Sexta-feira, 21.01.11

A POSTA NOS INSEGUROS BARATOS

É muito raro dar-me para escrever acerca de matérias relacionadas com o meu ofício, até porque um dos problemas mais sérios que enfrento é precisamente a escassez de oportunidades, ao contrário do que a voz do povo reclama, para mostrar a dentuça quando as coisas não correm como deve ser. Isso, parecendo que não, tira metade da pica à função e eu sinto desaproveitado o meu talento inato para morder onde mais lhes doa.

 

Sou agente de seguros, como algures já referi, e este meu dia tem sido marcado pela sucessão de desabafos de consumidores contra a actividade seguradora. Eu começo logo a afiar o cutelo mas lá está: afinal existe um ponto em comum entre as queixas que me aterraram no colo e esse é terem origem em seguradoras baratas, de vão de escada.

Fico sempre espantado com a surpresa de quem julgava ter feito um bom negócio, poupando umas coroas porque os seguros são todos iguais, blá blá blá. É que no fundo a questão coloca-se nos seguintes termos: se comprarmos uma frigideira na loja do chinês e a compararmos com uma outra, mais cara, adquirida num estabelecimento normal, é claro que ambas se chamam frigideiras e destinam-se a uma mesma necessidade mas é provável que a mais baratinha (que parece tal e qual a outra) seja porreira até ao dia em que sai do armário para enfrentar a prova de fogo da utilização e aí é que a porca torce o rabo…

 

Não há milagres na economia globalizada. Se algo é estupidamente mais barato que um bem ou serviço teoricamente igual a oferta é muita e o pobre deveria desconfiar.

É que se uma frigideira marada pode ainda assim estrelar mais ou menos um ovo, no caso de um contrato de seguro (como hoje pude constatar, pois um dos casos por resolver envolve dinheiro que se veja e já se arrasta desde Agosto…) a coisa pode dar para o torto de mil e uma maneiras quando o assunto é gerido por gaiatas e gaiatos a prazo num call center.

 

E as proporções do problema dão quase sempre para pagar não só várias frigideiras das boas mas também um trem de cozinha completo e de marca consagrada.

publicado por shark às 16:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

DA MINHA ALMA CONTUSA

A minha alma padece de diversos problemas. Dito assim, dá ideia que tenho uma alma doente mas esse é um diagnóstico que não posso confirmar. E isso acontece porque um dos maiores problemas da minha alma reside precisamente no facto de nela eu não acreditar.

 

Bom, claro que no final do parágrafo acima desponta uma contradição óbvia. É típico dos agnósticos, julgo eu, este fenómeno da balança que pode pender para qualquer um dos pratos quando se fala nestes assuntos um nadinha mais transcendentes. Sim, o vudu e os raptos por extraterrestres também entram nesse escorregadio domínio das coisas que podem existir ou não e uma pessoa tem que ir vivendo como pode com estes dilemas.

 

Mas falava-vos eu da minha alma e de como a existir seria uma alma em pior estado do que o corpo que pouco tenho feito para estimar. Seria uma alma intermitente, mais do que uma alma doente, algo desequilibrada e de alguma forma desorientada com as repercussões da ocupação deste mero invólucro que, com base nestas premissas, eu seria.

Esta casca é uma má companhia para as almas que se querem sem os problemas que a minha certamente teria, em existindo para lá da minha capacidade de a racionalizar, como se isso fosse possível, para no mínimo poder falar-vos dela aqui com uma linha de orientação para o raciocínio que, se a minha alma existisse, seria o seu também.

 

Mas a minha alma, como acima vos referi, seria uma alma com problemas, coitada. Completamente desorientada, à toa em busca de um rumo consistente, confusa. Completamente desequilibrada, sempre a tropeçar e a cair nos buracos que um corpo como o meu parece atrair.

Contusa.

publicado por shark às 11:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quinta-feira, 20.01.11

EU GOSTO DE ANIMAIS

 

prá fotografia

Foto: Shark

 

publicado por shark às 22:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

DEPOIS DO PÃO NO BICO A BALA NA CABEÇA

Ao ouvir Fernando Nobre, aos berros, alegando que só o param com um tiro na cabeça percebi o seu problema: já toda a gente percebeu que não vai ser o nosso Obama e por isso está ver se ao menos um Kennedy e assim...

publicado por shark às 17:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA (ZOO)LÓGICA

A questão tem sido levantada por uma legião de gente preocupada, especialistas e assim, com o progressivo afastamento do Homem relativamente ao seu instinto animal.

Será, afirmam alguns, a consequência natural da evolução da espécie, progresso como outros entendem, defendendo quase todos que, apesar de tudo, isso representa uma melhoria significativa, um aprimorar inerente ao topo da cadeia alimentar onde assentamos arrais.

 

Contudo, para aqueles sem especialidade alguma como este vosso humilde servidor, este tipo de questões complexas podem ser equacionadas desde que devidamente redimensionadas e por isso a pessoa pode sempre avançar com uns bitaites do assunto focado numa parcela específica, num microcosmos que nos permita ambicionar algum valor acrescentado nas nossas cogitações.

Nesse sentido, e porque também me aflige esse desvio da besta em nós (neste caso a parte não violenta do animal, apenas uns quantos impulsos de reacção primária), fiz incidir a mente num aspecto específico do bicho que pelos vistos não queremos ser mas se calhar devíamos repensar melhor a coisa.

 

A minha preocupação tem a ver com as implicações do fenómeno nas relações amorosas (pura coincidência, eu até nem ligo muito a essa cena), nomeadamente na parte do engate que acaba por ser determinante para que as amorosas queiram ter relações.

Senão vejamos: a pessoa pode a todo o instante encontrar na natureza os exemplos de como o cortejar se perpetua nas espécies onde o refinamento do progresso ainda não chegou. Ou seja, podemos perfeitamente tentar decidir se é mais eficaz o cantar de galo ou o leque colorido do pavão.

 

Naturalmente não se pode exigir a qualquer leigo que aplique a metodologia científica toda, um gajo coloca a hipótese, vá, e depois tenta verificá-la com base na soma de dois mais dois que qualquer processador mixuruco consegue calcular.

A pessoa olha para a dupla de vaidosos, o galináceo a levantar a voz e as penas do pescoço e o pavão a tentar deslumbrar com o seu leque de cores, e depois concentra a atenção no comportamento das fêmeas destinatárias, a ver qual das aparências ilude melhor.

É vê-las, umas quantas a virarem logo costas ao galo com aquele ar de cantas bem mas não me alegras e o outro passarão todo espampanante a pavonear-se diante de algumas fêmeas com aquele olhar típico de quem pergunta: é só isso que tens para mostrar, palhaço? Tanta pena levantada que até mete dó e às tantas até é tudo o que levantas…

 

 

Inevitavelmente caímos na tentação de fazer a comparação directa com os rituais de acasalamento humanos, espertos, para ver se encontramos um paralelo que desminta o tal afastamento do instinto animal que os mais sábios denunciam.

E é aqui que começam a surgir os indicadores contrários à alegada tendência para nos tornarmos cada vez mais civilizados com tudo o que isso implica em matéria de sofisticação excessiva das coisas simples da vida.

É que pode ser indefensável (pronto, tá bem…) o regresso aos hábitos ancestrais, paulada na tola e bute lá até à caverna partir isso, mas é um facto que basta trocar o cantar de galo por miúdos e temos logo os ingredientes não para uma canja mas para o tipo de homem a quem chamamos músico. Da mesma forma é fácil substituir o colorido da cauda do pavão pelo do carrão ou outros sinais exteriores de riqueza e inerente qualidade superior com que alguns tentam adornar o anzol.

 

O paralelo salta à vista, inclusive nos resultados obtidos, e qualquer analista de pacotilha consegue lá chegar a partir de um simples trabalho de campo.

Claro que o rigor se perde, por exemplo, na fraca dimensão da amostra (que mais exemplos não faltam).

 

Mas eu já me alonguei nesta posta e disso sei bem que vocês não gostam...

publicado por shark às 12:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Quarta-feira, 19.01.11

SAUDADE DO VERÃO

 

passeio pela praia

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 00:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Terça-feira, 18.01.11

CRIME NA FOLHA EM BRANCO

A pontuação aglomerou-se em redor do local do crime, com os habituais mirones a darem palpites e as forças de segurança a criarem um perímetro para impedir demasiados avanços por parte da turba.

 

As reticências limitavam-se a levantar hipóteses que deixavam a meio, penduradas, horrorizadas como estavam com a visão daquele pobre travessão inerte na calçada.

Os pontos e vírgula não adiantavam nada à conversa, caducos, intervalando aqui e além as intervenções dos restantes, alguns absolutamente impávidos perante o triste cenário.

Junto à margem da folha, o agente ponto de interrogação questionava os principais suspeitos e as testemunhas da ocorrência, tomando notas acerca dos factos mais relevantes enquanto o detective parêntesis deixava em aberto todas as possibilidades até que um seu homónimo pudesse encerrar o processo.

 

O tempo ameaçava chuva e os assentos circunflexos, intimidados pelos olhares de cobiça da pontuação desprevenida, seriam os primeiros a bater em retirada perante o ar contrariado dos dois pontos que já procuravam com o olhar um ponto de exclamação, à falta de um jota, para fazer de cabo para o improvisado chapéu.

E foi então que os sorrisos trocistas da imensa pontuação ali reunida desapareceram, perante a chegada do filho da vítima, o tracinho lavado em lágrimas a quem as aspas trataram de imediato de afastar para o rodapé no sentido de lhe prestarem o apoio psicológico que a situação requeria.

 

O ambiente era de consternação quando chegou a ambulância com o hífen-legista e o cadáver do travessão foi retirado do piso da folha branca manchada com o borrão que assinalava de forma macabra a tragédia ali ocorrida, uma pancada de algo semelhante a um bastão em cheio no inocente travessão que passeava descansado.

 

E ainda se desconhecia o culpado, embora constasse que o ponto de exclamação seria submetido ao teste do polígrafo, quando o ajuntamento foi dispersado pelo ponto final parágrafo.

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publicado por shark às 17:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

A POSTA NUM CARDÁPIO DE TABERNA

Então temos meia dúzia deles. São cinco em variações de cinzento e um em tons garridos, pois faz sempre falta nestas coisas o colorido que o humor popularucho sempre empresta.

 

Temos pois uma figura austera a roçar o sinistro, uma espécie de cangalheiro repetente que joga bem com as cortinas tombadas sobre o palco no qual a democracia parece andar a interpretar todos os dias o último acto do seu evidente desgaste à mercê de vilões e de cúmplices em profusão, perante uma plateia inerte de alimárias.

 

Também dispomos, neste menu de dieta ideológica, de um clone do primeiro candidato do PC e do segundo e por aí fora. Mais do mesmo, a alternativa do costume com o discurso habitual para que pelo menos uma parte do eleitorado possa sentir que a coisa está tal e qual como nos tempos gloriosos em que unidos venceríamos mas afinal acabamos por só servir para empatar. Ou para ajudar a levarmos uma goleada de tal forma pesada que nem vale a pena disputar a segunda mão da eliminatória.

 

Olhando para a ementa ainda encontramos o que alguns afirmam ser uma lebre socialista mas a maioria vê como um daqueles irritantes pequinois que se insurgem furiosamente contra o grand danois sorumbático, barulho à brava, no intuito de marcarem o seu pequeno território e, em simultâneo, contribuírem com o mesmo efeito de divisão dos pães que acabará por deixar à míngua uma canhota trapalhona nas decisões nesta matéria.

 

Como em todas as oportunidades de projecção mediática, seja o Big Brother ou uma eleição presidencial, aparece sempre um tiririca para animar a malta. Desta vez saiu na rifa um homem brincalhão de um partido a reinar. E reina a animação na comitiva insular e de vez em quando um ou outro encontrão de quem não tem sentido de humor para brincadeiras em tempo de decisões sérias ou simplesmente desatina com a atitude folgazona de um candidato a Presidente capaz de desfraldar uma bandeira nazi em pleno parlamento regional. Não dá uma para a caixa mas sempre agita um nadinha as águas paradas que os da política dita séria não param de meter.

 

Podemos ainda escolher o candidato que dizem de inspiração humanitário-soarista. Talvez não baste o tempo que resta para a malta perceber porque se meteu o homem nisto e ainda tentar decifrar a lógica ou o objectivo da sua argumentação que, de resto, tem um ponto em comum com a do candidato com perfil de gerente (perdão, presidente) de agência funerária: também este recusa o estatuto de político e, por inerência, assume o de pára-quedista desta andança (já que o outro não consegue enganar ninguém com tal discurso depois de anos a mamar da mesma vaca que agora alega só conhecer de vista).

 

E para a sobremesa desta posta temos o candidato que resta, uma verdadeira montanha (salada?) russa de emoções para a malta de esquerda, ora murcha ora arrebita, e que tem o mérito de conseguir(?) juntar no mesmo ramalhete as rosas do seu passado antifascista com o bloco de cardos que mais mossa lhes poderão causar à esquerda nas próximas legislativas, num daqueles casamentos por conveniência no qual já toda a gente topou que os membros do casal dormem em camas muito separadas.

 

Mas no próximo fim-de-semana é essa a ementa disponível e quem não votar já sabe que tem que comer o que lhe puserem no prato.

E de acordo com as sondagens na cozinha, vai ser outra vez comida requentada…

publicado por shark às 14:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 17.01.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

o futuro presente

Foto: Shark

 

publicado por shark às 11:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

VISTO DE FORA

Perdido, desorientado, num ponto qualquer do reverso do seu pequeníssimo universo interior, desencontrado da vida pelas tropelias do acaso que lhe trocavam as voltas como gostava de as planear.

Virado do avesso, pendurado num estendal para a secagem sem sucesso por causa do sol que parecia nunca nascer e continuava molhado depois da lavagem ao cérebro a que acreditava ter sido submetido por uns gajos que apareceram na televisão.

Em cativeiro numa prisão espacial de máxima segurança, o seu próprio guarda prisional para eliminar qualquer esperança de uma fuga possível, sem conhecer as coordenadas daquela fria masmorra onde travava a sua guerra contra a loucura que o condenava, inocente, a uma vontade permanente de escapar a si mesmo que o afastava dos outros que nunca entendiam os argumentos da defesa e se assumiam jurados de acusação num tribunal de fachada que decorria à porta fechada na sua mente em sessões contínuas de um filme alucinante que vivia num ponto qualquer do reverso do seu infinito universo onde flutuava perdido, desorientado, à deriva entre paredes imaginárias com estrelas pintadas para o sossegar com a ilusão de uma liberdade que sabia não usufruir porque se sentia implodir à mercê do crescente aperto do torniquete daquilo que imaginava um capacete associado ao colete de forças no seu cérebro encharcado pelas lágrimas que não conseguia verter.

publicado por shark às 11:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 16.01.11

A NOSSA COSTELA MISS PIGGY

Para matarem o ócio podem sempre dar um pulinho ao Oitavo Dia onde explico porque razão os franceses também não renegam a sua costela Obélix...

publicado por shark às 17:58 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE O TUBARÃO NÃO TOSQUIAM

Eu sei que isto da política é algo de maçador e quem me lê até nem mostra particular entusiasmo pela insistência no tema, mas o país também está a acontecer lá fora e eu temo que no meio do barulho das luzes a malta se esqueça de que vem aí mais uma oportunidade de pensarmos pelas nossas cabeças e, pelo menos, baralharmos as contas dos que cada vez mais parecem convictos da noção de que sabem tudo o que vai na alma da carneirada em que nos deixamos transformar.

 

Como a maioria, e mesmo os que votem Cavaco, preferia um naipe de candidatos melhorzinho e uma campanha eleitoral com o sangue fervente de outros dias.

Contudo, as coisas evoluíram para contornos surrealistas nos quais os fracos políticos da nossa praça parecem querer dar razão aos que os apelidam disso mesmo: fracotes. E essa verdade anda estampada nos escaparates dos sucessivos episódios que descredibilizam não apenas as figuras de proa mas, por tabela, todas as que lhes sejam próximas.

No meio disto tudo ficamos na dúvida acerca de um Primeiro-Ministro a quem ninguém pode negar ter tido a vida passada a pente fino em busca de algo que pudesse entalá-lo e, até ver, népia, e agora começam a surgir as minhocas a cada cava(ca)dela nos negócios simples e singelos, quase pueris, como o actual e provável próximo Presidente desta república os tenta pintar.

De repente damos connosco prestes a ter que ir votar para, de acordo com as sondagens, apenas confirmarmos a reeleição de um político que renega essa condição e que se recusa a explicar de viva voz e com a confiança dos inocentes todas estas coelhadas bancárias em que a sua participação não pára de meter as orelhas de fora.

 

É por isso que ainda acho valer a pena insistir em maçar-vos, pois acho que com a mesma prontidão com que (quase) toda a gente se apresta para substituir o suspeito do costume por uma verdadeira incógnita julgo que na mesma linha de actuação deveria estar (quase) toda a gente desertinha por afastar o insuspeito da treta e arriscar em quem, pelo menos até ver, ainda tivesse o cadastro político irrepreensível (na medida do possível, claro, pois tenho consciência de que estou a roçar perigosamente o reino da utopia) e não fosse arrogante como parece ser pecado nuns e não ser defeito mas feitio quando aplicada a supostos imaculados e só por isso intocáveis.

 

É por isso e mais umas coisitas que vou mesmo cumprir com gosto a minha obrigação moral, votando em conformidade com a minha forma de ver e de querer as coisas e não misturando alhos e bugalhos pois as legislativas são outro campeonato do mesmo futebol, e tento alertar-vos para a necessidade de assumirem de uma vez por todas de que lado está a vossa forma de ver o mundo.

Sim, devia já estar disponível a terceira via.

 

Mas por enquanto só temos mesmo dois lados para escolher.

publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

BLACK & WHITE

 

perto do porto

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 15:28 | linque da posta | sou todo ouvidos

DEMITIU-SE O PRESIDENTE DO SPORTING?

Não há azar: estão no momento certo e reúnem as condições ideais para mandarem vir o Tiririca!

 

(Pior do que está...)

publicado por shark às 15:07 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 15.01.11

O MEIO OU O FACTO?

Num tempo em que a Comunicação Social, ou uma sua importante fatia, perde credibilidade aos olhos de cada vez mais pessoas e na internet fenómenos como a blogosfera e as redes sociais se impõem aos poucos como fonte de informação alternativa coloca-se de forma cada vez mais premente uma questão que está longe de ser respondida behond any reasonable doubt: a credibilidade depende do suporte, do meio através do qual a informação é veiculada, ou antes do seu teor?

 

Parece pacífico, não é? De caras, a maioria de nós aponta para o suporte. Se passa nos jornais, na rádio ou na televisão é verdade com (quase) toda a certeza, mesmo que seja mentira. E se a informação nasce num blogue é provavelmente (quase certo) que deve ser mentira ou exagero, ainda que corresponda na íntegra à verdade dos factos, sobretudo se contrariar a versão oficial divulgada pelos media tradicionais.

Contudo, quando pensamos um pouco acerca do assunto as coisas não parecem tão claras como no impulso apriorístico...

 

Em causa está o rigor informativo. Ou seja, o reconhecimento generalizado da credibilidade de determinado suporte. E se antes da internet a questão era mais ou menos ponto assente e às pessoas bastava lograr a distinção entre bom e mau Jornalismo, a comparação fácil entre o Jornal do Incrível e um semanário como o Expresso, agora surgem em cena novas fontes de informação cada vez mais percepcionadas pelas pessoas como, pelo menos em parte, válidas enquanto opção a uma Comunicação Social sob diversas suspeitas, nomeadamente a do estatuto de refém dos profissionais relativamente aos colossos corporativos que dominam o seu mercado de trabalho, algo de que um amador independente não padece quando se propõe informar.

 

Bom senso ou senso comum?

 

E é aqui que se levanta a tal questão complicada: faz sentido tomarmos por garantida uma informação errada só porque é divulgada por um Órgão de Comunicação Social e duvidarmos de forma sistemática de uma verdade que provenha de um blogue ou no Twitter?

Não faz assim tanto, quando colocamos a coisa neste prisma, mesmo tendo em conta o perigo inerente à rédea solta de qualquer cidadão que bloga (e falo do perigo da desinformação como do perigo da informação “desaconselhável” - o Wikileaks, pois... - na sua influência determinante até para a estabilidade de regimes políticos e da própria organização social e da reacção das populações perante os factos que descredibilizam alguns poderes), por contraponto com a responsabilidade (teórica) de um jornalista acreditado ao serviço de uma publicação qualquer.

Mas depois recordamos o calibre de alguns estagiários capazes de picarem notícias na net sem sequer divulgarem a respectiva origem e reparamos que não são poucos os jornalistas a sério que recorrem a meios como a blogosfera e as redes sociais para fugirem a uma liberdade condicional (condicionada) de expressão que a simples necessidade de manutenção de um posto de trabalho pode implicar.

É aqui que se baralham as contas e o futuro se escreve com contornos menos definidos do que daria jeito aos vários poderes, sempre pragmáticos, no que respeita a quem irá vencer esta guerra de audiências em matéria informativa.

 

O problema é que às debilidades de uma internet que no Ocidente não se aceita controlada para lá do plano da responsabilidade civil, da sujeição aos mesmos princípios que regem as relações entre pessoas e instituições no mundo analógico e que, por exemplo, proíbem e condenam a difamação e a calúnia, tal como não se imagina filtrada seja de que forma for em termos de acreditação dos seus protagonistas (a tal história de uma blogosfera séria e de alguma forma reconhecida em termos institucionais e de uma outra só para “brincar”), correspondem as evidências de uma progressiva perda de isenção e até de rigor por parte de quem até hoje deteve o monopólio da informação em massa.

 

E é nesse crescente equilíbrio de forças que residem as maiores ameaças e interrogações, embora, paradoxalmente, se vislumbrem aí também as melhores oportunidades para um dos pilares mais sólidos de qualquer democracia como gostamos de a entender, a liberdade de expressão responsável (mas sem espartilhos de conveniência) que nos compete defender.

publicado por shark às 10:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 14.01.11

ENTARDECER

 

final perfeito

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 23:55 | linque da posta | sou todo ouvidos

LÁPIS, BORRACHA E A FORÇA DA TRADIÇÃO

Desde sempre, os europeus adoraram desenhar. E não estou a falar de Foz Côa, do Leonardo da Vinci ou dos impressionistas mas sim de fronteiras. Esse é o maior apelo da alma artista dos que chegam a um poder suficientemente forte para poderem aplicar os seus dotes.

É um ver se te avias, bora lá criar mais um país, bora lá agora redefini-lo nas zonas mais polémicas, bute lá apagar aquele país do mapa. De lápis e borracha na mão, é como visualizo os gajos cheios de pica a quem confiam essa tarefa de pegar no atlas e desenhar novas linhas que não são férreas mas quando transformadas em Cortinas até ferrugem podem ganhar.

 

De pouco valeram os sarilhos que na maioria dos casos advinham desse impulso desenhador. Primeiro na própria Europa e depois cada vez mais longe, continente atrás de continente, bastava deitarem as mãos à gerência do estabelecimento e toca de lhe mudarem a casa de banho para a cave ou deitarem abaixo uma parede qualquer. Ou construírem uma nova, imaginária, e essa é que era a obra que mais chatices proporcionava com a vizinhança, gente que ainda por cima tinha os tiques próprios de quem morava há muito mais tempo nas terras que os europeus, eufóricos, inebriados com um poder papal, cuidavam de dividir com os seus riscos de conveniência sem se ralarem pevas com os limites originais que perduravam há séculos até à sua chegada.

 

Bom, e lá andaram entretidos a dividir o mundo em parcelas como se dos seus terrenos na província se tratasse, semeando broncas um pouco por todo o planeta e ainda bem que assinaram o papel em Tordesilhas ou ainda hoje andávamos embrulhados com os espanhóis e a América Latina andava toda à zaragata.

Em África foi o que se viu, na América do Norte ainda deu trolha entre ingleses e franceses e depois entre americanos e mexicanos. Pelo meio ainda havia uns peles-vermelhas mas o assunto foi resolvido à boa maneira europeia (que os americanos nunca renegaram a sua origem e mostram igual apetência para o desenho abstracto).

 

Contudo, o tempo passa e sem saberem como nem porquê os europeus viram-se de repente reduzidos de novo ao Velho Continente para darem largas ao seu discutível talento para a delimitação territorial. O regabofe mais recente (sim, ainda nem peguei pela borrada no Médio Oriente) teve como pretexto, ironia, a queda à martelada de uma fronteirinha em Berlim que ninguém imaginava ser a primeira pedrada de muitas que vieram a seguir em países do leste europeu que nasceram ou morreram como cogumelos nas telas dos desenhadores compulsivos.

 

A bronca foi de tal ordem nos Balcãs que parecia ter arrefecido de vez o ímpeto desenhador, até porque começava a tornar-se difícil em tempo de paz inventar pretextos para mais um traço aqui e além, por muito que 0,001% dos portugas reclamassem Olivença e ainda menos espanhóis se lembrassem do calhau de Gibraltar que também lhes foi gamado à má fila mas pelos desenhadores ingleses.

 

E foi então que alguém teve uma ideia genial para recuperar o espírito da coisa e proporcionar de novo uma oportunidade para mostrar ao mundo o jeito europeu para riscar no/do mapa.

 

O conceito da União Europeia em versão pré-federalista deve ter nascido assim.

publicado por shark às 12:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 13.01.11

O FIM DO MUNDO? DESCULPE, MAS NÃO SOU DE CÁ...

Uma das coisas que sempre estiveram na ordem do dia e nas cogitações de muitos pensadores é a sensível questão do fim do mundo. Compreende-se, pela complexidade do que está envolvido nessa tragédia potencial que nos nossos dias só precisaria da confirmação absoluta da Lei de Murphy para passarmos definitivamente do se ao quando.

 

Eu não costumo pensar muito no fim do mundo, sobretudo porque na qualidade de catastrofista amador tendo a levar demasiado a sério as minhas conclusões e essa é a receita ganhadora para uma pessoa passar a temer, como na pequena e irredutível aldeia gaulesa, que o céu nos caia na cabeça.

E aqui entro directamente numa das ameaças impossíveis de ignorar, nomeadamente por causa da mnemónica dos esqueletos de dinossauro: os asteróides.

Não há como dar a volta a esse receio justificado, estamos a falar de calhaus do tamanho de países que andam por aí à solta, no espaço, no céu, algures sobre as nossas cabeças. Temos aí um bom exemplo de uma hipótese plausível (até porque dinossauro escaldado…) do fim do mundo sem apelo nem agravo. Não há naves espaciais, super-heróis ou mesmo mísseis xpto que nos valham se um desses pedregulhos embicar para a bolinha azul.

 

Contudo, o fim do mundo (que até já tem diversas datas marcadas) parece estatisticamente mais assegurado por via da intervenção humana, em particular quando em parceria com calamidades à escala global.

Ou seja, não é preciso um asteróide para garantir o armagedão. Basta um qualquer anti-cristo mais atrevido, bem armado e com a localização geográfica mais adequada para se juntarem no panelão outra vez os ingredientes a que nos cheirou durante a Guerra Fria.

Aliás, o frio também começa a assumir um papel de destaque nos cenários apocalípticos e curiosamente num contexto paradoxal, o do aquecimento global que toda a gente discute acaloradamente na origem mas ninguém parece levar a sério na consequência.

 

E poderia estender-me num lençol a perder de vista acerca do assunto, mas a coisa é tão densa que só se digere por fascículos. Além disso, onde eu queria chegar era à utilidade, à repercussão da teorização do fim do mundo, aconteça como acontecer.

É que por definição isso do fim do mundo leva a noção de fim ao seu extremo.

E nesse caso, mesmo que alguém consiga acertar no dia, hora e contornos invariavelmente dantescos da ocorrência, no máximo um tipo fica a saber se terá ou não tempo suficiente para fazer a mala e, pelo sim pelo não, à cautela, preparar umas sandochas para o caminho até lá.

publicado por shark às 14:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

linhas de torres

Foto: Shark

 

publicado por shark às 09:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 12.01.11

A POSTA QUE CHOVEM CARAPUÇAS

Uma das cenas mais giras de acompanhar em blogues são as trocas de piropos entre casais desavindos. Neste domínio encontramos alguns exercícios brilhantes de escárnio e maldizer, acrescidos em dificuldade pela absoluta necessidade de dizer tudo o que é preciso para quem conheça consiga identificar o/a outro/a (sobretudo o/a próprio/a) sem contudo a coisa ficar escarrapachada em demasia para não tombar pela base a pala de absoluta e recíproca indiferença que tanto se esforçam por construir.

 

São intensas, mais até do que muitas ainda a decorrer, estas ex-relações amorosas trasladadas na sua qualidade de mortas-vivas para a plataforma blogueira. Transpiram emoção, ainda que alegadamente negativa, e constituem obsessões tão óbvias que cedo ou tarde acabam por se verem traídas naquilo que de mais importante existe para os/as autores/as: a camuflagem do seu verdadeiro sentir. E por vezes essa mascarada de carnaval pobrezinho até inclui sólidas referências à sinceridade e ao cariz genuíno de quem tantas vezes repete a ideia do ódio de estimação que quase acredita nesse estatuto por parte do alvo a abater.

A malta desunha-se a escrever quando não aguenta mais o faz de conta e por impulso (mais ou menos controlado) avança para o teclado com a loucura estampada no olhar.

 

Depois publicam-se as postas, ainda a ferver, e nem se aguardam uns minutos até ser possível matutar a sério acerca das palavras disparadas para a página branca no monitor. O desprezo desejado a tentar esconder por detrás o amor que custa sempre muito a morrer, as palavras com vontade de fazer doer porque a saudade abre a ferida e as memórias provocam imensa comichão e depois surge em cena a vontade da vingança que resulta sempre porque se sabe que o/a outro/a nunca perde pitada.

E a cena fica ainda mais marada quando se equiparam no calibre os oponentes, tanto na intensidade dos sentimentos como na capacidade de os reflectir num texto tão curto e contundente quanto seja possível obter.

 

Numa altura em que já ninguém pode esconder a sangria da blogosfera para a rede social da moda, onde toda a gente acha que tem que se estar, é sempre uma alegria encontrar estes prodígios da escrita rebuscada que se vê utilizada como artilharia, num bombardeio constante que para quem veja de fora é claro enquanto inconsequente e nunca existe um vencedor.

 

E ainda se torna mais fascinante quando identificamos os protagonistas dessas conturbadas mas intermináveis histórias de amor.

publicado por shark às 22:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

COELHO POR LEBRE

Fui dar uma volta pelo Oitavo Dia e deixei lá uma questão que me parece pertinente. Se não tiverem mais nada o que fazer...

publicado por shark às 17:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

SOL POSTO

Viu-a sair da porta com a certeza absoluta de que saía da sua vida também, mas nada fez para a impedir. Achou que precisava de decidir e ela não deixava porque sempre que ele pensava ela interrompia e o barulho que fazia era algo que impedia um pensamento de fluir.

Preferiu deixá-la sair, sem alarido, sem luta, pois não tinha nada em disputa que o motivasse para tentar barrar-lhe o caminho, apetecia-lhe ficar sozinho por algum tempo e isso proporcionava-se naquele momento em que ela agiu em conformidade com a dura realidade da sua relação moribunda, a vontade ausente, perdida, o hábito e pouco mais a justificar a presença de qualquer deles naquela ligação interrompida por alguma razão, ou várias, que nem conseguia agora encontrar por entre as vagas memórias do muito que correra mal.

 

Preferiu aceitar o final e entendê-lo como o mais lógico corolário de um amor cujo inventário há muito denunciava a escassez, sentia que perdia mais de cada vez que insistia e depois ela não saía mas apenas se prolongava de forma artificial um romance que correra mal logo à partida, anunciando a despedida que nem chegaria a acontecer porque ele preferiu deixá-la sair sem uma palavra proferir que pudesse levá-la a resistir ao apelo que esboçara ao longo dos meses em que bocejara o seu enfado indisfarçável e lhe provou ser inviável a manutenção de um amor sem emoção, abaixo das expectativas criadas.

 

Deixou correr as águas passadas e concentrou-se, apoiado no parapeito da janela, no horizonte de onde o sol se preparava igualmente para partir.

publicado por shark às 12:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

ENTARDECER

 

deslumbrante

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 00:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Terça-feira, 11.01.11

VOCÊS DESCULPEM LÁ...

...Mas eu seria egoísta se não partilhasse esta posta da Isabel Moreira (o reforço de Inverno do Aspirina) convosco.

Agradeçam-lhe, não a mim.

publicado por shark às 18:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

TODOS OS DIAS

Sobem apressados, olhares alienados pelo pensamento que os acompanha no caminho, preocupações e afazeres, desilusões e deveres, distraídos de tudo quanto os rodeia como aqueles que se cruzam agora em sentido contrário, alguns num esforço que acreditam necessário, visível dificuldade para caminhar mas determinados em não parar a corrida que a deles é a do final de vida que precisam sentir de pé e avançam habituados às dores enquanto recordam antigos amores ou organizam na cabeça o tempo que para eles é já tão curto mas sentem em cada dia como tempo demais, um aceno de cabeça aos restantes transeuntes que os ignoram na sua passada arrogante, na mesma direcção apenas mais depressa, olhar brilhante com a certeza de um horizonte repleto de amanhãs, ouvido no telemóvel ou dedos no teclado para responderem à mensagem, tudo bem e uns bjs, atarefados a todo o tempo como se fosse essa a medida do seu viver, uma vida a correr, a estrada atravessada sem olhar para o lado e depois a calçada igual, olhar perdido pelas montras ou pelo chão, às vezes para o céu por questões meteorológicas, adiante que a pressa é permanente e, paradoxo, parece que vai acabar quando o sol se puser e nem dão por quem vacila no percurso, à procura do número de uma porta qualquer, um homem ou uma mulher estranhos ao local que tentam reler a morada num pedaço de papel como se ele pudesse transformar-se de repente num mapa do tesouro que é chegar ao objectivo traçado, o caminho interrompido para pedir ajuda a alguém, onde fica Sacavém?, e afinal não era por ali e voltam para trás seguindo agora o mesmo rumo das crianças que passam a correr perante o olhar do ancião comerciante que lhes sorri, vassoura na mão para varrer a calçada por causa do pó no estabelecimento onde entra a senhora do bairro, cliente habitual, para a sua compra normal que ele já conhece de cor e salteado, gente que caminha para todo o lado enquanto o dia não se esgota, exausto pela rapidez que lhe é imposta pela vida a acontecer, passagem fugaz, enquanto o sol não se encosta na linha do horizonte para espreitar por um instante o que nesse dia a noite lhe traz.

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publicado por shark às 16:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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