Sexta-feira, 30.10.09

EU GOSTO DE PASSARINHAS

paa

Foto: Shark 

publicado por shark às 19:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Quinta-feira, 29.10.09

VARA DE DOIS BICOS

Como se não bastassem os tachos de luxo que a actuação na política lhes faculta ainda fazem uma perninha nos bastidores.

Podem berrar a inocência à vontade. Tal presunção só é pressuposto na aplicação da Justiça e a mim não engrupem com tretas. Não há fumo sem fogo.

 

O país está a saque e estes canalhas deviam ir dentro por muitos e bons.

Pelo menos ganhavam medo, já que não conseguem ganhar vergonha.

 

publicado por shark às 20:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

ERRAR É HUMANO

Mas quando a negligência custa a vida a uma criança com dez anos de idade não há humanidade que justifique tamanho desmazelo.

publicado por shark às 12:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 28.10.09

ENTRE PORTAGENS

É o título do meu mais recente texto publicado no Volúpia.

publicado por shark às 20:54 | linque da posta | sou todo ouvidos

LOOK UP!

ameaça latente Foto: Shark

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publicado por shark às 20:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

NA ÚLTIMA FRONTEIRA

A minha boca na tua pele, passageira. Lábios que te tocam de forma ligeira, aleatória, beijos suaves gravados na memória do corpo, alto relevo, pintados como rastos na areia deixados por quem passeia numa praia deserta, em forma de arrepio.

 

Os meus dedos a seguirem o trilho desenhado nesse corpo acordado pela brisa quente da respiração, o bater acelerado do coração nesse teu peito que me chama, o teu olhar que reclama uma passagem por um destino certo desta viagem em que embarco por ti. Toda.
A rota que já percorri, cada passada que fica traçada na tua pele, esculpida a cinzel com a língua que agora te visita onde os olhos pediram, o corpo que se agita em orgasmos que nasceram onde a vida se produz e na mente que se reduz, concentrada, à emergência do prazer.

 

A minha boca a dizer que não é pouca a vontade de te deixar prostrada, quando der lugar a outro caminho nessa estrada que abres para mim enquanto me olhas assim, perdida algures num ponto do mapa que te descrevo com as palavras que sussurro depois, ao ouvido, enquanto viajamos os dois num tapete mágico, encantado, um delírio que soa ilógico, sem nexo, mas é explicado pelo empenho com nos entregamos ao sexo, a estes momentos em que sublimamos, horas a fio, a intensa emoção que acontece nesta ligação à corrente de um rio que começa numa nascente que brilha como o sol.

 

A tua boca que me beija o rosto e depois troca, descendente, para onde mais gosto de a sentir, a tua ânsia, e dizes ser urgente satisfazer-me também, as mãos na tua cabeça em movimento de vaivém e eu logo a seguir no caminho de regresso ao aconchego do teu abraço ao corpo que deito sobre o teu, invado o espaço que agora é o meu porque o ofereces sem hesitar e vejo que até esqueces em que lugar nos encontramos, esta cama em que fazemos o amor sem reservas que permite te atrevas a ir longe demais, tanto quanto puderes. E tu vais. Comigo, onde quiseres. Sobrevoamos um campo de trigo e depois mergulhamos num mar tropical, depois de conquistado o espaço sideral onde o som não é propagado como agora podemos constatar, já em terra, quando ambos não conseguimos evitar um grito de guerra em uníssono que marca o final de mais uma etapa, de mais uma volta pelo país da fantasia onde acontecemos, pura magia, num tempo em que no nosso espaço, no nosso momento, só existe uma condição.

 

Viajarmos sempre para fora deste mundo, numa outra dimensão. 

publicado por shark às 16:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

VOLTA PARA MIM

Tudo começou a desmoronar à sua volta, por dentro, quando deu pela falta do que mais o agarrava à vida. Os olhos levantavam destroços, as mãos ajudavam como podiam. E ele só queria respirar por mais algum tempo para poder procurar a salvação no meio do caos, ensandecido.

Gritava mas parecia que uivava de dor, pedras enormes afastadas sem esforço pela figura grotesca coberta de pó no meio das ruínas do espaço a que chamara o seu.

 

Balouçavam no corpo os farrapos da roupa destruída e na cabeça os pedaços de memória de uma vida aparentemente perdida no instante em que o demónio decidiu aparecer, monstruoso, de surpresa, para lhe injectar uma tristeza que o enlouquecia e não sabia o que fazia no meio daquele cenário desolador mas procurava em vão o seu amor por entre as marcas da passagem do mal, força sobre-humana, indiferente aos gritos que ecoavam lá fora, para lá dos restos de paredes que delimitavam a sua busca insana.

 

Exigia ao coração que não parasse, depois o diabo que o levasse para onde a pudesse encontrar, o malvado que viera para lhe levar tudo quanto precisava para valer a pena bater, no peito que arfava, o músculo que bombeava o sangue pelas feridas que ignorou até que finalmente a encontrou soterrada sob um pedaço de pedra que só um elefante conseguiria mover.

Mas pareceu-lhe vê-la mexer um dedo da mão e agarrou o obstáculo como se de papel se tratasse e invocou toda a força da terra para a concentrar em si.

Rangeu os dentes, alucinado, completamente determinado em salvar as duas vidas em risco naquele lugar infernal.

 

Ninguém assistiu ao milagre que produziu apenas com a força das mãos.

E só quando se certificou que de facto a salvou, gritando pelas equipas médicas na rua que não tardaram a chegar, se permitiu desfalecer e acabaria por desmaiar, tombando ao lado da sua vida que salvara, com um sorriso no rosto e os dedos estendidos numa carícia que a acordou.

publicado por shark às 00:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Terça-feira, 27.10.09

TONS DE OUTONO

outono nos ramos

Foto: Shark 

publicado por shark às 15:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

O JORNAL DAS LETRAS VIRTUAL

A blogosfera, pelo menos o sector intelectual, está cada vez mais parecida com uma secção virtual do JL.

Pior ainda, com as editoras a prestarem o serviço de caca que já toda a gente percebeu (lembram-se da brincadeira com o livro de Vergílio Ferreira que nenhuma editora se prestou a publicar?), os blogues da malta da pesada insistem em encher páginas (posts) com referências aos lançamentos literários sem qualquer tipo de contributo dos respectivos autores (os dos blogues) para a renovação do ar bafiento que transforma a cultura em geral e a literatura em particular num papão para afastar de forma radical e definitiva os utilizadores da PlayStation, servindo assim de meros alimentadores da máquina financeira das editoras.

 

E sinceramente não sei se é por aí, rapaziada sedenta de publicação literária (esta foi profunda...), que a coisa passa...

publicado por shark às 14:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

MAIS BIZARRO, SÓ MESMO OS DEPUTADOS...

Neste país de paródia é raro o dia que não começa com uma anedota qualquer nas notícias.

Hoje elegi a reclamação dos taxistas quanto a um estatuto prioritário na vacinação contra a gripe A como a mais engraçada do dia.

 

Confesso que tempos atrás não encararia a questão sob o prisma do humor e antes pegava pelo absurdo no pior sentido. E esse encontrar-se-ia facilmente no facto em si.

Sem desprimor para os profissionais desse ramo, se achei peregrina a mesma sugestão por parte dos advogados (estou a rir-me imenso, mas é dos nervos, não levem a mal), ver os fogareiros a tentarem explicar a necessidade de serem considerados prioritários por transportarem doentes aos hospitais é Monty Pithon no seu melhor.

 

De resto, esse argumento leva-me a considerar que, na mesma óptica, os táxis deveriam também poder instalar sirenes como as das ambulâncias (nem que fosse para poderem continuar a passar ao vermelho nos semáforos ou a meterem-se à bruta mesmo vindos da esquerda sem que isso lhes acarretasse multas ou culpas nos sinistros automóvel).

É o reino da fantasia instalado nas mentes com demasiada quilometragem, só isso pode justificar este impulso por parte dos muy dignos mas enfim que tanta falta nos fazem (o Daniel Oliveira tinha a vida estragada) mas há que manter a calma e o bom senso quando se ganha a vida por detrás de um volante ou ficamos todos a somar mais uma preocupação para além do discurso e do tipo de condução da maioria dos nossos taxistas.

 

Anda tudo meio chanfrado, isso sim. E contra isso não há vacina que nos valha...

publicado por shark às 11:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Segunda-feira, 26.10.09

A GUERRA DOS SEXOS

Ele há critérios para tudo. E qualquer critério pode ter uma explicação, mesmo que esta seja apenas a vontade de um dono daquilo a que o critério se aplica.

O Blogómetro possui um critério. Tem uma lista global  em que qualquer blogue pode entrar e uma lista editada onde só entram os que passam pelo crivo do tal critério.

Cagativo, pensará a maioria da malta que até nem liga aos contadores (claro, claro...), não registou o blogue na cena ou está-se mesmo nas tintas para isso das tabelas de popularidade da blogosfera.

Eu não estou. E por isso gosto de entender os tais critérios.

 

Comparei as duas listas que linco acima e percebo facilmente que o critério é só um: blogues com sexo mais explícito do que o dono é capaz de tolerar saem da editada, a todo-poderosa. Presumo que a intenção é ter uma tabela séria e uma outra badalhoca, para que os não sei quantos porcas e outros blogues demasiado visitados para o gosto criterioso não abafem a concorrência.

Até aí tudo bem. É uma questão de critério. Podiam implicar com os blogues de wrestling, ou com os ligados a clubes de futebol, mas não, são os de sexo que ficam de fora da lista politicamente correcta. Quem tem o poder usa-o.

 

Eu respeito critérios. Mesmo os dos outros. Mesmo os que entendo imbecis.

Mas gosto de entendê-los.

 

E não há maneira de o dono do Blogómetro me explicar um critério que edita ESTE blogue e assim o exclui da lista purificada mas deixa ficar ESTOUTRO.

 

Alguém consegue dar-me uma mãozinha como se eu fosse muito louro? 

 

publicado por shark às 21:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

UM PADRE DO FAROESTE

Depois do alarido com que a Igreja Católica reagiu às declarações e ao livro do Saramago seria de prever que alguém da organização dissesse qualquer coisita a propósito do padre pistoleiro de Boticas, não?

 

Só para a malta, nós filisteus e assim, não ficar com a impressão de que só são lestos a pregar quando a maçada provém do exterior do rebanho.

publicado por shark às 21:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

linhas da expo

Foto: Shark 

publicado por shark às 16:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

CADA VEZ GOSTO MAIS DELES...

O descaramento da banca assume proporções tão escandalosas como cobrarem um dinheirão por cada cheque que emitimos para, no fundo, utilizarmos o nosso dinheiro, e para além de demorarem dias a creditarem o respectivo montante nas contas recebedoras têm a lata de colocarem um prazo de validade nos pedaços de papel que nos custam uma exorbitância.

 

Para quem usa livros de cem ou mais cheques, esta medida constitui mais uma forma indirecta de extorsão, a somar a todas as taxas, despesas de manutenção e muitas outras invenções com as quais se aproveitam da sua condição para nos parasitarem.

publicado por shark às 14:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

QUERES ENGANAR QUEM, TUBARÃO?

E o encanto que tem uma segunda-feira coberta com um manto de nevoeiro ao estilo londrino?

Não há forma mais revigorante de começar uma magnífica semana de trabalho!

publicado por shark às 09:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A VIDA NO SEU MELHOR

Ver como o amor se revela nas coisas simples, nas reacções espontâneas que o traduzem tão bem, nas emoções instintivas que se produzem em momentos que (quase) nos surpreendem e nos explicam tudo aquilo que precisamos saber acerca da verdade daquilo que sentimos por alguém.

 

E saber que somos amados também.

publicado por shark às 01:50 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 25.10.09

FISCAL DE LINHA

fiscal de linha

Foto: Shark 

publicado por shark às 21:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

O LADO OBSCURO DA LUA

Quando alguma nave tripulada passa pela face não iluminada do nosso satélite natural as comunicações tornam-se impossíveis, não existe qualquer forma de contacto que permita saber se a tripulação está bem ou se até já deixou de existir por algum motivo imprevisto daqueles que o espaço, como alguns elementos na terra, pode providenciar.

 

Se há coisa que atormenta quem ama é a impossibilidade de saber a todo o instante se um alvo desse amor está bem e livre de maleitas. Dificilmente concebo maior angústia do que a criada pela inevitabilidade da especulação quando nada mais resta do que confiar na fé, por ausência de notícias.

São momentos difíceis de ultrapassar na sua condição de indesejáveis. À saudade que a distância possa impor, acresce o receio que a ausência de contacto alimenta na proporção do desconforto crescente que o silêncio lhe soma quando imposto pelas circunstâncias e estas nem são, digamos, normais.

 

Nem falo de medos mesquinhos, medos pequeninos que possam derivar de alguma insegurança emocional ou outra, mas da preocupação genuína com o bem-estar de alguém que por alguma razão esteja completamente inacessível.

 

É flixado e incompreensível num mundo onde mesmo com os astronautas só deixamos de conseguir comunicar quando precisam de passar no lado escuro, propriamente dito, da lua que, tal como qualquer um dos que afectam na Terra as comunicações, se transforma numa força de bloqueio indesejável e que dá vontade de partir ao meio para não atrapalhar.

publicado por shark às 16:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

SOU UM PESSIMISTA?

A blogosfera está cada vez mais parecida com a realidade analógica. 

publicado por shark às 16:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

SOU GAIJO PARA REENCARNAR EM POMBO SÓ PARA VINCAR A MINHA POSIÇÃO

Existem mil e uma maneiras de enfrentarmos a desilusão que os outros nos oferecem a cada instante, tal como acontece com o ostracismo a que nos votem de forma ostensiva com o intuito de vincarem a respectiva indiferença.
Dantes (sim, já tenho idade para usar este tipo de expressões) eu era gajo para me encolerizar ou entristecer, consoante o valor que atribuía a quem me desiludia ou simplesmente me deixava cair ou tentava desmotivar pela ausência.


Mas isso era dantes. Agora, algum tempo mais esperto, já não consigo deixar produzir em mim tais efeitos. Tem a ver com a importância que atribuo à esmagadora maioria dos outros que se cruzam no meu caminho, aqui ou em qualquer outra plataforma em que a vida se faz.
Tem a ver com algo que de forma pomposa chamam gestão de expectativas.

A sabedoria popular refere que quanto mais alto maior a queda. E isso encaixa como uma luva nisto de que vos estou a falar. Se voarmos rasteiro, sem pretensões, nunca damos um trambolhão por aí além. Mas se, pelo contrário, nos armamos em ícaros é certo e sabido que esturricamos as asas e só paramos no rés-do-chão e ficamos de rastos.
Essa é uma experiência que não aconselho a ninguém, sobretudo com pára-quedas pois quanto mais demoramos a cair mais tempo dispomos para encaixar os golpes que nos dão.
E não vale, de todo, a pena. Posso garantir.

 

Ontem a minha filha fez anos e consegui oferecer-lhe um dia inesquecível, mesmo tendo-me custado a força, a paciência e o dinheiro de que não disponho nesta altura.
Foi a minha marafilha quem fez anos e não lhe faltaram primos e amigos e alegria na festa que comemorou o seu décimo aniversário. Contudo, eu sou o pai. E tirando os avós, um casal de tios meus e uma amiga e cliente (e tu, Gaija, claro) ninguém achou digno de registar na merda da agenda de um telemóvel, já nem digo na memória, uma data em que sabe sempre bem constatarmos a nossa importância (que nos nossos filhos ainda a sentimos maior) com a gentileza de um telefonema ou seja o que for.

 

Não dói, não irrita.

Mas peço a quem ignora (não no sentido de não as conhecer mas de as desprezar) desta forma as poucas datas a que atribuo alguma relevância o favor de nem pensar em pôr os pés no meu funeral.  

publicado por shark às 00:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Sábado, 24.10.09

RÉGUA(DA)

régua

Foto: Shark 

publicado por shark às 01:30 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 23.10.09

A POSTA FUNDIDA

Crescemos às escuras por entre o matagal de influências que nos moldam boa parte do que acabamos por ser, abrindo caminho com a catana daquilo que trazemos na essência, as peças de origem, mais o que conseguimos adicionar depois de filtradas as opções que a vida nos oferece, em busca de uma luz que nos permita escolher os comportamentos que nos expliquem o carácter e nos definam de uma forma qualquer.

 

Aquilo que queremos ser, ou pelo menos nos acreditamos, subjectivos, mas acabamos por transmitir de formas tão variadas quantas as percepções dos outros que nos avaliem. Aquilo que somos de facto, feitio e acções, capacidade e ambições, tudo medido em paralelo pela nossa bitola (em função dos objectivos que nos atrevemos a traçar e dos meios que aceitamos ou temos hipóteses de utilizar) e pela de quantos nos rodeiam ou tomam de alguma forma contacto com as nossas realizações.
Dois pesos e duas medidas, afinal, qualquer delas sem outro rigor que não o da falível opinião pessoal ou mesmo colectiva. Juízos proferidos em função de critérios definidos no passado e que o tempo em que vivemos e o ambiente em que nos movimentamos adoptou. Modas passageiras, tendências, abraçadas em função daquilo que as consciências individuais determinam e a sua soma, a maioria, impõe.

 

À deriva na escuridão que nunca rompemos de facto com mais do que simples pirilampos de inteligência condicionada, de esperteza assimilada ou de meros instantes de lucidez, reclamamos superioridades fictícias seja sobre quem for, os inefáveis juízos de valor que nos afastam da verdade e nos cegam para uma realidade tão fria como a da morte ou da sobrevivência precária à espreita a cada esquina nesse caminho às escuras onde coleccionamos tropeções.
Distraídos com a necessidade de uma integração no modelo aplicável, naquilo que a maioria considera aceitável, abdicamos aos poucos da rebeldia, da vontade de questionar que nos permite avançar com maior confiança, com as respostas necessárias, pelo tempo de que dispomos e às tantas a própria felicidade acaba perdida no breu.
Acabamos de olhos postos no sucesso que afinal é pouco mais do que uma cenoura que nos impingem como um farol.

 

Autómatos involuntários de um sistema que não passa da aplicação de uma lei da selva envernizada à medida dos que pretendem quebrar com outras forças, civilizadas, a resistência de quem o possa boicotar, acabamos todos cegos numa terra de reis. Vulneráveis aos caprichos da sorte mais os de diferentes poderes, vagueamos desorientados, desarmados, num mato ainda mais denso do que aquele que antes tentávamos desbravar. Desistimos de procurar alternativas, alinhamos com atitudes passivas numa resignação que de tão vincada quase se confunde com uma apatia generalizada perante o logro descomunal que nos afasta de nós próprios e de quem nos possa deitar a mão.
Individualistas, divididos para que alguém possa reinar, nas trevas de uma solidão disfarçada com todo o tipo de entretenimento que nos possa alienar.

 

Perdemos aos poucos a vontade de iluminar o tal caminho com algo de nosso e deixamo-nos conduzir de forma dócil por uma promessa que só tarde demais se revela um ardil. Tomamos como inimigo o parceiro do lado, igualmente desorientado, porque sem querer nos dá um encontrão e acreditamos ambicionar a conquista do nosso espaço vital, a promoção ou outra ganância que funciona como um chicote invisível, a pessoa que é nossa porque a amamos, ou mesmo porque beliscam um bem qualquer, uma vaidade que cultivamos no primado da futilidade que acentua a arrogância e nos impede de aceitar de forma humilde uma crítica, um reparo sequer.


A vitória cada vez mais ilusória à medida em que as luzes da ribalta, miragens, desvanecem e damos, no meio da penumbra, com os filhos criados por terceiros, distantes, quantas vezes indiferentes à pessoa que pouco ou nada os acompanhou e apenas por obrigação nos chamam mãe ou pai.

 

Depois chegamos a velhos, acende-se a luz, e só então percebemos como essa cegueira nos trai. 

publicado por shark às 23:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

BANCA ROTA

Os bancos vão exigir que lhes seja pago o serviço que prestam na cobrança de impostos.

E têm todo o direito a incluir mais essa pitada de lucro na sua voragem ganhadora.

 

Agora, para ficar reposta toda a moralidade nas relações entre a banca e o Estado/todos nós, só falta mesmo que estas instituições tão rigorosas comecem a pagar escrupulosamente os impostos que lhes competem.

publicado por shark às 15:48 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE AVIÕES

pássaro de ferro

Foto: Shark 

publicado por shark às 15:08 | linque da posta | sou todo ouvidos

IR À BRUXA

É pena não constituir opção.

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publicado por shark às 11:58 | linque da posta | sou todo ouvidos

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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