Domingo, 28.02.10

EU GOSTO DE PESSOAS

 sombra azul

Foto: Shark

publicado por shark às 22:05 | linque da posta | sou todo ouvidos

O ELOGIO DA LOUCURA

Dizia-me o gajo, e com alguma razão, que a banalização do conceito de excentricidade está a tornar o mundo cada vez mais acolhedor para os malucos. Comportamentos e ideias que há umas décadas atrás garantiam uma estadia no Hospital Júlio de Matos são agora aplaudidos e até remunerados em reality shows das televisões.

E eu olhava para ele, para a sua expressão lunática por detrás de uns óculos com armação dos anos sessenta e para alguns cromos que nesse preciso instante vociferavam na mesa do lado uma teoria da conspiração qualquer, ficava em silêncio e pensava que sim.

 

Às tantas ele até tinha razão.

publicado por shark às 13:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sábado, 27.02.10

POR ASSOCIAÇÃO DE IDEIAS

Sinceramente não sei se o fenómeno é mundial, mas ver a CNN a desviar a emissão em directo para a chegada do tsunami ao Havai (que até agora se resume a uma ligeira subida do nível do mar, com as câmaras a filmarem ondas com alguns centímetros de altura), deixando cair em absoluto a ampla cobertura ao Chile, onde aconteceu um dos cinco terramotos mais fortes desde que existe um registo, recorda-me que nas aflições cada nação cuida de si e o problema dos outros é sempre relativo.

 

Por outro lado, a comparação entre a ressaca dos sismos no Chile e no Haiti (quem? - perguntam os telespectadores americanos) forneceu um exemplo claro da diferença de capacidade de resposta entre um país democrático e com instituições funcionais e a debilidade óbvia do poder perante a catástrofe numa terra (quase) sem lei.

Estas calamidades naturais possuem o condão de deixar à vista a diferença entre uma liderança forte com uma organização política em condições e as repúblicas das bananas onde a falta de dinheiro não explica tudo em matéria de colapso institucional.

Num país sem regras para a construção de edifícios, por exemplo, e onde a corrupção impera, as consequências deste tipo de fenómeno são sempre mais devastadoras e isso recorda-nos o quanto vale a pena combater o desleixo e as impunidades dos quais proliferam exemplos no nosso próprio país.

 

Na tragédia é como melhor se percebe a fragilidade de qualquer sistema mergulhado no caos e mais se sente a falta de uma organização cuidada e de uma liderança respeitada.

E considerando a imagem actual das principais figuras do Estado Português e mesmo dos chamados pilares da Democracia, bem podem deixar cair o regresso de El-Rei D. Sebastião.

Se um dia algo de parecido com o que se passou no Chile acontecer aqui, quem vamos precisar de descobrir na bruma é mesmo o Marquês de Pombal... 

publicado por shark às 22:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

UMA BORRASQUINHA, ATÉ VER...

Sim, um ventito e tal...

Sim... uma chuvita aqui e além...

Pois... não é que a pessoa fique desiludida com os senhores da Protecção Civil e da Meteorologia por exagerarem até à banalização com os seus alertas amarelos e laranja e assim... no fundo até é bom que o clima lhes troque as voltas pela positiva...

Mas lá que a pessoa fica um nadinha céptica do jeito daquela malta para a adivinhação, lá isso...

publicado por shark às 12:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

MAIA ÀS ESCURAS

Pelo menos parte da freguesia da Maia (Grande Porto) está sem fornecimento de electricidade há várias horas.

(Era só para saberem...)
publicado por shark às 00:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Sexta-feira, 26.02.10

PORQUE HÁ MAIS HOMENS DO QUE MULHERES A JOGAR XADREZ?

O objectivo do jogo é encurralar o rei adversário.

Mas durante cada partida todas as peças do tabuleiro querem mesmo é comer a rainha...

publicado por shark às 10:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quinta-feira, 25.02.10

O OBSERVADOR

Ela sabia que na janela aparecia um homem interessado em observar. Sempre à mesma hora, todos os dias, no período que reservava para limpar o chão da loja onde trabalhava, do outro lado da mesma rua onde sabia existir o seu voyeur particular.
Depois do desconforto aprendeu a apreciar a situação, o homem que olhava provocava-lhe tesão com o seu interesse descarado, com o seu olhar deliciado com as formas do corpo que ela tentava agora enfatizar.
Deu por si a vestir-se para lhe agradar em cada manhã e tentava insistir nas posições mais reveladoras, decotes arrojados e saias mais curtas no Verão. E ele oferecia-lhe a emoção de constatar que cada dia a começar não prescindia do miradouro na janela onde se fixava naquela mulher apetecível como se sentia, importante para aquele observador insistente e dedicado.

 

Durou alguns anos, o ritual, até ao dia em que ele deixou de aparecer à janela para a espreitar e ela nunca chegaria a saber o que o levara a abdicar de ser o único homem a dar-lhe prazer, sem sequer a tocar.

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publicado por shark às 11:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Quarta-feira, 24.02.10

DANCE WITH ME

 sombra flamenca

Foto: Shark

publicado por shark às 12:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A CONVERSAR COM OS SEUS BOTÕES

Etilizado, sentou-se na cadeira de baloiço do alpendre e ficou entretido a observar a agitada perseguição policial. Quase ouvia zunir as balas trocadas, apanhado no fogo cruzado entre as forças da lei e os malfeitores, petrificado por aquela situação.

 

Acelerava em demasia o coração, de cada vez que via tombar um dos participantes no tiroteio que se instalara diante da fachada da sua casa em madeira à beira de uma estrada secundária no meio de um ermo qualquer, na sua terra natal.
Quase tanto como quando vivia no estádio, assim o julgava, as emoções de cada jogo da sua equipa que queria campeã ou quando seguia o drama de uma família desconhecida apanhada no meio de uma trama qualquer que se arrastava ao longo de meses numa novela vivida diante do seu olhar.


A vida a acontecer, permanente, num mundo que não o deixava fugir da realidade como a sentia, perigosa, confusa, perturbadora do sossego que buscava na miragem, na memória, de um horizonte sem fim que o agarrava à cadeira de baloiço do alpendre que não pisava desde a década de setenta em que migrara para outro lugar.

 

E foi por isso que acabaram por o encontrar ao fim de alguns dias sem dar conta de si, sentado afinal no sofá do seu apartamento nos subúrbios da cidade onde vivia há anos voluntariamente enclausurado, sozinho, uma velhice demente, fulminado por um enfarte e com os dedos da mão direita contraídos como pedra em torno do comando à distância da televisão.

publicado por shark às 10:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Terça-feira, 23.02.10

A POSTA NAS MATRACAS FECHADAS POR UNS TEMPOS

Já aqui afirmei por mais de uma vez a minha discordância com muito do que Alberto João Jardim diz e representa. No entanto, e perante o cenário enfrentado pelos madeirenses, nomeadamente o líder que ninguém pode questionar na dedicação à sua terra, seria de mau gosto aproveitar a tragédia para encontrar mais uns defeitos do homem para estar entretido neste ou noutro espaço.
Isto a propósito do tempo e energia gastos pelos que se apressaram a apontar o dedo a alegados erros de urbanismo e outros aspectos susceptíveis de alimentarem a sua reacção espontânea a tudo o que se passou.

 

Irrita-me, este oportunismo preguiçoso e extemporâneo dos que nem esperam que arrefeçam os cadáveres para se comportarem como hienas. É extemporâneo porque não respeita sequer o tempo para a dor de que as pessoas necessitam antes de se apurarem quaisquer responsabilidades. E é preguiçoso porque os apressados em causa preferem canalizar a sua energia e motivação para a identificação de eventuais culpas e culpados, coisa que podem fazer no conforto burguês das suas poltronas, em vez de (já que não arregaçam mangas para irem ajudar portugueses em aflição) utilizarem as mesmas capacidades para congeminarem formas de atenuar as dificuldades enfrentadas pela população a quem nesta altura de nada interessa o enfraquecimento do seu líder histórico quando mais precisam da sua força e resistência.

 

É vil, esta forma de reagir a uma catástrofe natural ou mesmo aos erros que possam ter agravado as suas consequências. É inútil, pois ninguém com sensibilidade e bom senso dará ouvidos ao rosnar de ambientalistas e outros visionários que já sabiam que isto ia acontecer se estes se fizerem ouvir em plena ressaca do que se passou.
Ainda nem se sabe ao certo quantas pessoas perderam a vida nesta catástrofe, gentinha...
Os madeirenses precisam de contar com todos os portugueses para ultrapassarem este problema, nomeadamente porque os grandes operadores turísticos serão lestos a desviarem os seus circuitos para as Canárias ou similar se a Madeira não se apressar na reconstrução e no restabelecimento da normalidade possível.
Não precisam, para já, de papagaios ou de oportunistas (qualquer aproveitamento político-partidário a esta situação será infame) sedentos de pretextos para, na prática, baterem no ceguinho enquanto este está de costas.

 

Alberto João Jardim é a única pessoa com condições para coordenar esforços e mobilizar vontades para a tarefa hercúlea que espera os madeirenses. E mais: muitos dos argumentos que me têm servido como a outros para o criticar serão, paradoxalmente, os seus maiores trunfos na missão que terá que abraçar como uma obsessão.
Por isso e porque para fazer frente a tragédias ninguém precisa dos queixinhas de serviço (é assim que se vestem com a sua pressa excessiva) mas sim de gente capaz de servir como ponto de orientação para uma população em choque e seguramente sem vontade nem pachorra para aturar melgas.

publicado por shark às 21:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Sábado, 20.02.10

A POSTA NOS CARAPAUS A GALOPE

Entrei na blogosfera numa altura em que os blogues importantes já existiam.
Eram importantes porque não eram escritos por anónimos na condição e no estatuto mas apenas no primeiro destes aspectos e sempre de uma forma relativa porque a malta da blogosfera acabava por saber de quem se tratava e de imediato lincavam os blogues em causa e instalavam armas e bagagens nas respectivas caixas de comentários (quando ainda não era chique não abrir as caixas).

 

Nesses dias agitados dos encontros de bloggers a torto e a direito, da descoberta do fenómeno por parte daqueles que como eu viam a cena como um viveiro de gente interessante que podíamos filtrar com base no que publicavam, as celebridades do mundo analógico ainda olhavam para a coisa com alguma renitência (talvez por a saberem entulhada de ilustres desconhecidos que eram capazes de tiradas geniais que as suas mentes brilhantes seriam incapazes de produzir).
Mas lá foram aderindo, às escondidas, até ao ponto em que a blogosfera adquiriu tamanha importância que começaram a dar a cara e o nome à sua presença, salvo algumas excepções que entenderam não dar os flancos a quem julga pelo que se é e não pelo que se diz ou faz.
E num instante a blogosfera passou a ficar atolada em blogues e blogueiros importantes e às tantas já não havia tanta margem de progressão neste admirável mundo novo virtual para as figurinhas com ambição a figurões.

 

Foi então que as figurinhas perceberam que o grande público blogueiro, para além de representar um cagagésimo da população, não lhes conferia tanta projecção quanto isso e que a proliferação de linques para os seus espaços constituía não um sinal inequívoco de qualidade do seu trabalho mas apenas um passaporte ilusório na carola da arraia miúda, uma colagem a uma forma de estar e de ser que tanto adoravam mas o sitemeter desmentia nas ilusões de popularidade.
E então começaram a olhar com mais atenção para a blogosfera dos comuns e descobriram o potencial imenso da picardia, da calúnia, do insulto e das postas ambíguas acerca de outras figurinhas ou de temas da moda em matéria de animação da notoriedade e dos contadores.

 

Claro que eu podia, e se calhar devia, citar os nomes ou os nicks de a quem me refiro nesta ocasião, a quem defino dessa forma, mas não só isso é absolutamente irrelevante para o que estou a dizer como não quero que colegas que me sabem hostil à sua pala tenham que descer à blogosfera dos comuns para defenderem o seu bom nick sabendo que isso nem lhes traz votos (que na blogosfera se chamam visitas).
Sim, a blogosfera importante é a blogosfera que fala não de sexo, não de futebol, mas sim aquela onde os intelectuais falam de política.
E são esses, sobretudo os que não possuem - e os factos comprovam – méritos que os catapultem para mais altos voos ou até já voam mas baixinho, que alimentam as trocas de piropos entre blogueiros que acabam por funcionar como um excelente veículo de promoção recíproca por parte de toda uma classe alegadamente superior desta comunidade que fazemos e que integra alguns pára-quedistas (militares, profissionais, e civis, amadores) descaradamente em busca de reconhecimento do seu brilhantismo na sombra.

 

Entediam-me, esses palermas oportunistas que ainda por cima arrastam os verdadeiramente bons e capazes para estes tornados de circunstância em que se assanham todos em torno de um sururu qualquer e aproveitam para ajustar contas antigas com o lavar de roupa suja e a repescagem de postas de arquivo que traziam atravessadas nas gargantas virtuais.
E esse tédio não deriva, de todo, da forma (reconheço que brinquei imenso a isso) mas do conteúdo. É rebuscado, é pequenino, é cada vez mais baixo no teor.
Isso desmente a inteligência alegadamente superior dos que não entendem que uma vez iniciado o pingue-pongue das atoardas a coisa só pode descambar no subsolo da peixeirada sem qualquer serventia seja para quem for.

 

E é disso que trata esta posta, de carapaus que se julgam cavalos mas afinal mostram que só sabem disputar corridas em ambientes muito mais... profundos.

publicado por shark às 21:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

RUA DE COMÉRCIO

rua de comércio

Foto: Shark 

publicado por shark às 19:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

CONFÚCIO DE BOLSO

Um dos resultados práticos de começarmos a olhar para os outros e os seus comportamentos como algo de extraterrestre é não tardar a fazerem-nos sentir marcianos.

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publicado por shark às 18:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

PELO MENOS 30 MORTOS NO TEMPORAL DA MADEIRA

Talvez agora a malta perca a vontade de fazer graçolas acerca do aquecimento global.

publicado por shark às 18:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 18.02.10

TO GOOGLE OR NOT TO GOOGLE

A malta diz-me para eu não googlar certos temas, pois há muita palha sem nexo no meio da informação que efectivamente vale a pena.

O problema é que quando pergunto pelas alternativas dizem-me para me fiar só nos especialistas ou para procurar nos livros, mas desde que vi a Carolina Salgado a assinar um livro perdi um bocado a confiança na cena.

 

E em algumas áreas do conhecimento os especialistas parece perceberem tanto do assunto como a acima citada...

publicado por shark às 14:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quarta-feira, 17.02.10

GRAFITI LOVER

educassão

Foto: Shark 

publicado por shark às 16:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

SEM FLORES NEM RODRIGUINHOS

De vez em quando há um autor ou uma posta que me enchem as medidas. Neste caso é um misto de ambas.

Leiam lá isto e digam-me se não tenho razão.

publicado por shark às 15:31 | linque da posta | sou todo ouvidos

AOS SEUS LUGARES

O passo a dar, um passo que não se pode adiar mesmo que o medo imponha uma espécie de segredo à mente que prefira fingir não saber.
A realidade a desmascarar a irresponsabilidade escondida por detrás de qualquer fuga disparatada ao tempo que nunca se deixa atrasar.
A corrida a começar com uma falsa partida de quem prefere ignorar o necessário, o indispensável, para garantir uma hipótese viável ao falso atleta refugiado em desculpas da treta para justificar a mente petrificada numa atitude tão arrojada na estupidez e respectiva dimensão.

 

E apenas um instante de lucidez a servir de empurrão.

publicado por shark às 10:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

NOVOS CAMINHOS

Vão revelar-se para mim amanhã.

Mas, mal por mal, confesso que ficava bem com o rumo actual.

publicado por shark às 00:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 16.02.10

CARNAVAL NA RUA

estes gauleses são loucos

Foto: Shark 

publicado por shark às 18:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NAS TEORIAS DA RELATIVIDADE CONSPIRADA

Há pouco, em conversa com alguém na caixa de comentários da posta acerca de si própria (a caixa) e das questões sensíveis que isto da liberdade de expressão versus poder de decisão levanta a propósito da blogosfera, percebi o quanto é fácil tornarmo-nos tão irritantes, tão enervantes, tão insuportáveis para alguém que isso até pode levar as pessoas a ocultarem tais emoções tão intensas por detrás do anonimato que, no final das contas, não as protege de fazerem má figura perante si mesmas.

 

Isto a propósito dos chineses, vejam só, e de como a minha descarada aversão à sua crescente dominação da economia mundial desenvolve em mim um sentimento xenófobo que muito fragiliza a minha imagem o acto de o vir aqui confessar.
É verdade, consigo trair assim a minha génese esquerdalha, hipotecando qualquer ambição política na única área ideológica que algum dia poderia acolher o meu pensamento desalinhado com os dogmas mais caros às mais importantes correntes políticas e até às religiões mais profícuas na sua ingrata tarefa de evangelização.

 

Eu temo os chineses. Ou melhor, nada me move de hostil para com a população da China, nomeadamente em função da raça predominante, da língua, ou mesmo dos valores culturais da extraordinária nação que a História documenta. Eu temo a passividade dos chineses perante um regime cruel que os está a formatar a nível interno e começa agora a apanhar a boleia da crise financeira mundial para, assim o pensam os paranóicos como eu, estenderem essa sua marcada apetência para tibetizarem as coisas que de alguma forma os incomodam.
Os paranóicos como eu distinguem os factos que justificam tal medo na vergonhosa recusa por parte do Primeiro-Ministro de Portugal em receber, e com honras de Estado, o Dalai Lama que eu como cidadão receberia com o maior orgulho na minha casa como na minha Pátria que jamais aceitarei possa vender a alma e ignorar os princípios que deve defender em meu nome.

 

Isto a propósito do medo do desconhecido. Esse justifica-se apenas pelo instintivo receio que a incógnita produz. Quando ultrapassamos essa questão, o medo desaparece e de imediato prevalece a reacção natural, lógica, a lucidez que nos leva a estudar o desconhecido e a perceber-lhe as fragilidades mais óbvias. Como a de alguém reunir a força e a motivação necessárias para antagonizar alguém, para tentar de alguma forma desacreditar uma pessoa, e não ser capaz de abraçar a coragem de o fazer de forma clara, bem identificada, típica de quem possui uma razão e não tem motivo para recusar esgrimi-la.

 

É essa a maior fragilidade de quem aproveita o anonimato das caixas de comentários para escrutinar seja quem for. A cobardia, impossível de negar em tais circunstâncias.

Tal e qual as evidências que conotam o actual regime chinês com coisas medonhas para o pensamento e forma de vida ocidentais. E não se trata do desconhecido, não faltam episódios, factos que comprovam uma tendência de desrespeito por valores que nos são gratos, essenciais. Por isso o meu medo encontra uma razão de ser e o assumo de cara à vista, mesmo correndo o risco de nunca mais obter um visto para percorrer a Grande Muralha ou ver com os meus olhos a expressão dos olhares tibetanos que a ambição chinesa já conseguiu amordaçar.
Ou de atrair para estas caixas mais anónimos incapazes de debaterem comigo seja o que for de cara à vista como eu, sem medos, pois não subscrevo limites à liberdade de expressão que não os que o sentido de responsabilidade possa incutir de forma individual, nem faço mais do que argumentar as minhas razões perante quem as pretenda questionar.

Ou seja, no final disto tudo temos questões que às tantas são irrelevantes e não justificam sequer que meia dúzia de pessoas (pouco mais) tivessem perdido o seu tempo a ler esta estucha.
Não tenho a mania de que sou imortal.

 

E os chineses, os maus da fita, tal como os anónimos que comentam em blogues sem túbaros para fazerem as coisas de forma frontal e não por detrás da capa do anonimato ou da paixão súbita pela economia de mercado, não passam de personagens em trânsito num guião que nunca mais tem fim e cedo ou tarde acabará por denunciar-lhes as óbvias distorções na percepção da realidade, essa rebelde que no final das histórias acaba sempre por impor o seu final mais ou menos feliz.

publicado por shark às 16:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 15.02.10

CARNAVAL NA RUA

peidalhaços

Foto: Shark 

publicado por shark às 22:04 | linque da posta | sou todo ouvidos

A VIDA QUE NINGUÉM DEVERIA PODER APAGAR

 

A recente desactivação de mais um daqueles sistemas da moda tempos atrás, o Haloscan - se a memória não me falha, recupera uma questão blogueira que já abordei tempos atrás e continua pertinente nesta ocasião.

Um blogue é, para mim, um registo de vidas. E esse registo até passa mais pelas caixas de comentários do que pelos posts que lhes servem de pretexto, pelo que o desaparecimento do seu conteúdo constitui uma perda irreparável de emoções, de ideias, de tiradas brilhantes de pessoas que no instante em que comentaram estiveram, de facto, ali.

 

Assim sendo, é fácil de adivinhar o meu desconforto pela frieza com que se permite a obliteração definitiva (e por vezes voluntária por parte de gente que bloga mas não entende o alcance da coisa) de conteúdos que em muitos casos são bem mais valiosos do que os expressos em forma de post.

Considero uma afronta ao próprio espírito da coisa, o cariz volátil dos registos de existência que um blogue consegue acumular. Esses registos incluem momentos importantes da vida de muitas pessoas, amores ali descobertos, amizades por ali iniciadas, rancores de circunstância que desmascaram a natureza de muita gente que se pinta demais. Coisas que fazem parte da comunidade que somos, daquilo que fazemos aqui por opção quando podíamos fazer outra coisa qualquer noutro lugar ou plataforma de comunicação.

 

É incrível para mim o desplante com que se pode apagar dessa forma tanta informação, tanta memória deste suporte que só uma democracia a sério consegue tolerar na sua forma pura, livre de cortes ou de sanções por razões ideológicas.

É ainda mais inacreditável quando os próprios "donos" dos blogues apagam por iniciativa própria as palavras, boas ou más, que testemunharam a sua presença e deram conta da sua existência virtual.

Apagar as caixas de comentários é como passar uma esponja sobre tudo, sobre todo o tempo investido por quem as preencheu com qualquer tipo de emoção ou de intenção.

É como trair a essência deste risco que corremos sempre que optamos por publicar com portas abertas à intervenção de estranhos, de anónimos. Ou de gente amiga e bem identificada que não vejo como não se sentir defraudada quando vê desaparecerem assim os traços da sua participação directa na construção de um trabalho desta natureza.

 

E isso aborrece-me, pelo valor que atribuo a tudo quanto os meus blogues acolhem de humano, as reacções, os afectos, as embirrações e todas as marcas da passagem de alguém por estes espaços que só fazem sentido se os respeitarmos na sua forma original.

 

Se não querem guardar os comentários no futuro, para que abrem sequer as caixas?

publicado por shark às 21:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

DE QUE COR É O CAVALO BRANCO DE D. JOSÉ?

A ver se eu percebo a ideia.

Vai haver de novo substituição de líder no maior partido da oposição. E um militante destacado apelou (como o Marcelo já havia feito) à união do partido em torno de um só candidato. A bem da nação, tendo em conta os receios que por aí andam.

No entanto, e apesar de tudo isto, as duas mais recentes candidaturas até são oriundas da mesma linha política do partido e nenhum dos protagonistas - Rangel e Aguiar Branco - tenciona abdicar do seu passo.

 

Nesse caso a ideia que eu preciso de perceber, a resposta que me escapa é: qual se conclui ser a verdadeira motivação dos dois candidatos a Primeiro-Ministro em causa?

publicado por shark às 21:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

NÃO, NÃO ESTAVA A BRINCAR NA POSTA ABAIXO...

os trapalhões

Foto: Shark

publicado por shark às 00:27 | linque da posta | sou todo ouvidos

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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