Quinta-feira, 31.03.11

QUEM QUER SER MILIONÁRIO/A? É AGORA, MALTA!

Finalmente está a chegar a crise a sério, com os cámónes invejosos das agências de rating a cortarem no que podem (sim, isto tá tudo ligado), despeitados, e os políticos portugueses demasiado distraídos com o apuramento de culpas e de responsabilidades para acordarem a tempo de evitar o pior.

O pior? Isso pensam eles, os pessimistas.

 

Perguntem a qualquer excêntrico que nunca tenha precisado de apostar no Euromilhões para garantir o estatuto se a sua fortuna nasceu no meio de um clima de prosperidade.

Dizem-vos de imediato que não, que se fartaram de penar em pequeninos, uma crise do caneco, mas acabaram por subir a pulso e hoje olham para a crise com enorme indiferença porque só lhes toca de raspão em meia dúzia de investimentos na Pampilhosa ou nas Berlengas cujas perdas recuperam pelo retorno das Ilhas Caimão.

 

É verdade, a crise, esse papão que deixa petrificada a maioria de nós perante o susto de um saldo de conta insuficiente para a prestação do carro e logo a seguir a da casa, para não falar dos que nem têm onde ir buscar o suficiente para a conta da mercearia, constitui um mar, um tsunami de oportunidades para os/as mais atentos/as.

No fundo, é só assumir uma postura de contra-ciclo, remando contra a maré que arrasta em sentido oposto os destroços dos náufragos que basta a pessoa ir recolhendo a custo reduzido, quase de borla, para depois atacar a retoma com as mais-valias dessas compras em saldo.

 

Claro que nesta altura dirão: “e com que instrumento (dinheiro) vamos nós recolher esses dividendos potenciais da desgraça dos outros hoje que nos irá enriquecer amanhã?”.

Ora, isso é uma argumentação pela negativa (pela interrogativa, vá…) daquelas que o nosso actual Governo tem desmentido com veemência e ninguém acredita.

Está tudo sob controlo, não há nadinha, e se acabarem por nos baixar a cotação até ao nível do lixo é só arregaçarmos as mangas e decidirmos se optamos pela co-incineração ou pela reciclagem da coisa e mostrarmos aos lá de fora que nos andam a dar cabo do canastro com quantos paus se faz uma canoa!

 

Perguntarão vocês nesta altura: “uma canoa? Mas isso não implica o risco de naufrágio de que falávamos mais acima, acabando por nos tornarmos nos destroços que outros recolherão?”

E lá estão vocês a pensarem o pior. Nós vivemos num país de vanguarda, a caminho da auto-suficiência energética, com o melhor treinador do mundo, o melhor futebolista do mundo, o melhor arquitecto do mundo e até podíamos ter o melhor engenheiro do mundo se uns malandros não tivessem levantado suspeitas que nos fez ver mais esse título por um canudo. E só em unidades do Magalhães para guisar temos o suficiente para ninguém passar fome (convém acompanhar com umas batatinhas ou assim) durante uns meses!

 

Pensamento positivo, malta! Já cá andamos há oito séculos a sacar o guito aos outros para o esturricarmos depois numa orgia consumista, onde é que está a novidade?

Ainda vamos agradecer um dia à oposição esta crise política que nos empurra para o fundo e obriga os outros a intervirem com o seu pilim que o tio Sócrates, esperto o gajo, desdenha para eles quererem comprar. Depois é só arranjarmos maneira de os endrominarmos, fazendo como com o dinheiro da CEE, dando-lhe sumiço em bens de primeira necessidade como carros de luxo e assim, e a vida continua!

Claro que no meio disto tudo vai haver uns quantos chorões a carpirem os empregos que perderam ou as reformas que encolheram.

Mas é aí que entram os gajos que aproveitam para despacharem à grande o stock de lenços em armazém…

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publicado por shark às 10:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 30.03.11

ALVORADA EMBACIADA

 

alvorada embaciada

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 20:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 29.03.11

A POSTA AGRADECIDA

Tempos atrás, quando foi divulgado o estudo rigoroso que concluía serem as mulheres portuguesas as europeias mais satisfeitas do ponto de vista sexual, assisti a um festival de cepticismo a que nem os meus homólogos conseguiram escapar.

Era mentira, era exagero, era engano. Era tudo o que pudesse desmentir tal pressuposto, embora baste circular pelas ruas de uma Lisboa e de uma Bruxelas, por exemplo, para dar de caras com o desnível no número de expressões típicas de mal fodidas.

 

Se um inquérito não é documento, um mapa também não será. E o tamanho é generosamente descredibilizado pela maioria nessa condição.

No entanto, somam-se os indicadores da supremacia lusitana em matéria de qualidade dos seus machos e agora começam a surgir também no que concerne à quantidade, conduzindo à evidência que arrasta multidões de gajas com bronze-lagosta e sotaque nórdico às delícias da época balnear portuga.

 

Os homens portugueses são mesmo os melhores e isso não oferece discussão. Mas por onde passa, para lá do desempenho do equipamento e do calibre da instrumentação, essa primazia sobre os pilas de todo o planeta?

Nisso abraço um raciocínio darwiniano e, em rigorosa excepção, até abdico em boa medida da minha prezada meritocracia:

Como qualquer ser vivo na Terra, os homens evoluem em função da combinação genética bem sucedida (uns centímetros de vantagem competitiva mais um cérebro a condizer) mas dependem sobremaneira dos estímulos exteriores, do meio ambiente que os rodeia.

E aí entram elas, as melhores da galáxia e isso nem requer estudos ou inquéritos para confirmação, as portuguesas cuja superioridade sobre as restantes fêmeas da espécie é tão arrasadora que desde pequeninos os portugueses buscam a perfeição para poderem corresponder às expectativas das suas parceiras e, it's a jungle out there, não darem abébias à concorrência além-fronteiras.

 

Portugal, de entre todas as nações descendentes dos símios, tem mulheres que herdaram o suprassumo das suas antepassadas primatas e tornaram-se nas melhores macaconas ainda antes do surgimento do Neandertal. Talvez até ainda antes de nascer o Manoel de Oliveira.

 

E eu, patriota devoto e apreciador inveterado, agradeço ao destino com humildade e alegria a sorte de ter nascido no país certo e de poder assim usufruir das melhores referências para me guindar a uma fama e a um proveito que cerro nos punhos de forma egoísta mas sempre tentarei contrapor como um mãos largas na partilha com elas desses dons que, em última análise, me concederam.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

NIÑA, Paco - La Evolución del macacon - ed. Pilon, 1969

PACOVA, Yurina - Go West - ed. Tovarich, 1989

HOLMES, John - My portuguese greatgrandfathers - ed. Gina, 1974

LOVELACE, Linda - Anything but a portuguese one! - ed. Penis Match Point, 1975

CAMARINHA, Zezé - Guia Michelin das Melhores Quecas - Ed. Mabor, 1980

SAIKARO, Hiroku - Não são assim tão pequenos, as japonesas são umas gueixinhas - Ed. Sayonara, 1998



publicado por shark às 19:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

STANDARD & (VERY) POORS

Por muito que chutem para canto, os responsáveis pela crise política que toda a gente achou inevitável ficarão na História de Portugal como os asnos incapazes de entenderem as regras do jogo financeiro e que, como se comprova, mergulharam o país numa espiral decadente da qual levará anos a sair.

Claro que não há inocentes neste processo de entrega de toda uma Pátria aos poderosos oportunistas que brincam com os destinos de países aproveitando-lhes debilidades que (saberemos um dia?) se calhar até ajudam a criar. Nem boa parte da população, a que culpa os Governos pelas crises que ajudam a provocar com as suas baixas fraudulentas, os seus carimbos dos amigalhaços nos papéis dos Centros de Emprego, as suas cunhas para familiares e amigos medíocres, a economia paralela e a própria ausência de participação activa nos mecanismos da Democracia, pode sacudir a água do capote.

De entre essas fraquezas que servem como pretextos para as agências de rating está, ninguém pode negar e até o PSD invocou esse perigo quando precisou de justificar a aprovação de várias medidas de austeridade do Governo que ajudou a derrubar, precisamente a instabilidade política com todas as incógnitas que esta suscita.

 

E por isso mesmo, numa simples análise de causa/efeito, podemos ficar na dúvida se a estratégia do Executivo de Sócrates nos livraria desta condição de quase lixo nas tabelas.

Mas com toda a certeza saberemos quais os verdadeiros autores da proeza par(a)lamentar que nos afundou.

publicado por shark às 18:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Segunda-feira, 28.03.11

IMPERDOÁVEL

Muitos dos antepassados dos que agora fomentam a tradição machista e de uma barbaridade insuportável foram vítimas da escravatura que o tempo, para bem dos seus herdeiros, erradicou por ser flagrantemente universal o repúdio que causa.

 

Nenhuma tradição selvática, quaisquer que sejam os seus fundamentos, pode sobreviver ao julgamento do tempo e das novas perspectivas que ocupam os espaços negros que a Humanidade criou em matéria de direitos humanos sem olhar a raças, credos ou géneros.

A mutilação genital feminina, que de acordo com uma reportagem da TVI acontece em Portugal, entra no top ten das barbáries antigas que nenhuma ideologia ou argumentação me farão algum dia respeitar.

 

É atroz, é inexplicável, é demolidor de qualquer tolerância que queiramos congregar em torno de (mais) um crime medieval praticado nos nossos dias sob as mais imbecis explicações. Porque não existe explicação alguma para um comportamento tão descaradamente obsceno nos seus contornos.

Não há complacência, não existe compreensão, não se admite brandura perante o que podem chamar cultura mas não passa de algo tão hediondo como qualquer forma de tortura imposta a alguém.

 

O meu poder de encaixe não basta para aceitar a mera hipótese de uma coisa destas poder acontecer no meu país, embora uma violência tão cobarde não tenha fronteiras.

 

E nada no código penal português abaixo da pena máxima deveria punir, sem clemência ou atenuantes, uma atrocidade assim.

publicado por shark às 21:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

CHECA O TOM

 

cores de praga

Foto: Shark

 

publicado por shark às 17:25 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 27.03.11

A POSTA QUE MAIS VALE PARECÊ-LO

O prof Marcelo acaba de afirmar, com imensa convicção, que José Sócrates não constitui um problema enquanto pessoa mas enquanto estilo.

Ou seja, não está em causa o que é ou do que se mostra capaz (o conteúdo) mas a forma como faz as coisas.

Como exemplo cita o comportamento do Primeiro-Ministro durante a votação do PEC4, desprovido da humildade democrática que o célebre comentador televisivo e antigo líder laranja considera indispensável numa governação sem maioria.

Quer isto dizer que José Sócrates não seria um problema se soubesse bater a bola baixinha, falinhas mansas e paninhos quentes, para que os restantes partidos e seus figurões pudessem assumir o típico paternalismo portuga e não tivessem que se sentir, em simultâneo, desprovidos de poder e reduzidos à insignificância por comparação.

 

A política baralha-me, sobretudo a comentada por estes pseudo-dissidentes dos principais partidos em cena.

É que fica sempre a ideia de que as decisões relevantes para o país dependem de coisas tão pueris como as birras e as embirrações dos notáveis.

E isso, num contexto de lideranças dominadas por pessoas que inspiram tudo menos confiança em matéria de sentido de Estado, permite perceber o quanto estamos entalados por termos os destinos confiados a gente que pondera decisões em função de feitios, de reacções, chamemos-lhes estilos, em lugar de terem em conta a capacidade dos governantes para as ponderarem com base no que verdadeiramente conta.

publicado por shark às 21:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

LEÕES SELVÁTICOS INSTALAM UM AMBIENTE DO CARVALHO

Eu ainda sou do tempo em que o Sporting tinha como marca o estatuto de clube da elite, adquirido em boa medida pela atitude de sócios, dirigentes e adeptos que faziam questão de se distinguirem por um comportamento exemplar em comparação com os dos seus mais importantes rivais.

No Sporting orgulhavam-se de saberem perder, contra os outros ou entre si.

Mas depois do que ao longo desta madrugada aconteceu em Alvalade, na ressaca de uma eleição decisiva e muito disputada, com um clima violento, de suspeição, de desrespeito pelas regras mais elementares do bom senso, similar ao vivido em exemplos recentes de nações do chamado Terceiro Mundo em clima eleitoral, dificilmente o clube recuperará o estatuto que lhe enchia o estádio mesmo em tempos difíceis e, nesse particular, qualquer que seja o desfecho da bagunça instalada, o reino do leão nunca sairá vencedor.

 

Se o pior que poderia acontecer ao Sporting, pensava-se, era a vitória de Bruno Carvalho, o preferido das claques (como esta noite ficou bem vincado), a confusão em torno dos resultados que teve como consequência imediata uma calinada monumental do jornal O Jogo que anuncia em primeira página um vencedor afinal derrotado, deixa o clube num cenário propício para a instalação do caos que menos o serviria nesta fase delicada da sua história.

O futuro da instituição, agora confiada a uma liderança representativa de cerca de um terço dos votantes e derrotada na eleição do seu candidato Rogério Alves (o rosto mais fiel da baralhada leonina numa madrugada digna de um clube de bairro), não se afigura de feição para qualquer previsão mais optimista.

O Sporting, a quem a terceira eleição mais concorrida do seu historial deveria solucionar o maior dos seus problemas, vê-se agora a braços com uma crise financeira mãos dadas com uma outra, chamemos-lhe política, que o deixa numa situação parecida com a do país.

 

E isso levanta-me uma questão curiosa: quantos dos mais de 14 mil votantes nas eleições do Sporting irão às urnas quando estiver em causa o futuro de Portugal?

publicado por shark às 12:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Sábado, 26.03.11

CASINHA DE CAMPO

 

casinha de campo

Foto: Shark

publicado por shark às 12:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sexta-feira, 25.03.11

A DOIS TEMPOS

Devagar.

A mão que segue o olhar, suave sobre a pele a deslizar sensações, a despertar emoções tão belas mas adormecidas.
Sem pressa.
À espera que apeteça algo mais ainda, a estudar, e a outra mão a agarrar com mais firmeza, conhecedora, alardeando a certeza de quem conhece o caminho, outros desbravou, a mão que agarrou e agora convoca a outra para a acompanhar numa dança e o ritmo marcado pela confiança na interpretação dos sinais, queres muito, queres mais, e o olhar aquecido pelo reflexo do prazer num rosto de mulher, as unhas cravadas no chão, a mudança da expressão para melhor, ainda mais bonita, o corpo que se agita e os olhares trocados na hora de procurar outro passo por dar na viagem, apreciando a paisagem com o olhar que segue o movimento da boca que fala sem nexo no delírio do sexo que parece ideal, perfeito naquele momento, guardado para sempre no tempo que a memória existir, entrelaçados os corpos que anseiam repetir o que nem pára sequer.
Um homem e uma mulher.
Devagar.
Ou mais depressa, a seguir a um longo beijo.
Tanto faz...
 
Se nos olhos se espelhar o desejo de que aconteça outra vez.
publicado por shark às 23:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA NOS DEJECTOS À VISTA DESARMADA

O assunto é tão melindroso e fétido que uma pessoa até hesita em pegar-lhe pelo medo do contágio que estas coisas parecem acarretar, tantos os maus exemplos que se vão descobrindo quando se zangam as comadres ou simplesmente quando alguém cai em si na verdadeira dimensão destes golpes baixos que não só conspurcam um sistema democrático como, pedaço por pedaço, o desacreditam aos olhos da população e acrescentam à abstenção mais uns trocos que já reduzem os votantes habituais a menos de metade, numa queda livre da participação democrática que estes capítulos vergonhosos ajudam a acelerar.

 

Se há coisa que exigimos tanto aos políticos como aos jornalistas é uma ética irrepreensível. Tudo o que fique abaixo disso constitui uma brecha potencial por onde se infecta um sistema que (sobre)vive da confiança nele depositada.

Além disso, essas fissuras personificadas pela falta de rigor de uns e de carácter de outros tendem a alastrar com base nas teias de cumplicidades inevitáveis e de silêncios imperdoáveis nos quais a Comunicação Social não pode reclamar inocência.

 

O exemplo que o Valupi publica hoje no Aspirina é irrelevante no que concerne à sua origem, a baixeza inerente sujaria aos olhos de qualquer pessoa de bem os respectivos intervenientes, activos ou passivos, qualquer que fosse a respectiva cor partidária.

Contudo, não é tão irrelevante no que respeita à exposição clara de uma acção concertada de desacreditação de um homem para nele destruírem o candidato político.

Perante factos não há argumentos e ninguém tente agora desmistificar a ideia de que José Sócrates tem sido o alvo permanente da conjugação de esforços entre os seus oponentes e uma classe de jornalistas que começa a bater tão no fundo em termos de imagem como a classe política a quem amplifica estas atoardas.

 

Se aos políticos capazes de descerem tão baixo na ânsia pelo poder chamo crápulas com as letras todas, aos jornalistas que lhes dão voz acrescento-lhes lorpas e por mim nem uma letra poderiam voltar a escrever depois de identificados na sua condição de porta-vozes deste esterco partidário sem cor.

Ou melhor, sempre com a mesma cor: a daquilo que não queremos pisar sem querer quando circulamos nas ruas.

publicado por shark às 12:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

DE PRATA

 

brilhos de mar

 Foto: Shark

 

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publicado por shark às 10:36 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 24.03.11

CÓLICA RENAL FOR DUMMIES

Neste preciso momento estou a tentar evitar a que, a confirmar-se, será a minha décima segunda cólica renal em cerca de 15 anos.

Diz quem já deu à luz e experimentou uma cólica renal que esta última bate a primeira aos pontos em matéria de dor, algo que, naturalmente, não posso confirmar.

Mas acredito que sim, ou dá-me a sensação de que a taxa de natalidade baixaria a pique (a menos que a epidural se tornasse obrigatória...).

 

Este é um tema desagradável para uma posta. Ninguém convive com a dor de forma pacífica, bem como com os sintomas que a prenunciam.

De resto, mais do que partilhar seja com quem for esta minha relativa ansiedade por estarem reunidas todas as condições para o ritual da ida ao CUF Descobertas para levar um shot de anestésico e fazer um tac ou uma ecografia, duas ou três horas de estadia, quero acima de tudo disponibilizar informação para quem, como aconteceu comigo, possa ser um dia apanhado/a de surpresa por um tipo de dor diferente de todas as que já sentiu e apanhe um cagaço sério.

E o pânico em nada ajuda a controlar a situação em causa.

 

As cólicas renais são provocadas por aquilo a que comummente chamamos de pedra nos rins e os médicos preferem apelidar de cálculos ou areias.

Existem vários tipos de cálculos mas, como é normal, procurei informar-me acerca do meu em particular.

E aqui entro na primeira questão muito terra a terra capaz de melindrar as pessoas (com pila) mais susceptíveis: a coisa acaba por sair do corpo e só tem um caminho possível. Quem tem o azar de lhe tocar um calhau dos maiorzitos e mais rígidos pode acrescentar à dor no rim uma outra nada apetecível. Não preciso de entrar em pormenores...

Para descobrirmos de qual se trata para podermos evitá-lo no futuro há que arranjar forma de apanhar o primeiro que calhe em caminho, para posterior análise.

Sim, também aqui deixo a coisa ao livre arbítrio de quem se vir em tais propósitos.

A necessidade aguça o engenho, enfim...

 

O meu tipo de cálculo é dos outros, mais areia do que pedra. É provocado pela reacção dos rins a um componente (oxalato) presente de forma significativa em quatro alimentos comuns: espinafres, amendoins, chá preto e... chocolate.

Está bem de ver porque sou já um veterano destas andanças, viciado como sou na melhor substância comestível da galáxia.

A boa notícia é que uma pessoa, depois de identificar o “inimigo”, pode fazer a sua escolha: cortar em absoluto e nunca mais passar pela provação ou, em alternativa, aceitar o preço a pagar e organizar a vida em função desse camartelo que pode tombar a qualquer hora e em qualquer lugar depois de cometido o abuso.

 

Regressando à partilha da experiência com potenciais interessados/as devo referir os sintomas mais comuns, pelo menos os meus e de algumas pessoas com quem troquei bitaites, começam por um mal-estar ao nível do estômago. Pequenas náuseas que depressa podem degenerar no gregório.

Quase em simultâneo, os intestinos costumam assinalar o evento e é quase certo que a coisa acaba (ou começa) no WC.

Outro indicador óbvio é a coloração da urina, que denuncia a carambola dos cálculos na tubagem de uma pessoa, e isso lembra-me de vos avisar para o facto importante de, apesar de ser imperativo o consumo de água em doses industriais no resto do tempo, nem uma gota é recomendável quando estamos a meio de uma crise destas.

 

Nada de líquidos ingeridos durante a coisa 

 

Só há duas coisas a fazer quando percebemos que vêm aí dores literalmente capazes de nos fazerem rebolar pelo chão: tomar um analgésico qualquer para adiar o tormento (comigo resulta o Nolotil) e apontar rapidamente para um Hospital ou uma Clínica. Não vale a pena tentarem suportar a coisa, digo-vos por experiência própria, pois cedo ou tarde a dor acaba por vencer e quanto mais tarde a combaterem mais intensa ela se torna. Por outro lado, existe a possibilidade de se confrontarem com areias das muito grandes (a partir dos seis, sete milímetros, estamos perante calhaus apreciáveis) e que só podem sair por via cirúrgica (a de laser parece ser a única opção, dado o tamanho da incisão quando se recorre à faca propriamente dita – não negligenciem um seguro de saúde se quiserem salvaguardar o voto nessa matéria...) pelo que não é mesmo nada boa ideia a pessoa armar-se em herói e aguentar a cólica sem sair de casa.

 

E pronto, já têm aqui umas dicas que espero não vos sirvam para nada e ao longo do tempo em que escrevi esta posta a coisa até parece estar mais compostinha na minha micro-canalização interior, pelo que sou capaz de me ter safado com a conjugação do Nolotil e de um duche bem quente.

 

Um último conselho: tenham sempre que possível à mão alguém que vos possa acompanhar nestas coisas.

Conduzir no meio de uma cólica é um desafio nada recomendável e chamar uma ambulância por este motivo vai parecer-vos sempre excessivo, além de que cada minuto à espera do transporte transforma-se em, pelo menos, uma hora na nossa mente alucinada pela dor “pontiaguda” que este pincel acarreta.

publicado por shark às 23:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (30)
Quarta-feira, 23.03.11

ERA DE ESPERAR QUE O PEC (DE) 4 NÃO FOSSE APROVADO...

 

A malta prefere o de seis...

pack de 6

 

 

publicado por shark às 20:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

E PRONTO...

O PEC não passou e agora é aguardar uns minutinhos até poderem abrir as garrafas de espumante.

publicado por shark às 20:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

AMBIENTE TENSO NA ASSEMBLEIA

A rapaziada vai votar...

publicado por shark às 19:55 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 22.03.11

EU GOSTO DE PESSOAS

 

livre concorrência

Foto: Shark

 

publicado por shark às 22:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

APAGÃO NA ZONA ORIENTAL AFECTOU ACESSO À INTERNET

Na sequência de um apagão generalizado, até os semáforos pifaram, a internet parece ter ficado meia abananada por estas bandas e não se consegue aceder a blogues alojados no Blogspot ou, de forma mais concreta, a todos quantos não tenham terminação pt.

 

(Adenda: entretanto a coisa já voltou ao normal. Alguém deve ter tido algum curto-circuito na torradeira ou assim...)

publicado por shark às 10:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Segunda-feira, 21.03.11

NAQUELA CADEIRA

Sentado na cadeira que comprara numa feira quase trinta anos atrás, o homem passava o tempo que lhe restava a olhar fixamente a velha fotografia na sua mão.

Quase nem pestanejava, o ancião, hipnotizado por aquele filme em sessões contínuas na sua imaginação, a mesma história, na sua memória danificada como um disco de vinil.

Parado ali, concentrado na imagem de um tempo guardado como um tesouro na sua mente acelerada como uma bobina no projector, ao ritmo da película que via de um tempo em que vivia numa outra dimensão.

Agora isolava-se da solidão, deixava-a na bilheteira, e depois passava uma tarde inteira na companhia de por quem o seu coração batia, alguém que o amou.

 

Sentado na mesma cadeira onde o dela um dia parou.

publicado por shark às 23:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Domingo, 20.03.11

O INVERNO DA LUZ

 

o inverno da luz

Foto: Shark

 

publicado por shark às 19:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

OS LÁBIOS LÍBIOS QUE UMA BALA ASSASSINA CALOU

Embora muitos o neguem, a Blogosfera é uma comunidade e reúne pessoas de todo o planeta em torno de uma plataforma de comunicação comum.

Se em Portugal blogar não passa de um mero exercício de liberdade de expressão e criativa, noutros países já se revelou na verdadeira essência para que foi criada.

A Blogosfera é um símbolo de liberdade e ainda que nos países ocidentais essa vertente se encontre relativamente adormecida, em países como a Líbia o esforço de quem bloga é direccionado precisamente para a luta por direitos elementares que temos por dados adquiridos mas as lições do passado, os factos do presente e as perspectivas do futuro desmentem nessa condição.

 

Mohammed Nabous, um jovem engenheiro de telecomunicações líbio, blogueiro apanhado no centro de um furacão daqueles com que a História varre realidades e nos molda novos caminhos, podia ter escolhido o silêncio ou mesmo a deserção.

Contudo, e apesar (ou por isso mesmo) de estar à espera do seu primeiro filho, entendeu lutar com este meio ao nosso alcance por um futuro que queria melhor para o seu país. Foi um dos rostos mais visíveis da revolta do povo líbio, divulgando os factos que aconteciam em seu redor, testemunhando a revolução que se tornou numa guerra civil que acabou por apanhá-lo sob a forma de uma bala de um sniper cobarde quando cumpria aquilo que abraçou como a sua missão.

 

Era um homem corajoso e morreu como um mártir a lutar, entre outros, pelo direito a blogar as verdades que um regime tirano preferiria escondidas.

Merece todo o nosso respeito e nada menos do que o estatuto de um dos nossos mais destacados heróis.

publicado por shark às 15:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

PRÓXIMO CONGRESSO DO CDS SERÁ REALIZADO A BORDO DO BARCO DO AMOR

O congresso do CDS/PP que deveria ter parado às duas da manhã prolongou-se noite dentro muito para lá do que seria de prever num partido com apenas um candidato à liderança e onde pouco haveria de novo para dizer.

No entanto, a coisa acabou por descambar numa noitada a sério e eu, num gesto inédito e que dificilmente repetirei no futuro próximo, decidi explicar o fenómeno no tom que me parece mais adequado ao folclore daquele partido tão rústico e predominantemente rural:

 

Num congresso dos centristas só para cumprir calendário

O calor das emoções aqueceu o encanto perigeu desta madrugada

Acabaram por esquecer o horário

Passaram o tempo na marmelada.

publicado por shark às 13:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 19.03.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

retalho capital

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

A POSTA QUE DÁ TRABALHO LUTAR A SÉRIO POR PORTUGAL

Por diversas vezes deixei bem claro o meu desencanto com movimentos desorganizados e sem objectivos concretos como o que dizem ter nascido de uma canção dos Deolinda.

Será fácil, num contexto de contestação a um líder em concreto mais do que ao desempenho do seu Governo (se tivermos em conta as declarações públicas de muitos políticos e não só), apontar o dedo a todas as vozes discordantes à mobilização popular e conotar cada uma dessas dissonâncias como manifestações implícitas de apoio a um Partido ou a um seu dirigente.

E essa reacção instintiva, sobretudo por parte dos que apenas se tentam empoleirar na onda para surfarem até algum tipo de poder ou de vitória moral que justifiquem a sua existência, constitui apenas mais um dos erros de palmatória de quem tenha conseguido levar o povo à rua para obter coisa nenhuma.

 

Este blogue, como outros nos quais debito prosa, tem registados vários apontamentos que deixam bem clara a minha posição acerca do que se passa e quais os aspectos que gostaria de ver corrigidos por via democrática. E aqui entra a perspectiva prática do que a minha opinião fora de moda traduz: a rua é, como a greve, por exemplo, um último recurso a utilizar para dar voz ao povo e exigir a mudança. Por isso as acções dos povos do mundo árabe estão a ser, na sua maioria, bem sucedidas, porque constituem uma medida de recurso de quem não consegue de todo chegar próximo do poder que pretende substituído.

 

Em Portugal, e ao contrário do que muitos oportunistas e demagogos entusiasmados preconizam, as formas de luta democráticas não estão esgotadas. Apenas não são utilizadas por preguiça e pela intervenção subversiva de revolucionários de pacotilha a quem, mais do que a defesa dos legitimos interesses da Nação, interessa agitar as massas para obter protagonismo na sequência de hipotéticas vitórias que toda a gente percebeu apenas produzirão nesta altura, e face às alternativas, mais do mesmo ou pior.

 

Esta última constatação parece ser o mote de desmobilização de muitos. Porém, o absurdo destas lutas inócuas contra bodes expiatórios conjunturais reside precisamente na ausência de propostas concretas para o passo seguinte de uma revolução necessária que se tornou agora emergente.

O encolher de ombros expresso na ausência de opções deveria dar lugar à consistência de movimentos locais capazes de alterarem o poder onde ele mais assenta, os partidos políticos, e forçarem a mudança onde ela pode e deve ser promovida: na Assembleia da República.

Nenhuma causa, nenhuma luta, pode ser ganha sem objectivos definidos e planos de acção realistas para o concretizar.

 

Mexam o cu, tomem o poder e façam acontecer a mudança para melhor que tanto exigem

 

Impotentes virtuais, os que descobriram no desespero de muitos a janela de oportunidade para a mobilização das massas teriam a obrigação ética e moral de construirem ou de angariarem de entre os seus melhores quem construísse um plano de batalha eficaz para a guerra que tentam começar sem nexo algum.

Impossível, dizem eles, dar a volta de outra forma.

Calões, chamo-lhes eu, quando sei que menos de um terço dos que estiveram na rua para cantar umas tretas bastariam para tomarem o poder por via democrática.

Como? - perguntarão os que se sentem orgulhosos da sua participação no momento que se queria histórico e que assim não suscitou mudança alguma.

Simples, seus tontos sem coragem para o compromisso: escolham um partido, qualquer partido, da vossa freguesia, do vosso concelho, inscrevam-se em massa como militantes, substituam os líderes actuais e façam melhor!

Uma trabalheira, bem o sei, que lá andei sozinho a pregar aos peixes e a ver o poder real decidido por escassas dezenas de compadres, familiares e amigos do gajo a promover nesse dia.

Mas permite uma revolução sem prejuízo para o país e pela via que a Revolução de Abril criou para o efeito e que mesmo os seus alegados maiores defensores jamais defendem porque lhes pode tocar a eles ficarem sem acesso ao que lhes sustenta as ambições e acaba por os transformar, à esquerda ou à direita, em acrescentos do mesmo sistema que nos flixa o futuro e destrói o país.

 

Se a geração à rasca se reclama tão bem formada e sem oportunidades, como é que de entre tantas cabecinhas manifestadoras não apareceu uma meia dúzia a quererem fazer as coisas como podem e devem ser feitas, quando a Liberdade o possibilita de forma tão inteligente e verdadeiramente democrática, para criá-las?

publicado por shark às 17:13 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 18.03.11

NAS LINHAS DA VIDA

As palavras a preencherem o espaço branco vazio, como o ar nos pulmões nas maiores inspirações que até podem nem passar de suspiros.

Uma a uma, ou várias de sopetão, a boca que respira em forma de mão que as solta, as palavras, espalhadas ao acaso pelo pensamento a arfar angústias ou aflições, alegrias ou emoções confusas, perturbadoras, aceleradoras do ritmo do coração e da cabeça, como as palavras depois de libertadas, palavras expiradas para diminuírem a pressão do autor que alimenta a fornalha interior como maquinista de uma locomotiva das antigas, cansada de trilhar um caminho predestinado nas linhas desenhadas por carris imaginários que traçam o destino no chão.

 

Que podem ser lidas pela sua alma cigana na palma de uma mão.  

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publicado por shark às 15:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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