Segunda-feira, 28.02.11

O SHARK FOI À BOLA...

 

futebol feminino

Foto: Shark

 

 

 

 

 

 

 

publicado por shark às 21:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA DE SEGUNDA

Há fases na vida, para muito boa gente pode ser uma vida inteira, em que uma pessoa sente uma necessidade compulsiva de desligar o sistema, de poupar o cérebro ao bombardeio de informação e à sobrecarga da tensão que o quotidiano nos impõe.

São períodos ao longo dos quais evitamos pensar demais, recolhidos no santuário da apatia voluntária que nos protege de uma espécie de meltdown que pode acontecer sob a forma de um esgotamento nervoso ou cerebral.

 

A pessoa parece estupidificar nesses lapsos de tempo que a mente processa a conta-gotas, confinada à gestão dos serviços mínimos obrigatórios para se manter a coisa (um gajo) funcional.

Contudo, podem ser fases agradáveis de viver. Horas desperdiçadas numa postura de contemplação bovina, sem no entanto ruminar pensamentos profundos, aflorando à superfície temas tão inócuos quanto possível. Este culto do trivial, nenhum risco corrido, assume o controlo da definição das prioridades e deixamos o pensamento deslizar sem pressas sobre um lago tão pacato que conseguimos ver nele reflectido a quase absoluta ausência de reflexões.

 

Claro que isto não é vida para ninguém e cedo ou tarde o crânio parece agitar-se com a vibração no seu interior, com o cérebro a vapor substituído pela versão diesel para ganhar embalagem até ao combustível para foguetão, espaço fora até tão próximo do Big Bang que quase se consegue cheirar a fragrância divina dos sovacos desodorizados do Criador.

 

É aí que um gajo se senta diante do teclado e escreve uma posta. 

publicado por shark às 15:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Sábado, 26.02.11

EMBAIXADORES DA CORAGEM E DA VERDADE

Apesar do bloqueio às comunicações por parte do governo líbio continuam a chegar informações dispersas que permitem desenhar-lhe os contornos do fim próximo, garantidamente violento e, ao que já se sabe, de forma alguma imerecido.

 

Se até aqui alguma prudência seria justificada pela ausência de jornalistas na Líbia e consequente dificuldade em confirmar o cariz fidedigno das fontes, nomeadamente no que concerne à validade dos vídeos que nos vão chegando, a reacção de muitos embaixadores e o uníssono na sua justificação acaba com os paninhos quentes: Khadaffi ensandeceu, é um tirano sanguinário e terá já garantido um lugar na História deste século com estatuto semelhante ao de outros malditos que jamais deveriam chegar perto de qualquer tipo de poder.

 

A propalada contratação de mercenários para defenderem o regime, a traição imperdoável de chamar estrangeiros para o massacre do seu próprio povo, eliminou quaisquer veleidades de uma solução pacífica e consensual para a revolução líbia.

E é o elemento que faltava para não existirem dúvidas quanto à realidade dos factos orquestrada pelo regime em queda: está a acontecer um banho de sangue e o povo sublevado está, por ora, isolado na sua luta necessariamente feroz neste contexto.

 

Mais uma vez, a contenção imposta pelos maus precedentes, pelos interesses económicos, pelo receio do efeito dominó (que já é inegável por esta altura) e pela complicada teia de compromissos políticos e diplomáticos naquela região acabam por deixar tanto os países ocidentais como os vizinhos árabes sem capacidade de intervenção directa em mais um triste exemplo de como as populações ficam à mercê do destino quando um poder instalado se revela cruel na defesa da respectiva manutenção.

 

Mais uma vez, a democracia surge no horizonte como única opção viável apenas depois de explodirem no rosto dos que não a exigem ou defendem as terríveis consequências da sua falta.

publicado por shark às 13:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 25.02.11

BLACK & WHITE

 

pouso certo

Foto: Shark

 

publicado por shark às 21:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA QUE EU TAMBÉM NÃO VI, SÓ CHEGUEI AGORA

Logo ao início da tarde, um taxista e um motoqueiro com os caminhos cruzados num ponto infeliz de intersecção. A mota espalhada no chão e o respectivo proprietário também.

A multidão reunida em minutos, batalhões de mirones aquartelados por toda a parte que reagem com enorme prontidão quando chamados a observar, sempre à posteriori (porque quando se pedem testemunhas ninguém viu nada e acabou mesmo de chegar), o rescaldo da ocorrência.

 

O rapaz, que levou uma pancada no lado esquerdo e foi acabar tombado contra uma carrinha (mal) estacionada no lado direito, completamente desorientado pela surpresa e indignado com a falta de respeito pela todo-poderosa regra da prioridade esbracejava e até parecia ter-se safado bem, podia ter sido bem pior – como afirmava alguém de entre os observadores estrategicamente colocados para trocarem umas impressões -, ia constatando as mazelas à medida em que arrefeciam corpo e ânimo mas, filho do bairro, quando a família chegou, mulher e filhos, e o mais velho, dez anitos ou por aí, começa a chorar por ver o pai naqueles propósitos e o motoqueiro vai-se abaixo com o susto e o mimo.

 

Chega a ambulância, mais os amigos e vizinhos que levam a cabo um inquérito preliminar e bom senso o do fogareiro que em momento algum contesta ou levanta a voz.

De braço ao peito e expressão visivelmente alterada pela dor lá segue caminho para o hospital e fica alguém de confiança a certificar-se de que foi chamada a polícia, como recomendam os mirones mais calejados naquelas andanças, para poder prestar declarações.

Chega a polícia, já passa das cinco. O taxista, colete amarelo como manda a lei, conta a sua versão. O condutor da carrinha exibe documentos e prepara-se para contribuir para as receitas eventuais enquanto um dos agentes da autoridade procede às medições para o auto que as seguradoras irão solicitar para o apuramento de responsabilidades.

Os mirones não desmobilizam, revezam-se.

 

A tarde perdida no meio de um cruzamento, dezenas de pessoas envolvidas na situação, a culpa foi deste, a culpa foi daquele, imbecilidades a jorro de quem percebe de tudo e mais alguma coisa porque só assim pode dar o ar.

A mota levada por um familiar.

O táxi, poucos danos visíveis, a seguir caminho para mais uma bandeirada.

 

Dois amigos, anciãos, o tempo todo na troca de palpites, os carros mal estacionados e o gajo que é culpado porque apanhou o rapaz pela traseira e esta malta anda na estrada sem cuidado nenhum, logo um profissional, devia ter vergonha, e entretanto já mais ninguém no local e o assunto esgotado e um sorriso sacaninha no rosto de um dos dois quando decide romper um breve silêncio.

 

- Atão e o teu Sporting?

- Vai à merda, pá…

publicado por shark às 17:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

JÁ REPARARAM?

Lá fora está a Primavera!

publicado por shark às 10:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quinta-feira, 24.02.11

GRAFITI LOVER

 

 

one

 

 

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 16:50 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA POR SISTEMA

Sobretudo no mundo do futebol, mas um pouco por todas as actividades, assentou arrais uma expressão daquelas que o povo usa para sintetizar um problema crónico, para encontrar uma explicação simples em versão bode expiatório para tudo o que corre menos bem ou simplesmente não avança.

Essa expressão é o sistema, um conceito cuja interpretação depende sobremaneira da posição relativa da pessoa quanto ao sistema em análise.

 

De facto padece de análise, esta manifestação de impotência colectiva perante uma forma de poder traduzida, grosso modo, num conglomerado de interesses que começa por ser um feudo específico em determinado sector e que funciona como um vírus capaz de converter, por exemplo, uma articulação numa pedra. A partir daí a coisa alastra até todo o corpo (neste caso uma organização ou mesmo várias) até à paralisia quase total. Ou seja, a coisa até funciona mas apenas em função dos interesses que o tal sistema alegadamente servirá e ao ritmo lento que melhor se adequa à respectiva manutenção.

 

O sistema surge assim como um papão que espalha uma doença terrível que impede o correcto desempenho de um qualquer mecanismo criado para fazer acontecer algo que até acaba por acontecer mas em moldes que escapam ao controlo da população em geral e mesmo dos poderes que são sempre suspeitos de cumplicidade com qualquer sistema.

Na verdade, a imagem colectiva desse conceito sinistro associa sempre rumores ou mesmo suspeitas que nunca se traduzem em algo de concreto mas cria uma mística de invencibilidade em torno desse monstro que desvirtua as boas intenções de qualquer conjunto de regras ou de pessoas manipulando os cordelinhos de paus mandados nos bastidores dessa casa dos horrores que ninguém sabe bem onde (e como) fica mas toda a gente já ouviu falar.

 

A conjugação da impunidade presumida dos componentes de um sistema, por norma poderosos e muito hábeis na defesa daquele todo que deixa ver apenas contornos desfocados por detrás de um véu imaginário, com a passividade tradicional perante estas coisas (compadrios, cunhas, desenrasques, alianças por conveniência ou em torno de um elo de ligação natural como o vínculo familiar ou de simples vizinhança), tudo isto cria uma aura artificial de indestrutibilidade que acaba por constituir ela própria um dos principais argumentos para o perdurar do tal sistema que parece existir fora do nosso, o Solar, tamanha a (aparente) dificuldade em lhe identificar as características, localizar o pouso e cortar o mal pela raiz de forma... sistemática.

 

Não faltam alegadas vítimas dos vários sistemas que responsabilizamos, não podendo ser o Sócrates, enquanto culpados do costume quando as coisas parecem emperrar logo que caem sob a alçada do sistema, esse malandro anónimo que arrasa todas as ameaças potenciais à sua existência que se presume eterna até prova em contrário e essa nunca aparece inequívoca o bastante para prenderem os (alegados) maus e entregarem de novo o circuito e a cadeia de interesses às pessoas de bem. Mas essas escasseiam, tal como eventuais paladinos, cavaleiros da lei e da ordem capazes de enfrentarem o dragão (mesmo que tenha a cara chapada do Pinto da Costa ou de qualquer outro suspeito de arquitectar um sistema à medida das suas necessidades ou dos seus mais próximos) com a audácia e a descontracção de quem abraçou como causa o seu martírio.

 

Concluo esta breve incursão pela mitologia urbana adiantando que esta posta se deve em boa medida à influência perniciosa daquilo que a motivou.

Mas é possível vencê-lo (o bicho mau): Bastou dar-me para trabalhar um nadinha e o meu sistema (o informático) de imediato crashou...

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publicado por shark às 13:52 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 23.02.11

A POSTA PSIQUIÁTRICA DE PACOTILHA

Uma das características mais fascinantes da blogosfera é a sua capacidade inata para acolher malucos. De resto, a nossa comunidade é tão boa anfitriã para pessoas com determinados desequilíbrios mentais e/ou emocionais que lhes permite assumirem na boa a sua condição e abdicarem da medicação sem darem nas vistas no meio de tantos dos seus iguais.

Claro que nenhuma dessas pessoas aceita o estatuto de mais ou menos chanfrado/a e nesse caso eu afirmo já aqui que é mentira tudo o que acabo de afirmar.

(É que sempre ouvi dizer que não se pode contrariá-los/as...)

 

Das maleitas observáveis à vista desarmada que mais me prendem a atenção, o desdobramento de personalidades está sempre na liderança.

Admiro a energia dos muitos comentadores anónimos que conseguem dar vida a três, por vezes mais, nicks ao ponto de manterem animados diálogos entre si (entre os vários nicks da mesma pessoa), tanto quanto lhes invejo a concentração.

A minha única incursão pelo admirável mundo novo das mascarilhas virtuais, um nick que ninguém associava ao Shark, foi um fracasso absoluto na medida em que pouco tempo depois de começar a utilizar essa identidade secreta já quase toda a gente em meu redor tinha sabido por trocas de email comigo quem na realidade sou. Apenas um. E já me dá água pela barba geri-lo.

 

As múltiplas personalidades que aterram numa caixa de comentários às ordens alternadas do respectivo autor que se acredita uns dois ou três transmitem um colorido muito especial a qualquer diálogo, até porque existe sempre um nick mais colérico que se esforça por partir a louça toda e, regra geral, acaba por ser quase sempre o que descobre a careca dos seus alter egos no meio do fervor alucinado das suas mais acesas intervenções.

Claro que uma pessoa deixa de achar piada quando no meio do calor do debate as personalidettes (por norma mais discretas e com um discurso mais moderado, apenas para manifestarem solidariedade e simularem pequenas multidões) começam a cantar mais alto do que o/a artista principal e triplicam o problema em que se tornam (estou a ser um gajo porreiro, insistindo neste plural) quando perdem as estribeiras e não existem aquelas pessoas vestidas de branco que no mundo analógico resolvem esse tipo de situação.

 

Que não se deduza que esta posta visa antagonizar tais pessoas mais as suas diferenças, até porque sei bem o quanto constituem em muitos casos a verdadeira alma de um blogue, nem que seja por nos darem a conhecer o lado pior do respectivo autor quando este se passa e decide acabar com a neura que algumas manifestações desta liberdade para enlouquecer suscitam.

São pessoas interventivas, multiplicam-se pelas caixas como coelhos pois bastam duas em simultâneo para podermos ter logo cinco ou seis comentadores/as em alegre cavaqueira ou na animada versão peixeira que ninguém pode negar no seu estatuto de agitadoras das águas virtuais.

São por isso importantes em termos estatísticos, em termos de motivação acrescida e, naturalmente, enquanto figuras castiças desta nossa realidade alternativa que até nisso de ser casa onde há sempre pão para malucos está cada vez mais parecida com a propriamente dita.

publicado por shark às 23:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

vendaval alfacinha

Foto: Shark

 

publicado por shark às 22:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

HUMOR MADE IN MARAFILHA

O amor é como a erva. Nasce, cresce e depois aparece uma vaca e estraga tudo.

publicado por shark às 15:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

DIA POUCO MOVIMENTADO

Hoje já passaram três carrinhas funerárias à minha porta.

publicado por shark às 15:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A ANGÚSTIA, A ENORME ANGÚSTIA DE TER QUE POSTAR!

Nomeadamente a seguir à posta anterior a esta.

Um sacrifício, senhoras e senhores. Um enorme sacrifício pessoal.

 

É a vida...

publicado por shark às 11:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 22.02.11

EU GOSTO DE PESSOAS

 

no caminho certo

Foto: Shark

 

publicado por shark às 14:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 21.02.11

OK, ÁS VEZES A PESSOA RECEIA O KO

Às vezes, nesta componente de pai que é um bico-de-obra, não consigo evitar um desconforto imenso quando tenho que negar algo de importante à minha marafilha simplesmente por não ter capacidade financeira para o efeito.

Claro que isto é um absurdo, à luz de qualquer lógica razoável, uma reacção fácil de desconstruir com base numa argumentação ao alcance de qualquer pessoa normal.

Porém, a sensação inicial permanece na memória e a frustração arredada para um canto, cada vez mais apertada dentro de um cofre qualquer da nossa carola que precisamos canalizar para outras cenas, por muito que fique escondida está lá e parece um conceito completamente amordaçado mas capaz de nos dizer tudo com o olhar. E uma pessoa lê, assim de passagem, a palavra falhado.

E uma pessoa fica a pensar.

 

A vida tem pontos altos e tem pontos baixos e o resto vai acontecendo pelo meio. Num mundo onde para além da capacidade de iniciativa precisamos de sorte nas conjunturas para não passarmos do oitenta ao oito numa pressa do caneco ter galo pode fazer toda a diferença. O galo pode passar pelos tombos na economia em geral ou especificamente no sector em que apostamos ou pode passar pela nossa manifesta inépcia para gerir a parte financeira de uma existência. Ou pode passar por ambos, e aí temos reunidas as condições ideais para o desastre.

Claro que a medida do valor que gosto de me atribuir não pode equivaler à minha disponibilidade pecuniária para atender a todas as expectativas da minha marafilha burguesa e a quem nunca algo de essencial ou mesmo de supérfluo dentro dos limites do bom senso faltou. Mal estaria se me medisse ou me medissem por tal bitola. Até porque já me provei uma máquina tão eficaz a gerar riqueza como a desbaratá-la. Up and down, in and out. Ondas sinusoidais do meu ciclo de vida económica que revelam em perfeita alternância o melhor e o pior do que o sistema tem para nos oferecer. Porreiro para mim, dirão.

Mas é uma porra quando sentimos o chão fugir-nos debaixo dos pés e no meio das múltiplas pressões surge em cena uma novidade que se converte de imediato num sinal flagrante da tal incapacidade de prover a tudo e mais alguma coisa, como faço ou tento fazer na parte de ser pai que não mexe com contas.

 

É difícil não apontar de imediato à cabeça a pistola da tal frustração escondida que sai da casca e nos ameaça por dentro e quase nos torna reféns desse medo terrível de fracassar. É algo capaz de quase nos paralisar enquanto pessoas com arte e com energia para cumprirem um dado papel, por quão distinto daquele que ambicionávamos. É uma angústia que queremos temporária, ou mesmo momentânea, para podermos seguir adiante e se necessário a pisar o prego a fundo no acelerador. Mas nem sempre é uma castração das que conseguimos sacudir para trás das costas a meio da correria, pode tornar-se numa espécie de ferrugem na vontade de ferro que reconhecemos na pessoa que somos nos dias melhores e estupidamente esquecemos quando a chuva cai forte e com o vento a favor.

Nas trombas, todos os dias, a verdade incómoda de a vida ser de facto como os interruptores e o que interessa mesmo é ter saúde e trabalho e amor e essas coisas importantes propriamente ditas que passam a secundárias no meio do turbilhão.

 

E depois a lucidez, tão serena, a impor a sua presença no meio do temporal e a abrir caminho nas nuvens para a pessoa espreitar o sol brilhante no meio de um convidativo céu azul. Uma senhora, altiva, conhecedora profunda dos meandros destes conflitos pessoais que assumem proporções de guerra civil quando lhes damos rédea solta.

Ela chega, quando menos se espera, e abre com gestos estudados uma coisa qualquer, uma caixa, com a graciosidade de uma gueixa que prepara um chá. E a pessoa bebe aquilo com sofreguidão, sem maneiras, e enche o peito de coragem para desafiar o dia pior que é sempre o dia a seguir quando a crise aperta e as decisões se tomam como as dos guarda-redes, à queima, meto a mão ou meto o pé, lanço-me para a esquerda ou para a direita, um passo adiante ou dois atrás.

 

Mas mesmo no meio da refrega, com o adversário contido à distância possível para apanharmos o mínimo de pancada enquanto não soa algum gongo que permite a um gajo sentar-se num canto a descansar, o medo pode reaparecer sob a forma do tal fantasma do sonho talvez capricho que ficará por cumprir, a pessoa demora a reagir porque já custa abdicar dos seus quanto mais os de quem nos compete criar e a pessoa leva nas trombas outra vez.

 

E não tem como não se levantar do tapete antes de contarem até dez.

publicado por shark às 23:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

SÓ PARA APRECIADORES DE BD DO SÉCULO PASSADO

Por muito que nos custe, se há um animal que terá que constar das espécies em via de extinção esse é indubitavelmente o marsupilami...

publicado por shark às 11:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Domingo, 20.02.11

POMBOS NA ONDA

 

pombos na onda

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:47 | linque da posta | sou todo ouvidos

UMA VISÃO PROGRESSISTA (2)

De todas as tecnologias de ponta que deveríamos abraçar sem pensar duas vezes, a biotecnologia destaca-se.

Seria a salvação do país conseguirmos converter em energia toda a flatulência verbal da maioria da nossa classe política.

Isso mais a trampa que resulta da sua intervenção ruinosa.

 

Não tardávamos a comprar a dívida pública do Obama.

publicado por shark às 21:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

SERÁ QUE LHE DÁ MAIS PICA DO QUE REBENTAR AVIÕES?

Olha, ia jurar que aquele gajo que mandou disparar sobre os manifestantes no seu país, a Líbia, é o mesmo que montou uma tenda por cá e fez uns negócios, recebido com honras que foram negadas ao Dalai Lama...

publicado por shark às 20:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Sábado, 19.02.11

O MEU RIO CHAMA-SE TEJO

ancoradoFoto: Shark

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publicado por shark às 22:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

SEM TALÕES, CARTÕES, PROMOÇÕES E BOAS MANEIRAS

O Presidente da Jerónimo Martins constitui por si próprio um excelente argumento para eu continuar cliente do Modelo e do Continente.

publicado por shark às 20:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

UMA VISÃO PROGRESSISTA

Aqueles que de entre os políticos actuais apoiam com entusiasmo as novas tecnologias são precisamente os poucoos que podemos dispensar dos exames no dia em que a evolução da nanotecnologia conduzir a equipamentos a uma escala adequada ao estudo dos seus pequenos cérebros.

publicado por shark às 17:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

DIAS DE BOLA E A TELEVISÃO DIGITAL DO PLANETA TERRA

Só hoje percebi que com a entrada em cena da Televisão Digital Terrestre (a gente não percebe nada destas tretas, ok, mas que não é a Televisão Digital Marciana conseguíamos lá chegar...) vão desaparecer dos telhados as tradicionais antenas que fazem parte dos meus céus desde que tenho a feliz oportunidade de os ter por cima da minha cabeça.

 

Claro que este pequeno choque tecnológico apenas corresponde à instintiva reacção à mudança, algo que tem castrado imenso a Humanidade por a mergulhar numa dualidade entre a sede de progresso e o medo das respectivas consequências, mas a sua corrente é feita de muitos amperes de informação contida no sítio onde arquivamos as referências. Coisas tão simples como a memória dos domingos de manhã em que os vizinhos ansiosos pela transmissão de um Sporting-Benfica obrigavam o Zé Fusíveis a abandonar o conforto da cama que não largava antes do meio-dia para arrastar a sua camisola interior à Vasco Santana para o telhado do edifício, apenas porque era ele o único a saber como se orientava a coisa para desaparecer a chuva na imagem do derby que reunia multidões nas casas dos felizardos que já tinham uma Salora a preto e branco no lugar mais destacado das salas que ainda não tinham nada de salões e uma lareira era coisa apenas de mansões daquelas que só víamos nos filmes ou ao longo do caminho no passeio saloio que percorria a marginal até entrar pela Serra de Sintra rumo a Mafra e depois a Belas ver as belas que belas não vi mas tenho muitas saudades dos fofos que lá comi.

E é no meio destas flashadas de tempos tão antigos que um gajo até estranha não ver no lugar das unhas umas garras de tiranossauro que a pessoa começa a alargar o horizonte das preocupações menos comezinhas e egoístas do que a de saber se o seu televisor está equipado para funcionar quando finalmente chegar a TDT que evoca um insecticida popular que entretanto se tornou proscrito e encontra de imediato quem vista a pele indispensável de quem serve de exemplo para o alívio inerente ao eu até estou mal mas fulano está bem pior. É fatal como o destino.

 

O advento da TDT, e chamo a vossa atenção para o delicioso pormenor de a escolha da palavra "advento" não ser obra do acaso mas antes um toque pessoal do autor para suscitar a óbvia associação de ideias entre o vento e as antenas que (ainda) balouçam como ramos de árvores nos telhados, dizia eu que esse advendaval, e aqui invento uma palavra nova, notem bem, da televisão terráquea vai transformar todos os fabulosos técnicos de antenas por esse mundo fora em invólucros de sabedoria obsoleta e absolutamente desnecessária.

Deve ser flixado, um gajo ter passado a vida a especializar-se numa cena que de repente deixou de fazer falta ao pessoal...

 

Mas não ficam por aqui os danos irreversíveis que este progresso a cores e de alta definição acarreta.

Caso não tenham ficado condoídos/as com o profundo drama pessoal de todo um grupo desta nossa sociedade sem lugar para monos, avanço com a cartada seguinte do meu raciocínio desvairado de cidadão atormentado pelas marcas da passagem do tempo na sua dimensão corredora, apelando de forma descarada ao generalizado amor aos animais que decerto irá conferir toda uma carga (um choque emocionológico?) a esta posta irrelevante como devem ser as de um fim-de-semana.

Poizé, e os pombos? Quem de entre vós teve o reflexo de lembrar a tragédia que se irá abater sobre nós quando as pobres avezinhas chegarem ao cimo dos edifícios e apenas dispuserem de meia dúzia de chaminés que não pode servir a todos de poleiro e, coitadinhos, começarem a escorregar com as patinhas nas telhas em plano inclinado e acabarem por tombar nas ruas, diante dos nossos olhares horrorizados e assim?

 

Claro, entretanto já algum/a desmancha-prazeres se lembrou do facto de os pássaros terem asas...

Mas a intensidade do problema acaba por ficar latente e posso sempre aproveitar esse final feliz para o novelo acima, com passarinhos e passarinhas a voarem alegremente pelo céu urbano livre de antenas e a pousarem, tão lindinhos, sobre os parapeitos das janelas e tal, para recordar que temos sempre revelado capacidade para darmos a volta às dificuldades e não tarda tocarão à nossa campainha os Zés Fusíveis modernos, antigos técnicos de antenas que nos levavam um dinheirão para chegarem ao telhado, abancarem a fumar um cigarro com uma vista magnífica, mandarem uma biqueirada na antena para resolver o problema de mau contacto nos fios e agora nos levarão ainda mais dinheirão para fingirem que foi a sua extrema perícia e inteligência superior quem acabou com a voz fanhosa do Rodrigues dos Santos no telejornal a falar-nos da história do técnico que caiu do telhado em Massamá quando tentava salvar uma cegonha entalada entre antenas e não um computador xpto instalado numa sala onde outros antigos técnicos de antenas convertidos à nova causa pensam em melhoramentos nos habitáculos para os seus pombos de criação na casa de campo que o seu novo emprego com salário chorudo lhes permitiu adquirir.

 

E agora é a malta comprar um conversor ou tradutor ou lá o que for e entretanto rogar pragas por nestes dias em que transmitem os Sporting-Benfica em canal fechado não ser razoável bater à porta do vizinho que subscreve a SporTV...

publicado por shark às 14:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sexta-feira, 18.02.11

BLACK & WHITE

 

lisboa desfolhada

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:22 | linque da posta | sou todo ouvidos

UMA HIPÓTESE MERAMENTE ACADÉMICA

Se um gajo pudesse voltar atrás uns séculos no tempo e tivesse a desdita de ter que matar um seu antepassado directo isso seria tecnicamente considerado um homicídio ou um suicídio?

publicado por shark às 17:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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