Sábado, 28.02.09

A POSTA GANHA

Tentou não a acordar com os seus passos pelo pequeno hall de entrada.

Descobriu-a sobre a cama, pousada a beleza ela própria em repouso no corpo adormecido daquela mulher.

Os reflexos na pele dos pedacinhos de sol que as persianas permitiam, aos olhos que a viam serena no leito, o corpo mesmo a jeito para um momento a dois.

 

O contorno perfeito da silhueta de um peito desenhado pela luz na tela enrugada de um simples lençol.

Arte à solta naquela tarde louca começada ao toque de um beijo que a protagonista do seu desejo não fez menção de rejeitar. E ao outro que se seguiu. Os olhos que abriu, num doce despertar, e a boca que sorriu para o rosto que se afastava aos beijos do seu.

 

O caminho que ele percorreu, com os lábios e as mãos, corpo abaixo até ao ventre e a fúria residente a rugir dentro da mulher a tremer, a surpresa implícita deixada para lidar depois, o percurso que ele desceu sulcando a pele com a barba mal feita como um arado na terra a estimula para depois acolher sem reservas a futura colheita daquele semear.

 

Uma língua de fogo a traçar o rumo, os poros abertos para soltar o fumo que afinal é o vapor libertado quando fazem amor no quarto ao lado do das pessoas que não conseguem dormir porque aquele sexo se faz ouvir à altura da sua intensidade, dois corpos com inteira liberdade para o prazer.

 

O amor como deve ser, descontrolado, na cama ou no rosto beijado na lembrança durante cada ausência que a vida lhes imponha.

O sexo que se faz como se sonha, apaixonado, e depois talvez um cigarro fumado durante o deleite da contemplação.

 

Tentou não a acordar quando saiu, beijou-lhe a mão e deixou-a na cama em repouso, sentindo-se já nesse instante ansioso pelo encontro seguinte, por uma nova oportunidade de progresso na relação embrionária que o deixava voraz.

 

E sorriu quando a vontade do regresso, incendiária, o levou a voltar atrás…

publicado por shark às 21:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)

WHO CARES?

Existe uma perturbadora relação entre os meus silêncios e os melhores resultados que obtenho na relação com as outras pessoas.

A perturbação deriva não só das conclusões inevitáveis mas também do facto de me saber incapaz de fechar a matraca, mesmo em dias que o recomendariam aos berros.

 

Falo demais e penso pior. Uma das duas terei que corrigir. 

publicado por shark às 11:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

2, 8 e 9

São mentira.

publicado por shark às 11:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)
Sexta-feira, 27.02.09

MAIS UMA POSTA BOA PARA AS INSÓNIAS

Sim, às vezes é difícil. Encontrar algo de relevante para dizer, escolher um caminho que sirva em simultâneo o meu interesse subjectivo e o vosso, o de quem por aqui passa em busca de algo que justifique tal opção.

É um desafio, até pela consciência das minhas limitações que impedem de enveredar por temas que poderiam ser do interesse de um grupo mais alargado de pessoas. Ou das que me condicionam, nem que seja pelos estados de espírito tão voláteis, no próprio tom das palavras ou mesmo das imagens que aqui vos dou.

É difícil e nem sempre é bom, pois uma análise mais realista permite-me detectar os períodos nos quais não me considero à altura do que vos quereria oferecer.

E isso pode doer, quando nos exigimos capazes e depois constatamos que nem sempre é essa a verdade dos factos que aqui, nesta montra ao acesso de qualquer um/a, se expõe tanto na sua versão maravilha, quando sai bem, como na ferida aberta como a sinto quando percebo que não vos dei o melhor de mim.

 

Não faltam os que jamais entenderão os “dilemas” acima, pois existem muitas formas de lidarmos com isto como com quaisquer outras manifestações públicas (ou privadas) da nossa existência e da nossa habilidade na interacção.

Essas são as escolhas que dependem de cada um/a de nós e não precisam de coincidir, basta apenas que consigamos entender a diferença e aceitá-la sem outras reservas que não as que derivam da opinião a que todos temos direito e que em última análise pode resumir-se a deixarmos de clicar num linque que, por algum motivo, deixou de nos servir.

Tal e qual acontece na vida “real”, em carne e osso, quando somos gente com coragem e determinação para decidirmos o melhor para nós sem nos vincularmos a pretensas “obrigações” sociais ou outras, as que se somam às imposições que o simples desempenhar de uma função profissional ou uma condição de vizinhança nos podem impor.

 

É tudo isto que coloco no prato da balança quando tento vestir a vossa pele e vejo este Charquinho “de fora” e tento conceber algo que valha a pena, qualquer criação que vos possa agradar e acima de tudo que vos consiga transmitir algum tipo de sensação ou de emoção (nem que seja pela partilha das minhas, a indiscrição que só um blogue intimista faculta).

Não subentendam que isto se trata de uma espécie de pedido de desculpa por nem sempre corresponder ao melhor de que sou capaz, tenham-no como um exercício de auto-crítica que partilho convosco porque pelo simples facto de estarem a ler estas palavras tornam-se parte directamente interessada.

E eu não gosto, não quero desiludir.
 

Por isso me exponho em tanta matéria que talvez fosse mais confortável manter silenciada, nomeadamente por me vestir arrogante quando presumo igualmente importante para quem aqui passa qualquer uma das minhas peculiaridades ou apenas as ideias e os raciocínios que consigo formular. Ou mesmo apenas os momentos de beleza, imagens ou textos, com que tenho a sorte de conseguir por vezes surpreender-vos aqui.

 

Por isso assisto impávido ao que sei, porque não gosto de me esconder, constituir o lento caminhar para a obsolescência da minha forma de blogar e que, de resto, vejo a repercutir-se nas muitas desistências que somo nos meus blogues do costume (e que na maioria fazem parte do tal lote de intimistas que tanto furor causaram uns anitos atrás).

Sem veleidades que a euforia de principiante nos induz, pragmático no que respeita ao futuro desta realidade que construo quase de forma diária, deixo o tempo correr e nem me ocorre mexer uma palha para ir ao encontro de tudo aquilo que recomendam os “gurus” como o melhor rumo para garantir a sobrevivência de um blogue tal como ela é medida: nos contadores e nas caixas de comentários.

 

O que tenho para vos dar sou eu e esse não é um gajo com paciência, capacidade ou mesmo ambição para justificar a necessária readaptação às novas tendências que existem aqui como noutros planos em que nos movimentamos ao longo de cada dia.

Tem mesmo que ser assim e só uma parceria com alguém mais dado precisamente ao outro lado desta “obra”, os seus bastidores, poderia alterar o rumo das coisas e eventualmente levar-me a reinvestir de novo na criatividade, na singularidade, em tudo o que fazia tanto sentido tempo atrás e agora me soa, vendo bem as coisas, tão relativo e inócuo como qualquer das explicações mais ou menos elaboradas com que vos maço e me dou para insistir, para não ficarmos por aqui. 

publicado por shark às 14:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

LUZ QUE ME FASCINA

 por ocaso passei por ali

Foto: Shark

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publicado por shark às 01:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quinta-feira, 26.02.09

ENTRETANTO...

O saber não aprende lugar e quem domine bem o inglês e aprecie um uso porreiro das mãozinhas pode aprender umas cenas giras aqui.

publicado por shark às 21:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA?

A ideia que a Emiéle me impingiu é escarrapachar aqui nove afirmações das quais só meia dúzia correspondem à verdade, sendo vocês, quem me acompanha aqui, os polígrafos a que me submeto desta forma.

É um exercício com alguma piada, pois permite-me perceber até que ponto tenho deixado claro o meu perfil neste trabalho que (gosto de acreditar) me traduz aos vossos olhos.

 

Assim sendo, convido-vos a descobrir de entre as seguintes afirmações quais são as três que consideram não jogarem certo com o gajo que me julgam.

Podem deixar os palpites na caixa que eu esclareço a verdade dos factos ao longo do fim-de-semana e até vou pensar num prémio a atribuir a quem consiga topar o trio de petas no meio da confusão.

 

(Ah, e não contem comigo para encaminhar a cena seja para quem for…)

 
-//-

 

(1) Quando tinha onze anos partilhava habitualmente com um grande amigo a fechadura da casa de banho para espreitarmos por turnos o corpo nu de uma prima minha enquanto ela tomava o seu duche;

 

(2) Sempre defendi a pena de morte como único castigo possível para canalhas capazes de abusarem sexualmente de crianças;

 

(3) O meu animal de estimação mais original foi um camaleão que baptizei com o nome de Jeremias;

 

(4) Acredito que o amor é a minha religião e que os momentos de paixão são o mais próximo que consigo, enquanto agnóstico, aproximar-me de algo semelhante a um deus como o descreve quem possui uma fé;

 

(5) O primeiro livro que li foi A Cabana do Pai Tomás e fez-me chorar que nem uma madalena;

 

(6) Não passo um dia sem pensar em sexo desde o preciso instante em que a vida me ofereceu essa maravilhosa revelação;

 

(7) A maioria das pessoas com quem me relaciono actualmente e de quem mais gosto conheci-as a partir da blogosfera;

 

(8) A minha fantasia sexual de topo é o sexo em grupo com pelo menos seis pessoas;

 

(9) A um grande amigo jamais exigiria que conseguisse ficar impassível com uma amada minha toda nua na mesma cama, pois eu próprio nunca conseguiria respeitar tal compromisso. 

publicado por shark às 12:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

UMA QUINTA COM CHEIRO A SEGUNDA

Mas eu até tou meio constipado...

publicado por shark às 00:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quarta-feira, 25.02.09

CINCO A ZERO???

Miau...

publicado por shark às 21:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

O MEU RIO CHAMA-SE TEJO

traz água no bico 

Foto: Shark

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publicado por shark às 16:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 24.02.09

PRONÚNCIA DO NORTE NO BERÇO

Entrou hoje no Berço uma menina muito especial para mim.

E a creche virtual não pára de crescer.

publicado por shark às 21:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

DECIDAM AGORA

Olhamos para o futuro com a esperança inerente a quem sempre acredita que estará presente no dia de amanhã. Fazemos planos, arrogantes, deixamos as coisas importantes para depois.

Esquecemo-nos, deslumbrados, dos planos adiados de tanta gente que nos falta agora, as pessoas que foram embora antes do dia em que julgavam, as pessoas que como nós adiavam os momentos que podiam viver num mais tarde que não lhes aconteceu.

Talvez estejam no céu, como gostamos de os acreditar, ou transformados numa energia a que chamo de amor que lhes permite olhar-nos, tão parvos, enquanto traçamos um rumo para o tal futuro que ninguém pode garantir.

 

Tudo o que temos, afinal, é o que podemos lembrar, aquilo que fazemos agora que podemos agarrar com as duas mãos e nada nos permite acreditar possível depois.

O tempo que avança, inexorável, com a nossa condição perecível a tomar forma nos espelhos que alguns tentam negar. As rugas que nascem para nos lembrar que a eternidade só é possível no que deixarmos para trás, a verdade que nos faz e que afinal se traduz em tudo aquilo que não deixamos por fazer.

A concretização de um amor que nada tem de errado, a conclusão de cada projecto adiado para quando der mais jeito como seria normal num mundo perfeito no qual os imprevistos, como a morte ou pior, jamais pudessem acontecer com qualquer um de nós.

 

A lembrança dos nossos avós já partidos, os seus passados debatidos à superfície com base no pouco que conseguimos apurar do que os possa recordar, os seus pecados esquecidos como o pó numa prateleira que alguém, o tempo, cuidará de soprar.

Os nossos filhos a crescer, os netos que não tardam a surgir para nos avisar talvez tarde demais que hoje é o dia de fazermos tudo aquilo que sentimos fazer parte da felicidade como a queremos experimentar.

 

Olhamos para o futuro como se tudo isto nunca pudesse acabar, com a fé desmedida de quem olha para a vida sem ponderar a hipótese de um fim que queremos sempre tão distante e esquecemos o que é importante com base nessa premissa errada.

 

A vida tão sagrada que nos compete usufruir como se amanhã pudesse nunca acontecer na nossa percepção individual, como se hoje fosse o dia final no calendário que o acaso reserva para cada um de nós.

O exemplo dos nossos avós, a saudade, os pais que lhes assumem a realidade de um estatuto que sabemos a caminho da nossa pessoa também.

 

O imperativo moral de abraçar aquilo que se tem agora, antes que tudo se vá embora por força da eterna mudança que compete ao tempo provocar.

Este tempo de que dispomos para amar quem nos queira, ainda que se viole a fronteira desenhada no chão por todos quantos aceitam uma razão supostamente universal e que na prática se confirma causadora de um mal desnecessário.

 

O sentido obrigatório no código de conduta de quem não alinha na disputa pelo politicamente correcto, de quem acredita que o caminho mais certo é aquele que hoje podemos pisar e ninguém sabe onde irá acabar e por isso se torna tão importante.

 

Um caminho que acreditamos para sempre porque não o permitimos abandonado às ervas daninhas que brotam de forma espontânea na terra por desbravar, tarefa deixada para amanhã.

Um destino forjado nas decisões desesperadas, nas paixões inesperadas que nos ensinam a viver aquilo que está a acontecer mesmo com ambos os pés fincados no chão que podemos pisar.

 

Cada passo tão firme, determinado pelo coração que nos sabe comandar.  

publicado por shark às 17:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

PARA SEMPRE

para sempre

Foto: Shark

publicado por shark às 11:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

SEM REDE

Há muito tempo que não me permitia o luxo de escrever uma posta directamente no editor do blogue, depois de beber uns copos valentes. Sem rede.

Gosto de enfrentar os meus limites quando bebo demais, sempre gostei. Foi assim que me habituei a distinguir o ponto para lá do qual não respondo por mim. Costumo parar aí, mesmo no limiar do excesso que pode (mas não deve) conduzir a outros excessos por vezes fatais.

 

Fui criado a acreditar que um homem deve sempre saber controlar o efeito do álcool em si, deve escapar à tentação do embaraço público, da figura triste, do desrespeito excessivo pelas convenções.

Fui ensinado a nunca beber demais e claro que jamais obedeci. E foi assim que aprendi, à minha custa, enquanto era jovem o bastante para poder escudar-me nesse estatuto perante os tais limites ultrapassados com os quais fui aprendendo a lição que tanto me serviu quando me apeteceu beber demais na idade adulta.

 

Pelos vistos aprendi, pelo menos, a escrever uma posta de que não me possa envergonhar amanhã.

Vocês o dirão.

publicado por shark às 03:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

TEASER

Em breve vou cometer uma pequena heresia neste blogue.

publicado por shark às 01:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 22.02.09

EU GOSTO DE PESSOAS

amar no rio Foto: Shark

publicado por shark às 00:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 20.02.09

UM QUARTO SEM LUZ

Entrou no quarto sem ligar a luz, para que ela pudesse ficar na dúvida. Ouviu o som acelerado da sua respiração, confirmado o pressuposto da hesitação acerca da identidade do homem de entre os vários presentes na sala que a haviam disputado durante um jogo cujas regras definira ela mesma, o filtro que entendeu melhor servir o propósito da escolha para a qual se mostrara incapaz.

Agora aguardava na cama, toda nua, depois de mais de uma hora passada a escutar as vozes na sala que poucas pistas lhe forneciam acerca do potencial vencedor, de todos o melhor, que a mereceria dessa forma como um cavaleiro que a disputava num torneio e agora se aprestava para reclamar o seu troféu.

 

E ele entrou no quarto devagar, escutando o respirar da donzela que o aguardava sem saber quem caminhava agora para a beira da sua cama onde acabaria por se sentar, em silêncio, para começar a despir a roupa que o impedia de oferecer à sua amante conquistada o conforto suave e quente de uma pele.

Ela tentava descobrir em vão, pelo som da respiração, de quem se tratava. Qualquer deles a estimulava e por isso reunira na sua casa os quatro eleitos que julgava mais merecedores de obterem os seus favores naquela cama em cuja beira um deles, sentado, deixava já cair as calças no chão.

 

Quase explodia de tesão, o seu amante mistério, enquanto sem pressas desnudava a vontade de a possuir e se revelava tão interessado como antes o constatara por diversas ocasiões.

E ela fervilhava de emoção, arrepiada pela sensação que a apanhou desprevenida quando finalmente aquele corpo tão quente começou a entrar pelo outro lado do lençol. Estremeceu quando sentiu no rosto o toque suave de uma mão qualquer no seu corpo de mulher para o qual se encaminhou, passando pelos lábios com os quais beijou os dedos de raspão, a caminho do peito que não tardou a acariciar.

 

Ele saboreava o momento devagar, degustava, enquanto a acariciava com as mãos e com a boca que percorria as zonas mais sensíveis do pescoço daquela presa cobiçada por um quarteto de predadores a que chamava os seus amores mas sem nunca antes consumar a entrega que decidira diferente para a garantir especial.

Tacteou o corpo masculino em busca de uma resposta para a interrogação que a excitava, a identidade que procurava desvendar. Acabaria por tocar no ponto mais erecto do macho ganhador, aquele cujo valor se impusera aos demais e que agora já descia dos seios que lambia com devoção a caminho do ponto que prendia a sua atenção enquanto pensava na forma mais adequada de a conseguir impressionar.

 

Deixou-se ao alcance daquela boca esculpida a cinzel para que pudesse retribuir em simultâneo o prazer que fazia adivinhar nos beijos intensos no interior daquelas pernas abertas para si. Acabariam por descobrir o outro ao mesmo tempo, coincidência, e ela quase perdeu a consciência de si própria quando repartiu a atenção pelo efeito repartido da sensação que experimentava, tão amplificada pelas circunstâncias que havia concebido para aquela ocasião.

Naquele preciso instante esqueceu a dúvida acerca de qual o amante a quem tentava agora agradecer o empenho em proporcionar-lhe o prazer que sentia e que, deliciada, retribuía sem reservas ou pudores.

 

Ele acabaria por mudar de posição quando a percebeu satisfeita, sem permitir uma conclusão perfeita para aquele momento de reciprocidade espontânea, de felicidade simultânea que agora entendera partilhar de outra forma porque queria consumar a sua vitória penetrando aquele espaço que beijara com a convicção de quem se sente um campeão como ela lhe permitira pelos moldes que soubera impor.

Ela queria fazer o amor sublimado pelo valor comprovado numa disputa leal, numa abordagem menos convencional que a distinguisse aos olhos de cada um dos mais interessantes candidatos a que se sabia receptiva.

Cedo ou tarde acabaria por ceder à tentação e por isso decidira então ir um pouco mais além no arrojo porque sempre sentira nojo da hipótese de a julgarem vulgar. Preferia de todo arriscar quase tudo num jogo para mestres na arte da sedução como o haviam provado ao longo do tempo que lhes concedeu em privado para a convencerem da validade dos seus argumentos para legitimar as pretensões que leu em cada olhar que a agitou.

 

Ele já percorria o corpo magnífico daquela deusa como a sentia, com cada mão transformada numa guarda avançada que prenunciava a invasão que planeava daquele reduto acolhedor. Entrou nela com tanto ardor quanto lhe pedia com a voz quente que a ele estava interdito usar para que não pudesse revelar-se assim.

Ela pedia-lhe para avançar até ao fim na sua demanda, pois afirmava querer sentir-se comida pelo guerreiro melhor, pelo macho vencedor de entre o grupo que entretanto, na sala contígua, se fazia ouvir e ela tentava descortinar a voz que faltava para saber quem a tomava de assalto com tamanho vigor.

Acabaria por desistir desse objectivo, distraída pela força dos orgasmos que se sucediam a cada investida mais viril.

 

Ele tudo fazia para retardar o final daquela jornada que queria gloriosa, queria senti-la orgulhosa pelo acerto da selecção que o incluiu. A dado momento saiu de dentro daquele espaço anfitrião, rodou-lhe o corpo numa inversão de sentido para que se sentisse possuído também por detrás.

Ela deixou-se levar, gostava de se imaginar boneca de trapos naquelas mãos grandes que se transfiguravam em tenazes que se fincavam nas ancas e a puxavam com firmeza contra o homem que a possuía confiante de que seria mesmo de todos os quatro o melhor.

 

Sentia-se merecedor daquela fêmea perfeita, daquela princesa escorreita na simulação de uma puta que só ali se permitia ousar, na imaginação que decidira libertar à mercê de um apelo libidinoso que em nada conferia aos seus contendores a veleidade de a desrespeitarem na sua condição de mulher que sabe bem o que quer e nem por isso abdica da dignidade ou da altivez que qualquer senhora se pode arvorar.

Ela soubera enfatizar as características que exigia em cada homem que a queria, os factores eliminatórios que saltavam à vista quando lhes reconhecia a ausência e logo perdia a paciência para lhes aturar o discurso atesoado que percebia fundamentado numa sede excessiva que tornava clarividente a sua leitura das pessoas por detrás.

 

Como ele (quem seria?) confirmava que merecia por se revelar capaz do melhor sem se ter deixado arrastar ao longo de horas de conversa para as armadilhas conversadas que ela preparara, sabedora, para lhe poder traçar um perfil. Agora provava-se viril, sem que ela soubesse ainda quem era afinal aquele homem escondido pela escuridão mas certa de que se entregava a um dos poucos que lhe haviam aberto o apetite para os comer e ser comida, para poder abraçar o melhor que a vida pudesse oferecer.

Sentiu-lhe a vibração do prazer que não tardou a gritar enquanto a inundava, feliz, depois de a perceber necessitada de uma pausa retemperadora daquela euforia avassaladora que os tomara desde o primeiro segundo da aventura que planeara e agora, pelo menos assim o julgava, acabara de concretizar.

 

Ele não tardaria a denunciar a sua identidade oculta quando ao carinho que o distinguira dos outros somou o timbre familiar da sua voz e a esclareceu, questionado, que afinal todo o grupo havia empatado e a ele coubera a sorte num rápido jogo de azar que o determinara inaugural.

 

Ela sentiu um choque inicial perante as implicações dessa revelação, mas depressa se entregou de novo à emoção e aceitou de forma tácita a surpresa que qualquer esquema mesmo bem desenhado produz, quando o segundo amante entrou no quarto sem ligar a luz…

publicado por shark às 14:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (27)
Quinta-feira, 19.02.09

ENCHIDOS ESQUALO S.A.

Na verdade nem estão reunidas as condições mínimas necessárias para publicar uma posta decente, pois o dia tem sido implacável na indisponibilidade.

Mas confesso que já nem posso ver o boneco abaixo de cada vez que olho para o charco.

 

E sempre aproveito para vos relembrar que o fim-de-semana, essa maravilha, está mesmo mesmo ao virar da esquina!

publicado por shark às 17:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (24)
Quarta-feira, 18.02.09

NADA SEI

nada sei

 

Foto/Imagem: Shark 

publicado por shark às 11:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

A POSTA NA GENTE MELHOR DO QUE EU SOU

Se existe algo nas pessoas que me surpreende pela positiva é a sua capacidade para o perdão. São pessoas generosas, corajosas, as que conseguem fazer prevalecer os sentimentos positivos que nutrem por alguém. Mesmo quando a ofensa, o desleixo ou a pura indiferença lhes revela a diferença entre o seu sentir e o das pessoas que as desiludem avançam para a tentativa de reconciliação.

Não é fácil, nunca é fácil engolir o orgulho. O mesmo acontece com os desgostos que nos dão.

No mundo (social) em que vivemos, aquele que andamos todos a construir (?), a progressiva fragilidade dos laços entre as pessoas acaba por constituir o golpe de misericórdia nas hipóteses de dar a volta às situações desagradáveis.

E por isso se torna refrescante perceber que ainda existem pessoas assim.

 

Há quem as apelide de lorpas, de fracas, de dependentes ou de masoquistas. Chegam mesmo a ser pintadas como gente sem dignidade, sem coluna vertebral, submissas pela dependência de uma emoção ou apenas de uma qualquer ambição ou desejo que incida nas pessoas que as confrontam com verdadeiros insultos, agressões psicológicas (ou físicas até) que só o perdão consegue afastar do caminho futuro de qualquer tipo de ligação submetida a tais enxovalhos.

É injusto olhar assim quem revela a firmeza de carácter necessária para contornar os efeitos negativos com uma atitude conciliatória, com a segunda oportunidade que todos deveríamos merecer.

 

Quem me acompanha sabe que nunca escondi o meu desconforto pela falta de perdão que por norma é aplicada aos meus momentos menos bons. No mundo virtual somo exemplos de como passo de bestial a besta num ápice e nenhuma iniciativa da minha parte consegue lograr mais do que um acrescento de desprezo junto das pessoas de quem tentei reaproximar-me depois de, por minha culpa ou não, se ter verificado um desatino qualquer.

É frustrante, essa constatação porque acaba por me provar que palavras são palavras e emoções sérias só se podem entender nessa perspectiva quando enfrentam algum tipo de provação. É essa a prova dos nove para a solidez e o cariz genuíno dos sentimentos que qualquer um/a pode apregoar.

Isso torna-me particularmente sensível aos gestos de que outras pessoas são capazes, mesmo quando se deparam com factos bem mais complicados do que aqueles que posso invocar como sustento para os desabafos que, de resto, cada vez menos me permito aqui.

 

Dar os flancos é a expressão mais adequada para aplicar a quem ousa insistir em quem magoa e nem se digna pedir desculpa ou mesmo a recorrer a atenuantes (que sempre se conseguem providenciar), mesmo depois de evidenciada a culpa no cartório. É essa a prova de coragem (ou de desespero, nalguns casos) que distingo na força de quem se presta à insistência, por vezes sem olhar sequer aos danos colaterais que podem sobrevir quando quem nos é próximo não partilha da mesma generosidade na opinião.

Quem veste a pele da bonomia arrisca de imediato a crítica feroz dos que vêem as coisas numa óptica unilateral, somada às reacções extremadas que daí possam advir.

 

É mais um preço a pagar por essas pessoas que admiro mas jamais conseguirei imitar, como a vida me tem provado vezes sem conta. 

publicado por shark às 11:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (33)
Terça-feira, 17.02.09

OUTRA MENINA

O Berço de Ouro continua a crescer e hoje deu entrada uma menina, a Monikyta, que não linco porque o seu blogue Tenho Dias é privado (apenas por convite) e não faria sentido lincá-lo.

 

Seja como for, há mais uma menina na creche virtual.

publicado por shark às 21:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

HOJE DEU-ME

 Práqui.

publicado por shark às 16:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

DESFAZAMENTOS

Soa-me estranho ter nascido antes de o Homem ter ido à Lua e arriscar-me a morrer sem pisarmos solo marciano.

 

E não perdoo o excesso de expectativas que o Espaço 1999 me criou.

publicado por shark às 10:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

AMANHECER

À hora a que acordei para ir trabalhar já tinha amanhecido demais...

publicado por shark às 10:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 16.02.09

ANOITECER

wired sun

Foto: Shark

publicado por shark às 20:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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