fugir o pássaro por entre os dedos a cada dia que passa, começa agora a esvaziar as cartucheiras de reserva (por norma munições de pólvora seca) e dispara em todas as direcções.

No menu de hoje deste permanente banquete de trapalhadas populistas temos o ataque à tolerância de ponto concedida aos funcionários públicos, como há décadas vem acontecendo, apelando ao estado do País como um argumento para contestar a decisão do Governo e assim poder, esperteza saloia, estimular vozes discordantes em número suficiente para as sondagens parecerem feitas pelo próprio Sócrates. Ou seja, umas mentirosas.

 

É fácil a pessoa apoiar esta indignação do passaroco saído da casca que é este Coelho já meio enfiado na cartola na qual muitos dos seus companheiros de partido mostram querer metê-lo outra vez.

É fácil porque é de uma lógica rudimentar, ao alcance do povo no seu todo, o mais e o menos instruído ou politizado, simples de assimilar na sua hipocrisia pueril de argumento eleitoralista.

O país numa crise do caneco e aqueles mandriões, aqueles irresponsáveis, a darem uma tarde de folga aos preguiçosos da Função Pública, a baixarem a produtividade da Pátria nas barbas dos senhores inspectores que, não sendo pessoas de fé capazes de entenderem estas folgas de inspiração cristã, dão no duro para nos salvarem e, à falta de milagres a sério, fazem o papel de enviados de Deus.

 

Passos, o coelho, vê aumentar a distância entre si e a cenoura e evidencia cada vez maior desnorte nas opções. Pior ainda, não tem opções para o nortearem. E por isso saca do coldre autênticas bisnagas vira-bicos e julga borrifar a cena política com a água benta (da sua presunção jotinha) quando afinal apenas encharca o seu futuro político com banhadas de água-pé (aquele que lhe vai acertar em cheio no fundo das calças se – quando - o descalabro eleitoral acontecer).

Ébrio com a possibilidade flagrante (nem o Jorge Jesus conseguia deixar fugir esta) de ser o futuro Primeiro-Ministro de Portugal, e apesar de não ser parvo de todo, não mostra particular vocação para cozinhar estratégias e dá sinal de sentir nos dedos o calor crescente nas asas dos tachos que lhe pediam para aquecer em lume brando e nos quais acabará por deixar queimar o refogado com a mistela que os deveria garantir (os tachos) à mesa dos seus vorazes comensais a quem já nem o pote sustentaria.

 

Só por isso Passos, o furão desorientado com alma de pescadinha, algures entendeu que o Portas é que a sabe toda e entrou de cabeça na toca populista onde inevitavelmente acabará por abocanhar-se pelas costas.

publicado por shark às 18:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

FLOWER POWER

 

a vida passa por uma nesga

Foto: Shark

 

publicado por shark às 00:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 20.04.11

UM TÍTULO E UMA TAÇA. E AINDA PODE HAVER MAIS...

Em vinte jogos disputados com o FCP esta época, o meu Benfica ganharia um.

Azar, a época nunca mais acaba e já ganhámos o tal que havia a ganhar...

 

Não vale a pena dizer mais do que isto: a diferença entre o Porto e o Benfica é maior do que a que existe entre o Benfica e o Rio Ave, por exemplo.

Omeletas sem ovos, são a eterna ambição do meu Glorioso. E esforçamo-nos, e até ganhámos um título no meio da confusão e tudo, com uma equipa de jogadores medianos e dois ou três magníficos que jogam sempre em desvantagem numérica.

 

Para um benfiquista é muito desconfortável constatar, no nosso "inferno", que os diabos são azuis e brancos e irem lá buscar-nos o título e a taça são factos contra os quais não há mesmo conversa de treta de dirigentes fraquinhos que consiga disfarçar.

O FCP joga noutro patamar e por esta época já chega de folclore verbal e mais vale assumirmos de novo a velha e cada vez mais habitual máxima do "pró ano é que é...".

publicado por shark às 22:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA QUE ÀS VEZES MAIS VALE O SOFÁ

Com pelo menos uma televisão (SIC Notícias) a transmitir em directo a partir das imediações do Estádio da Luz, os desordeiros assumem aos poucos o protagonismo que o futebol acaba por perder no meio da balbúrdia.

Depois dos desacatos ocorridos no período que antecedeu o último Benfica-Porto, as claques organizadas já justificam cobertura em directo à chegada para poderem entoar cânticos insultuosos para os anfitriões e adversários, borrifando gasolina no ambiente já sobreaquecido por algumas escaramuças.

 

E então é este o clima retratado pelas imagens que nos chegam ao ecrã: um sururu envolvendo adeptos benfiquistas, com cidadãos a reclamarem alegada carga intempestiva por parte da polícia; a chegada do autocarro com a equipa portista, recebido com bolas de golfe, a chegada da ululante claque portista, evocando os melhores dias de Átila e os seus hunos, com o repórter de imagem a filmar um tapete de vidro partido (garrafas) até chegarem os gorilas da segurança do próprio estádio para impedirem a recolha de imagens do ambiente magnífico que os clubes proporcionam para as famílias se motivarem a irem ver bola ao vivo.

Tudo isto em escassas dezenas de minutos, mais de uma hora antes do início da partida propriamente dita.

 

Um gajo, sensatamente abancado no seu sofá à prova de tumulto, assiste a este directo televisivo e, naturalmente, cogita.

É muito preocupante o nível de tensão que rodeia todos os clássicos do futebol português e o poder intimidatório das claques parece aumentar a cada jornada (dita) desportiva, acrescendo o visível excesso de zelo, na proporção, por parte dos agentes da autoridade cada vez mais incapazes de conterem a multidão agressiva ou simplesmente assustada.

A preocupação é legítima, pois se contra os abusos dos hooligans ou similares podemos contar com os polícias, nos abusos destes últimos não podemos contar com a ajuda dos outros.

 

Entretanto parece que sim, vai haver um jogo de futebol. Mas, conhecendo o calibre dos intervenientes e a sua apetência pela picardia, há fortes hipóteses de o espectáculo, triste, acabar por se transferir do relvado para as bancadas.

publicado por shark às 19:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA APREENSIVA

Recebi um dos maiores chuveiros de humildade no dia em que percebi que uma mulher, uma paixão, preferia dedicar o seu tempo a um jogo de computador do que ao contacto comigo.

Julgava-me apelativo, interessante, arrebatador. Pura ilusão. Um simples computador bastou para me bater aos pontos no confronto directo e eu senti essa derrota como uma goleada em casa, como uma humilhação.

Claro que essa experiência apenas desnudou a minha arrogância, exposta ao ridículo perante os factos que evidenciaram, na altura, o deslumbramento excessivo que me permiti por me julgar capaz de conquistas como as do passado, esse sim, recheado de vitórias que me resta recordar com saudade mas com os pés bem assentes no chão.

 

Hoje o meu Glorioso joga na Luz com o Porto.

E eu decidi que não gosto nada de associações de ideias palermas.

publicado por shark às 11:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Terça-feira, 19.04.11

O MEU RIO CHAMA-SE TEJO

 

gaivota em terra e puto no mar

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 11:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

JÁ EU SEI QUANDO DEVO FICAR CALADO...

Cavaco Silva à SIC: eu sei quando devo falar em público e quando devo falar em privado.

publicado por shark às 00:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Segunda-feira, 18.04.11

A POSTA NA AMIZADE PROPRIAMENTE DITA

Para justificarem longos períodos de silêncio e quando questiono esses hiatos como susceptíveis de porem em causa o conceito de amizade que sempre defendi, muitas pessoas que gostava de sentir e de usufruir como amigas fazem a apologia de uma amizade que pode durar para sempre, mesmo sem contactos frequentes (uma vez por ano ou menos?), porque não são os contactos que validam uma amizade mas antes um não sei bem o quê que presumo seja qualquer vínculo emocional que me soa sempre estapafúrdio quando percebo que há pessoas com quem não falo há tanto tempo que são hoje quase perfeitos estranhos.

E sabem menos a meu respeito do que, por exemplo, quem acompanha com regularidade o meu blogue.

 

Isto a propósito de eu ter tido conhecimento de um grave problema de saúde de uma pessoa que chamei sem hesitações minha amiga ao longo de vários anos de convívio próximo que, até por via de se ter tornado figura pública, acabou por cessar vários anos atrás.

Seria estúpido se negasse que senti o impacto do problema dessa pessoa com a carga emocional inerente ao tal vínculo que acima citei. Contudo, seria hipócrita se me achasse próximo o suficiente da pessoa em questão para proceder como um amigo sempre deveria em tais circunstâncias.

Não estou, de todo, próximo dessa pessoa a quem estimo e de quem guardo uma memória de dias felizes mas já demasiado idos no tempo para ser possível acreditar que ambos ou mesmo apenas um de nós tem muito a ver com as imagens que deixámos um no outro.

 

Esta situação, confrangedora como a sinto, ilustra bem o meu ponto de vista que defende a manutenção de um contacto mínimo entre as pessoas e que transcenda o cumprimento de circunstância, que implique falarmos e ouvirmos coisas acerca de nós e dos outros para irmos acompanhando o percurso de vida e percebendo as mudanças que o tempo impõe. Mais ainda, para não termos que saber dos maus e dos bons momentos por terceiros e, nessas condições, não possuirmos legitimidade para nos impormos na partilha desses momentos de que tomamos conhecimento por interposta pessoa ou, pior ainda e no caso concreto, pela Comunicação Social.

E é essa falta de legitimidade que desmascara o tal conceito de amizade quando calha, a prática desmente o pressuposto sem demora.

 

Dei comigo a enviar uma mensagem de coragem e de força através de um contacto institucional, uma presença virtual da pessoa amiga e figura pública, mesmo conflituando o impulso de transmitir a minha preocupação genuína com a noção de que a pessoa visada talvez já nem se lembre de mim, de nós, tanto tempo que entretanto decorreu, tanta vida que aconteceu sem dela reciprocamente darmos conta.

 

Dei comigo, mais uma vez, a não gostar de perceber a razão que tenho.

E que de bom grado dispensaria.

publicado por shark às 15:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

FLOWER POWER

 

rosa amarela

 

 Foto: Shark

publicado por shark às 12:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

ESTA É MESMO SÓ PARA VOS DESEJAR...

...Uma excelente entrada na nova semana de trabalho.

 

(imaginem-me com um sorriso estampado no rosto que eu não tenho à mão nenhuma foto minha com expressão de sexta-feira...)

publicado por shark às 09:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A SENTINELA DE PAPEL

De vez em quando espreitava as memórias que guardava durante o tempo que queria acreditar suficiente para as tornar inofensivas, anestesiadas, dormentes como os braços onde sentia agora o formigueiro do sangue na sua circulação, a alma em ebulição que fechava na mesma gaveta, esse pedaço incandescente que tentava apagar no rescaldo por acabar como o percebia sempre que abria o peito à análise irracional daquele resíduo de emoção perigosa dentro de si.

 

Ficava sempre por ali, no silêncio compartimentado, estanque, de uma casa-forte sem oxigénio que pudesse alimentar aquela chama que não conseguia apagar e queimava a cada inspecção as pontas dos dedos do coração que queria vencer o combate quando tocava a rebate o sino de alarme, o alerta geral de que algo poderia correr mal com aquela labareda à solta.

Fechava à pressa a porta de acesso para se poupar ao risco de se queimar outra vez, uma saudade inflamável que servia de combustível para o lançamento de um foguetão que lhe atingia o coração como uma seta de cupido tresmalhada no meio do fogo cruzado com a cabeça que se esforçava para impedir a ocorrência, não perdia a consciência do perigo que representava a abertura daquela caixa de pandora interior.

 

De vez em quando tentava extirpar o amor, a paixão teimosa que se revelava ardilosa quando se fingia uma bela adormecida de pacotilha para montar uma armadilha, uma emboscada à traição com a sua força de emoção poderosa e sabedora das fraquezas, dos remendos aplicados como certezas de uma segurança afinal tão titubeante como a indiferença aparente que constituía a primeira linha de uma defesa formada por castelos de areia à mercê de sopros mais fortes do vento.

 

Ou de uma inexorável subida da maré.

publicado por shark às 00:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Domingo, 17.04.11

...E DOS BARÕES ASSINALADOS

 

fidalgos da casa mourisca

Foto/Legenda: Shark

 

publicado por shark às 17:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A CRISE NUM PLANO MICRO

 

contrato de arrendamento

Foto/Legenda: Shark

 

publicado por shark às 15:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

O POVO JÁ PERCEBEU...

 

doidos

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 15:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 15.04.11

CONFÚCIO DE BOLSO

Mesmo numa escada em caracol os espalhanços não acontecem em câmara lenta.

publicado por shark às 20:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

H2O

 

submarino laranja

Foto: Shark

 

publicado por shark às 00:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 14.04.11

CONTINUEM ENTRETIDOS NA PALHAÇADA...

...Que entretanto esta rapaziada vai afiando os cutelos para nos fazer a folha.

publicado por shark às 22:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

INTERVENÇÃO ACTIVA MAS SÓ A QUE LHE DER JEITO

Fernando Nobre tem um blogue no Sapo.

A coisa esteve parada durante uns tempos mas agora mexeu-se, com a publicação de uma declaração do candidato a Presidente da Assembleia da República que visa esclarecer-nos (com a mesma filosofia dos rótulos dos frascos de banha da cobra) acerca das suas motivações e dos passos a dar nesse sentido.

 

A referida declaração em forma de posta, full of shit como seria de esperar, prendeu a minha atenção sobretudo num trecho que considero no mínimo assustador.

Então reza assim:

 

Acredito nas intenções do Dr. Passos Coelho e revejo-me em muitos dos argumentos que me apresentou e no modelo que, em conjunto,idealizámos como uma via para ajudar a desbloquear o nosso sistema político que hoje está desfasado do País e da vida dos Portugueses.

 

E o que assusta neste pedaço de discurso? Não, não é o facto de Nobre se rever em muitos dos argumentos de Passos Coelho. A parte preocupante é a que fala de terem idealizado um modelo em conjunto para desbloquear o sistema político. Cruzes, credo. O possível futuro Primeiro-Ministro de Portugal anda a idealizar modelos a meias com o Nobre? E logo um laxante para o sistema político?

A pessoa pensa logo: tanta doença para o doutor tratar e vai logo debruçar-se sobre a prisão de ventre do sistema político? Isto só pode ter a ver, continua a pessoa a pensar, com o facto de o sistema ter acumulado tanta matéria fecal que acabou por entupir e assim não há espaço para mais ideias e ambições no seu percurso desde o ponto de partida (o grupo que, por azar, poucos paparam) até ao ponto de saída (que em caso de derrota eleitoral laranja será garantido para o doutor e não há medicina alternativa nem bloqueios no sistema que lhe valham para evitar tal percurso).

 

Full of shit, referia eu acima, e nem precisava de ter em conta os contornos do tal modelo conjunto activia (sim, o da danone), bastando para o efeito confrontar a onda que bom, um cidadão anti-política vai dar um grande exemplo de cidadania depois de prolongada reflexão e ponderando com profundidade e seriedade todos os interesses atendíveis (que sinceridade comovente) e o apelo à participação mais activa dos cidadãos com o simples facto de a porta de acesso à participação activa dos cidadãos que blogam estar fechada pelo ferrolho da moderação de comentários que dá tanto jeito quando interessa mostrar apenas o que se possa englobar nos tais interesses atendíveis.

 

Em matéria de política, o nobre doutor-cidadão mostra que aprendeu bem a receita.

Só é pena que, queiramos ou não, este placebo seja, de uma forma ou de outra, comparticipado por quem não morre da doença mas não tem hipótese de se safar com esta cura.

publicado por shark às 11:18 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 13.04.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

duas caras

Foto: Shark

 

publicado por shark às 17:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A POSTA QUE NINGUÉM ESTÁ A PENSAR A SÉRIO NO PLANO B...

Com a Comunicação Social e a classe política entretidas a esmiuçar o novo papão, o FMI & Brothers (o BCE), nas repercussões negativas da intervenção destes lucrativos beneméritos ou apenas na atribuição de culpas pelo apelo aos abutres, toda a gente parece ter a tal ajuda como um dado adquirido e não vejo ninguém tentar sequer esboçar uma alternativa para o caso de a coisa correr menos bem e os donos dos milhões nos darem com os pés.

 

Para um povo com propensão para o fatalismo, capaz de fazer um esgar de consternação para ilustrar a sua preocupação com a crise enquanto marca a viagem para um paraíso tropical, é de estranhar a ausência de pessimistas a sério, daqueles que percebem (ou vaticinam) a bronca antes dos outros e arregaçam as mangas na elaboração de um esquema alternativo, de uma saída de emergência para qualquer tipo de cataclismo.

Já nem falo daqueles que nos anos 50 investiram fortunas e horas de trabalho na construção de bunkers auto-suficientes para sobreviverem durante meses a um hipotético holocausto nuclear e que hoje parecem parvos mas na altura poucos os olhavam dessa forma, falo dos Medinas desta terra, dos profetas da desgraça, dos arautos do apocalipse mas em modo fazer em vez de falar.

 

Ou seja, anda tudo atarantado com o apertar do cinto, com a perda quase total de soberania, com os benefícios e malefícios da ajuda financeira que afinal ainda não está preto no branco pois ainda falta a contabilidade analítica que pode muito bem entornar o caldo se cair na fraqueza aos pragmáticos alemães que nos olham como párias e começam a ficar saturados de acudirem aos molengões e intrujas do sul (a Irlanda é a sul da Gronelândia, pronto).

E se depois da fiscalização os gajos não quiserem assinar os cheques?

 

Bom, essa hipótese que ninguém parece querer sequer equacionar faz parte do leque de opções de quem tem muito onde enterrar os milhões e se calhar até sabe que a procissão ainda vai no adro abre um mar de possibilidades em termos de teorização, sobretudo se a uma recusa no auxílio sobrevier o maremoto da exclusão de Portugal da zona euro ou ainda pior.

E aqui começam as dúvidas legítimas dos que já perceberam que a torneira dos milhões foi chão que deu uvas, a coisa estava pensada para sermos todos ricos e montes de unidos, federados até, mas em função de tudo correr pelo melhor.

Mas não correu.

 

A federação europeia não passa agora de uma ideia condenada a amarelecer ao pó e já será muito bom se a União não se desagregar sob a pressão das aflições individuais em cada Estado-Membro.

Mas esse é o lado para onde dormiremos melhor, caso o FMI & Associados (o BCE, pois) nos dêem com o lápis vermelho da censura ao regabofe privilegiando outros com mercados mais numerosos (apetitosos) e finalmente tenhamos que tomar conta de nós mesmos como os islandeses e outros e toda a gente descubra então até onde foi negligente e anti-patriótica a cedência ao desmantelamento da frota pesqueira e de uma agricultura capaz de atrapalhar o escoamento da produção dos países mais endinheirados (ninguém dá nada a ninguém).

 

Agora dirão, ah e tal mas na altura tinha que ser. Pois tinha, se queríamos mesmo deitar a mão ao guito para esturricar em tudo menos naquilo a que se destinava. Pois tinha, se as coisas tivessem corrido bem e hoje estivéssemos no mesmo plano da Holanda, do Luxemburgo ou, a avaliar pelo alívio de fachada que me cheira a esturro, a própria Espanha. Mas não estamos e se calhar mais valia nessa época ter batido o pé a algumas exigências que agora, em função do que pode acontecer, às tantas nos deixaram descalços.

publicado por shark às 12:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)

A POSTA NO NOBRE, ESSA ESPÉCIE DE PRD COM PERNAS

Existe uma faixa crescente do eleitorado a que se convencionou apelidar de indecisos que em última análise tem decidido os desfechos eleitorais desde há uns anos.

São gente sem filiação partidária ou mesmo uma tendência ideológica bem definida, tão capaz de votar no PS como no PSD. Ou mesmo no PRD ou no Bloco.

 

No fundo são gente suficientemente desencantada com a falta de alternativas mas ainda não desanimada ao ponto de abandonarem a Democracia ao desmazelo da abstenção, um quinto dos eleitores, talvez mais.

Muitos desses voters without a cause fazem parte dos que apostaram em Alegre nas penúltimas presidenciais e em Nobre nas mais recentes. Votam na esperança, no anseio da mudança que as caras novas ou os discursos remodelados conseguem inspirar por entre o barulho das luzes costumeiro do mais do mesmo que os tais indecisos querem renegar mas não têm por onde.

Acabam por engolir o sapo dos males menores, depois de esgotada a ilusão das novidades de envelhecimento rápido, como o BE, ou a vontade de rir pelas paródias que a Democracia produz, como o Coelho da Madeira ou o tal PRD que acabou por se transformar numa espécie de albergue dos deserdados, das figuras secundárias que sonhavam um trampolim e acabaram num pesadelo do qual todos saíram mas o último esqueceu-se de fechar a porta e agora é o PNR.

Os indecisos, uma designação que não me soa rigorosa, acabam por sentir nas costas o fardo de decidirem qual dos dois grandes partidos ganha e se lhe confiam ou não uma maioria absoluta, ou de oferecerem aos menos votados uma oportunidade de mostrarem o que valem com base numa representação parlamentar condigna.

São por isso pessoas de fé, capazes de alimentarem movimentos de cidadãos com o seu entusiasmo que só se esgota quando as iniciativas se esvaziam de conteúdo por incapacidade dos líderes ou por perceberem a subversão dos conceitos originais que os atraíram.

 

Mas de tanto levarem com baldes de água fria, muitos desses indecisos começam a desacreditar na Democracia, ou pelo menos na sua capacidade de recrutamento dos melhores de entre nós para gerirem os destinos do país.

E nesse sentido, o (nada) nobre que assumo como meu actual ódio de estimação político acaba de desferir com a sua deplorável pirueta mais um sério golpe na pouca fé que ainda resta aos tais (cada vez menos) indecisos que, saturados de tanto embuste, ameaçam repartir-se entre a questionável (e por regra inócua) mensagem subliminar do voto em branco ou nulo e, os menos tenazes, pelo virar de costas ao sistema que só a abstenção representa.

publicado por shark às 11:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 12.04.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

uma lisboa colorida

Foto: Shark

 

publicado por shark às 11:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA QUE LHES ANDO COM UMA SEDE...

Nisto da política, para além da assumida ignorância, existe em mim um equilíbrio precário no que respeita à validação do trabalho dos políticos que esta época marada nos ofereceu.

Há dias em que até tento pugnar pela causa, a da democracia que amo, a da esquerda que perfilho, mas há outros em que a saturação de desmentidos, de desmascarados, de trocas de piropos entre gente de uma classe que só deveria albergar, no mínimo, a inteligência necessária para defender o sistema das suas leviandades me conduz a um beco sem saída mental.

 

Em causa para mim está o dilema entre a defesa instintiva dos mecanismos da Democracia, da credibilidade que resta à classe política que, mal ou bem, é a que temos para fazer a coisa funcionar, e a vontade de desatar à chapada nesta inverosímil cambada que parece fazer de propósito para nos afugentar.

E têm conseguido, como a abstenção crescente comprova. Porém, a subida do tom do discurso sob os efeitos da pressão da crise (das eleições que se avizinham) nas bocas de quem não possui o bom senso para moderar a linguagem em prol de um debate civilizado, decente, acerca de um problema tão grave que uma pessoa já se está mais nas tintas para as causas e menos para as consequências ameaça levar a coisa para outro patamar que me evoca tristes memórias dos carros que vi incendiados na Nazaré por estarem forrados, à época um pecado, com cartazes do “fascista” CDS ou das cenas de pancadaria constantes entre a malta das esquerdas com o MRPP sempre misturado na confusão.

 

São memórias foleiras de outros tempos igualmente conturbados, inquinados pela intolerância e pela ansiedade de quem queria lutar por algo de importante mas se esquecia que com o excesso de empenho podia destruir a Liberdade pela raiz, na voragem de guerras civis iminentes e outras aberrações típicas de casa sem pão. E sem juízo também.

E a nossa, esta que chamamos Portugal há uns séculos valentes, começa a enfrentar de novo essa realidade da falta de tino generalizada mas desta vez com as rédeas entregues a lideranças bem distintas das que nessa altura definiam o rumo a seguir.

É mesmo de temer, no meio do desespero de causa dos que querem lá chegar e dos que não querem ir embora que multiplica calinadas e aumenta a desconfiança quanto a pessoas, a partidos e mesmo à validade das ideologias, uma escalada de agressividade daquelas que acabam por fomentar os pretextos para a malta na rua querer aliviar à porrada esta permanente tensão.

 

Os rostos dos figurões sem palavra, sem consistência, sem brilho no olhar, movidos pelas razões erradas e incapazes de distinguirem a emergência de se fazerem mulherzinhas e homenzinhos e arregaçarem mangas por uns anos para reerguerem o que a sua inépcia conjunta mais a conjuntura aziaga que a destapou arrasaram já enjoam.

 

E cada vez mais me vejo obrigado a engolir em seco perante este impulso que me leva a tentar defender males menores e soluções de recurso a bem de um simulacro de ordem no caos quando, tantas vezes, quase sempre, o que apetece mesmo é mandá-los a todos procurarem alternativas de emprego consonantes com a falta de capacidade que o resultado do seu trabalho anos a fio ilustra nesta situação de merda a que deixámos todos chegar este país.

publicado por shark às 00:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 11.04.11

A POSTA NUMA COERÊNCIA GALINÁCEA

Eu devia poupá-lo, pois ao longo desta entrevista até se refere ao tubarão como um colunista inteligente, mas não posso fazer de conta que não vejo que ele terá, provavelmente, o mérito de transcender o absurdo que foi o PSD permitir que Santana Lopes chegasse a Primeiro-Ministro de Portugal. Depois disto, só mesmo o recrutamento do Tiririca (o da Madeira ou o do Brasil, embora o primeiro esteja mais disponível para a mudança de camisola).

 

Para não adormecerem podem saltar para o minuto 4:00, para verem e ouvirem os termos em que o homem das galinhas com pão no bico se refere a um ex-Primeiro Ministro do seu PSD.

 

Contudo, e aproveitem antes que a entrevista leve sumiço como a página do Facebook, é preferível saltarem até ao minuto 19:34 e ouvirem e verem o nobre laranja amarga casca grossa responder à pergunta da Judite: categóricamente não!

Esta categoria toda foi a resposta a uma pergunta directa: Fernando, se o convidarem para integrar as listas de deputados numas próximas eleições legislativas aceitará?

 

E o homem, poço sem fundo de coerência: NÃO, CATEGÓRICAMENTE NÃO.

 

E prossegue, confirmando o acerto da opção de Passos Coelho nesta aposta: Só há um lugar onde eu poderei ser útil à nação portuguesa, é na Presidência da República (minuto 19:59).

Não vale, é batota, perguntarmos nós agora: o PSD pretende depor Cavaco Silva para dar uma utilidade ao homem das galinhas com pão no bico ou pretende apenas utilizá-lo como complemento decorativo a algum jarrão da Dinastia Ming na São Caetano?

publicado por shark às 20:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

OS FMIGERADOS INSPECTORES ESTÃO A CHEGAR

Amanhã por esta hora já os coveiros da economia portuguesa estarão mergulhados nos números vermelhos que lhes compete, teoricamente, pintar com outro tom.

Claro que não faltam, sobretudo os que mais contribuíram para a vinda dos algozes, aqueles que minimizam a questão afirmando que eles até já cá estiveram e Portugal deu a volta.

 

Pois deu, mas todos nos lembramos a que preço até cair do céu o milagre chamado CEE que depois se tornou no pesadelo pró-federalista soterrado pela crise internacional, com o salve-se quem puder a ditar leis enquanto os mais desamparados definhavam às garras das mais do que suspeitas agências de notação que aproveitaram o embalo negativo do subprime para tornarem nações reféns destas ajudas financeiras que estrangulam economias e impedem o crescimento de um país.

 

Os falsos optimistas, que tentam em vão desdramatizar o desastre provocado por uma sucessão de erros, de negligências e de disparates que culminou com a crise política que tanto deve ter agradado a estes senhores que são agora quem manda aqui, não convencem ninguém e esperam-nos vários anos a marcar passo, país e cidadãos, num ritmo imposto de fora, a juntar os cobres para pagar dívidas inventadas pelos malabaristas do rating ou contraídas desde o tempo em que a União Europeia transpirava milhões.

 

Agora é a nossa vez de suá-los de volta.

publicado por shark às 17:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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