Segunda-feira, 31.05.10

ASSOMBRAÇÕES

Com o meu futuro profissional prestes a sofrer uma reviravolta cujas repercussões ainda desconheço, tento colocar os olhos num futuro alternativo mas não consigo fazer de conta que não percebo que as sequelas do passado não deixarão de me atormentar.

 

É nítido que por vezes ficamos reféns das situações com que a vida nos confronta, incapazes de reagir de acordo com o que acabamos por pressentir poder revelar-se uma ameaça. Apanhados nas curvas tentamos apenas acalentar ilusões, prolongando as situações até ao limite ou mesmo para lá do ponto de não retorno.

E depois arriscamos tomar as atitudes acertadas tarde demais para pelo menos nos pouparmos a males maiores.

 

É curioso como a vida nos ensina lições valiosas a cada pretexto e sob as mais variadas formas. Muitas vezes, cegos por emoções descabidas ou por ligações que queremos acreditar definitivas (algo de idiota no contexto dos negócios, por exemplo), deixamos que nos embale a preguiça e um torpor que nos tolda a visão dos factos diante do nosso nariz.

Aos poucos, acabamos enredados em cenários tão complicados que nem percebemos quão vulnerável se revela a nossa condição e quão dependentes estamos de terceiros e das suas conjunturas e decisões.

E basta abrirmos os olhos um pouco para percebermos que somos dispensáveis ao ponto de ainda connosco no activo já andarem a salvaguardar as opções disponíveis para a nossa substituição.

 

Por vezes a vida obriga-nos a dar saltos no escuro, talvez a ver se aprendemos a voar.

Mas eu acho que é apenas um truque do destino para ver se depois de caídos nos conseguimos levantar.

publicado por shark às 11:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

CONFÚCIO DE BOLSO

Agarramo-nos à esperança como uma tábua de salvação e às vezes descobrimos que só abraçamos uma desilusão.

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publicado por shark às 10:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

MARCHA ATRÁS

Os camionistas, que já em tempos protagonizaram uma das situações potencialmente mais lesivas para os interesses do país, voltam à estrada com uma marcha lenta para evidenciarem o seu poder no asfalto a pretexto das suas várias exigências.

Continuo a não conseguir atinar com os actos desta classe profissional, tanto pelo exagero e falta de sentido de oportunidade das suas formas de luta como pelo facto de se tratar de um movimento de empresas e não de cidadãos.

publicado por shark às 10:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sexta-feira, 28.05.10

FLOWER POWER

no pico da primavera
Foto: Shark

publicado por shark às 14:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

FAÇAM O FAVOR...

...De curtirem um bom fim-de-semana.

Têm a benção do esqualo.

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publicado por shark às 14:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 27.05.10

É O ESPÍRITO DE ALJUBARROTA, CARIÑO!

A Telefonica castelhana quer invadir (com pesetas disfarçadas de euros) a nossa Portugal Telecom e apropriar-se igualmente do território financeiro nacional numa da ex-colónias.

A Pátria dos que possuem quase tantos telefones como orelhas disponíveis está em perigo e já há quem procure uma reencarnação de D. Nuno Álvares Pereira para aplicar a táctica do quadrado (ou de qualquer outra figura geométrica) que nos permita evocar Aljubarrota neste cenário aziago de quase bancarrota.

 

É hostil, a intenção do inimigo. Tão hostil que há quem fale na asfixia da PT como uma das armas ao alcance do gigante invasor. Querem tirar o ar à nossa companhia dos telefones, tadinha, para a forçarem a aceitar o ju(e)go estrangeiro nas linhas. Nem o tio Belmiro da semi-escravatura nas caixas dos hiper foi capaz de ir tão longe...

E se já tínhamos razões para temer o papão castelhano no Mundial de futebol que se avizinha (o paralelo está no desnível entre resultados e exibições das duas selecções e o que isso faz prever em caso de confronto directo...), agora juntamos-lhe esta outra (c)OPA que atraiu a cobiça dos poderosos vizinhos do lado e temos o país ameaçado de pulverização total nos relvados (sim, já caçaram o Ronaldo e o Mourinho) e nos mercados (sim, já caçaram quase tudo mas a PT dá muito nas vistas)!

 

A brincar, a brincar, como no tom desta posta, está em causa um precedente que não me tranquiliza. A globalização, essa geradora de monstros corporativos que qualquer dia mandam nisto tudo às claras, revela-se nestes apetites vorazes que não respeitam fronteiras nem outros interesses que não os mesmos que nesta altura ameaçam Portugal de um colapso semelhante ao da Grécia.

Fragilizados pela conjuntura e pelos equívocos de quem tem andado a tomar decisões, os portugueses dificilmente conseguirão evitar a derrota neste inesperado, oportunista e deselegante confronto com o colosso espanhol das comunicações.

 

E das duas uma: ou acabamos a falar sozinhos por sermos tão ciosos do que é nosso ou passaremos a falar mucho menos portuga noutras linhas que não as do TGV que um dia transportará para o nosso país a nueva fuerza de trabalho que a do dinheiro nos pretende impor.

publicado por shark às 22:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

YEEEESSSS!

Já cá canta o bilhete para o primeiro concerto ao vivo da Marafilha.

Sou um pai feliz!

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publicado por shark às 11:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 26.05.10

DESCANSEM A VISTA

nas calmas
Foto: Shark

publicado por shark às 22:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

SÓ ME APETECE DEITAR-ME FORA...

Há algo estranho no facto de um gajo de repente sentir-se o pior pai do mundo diante de uma filha banhada em lágrimas por não ter um bilhete para o concerto da Miley Cyrus (Hannah Montana).

 

Estranho e muito perturbador.

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publicado por shark às 21:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

POIS, É A MATURIDADE E ASSIM...

Tenho saudades do tempo em que tudo acontecia, como que por magia, quando tinha mesmo que ser. Obstáculos e contrariedades ultrapassados, reduzidos a pó, sempre que se tornava necessário, indispensável, um milagre a acontecer.

 

Só quando somos muito jovens ou, depois de adultos, muito apaixonados conseguimos mover montanhas. Ou pelo menos assim parece, quando nos confrontamos com os sinais da resignação dos outros e da nossa também, quando nos apercebemos que a partir de certa altura já nem lutamos contra aquilo que nos possa limitar de alguma forma a felicidade que achamos sempre merecida. Passamos pela vida mas ela passa-nos por cima, cilindra aos poucos a resistência, o entusiasmo, a ousadia até.

E assim acabamos por perceber o que é afinal isso de envelhecer, de perdermos a combatividade de outrora, a força da paixão pelas coisas, pelos momentos, pelas pessoas, diminuída ao ponto de já nem sentirmos que vale a pena protestar mas apenas aceitar como factos consumados os azares ou as trocas de voltas que antes atacávamos com o desespero de quem não abdica das oportunidades tão raras de ser feliz com algo ou alguém.

 

Baixamos os braços, ainda que o reneguemos com meia dúzia de exemplos gastos pelo tempo até darmos conta de que abraçamos sem hesitar os pretextos que nos permitam sentar o rabo na preguiça e no conformismo que nos defendem das reacções de quem já nem tenta disfarçar a perda do brilho no olhar ou das consequências de insistirmos na crença de que é sempre possível ir mais além seja no que for, contra ventos e marés.

 

Metemos as mãos pelos pés nas tentativas atabalhoadas de explicações alternativas para o fenómeno porque queremos adiar a resignação. Mas acabamos por seguir adiante, com um encolher de ombros ou o engolir em seco que traduzem precisamente a aceitação passiva que afinal escolhemos para nos poupar e aos outros à batalha permanente por coisas que tínhamos como garantidas mas o tempo se encarrega de desmentir, depois de acabar de demolir quaisquer veleidades que a coragem ou a vontade ou outra cena pudessem, noutro tempo, alimentar.

 

Sim, acabamos por desistir.

E quando o percebemos, quando o sentimos na pele, por norma é quase sempre tarde demais.

publicado por shark às 19:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

DIZER O QUÊ?

Isto de blogar tem muito que se-lhe diga.

publicado por shark às 00:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 25.05.10

POLÍTICA À PORTUGUESA (3)

portas fechadas
Foto/Legenda: Shark

publicado por shark às 11:02 | linque da posta | sou todo ouvidos

POLÍTICA À PORTUGUESA (2)

a revolução discreta
Foto/Legenda: Shark

publicado por shark às 10:46 | linque da posta | sou todo ouvidos

POLÍTICA À PORTUGUESA

política à portuguesa
Foto/Legenda: Shark

publicado por shark às 10:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

AGORA A SÉRIO, SÃO PEDRO...

Isto tem algum jeito???

 

borrasca à vista
Foto: Shark

publicado por shark às 09:16 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 24.05.10

PURE CHESS

- Ó Bispo das Pretas, porque é que o vosso Rei não deixa jogar o nosso Cavalo???

- Sabes, Peão das Brancas, é que Sua Majestade ouviu dizer que o Cavalo é da zona de Setúbal e ninguém lhe tira da ideia que pode ser de Tróia...

publicado por shark às 22:17 | linque da posta | sou todo ouvidos

ISTO VAI SER COMPLICADO, VAI...

O seleccionador esqueceu-se que os jogos de futebol têm noventa minutos e acabamos a partida com dez.

O Ronaldo esqueceu-se das chuteiras em Madrid e parecia ser o único a jogar de chinelos.

O Paulo Ferreira esqueceu-se de fingir que ainda é um jovem fogoso e o lado direito não funcionou.

O Miguel Veloso esqueceu-se de ficar em casa e perdeu uma excelente oportunidade para não repetir a mesma figura que fez toda a época no Sporting.

O Liedson esqueceu-se do sítio onde fica a baliza adversária e nunca lhe acertou.

O Pedro Mendes esqueceu-se que para além de ser o jogador português mais feio desde os saudosos tempos do Sá Pinto anda com a alça muito levantada.

O Fábio Coentrão esqueceu-se de que o Cardozo ainda não se naturalizou.

 

O público esqueceu-se do sonho alimentado antes e durante o anterior Mundial e começa a preparar-se para o pior...

publicado por shark às 21:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

AO FINAL DA PRIMEIRA PARTE O ZERO ABSOLUTO...

Só posso, para evitar um chorrilho de palavrões, enveredar pela abordagem norte-coreana:

 

Terminou a primeira parte da gloriosa batalha contra a poderosa selecção africana que entrou em campo para abrilhantar a glória lusitana que aquelas camisolas vermelhas do sangue vertido (pelo nariz ou assim...) dos onze heróis portugueses simbolizam.

Apesar de o marcador indicar uma igualdade a zero, isso apenas implica que os nossos onze indomáveis foram impedidos de forma ilegítima (mais tarde tratarei de inventar boas desculpas) de obterem expressão da sua bravura e coragem no resultado da partida que vencerão pela Pátria.

De resto, a poderosa selecção africana só entrou em campo para abrilhantar a glória lusitana que aquelas camisolas vermelhas...

publicado por shark às 20:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NA AMIZADE SEM CALORIAS

Se há valor inerente à amizade que tem sofrido uma degradação acentuada ao longo das últimas décadas a lealdade assume um lugar destacado nessa condição.

Os amigos, os poucos que justificam tal designação à luz de um conceito de amizade digno desse nome, parecem desvincular-se aos poucos do compromisso de honra tácito que esse tipo de relação pressupõe.

A confiança, antes indispensável para distinguir um amigo de qualquer outra pessoa dos nossos conhecimentos, vê-se hipotecada a toda a hora em inconfidências, difamações e mesmo traições clássicas (as que derivam da proximidade excessiva, os amigos do peito com o dito mesmo à mão).

E o novo retrato da amizade, a moderna, acaba por assentar na partilha de banalidades e na distância prudente ou displicente que os moldes light em voga aconselham ou induzem na maioria da pessoas.

 

Sou particularmente sensível ao tema da lealdade porque dela deriva a possibilidade real de depositarmos confiança em alguém. E não me excluo dos amigos capazes de alinharem no abastardamento das relações, admito, pois não sou isento de culpas nesse particular. Resta-me o consolo de nunca ter ido longe demais, de não ter cometido alguns pecados dos muitos que senti na pele de protagonista da acção. Fraco, bem sei, para quem parece empoleirar-se num estatuto de grande elevação moral. É um equívoco, logo à partida porque nem sempre resisti à tentação de não pagar com a mesma moeda e porque da mesma forma que me indigno com certos exageros dos outros não deixo de me reportar aos meus e sempre com a mesma repulsa pelos comportamentos que sinto como censuráveis seja em quem for.

 

A lealdade não consiste numa espécie de recrutamento implícito nas contagens de espingardas entre amigos desavindos, como aprendi nos últimos anos. Vai muito para lá disso e implica, isso sim, uma garantia por parte de alguém que confia que não será traído/a por quem tome por mais próximo, nomeadamente familiares e amigos “da casa”.

Nem por esses podemos estender a mão sobre o fogo, pois corremos sério risco de nos queimarmos na proporção da confiança demasiada que depositámos em alguém.

E não podemos esperar que mesmo quem desmascaramos na autoria de uma deslealdade qualquer assuma essa falta e tente recuperar a confiança no futuro. O golpe é sempre de misericórdia pois as ligações acabam por se revelar tão fracas que desabam ao primeiro abanão, ninguém dá o braço a torcer porque não há quem reconheça algum mal na falha em aspectos que poucos, quase nenhuns, cultivam.

 

A amizade é quase uma obrigação, um ritual, vivida dessa forma precária, aligeirada, que muitos defendem porque lhes convém às naturezas insensíveis e egocêntricas. Faz falta poder dizer que se tem amigos, ainda que estes de nada sirvam senão de referências para encher a agenda dos telemóveis ou a listagem de contactos no email. Ou porque é bom ter pessoas emocionalmente fragilizadas, defesas desguarnecidas pela tal amizade que as torna alvo fácil de manipulação mesmo quando esta vai no sentido de constituir uma traição a outra pessoa, a outro amigo qualquer.

Seja homem ou mulher, pouca gente se dispõe de facto a investir numa amizade séria, à semelhança do que acaba por se reflectir na sua relação com o amor. As pessoas preferem de facto, talvez porque os tempos assim o exijam, relações descartáveis ou cuja durabilidade não dependa de qualquer tipo de manutenção. Querem amores sem restrições, amizades sem complicações, querem servir-se dos outros sem chatices nem alarido como acabam por aceitar, pela tal necessidade das listas preenchidas, que outros se sirvam de si para o mesmo propósito.

 

Claro que existem as excepções a qualquer regra e ao longo da vida conheci talvez uma meia dúzia delas.

Mas talvez esteja a pecar um nadinha por excesso nessas contas...

publicado por shark às 16:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

DESCANSEM A VISTA

douro azul
Foto: Shark

publicado por shark às 12:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NO ET EM CADA UM/A DE NÓS

No fundo, quando percebemos que a nossa interacção com os outros expõe um fenómeno qualquer de loucura colectiva que torna normais alguns comportamentos que antes tínhamos por bizarros e indicadores de um parafuso a menos ou de uma excentricidade excessiva (fiquemos por aqui), resta-nos o sentido de humor como último bastião de defesa da sanidade mental que somos, inevitavelmente, levados a questionar.

 

Eu oscilo, confesso, na adopção do melhor critério a utilizar perante a confrontação com a loucura alheia ou com a minha.

Isso acontece não porque tenha perdido a capacidade de rir de mim próprio ou de perceber a irracionalidade inexplicável dos outros mas porque nem sempre sou apanhado com o estado de espírito adequado à mais correcta descodificação desse tipo de situação que nos espanta, nos intriga ou apenas nos leva a concluir que tá tudo doido e tudo quer dizer isso mesmo: estamos todos (ou quase) metidos no mesmo saco e boa parte de nós reagem nessas circunstâncias como gatos/as assanhados/as...

 

Existem poucas dúvidas em mim acerca do facto de o sentido de humor ser mesmo a melhor receita para contrapor às agressões que o quotidiano nos impõe à tendência para racionalizar. É um desperdício de inteligência, a tentativa de decifrar a lógica nos actos e nas palavras dos outros como na nossa própria atitude em momentos menos bons do funcionamento dos mecanismos de protecção contra a maluqueira assumida.

Muito mais prático e agradável é aplicar essa mesma inteligência (quem a possua) ao enquadramento cómico dos factos da vida em apreço, aligeirar as conclusões reduzindo à mínima expressão comum a lógica e as emoções e atribuir às bizarrias, às insanidades temporárias ou, de uma forma geral, a todas as manifestações ou revelações incompreensíveis a tolerância própria do pressuposto de que não se deve contrariá-los/as. Sem nos descartarmos enquanto membros efectivos desse colectivo, claro...

 

Qualquer alternativa ao humor implica um sacrifício qualquer, nomeadamente imposto pela amizade, pelo vínculo profissional/outro ou pelo amor, obrigando-nos a engolir em seco e sem explicações, ou a um esforço mental sobre-humano de tentativa frustrada de racionalização ou de simples contestação que para além de não nos levarem a lado algum implicam menos uma volta na rosca do próximo parafuso a desaparecer.

Rir é mesmo o melhor remédio e a ausência de seriedade na abordagem é o seu pilar fundamental. A opção ideal consiste sem margem para dúvidas na reacção cada vez mais instintiva de protecção de uma espécie de equivalente à camada do ozono na nossa tola, ou algo parecido que nos poupa aos efeitos nocivos da (ir)radiação de absurdo com que nos bombardeiam os emissores que ocupem o nosso micro-cosmos individual.

 

E nesses incluem-se os homenzinhos verdes que, no interior do vazio onde deveria situar-se o encéfalo, manipulam com gosto os nossos gestos e, muito a propósito do mote desta posta, se rebolam de riso com as consequências das nossas próprias reacções estapafúrdias.

publicado por shark às 11:54 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 23.05.10

A POSTA QUE O CANECO AFRICANO PODE VIR CÁ PARAR, SIM SENHORES!

Só mesmo a tradicional tendência pessimista pode levar os portugueses, nomeadamente aqueles que envergarão a camisola nacional na África do Sul, a não se acreditarem favoritos para o próximo Mundial de Futebol.

 

Nunca achei que a coisa passasse por bandeiras na janela, embora ache que qualquer pretexto para isso é bom.

A coisa passa sobretudo pela capacidade, pela vontade e pelo talento dos rapazes que mandamos para representar a Pátria com quase o mesmo fervor com que enviávamos soldados para lutarem por um solo qualquer.

Sim, contra factos não há argumentos e o futebol conquistou um espaço que nada nem ninguém parece conseguir disputar-lhe neste dias. Gostamos muito de ver a nossa selecção brilhar e até ficamos magoados quando isso não acontece, precisamente porque sabemos que os nossos até têm mais jeito do que a maioria.

E esse é apenas um dos argumentos de que dispomos para acreditar que nem o Brasil que nos deu chapa seis conseguirá travar mais uma jornada épica dos nossos heróis possíveis em tempo de paz.

 

Temos aquele que é considerado pela maioria o melhor do mundo. Cristiano Ronaldo é um monstro sagrado e coloca qualquer adversário na contingência de jogar com menos um, só dois (e nem sempre) conseguem controlar o virtuoso madeirense. Em dia sim é meia vitória contar com ele em campo.

Mas isso seria desvirtuar o conjunto que pode, com a experiência de um treinador campeão mundial, fazer acontecer a magia que levou um dia a Dinamarca repescada a vencer um Europeu contra todas as expectativas.

Sim, o Ronaldo não joga sozinho. Temos mais um conjunto de jogadores habituados aos maiores palcos mundiais, com tarimba para não se deixarem impressionar com ambientes ou pressões. E têm alma de campeões, gostam de ganhar e sabem ser possível tudo ao longo dos noventa minutos de um jogo de futebol.

 

Bem vistas as coisas, e apesar da fraca figura da fase de qualificação, todos os convocados por Carlos Queiroz sabem que nenhuma glória obtida nos seus clubes algum dia rivalizará com a conseguida ao serviço de uma selecção nacional. Mesmo os três naturalizados, Pepe, Liedson e Deco, percebem a dimensão de uma participação no evento desportivo mais importante do mundo, os Jogos Olímpicos que me perdoem...

É isso que pode fazer toda a diferença de cada vez que onze dos nossos pisarem o relvado para o desafio a seguir, a convicção de que podem (sim, mesmo sem o Mourinho) ganhar todos os jogos que disputarem nesta competição. Nem todos podem sonhar assim.

 

Por isso não entendo que sejamos pobres a pedir. Até os rankings destas coisas, como o da FIFA, colocam Portugal no trio mais pontuado e logicamente mais habilitado a reclamar para si o mais famoso dos canecos.

E até um Raposeira ou um asti manhoso bebido por aquilo deve saber ao melhor champanhe francês, rapaziada!

publicado por shark às 22:21 | linque da posta | sou todo ouvidos

CAMINHOS DO ROMÂNTICO

caminhos do romântico
Foto: Shark

publicado por shark às 13:31 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 22.05.10

PRIMEIRO ABRAÇO

Leu-lhe no olhar a tristeza e a desilusão de quem viu terminada uma relação que era sonhada para a vida inteira.

Depois leu da mesma maneira a frieza emocional instalada pela revolta sentida na ressaca de maus momentos pelos quais não teria que passar se não tivesse que enfrentar todos os desafios e ameaças de uma vida a sós.

Percebia a sua tendência para desatar os nós nos laços que criava a custo, reflexo condicionado de fracassos que iam retalhando em pedaços a esperança numa felicidade de longa duração, protegia o coração de quaisquer desgostos que lhe acrescentassem uma espécie de calo que endurecia o olhar que lhe lia agora, um olhar que via de fora mas sentia como seu.

 

E foi isso que transmitiu no primeiro abraço que lhe deu.

publicado por shark às 12:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Sexta-feira, 21.05.10

A POSTA NO FIM DO REGABOFE

Quando se chega a uma situação tão complicada como a que o nosso país enfrenta agora já não há tempo nem lugar para a busca furiosa de bodes expiatórios, para a procura de uma estranha sede de justiça que não se mitiga com a punição política, com a substituição de um culpado do costume pelo representante de apenas outra face de uma realidade que nos trama desde o 25 de Abril.

 

É ponto assente que o colapso financeiro de um país não é provocado pela actuação de um ou dois Executivos, trata-se de um processo lento mas inexorável de destruição pela base de quase todos os suportes de uma democracia saudável e de uma economia próspera.

Não há inocentes políticos neste percurso rumo à aflição.

Os que ocupam ou ocuparam o poder não podem descartar as suas responsabilidades éticas, morais e políticas pelo desacerto das suas opções e, acima de tudo, pelo mau exemplo que foram dando e acabou por minar a credibilidade das instituições e incutir na população uma falsa sensação de impunidade que conduziu a excessos como os que refiro mais adiante. E os que não ocupam ou ocuparam o poder central deixaram nas autarquias os exemplos necessários para percebermos as semelhanças nas tentações.

 

Mas também não há inocentes entre os cidadãos comuns.

O Zé Povinho, esse eterno calimero à mercê dos maus que mandam, engloba os gajos que estacionam os seus mercedes à porta do meu escritório para me virem pedir (sem sucesso) carimbadelas em impressos que lhes permitem adicionar o subsídio de desemprego aos rendimentos clandestinos das suas lucrativas actividades na economia paralela.

Mas também engloba os gajos que recebem por fora o dinheiro sujo que corrompe as regras normais da concorrência, os favores que desvirtuam o mercado e o lesam pela entrega dos melhores negócios aos medíocres que os deixam rebentar depois.

Não posso esquecer os que vivem à grande com as suas baixas fraudulentas, anos a fio a enfiar o barrete às tímidas fiscalizações que raramente os apanham no flagrante do seu ganha-pão suplementar de quem alegadamente não pode trabalhar mas o faz, à conta de todos nós.

Ainda me ocorrem os que boicotam o trabalho dos outros para não fazerem má figura com a sua indolência, os que armadilham a carreira de todos quantos por comparação lhes evidenciam a incompetência, os que não pagam impostos por ganharem sem factura mas exigem um serviço público feito por hospitais e escolas de primeira classe para si e para os seus.

 

A lista de submarinos que embarcam na tal ideia de que vale a pena enganar o Estado porque esbanja o nosso dinheiro em mordomias e disparates é interminável e ninguém faz ideia do prejuízo causado por essas sanguessugas que falam alto contra tudo no palanque dos cafés onde passam os dias a viver à conta do tal nosso dinheiro, o daqueles que insistem em cumprir.

Um país não se arruína apenas pelo mau desempenho de um Governo ou de meia-dúzia, por quanto seja inequívoco o peso de uma liderança na dinâmica de funcionamento global desse colectivo que matamos por deixar de o ser.

O cada um por si que tranquiliza as consciências pequeninas dos que fazem ou deixam fazer as coisas que desequilibram as contas e, ainda pior, instalam o fartar vilanagem na rapina dos recursos e na degradação dos meios para os obter, falências fraudulentas e afins, constitui um dos factores mais determinantes para não existir nesta fase qualquer milagre à vista, mesmo que do nevoeiro regressasse D. Sebastião.

E com o calibre dos candidatos que as estruturas partidárias nos propõem como alternativa para a governação, percebemos que estamos reféns do puro acaso, do golpe de sorte ou de azar que possa desequilibrar os pratos da balança.

 

Dependentes da boa vontade de quem, como à Grécia, depositará uma esmola com juros nestas mãos hipócritas estendidas.

publicado por shark às 11:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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