Sábado, 21.03.09

FERNÃO CAPELO

dupla alada Foto: Shark

publicado por shark às 17:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 20.03.09

MST x RAP - O CLASH DOS TITÃS

 

Tenho acompanhado com moderado interesse, embora com a atenção que nós anónimos sempre prestamos às figuras públicas e às figurinhas que fazem, a troca de piropos entre o portista Miguel Sousa Tavares e o benfiquista Ricardo Araújo Pereira.

E faço-o por várias razões, nomeadamente pela curiosidade que me desperta o facto de uma simples divergência futebolística entre cidadãos poder alimentar páginas da Imprensa dita séria a que os dois contendores têm acesso e usam sem hesitações como catapulta para as suas invectivas.

 

Claro que o meu coração pende para o RAP, não só porque partilhamos o benfiquismo latente mas também porque qualquer Gato Fedorento possui a seu favor o facto de ter sido blogueiro e isso aproxima-nos sempre um nadinha. Por outro lado, e por uma questão de gosto pessoal, aprecio gente com sentido de humor e nisso o RAP é intocável.

No entanto, confesso que nutro alguma admiração pelo MST pela forma como escreve e como fala. É um homem de convicções firmes, ao ponto de se prestar a enfrentar a ira de uma multidão de estivadores só para defender um ponto de vista. E isso torna-o sempre um osso duro de roer para os seus adversários de circunstância, até porque ele não deixa de dar uma no cravo e outra na ferradura quando sente que a “sua dama” possui calcanhares de Aquiles.

 

Assim sendo, presto-me a dar alguma atenção aos argumentos de ambos embora não pretenda aqui dissecá-los. É que está em causa apenas a trica do costume no contexto da rivalidade entre águias e dragões, uma espécie de jogo de matraquilhos verbal que os dois protagonistas jogam bem mas não passa disso mesmo: um jogo a feijões, ainda que disputado num palco cheio de visibilidade como o dos jornais que se prestam a fazer de estádio para estas discussões entre os nossos figurões (mesmo quando em causa estão as manas Salgado e a sua relevância no folhetim do apito dourado que pela ferrugem já toda a gente percebeu ser feito de latão).

Ou seja, e não querendo minimizar o calibre dos dois players em causa (quem sou eu para o fazer?), temos em cima da mesa (a dos matrecos) uma bola feita de vento que sopra para canto os vários assuntos a que tanto o RAP com a sua abordagem humorística como o MST na sua versão sisuda podem conferir a projecção necessária para a respectiva discussão pública.

 

Claro que ninguém, nem mesmo o homem do Equador, consegue aguentar um esforço permanente de seriedade e de pertinência e cedo ou tarde todos sentimos a falta de um bocadinho de fait divers para desanuviar. O problema é que os dois "adversários" de circunstância levam a sério mesmo os temas da treta, a que acresce o pequeno pormenor de ambos possuírem um tempo de antena que não é de desdenhar e uma capacidade de mobilização das massas proporcional ao estatuto de que ambos se mostram merecedores.

E de repente a malta abandona o Freeport, o BPN, o afundanço financeiro generalizado e todas as questões maçadoras que os opinion makers nacionais pudessem sentir-se tentados a trazer para o primeiro plano e concentramo-nos (quase) todos na bola que, toda a gente sabe, tem reservado cerca de um terço do tempo útil em qualquer noticiário televisivo e muito mais do que isso nas conversas de café.

 

Com este último parágrafo encosto-me descaradamente à postura careta que nem sequer é a que mais me favorece aos olhos de quem ainda me concede alguma atenção, mas apesar de simpatizar muito mais com o humor sublime do RAP não consigo renegar a costela de Grande Educador que partilho com o MST (à minha reduzida escala e sem querer com isto colocar-me em bicos de pés – o que me dá cabo dos sapatos e eu não sou pago pelos jornais e revistas para debitar umas larachas acerca do que me vai na tola).

Além disso, e por isso mesmo, sinto na pele os efeitos nefastos da crise que toca a todos quantos fazem de borla e em campos pelados os mesmos exercícios sem qualquer relevância e não consigo reunir o humor do RAP e o mau feitio do MST, indispensáveis para (a par com a inteligência, o talento e a projecção dos dois cromos) conseguir cingir-me aos assuntos verdadeiramente importantes para a Nação que presta atenção às Carolinas e aos Pintos da Costa deste nosso mundo de brincar.

 

E ainda por cima acumulam-se na minha secretária cada vez mais contas por pagar…

 

 

publicado por shark às 10:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 19.03.09

DIA DE PAI

eu e a marafilha in blue 

publicado por shark às 12:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

DISCO RISCADO

Gostava de poder dizer-te que tudo permanece intacto tal e qual o cristalizaste na memória, sempre a mesma velha história dos tempos bons como os viveste enquanto tudo parecia tão simples para ti.

Um disco gasto, riscado pela agulha que insistes colocar sempre no mesmo lugar que é a única referência capaz de te transmitir a ilusão de uma proximidade que só nesse teu tempo tão antigo existiu. Fotos a preto e branco de momentos normais que são os dias especiais que deixaste algures de cultivar, perdido noutro lugar onde a tua lembrança se perdeu por caminhos que te afastaram de muito daquilo que, dizes agora, te fazia sentir feliz.

 

Vives agora numa outra dimensão, tão distante que já nem mesmo a ilusão consegue alcançar. Vives agora num outro lugar onde apenas te resta o conforto das recordações cada vez mais difusas, das emoções estapafúrdias porque dedicadas a alguém que deixaste de conhecer quando deitaste tudo a perder com o desmazelo que te arrastou para longe, como o mar o faz aos corpos estranhos, mergulhado em enganos que a tua mente inventou para preencher os espaços em branco que o teu coração acumulou.

Perdido numa ilha deserta onde te refugias agora de tudo a que a realidade não te poupou, sempre que te viste forçado a pousar os dois pés no chão que pisas sem cuidares, como sempre, de acautelar o que de mais importante deveria existir para ti.

Ausente, sempre mais e mais distante a bordo desse tempo que vives em constante repetição e há muito perdeu o sentido que ainda hoje tentas atribuir ao pouco que consegues sentir nos intervalos desse teu coma emocional.

 

Gostava de poder dizer-te que apesar de tudo quanto correu mal existe uma porta de saída para uma qualquer forma de reconciliação. Mas infelizmente não. Cuidaste até de transmitir como legado, a herança que negas, esse teu triste fado que empurras para as costas dos outros com a leviandade de quem não reconhece culpas e se enclausura numa cadeia de certezas absolutas que te anestesiam a consciência quando enfrentas a consequência inevitável, esta distância incontornável que aumentas a cada passo que dás enquanto tentas olhar para trás em busca de uma bóia de salvação, com a praia mesmo ali.

 

Gostava de poder dizer-te que ainda gosto de ti como dizem ser a minha obrigação, mesmo depois de consumada a abdicação que acabas por forçar com a displicência da tua forma de agir que se resume à ausência de qualquer acção digna desse nome. Sujeito passivo, sem nada de substantivo para oferecer.

E assim permaneces, o tempo quieto, até deixar de doer por completo a ti como a mim esta verdade que já nem sentimos vontade de encarar porque nunca a quiseste falar do lado de fora dessa pele que sinto como uma couraça impenetrável à razão, ao amor.

 

Esta verdade cada vez menos desagradável e mais fácil no trato porque o tempo, sensato, acaba por cumprir o seu papel (alegadamente) redentor.

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publicado por shark às 12:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Quarta-feira, 18.03.09

LER APENAS EM CASO DE ABSOLUTA NECESSIDADE

Podia dizer-vos que só me apetece subir aos candeeiros e apalpar o cu às lâmpadas. Contudo, não só a frase em apreço não passa de um desabafo pouco consentâneo com a seriedade deste blogue (querem parar de rir, fáxavôr?) como entretanto cresci e as lâmpadas já não exercem sobre mim o fascínio dos dias em que tudo o que mexia merecia ser lido em braille.

Sim, as lâmpadas não mexem e por isso a lógica acima tomba por terra, mas uma característica fundamental dos desabafos é precisamente o facto de não precisarem de fazer sentido para cumprirem a respectiva função.

Claro que isso ainda se aplica com maior pertinência quando está em causa um desabafo inócuo (como o são quase todos) ao ponto de eu nem vos ir maçar com a especificidade do assunto que mexe comigo nesta altura (não, este último mexe não implica que estou outra vez a falar de lâmpadas).

 

Estou flixado. E era isso que precisava de dizer por escrito num lado qualquer.

Perdoem-me a inconveniência.

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publicado por shark às 16:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Terça-feira, 17.03.09

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

anjo sentado

Foto: Shark 

publicado por shark às 17:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA QUE SEI DO QUE TE FALO

Sim, dói. Dói que não sejas perfeito como te desejarias, tão perfeito que agradarias a todas as pessoas mas sobretudo às que verdadeiramente gostarias de impressionar.

Sim, perturba. O efeito devastador da constatação da ausência da perfeição que te explode nos braços quando carregas expectativas ao colo como bebés, aquilo que és quando estendes esse teu culto impossível, disparatado, para todo e qualquer lado onde ainda exista alguém com vontade de te abraçar. Como se quisesses contagiar os outros com essa doença infecciosa que te atormenta ao ponto de sentires pena de ti próprio, essa gangrena que te turva o discernimento e pode provocar a qualquer momento outro passo desajeitado, outra triste caricatura daquilo que te ousas sonhar.

 

Não, não existe forma de contornar as consequências dessas múltiplas dependências que constróis em torno da ambição de personificares a perfeição postiça que te mascara de imbecil. Quando te expões ao absurdo, desnudado pela desorientação, atordoado pela emoção excessiva que te trai as boas intenções, tão perfeitas, e te convertes aos poucos num homem menor, aí percebes a dimensão da asneira e lembras que não é a primeira, reincidente na estupidez.

 

Acaba de vez com essa tendência, desperta a consciência para a verdade a assimilar e pára de lutar contra moinhos de vento instalados no teu interior. Abre os olhos ao amor e tapa com um biombo ou uma cortina as imagens de tudo quanto te possa distrair daquilo que sabes ser o principal, afasta de ti esse mal que corrói a felicidade pela raiz, erva daninha, nunca deixes sozinha essa cabeça desgovernada. Mantém-na acompanhada de um cocktail de lucidez, bom senso e alguma descontracção.

Dá ouvidos ao coração e escuta o que de facto ele tiver para dizer, não te deixes ensurdecer pelo ruído de fundo com que te bombardeia o mundo que sentes hostil no presente que afinal ignora o passado que te desiludiu.

 

Revê de fio a pavio cada passo que irás dar no caminho que estás a traçar, a esperança que queiras depositar num futuro isento de atitudes insensatas e de palavras pouco cordatas e nada consentâneas com a tal vontade de seres perfeito aos olhos de quem te interessa. Deixa primeiro que se reconheça em ti a razoabilidade a par com a sensibilidade para o outro lado da questão.

 

E abandona a perfeição, a tua e a dos outros, como um objectivo. Limita-te a seres proactivo na busca incessante desse travão que no último instante te impede de ires longe demais.

Procura diferentes ideais que efectivamente te conduzam aos resultados melhores, nas amizades como nos amores que angarias entre as poucas pessoas em quem confias, e abraça a vida sem ambicionar mais do que aquilo de que necessitas para seres feliz.

 
Vai por mim, rapaz. Sou eu quem to diz.
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publicado por shark às 16:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

PURE CHESS

Quando o peão das pretas atingiu a última fila do reduto das brancas e foi promovido a rainha, ficando iminente o xeque-mate, o rei adversário não conteve o desabafo:

- Por Deus, estou desonrado! Vou ser derrotado por um travesti...

publicado por shark às 12:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 16.03.09

IT'S A BOY!

Finalmente voltou a entrar um menino na nossa creche virtual

publicado por shark às 23:17 | linque da posta | sou todo ouvidos

TURISMO MODERNO

turismo moderno Foto: Shark

publicado por shark às 22:07 | linque da posta | sou todo ouvidos

FAZ DE CONTA QUE ISTO É UM UPDATE DO TWITTER

A marafilha portou-se bem no dentista, apesar da complexidade do que lá foi fazer, e por isso vou jantar fora e ainda não posso escrever uma posta decente.

 

(Esqueci-me de contar se usei mais de 140 caracteres, mas pronto...)

publicado por shark às 19:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

ENTÃO TÁS À ESPERA DO QUÊ?

Ando com saudades de escrever uma posta.

publicado por shark às 15:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Domingo, 15.03.09

EMOÇÕES FORTES

Podem ser terríveis quando implicam sentimentos menos bons.

Mas são, boas ou más, a única prova de que estamos (mesmo) vivos e empenhados em espremer a existência até muito para além do que nos oferecem os dias vulgares.

publicado por shark às 19:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

É DOURO

douro antigo

Foto: Shark

publicado por shark às 12:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)
Sexta-feira, 13.03.09

IMPERDOÁVEL

Um bebé com nove meses de idade morreu em Aveiro dentro de um carro, onde o pai(?) o deixou sozinho por tempo demais.

São sempre movediças as areias que pisamos quando cedemos à tentação dos juizos de valor no que diz respeito à progenitura. Porém, eu não deixo a minha marafilha (com nove anos de idade) sozinha no carro, nem por cinco minutos, e não me sinto incomodado com o excesso de zelo que isso possa implicar. Viverei sempre melhor com as consequências do excesso do que com o resultado potencial da sua ausência.

 

Eu chamo negligência criminosa ao crime (sim, crime) de abandonar uma criança com nove meses de idade à sua sorte, sabendo qualquer mãe ou pai a quantidade de coisas que podem correr mal nessa fase vulnerável de qualquer ser humano.

 

E não consigo deixar de manchar a minha tristeza pela tragédia em causa com um ódio mal reprimido que é inevitavelmente dirigido a um homem capaz de permitir um desfecho assim.

publicado por shark às 10:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (30)
Quinta-feira, 12.03.09

PRA MIM TÁ TUDO EXPLICADO...

Mas cada um/a que tire as suas conclusões a partir daqui...

publicado por shark às 17:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

carreira 15 Foto: Shark

publicado por shark às 15:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A POSTA QUE A (MINHA) VIDA É MESMO ASSIM

Um dos problemas com que me confronto de cada vez que abraço uma utopia é raramente distinguir se estou perante um gesto corajoso ou um acto de cobardia.

A questão é simples e o dilema coloca-se quando comparo a minha visão das coisas e respectiva aplicação prática com a reacção dos outros às minhas teorias e, ainda pior, à prática bem intencionada mas que sempre acaba por colidir com os factos de uma realidade feita de pressupostos e de padrões sempre difíceis de ultrapassar com base numa atitude que se possa considerar realista.

Ou seja, às boas intenções que qualquer delírio utópico de uma pessoa sem vontade de prejudicar os outros pressupõe correspondem as interpretações feitas à luz das regras convencionais do jogo em causa.

E isso acaba por criar as condições para surgirem problemas, por vezes irresolúveis, que não ocorreriam se optasse sempre pelo caminho mais fácil. O do costume, seja ele qual for.

 

O dilema de que falo acima nasce precisamente da perspectiva com que os outros entendem as minhas ambições e, ainda pior outra vez, a natureza das minhas motivações.

A reacção mais comum é a do cepticismo. O gajo (eu) é meio maluco ou, no mínimo, um nadinha excêntrico e tem que se dar o devido desconto ou mesmo desviá-lo desse rumo sem hipóteses de sucesso e que só serve para agitar demasiado as águas e perturbar o normal funcionamento das instituições (que neste caso são pessoas e seus hábitos de consumo da vida).

Outra das que vão acontecendo é a do fenómeno de rejeição. Se faço algo de impensável à luz dos cânones em voga é porque se calhar não sou digno de confiança e tenho em mente algo de reprovável.

E existe uma terceira, a do paternalismo. O gajo é boa pessoa mas tende a construir castelos de cartas que sistematicamente acabam por desabar sobre si próprio e os que o rodeiam.

 

É esta última que justifica o dito dilema. A noção como a sinto é a de que não tendo capacidade para enfrentar uma realidade limitadora e não raras vezes hostil refugio-me em mundos perfeitos que tento, lunático, construir no meu micro mundo individual.

Soa a fuga em frente e acaba por me deixar sempre mal no boneco perante os outros como perante mim mesmo. Soa a cobardia inspirada no funcionamento irregular da minha mona e da minha estrutura emocional, acabando por transformar num disparate ou na tal fuga à realidade aquilo que os meus olhos vêem como os tomates necessários para fazer finca pé num caminho alegadamente impossível.

Na prática, acabo quase sempre a braços com um resultado completamente distinto daquele que pretendo obter. Com a agravante de na ressaca dos conflitos que daí derivam acabar por magoar quem me esforço por beneficiar com a irreverência e o inconformismo (como os vejo) que pautam a generalidade das minhas opções.

Acabo mergulhado no desespero de causa de quem precisa salvar o que colocou em causa com um descuido, uma incoerência ou a simples falta de fé dos outros que não têm que aceitar nem mesmo tolerar a minha propensão para fazedor de “milagres” de trazer por casa.

 

Confesso que apesar de ser desmoralizador vou conseguindo adaptar-me ao evidente desajustamento entre as minhas expectativas e aquilo que é viável dentro dos limites de quem se proponha aturar-me as madurezas. É a única alternativa que resta a um sonhador (é esse o rótulo inevitável de qualquer amante das utopias) que não queira vestir a tal pele do cobarde que inventa mundos perfeitos para enfiar a carola na areia como a avestruz enquanto força soluções de compromisso inaceitáveis para quem a vida tenha impedido, à bruta, de sonhar em demasia ou simplesmente prefira evitar a complexidade inerente a um passo comprido demais para o tamanho das suas pernas, o violar de normas que se sentem como limites a não ultrapassar.

Ou apenas porque existem mesmo realidades inconciliáveis com o padrão do que nos ensinaram a aceitar como o de uma vida normal e a aceitação desse facto acaba por constituir o golpe de misericórdia para qualquer veleidade utópica.

 

Isso não me provoca qualquer tipo de desencanto, precisamente porque nunca existem segundas intenções associadas aos meus esforços para contrariar limitações que me impedem de ser plenamente feliz e de oferecer felicidade a quem me quer também enquanto parceiro de vida até ao fim da mesma ou apenas ao longo de um período qualquer, hipóteses sempre em aberto em qualquer tipo de relação amorosa ou outra.

A dúvida, a tal que explano na introdução deste lençol, prende-se apenas com a lógica que coloca em causa a essência do que me move (ou a qualquer idealista) e que, naturalmente, faz toda a diferença na insistência em modelos alternativos que viabilizem os tais impossíveis pelos quais, aliás, nunca deixei de me bater.

 

E mesmo perante as provas do meu insucesso relativo, caso consiga manter o optimismo de quem se julga capaz de enfrentar o mundo inteiro se necessário e de o moldar à medida das circunstâncias específicas com que me deparo ou faço acontecer e não me veja forçado a concluir que não passo de um tonto cobardolas, ainda não é este o dia em que me sinto preparado para abdicar em definitivo das minhas ilusões desproporcionadas ou mesmo desajustadas à realidade “realista” quando esta parece talhada para nos castrar o instinto, a vontade e, bem vistas as coisas, só servir para nos infernizar a existência.

publicado por shark às 12:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 11.03.09

HUMOR AUSTRALIANO

 Está em inglês, lamento, mas dá para perceber o fino recorte do sentido de humor na terra dos cangurus.

:)

publicado por shark às 16:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

POR ACASO JÁ TIRAVA...

parede faculdade arquitectura porto Foto: Shark

publicado por shark às 12:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

SEM PALAVRAS (SÓ UMAS SEIS OU SETE...)

leãozinho

Foto: Shark 

publicado por shark às 09:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Terça-feira, 10.03.09

A POSTA QUE ÀS VEZES TAMBÉM ME DÁ A VONTADE DE DESAFIAR UM OU DOIS DELES…

Custa-me chamar palhaçada ao que se passou há dias no Parlamento português, um episódio protagonizado por dois deputados da Nação e só por acaso membros das bancadas do partido no poder e do maior partido da oposição.

E custa-me apenas porque respeito os palhaços e isso não corresponde ao sentimento que me inspiram os párias que todos sustentamos numa Assembleia que em muitos momentos só tem servido para embaraçar a República.

 

Claro que sou portuga e que acho um piadão a ver um gajo desafiar outro prá porrada, manifestando a sua bravura a pretexto de uma indignação qualquer, muito macho, muito latino. Contudo, acho-lhe a mesma piada que encontro nas cenas de pancada no Parlamento da Coreia do Sul mas a esses pugilistas de bancada não sou eu quem sustenta os vícios, nomeadamente as baldas, as viagens para a família e todas as mordomias a que ainda acrescentam a imunidade parlamentar que me causa imensa urticária.

 

E é esse pormenor que faz toda a diferença, podendo mesmo abdicar do estafado argumento da dignidade da função que os próprios funcionários insistem em arrastar pela lama, pois o mínimo que se pode exigir aos caramelos que nos representam no Hemiciclo é que não se comportem como alunos do liceu porque esses até nem votam ou pagam impostos e para os representar a eles existem os pais ou familiares mais próximos.

A Assembleia da República não pode albergar comportamentos similares aos da assembleia de sócios do trincadelas futebol clube e, se outros argumentos de caras não bastam para pôr na ordem estes moinantes, basta ter em conta que a malta dos clubes de bairro trabalha por carolice e de borla…

 

Ou seja, mesmo deixando de lado os aspectos mais óbvios e relevantes quanto ao que está em causa na imagem pública dos parlamentares de qualquer república que não a das bananas, não existe sentido de humor que me valha quando assisto, atónito, à figurinha do gajo que alguém elegeu para me representar, a mim povo, no bastião da nossa cada vez mais desgraçada Democracia.

Não me deu vontade de rir porque no mesmo noticiário pude assistir aos apelos dramáticos de alguns cidadãos e contribuintes que dependem do desempenho daqueles rapazolas cheios de pelo na venta mas nada eficazes na sua missão, ao ponto de nem conseguirem evitar desprestigiá-la.

 

E em matéria de desempenho basta termos uma vaga noção do quanto a credibilidade de um deputado pode pesar na sua eficácia para, em relação a esta chusma sem eira nem beira que – maioritariamente - nos parasita quando deveria pugnar pelos nossos interesses e pelos da Pátria, ficarmos conversados.

publicado por shark às 18:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

SO WHAT?

Está um dia magnífico para lá das janelas que até têm vidros e são transparentes mas me separam do contacto directo do sol na pele e de uma data de outras coisas que me apetece fazer lá fora.

publicado por shark às 15:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 09.03.09

BUTE LÁ!

Começar a semana com a certeza absoluta de que a felicidade é dura de obter e ainda mais de manter.

Mas é possível. Para quem tenha a sorte de a distinguir com clareza e esteja disposto/a a lutar sem medos ou reservas.

 

Boa semana para toda a malta que por aqui passa!

publicado por shark às 10:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Domingo, 08.03.09

PORQUE NO XADREZ PREFIRO SEMPRE SACRIFICAR O BISPO E NUNCA O CAVALO

Sou agnóstico e de pouco ou nada me interessam as questões religiosas. Ou seja, deixo correr. Até porque nada me perturba a fé dos outros, nem mesmo a que se expõe em rituais que me entediam. Cada um/a por si nessa matéria e liberdade de culto o mais possível e tudo bem.

Contudo, como cidadão compete-me denunciar os fundamentalismos que possam tornar determinada Igreja numa potencial ameaça à visão de sociedade que perfilho.

E ao contrário do que tempos recentes me sugeriam, não é do fundamentalismo islâmico que me chegam as maiores surpresas e preocupações mas sim da versão cristã que cada vez mais se transforma num ódio de estimação para mim que até fiz a primeira comunhão e o camandro…

 

Em causa desta vez, e depois de uma data de disparates impróprios para uma organização que devia manter low profile pelo menos até a malta se esquecer dos escândalos pedófilos que a denunciam perniciosa em muitos aspectos, está o assunto que a minha Chefa abordou aqui.

E porque pego eu no assunto outra vez?

Porque se quando a Teresa manifestou a indignação que partilho o tema dizia respeito a um bispo idiota, imbecil e besta quadrada, agora o Vaticano meteu o bedelho e com essa atitude arrastou toda a sua estrutura podre para o meio do esterco episcopal da excomunhão que o tal bispo estúpido, cretino e burro decretou a todos menos ao bastardo, canalha e verme do padrasto que violou uma criança.

 

A excomunhão é uma espécie de “pena capital” dos padrecos que nesta altura tomam conta dos destinos (desmandos?) da Igreja dita Católica, uma espécie de ayatollas de trazer por casa que já deixaram bem clara a sua intenção de seguirem as pisadas dos seus congéneres que conspurcam o Islão com as suas posturas radicais, inenarráveis e inconcebíveis no mundo do Séc. XXI.

Se tivermos em conta que o drama em causa aconteceu num país onde, infelizmente, as pessoas ainda levam estas coisas a sério, o peso deste castigo nada divino pode ser maior do que possamos entender nestas bandas onde ainda temos coisas como Fátima mas não são tantos os papalvos capazes de abdicarem de pensar pelas próprias cabeças.

 

É que nem requer um esforço titânico de raciocínio, encontrar onde reside o nojo desta posição (agora oficial) da Igreja dita Católica. Sempre que têm que decidir entre o superior interesse dos fiéis e a ditadura dos dogmas, os actuais mandantes desta organização cada vez mais sinistra optam por defender os fins sem olhar a meios.

E isso, mesmo para um crente, deveria constituir motivo de revolta.

Todavia, o rebanho está bem amestrado e o católico praticante comum nunca questiona de forma pública mesmo as maiores barbaridades cuspidas pelos pastores.

 

A passividade dos que sustentam os vícios e as parvoeiras de bispos acéfalos, desapiedados e broncos, como o tal que excomungou uma criança com nove anos grávida na sequência de um acto hediondo, leva-me a resvalar cada vez mais para uma visão nada simpática da organização em causa.

Mesmo mantendo o respeito e a indiferença para com a fé seja de quem for, jamais perdoarei os braços cruzados perante estes insultos a um Deus misericordioso como o definiram enquanto fui forçado a participar na catequese que, por este andar, não tardará a assemelhar-se, em termos de influência na conduta dos seus pupilos, às piores madrassas.  

publicado por shark às 19:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (29)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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