Segunda-feira, 31.01.11

VERÃO NO SEU OLHAR

Uma borboleta no seu voo irregular, difícil de seguir com o olhar prisioneiro da beleza que o hipnotiza, entretida no seu tempo, na sua vida, asas pintadas a rigor com o empenho e o amor que a Natureza aplica nas suas criações.

 

O vento suave, rasteiro, sobre o campo espigado no pino do Verão, e o olhar enfeitiçado a seguir a ondulação de um mar diferente desenhado a cada instante por uma brisa a soprar, de passagem, a meio do caminho na sua viagem para um destino qualquer.

 

O contorno difuso de uma mulher, bela apesar de desfocada pelas ondas de calor que turvam o olhar maravilhado a acompanhar o movimento gracioso de uma mão que acaricia as espigas, feliz, o amor diante do seu nariz cada vez mais próximo da boca no rosto onde o olhar, apaixonado, por momentos desligou.

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publicado por shark às 23:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

FLOWER POWER

 

 

wallpaper

 

 

Foto: Shark

 

publicado por shark às 01:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 30.01.11

GABIRUS E BABUÍNOS

Enquanto no Egipto o poder chega ao ponto de desligar um satélite para silenciar a Comunicação Social, reconhecendo de forma explícita a ameaça que o Jornalismo livre representa para os poderes com pés de barro, em Portugal assisti num só dia a duas exibições da grosseria com que se tratam os jornalistas sempre que a notícia ou a pergunta não agradam a alguém.

 

Mete dó, a actual condição dos profissionais da Comunicação Social neste país. Para além do camartelo omnipresente dos empregos precários sob o comando de impérios financeiros ainda têm que enfrentar as manifestações de falta de respeito por parte de quem os sinta como um desconforto,

por norma babuínos ou gabirus. E em ambos os exemplos a que assisti estavam presentes estas duas classes de gente avessa à liberdade de expressão na sua vertente mais sincera.

O primeiro caso passou-se a propósito de no Cascaishopping a ASAE ter encerrado o espaço da restauração por decorrerem obras no tecto da estrutura sem qualquer tipo de protecção para os consumidores quanto ao bedum que pode salpicar-lhes a refeição em tais circunstâncias.

Para evitar o acesso às opiniões dos clientes os gabirus responsáveis pelo espaço comercial destacaram um gorila (babuíno dos grandes) para se intrometer entre entrevistador e entrevistados, usando o caparro para impedir os jornalistas de cumprirem a sua função devidamente autorizados e credenciados.

 

Já no outro exemplo de arrogância e falta de respeito o protagonista foi um velho conhecido nestas andanças, o treinador do meu Benfica, que até a Deus deve fazer benzer-se por o homem ter um apelido tão desadequado ao perfil.

Decorria uma Conferência de Imprensa no final do jogo do Benfica com o Aves quando o passarão-mor, incomodado com uma pergunta acerca de um assunto que lhe diz directamente respeito, desatou a refilar com o jornalista que o questionou e de seguida abandonou a sala sem água vai nem água vem.

Neste caso, como é óbvio, o gabiru e o babuíno reuniram-se num só interveniente mas o resultado final foi a exibição pública de desrespeito pelas pessoas e pela função, uma das muitas que se somam e vão criando cada vez mais obstáculos à missão que à Comunicação Social compete desempenhar.

 

Por muitos anos que passem sobre a minha deserção, nunca vou conseguir evitar o nojo perante estes insultos descarados a um dos pilares de qualquer democracia digna desse nome.

O acesso à informação nem deveria precisar do reconhecimento legislativo que o deveria proteger de situações como as que acima refiro mas que chegam a passar pelo roubo do equipamento de gravação (essa ficou-me entalada, sobretudo pela impunidade de que claramente o babuíno de serviço na altura beneficiou) para impedir a divulgação de factos desfavoráveis a quem é por eles responsável, deveria bastar um pingo de inteligência para perceber a necessidade absoluta de salvaguardar o papel do Jornalismo e essa protecção passa pela forma como são tratados os respectivos profissionais.

 

E num Estado que se reclama de Direito e democrático não deveriam ser necessárias mais macacadas para impor se necessário por via penal o respeitinho que é muito bonito pelo dever de uns que garantem um direito de outros e merecem por isso muito maior consideração por parte de um país que parece esquecido de não há muito tempo ter vivido nas catacumbas da mentira e da omissão que uma ditadura, como uma democracia podre, fazem questão de construir.

publicado por shark às 23:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

E COMO TEM AS COSTAS LARGAS O PSEUDO FARAÓ ESFINGE QUE NÃO PERCEBE..

Não sei se é mesmo aquele tique da alma esquerdalha que inspira este romantismo sistemático perante as sublevações populares espontâneas contra regimes pseudo-democráticos ou nem pouco mais ou menos, tão diferente da reacção das gentes de direita a esses fenómenos tão próximos do caos e ao quais só aderem por motivo de força maior, nomeadamente quando estão em causa os interesses de escolas privadas, de embriões ou de qualquer tipo de contestação ao actual Governo.

O que sei é que vejo povos como o egípcio, o tunisino ou o iraniano nas ruas e apaixono-me à primeira vista pela sua causa que, sendo a do povo e não a dos poderes que o oprimem, adopto sempre como minha.

 

Preocupa-me sobremaneira esta fase perigosa da contestação ao regime de Mubarak, sobretudo pela consciência de que os ocidentais ficam sempre reféns das suas ligações perigosas, porquanto necessárias num contexto mais amplo, com tiranetes (obrigado, candidato Coelho) quando estes perdem o controlo da populaça.

É evidente que os norte-americanos terão que engolir em seco quando vêem os seus F-16 sobrevoarem multidões civis indefesas para, no mínimo, as intimidarem. Nem que seja pelo que isso representa de antítese à democracia que, como antes a religião serviu as potências europeias, lhes serve de pretexto para os seus casamentos de conveniência.

 

Por outro lado, o espectro do fundamentalismo islâmico sempre presente naquelas paragens (mas pouco credível como papão para um país como o Egipto, marcadamente mais vocacionado para o laicismo) abre as portas a mais uma possível ingerência desastrada dos israelitas que se agarram de forma tenaz ao seu pretexto estafado para obterem o perdão internacional para os abusos que vão cometendo de forma impune. E há muitas maneiras de interferir num conflito interno que assume as proporções do que está a acontecer agora no país que temos tido por aliado na contagem de espingardas daquela região.

 

Por tudo isto, e porque ninguém pode questionar as motivações legítimas de um povo a quem os poderes devem servir quando este os contesta, temo o pior desfecho para esta inspiradora coragem dos egípcios capazes de abrirem o peito às balas sem possuírem sequer um líder carismático para orientar a sua revolução.

 

E sinto-me ainda mais agradecido por viver num país onde a democracia ainda tem voz grossa o suficiente para que o poder não precise de impor à bruta a sua autoridade ao ponto de me obrigar a marchar contra os seus canhões.

publicado por shark às 18:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

SAPATEIRAS AOS MOLHOS E LEITE CONDENSADO EM PROFUSÃO

E eu que já de seguida vou para a cozinha trabalhar duas magníficas sapateiras (não havia serralheiras disponíveis) e fazer um doce de leite condensado e chocolate que é uma aflição só de pensar na cena?

 

Eu sei, ainda bem que a maioria de vós já almoçou, ou estaria a ser muito cruel. Eu sei.

publicado por shark às 14:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 28.01.11

OUTRO CÉU

 

planadora

Foto: Shark

 

publicado por shark às 23:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

UM EGITO MUITO AGIPTADO

Nunca escondi a minha indiferença para com o tal de acordo ortográfico, mas claro que dou comigo a tentar perceber-lhe os absurdos e as incongruências que lhe denunciam a falta de sinceridade na motivação.

Os recentes acontecimentos no Egipto fizeram-me reparar no pormenor de o Egipto agora ser Egito mas sem os egípcios passarem a egícios.

 

E eu não percebo porquê.

publicado por shark às 22:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)

A POSTA NAS ESQUIZOPENAS

Li as duas notícias de seguida, o que foi bom porque muitas vezes só nos prendem a atenção quando as abordamos assim, aos pares, e podemos por comparação extrair o sumo noticioso da coisa (um exercício tão complicado nestes dias que se explica assim o declínio do interesse nas palavras cruzadas).

 

Em causa estão dois crimes que quase estranhamos ainda serem notícia, burlões apanhados pela Justiça. Bom, claro que a parte chamativa da notícia, pelo quase insólito, é as autoridades terem desmantelado mais dois esquemas vigaristas mas uma pessoa acaba por prender a atenção no crime em questão, até porque outro exercício mental porreiro consiste em tentar perceber, num país onde um assassino raramente passa mais de quinze anos dentro, até onde o crime compensa nisto das fraudes (não estou necessariamente a aludir ao BPN).

 

E é aqui que entra o factor surpresa, a notícia à qual um tipo deita um olhar desleixado entre duas sorvedelas no café da manhã e de repente inclinamo-nos para a frente na cadeira ou no sofá para termos a certeza de que percebemos bem.

Os crimes de que vos falo são o de um esquema que envolvia mecânicos, bate-chapas e mais uns profissionais de outros ramos associados para embarretarem as seguradoras (um pequeno pecado que o povo estupidamente aplaude mesmo tendo que pagar depois a factura) e um outro esquema que envolvia farmacêuticos, medicamentos para a carola e comparticipações a 100% dos contribuintes para o fundo de maneio da rapaziada (e cuja operação de desmantelamento a polícia baptizou, com grande pinta, de esquizofarma).

 

Onde está a tal surpresa que me fez olhar com mais atenção? Curiosamente não está no facto de uma das burlas, a dos seguros, estar directamente relacionada com o meu ganha-pão.

O que realmente me surpreendeu foi o facto de o Ministério Público propor como pena para esta burla que alegadamente terá causado dezenas de milhar de euros em prejuízos para as companhias de seguros nada menos do que vinte-anos-vinte de prisão efectiva para os artistas em causa.

 

Depois olhei para os milhões de euros em que a malta das farmácias terá burlado o Estado Português com as suas receitas ganhadoras e fiquei curioso para saber que punição, para além das 50 chicotadas e da amputação das falanges, o MP terá em mente para estes abomináveis malfeitores.

publicado por shark às 10:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 27.01.11

ATÉ QUE O TECLADO ME DOA

Ao longo dos últimos dias constatei uma ligação directa entre três notícias relevantes e a internet.

Da situação na Tunísia retive a importância atribuída à Blogosfera, a partir da qual muitos cidadãos tomaram consciência do fenómeno colectivo que acabaria por se propagar até atingir as dimensões de uma autêntica revolução.

Naquilo que alguns recusam como estilhaço dos acontecimentos em Tunes, também no Egipto a população, sobretudo com base no Facebook, organizou uma mobilização espontânea e as ruas estão cheias de povo empenhado numa mudança de regime.

E finalmente, a uma escala menor, deparei-me com o caso de uma jovem raptada há décadas que conseguiu através da internet descobrir toda a verdade da sua condição e reunir-se de novo à família de que uma desconhecida a havia privado com menos de dois anos de idade.

 

Estes exemplos, a que se podem somar muitos outros aos quais a internet está ligada de forma indelével (recordo o caso flagrante do Irão), prenderam a minha atenção por estarem tão próximos no tempo e por ser avassaladora a consciência deste privilégio que devemos reconhecer nessa condição, blogar, bem como a responsabilidade inerente ao uso livre de tão poderosas ferramentas de comunicação que, de resto, são entendidas pelos poderes anti-democráticos como uma ameaça temível que tentam a todo o custo silenciar.

 

Será um erro de palmatória não aprendermos com os exemplos acima a respeitar a função que nos compete a partir do momento em que abraçamos estas novas formas de transmissão da liberdade por contágio.

Sejamos claros: se em países como a Tunísia, o Egipto e o Irão(!) foi na internet, nomeadamente na Blogosfera e nas redes sociais, que a revolta popular nasceu, como quase todas as revoluções, a partir do momento em que milhares de cidadãos perceberam que não estavam sós na sua sede de protesto e de mudança, porque havemos nós de questionar o poder da liberdade de expressão que precisamos ver defendida a todo o custo e que constitui afinal a nossa única arma contra qualquer tipo de poder que, sem dividir para reinar, jamais logrará a impunidade de outrora, num tempo em que muitas vezes a verdade era abafada ao ponto de fracassarem movimentos por simples atrasos na comunicação ou equívocos acerca do apoio popular a uma acção revolucionária ou, nos nossos tempo e hemisfério mais pacíficos mas nem por isso menos irrequietos, a mudança imposta com base na força da opinião pública devidamente propagada, sem grilhões ou espartilhos de qualquer espécie?

 

A minha insistência nesta actividade que exige mais de nós do que possa aparentar fundamenta-se cada vez mais nesse respeito de que vos falo acima, nesse carinho acrescido por algo em que invisto tempo e vontade cada vez menos pelos retornos possíveis e cada vez mais pelo orgulho que adivinho nos que sabem hoje que farão parte da História das suas nações, colegas blogueiros que arriscaram a força da palavra contra os canhões inúteis de exércitos feitos por pessoas com família e amigos que lhes retiram a vontade de irem para a rua disparar sobre os seus na defesa de tiranos.

 

Exactamente como acredito que enquanto mantivermos abertas estas janelas virtuais, dificilmente a democracia cairá nas mãos de quem a queira amordaçar.

publicado por shark às 11:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 26.01.11

BLACK & WHITE

 

entre margens

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 23:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

QUIOSQUE, ERA O DIÁRIO DE UM

Agora é meu vizinho sapolas.

Vale a pena acompanhar o Pedro Silva, pois ele tem um talento natural para servir de anfitrião nas visitas que nos oferece ao seu quiosque.

É quase como estarmos lá.

publicado por shark às 21:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

TRESANDA...

...A bibigarice.

publicado por shark às 21:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 25.01.11

A POSTA NO FIM DA MACACADA

Depois de dias a fio a levar com temas tão maçadores e, a avaliar pelos números da abstenção, perfeitamente dispensáveis como política e eleições e essas chatices todas, achei que deveria optar por um tema mais profundo para debitar umas larachas.

E como ainda não tive pedidos para me debruçar sobre a Fossa das Marianas decidi ir mais além e empoleirar-me nessa importante questão que é da vida para lá da morte. Só de raspão, claro...

 

Bom, o próprio conceito de vida para lá da morte soa disparatado se optarmos por tradução literal e isenta de religiosidade. Bem vistas as coisas, teríamos um ciclo vida-morte-vida outra vez e é difícil de aceitar a ideia de que um ente superior cria pessoas e mata-as para depois as fazer viver outra vez, ainda que sob outra forma e/ou noutra dimensão da existência.

É que isto da morte é uma gaita, pois atemoriza a malta toda (mesmo a que acredita na tal ideia de que depois do fim acontece um princípio num sítio ainda melhor e atafulhado de virgens – nenhum paraíso é perfeito, enfim…) e as pessoas não gostam nada de viver com esse tipo de canga às costas.

 

Na verdade, isto do medo da morte (uma consequência lógica da consciência de que existe, acontece e não é só aos outros) é um dos preços a pagar por nos termos posto em bicos de pés diante dos nossos irmãos chimpanzés, uma mazela própria da evolução da espécie que por vezes enfrenta os caminhos da existência com o mesmo sentido de orientação de uma barata tonta mas sem a resistência dessa prima afastada.

Para os restantes símios a morte pouco diz, embora façam o possível por evitá-la. No fundo gozam enquanto podem e não se fiam em virgem alguma, ao contrário de nós, os inteligentes da família, que mesmo perante a hipótese realista de sermos tão ressuscitáveis como uma sardanisca e de ser improvável transitarmos para um paraíso acabamos por desperdiçar o tempo a recriar uns para os outros o verdadeiro inferno e sempre com a displicência de quem se julga, no mínimo, eterno.

 

Essa mácula na superior capacidade intelectual que nos distingue do resto do macacal pode ilustrar-se, por exemplo, com aquele cliché ancião do ai se eu pudesse voltar atrás. Não se pode, é outro dos dramas a abordar um destes dias na ressaca da provável vitória do Passos Coelho no próximo recorde de baixa afluência às urnas, porque já conseguimos clonar ovelhas mas ainda não sabemos como recuar no tempo para podermos clonar as respectivas bisavós.

E apesar de sucessivas gerações a chorarem os atrás a que voltariam para fazer tudo diferente, os que ainda lá estão, no seu ponto do percurso, olham adiante e agem como se fosse indiferente estarem hoje em Alcochete e amanhã numa nuvem a tocar harpa para matarem o tempo que alegadamente não mais se esgotará. Ou seja, preparam o caminho para repetirem o choradinho dos mais velhos quanto ao desconforto de espreitar uma vida pelo retrovisor.

 

Ou seja, isto só para concluir depressa pois detesto não ter sempre a resposta ou a solução na ponta da língua – embora aprecie mantê-la atarefada, a existência da vida para além da morte não aquece nem arrefece mesmo que venha a ser provada ou então a fé não passa de um embuste para manter a malta entretida. E mesmo para os que acreditam no fim absoluto excepto talvez numa vertente ecológica da reciclagem natural que nos torna em adubo de primeira para couves lombardas, a avaliar pela amostra pouco os distingue entre si na atitude e na capacidade de desbundar isto tudo com a alegria que os nossos antepassados distantes encaravam o milagre (não é fé, é fezada) que é viver cada dia.

 

Não faças de conta que não é nada contigo, ó tu que lês: há quanto tempo não catas uns piolhos ou saltas de árvore em árvore pendurado/a numa liana ou dás uma queca só porque te apetece e sem complicações e constrangimentos de toda a ordem enquanto és capaz, seguindo o bom exemplo de qualquer chimpanzé?

 

Acreditas que vais poder fazê-lo mais tarde ou na tal outra vida, não é?

publicado por shark às 17:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

COM O VENTO PELAS COSTAS

 

com o vento pelas costas

Foto: Shark

 

publicado por shark às 00:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Segunda-feira, 24.01.11

O PORTUGAL DOS PEQUENINOS

Era uma vez um edifício chamado Portugal, ocupado na esmagadora maioria por herdeiros dos seus primeiros ocupantes.

Um dia, quem mais ordenava no Portugal decidiu abraçar a propriedade horizontal e foi uma festa no edifício. Unidos venceriam todos os problemas e em plena euforia pelo privilégio que isso representava decidiram promover a primeira assembleia de condóminos na qual, e apesar de as opiniões divergentes darem origem ao nascimento de sub-grupos entre os vizinhos, elegeram a primeira administração do condomínio.

 

Tudo parecia correr bem, embora fosse indisfarçável o mal estar provocado pelas divisões internas, nomeadamente por causa da tendência dos grupos minoritários e menos próximos dos elementos da administração estarem sempre do contra e com palpites acerca da melhor forma de fazer as coisas perante uma maioria de vizinhos descrentes.

Porém, as coisas complicaram-se quando, passados uns anos sem que alguém se ralasse com os sinais preocupantes nos sucessivos relatórios de contas ou com os indicadores visíveis de má conservação nos interiores, as reuniões cada vez mais vazias e mesmo no limite para garantir um quórum digno desse nome, começaram a surgir fissuras na fachada e os moradores dos prédios contíguos ficaram a conhecer a balda que por ali reinava.

 

Mas não ficariam por aí as broncas que ainda mais acentuaram as divergências. Com as reuniões cada vez menos concorridas e os voluntários para a administração, sempre os mesmos, a alternarem a tarefa que diziam ingrata mas assumiam com enorme sacrifício pessoal e porque mais ninguém se oferecia, os vizinhos preferiam discutir os problemas e palpitar soluções nos patamares dos seus pisos, acrescentando ao mau ambiente do edifício as suas críticas incessantes e inócuas a cada administração em funções mas sem darem o corpo ao manifesto para fazerem melhor, o Portugal foi-se deteriorando aos poucos e depressa atingiu o limiar da habitabilidade.

 

Metia dó, aquele outrora orgulhoso edifício.

Contudo, os vizinhos que se abstinham de participar no que apelidavam de arranjinho entre as partes insistiam em arrastar cada vez mais moradores para o que já defendiam como arma de luta, a ausência sistemática do único momento onde podiam tomar decisões e tratar de as levar à prática, deixando a administração entregue aos vizinhos que tanto criticavam por fazerem mal o que eles recusavam tentar fazer melhor.

Os anos foram passando assim, com as contas cada vez mais no vermelho e o edifício chamado Portugal de tal forma abandalhado que um dia apareceu um inspector que tomou o controlo das contas da administração e assim passou um atestado de incompetência a todos os moradores.

 

E passado algum tempo o edifício Portugal desabou e todos os agora sem abrigo choraram e é uma pena mas nesta história não havia mesmo maneira de encaixar um final feliz.

publicado por shark às 21:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

TUBARÃO ALTERNADEIRO

Faz de conta que isto é um intervalo publicitário.

É só para não se esquecerem de que parte da minha presença blogueira acontece aqui.

publicado por shark às 11:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

torre e pavilhão

Foto: Shark

 

publicado por shark às 09:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

E QUE TAL VOT@R? (2)

Depois da barracada de hoje, deixando bem claro a quem temos os sistemas entregues, na questão do voto electrónico acho que ficamos todos conversados.

 

I rest my case...

publicado por shark às 00:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 23.01.11

CAVACO REELEITO À PRIMEIRA VOLTA

Que não comecem já a chover sobre mim as acusações de ilegalidade pois limito-me a repetir o que acabo de ouvir na SIC Notícias em directo e pela voz off de Rodrigo Guedes de Carvalho.

 

Depois da calinada do Governo no flope do sistema eleitoral em versão modernaça, esta deverá ser a segunda mais significativa asneira de um dia eleitoral que parece pautar-se pelo primado dos azelhas.

publicado por shark às 18:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

COMICHÕES

 

comichão nas costas

Foto: Shark

 

publicado por shark às 18:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NOS EMPREGADOS DE MESA

Numa fase da minha vida em que prestava imensa atenção ao sobrenatural (para lá das miúdas, que sempre marcaram presença no centro das atenções) cheguei a acreditar nas predestinações, nos sinais premonitórios que nos alertavam para os perigos a evitar, talvez colocados por funcionários de juntas de freguesia já falecidos e ainda assim incapazes de deixarem por cumprir a função que lhes havia sido (pre)destinada.

 

Claro que também andei na catequese e o efeito prático foi o mesmo, este limbo da fé onde nada é credível e tudo pode de facto existir, inclusivamente as extraterrestres ricas capazes de tirarem um gajo desta vida.

E agora esta posta muda de rumo e pego por dois momentos deste meu dia cheio de gajas pequenas em casa (nos trabalhos de grupo a coisa é rotativa e hoje – ontem – tocou-me). O primeiro foi o da experiência eleitoral, da qual tenho o privilégio de ser quase um veterano pois pude votar logo que atingi a maioridade. O segundo foi ler esta posta do Valspirina que prendeu a minha atenção num aspecto específico por onde vou dar início à tal mudança de direcção deste texto.

 

Fui votar e pela primeira vez em mais de quinze anos a exercer o meu inestimável direito no mesmo local parecia que tinha a mesa de voto em Deadtown. A cidade fantasma, por acaso uma vila, provocou-me arrepios bem maiores do que os do frio instalado até à periferia do meu esqueleto de eleitor.

A segunda sensação estranha foi o contacto com os autómatos da mesa de voto, três, dois deles abaixo dos trinta. Nem um retorquiu ao meu sonoro “boa tarde”. O que julgo ser o presidente da mesa estendeu a mão para recolher os cartões, proferiu o número e o nome completo com voz de morto-vivo, deu-me o boletim de voto e nem por um momento olhou para mim.

E aqui entra o tal aspecto da posta do Val que me prendeu a atenção. Como ele, falhei dois ou três actos eleitorais enquanto membro das mesas. Cheguei a estar presente a pedido do PC, mesmo nunca tendo votado no partido.

Depois a coisa passou a ser a pagantes e nunca mais ouvi falar do assunto.

 

A imagem das três criaturas com ar enfadado de quem exerce uma seca de função remunerada agride-me desde que de lá saí. É penoso, para quem experimentou a pica da democracia em directo, com a malta de diferentes orientações ideológicas a torcer em conjunto pela chegada de mais eleitores, um sorriso rasgado de boas vindas a cada um, felizes por poder dar baixa de mais um das dezenas de nomes na lista que nos tocava.

E depois ainda vinha a cereja no topo do bolo, a contagem onde os presentes comunas vestiam de novo a farda vermelha e impunham um rigor que quantas vezes atrasava o fim da coisa por mais de uma hora por causa de um xis que ultrapassava dois milímetros os limites do quadrado e ficava logo suspeito de nulidade.

Era uma emoção despejar a caixa metálica preta sobre uma mesa da escola ou do pavilhão.

 

Agora é como vos descrevi, a animação de um balcão das Finanças mãos dadas com o ambiente típico de um funeral. E eu pensei logo no da democracia, a definhar por todos os lados às mãos destas aventesmas que nem possuem o alcance necessário para perceberem um momento extraordinário bem à frente dos seus narizes imbecis, emoções a flutuarem à deriva no meio das convicções e outras coisas importantes despejadas no vácuo no interior dos seus crânios sobre-dimensionados.

Alimárias, bem pagas e com direito a balda ao serviço no dia a seguir, contrariadas pelo privilégio de poderem viver um momento que só poderia engrandecer as suas formações pessoais que aos meus olhos tanto se revelaram necessitadas.

 

O sinal premonitório de que vos queria falar, mesmo já não ligando tanta importância a essas coisas, foi precisamente a notícia de que a presença nas mesas passaria a ser remunerada, numa prostituição descarada do voluntariado para estes serviços que constituem eles próprios um indicador da saúde de qualquer democracia.

 

E a nossa, coitada, está cada vez mais mal encarada.

publicado por shark às 16:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

JESUS À SCOLARI

Tal como aconteceu com o antigo seleccionador nacional, Felipe Scolari, o treinador do meu Glorioso espetou uma galheta na cara de um jogador adversário no final da partida com o Nacional da Madeira.

Na sua justificação, e mais uma vez tal e qual o castiço brasileiro que nos fez perder um Europeu, alegou estar a defender os minino (no caso concreto, alegadamente era Jara o benfiquista em perigo...) e por isso não é de estranhar que Jesus não tarde a pedir que a malta meta bandeiras do Benfica nas janelas.

publicado por shark às 00:05 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 22.01.11

SOMOS LIVRES

somos livres


Foto: Shark

 

publicado por shark às 21:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

E QUE TAL VOT@R?

Calhou, neste dia dedicado à reflexão eleitoral, deparar-me com esta opinião do meu chefe no Oitavo Dia, o João Ferreira Dias, e como não tenho o que reflectir acerca da escolha que me compete amanhã achei oportuno ponderar a questão que o JFD coloca.

 

A primeira reacção, instintiva, à hipótese do voto electrónico é a de aceitar a ideia por soar perfeito para combater a abstenção, mobilizando a multidão de comodistas activistas de sofá.

Sim, é de acreditar que em dia de intempérie será mais fácil motivar parte dos abstencionistas a exercerem o seu direito entre umas colheitas no farmville e as respostas aos email. Porém, isso deixa às claras o facto de ser algo embaraçoso para qualquer democracia assumir que os seus cidadãos só assim se prestam a usufruírem de um direito que não é, a História comprova, um dado adquirido.

Claro que me dirão “que se lixem os pruridos pois qualquer dia só votam as partes directamente interessadas”. Ora são precisamente essas partes interessadas quem nos compete eleger ou não e se continuamos a deixá-los entregues à sua sorte qualquer dia vamos enfrentar um grande, grande azar.

 

Por outro lado, o voto electrónico suscita de imediato a questão da fraude eleitoral. A reacção instintiva de aprovação da coisa empalidece quando confrontada com as evidências que se multiplicam da falta de segurança que a informática não consegue contrariar.

Não me seduz a ideia de confiar o sistema democrático a um suporte que já se sabe ser vulnerável e por que isso pode tornar-se num poder arbitrário que no caso concreto vai sempre cair em mãos erradas.

Sim, tenho a perfeita noção do bota de elástico em que me transformo quando coloco a questão nesse prisma. Tresanda a típica aversão à mudança e ainda por cima não tem em conta situações de excepção como o JFD protagoniza.

 

Mas considerando o que está em causa, confesso que mesmo confrontado com o voto contrariado em alguém que não estou certo de ser a melhor opção para o país prefiro ter a certeza de que a minha decisão corresponde à realidade expressa na contagem, mesmo vivendo com algum remorso se me perceber errado na escolha, e essa até à data é uma garantia que ninguém questionou.

 

E acredito mais numa Pátria onde as pessoas entendam o direito e o dever implícitos no acto de votar e não precisem de uma espécie de room service que lhes sirva a urna de bandeja mesmo ao lado da chávena do chá.

publicado por shark às 11:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Sexta-feira, 21.01.11

A VOAR AO OCASO

 

voar ao ocaso

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 21:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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