Quarta-feira, 13.10.10

E AO OITAVO DIA ELE POSTOU

Voltei a fazer uma perninha num blogue colectivo.

A convite do JFD vai passar a haver prosa minha no Oitavo Dia.

 

A estreia do esqualo aconteceu aqui.

publicado por shark às 21:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

UM JUMENTO COM BARBATANA

Isto das relações humanas baralha-me de tal forma que fico com a impressão de que quando for possível medir o QIE (Quociente de Inteligência Emocional) vou fazer figura de burro...

publicado por shark às 10:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Terça-feira, 12.10.10

A POSTA NA FALTA DE COMPARÊNCIA

Assisti, anos atrás, à degradação e inevitável desaparecimento de uma colectividade que respirava saúde, movimentava centenas de pessoas em torno do triunvirato desporto, recreio e cultura e parecia talhada para ser eterna, pois quem geria os destinos da pequena organização entregava-se à tarefa de corpo e alma e nem a projecção pessoal constituía um prémio por aí além em função do tempo e do esforço que ofereciam a todos quantos usufruíam da muitas opções ali criadas.

Claro, havia sempre uns melgas, pequenos arruaceiros, que tentavam desestabilizar tudo aquilo que sabiam não serem capazes de levar a cabo. Contudo, os líderes da colectividade, tão duros quanto sagazes, mantinham esse pequeno núcleo a prudente distância e acabavam por ficarem a falar sozinhos sempre que se revelavam os asnos que, de facto, eram.

Mas os anos passaram e os fundadores, estoirados, passaram o testemunho a outros menos capazes e mais tolerantes para com a presença indesejável do tal grupelho que entretanto crescia na mesma proporção da degradação do nível clube e das pessoas que o faziam. Não tardaram a surgir os sinais perturbadores a que poucos prestavam atenção e ninguém mexia uma palha para contrariar.

 

Em escassos anos os sucessores dos pioneiros deitaram a perder boa parte da realização colectiva, apesar de se revezarem no comando do colectivo com mais alguns da sua igualha, alheios ao efeito espantalho dos arruaceiros que afastaram em definitivo as pessoas de bem que frequentavam a colectividade e a faziam acontecer.

À debandada sucederam-se as complicações financeiras e chegou o dia em que ninguém se candidatava à direcção cessante do clube. Avançaram os menos recomendáveis, na prática os únicos que frequentavam as instalações e por isso legítimos nas suas pretensões.

Pelo menos terá sido isso que os associados, num fenómeno de abstenção em massa, terão acreditado quando entregaram o que restava a tal gente, por omissão.

Dois ou três anos depois o clube, na altura uma imensa taberna, desapareceu e acabou por ser demolida a sede para ser construído no local um luxuoso edifício de habitação.

 

Na história que acima resumi encontro a dos anos mais recentes do nosso país. Os paralelos encontro-os em vários aspectos, mas centro a minha atenção no facto de a colectividade que me serve de (mau) exemplo ter desaparecido acima de tudo pelo cruzar de braços de quem se divorciou do projecto quando os rufias e os incapazes entraram em cena.

Quando apontamos os dedos à classe política e ao nível rasteiro da sua imagem, à semelhança da sua capacidade e prestação, estamos a fazer exactamente o mesmo que fizeram aqueles que desertaram da sua obrigação moral e confiaram os destinos do que era a seu a alguém a quem não reconheciam qualquer mérito excepto o de estarem lá.

Ou seja, os que estão lá acabam por ser os que tomam as rédeas. E esse é o retrato fiel das organizações partidárias que nos fornecem a maravilha de deputados e de governantes que temos conhecido desde o 25 de Abril.

 

Não sei se é um dado adquirido, esta falência generalizada (mundial) de colectivos às mãos de gente menos dotada, menos empenhada, mas assídua e só por isso recrutada para os cargos a partir dos quais, como eucaliptos, olham por si enquanto tudo em seu redor desertifica e definha até nada restar.

Sei, isso sim, que o fenómeno é global e está a afectar Portugal de uma forma mais notória do que a outras nações mais bem equipadas para enfrentarem dias maus. Isto não é um mal da esquerda ou da direita, como se constata pelos candidatos a sucessores possíveis de José Sócrates (e o próprio, por comparação com os antecessores). São os que há, os mais hábeis de entre os que foram ocupando as sedes dos partidos até alguém lhes entregar a chave da porta e evacuar para o remanso do sofá.

É disso que se trata e por isso não tenho, como a maioria de nós, tanta legitimidade assim para apontar dedos acusadores às suas falhas como numa Democracia saudável e participada me competiria.

 

Sou um dos culpados pelo estado a que este país chegou, assumo-o com enorme desgosto e pouca coragem para dar a volta à situação na parte que me toca. Como muitos outros que tentaram, de alguma forma, aproximar-se dos partidos políticos para tentar mudar o sistema pela raiz, acabei por me sentir inconveniente, ignorante, não alinhado no esquema "correcto" de fazer as coisas, demasiado revolucionário para os interesses estabelecidos e para o arranjinho já montado onde apenas se aceitavam colaboradores, candidatos a coisas pequenas na falta de opções, e nunca gente com ideias próprias ou, pior ainda, capazes da heresia de porem em causa qualquer tipo de regra ou de doutrina emanada de cima.

A realidade dos partidos como a conheci faz-se mesmo assim. Ninguém é corrido se não levantar muitas ondas mas os grupos já criados deixam bem claro o estatuto de persona non grata a quem não amochar.

 

A Democracia político-partidária começa por acontecer dessa forma nos pequenos núcleos regionais. Não interessa a ninguém a capacidade de liderança mas sim a habilidade para promover alianças, casamentos de conveniência que permitem a disputa interna do poder de uma forma ordeira entre os (mesmo muito) poucos que frequentam a vida dos partidos e por isso tomam as decisões.

Depois a coisa vai subindo ao nível distrital, passando ao nacional e está assim criada a catapulta de medíocres a que faço muitas vezes alusão. Sobem os que lá estão, depois de torpedeados todos quantos possam fazer frente a meia dúzia de militantes que empurram de piso em piso os mais capazes numa espécie de jogo da cadeira onde muitas vezes resta apenas um para a disputar. E o ciclo perpetua-se, por via das cedências em excessos movidos pela ambição pessoal que comprometem o colectivo emaranhado numa teia de silêncios cúmplices.

 

É esta a verdade dos factos, simplificada. A classe política que temos é a disponível e tirando aqueles sobem outros do mesmo calibre ou pior e quando são esses ao leme, os que estão no lugar que os melhores renegam para não se sujarem, para não estragarem as suas vidas pacatas e sãs com tudo aquilo que a vida política hoje acarreta, e surge no horizonte a borrasca é mesmo de temer o naufrágio da coisa.

Claro que em tempo de vacas gordas qualquer um brilha e a malta até lhe reconhece elevada competência e lhe agradece o cumprimento de um papel que não reclamam para si. O pior é quando a coisa descamba e começa a faltar o verdadeiro motor do entusiasmo ideológico, o dinheiro, e percebemos todos, os de fora, que quem lá está não percebe nada do que está a fazer e quando damos por ela já estamos com a cabeça no cepo e achamos que não temos culpa alguma.

 

No entanto, e apesar da atenuante de ser muito jovem nessa altura, sou um dos responsáveis pelo desaparecimento da colectividade a que acima faço alusão e à qual dei bastante do meu tempo mas não o suficiente, como se viu.

E por isso não é assim tão relevante de que cor são os escolhidos para a governação, serão sempre aqueles que lá estão ou piores. Os outros não acham que um país valha a pena o sacrifício de enfrentar os grupelhos a quem interessa confinar a Democracia a pequenos feudos que se ligam a feudos maiores numa cadeia hierárquica de eficiência quase militar mas aplicada apenas ao esforço necessário para que o esquema montado funcione e ninguém, dos que lá estão, se sinta prejudicado na ambição.

 

E toda essa energia investida na promoção pessoal por etapas é desviada do objectivo principal que acaba reduzido a um cliché para ornamentar a campanha eleitoral de fachada ao longo da qual se propõem aos de fora os rostos dos (mesmo muito) poucos que melhor souberam lidar com os umbigos e suas exigências, os tachos para o amigo de longa data ou a cunha para o cunhado do empresário que mais contribuiu financeiramente ou os cargos elegíveis para uma massa anónima de presentes que aproveitam a preguiça dos ausentes para chegarem onde nada o faria prever.

 

As excepções deverão existir e aí reside a esperança que resta. Mas é se aparecerem a tempo.

(Mesmo, mesmo muito) depressa...

publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Segunda-feira, 11.10.10

LOOK UP!

despedida do verão
Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 23:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

IRMÃOS DE SANGUE

Agora que a mais bizarra monarquia do Mundo se prepara para a sucessão com mais um clone do clã Il Sung, prendeu a minha atenção a reacção do Partido Comunista Português relativamente à atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo, um corajoso activista chinês que ousou enfrentar o monstro que de tantos horrores tem sido capaz. Mais um mártir potencial, na prática.

E deu-me arrepios, esta súbita associação de ideias entre o macabro regime norte-coreano, o perigoso regime chinês e a falta de escrúpulos dos comunistas portugueses, quando me lembrei de tempos em que este país quase mergulhou nesta versão arcaica de esquerda totalitária e me ocorreu que jamais quererei que a minha filha cresça sob o jugo deste tipo de ideologia.

 

Tal como aconteceu relativamente ao Tibete, ao golpe de Estado falhado que derrubaria Gorbatchev e a muitos outros episódios vergonhosos para qualquer regime ou nação e quase sempre sinónimos de totalitarismo ou de desprezo pela Democracia (Tianamen não desapareceu do mapa, pois não), o PCP pronunciou-se de novo em abono dos que entende por seus pares nisto da luta do proletariado.

Estas tiradas comunas constituem um dos melhores argumentos para eu jamais poder aproximar-me de um partido político que consegue vergar a moral e a ética em prol de uma coerência que tresanda a dogma e me faz lembrar os pretextos da santa Igreja para justificar (à época) a (nada) Santa Inquisição ou, nos tempos que correm, para defender coisas tão estúpidas como o pecado que o uso do preservativo constitui.

O paralelo está na forma como pilares de qualquer das duas organizações mundiais (católica e comunista) conseguem fazer escolhas entre os males menores que são o resultado último dos seus dislates e os males maiores, insuportáveis, que seriam a traição aos princípios (no caso da Igreja) ou aos amigos ou a ambos (no caso do PCP) e sua eventual repercussão negativa para a causa de que se arvoram.

 

Nem o comunista mais fanático pode negar que morrem pessoas na China por delito de opinião que se converte em subversão nas mentes doentias que reconhecem como legítimo o abuso do poder em nome de uma causa ou de uma pátria ou, no caso do PCP, da boa figura das suas escolhas inevitáveis enquanto modelos de sociedade a defender.

Venha o diabo e escolha, de entre os camaradas que os comunas portugas não permitem beliscados no estatuto de grandes nações onde se luta pelos interesses dos trabalhadores, contra o patronato e na defesa intransigente do fim da miséria e do estreitamento do leque salarial que nos tornará numa enorme e feliz cooperativa de gente tão solidária como as dos arquétipos católicos de fachada.

A miséria e a fome grassam na Coreia do Norte, é um facto incontestável, tal como o medo impera na China e o único mérito e a única forma de inteligência reconhecidos são os que melhor desenham os contornos da caricatura em que num e noutro país se tornou a Democracia que, até os comunistas lusos sabem, não sobrevive às mutilações sistemáticas na Liberdade de Expressão.

 

Eu ainda posso usufruir da minha, tal como o PCP quando abona o regime irmão mesmo que para isso precise de conspurcar a imagem do maior galardão a nível mundial e ignorar a similaridade da luta de Xiaobo e outros com a sua antes do 25 de Abril.

É imperdoável que pessoas capazes e inteligentes como muitas que conheço na área comunista aceitem sem protesto estas posições oficiais do seu partido como suas. Não acredito que não existam comunas capazes de distinguirem certo e errado ao ponto de aceitarem como sua a defesa de regimes assim, prepotentes, arrogantes, imperialistas, cruéis.

Nenhuma ideologia ou religião pode sobrepor-se ao valor de uma vida humana. Cada uma das vítimas dos regimes chinês e norte-coreano, tal como cada uma tombada pela SIDA por não querer ofender a Deus, são o resultado prático de erros primários de concepção das doutrinas e de trapaças intelectuais grosseiras para minimizar a ignomínia que de facto representam.

 

Reagir em defesa do regime chinês é assumir a cumplicidade por inerência de cada um dos crimes já consumados e de todos os que certamente ainda irão acontecer.

publicado por shark às 20:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

PARECE QUE SE CHAMAVA JOSÉ

O tom lilás das paredes da sala acentuava a escuridão natural no exterior daquela casa construída onde mais ninguém quereria viver. O sol raramente conseguia romper a barreira de nuvens quase permanente, uma neblina insistente que dava à casa ali plantada um estatuto de assombrada e nem o carteiro lá ia, de resto nada o justificava, pelo estranho temor que inspirava aquele micro-clima azedo que seria o escolhido de um homem sozinho como albergue dos seus dias sem interacção social.

 

As gentes do povoado mais próximo, quilómetros abaixo, tantas curvas apertadas que mais pareciam anos-luz, desejavam tanto a sua presença fugaz como ele estimulava a dos que temiam aquele que não se deixava conhecer.

Era apenas um homem e o seu destino, um eremita, um inquilino daquela gruta com telhado construído apenas para lhe disfarçar a condição. Era um homem sozinho que alimentava de forma voluntária aquela solidão, entretida no cultivo do terreno minúsculo que se conseguia resgatar no meio da aridez circundante onde nem a chuva era abundante senão nas encostas daquela montanha inóspita sem nada que pudesse ser interessante para alguém que não uma pessoa diferente como aquele homem sozinho na casa onde a luz feria os olhos quando acontecia porque quase nunca existia e mesmo aí ninguém a incentivava a regressar.

 

Era escuro também o olhar daquele homem sozinho que plantava o que comia e ainda lhe sobrava um pequeno espaço rodeado de rede onde um pequeno bando de galinhas mais um galo cobridor que também funcionava como despertador faziam criação.

Ninguém sabia o que aquele homem sozinho fazia antes de pagar a construção daquela casa cinzenta na fachada como a expressão do homem que um dia a mandara construir a um empreiteiro da região. Mas a ninguém ocorria perguntar algo ao homem sozinho que cultivava o silêncio com a sua atitude tão agreste que quase soava hostil aos habitantes da pequena vila instalada no sopé da montanha, indignados pela ignorância, intimidados pela irrelevância das suas opiniões quando se perdiam em especulações acerca do homem sozinho que há mais de vinte anos pisara pela primeira vez aquele chão.

 

Por isso o deixavam em paz no cume, isolado, embora entendessem como um pecado a sua rejeição, a forma como não lhes confiou o privilégio da integração e dessa forma acabaria por ser ele quem descaradamente os excluiu do seu mundo a sós no topo da montanha onde ninguém gostava de ir.

Chocava-os essa forma de estar, individualista, do homem sozinho que abandonava a vista no horizonte limitado pelo nevoeiro cerrado e recordava sem cessar tudo aquilo que o levara a optar por aquela existência medonha aos olhos de quem não lhe conhecia as fundações e precipitava conclusões para colmatar o desconfortável vazio de informação.

 

Pouco mais sobrava do que o esqueleto quando o encontraram tombado sobre o tampo da mesa de cozinha, muito tempo depois da sua última passagem pela povoação, apanhado de surpresa pelo coração enquanto recordava os filhos desavindos, emigrados, que deixariam ali ficar, abandonadas no cimo da montanha, a casa e as memórias de um homem sozinho cujas ruínas jamais alguém voltaria a pisar.

Tags:
publicado por shark às 14:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 09.10.10

ATOLADOS NO PRINCÍPIO DO FIM

Ainda com a memória fresca da explosão de uma plataforma petrolífera da BP e respectivas consequências, surge agora mais um capítulo da lenta mas inexorável saga do envenenamento do planeta Terra por via do impacto ambiental das indústrias criadas para, em princípio, fabricarem um progresso que se traduziria em melhores condições de vida, num mundo melhor.

Todavia, a multiplicação destas pequenas catástrofes ecológicas que nunca passam sem deixarem rasto e os sinais perturbadores das alterações climáticas nas suas manifestações mais tangíveis, calamidades à escala cada vez mais global, deixam pouca margem de manobra aos optimistas ou aos gananciosos que se deixam comprar pelo ouro tóxico que nos prepara um fim que já ofereceu a muitas espécies do planeta.

A esse fim chamamos extinção.

 

De todos os sinais que a natureza nos envia e as broncas que tratamos, nós pessoas, de lhe somar, a lama vermelha que tinge como sangue a Europa Central, resultado de mais um acidente (como lhe costumam chamar, meiguinhos, os responsáveis últimos de todos estes erros acumulados que depois podem resultar na trampa que se vê) envolvendo uma indústria das que brincam com o fogo das substâncias perigosas que nos alimentam a colossal máquina capitalista (não no sentido esquerdalha do termo, bem entendido) é mesmo a mais apropriada.

Não se trata agora de uma imagem poética nascida de um qualquer ecologista mais sensível: do céu acima da Hungria é possível ver a Terra sangrar às mãos da espécie daninha que a mutila e incapacita aos poucos de cumprir o papel de albergaria de muita vida (incluindo a dos idiotas que a destroem) que lhe foi originalmente destinado por uma incrível sucessão de coincidências cósmicas ou simplesmente por aquilo a que a maioria costuma designar por Deus.

Ou seja, se este maravilhoso planeta azul fosse mesmo uma espécie de estalagem de abrigo para viajantes os seres humanos representariam uma horda embriagada de vândalos que os restantes hóspedes ansiariam ver pelas costas.

Mas as consequências nefastas, reais, da nossa presença neste mundo são tão letais que a horda do exemplo acima seria constituída por assassinos em série com tendências suicidas.

 

Tudo o que tenho estado a escrever soa radical, exagerado. Mas isso também aconteceu no passado a muitos dos que chamaram pelos nomes alguns bois que deram à Humanidade contundentes marradas.

A negação é sempre a melhor fuga em frente quando preferimos morrer na ignorância e sem os pesos na consciência de tudo aquilo que a dimensão desta negligência alarve ameaça provocar.

O planeta está mesmo a sufocar e mesmo as mais arrojadas proezas de organizações como a Greenpeace começam a parecer grotescas pelo cariz quase inócuo do resultado da sua intervenção.

Estamos a falar, no confortável sofá das mixórdias químicas que sustentam o lado supérfluo das nossas existências anafadas, da agonia evidente de todos os ecossistemas terrestres e já me enojam os debates acerca das causas para todo este colapso em detrimento da conjugação séria de esforços para, no mínimo, o adiar.

 

A ver se conseguíamos garantir, vá lá, a existência de mais uma geração ou duas no futuro deste hotel de luxo que estamos a transformar numa espelunca vergonhosa onde alucinamos sob o efeito líquido das águas inquinadas, o efeito sólido dos alimentos adulterados e a moca brutal da inalação permanente dos vapores libertados pela queima de combustíveis fósseis e de outros fósforos com que brincaremos até o fogo nos consumir de vez.

publicado por shark às 12:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quinta-feira, 07.10.10

CAPA DE ESQUALO

 

capa do livro
Foto de capa: Espelho do Outono, by Jorge Shark

Como já tinha referido algures, uma foto minha voltou a servir de capa para um livro (para minha enorme vaidade, sim...).
Desta vez foi, como mostra a ilustração acima, uma obra acerca de Nietzsche assinada pela Prof. Scarlett Marton e editada pela Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil).
Partilho-a convosco apenas porque fico insuportável quando me conferem qualquer tipo de distinção.
E esta, considerando o meu estatuto de fotógrafo-amador-que-só-expõe-em-blogues, sinto-a como tal.
Tags:
publicado por shark às 20:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

BLACK & WHITE

uma luz ao fundo
Foto: Shark

publicado por shark às 20:24 | linque da posta | sou todo ouvidos

VISTA DESAFOGADA

Existe uma fase da vida em que olhar para o futuro, a curto ou a longo prazo, é como olhar a vastidão de um horizonte imenso onde tudo (de bom) é possível acontecer.

Mas essa fase, ao contrário das expectativas, não dura para sempre. O passar dos anos, uma maravilha que nem sempre reconhecemos nessa qualidade, implica uma progressiva perda de visão que deriva de uma realidade tramada chamada envelhecimento e que só é tramada porque poucos sabem aceitá-la como parte do ciclo que nos compete cumprir e que devemos agradecer porque nem todos temos a sorte de a percorrer.

Essa perda de visão limita o alcance no tal horizonte imenso, obriga-nos a reduzir a fasquia na ambição para não a tornarmos numa fantasia impossível de concretizar e por isso talhada para se tornar numa permanente frustração.

E começa aí, quando não temos a coragem de utilizar os óculos ajustados à realidade que vivemos e nos revoltamos contra a falta de tempo ou de capacidade para cumprir objectivos adolescentes, o desperdício de uma regalia tão precária que justifica um olhar atento e entusiasmado para o presente que ontem não era mais do que um amanhã que ninguém nos poderia garantir.

É aí que começa a velhice azeda e resmungona, no culminar de um processo que começa precisamente na negação infantil do seu prenúncio.

 

Tempos atrás eu era o jovem no cimo da montanha, olhar assoberbado com mais paisagem do que conseguia abarcar. À vista larga de então contrapunha-se a falta da visão selectiva que só a maturidade tranquila (os tais óculos de que falava mais acima) nos confere.

Via tudo sem ver nada, sonhava acordado porque me era permitido deixar correr mesmo os sonhos sem pernas para andar, sem ter a noção das limitações que a erosão do tempo e da vida que nos dá o calo podem implicar.

Hoje sou o homem de meia idade sentado numa escarpa a meio do caminho para o topo onde tive a felicidade de deixar uma filha que olha agora o horizonte com a legítima sofreguidão que me compete moderar, a meio caminho do chão, se tudo correr pelo melhor, para conseguir ganhar a batalha contra a estupidez de deixar passar ao lado a hipótese de olhar a vida com maior detalhe, ao pormenor.

 

São vistas curtas as dos que envelhecem de forma precoce por se preocuparem mais com o menor alcance da visão do que com a oportunidade de a aproveitarem para, ao perto, observarem nas calmas e se deliciarem com pequenos nadas que a euforia adolescente dos primórdios nem se dignava reparar.

E eu espero, daqui a um ano, estar num ponto da montanha mais perto da terra firme onde o meu corpo enrugado do futuro poderá caminhar em segurança cada dia, sem ter que passar esse tempo a sós, um ponto onde consiga olhar para trás, para cima, e rever na tela tudo aquilo quanto me é dado a viver hoje e saber dar o valor ao privilégio que isso constituiu, renegando assim a velhice como uma espécie de cancro da felicidade e abraçando cada momento como um benefício dessa oferenda chamada existência que quanto maior melhor.

 

Espero, daqui a um ano, conseguir ver com a mesma clareza os detalhes de tudo aquilo que a minha vista alcançar, corrigida a miopia do desencanto com as lentes da lucidez.

Espero, daqui a um ano, continuar a ser feliz.

publicado por shark às 10:39 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 06.10.10

DE RESTO, SENTI-ME EM FESTA

O único grande inconveniente deste Centenário da nossa sofrida República é num dia tão especial termos que levar em doses tão elevadas com a fronha do actual Presidente da mesma.

Tags:
publicado por shark às 02:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

NOSTALGIA EM TONS DE AZUL

A Fox anda, e muito bem, a retransmitir a série policial de culto Hill Street Blues, ou Balada de Hill Street como algum sobredotado da tradução entendeu chamar à coisa na versão portuga.

Assumo a minha condição de admirador da série, pelo que não seria imparcial qualquer juízo de valor quanto à mesma.

Mas chamo a vossa atenção para o facto de ao longo dos episódios já emitidos podermos observar boa parte da realidade sem flores da polícia portuguesa.

 

E vendo a coisa nessa perspectiva, os quotidianos ali retratados dos blues de Nova Iorque podem explicar muita da revolta que transpira por detrás dos uniformes da última barreira de protecção entre nós, pipis da classe média, e ameaças de um calibre que só desejamos conhecer pelas imagens da tv...

publicado por shark às 01:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 05.10.10

O HOMEM BRANCO

o homem branco
Foto: Shark

publicado por shark às 12:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 04.10.10

NÃO NOS OBRIGUES A IR PARA A RUA GRITAR

Avança sem medo para o exílio, para o degredo, a que te condenem alegadamente por traíres a Pátria que sentires atraiçoada e pretendas defendida em nome dos que a construíram e daqueles que a irão usufruir.

E depois, mais tarde, regressa. Sem medo, sem pressa, para pegares de novo nas armas de que dispões para combateres os cabrões que a destroem, que a corroem com a sua infestação, a praga sem perdão que a estraga, cada umbigo um sorvedouro, um buraco negro onde desaparece o maior tesouro que uma Pátria nos pode oferecer, o amor que lhe é devido.

 

Regressa e arrasta um amigo para poderes combater na tua terra a canalha, defende quem a estima, quem trabalha para a ver crescer, gente que espera o teu grito para avançar para uma luta sem tréguas que deixe os parasitas a léguas dos centros decisores.

Reúne os melhores e apela à sua consciência do que está a acontecer pela preguiça, o país a perecer em lenta agonia às mãos de quem dele se servia no passado e insiste em preparar o caminho para cúmplices e aliados, um ninho de ratos emparceirados para a rapina silenciosa por parte de uma elite habilidosa que se instala como um vírus, aos poucos, numa cada vez mais descarada apropriação individual de um bem que é comum.

 

Nada temas, ameaças, pois tudo aquilo que faças em nome da Nação será símbolo da coragem necessária para a preservar, salva o que conseguires salvar e corta o passo aos oportunistas, a Lei blindada aos seus truques, artistas, e gente de bem a fiscalizar-lhes cada acto ou omissão.

Arrasa-lhes a tentação com pulso de ferro, democracia musculada, na defesa de uma Pátria que queremos resguardada de vigaristas e de ladrões.

 

Depois pugna para a tornares grande entre as Nações como antes de ti outros fizeram e os seus descendentes quase esqueceram, decadentes, ao longo de tempo perdido que já é tempo demais.

Avança sem medo, intocável, com a tua vontade indomável de purgar o sistema dos podres instalados, dos feudos alimentados pelo compadrio que alastra como uma nódoa que todos tentam esconder e por isso calam o que lhes é dado a ver e baixam a guarda do orgulho por troca com a vergonhosa rendição ao que apelidam de ambição e não passa de ganância sem pudor.

 

Alimenta a tua força com o amor a uma realidade secular, a Pátria que te procura sem parar por entre o fumo, o nevoeiro, do incêndio que lavra no coração dos que ainda recusam a conspurcação por parte do polvo hediondo que fixa ventosas que vão sugando a energia do país e se aproveita da letargia de quem só diz não haver nada a fazer.

Ataca-os onde mais lhes doer com a couraça da dignidade e da justiça liminar. A honra e uma imensa vontade de restaurar um poder isento de mácula, sem medíocres, confiado por escolha do povo a quem se prove digno de o merecer.

 

Pega nas armas que a razão te confere e elimina um a um os problemas criados pela erva daninha, a coisa que não é tua nem minha mas é nossa que do todo fazemos parte, a Pátria que enfrenta a morte certa às mãos de traidores que transcendem os ditadores no abuso e se camuflam por detrás de um regime confuso pelas suas manhas de bastidores, as suas mentiras, conspiradores, que se infiltram pelas brechas criadas pela fragilidade que só aos próprios convém.

 

Reúne o povo que hoje se abstém e luta por Portugal nos campos de batalha modernos, sem medo.

E se tiveres que enfrentar o degredo conta com um exército civil, cidadãos, para te oferecerem as suas mãos limpas de traições como as devemos entender, os esquemas, as burlas, tudo aquilo que faz sangrar a Nação que vemos de rastos no chão pisada por gente de dentro e de fora, o lixo que é nosso dever limpar.

 

E o momento certo é agora. Ou já nada restará para salvar.

Tags:
publicado por shark às 16:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 03.10.10

EL-REI INSULAR FALOU

Alberto João Jardim pronunciou-se acerca das comemorações do centenário da República e afirmou que não está para alinhar em festanças.

E eu continuo sem saber se o homem é sinceramente estúpido ou estupidamente sincero...

publicado por shark às 21:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

O OUTONO VOLTOU

E trouxe reforços...

publicado por shark às 13:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sábado, 02.10.10

TELEVISÃO PARA PARVOS

Acabo de descobrir, num zap falhado, outro programa de televisão sem jeito nenhum. É uma estucha, uma seca, uma fonte de nervos pela audição das palermices que o apresentador da coisa vai debitando com um sotaque pseudo-chunga-Jorge Jesus.

Chama-se O Humor e a Cidade, passa na RTPN e só isso já me justifica uma cólera acrescida.

É que eu também pago com os meus impostos aquela fantochada.

 

O programa veio do Inferno, é coisa do Demo, e isso confirma-se pelos seus montes de boas intenções.

A ideia original, se havia uma, era ter um gajo com piada a mostrar cidades portuguesas de uma forma que pusesse os telespectadores a rir em vez de dormir.

O problema é que incluíram a palavra humor no nome daquilo e o escolhido para andar a passear à pala do contribuinte é um bacano incapaz de arrancar um sorriso a alguém nem com um ataque de cócegas. É só piada fáceis, cenas boçais e tentativas frustradas de arrastar os outros, a malta das cidades, para a pele de engraçadinhos como a veste o senhor.

 

Por outro lado, tudo o que me foi mostrado acerca das cidades deu-me pouca vontade de as conhecer. O cómico de serviço tem um critério de selecção que parece concebido para alimentar o bocejo.

 

Assim sendo, incluo O Humor e a Cidade como obrigatório na lista de cortes à despesa pública que está em voga por estes dias.

Mas calem o gajo.

publicado por shark às 11:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 01.10.10

LOOK UP!

até ao fim
Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 23:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

JORNALISMO: QUEM PUBLICARÁ UM DIA A NOTÍCIA DO SEU FIM?

Já aqui expliquei algures porque entendo o Jornalismo como um vício vitalício e assumo a blogosfera como a minha metadona.

Isto não implica que tente sequer imitar um jornalista na minha actividade blogueira em part-time, refugiando-me no meu umbigo e nas impressões  subjectivas acerca do mundo que me rodeia.

E hoje, que fiquei a conhecer mais uma história sem final feliz por parte de quem tentou abraçar a carreira e desistiu, voltei a perceber porquê.

A história é banal e conta-se em poucas palavras.

Alguém estudou para ser jornalista, obteve uma licenciatura e reuniu coragem para enfrentar o estágio que, no jornalismo, é coisa pior do que a tropa.

Mas se na tropa se diz que um gajo se faz homem (e nos tempos modernos, mulher também), de um estágio no jornalismo português de hoje produzem-se apenas pessoas desencantadas ou alimárias conformadas. E explico porquê, no contexto da tal história que no fundo é a minha tirando as moscas.

 

Eu sou daqueles líricos que acreditam que um polícia deve ser sempre um profissional bem remunerado, precisamente para evitar as tentações que derivam de uma qualidade de vida menos boa e respectiva pressão. Maior lirismo é o de aplicar o mesmo raciocínio aos jornalistas, considerando a prática vigente na Imprensa desde há décadas.

A história de que tive conhecimento implica alguém que depois da Faculdade entrou directamente no estágio de uma publicação ligada, no caso concreto, à decoração mas que podia ser de outra área qualquer.

A realidade dos estagiários, dos aprendizes de jornalistas que (os que aguentam) depois se tornam nos profissionais que detêm o poder que se sabe num mundo onde a opinião pública se faz muito a partir do seu trabalho é feita de ordenados mínimos, de esmolas à peça e sempre de contratos a prazo que ainda enfatizam a fragilidade da sua condição diante das entidades patronais cuja independência se mede em euros e em influências que não se angariam sem troca de favores que podem ser os silêncios comprometedores para a dignidade da função dos escribas/escravos.

 

A protagonista da história que me contaram desistiu quando se sentiu abusada, quando percebeu que só os lorpas conseguem sair da cepa torta à custa de cedências miseráveis e de compromissos insuportáveis para qualquer pessoa que faça a mínima ideia do que está ali (num Órgão de Comunicação Social) a fazer.

Optou por prolongar o percurso académico para poder buscar uma carreira noutra área de actividade.

Nem sei se a pessoa em causa possuía o talento para a coisa, mas sei, pela coragem da sua deserção, que possui decerto a dignidade para nunca se deixar vender (a alma) pelo desespero de causa.

E ainda por cima barata, estupidamente barata em função do grau de apatia, de falta de amor próprio e de poder de encaixe para a ignomínia que exigem hoje a quem sonhe ser jornalista.

 

Eu abdiquei, apesar de ter feito uma perninha há poucos anos e de continuar refém desse vício que nos agarra, que se apodera de nós enquanto fantasiamos acerca da forma como é possível mudar o mundo com base numa coisa aparentemente simples mas rara, a verdade, dissecada sob pressupostos de isenção e de independência face a qualquer tipo de poder, nomeadamente o mais tenebroso.

O dinheiro, essa coisa pestilenta, corrói a melhor das boas intenções quando uma pessoa está dependente de criaturas poderosas, oportunistas e sem escrúpulos para poder sobreviver ou apenas singrar na carreira que acredita ser a de uma vida.

A maioria das publicações portuguesas vive à custa desse excesso de oferta no mercado dos escribas, explorando de forma ignóbil o esforço e destruindo de forma nojenta o sonho de quem tem o azar de embicar para ali, para a carreira que vista de fora é linda mas depois de algum tempo a constatar a prevalência dos asnos (os tais que em algum ponto do caminho decidiram virar a cara ao cocó, a maioria) e a penar sob as condições vergonhosas que lhes são propostas em troca de trabalho remunerado (emprego é outra coisa) se transforma numa abóbora.

 

Note-se que as mesmas publicações que exploram de forma indecente os estagiários e assim enchem as páginas pagas pela publicidade, cujas receitas enriquecem muita gente mas são sempre pretexto para os abusos como o que dá o tom a esta posta, são as mesmas que não se inibem de pagar pequenas fortunas a colunistas em voga para darem o ar de coisa séria com que endrominam o consumidor comum.

Ou seja, o oportunismo é descarado, a lei do mais forte impera e o Jornalismo a sério definha.

Não pode haver Jornalismo sério feito por jornalistas de brincar, por marionetas movidas pela ansiedade do recibo (verde) no final de cada mês e necessariamente à mercê dos contratadores (entidade patronal é outra coisa) e de quem lhes possa valer nas aflições que a vida sempre consegue tecer.

Em ambos os casos, sempre à custa da dignidade de quem cumpre uma função vital para o bom funcionamento de qualquer democracia digna desse nome e que deveria, por isso mesmo, ser poupada a outros filtros que não o do talento, o da incorruptibilidade, o do amor a uma causa que o Jornalismo representa e com o direito a orgulharem-se de serem as eleitas e os eleitos para um papel cuja nobreza se emporcalha todos os dias na leviandade de editores e na ameaça surda da substituição por outros menos capazes mas mais flexíveis nas articulações da coluna vertebral.

 

Em ambos os casos, à custa do fim anunciado da credibilidade, do rigor e mesmo do talento cujos filtros actuais se assemelham aos da contratação de estivadores e de apanhadores de azeitona de entre os magotes desesperados durante os dias da Grande Depressão.

publicado por shark às 14:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

AFLIÇÕES PLEBEIAS

É uma aflição um gajo querer celebrar o centenário da República e a tão poucos dias da efeméride ainda não ter conseguido resolver o dilema inevitável: entre D. Duarte e o Cavaco qual seria a opção que melhor nos serviria?

 

(O diabo já me disse que para esta não está disponível.)

publicado por shark às 10:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

A verdade inconveniente

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO