Sábado, 30.04.11

ONDE MENOS SENTIDO FARIA

Nunca tentei esconder a repugnância que me provocam os bombistas, suicidas ou não, muçulmanos ou não, cobardes e desumanos sempre.

Se há causas pelas quais valerá a pena oferecer a vida, não faltam formas dignas, corajosas, de o fazer. Corajosas na força necessária para enfrentar um inimigo olhos nos olhos e com a dignidade mínima exigível a qualquer guerreiro, a suficiente para distinguir um inocente de um deliberadamente hostil.

Quem conhece Marraquexe sabe o quanto as diferenças religiosas, linguísticas ou outras se dissipam naquela mistura constante de marroquinos com europeus.

Também por isso, o atentado bombista que vitimou dezasseis pessoas, tudo indica que um português também, constitui uma traição ao povo de Marrocos e a tudo o que naquele espaço património mundial se construiu ao longo de muito tempo de convivência sã e de enorme importância económica para uma nação de tal forma dependente do turismo e sem muitos dos apelos turísticos de outros países mais evoluídos do magrebe.

 

Um atentado bombista, ainda que envolvendo o martírio de um imbecil qualquer, jamais poderá ser justificado enquanto indispensável no contexto de uma guerra e ainda menos conotado como um acto de coragem merecedor de qualquer tipo de homenagem ao cobarde capaz de arrastar gente inofensiva, civis até do seu próprio povo e com as mesmas convicções, crianças, alvos indiscriminados que afinal são destinados a morrer para alguém chamar a atenção para uma causa que acreditam superior às vidas seja de quem for que esteja no local errado na pior hora.

 

O café Argana era um ponto de encontro da praça Jemaa El Fna, uma passagem obrigatória de todos os roteiros turísticos da cidade agora manchada com sangue que a quem por lá passou só pode chocar pelo nível elevado do patamar do absurdo, pelo contra senso de acontecer uma tragédia assim num local que desmente todos os argumentos com os quais os fundamentalistas recrutam os seus assassinos anónimos.

É uma sensação desconfortável, perceber o golpe que o atentado constitui para aquela terra mais próspera do que muitas em Marrocos precisamente pelas receitas que o turismo lhe traz.

E juntam-se ao nojo a revolta e o desprezo por estes canalhas sem coração que, alegadamente em nome de um Deus que nunca toleraria o assassínio ou mesmo o martírio dos seus fiéis, matam e morrem, sobretudo nestes moldes particularmente desonrosos e cruéis.

 

É que por muito que os cabecilhas terroristas pintem a coisa como uma prova de força para impor pelo medo o respeito que não merecem aos seus alvos ocidentais, esta chacina em concreto visa apenas minar a economia de Marrocos para abrir caminho por entre o desespero das suas gentes até ao poder onde pretendem instalar uma ditadura pior do que as que os povos árabes combatem nesta altura nas ruas com um heroísmo que nunca um cobarde bombista conseguirá exibir perante os outros ou mesmo na memória colectiva dos seus.

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Sexta-feira, 29.04.11

O SHARK FOI À BOLA... (7)

 

photo 003

Foto: Shark

 

- Tou flixado, o Shark trouxe a máquina...

 

publicado por shark às 23:42 | linque da posta | sou todo ouvidos

O SHARK FOI À BOLA... (6)

 

majestoso ésseélebê

Foto: Shark

 

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O SHARK FOI À BOLA... (5)

 

pontapé de canto

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:39 | linque da posta | sou todo ouvidos

O SHARK FOI À BOLA... (4)

 

o bandeirinha

Foto: Shark

 

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O SHARK FOI À BOLA... (3)

 

lisboa e benfica

Foto: Shark

 

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O SHARK FOI À BOLA... (2)

 

inferno da luz

Foto/Imagem: Shark

 

publicado por shark às 23:33 | linque da posta | sou todo ouvidos

O SHARK FOI À BOLA...

 

benfica liga europa

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:31 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE ESTOU ENCANTADO

O mais recente trabalho que a marafilha trouxe para fazer pela disciplina de Área Projecto é construir um blogue.

Agora digam-me como é que eu posso não ficar sensibilizado e agradado com uma Educação que põe os miúdos a fazer coisas assim?

publicado por shark às 21:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA À BENFICA

Ser benfiquista implica uma série de características que se fazem reflectir, por exemplo, nos pormenores requeridos a dirigentes, treinadores e até aos próprios jogadores da equipa para poderem gerar empatia com os seis milhões (mais coisa, menos coisa) de adeptos do maior clube do mundo.

 

O Benfica, mais do que tudo, é um estado de alma. Se o futebol fosse música o Eusébio seria o Amálio Rodrigues, pois quase tudo no Glorioso é fado e o fado é acima de tudo emoção.

O público habitual do Estádio da Luz é um sentimentalão, à medida de um clube capaz de erigir uma estátua ao seu expoente máximo em tempo útil, com o homenageado a poder ver com os seus olhos a imagem do culto no qual os benfiquistas são verdadeiramente insuperáveis.

 

Essa forma de estar dos lampiões, generosos a mimarem os “seus”, os que conseguem ser da casa em tudo o que isso representa, constitui de resto a única característica que consegue superar o nível de exigência encarnada, como se viu pelo entusiasmo moderado pela conquista da terceira Taça da Liga que, para todos os efeitos, é um troféu irrelevante no contexto da mentalidade benfiquista: mais de quarenta anos depois ainda nos sentimos campeões europeus como se tivéssemos ganho a taça no ano que passou…

 

A mística que Jorge Jesus não compreende nem respeita

 

Ou seja, no Benfica é prática corrente apostar de forma sistemática nos meninos de ouro que arrebatam a paixão benfiquista, jogadores raçudos, empenhados, orgulhosos de envergarem a camisola pela qual lhes é exigida uma disponibilidade só comparável à dos gladiadores de um outro império que entretanto se eclipsou.

É essa a forma de estar e por isso jamais um benfiquista a sério poderá aceitar que um lagarto como Jorge Jesus desrespeite os códigos de conduta benfiquista ao ponto de ser óbvia a perda daí resultante em termos de ligação dos adeptos à equipa e mesmo, só isso explica a oscilação no rendimento dos jogadores que mais se identificam com o Benfica à antiga, nos resultados obtidos.

E nesse, o da esmagadora maioria, o que Jorge Jesus tem feito, por exemplo, ao Nuno Gomes constitui uma traição aos tais valores que o clube não dispensa e sem os quais acabará por definhar.

 

Ontem estive na Luz para assistir a esse momento histórico de termos duas equipas portuguesas numa meia-final de uma competição europeia de futebol, algo de impensável alguns anos atrás, mesmo quando Benfica e Porto conseguiam quebrar a hegemonia das mais poderosas nações do mundo do futebol.

O primeiro mau augúrio que me saltou à vista revelou-se quando anunciaram a constituição da equipa e dei pela falta do homem do jogo na mais recente final que a equipa disputou.

Moreira, o guarda-redes que ofereceu talvez o único troféu que o SLB ganhará nesta época desportiva até agora merdosa, não mereceu da parte do treinador o prémio da participação no momento especial que a sua presença no plantel muito ajudou a merecer.

 

Foi mais uma exibição clara do quanto a única relação entre o lagarto Jesus e o grande clube que o contratou é a que deriva da sua postura chunga, sempre do agrado dos adeptos benfiquistas (temos um fraquinho por reguilas, sim, mas menos do que nutrimos por gente com verdadeiro amor à camisola e ao emblema da instituição), e o facto de ter conseguido à rasca um título de campeão nacional (que tem sempre o condão de sensibilizar a multidão benfiquista).

 

O espectro do descalabro

 

Contudo, esse divórcio entre a insensível mesquinhez do falso louro burro (falso na parte do louro) e a generosidade do público benfiquista para com quem exibe em campo a tal alma fadista feita de empenho, de entrega, de autêntica luta por uma causa como a entendemos faz-se sentir no ambiente vivido no interior do Estádio, triste, animado de forma artificial por locutores nos altifalantes, por barulho de luzes que não bastam para iluminar a alma benfiquista, algo que colegas de profissão de Jorge Jesus, como Vilas Boas, no Porto, conseguem interpretar na perfeição, logrando sucessos que derivam da tal mística que fulanos como o actual treinador do Benfica jamais conseguirão inspirar ou sequer entender na sua visão pequenina do que faz um grande clube nacional.

 

Jorge Jesus não tem alcance para perceber o que está em causa, para seguir o exemplo de outro lagarto, um dos poucos ontem em campo que personificam aquilo em que os benfiquistas acreditam. Carlos Martins, tantas vezes deixado de fora pelo treinador do Benfica, era, a par de Luisão, Fábio Coentrão, Javi Garcia e Pablo Aimar, um dos poucos jogadores que jogam à Benfica, movidos pela corrente que se gera na magia da ligação entre adeptos e o seu clube e a sua equipa que querem composta de putos capazes de chorarem por marcarem um golo ao Benfica e de virarem a cara a pequenas fortunas para acabarem a carreira no clube do coração, como Rui Costa.

 

E é por isso que muitos benfiquistas como eu, sabedores do esmagamento por parte do FCP a uma das melhores equipas do futebol do país campeão mundial, não conseguiram evitar olhar para a vitória escassa sobre o Braga como, às tantas, uma oportunidade de não passarmos à final e assim se evitar, num confronto directo com exposição a nível mundial, a repetição das humilhações já sofridas ao longo de mais uma época que só não será para esquecer se acontecer um milagre daqueles de que só Jesus, o Outro, seria capaz.

publicado por shark às 11:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Quinta-feira, 28.04.11

FLOWER POWER

 

muito papoilas

Foto: Shark

 

publicado por shark às 17:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA NA VITÓRIA POSSÍVEL

A velha senhora, mulher de princípios rigorosos e convicções firmes, jamais cedeu a qualquer tipo de tentação, a qualquer espécie de hesitação perante o seu sonho de encontrar um príncipe encantado capaz de lhe garantir a exclusividade absoluta de que jamais abdicaria.

E a vida foi avançando e a senhora foi envelhecendo sem desistir da sua pretensão, preferindo a solidão a qualquer espécie de remedeio que lhe violasse os rigorosos princípios e firmes convicções que a norteavam, desdenhando como inferiores todos e quaisquer amores que não respeitassem o seu conjunto de normas, a sua utopia que acarinhava com a mesma fé e as mesmas hipóteses estatísticas de um dia ver premiada a sua chave fixa do euromilhões.

Mas o tempo foi passando e a velha senhora foi esperando o surgimento no horizonte de um homem montes de diferente, montado no seu brioso corcel, que a levasse mais o seu animal de companhia para um palácio de fantasia onde o homem da sua vida dedicaria as vinte e quatro horas do dia ao culto exclusivo daquela mulher, incapaz sequer de fixar o olhar noutra que fosse a passar.

 

Passou sim, o tempo, e a senhora viu esgotarem-se as hipóteses de conceber um filho mas continuou à espera, olhos bem abertos para topar os chicos-espertos que tentassem enganá-la com falsos compromissos que certamente violariam, gentinha, conspurcando os ideais da senhora velhinha que um dia, sentada numa cadeira à espera do eleito, acabou por morrer sozinha com uma dor que lhe deu no peito mas orgulhosa do seu percurso tenaz que a provaria capaz da maior coerência, de enorme resistência que sabia ninguém lhe vergaria nem a tiro.

 

E era nisso que pensava enquanto exalava o seu último suspiro.

publicado por shark às 11:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quarta-feira, 27.04.11

HISTÓRIA BREVE DE UM GAJO QUE, DIZIAM, FALAVA DEMAIS

Viu que ele sabia do que falava quando o ouviu afirmar que o silêncio, se fosse visível, não passaria de uma sombra negra no meio da escuridão.

Por isso falava tanto, dizia, sempre na esperança de que as palavras pudessem funcionar como tochas, que lograssem clarear todos os recantos onde o silêncio pudesse esconder os seus segredos, o preto do vazio nos espaços em branco onde congeminava os equívocos inevitáveis da interpretação de textos cortados, de trechos censurados que o silêncio aproveitava para substituir por palpites, por meras suposições.

Ele falava dos enganos que o silêncio fabricava, aproveitando a cegueira de quem se deixava tentar pela mudez. Como surdos, no meio de uma caverna onde os morcegos pendurados eram pontos de interrogação disfarçados, vagueavam ignorantes das coisas que não podiam saber porque alguém as não queria dizer e o oportunista aproveitava essas lacunas como sustento para os seus filhotes de dúvida que a confiança abalada paria sem querer.

Ele falava do que ficava por dizer como bordas de um precipício, como armadilhas camufladas para as palavras silenciadas que se transformavam em monstros horrendos quando lhes era impossível converterem-se em som na melodia de uma voz, privadas de esclarecimento, privadas de luz.

Nunca se calava, mesmo sabendo que penava depois com o excesso de iluminação sobre verdades incómodas, os melhores panos manchados pelas nódoas de culpas confessadas e, utopia, pensava que isso lhe garantiria o perdão.

A realidade dizia-lhe que não, transformados os amigos de outrora em desertores depois de o ouvirem falar de amores que consideravam proibidos, relatos que preferiam escondidos nas trevas que o silêncio oferecia, piedoso, salvaguardada a lógica que esclarecia que uma mentira não equivale a uma omissão, sendo feio mentir, e as palavras por dizer nem conheciam a luz do dia e a mentira assim não existia e era-lhes mais fácil viver assim.

Ele falava sem parar, para a maioria eram monólogos cansativos, saturava os ouvidos dos outros com a sua arma sonora contra o silêncio de que se afirmava inimigo mortal. Era para ele uma luta entre o bem e o mal e nunca baixava a guarda, não admitia a existência de silêncios comprometedores nem permitia o embaraço de não haver algo para dizer quando houvesse algures um receptor.

A vida só tinha valor quando contada, desaparecia se silenciada sob um falso pretexto qualquer, o medo ou a vergonha, o segredo que se impunha para preservar a imagem pública de alguém. E ele de imediato a referir, olhar perturbado, o facto de só uma imagem existir, a da pessoa real que não conseguia afinal esconder para sempre o desconforto por tal distorção, o suposto branqueamento por omissão que não passava, quando a verdade a desmascarava, de uma versão hipócrita, apenas menos descarada no seu progressivo escurecer.

 

Um dia ele parou de falar. Morreu.

E no alívio dos que o não conseguiram esconder, o seu inferno interior, ficou esclarecido o quanto ele terá merecido um lugar reservado no céu.

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publicado por shark às 19:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Terça-feira, 26.04.11

EU GOSTO DE ANIMAIS

 

vigilância apertada

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

A POSTA QUE O PASSADO JÁ NOS ENSINOU E O PRESENTE EXAMINA

Assistimos, e a coisa arrasta-se há semanas, às imagens de gente abatida a tiro por polícias, exércitos ou mesmo mercenários contratados por poderes contestados pelas respectivas populações.

É hediondo sob qualquer perspectiva e até o mais convertido a qualquer causa deveria enojar-se de qualquer participação directa ou indirecta em tal infâmia.

Quando um líder ordena o uso de força excessiva contra os seus cidadãos comete uma traição à sua Pátria, para além de incorrer precisamente naquilo que qualquer sistema democrático pretende impedir, o abuso de poder que só é possível quando um povo confia aos seus governantes o livre arbítrio na escolha de como proceder quando, por exemplo, um número significativo de pessoas se revolta e sai à rua para manifestar as suas razões.

Esse poder excessivo só se faz sentir quando não existe ou simplesmente soçobra a democracia a sério num país e de repente, como se tem visto ao longo da História da Humanidade e se vê agora em directo pelos canais de televisão ou na internet, as populações vêem virar-se contra si os meios adquiridos sob o pretexto de manter a ordem e preservar a soberania. Se para invocar este último os tiranos necessitam de uma ameaça externa, um inimigo forjado ou mesmo real, para o primeiro existe a necessidade de regras elementares de contenção e de poderes efectivos para contrariar eventuais excessos na respectiva interpretação.

 

Ou seja, os povos que agora morrem pela mudança foram os mesmos que se deixaram embalar no canto de sereias maquiavélicas e ignoraram a emergência da democracia como único entrave a este tipo de situações.

E é precisamente a democracia que muitos no nosso lado burguês da questão, este hemisfério norte à beira de uma convulsão por contágio facilitado pelos efeitos de uma crise financeira sem final previsto, contestam agora enquanto culpada de todos os males de que a incompetência de muitos, a ganância de uns quantos e o oportunismo de alguns saem incólumes por via do branqueamento mediático das suas (más) acções.

O passo seguinte deste meu raciocínio é simples.

 

A manter-se este ritmo crescente de abandono dos mecanismos da democracia ao nosso dispor, abstenção crescente e similares, descrédito permanente das classes políticas e dos próprios órgãos do poder e outras cavadelas na sepultura onde onde um dia a nossa liberdade irá jazer, o caminho ficará escancarado para os espertos, os carismáticos, os populistas, os extremistas que angariam apoio popular pelo timbre mais grosso na postura e no discurso, potenciais ditadores daqueles que o passado provou exímios na manipulação da própria democracia enquanto trampolim.

Aconteceu no passado, no nosso passado, e no de muitas outras gentes incapazes de discernirem a tempo dos custos elevados, dos riscos exagerados que corremos quando desertamos ou enfraquecemos a difícil construção de um regime decente com um sistema funcional.

 

Os povos que agora morrem pela mudança foram os mesmos que não levaram a sério a hipótese de um futuro com as contas trocadas, os mesmos que sempre partiram do princípio de que o bom senso ou, no mínimo, um pouco de decência por parte dos seus líderes e respectivos séquitos de acólitos bastaria para manter as coisas tranquilas e se evitar sempre o pior.

Portugal ainda é um membro de pleno direito da União Europeia, mas encontra-se refém de uma decisão a tomar por outra nação, a Finlândia, que pode, há quem o afirme, empurrar-nos para a bancarrota e para todas as consequências a nível social que isso implica. Para cenários caóticos como os vividos pelos gregos mas com a situação económica sob a alçada desta Europa egoísta e ingrata que nos pode deixar cair, coisa impensável não muito tempo atrás e aparentemente impossível de se verificar perante idêntico problema em Estados-Membro com mais relevância económica ou apenas com mercados maiores e mais apetecíveis do que o português.

 

Perante a simples, e espero que remota, possibilidade de nos entregarem à nossa sorte no vórtice do furacão tudo passa a ser possível no contexto de degradação da imagem dos diversos poderes em quem deveríamos confiar para combatermos o que de mau aí venha. Tudo passa a ser possível, aumentando de forma exponencial o risco de coisa séria na inversa proporção da perda efectiva de credibilidade e, por inerência, de autoridade dos escolhidos para nos conduzirem por tal breu.

Isto não é ficção, as lições da História, da nossa História, estão aí para o provar.

 

E olhando o exemplo dos outros, os que vivem (e morrem) agora no caos de autênticas guerras civis que a falta de uma democracia sólida declarou e analisando bem as escolhas dos países mais poderosos quanto aos palcos da sua intervenção, não vejo no horizonte, em caso de bronca da grossa, alguém interessado em nos deitar a mão.

publicado por shark às 21:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

FOLEIRO, PÁ!

Eventualmente baralhado com as mixórdias virtuais modernas, o deputado José Lello foi apanhado com a boca na botija de um email que alegadamente foi parar sem querer ao Facebook.

A ideia, diz ele, era enviar o desabafo por email a um colega deputado, numa figurinha de despeitado que não fica bem, queixando-se de o Presidente da República ter sido foleiro por não convidar a rapaziada do hemiciclo para a festarola da praxe em Belém. 

Claro que o episódio pateta seria hilariante se não fosse patético por definição, tanto no pretexto como na trapalhada da respectiva publicação.

Contudo, parece-me que com a designação de foleiro o deputado Lello só acertou na terminação e ao menos se tinha que passar pelo embaraço que fosse por uma coisa a sério, como gamar o equipamento a jornalistas ou inventar umas escutas maradas que depois caem em águas de bacalhau.

 

Ou por chamar o outro por um nome mais porreiro no rigor, mais consentâneo com o respectivo perfil.

publicado por shark às 17:31 | linque da posta | sou todo ouvidos

DA AMIZADE COMPILADA (take 2)

Numa das postas de ressuscitação do Cabra de Serviço, onde continuo a fazer uma perninha (neste caso de cabrito), a Peixa (que tem por nick Mente Quase Perigosa, lapidar) abordou uma questão sensível para a maioria: o sexo entre a malta amiga.

Sim, o assunto é quase perigoso. Nem que seja pela hipótese de uma pessoa por-se a pensar: é pá, realmente nunca tinha equacionado essa possibilidade nem sob o prisma do potencial em matéria de rentabilização dos recursos e isto com o país mergulhado numa crise, enfim…

A delicadeza da matéria é tanta que se soma dois mais dois logo a partir da associação de ideias criadas pela sabedoria popular: a ocasião faz o ladrão e os amigos são para as ocasiões. E isto à partida inspira o receio de estarmos perante uma ilegalidade, deve ser proibido misturar a amizade com a (ou mesmo na) cama. 

 

Mas não, o legislador nunca sentiu necessário registar fosse o que fosse por escrito e por isso o sexo entre amigos, na esmagadora maioria dos casos, não pode levar as pessoas à prisão.

Contudo, esse não é o raciocínio da Peixa cuja mente quase rigorosa resvala perigosamente para a generalização. De acordo com a sua impressão a respeito de um acrescento colorido a uma amizade transparente esta não é apenas corante nos rostos ofegantes da malta amiga que truncha!, deixa corados os amigos com pila pelo simples temor de por ser com uma amiga terem depois de casar com ela.

E isso sim, constitui motivo para uma apreciável aflição.

 

Uma das regras mais ou menos implícitas nas amizades entre pessoas do sexo oposto parece ser precisamente a ausência de sexo. Ao que sei, diz que tem a ver com o facto de depois de acontecer as amizades ficarem inquinadas por alguma razão.

E a Peixa, com a sua mente quase generosa, oferece-nos uma explicação e essa em nada beneficia os meus homólogos na questão. Diz ela, e passo a citar, que no momento em que qualquer homem enfia a pila numa gaja ele faz tábua rasa de tudo o que aconteceu antes e ela passa a ser a “mulherzinha” (…) que está à espera que ele diga que a ama.

Escusado será dizer que com o seu amigo tubarão teria que esperar sentada, ou mesmo deitada caso ficasse sem forças para se levantar.

 

Existe de facto uma diferença clara entre amar e a intenção de repetir a dose se a coisa até correu bem. Um gajo, na excitação do momento, até lhe pode sair um não pares agora meu amor ou um ai que te amo tanto ó Rita (que até pode nem ser o nome da amiga em apreço). Mas não vale a pena alimentarem fantasias, pois os príncipes só são encantados enquanto não lhes murcha o entusiasmo e depois aterram na borda da cama plebeus e só os preocupa a check list do vestuário para se certificarem que não deixam para trás uma peúga ou assim.

 

E é aqui que se torna óbvio o facto de para um gajo normal não fazer sentido qualquer tipo de prurido quanto ao bonito gesto de amizade que constitui a disponibilização da própria pila como suporte para uma amiga momentaneamente desamparada, ou vice-versa (se forem as calças do amigo a já quase não resistirem a tanta pressão interior). Ou apenas porque a coisa, às vezes acontece, até se proporcionou no meio de umas larachas, de umas imperiais e de um pires de caracóis que os casais amigos igualmente partilham.

 

Por isso até posso aceitar as conclusões da Peixa, com a sua mente quase poderosa, mas apenas quando aplicadas no âmbito de uma experiência em concreto e jamais com o estigma da generalização que soa imenso a injustiça.

Nem a minha amizade por ela, fresca e desinibida e coiso que deixa tanta margem de manobra, me permite aceitar tal carapuça.

publicado por shark às 14:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)

FLOWER POWER

 

grafiti flower power

Foto: Shark

 

publicado por shark às 00:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 25.04.11

NESSE DIA

Nesse dia gritaste tudo aquilo que silenciaste por ti e pelos teus, dividido que andavas entre a liberdade que ansiavas e o medo de deitares quase tudo a perder.

Nesse dia foste para a rua apoiar aqueles que te quiseram libertar da escuridão de uma mente sob a escravidão das ideias impostas, dos conceitos fascistas que a tua inteligência renegava e a tua consciência pesava por saberes de outros, clandestinos, que sofriam e lutavam por aquilo em que acreditavam, parecia que perdiam mas ganhavam, aos poucos, uma revolução pela calada, armavam na sombra uma emboscada aos tiranos opressores, aos pides e outros horrores como a guerra que não servia a ninguém.

Nesse dia acreditaste na vitória do mal sobre o bem e juntaste a tua voz à do povo unido na rua, a luta continua e viva o MFA, e verteste lágrimas na calçada que assassinos deixaram manchada de sangue dos que agora sentias como heróis.

Nesse dia beijaste uma espingarda que uma criança tornou florida com o cravo da Revolução, a beleza da multidão desarmada que oferecia a vida na calçada se as armas antigas disparassem sobre as gentes para que calassem de novo a sua vontade de conquistar a liberdade adiada.

 

Nesse dia juraste no meio da estrada que ontem jamais se repetiria e os filhos que o teu teria poderiam crescer sem o medo que te obrigou a calar as palavras proibidas, a abandonar as ideias banidas que serás livre de defender pelo voto que falará por ti hoje nas eleições.

E assim abres o caminho para poderem falar por si mesmos depois.

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publicado por shark às 20:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Domingo, 24.04.11

NA VÉSPERA

Na véspera abafavas o que dentro de ti gritavas, palavras proibidas, liberdade e outras heresias.

Na véspera ainda não sabias que o medo por ti sentido era, em segredo, derrotado pela união de forças armadas ao poder das vozes caladas que na rua se fariam, por fim, ouvir.

Na véspera restava-te sentir a consciência amarrada no calabouço da impotência revoltada a que te condenava a opressão. Definhava nessa prisão a tua lucidez porque te sabias capaz de pensar demais acerca dos temas tabu, de expor as verdades a nu perante o despudor da tua mente à solta que encontrava na boca as grades da gaiola onde esbarravam vezes sem conta as palavras proibidas, democracia e outras foragidas da Pátria que te obrigavam a amar sem poderes contestar aquilo que sentias como um mal que nessa véspera apenas sonhavas poder acabar amanhã.

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publicado por shark às 23:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

lisbon sightseeing

Foto: Shark

 

publicado por shark às 16:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 23.04.11

NO TEU OLHAR O FUTURO NÃO SORRI

Concentra esse olhar assustado naquele sonho em voo planado que deixaste fugir algures num tempo em que não agarravas a vida que querias porque achavas que não podias, proibida por ti a passagem, cruzar a linha numa curta viagem para outro lado que sabes hoje seria o teu.

Sabes que deves parar esse constante deambular da atenção pelas miragens que ofereces ao coração como placebos, essas paragens ao longo de um caminho que percorres sem saberes onde te levará mas igualmente sem duvidares que em cada cama que desfizeres sem acarinhares a emoção deitarás contigo a solidão, a tempestade depois da bonança aparente que te ilude mais uns passos na sensação fugaz dos abraços que não voltas a repetir porque tendes sempre a fugir, algures num momento em que largas a vida que querias porque achas que devias ser outra coisa qualquer e no fundo nem sabes hoje como deveria ser.

Sabes apenas que querias melhor e não tiveste.

 

E eu sei que quando o amor te procurou não o quiseste.  

publicado por shark às 17:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (24)

PORQUE BRILHAM AS ESTELAS

De vez em quando surge em cena uma nova vedeta mediática, gente de quem poucos ouviram falar e de repente ei-las que surgem em tudo quanto é meio da Comunicação Social.

Na maioria dos casos nem percebemos o porquê destes adventos súbitos de populares fabricados pelos promotores do liceu, amigalhaços ou simples oportunistas sedentos de atenção para tudo quanto possa transmitir a mensagem que melhor serve os seus propósitos.

A senhora em causa não possui qualquer factor de destaque de suma relevância, calhou apenas ter sido nomeada conselheira do FMI numa altura em que o FMI faz de pasta medicinal couto para as bocas de toda a gente interessada em achincalhar Portugal, divulgando-o ao mundo como uma terra sem lei ou salvação. Ficou ainda mais na moda do que o havia conseguido no jet set de onde beberá a sua extraordinária compreensão dos problemas do país real que nunca pisou.

Seja como for, e porque dá um jeitão saber aproveitar a gula das figuronas pela projecção mediática quando possuem o discurso certo para a colecção a lançar, os fazedores de modas conseguiram mais uma vez atrair os holofotes com o seu faro de perdigueiros para modelos a seguir.

 

Há uma nova Estela na constelação de canes venatici.

publicado por shark às 14:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

máquina do tempo

Foto: Shark

 

publicado por shark às 00:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sexta-feira, 22.04.11

A POSTA QUE HÁ CADA VEZ MAIS HISTÓRIAS POR CONTAR

Está na natureza humana gostar de histórias. Tribos inteiras reuniam-se em torno de uma fogueira para ouvirem os seus anciãos nas narrativas de coisas acontecidas ou, tanto fazia, de ficções nascidas do acrescento de um ponto ao conto contado pelos pais dos seus avós.

Os melhores contadores de histórias garantiam um lugar de destaque nos tempos de lazer, eram protagonistas dos filmes que projectavam nas imaginações daqueles que entretinham, ora choravam, ora sorriam, com histórias de gente que podiam ser pássaros disfarçados ou deuses traquinas que desciam ao mundo real para matarem o tédio de uma eternidade nos céus.

 

As estrelas e a lua, fascinantes e misteriosas, cobriam o horizonte visual por detrás das imagens que os espectadores criavam na tela escura da noite, caçadores trapalhões que fugiam, eles as presas, da sua caça que os apanhava a jeito agachados nas suas precisões, feiticeiros poderosos que transformavam os inimigos em insectos rastejantes, mulheres bonitas que conduziam tribos inteiras a guerras sem quartel, vidas contadas ou apenas inventadas pelas mentes dos contadores das histórias que divertiam os outros e lhes transmitiam saberes, as suas morais, que os ensinavam a respeitar o que mais valia e a temer ameaças que nunca haviam enfrentado até então.

 

As histórias propagadas pela voz profunda de um ancião a cada um dos seus sucessores, os futuros transmissores do registo possível de vidas a acontecerem num mundo tantas vezes hostil, mas quase sempre generoso nas oferendas de coisas que alimentam as vidas.

Como as histórias, preciosas, que distraíam os homens das suas preocupações diárias com a sua sobrevivência e a dos seus, que lhes abriam as portas dos céus com as memórias de antepassados que dessa forma não eram esquecidos ou a lembrança de filhos perdidos sob os rigores de um inverno mais duro ou numa armadilha montada por uma tribo rival.

Os mais jovens, sedentos de diversão, ouviam as histórias com mais atenção porque delas sorviam aos poucos tudo aquilo que lhes poderia valer ao longo do caminho pela existência forrada a pontos de interrogação tão numerosos como as estrelas no céu que não sabiam explicar mas existiam porque os seus olhos as viam como aos rostos enrugados e aos sorrisos desdentados dos velhos que imitavam os búfalos que atacavam os caçadores desatentos ou abriam os braços como asas dos falcões que diziam transportarem as almas de heróis que sobrevoavam os campos de batalhas vencidas ou de derrotas sofridas ou apenas para poderem rever as suas amadas depois de a morte os levar para o outro mundo que não lhes permitia falar para contarem as suas histórias, enriquecidas ao sabor da passagem do tempo com as impressões mais marcantes ou as informações mais importantes que os mais sábios ou os mais espertos precisavam divulgar.

 

Sim, está na natureza humana esta sede de contar e de conhecer as histórias que continuam a exercitar a imaginação ou a perpetuar uma tradição mais teimosa, capaz de resistir à influência perniciosa do progresso sobre os hábitos antigos e os detalhes que não se querem esquecidos das origens que se queiram respeitar ou apenas porque não se podem perder rastos da passagem do tempo, sabedoria, que desvendam os caminhos do futuro nas entrelinhas das histórias de ficção que já não se desenham no céu estrelado mas ganham vida nas páginas irrequietas de um velho livro agitado pelo vento num jardim descrito numa história de amor ou mesmo por detrás do reflexo romântico da lua destacada pelo olhar por entre o brilho das palavras escritas num moderno monitor.

publicado por shark às 14:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

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