Terça-feira, 30.06.09

A POSTA QUE NÃO TENHO RAZÃO

Ensinaram-nos de pequenos que uma vida digna a trabalhar seria garantia de sucesso e nada nos iria faltar que fizesse, de facto, falta. E alguns de nós até compraram a ideia e decidiram mergulhar nessa onda da dignidade e da honestidade e da incorruptibilidade que, alegadamente, fariam toda a diferença nesse futuro risonho para (todas) as pessoas de bem capazes de exercer um ofício e de não caírem nas garras de um vício qualquer, jogo e assim, que desequilibrasse os pratos da balança.

 

Claro que como em tudo na vida ninguém falou nas letrinhas pequenas que o progresso sempre inclui no contrato social que assinamos em função da sorte, do acaso, do mérito e das características pessoais de cada um/a. Coisas impensáveis na época em que os nossos pais nos educaram, como o crédito ao consumo inventado para todos nos sentirmos no direito de ter um plasma igual ao do vizinho de cima que até desvia uns fundos para se governar, economia paralela, mas ninguém gosta de fazer má figura e a coisa até soa simples no discurso publicitário das prestações a perder de vista (com TAEG’s a passarem bem depressa e, lá está, em letras bem minúsculas no rodapé). Ou ainda mais impensáveis, como a União Europeia, o fim do Escudo, a globalização e todas as (fracas) explicações para os sarilhos que agora enfrentamos sob a forma de uma crise financeira global que arrasta a queda das bolsas aos bolsos dos cidadãos de classe média. Nomeadamente aqueles que compraram o tal conceito de que vos falo no intróito e entenderam virar a cara à vida fácil da marosca, do gancho, do esquema, da cunha ou de qualquer outro expediente daqueles que engrossam de forma determinante o pecúlio dos que definem valores como montantes e nada mais.

 

Desgovernados, é o que somos aos olhos de todos quantos cuidaram de poupar como a formiguinha ou de o ganhar como a ratazana enquanto as cigarras desta vida estiveram entretidas a tocar bandolim. Ou assim. E até pode vir a dar jeito nas estações do metro em que alguns de nós acabarão por encontrar o ganha-pão que a tal crise já roubou a muitos e certamente roubará a uns quantos mais, mas presumo que também aí a concorrência será feroz e a generosidade cada vez menos mãos largas.

Olhamos em redor, buscando os sinais desse desgoverno. Os carros topo de gama, as casas de praia no Algarve, a roupa de marca a atafulhar o guarda-roupa da vivenda geminada num condomínio privado qualquer. E não os encontramos e depois ficamos sem saber o que dizer a quem nos interpela no sentido de obter primeiro uma explicação para o saldo negativo da conta e depois nos confronta com a dura realidade do temos pena mas as coisas são mesmo assim e a gente crescidos demais para o recomeço após o fim da nossa existência financeira legal.

 

As portas ficam todas fechadas aos que se deixam arrastar pelo turbilhão do incumprimento se quiserem encontrar uma forma de sustento depois de repartido o património entre os principais e eficazes credores. A banca encarrega-se de garantir o funeral da dimensão social dos que se deixam preguiçar à sombra das expectativas criadas no dia em que abraçaram uma forma de estar sem mácula à imagem e semelhança da maioria dos nossos avós que honravam compromissos, pagavam com a sua palavra e tinham vergonha de dever fosse o que fosse a alguém.

 

É essa a verdade que só uma crise revela em todo o seu esplendor, quando as prestigiadas e muito lucrativas instituições financeiras que fazem andar a economia começam a fazer sentir a sua presença sem sorrisos por detrás do telefone ou do balcão. De bestiais a bestas num estalar dos dedos da mão, a partir do momento em que as coisas não corram tão bem. Dos cheques de milhares de euros para simbolizarem o crédito pré-aprovado para o tal carro agora rebocado para a empresa de leilões à simples retirada do privilégio da sua emissão para pagar as compras no talho ou qualquer outra despesa que mesmo nos nossos dias consideramos primordial.

 

É essa a realidade de um país minado pela ganância oportunista daqueles que comeram a carne e nos desdenham agora os ossos para eles tão tenros de roer. É isso que nos faz doer, a constatação de que nunca vale a pena ser decente e cumpridor e fazer sempre questão de ganhar a vida de forma honesta e orgulhosa no seu cariz (cada vez mais) excepcional num mundo de crápulas e de medíocres que vêem nos espelhos apenas a imagem do sucesso e nunca o esterco que acumularam nos bastidores enquanto pugnavam de forma habilidosa para o assegurar.

 

E é essa uma das principais razões para muitos de nós hoje considerarem seriamente a hipótese antes impensável de emigrar.

publicado por shark às 18:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

ALMA CAMPISTA

campismo berbere Foto: Shark

publicado por shark às 12:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

O MUNDO ACORDOU ASSIM...

Mais um Airbus perdido no mar, desta vez no Índico.

E um comboio carregado de GPL que explodiu na pacata Viaregio, treze vidas perdidas de gente que apenas teve o supremo azar de por ali passar à hora errada ou apenas fazia em casa as coisas que se fazem sem acreditar que estas coisas acontecem e mudam tudo ou acabam de vez com a nossa frágil existência à mercê das coincidências foleiras.

 

Um presidente deposto por querer perpetuar-se na condição e um outro eleito com marosca que ninguém permite averiguar. A democracia a sangrar nestas aberrações perpetradas com as suas convenientes fachadas que tanto tranquilizam os que esquecem que o Adolfo um dia também participou num plebiscito e até o ganhou.

 

O mundo a acordar num dia farrusco de Verão e eu a perder tempo com a televisão que nada de bom parece ter para dizer nos noticiários onde os chouriços se enchem com as tretas ligadas ao futebol e cada vez é mais imbecil o fait divers para desanuviar...

publicado por shark às 11:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

O AZAR DO MADOFF

Foi não trabalhar no BPN ou no BPP...

publicado por shark às 01:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 29.06.09

PENA (DA) CAPITAL

Era a final do campeonato de futebol, escalão júnior. Miúdos, com as famílias presentes mais amigos e alguns adeptos.

Chegaram elementos da claque do Benfica e consta que mandaram pedras aos apoiantes do Sporting presentes nas bancadas de um campo de futebol mais próprio para finais de competições de bairro.

O jogo foi interrompido devido à proporção dos desacatos. Um jogo do escalão mais jovem, aquele onde ainda se formam mentalidades e se preparam futuros campeões. Entre os dois maiores clubes da capital.

 

Que assim voltaram a envergonhar os que a chamam sua.

publicado por shark às 16:17 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE PESSOAS

mercador excêntrico Foto: Shark

publicado por shark às 14:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

SEGUNDA-FEIRA COM CHUVA TORRENCIAL

Aí está uma forma auspiciosa de começar uma semana...

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publicado por shark às 10:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 26.06.09

A POSTA CALVIN KLEIN

pub ck

 

Só ontem fiquei a conhecer o mais recente nojo dos hipócritas que se não olhassem não criticavam. Mas olham, olham muito e depois de ultrapassado o choque de gostarem demais passam ao ataque puritano com as mais estapafúrdias motivações.

Não é novidade, a reacção conservadora à publicidade mais arrojada da Calvin Klein. E em condições normais nem haveria muito a dizer acerca de mais um lápis azul (a versão vídeo foi proibida) da moralidade de baú que tenta riscar do mapa tudo quanto sejam saias acima dos joelhos ou decotes abaixo da sua medida padrão, do limite traçado à fundamentalista.

Mas esta reacção urticária em particular, a propósito da mais recente campanha da CK, chama-me a atenção pelos contornos do anúncio em causa. E em causa está uma foto de uma jovem em tronco nu que beija um rapaz. Mas o problema não reside aí, já que daquilo que os caretas não gostam pouco se vê. O problema consiste no facto de haver mais dois rapazes na foto, o que deve ter feito disparar os alarmes todos nas cabecinhas porcas dos beatos do costume.

É que dá ideia de que a miúda tá ali para aviar os três moços e isso, gente boa, é que não pode ser!

 

Aquilo que me ocorre, ultrapassada a náusea inicial que o puritanismo de pacotilha sempre me inspira, é que a reacção hostil não pode derivar senão dessa alusão velada ao sexo em grupo, mais concretamente num grupo onde só existe uma gaja e, horror dos horrores, até parece ser ela a controlar a situação. E isso é que a seita puritana jamais poderia tolerar. Para mim é apenas essa a parte “pornográfica” da imagem como a entendem os que não gostam mas nunca deixam de deitar o mirone para manifestarem o seu desagrado só depois.

É que por norma onde existe um tipo cheio de pudor esconde-se um machista capaz de ignorar (em princípio…) uma peitaça masculina sem pelos no anúncio a um desodorizante ou assim mas sem tolerância para com a mesma imagem no feminino. Ora, nos tempos que correm é tão natural ocorrer um pensamento pecaminoso do tipo que bela e quente chupadela que dava naquele mamilo a um gajo como a uma gaja e isso coloca as mamas num plano de absoluta igualdade em termos de escandaleira potencial.

E quanto às puritanas, uma espécie ainda mais feroz, repugna-lhes a visão do paraíso a entrar-lhes pelos olhos adentro no seu inferno interior. Revoltam-se com o prazer alheio e jamais admitiriam exposta a verdade que negam nas suas vidinhas reclusas.

 

A grande bronca da tal foto consiste no facto de ser ela quem manda, quem controla, quem decide como e com quem fazer o quê. Um sinal dos tempos capaz de enfurecer o mais amorfo dos totós que só servem para empatar os outros com o seu terror à liberdade de expressão quando esta exprime uma verdade que colida com os seus pruridozinhos da treta.

E depois vão a correr para um canto escuro onde fantasiam com a irmã da canhota tudo aquilo que tanto os repugnou, uma gaja dominadora, liberal, resolvida. E livre de fazer, o que muito apoquenta estas alminhas castradoras capazes de pressionarem uma proibição.

 

Mas incapazes de crescerem, de aceitarem qualquer tipo de evolução. 

publicado por shark às 01:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Quinta-feira, 25.06.09

MAU DIA PARA OS PEIXES

à pesca das sobras

Foto: Shark 

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publicado por shark às 17:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

SINAIS DE FUMO

Um abraço de fumo à imagem protagonista de uma ausência que o cigarro aceso não distrai, o olhar preso ao chão, e o cigarro numa mão parece querer dançar no espaço com o ar enquanto se desfaz em cinza.

O enterro prematuro da beata, esmagada no fundo de um cinzeiro pertencente ao pecador que pensava um amor quando tentava afastar de si a ideia que queria abraçar enquanto parecia querer fumar a saudade que o sufocava.

A tosse mental por excesso de nicotina na lembrança que imagina tão nua, vontade de ir para a rua inspirar. Um romance por escrever naquela história a acontecer de uma vitória do coração.

Os restos de salmão fumado no prato entretanto abandonado à sua sorte na mesa de um restaurante situado mesmo à beira do mar.

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publicado por shark às 16:46 | linque da posta | sou todo ouvidos

DOMVS INSTITVAE

O Provedor da Justiça anterior deu à sola depois de esperar ao longo de meses que o substituíssem. O seu possível sucessor mais badalado desistiu de aguardar por um consenso entre PS e PSD. O Bastonário da Ordem anda sob fogo cruzado das virgens ofendidas da sua classe por meter a boca no trombone.

E dos juizes, desde o caso da menina que despacharam para a Rússia, nem piam.

 

É impressão minha ou instalou-se a bagunça nos bastidores da coisa?

publicado por shark às 16:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 24.06.09

OUTRA PIQUENA NA CRECHE VIRTUAL

Entraram hoje uma menina mais a sua pedaleira no Berço de Ouro.

publicado por shark às 18:29 | linque da posta | sou todo ouvidos

QUALQUER DIA EM PORTUGAL TAMBÉM SERÁ ASSIM

justiça popular Foto: Shark

publicado por shark às 17:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

KEEP IT SIMPLE

O ponto alto da minha manhã deste dia foi uma reunião com o meu melhor cliente, o que sempre torna qualquer reunião determinante e quase decisiva para mim. E não estou a exagerar: a perda daquela empresa teria como consequência inevitável uma profunda mudança no meu estilo de vida.

 

Nem sempre decorreram de forma agradável as reuniões periódicas de acerto das agulhas que um relacionamento comercial frequente implicam. Contudo, a de hoje provou-me até que ponto o sucesso está ligado à atitude, mais até do que com a eficiência.

Na prática acaba por ser uma questão de atitude. À minha evidente descontracção (não tenho veia de actor, era mesmo o caso) correspondeu de imediato uma reacção menos tensa e muito mais informal por parte das outras três pessoas na sala.

Descontracção não equivale necessariamente a balda e tudo passa pela confiança que conseguimos transmitir, a par com a bagagem necessária para nos provarmos capazes para a função. E se eu fosse atrás do receio instintivo de que algo pudesse correr mal, certamente correria. É fatal como o destino.

Assim, a reunião resultou clara e profícua para as partes interessadas.

 

Tudo isto para vos dizer que a vida só não é fácil porque a complicamos (exceptuando as fatalidades imprevistas que nos aterram no prato da sopa, claro) e no que toca a relações comerciais (que são relações humanas na mesma) as pessoas começam a estar saturadas do excesso de formalidade que num contexto de crise financeira só serve para atrapalhar com fatos e gravatas o roupeiro e o mealheiro de uma pessoa. Isso mais o próprio tom com que as conversas podem decorrer, em função das nossas escolhas nessa matéria.

Ganho a vida como comercial e possuo uns anos de tarimba nesta coisa de lidar com pessoas. Se alguma coisa aprendi foi que nas épocas mais complicadas preferimos lidar com as coisas de uma forma mais simples, mais directa e sem mariquices supérfluas ou desnecessárias.

 

E hoje partilho convosco a alegria da renovação da minha ligação comercial mais importante precisamente para que tenham sempre em conta esta alternativa nas vossas decisões de relacionamento com terceiros, qualquer que seja o seu âmbito ou natureza. Mal não faz e até pode ser que os resultados vos surpreendam.

publicado por shark às 15:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

MÁQUINA DO TEMPO

transporte para ontem Foto: Shark

publicado por shark às 01:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA RED BULL

Vontade de voar. De subir sem parar até ao ponto do céu onde nem passam os aviões, estratosfera ou ainda mais, sem fôlego perante a imagem azul do nosso espaço comum.

Vontade de me elevar até onde o mundo pare de respirar, mesmo antes do espaço que as estrelas enfeitam de luz. Lá em cima, bem alto, lá em cima onde não existe o som, na fronteira entre o espaço que sonhei um dia conhecer e falhei e um outro espaço no qual concretizei os desejos que me inspiraram os beijos teus.

 

A realidade tangível na ponta dos meus dedos e as asas dos meus medos que partiram quando o amor se impôs sem apelo nem agravo e com ele esta vontade de voar, de subir sem parar, dentro de ti, até ao ponto do espaço, o ponto no tempo, em que uma estrela explodiu, o teu orgasmo, e o espaço negro e vazio se iluminou em todas as cores que o universo conseguiu inventar.

O brilho nesse olhar que me sorri quando aproximo de ti a mão que passeia nesse rosto que o destino escolheu para me encantar, algures no céu onde dizem morar os divinos artesãos que moldam com as suas mãos as mais perfeitas criaturas, tão belas, tão puras, que só os eleitos conseguem entender únicas e especiais.

 

Vontade de amar, cada vez mais. De sentir sem parar a emoção. De poder passear a minha mão na aura da terra e depois aterrar para lhe poder tocar a pele, a tua, a pele que sentiu, e nascerem flores como sinais indisfarçáveis de um imenso arrepio.

 

publicado por shark às 00:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 23.06.09

TÁS A OLHAR PRA MIM, MÉNE?

só ele sabe porque não fica em casa Foto: Shark 

publicado por shark às 03:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

A POSTA SEM REDE

É raro escrever directamente no editor de um blogue. Escrevo quase sempre em Word (agora andam a chatear-me com o código do produto e mai não sei o quê da treta do Office que vinha metido no computador que comprei e só tenho mais 23 utilizações até me cortarem o pio e por isso mais vale habituar-me a isto), para evitar calinadas foleiras ou apenas para ter que premir mais do que o simples botão "publicar" e assim ter algum tempo para me arrepender de o fazer.

Mas hoje estou a escrever directamente na folha branca que o Sapo nos oferece para criar algo de jeito ou apenas para debocharmos com umas larachas. Sai como sair e nem sequer tem um mote pensado. É um risco calculado, em função da cada vez mais flagrante certeza de que tanto faz.

 

Isto da blogosfera tem tanto de magnífico como de bestial (de besta mesmo). Podemos acertar na mouche com uma frase da treta ou ficarmos a falar sozinhos com aquela posta em que investimos montes de nós para o texto ficar a sós no oblívio que o jogo do empurra das postas mais recentes provoca. As outras, magníficas ou bestiais, descem até desaparecerem no pó dos arquivos que só uma minoria daquelas mesmo minoritárias decide vasculhar.

Por isso acabamos por nunca saber o que interessa dizer. Who cares? Perguntamo-nos isso de cada vez que arriscamos uma incursão pelo mundo do showbiz virtual gratuito.

So what? Julgamos perguntarem os que do outro lado do fio levam com as criações ou as larachas de cada um dos artistas da (de) tanga.

E nesta salada de interrogações anglófonas encontramos as pontas afiadas deste dilema de mostrarmos tantas vezes o cu (ou a mona, o que é bem pior) sem nada que o justifique ou remunere (sim, em certas coisas sou uma puta mental), a quem até pode olhar e ver apenas o cotovelo ou, em alternativa, a pila que nem nos passaria pela cabeça mostrar.

 

São coisas sem nexo, próprias de quem bloga demais, e só servem para dificultar a nobre missão de encontrar em cada dia um motivo decente para entreter as pessoas.

 

Eu ando nessa fase cíclica de qualquer pessoa que bloga demais e que ainda por cima tenta encontrar um sentido para a cena.

 

Não criem demasiadas expectativas nesta fase da lua. O tubarão já conheceu melhores dias...

 

publicado por shark às 02:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Segunda-feira, 22.06.09

TROCA DE OLHARES

entreolhar Foto: Shark

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publicado por shark às 15:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA QUE FALAMOS DAQUI A VINTE ANOS, TALVEZ MENOS...

Ele entendeu que no seu país a escolaridade deveria ser obrigatória até aos 14 anos. Note-se, até aos 14 anos e não até a um qualquer ano lectivo. Ou seja, não há passagens de ano “obrigatórias” e quem chumba marca passo. Mas ele não fez depender o cumprimento dessa lei com base numa chantagem com rendimentos mínimos. Se impunha tal obrigatoriedade, o ensino teria que ser gratuito para todos.

E mais, certificou-se que o sistema de ensino iria garantir que a maior parte da população do seu país iria dominar três idiomas.

A crise aterrou no país dele com o impacto típico dos países dependentes das receitas do turismo provindo de países agora menos abastados. Contrariou-a com uma política de incentivo às empresas de contrução civil para que investissem na construção de bairros decentes mas a custos controlados para que a classe média possa adquirir uma casa e pagá-la num prazo máximo de dezoito anos. E forçou uma maior adaptação das pessoas a hábitos estranhos à sua essência, à sua cultura, no sentido de tornar menos visíveis as diferenças entre o seu país e os dos que tanto contribuem para a sua subsistência, para tornar tudo ainda mais acolhedor e apelativo.

 

Sob enorme pressão que a própria conjuntura externa e uma vizinhança menos tranquila impõe, conseguiu controlar o desenvolvimento de ideologias fundamentalistas e criou as condições necessárias para que num país pobre e parco em recursos e onde metade da população tem menos de 25 anos de idade as pessoas possam efectivamente optar pelo modo de vida que mais as sirva, em termos religiosos ou sociais. A tolerância vê-se nas ruas, espelhada na diversidade de opções. Cada cidadão escolhe a forma de estar que melhor veste a sua convicção ou mesmo a sua fé.

Os seus súbditos não escondem a admiração e a reverência, nada ingratos para com o desempenho do líder que lhes tocou na roleta hereditária, e quase todos os espaços públicos ostentam uma foto do jovem monarca que gere os seus destinos desde a morte do pai.

Pela forma como o falam trata-se de uma homenagem e não de uma obrigação como a sintam.

 

Agora tem em mente alargar as redes rodoviárias e ferroviárias por forma a corrigir o erro da França colonialista que abandonou à sua sorte todo o sul do país, por nele predominar o solo infértil. Um desafio sério para uma nação pobre, mas que já se nota na construção de autoestradas e no melhoramento das vias existentes. Uma economia também se mantém activa dessa forma, transmitindo ao mesmo tempo o sinal de que os desníveis entre regiões de um mesmo reino não interessam por serem focos de instabilidade que a desigualdade de tratamento sempre induz.

 

Essa foi a realidade que me foi dada a observar nestes últimos dias, num país chamado Marrocos onde reina um tal de Mohamed VI e que tanto impressiona pela negativa os burgueses ocidentais, nomeadamente os portugueses, que já esqueceram o seu passado recente em matéria de salubridade e de higiene pública.

 

Por cá, já sei que a nação anda entretida a debater a mudança de personalidade (ou será de penteado?) do Primeiro-Ministro ou lá o que é…

publicado por shark às 12:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Domingo, 21.06.09

TIANAMEN EM TEERÃO

As imagens difundidas acerca do que se passa nas ruas da capital iraniana faz-me prever o pior para os muitos que integram as manifestações de quem luta por todo um modo de vida.

publicado por shark às 20:39 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE PESSOAS

com outras cores

Foto: Shark 

publicado por shark às 19:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sábado, 20.06.09

FAZ DE CONTA QUE É UMA CRÓNICA DE VIAGEM

Um mundo verde, com pássaros habituados às pessoas e que pousam ao nosso lado à espera da refeição habitual. Entre muros, à parte de qualquer outro mundo lá fora dos muitos que nos são dados a conhecer.

 

Um paraíso artificial à medida dos que podem, por esta ou aquela razão, usufruir de uma condição privilegiada. Nem que seja de quando em vez.

 

E é isso que eu, felizardo de um mundo que é mais abastado mas nem por isso se revela superior, espreito pela janela num cenário criado só para me impressionar.

publicado por shark às 16:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 18.06.09

EU GOSTO DE PESSOAS

pedalêra Foto: Shark

publicado por shark às 10:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quarta-feira, 17.06.09

DE PEQUENINO...

A minha filha frequenta uma escola do ensino público. Devia ter partido para uma excursão às nove mas está (vejam a hora desta posta) sentada no recreio mais os seus colegas, à espera de um transporte que alguém não reservou bem ou se esqueceu de reservar. À espera de um desenrasque à portuguesa que permita que aquelas crianças, mesmo já com a certeza de não irem onde estava programado há mais de um mês, ainda consigam pelo menos ir a algum lado.

 

Claro que a culpa vai morrer solteira e tudo se resolve com o proverbial "são coisas que acontecem". Pois são. Mas a respectiva multiplicação traduz a realidade de um país que não sendo de merda é para lá que caminha.

E estas baldas toleradas incutem nas novas gerações a mentalidade que acabará por o destruir.

publicado por shark às 11:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (28)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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