Quinta-feira, 30.09.10

O SUPER TIRIRICA E A INCRÍVEL MULHER MELÃO

O folclore eleitoral brasileiro, a política mais colorida do mundo, pode muito bem vir a tornar-se no padrão da democracia do futuro, construída sobre as ruínas da credibilidade da classe política dita séria.

Dá gosto perceber na motivação dos candidatos a deputado federal o apelo da sociedade civil para contrariar com um sorriso o desgosto que os governantes de (quase) todo o planeta constituem para as populações que os aturam ou os elegem mas que, acima de tudo, os sustentam.

 

Como o título desta posta indica, de todas candidatas e candidatos cujos spots de campanha pudemos apreciar nas televisões portugas os meus preferidos são a dupla Tiririca/Mulher Melão. E se no primeiro aprecio sobretudo a espontaneidade devastadora de uma palhaçada assumida por contraponto à mal disfarçada que nos toca, no segundo (na segunda) os argumentos estão à vista. Já que temos que levar com tempos de antena e cartazes de rua e toda a parafernália habitual nas andanças eleitorais a figura da minha fruta preferida (sim, adoro melão) é refrescante para a vista e da validade da ideologia estamos conversados quanto à prática dos que simulam terem uma para nos impingir.

E a mulher melão até tem duas...

 

Restam-me poucas (ou nenhumas) dúvidas de que se o Ricardo Araújo Pereira se candidatasse a qualquer cargo político neste país ganhava mesmo sem o apoio de algum partido político. E quem diz o RAP diz a Fátima Lopes (a da TVI, ex-SIC) ou qualquer das figuras públicas mais próximas do coração dos portugueses fartos de votarem com a cabeça para os resultados à vista.

O Tiririca vai ser eleito deputado, tudo indica. Da Mulher Melão, a outra croma digna de uma Marvel Comics (mas na versão Vilhena), já não existem tantas certezas porque fruta daquela abunda no país irmão e porque será certamente penalizada pelo eleitorado feminino que estas coisas da... política suscitam sempre muitas invejas.

 

Claro que é fácil para mim, ou para qualquer dos ilustres analistas da blogosfera, da tv ou da cassete pirata, fazer a apologia da seriedade, do sentido de Estado, da necessidade de elegermos figuras respeitáveis (nem que seja para depois as etiquetarmos de vigaristas, incapazes, gays ou qualquer outro dos mimos com que desde Sá Carneiro - o alegado caloteiro - se rotulam todos os figurões tão sérios que vão protagonizando os cartazes de rua nas campanhas eleitorais).

Contudo, na ressaca do anúncio de mais uma machadada valente no optimismo acerca da recuperação económica que já soa como o próximo título do Sporting (é sempre pró ano), esgota-se um bocado a pachorra para os gajos sérios com fato e gravata ou mesmo sem esta última que têm contribuído de forma directa ou por omissão para o estado a que as coisas chegaram em termos de despesa pública (a tacharia das instituições inúteis e afins, por exemplo).

 

Com as coisas neste ponto, tanto no resultado prático do exercício das funções políticas como na tal credibilidade e dignidade e mais não sei o quê que os líderes devem manter (em teoria), a ideia que refiro acima de propormos um homem simples, do povo, como o nosso ex-colega Gato Fedorento, para termos pelo menos direito a uma campanha eleitoral bem humorada não soa assim tão disparatada.

 

E no fundo é como diz o Tiririca: pior do que está não fica.

publicado por shark às 14:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Terça-feira, 28.09.10

INTERIORES

interiores
Foto: Shark

publicado por shark às 22:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Segunda-feira, 27.09.10

A POSTA SECURITAS

As pessoas, os outros, não cessam de me surpreender.

E raramente pela positiva.

Fazendo parte dos outros para as pessoas que me contactam, tenho a perfeita consciência de que também eu cumpro esse papel, o de oferecer surpresas menos agradáveis para quem aposta numa determinada opção da minha parte e acaba a ver-me seguir o caminho diametralmente oposto.

Se calhar é mesmo assim, sermos imprevisíveis faz parte do fascínio que representamos e se calhar outra vez sem isso não teríamos qualquer interesse ou piada.

Contudo, este cariz aleatório das nossas posições, das nossas escolhas, de quase tudo quanto nos é confiado no âmbito do livre arbítrio, acaba por tornar num pesadelo a maioria das (fracas) ligações que vamos criando uns com os outros.

 

O fascínio que acima referi é uma delícia quando podemos observar a prudente distância os cromos que viram casacas ou mudam de atitude ou mesmo de personalidade a qualquer momento e com isso alteram substancialmente os seus rumos e as imagens que vamos esboçando e que raramente correspondem à personagem.

Mas quando essas alterações súbitas se produzem demasiado perto de nós, quando estamos próximos de quem altera o nosso caminho por tabela quando lhe dá a travadinha e decide mudar o seu, a coisa perde muita da piada e o chão parece fugir-nos sob os pés de forma tão brusca e radical quanto mais nos sentimos ligados a essas pessoas.

É algo que tanto pode acontecer no contexto de uma relação amorosa como no de uma amizade aparentemente sólida e em ambos os casos provoca uma desorientação cujas sequelas acabam por surtir o mesmo efeito de uma qualquer traição.

E esse efeito é o receio instintivo de fomentar ligações, o medo do desconhecido, amplificado pelas feridas abertas na nossa percepção do outro e pela constatação de que afinal não conhecemos assim tão bem os outros e acabamos sempre por ver esses tiros no escuro transformarem-se em tiros nos pés de barro em que assentam as mais firmes convicções nesse domínio movediço que são as relações humanas.

 

Sobretudo na última meia dúzia de anos tenho sido confrontado com as mais incríveis piruetas por parte de quem vou aceitando no círculo restrito dos meus vínculos emocionais. Isso provoca em mim nada menos do que uma reacção proporcional, uma mudança brusca na minha forma de ser, de sentir, de querer os tais outros que dizem essenciais para uma vida preenchida e uma mente equilibrada mas acabam, e falo apenas de mim, por se revelar precisamente o oposto.

Aos poucos, na sucessão de ressacas, vou mesmo perdendo a vontade de abrir caminhos, de explorar o potencial das pessoas que por este ou aquele motivo, por esta ou aquela simples coincidência, entram na minha vida nos espaços deixados vazios por quem saiu.

As contas são fáceis e as entradas compensam cada vez menos as deserções, tanto pelo prisma quantitativo como qualitativo. E aí desenha-se o meu contributo, o tal receio que transforma cada nova relação num campo minado de surpresas potenciais que já não me sinto capaz de aguentar.

 

Sempre que tento contrariar esta tendência que a lógica me diz negativa mas os factos desmentem nesse pressuposto dou-me mal. E os outros também.

É quase um dado adquirido, qualquer que seja o tipo de relação, qualquer que seja o vínculo criado apenas para explodir algures debaixo dos pés de onde me foge o chão quando isso acontece.

É flixado, corrói a confiança, destrói a esperança, amputa a base de sustentação dessa vontade cada vez mais enfraquecida de tentar outra vez.

Até um simples café com alguém surge no horizonte não como o sol de um novo dia mas como o prenúncio de mais um desgosto, de apenas mais um temporal para fustigar o que resta da fé nos outros e em mim mesmo, enquanto viáveis, eu e os outros, do ponto de vista de algo mais do que uma ligação tanto quanto possível distante ou, neste espaço chamado blogosfera ou similares, puramente virtual.

 

O problema está tanto nos outros, essas caixinhas de surpresas que podem ser de pandora quando apostamos alto demais, como em cada um de nós que o somos (os outros) também. Ou nem se trata de um problema mas apenas de uma consequência real, tangível, da evolução da espécie para uma multidão de casulos individuais a abarrotar de instrumentos de comunicação que traduzem não essa necessidade instintiva mas apenas a necessidade de a fazer acontecer sem contacto directo e pessoal, à defesa como a distância parece, se não cedermos à tentação do toque, do olhar, do calor humano, garantir.

 

Todavia, seja o que for é fonte de desgostos, de desilusões, de inevitáveis trambolhões dos pedestais de papelão onde assentam as nossas expectativas relativamente ao que devemos esperar das relações que estabelecemos para lá do foro inevitável, de vizinhança ou profissional ou qualquer outro dos viveiros das tais coincidências que nos levam a descurar a prudência e a ignorar o saber de experiência feito e a (re)abrirmos de forma ingénua a outros as portas da nossa casa ou do nosso coração apenas para mais tarde instalarmos mais um conjunto de cadeados e de sistemas de protecção imaginários da nossa sensibilidade que nos tornam aos poucos em paranóicos emocionais.

 

E eu confesso que cada vez tenho maior dificuldade em encontrar as chaves ou em fixar os códigos de abertura dos meus.

publicado por shark às 23:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

VOANDO SOBRE UM RELÓGIO SUÍÇO

Às vezes o mundo à minha volta soa tão nonsense que quase me sinto na pele de figurante de uma película dos Monty Pithon ou do Mel Brooks.

publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

VAIDADE BLOGUEIRA

Ando feito um vaidoso, mas a culpa é, por exemplo, de quem transforma um comentário meu numa posta.

publicado por shark às 11:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Domingo, 26.09.10

BLACK & WHITE

luz cinza
Foto: Shark

publicado por shark às 21:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

DANTES(CO)

Dantes é que era bom.

As pessoas não se tratavam umas às outras como coisas descartáveis, olhavam-se nos olhos (não havia net nem telemóveis e muita gente não tinha telefone sequer) e irradiavam calor humano suficiente para derreterem o lacre com que se firmavam amizades e amores para a vida.

 

Só é pena um gajo não fazer a mínima ideia de onde param as tais pessoas de dantes.

Tags:
publicado por shark às 20:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Sábado, 25.09.10

ESTAMOS FEITOS...

Na sequência da mais recente polémica entre Passos e Sócrates ficamos com a certeza de que pelo menos um dos líderes dos principais partidos políticos deste país é um descarado aldrabão.

publicado por shark às 14:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Sexta-feira, 24.09.10

PATETAS DE TODAS AS CORES

Quanto ao PSD, ao seu jovem líder e respectivas companhias estamos conversados.

Mas ninguém vai conseguir fazer-me acreditar que uma mulher capaz de alinhar num vídeo como o que Isabel Alçada protagoniza tem estaleca para ser ministra de Portugal.

 

Ou do Butão, tanto faz.

publicado por shark às 16:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 21.09.10

E UM GAJO DIZ O QUÊ?

O grande Marco do Bitaites está a precisar de ir à bruxa.

publicado por shark às 15:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 20.09.10

IMAGENS DE MARCA

Sempre que alguém de quem gostei me desapontou com sinais evidentes do cariz postiço das suas alegadas emoções concedi oportunidades de sobra para se redimirem com um simples assomo de sinceridade que jamais utilizaria como arma de arremesso.

Essas oportunidades ofereço-as muitas vezes sob a forma de indirectas, de insistências cada vez mais claras num determinado aspecto que aos meus olhos desmascarou quem preferiu fazer de mim parvo em vez de aproveitar a minha capacidade de ultrapassar as questões com base nessa forma de redenção tão simples que é a frontalidade sem tretas. Até porque não sou um menino de coro eu próprio e há muito desisti da utopia da perfeição seja em quem for.

 

Apenas duas pessoas em toda a minha vida não quiseram agarrar essa opção e por isso ficarão para sempre aos meus olhos como indignas de terem partilhado fosse o que fosse de mim e o seu papel na minha vida resumir-se-à ao de exemplos concretos de tudo aquilo que sempre temi por parte de quem comigo se cruza no caminho.

 

E por inerência justificam a crescente cautela com que me vejo obrigado a gerir qualquer tipo de aproximação aos outros para me poupar ao somatório de desilusões recíprocas.

Tags:
publicado por shark às 21:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Sexta-feira, 17.09.10

EU GOSTO DE PESSOAS

gigantesca
Foto: Shark

publicado por shark às 23:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

RENT-A-COACH

O pateta que gere os destinos da Federação Portuguesa de Futebol lá anda por terras de Castela em busca do Salvador da Pátria em part-time, numa peregrinação (a perseguição de uma ideia peregrina) que, considerando o ridículo da coisa, deverá incluir também o pedido do direito de cedência do equipamento do Real Madrid para os próximos dois jogos da selecção nacional.

A ver se o Cristiano Ronaldo se baralha e assim...

publicado por shark às 09:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quinta-feira, 16.09.10

NO WIN SITUATION

Se mentimos sentem-se defraudadas, se dizemos a verdade ficam desencantadas.

publicado por shark às 15:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Quarta-feira, 15.09.10

A VIDA COMO ELA É

Como consequência de ser um fracasso enquanto mercador tive no passado que pedir emprestado para garantir a manutenção da minha vida de cidadão integrado na sociedade (o que quer que isso signifique).

Contudo, no presente constato que liquidei sempre as minhas dívidas mas quando olho para o futuro não vejo portas onde bater em caso de aflição.

Tags:
publicado por shark às 14:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 14.09.10

SIM, ESTOU-ME NAS TINTAS PARA A HUMILDADE. E DEPOIS?

Pela terceira vez, uma foto minha vai ilustrar a capa de um livro.

Não é grande coisa, bem o sei.

 

Mas são estas as únicas alegrias que um gajo que bloga pode ambicionar.

publicado por shark às 23:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Domingo, 12.09.10

BOAS ABERTAS

boa aberta
Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 22:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

JUSTIÇA POPULAR

A popularidade da justiça é muito grande a nível mediático, quase tão grande que já estranho não regressar o célebre programa da SIC com os julgamentos da treta.

E prova disso é o facto de que de tanto ouvir lavagens de imagem do condenado Carlos Cruz não tardo a baralhar-me e a exigir a condenação imediata das crianças da Casa Pia que (alegadamente, claro) abusaram do pobre coitado.

publicado por shark às 19:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

GRAFITI LOVER

heresia
Foto: Shark

Tags:
publicado por shark às 17:49 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 11.09.10

AMOR BATRÁQUIO

Descuro num canto obscuro a memória abandonada de uma etapa desgraçada da existência que não me atormenta a consciência, renego sem hesitar a lembrança que quero evitar de um momento perdido no meio do tempo acumulado na cabeça ou noutro lado e percebo que vontade é esta, aproveitar o tempo que resta, que me move adiante numa ansiedade que é constante, a verdade perturbadora escondida na história desoladora, nesse canto desleixado da memória cuja chave há muito perdi num lugar que, de resto, esqueci pouco tempo depois de um mais um não serem dois e entretanto aquilo que foi passou a ser uma recordação que não dói no coração ou na mente concentrada na vida que quero gozada sem reticências, sem medo das incongruências que atraiçoam a confiança em tudo quanto se diz e fazem perder a esperança de se conseguir ser feliz.

 

Descubro numa esquina da vida o desmentir da oportunidade perdida que não o foi, a realidade sonhada que se vê concretizada num instante mágico, uma gargalhada, o sentido da vida tão cómico que em cada estrada desenha cruzamentos que são, afinal, intersecções de segmentos e é tão natural que as emoções se sobreponham nas almas que lutam pelas utopias que se sonham e por isso são tão reais como os factos que entendemos normais apenas por serem mais fáceis de produzir, fasquias que nos ensinam a baixar a um ponto sustentável que é tudo aquilo que acreditamos viável e, no fundo, não passam de ambições pequeninas que nos são impostas pelas vontades franzinas de quem se recusa a acreditar que é possível, basta lutar, ir um pouco mais além e tornar imbatível o poder do amor sobre a causa sofrível dos remediados que não se escondem desconsolados pela ausência de vitórias na sua existência de contadores de histórias que são mentiras piedosas para disfarçarem as atitudes medrosas com que enfrentam as paixões e os amores que ocultam nos bastidores de uma farsa qualquer.

 

Descuido no dia a dia a prudência dos que percorrem a linha da circunferência dos seus caminhos sem progressão, os ciclos viciosos que rejeito porque prefiro abrir o peito, o coração, e assumir, vertical, aquilo que aos outros parece mal à luz do efeito que invariavelmente se produz quando a sinceridade se impõe, a rejeição de que a sociedade dispõe para punir qualquer rumo traçado em linha recta que é algo que nunca se aceita de bom grado por ser foleiro para quem só vê pecado no que é verdadeiro em vez de camuflado numa amálgama de mentiras e de enganos, numa trama de pequenas traições e de planos mal elaborados que conduzem a desilusões quando desmascarados os piores actores de entre uma multidão clandestina.

 

Destruo, com esta regra que é a minha, a falsa benesse do sossego inquieto de quem tem a mania que é esperto mas recebo em troca uma paz de espírito colossal que resulta da escolha entre o bem e o mal representados na paleta das cores disponíveis nas decisões inadiáveis que qualquer dilema nos apresenta, o problema que nos confronta dobrado por si mesmo e pelo resultado das opções que aparentemente se multiplicam mas afinal se quantificam numa só, a que melhor desatar o nó na garganta e de nada adianta complicar com a piedade de uma omissão que é um gesto cobarde sem remissão por privar de escolhas quem tenha que as fazer, por muito que possa doer a f(r)actura exposta na ausência de uma resposta consentânea à vontade instantânea de fazer perguntas a mais.

 

Devolvo, em circunstâncias ideais, tudo aquilo de que possa privar quem corra o risco de me amar, com uma postura genuína e uma aposta total na rejeição de tudo quanto seja artificial no que respeita à emoção afirmada ou à expectativa criada quanto àquilo de que sou capaz e isso é mais do que muita gente faz quando opta pelo logro egoísta, a impunidade no topo da lista onde a seriedade nem chega sequer a constar.

 

Derroto, com esta forma de estar, os fantasmas nos armários, inexistentes, mais os medos permanentes associados à hipocrisia ou a uma relação de fantasia onde o príncipe só encanta até ao dia em que desponta o mais ínfimo traço do batráquio oculto pelos beijos mágicos, cada vez mais escassos, de um amor a espaços, tão difuso que algures se desvaneceu.

 

Uma paixão tão frívola e desnorteada que no meio do caminho se perdeu.

publicado por shark às 21:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

TREVAS

Trevas que nascem em mentes que se revelam doentes por pintarem de negro a vida multicolor. Escuridão no vazio que o amor deixou, se é que verdadeiramente amou quem se deixou dominar por ervas daninhas, parasitas, por emoções mesquinhas, malditas, que turvam a visão e deturpam no coração a essência de alguém.

 

Trevas que o mundo tem guardadas a sete chaves no canto escuro das caves como masmorras nas mentes que se revelam doentes por esconderem no escuro aquilo que de mais impuro produz a alucinação que é a mais clara revelação da demência instalada no espaço por ocupar.

 

A luz que precisa brilhar e cada vez é mais ofuscada pelas trevas que uma pessoa mal amada propaga por contágio, como se o mal colectivo fosse apenas um plágio massivo de uma encenação individual. A peça de teatro num tabuleiro de xadrez, desnorteada na desorientação criada pela ausência de um guião capaz de explicar cada movimento ou definir no espaço e no tempo cada acto, cada causa e respectiva consequência.

 

A mais clara revelação da demência.

publicado por shark às 21:01 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 08.09.10

FLOWER POWER

chamativa
Foto: Shark

publicado por shark às 23:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

MARAFILHA ÚNICA

Sim, filha, vou sempre exceder-me nos medos, nas paranóias, em tudo o que te irá irritar um dia por te limitar algumas das opções que me esforço por te conceder dentro do apertado espaço de manobra que a minha preocupação com a tua segurança, o teu bem-estar e a tua felicidade me permite.

Não, filha, eu não entendo os pais capazes de viverem a sua função sem sentirem esse aperto, esse reflexo do instinto protector que até os animais manifestam, capazes de morrerem pelas suas crias como eu me garanto capaz por ti, como não respeito os que não possuem a inteligência emocional suficiente para abarcar a vastidão, a intensidade da emoção associada a um simples abraço apertado como os que tantas vezes me dás e por isso se permitem deixar os filhos crescerem como estranhos a quem não conhecem os gostos e os desgostos, as fraquezas e as forças, a essência de alguém que possui parte da sua.

E odeio os pais capazes de magoarem, de abusarem, de maltratarem de alguma forma as pessoas mais importantes de qualquer vida digna desse nome.

 

Sabes, filha, vou sempre ensinar-te a exigir que te acreditem especial, no dia temível em que te veja exposta a todos os perigos e ameaças que enfrentei ou dei a enfrentar quando chegou o dia de a vida me ensinar os contornos difusos da paixão que nos tolda a razão e nos expõe à menoridade dos que não foram ensinados, como tu, a serem pessoas de bem. Cavalheiros, incapazes de te entenderem como mais um troféu, mais uma cabeça na parede imaginária onde penduram as peças de caça, imbecis, às quais não atribuem qualquer significado ou valor. Vou sempre ensinar-te que na verdade do amor não existe lugar para leviandades hormonais que vulgarizam os momentos especiais à altura da pessoa bonita que reconheço em ti.

Vou sempre escrutinar o gajo por detrás do olhar que te cobiça e deixar-lhe bem definida a estranha sensação de que não serei capaz de contenção alguma para quem arrisque sequer beliscar essa tua vontade espontânea de sorrir porque nasceste à pressa, prematura, tamanha a necessidade de aproveitar o tempo para experimentar a existência que constituirá sempre um orgulho meu ter partilhado na concepção.

 

Sim, filha, vou sempre exagerar na protecção e num rol extenso de cuidados e de precauções que reduzam ao mínimo ou a nada a estatística de tudo quanto de menos bom te possa ameaçar. Sim, vou continuar a avisar-te acerca dos perigos de uma vida, em cada etapa percorrida ao longo deste caminho onde te acompanharei até onde puder, se possível até já seres uma mulher adulta e senhora de ti própria como te incuto desde o primeiro dia. E mesmo aí não conseguirei por certo reprimir o tal instinto que me levará a olhar os outros como os fósforos com os quais não te deixei brincar, o perigo latente de todos os males que aprendi a identificar ao longo do meu percurso que a tua entrada revolucionou, uma nova estrada que o horizonte me apresentou, de sentido único para onde puder observar-te de perto mesmo mantendo-me discreto no lado de fora da redoma para poder a qualquer instante estender sobre ti a minha asa, o consolo carinhoso que sempre te ofereci, ou descobrir em mim o monstro capaz de estilhaçar quem te queira magoar o corpo ou a alma, a força descontrolada de um pai com a mente ensandecida pela reacção instintiva deste amor que não morrerá comigo porque deixarei o seu rasto bem marcado na tua memória daquilo que tentarei sempre representar para ti.

 

E sim, filha, o dia em que nasceste será para sempre o melhor que viverei ou vivi.

publicado por shark às 11:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Terça-feira, 07.09.10

ALGO QUE UMA PESSOA DISPENSA NO FINAL DO DIA (2)

A selecção portuguesa de futebol está a perder com a Noruega devido a uma imbecilidade do nosso guarda-redes, a fazer lembrar o do meu Benfica.

Este dia não está a correr bem...

publicado por shark às 19:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

ALGO QUE UMA PESSOA DISPENSA NO FINAL DO DIA

Pela segunda vez em menos de seis meses tenho o cadáver de um vizinho no terraço do lado.

Só mudou o edifício.

publicado por shark às 19:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

A verdade inconveniente

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO