Sábado, 31.01.09

FERNÃO CAPELO

a partir do tejo 

Foto: Shark

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publicado por shark às 19:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sexta-feira, 30.01.09

PATRIOTA DE PACOTILHA

Enquanto o país gira em círculos de volta do cadáver anunciado de mais uma investigação, os ilibados, os esquecidos, os impunes e os bodes expiatórios com penas suspensas, fogo de vista, o mundo acontece lá fora e ficamos a descobrir, quase de seguida, que existe um psicopata capaz de esfaquear bebés, um desesperado capaz de matar a família toda e suicidar-se por causa de um emprego em risco e um pai capaz de mandar a própria filha de uma ponte abaixo, eu continuo a gostar de ser português.

publicado por shark às 17:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Quinta-feira, 29.01.09

A POSTA NA CRUELDADE DE FAZER ESPERAR PELO ALÍVIO DE UM FIM

O meu cão, cuja idade desconheço para lá dos cerca de 14 anos decorridos sobre a data em que o recolhi da rua, está a definhar e adivinho-lhe a morte a qualquer instante.

É muito deprimente olhar para o meu cão. Atacado por um flagelo recente nestas paragens, a leishmaniose, come-se vivo pelo efeito terrível que a doença lhe provocou na pele agora quase despida de pelugem. E agora, pela rapidez com que perde peso, deverá ter evoluído para o interior do animal acelerando a um ponto insustentável a sua degradação.

 

E porque vos incomodo com esta descrição sumária do espectáculo que me aguarda em casa todos os dias?

É simples. Porque sinto necessidade de partilhar o desconforto que me causa o espectáculo supra e, mais ainda, porque pior do que a dificuldade na locomoção e perda progressiva da visão e da audição, para além de outros detalhes que me inibo de vos descrever, pela crescente apatia presumo que o meu cão já desistiu.

Agora compete-me tomar por ele a mais difícil decisão com que me confrontou desde o momento em que tive que optar entre virar a cara e condená-lo à morte ou trazê-lo para casa e depois logo se veria.

 

Viu-se aquilo que seria de esperar num cão. Tudo de bom tirando umas macacoas e maluqueiras que vos contarei um destes dias. Um canídeo faz mais parte de um agregado familiar, está mais próximo de nós do que algumas pessoas da família do respectivo dono. Quem tem sabe bem do que estou a falar.

E agora chega a hora de ganhar coragem para colocar a questão a um veterinário, conhecendo de antemão a resposta que o estado deplorável do meu cão já grita.

O meu cão não está vivo, arrasta-se pelo final da existência sem emitir um som.

 

Tenho que equacionar a eutanásia como uma das soluções, pois não existe uma cura ou mesmo um lenitivo para aquilo que o corrói e a minha filha assiste quase todos os dias à agonia do cão que a acompanhou desde que nasceu. É doloroso perceber a impressão que isto lhe deixa.

Eu gosto muito do meu cão mas percebo que o seu silêncio não passa de um esforço que me espanta para reprimir o som da dor que o atormenta. Perante um ser humano em idênticas condições (a comparação não é tão inadmissível como alguns achem) julgo que dificilmente hesitaria, se me competisse tomar tal decisão.

 
É que eu leio o sofrimento no seu olhar.

E pela primeira vez, em mais de 14 anos, o meu cão deixou de ladrar. 

publicado por shark às 20:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (47)

OS SUSPEITOS DO COSTUME

Políticos e empresários. Políticos-empresários. Empresários na política.

 

publicado por shark às 09:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 28.01.09

ANOTHER BRICK

com vista sobre a cidade 

Foto: Shark

publicado por shark às 21:40 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 27.01.09

QUANTO MAIS PUDERES

Esse dia pode chegar sem aviso, a pretexto de um susto sério, de uma paixão inesperada ou apenas de um instante de lucidez. De repente parece que vês mais claro, descobres em ti uma força motriz que te empurra para as soluções certas e para as medidas concretas que te vês na iminência de adoptar.

Descobres no fundo que tudo na vida é tão simples quando reduzido ao mínimo denominador comum, à essência, às coisas que verdadeiramente possam interessar. Agora e amanhã, quando os balanços se fazem às coisas que se perderam por desleixo, por cobardia, por preguiça ou apenas porque optámos pelo caminho pior.
 
Essa visão aguçada surge-te quando menos o esperas, apanha-te nas curvas e pode arrastar-te para um processo de mudança irreversível que se permites descontrolado pode isolar-te de quem te rodeia por de repente deixarem de te (re)conhecer. Ou porque te hostilizam, radical, por enfrentares aquilo que entendes como um mal e sabes, ou intuis, não servir o firme propósito de seres feliz apenas porque sim e de contagiares os que te aceitem tal como és, mesmo depois de se fazerem sentir as diferenças e os sinais da mudança que exiges positiva para seja quem for essa gente em teu redor porque te queres amado pelo original e nunca pelo arquétipo de perfeição que jamais te serviu.
 
Tudo tão simples aos mesmos olhos com que viste alguém que um dia fizeste chorar com pena da tua cegueira emocional, os mesmos olhos que fechaste para não veres e não sentires aquilo que te dizem proibido por não ser assim que se faz. A fuga em frente que adivinhas fracassada no duelo entre a razão disparatada e o coração que te diz nada ser impossível quando tudo o que fazes ou dizes provém de uma pessoa equilibrada e feliz, espontânea e sincera, encaminhada pelo bom senso mas conduzida pelo amor. Renegas tal opção por instinto, depois de descoberta a verdade que se inclui a si própria no caderno de encargos das tuas atitudes futuras, da obra que queiras executar na existência de que ainda ontem restava algo mais para usufruir.
 
Esse dia pode chegar e tu não te podes pensar vacinado contra as suas consequências, preparado para todas as inerências de uma pequena revolução interior. Sobretudo não te julgues capaz de dominar o amor que se sabe selvagem e não admite jamais qualquer tipo de restrição ao que aconteça no coração só por usares também a cabeça. O preço que terás a pagar será proporcional à dimensão da asneira e oxalá tenhas uma vida inteira para a lamentar. Nem isso te garante o mesmo destino generoso que te ofereça de bandeja os dilemas que te obriguem a pensar apenas depois de avaliar o quanto de importante representam para te sentires feliz, o tal propósito tão firme que irradias quando defendes com toda a mestria uma decisão que conheces de antemão acertada.
Porque já se encontra filtrada pelos meios de que dispões e não deves nunca desperdiçar.
 
E não podes, de todo, ignorar a necessidade de te provares uma pessoa melhor, de lutares pela credibilidade da tua argumentação entregando-te de alma e coração, sem mentiras ou jogos hipócritas, com o recurso à verdade como a vês e que reflecte aquilo que és e não um simples refém de uma condição que acabas por descobrir excessiva no grau de exigência. Elimina os pesos na consciência com a ausência de gravidade no quadrante em que te situas porque sabes os passos a dar, incluindo as contrapartidas razoáveis e as garantias viáveis, e não descuidas a vontade de demonstrar o quanto é simples e bela uma vida isenta de deslealdade ou traição, bem assentes os pés no chão para afastar os fantasmas que os excessos ou os medos desnecessários possam produzir.
 
Um dia descobres que não deves fugir dos outros para poderes escapar a ti próprio quando te percebes encurralado entre decisões que precisas mesmo de tomar e sabes, ou intuis, que podem ser vitais para as tuas hipóteses de perseguires com sucesso o único objectivo que faz sentido sempre que avalias o teu papel no tempo de que possas dispor para o alcançar.
 
Um dia decides amar de uma forma incondicional, pura e genuína.

E é esse o dia em que acreditas possível a felicidade total, daquela que perdura, cristalina.

publicado por shark às 21:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

revista militar

Foto: Shark

publicado por shark às 09:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 26.01.09

A POSTA NUM TEMPO AINDA MELHOR

 

Histórias do tempo que gastamos nesta vida que passamos a adiar quase tudo o que concluímos depois já não ser possível então.
Memórias de um momento em que decidimos ser agora que está na hora de ultrapassar as barreiras que nos incutem as asneiras ensinadas por gente condicionada pela palavra não.
Um tempo bem vivido quando percebemos ter sucumbido o preconceito até então mantido pelo respeito ao que o passado nos ensinou mas o presente se encarrega de desmentir. O futuro que só encaramos a sorrir quando não nos sentimos prisioneiros de moralistas e de sinaleiros amadores, tão convictos de que é o seu o único caminho acertado nos amores a percorrer. O rebanho que se perfila para obedecer, infeliz a maioria, a falta que lhe fazia a coragem necessária para forçar o destino nas poucas oportunidades concedidas para mudarmos nas nossas vidas aquilo que sentimos como uma permanente agressão interior, o grilhão tradicional.
 
A vontade de abraçar o amor prioritário, irracional, esse antídoto necessário contra a doença que se revela na progressiva indiferença perante aquilo que o dia seguinte nos possa trazer. A verdade para desfazer a desconfiança em mil pedaços de raciocínios deformados pelas suspeitas de papel. A necessidade compulsiva de abandonar o redondel que é a arena onde imolamos muito daquilo que somos em prol de um fenómeno discutível a que chamamos integração.
O grito insubordinado do coração quando nos arrasta para a revolta apaixonada contra pressupostos e convenções, a vitória das emoções primordiais sobre os medos viscerais desses alarmes que ecoam quando violamos alguma regra ou tradição.
 
Histórias do tempo de dizer não ao que sentimos incorrecto por sabermos insuspeito qualquer tipo de amor espontâneo, tão raro por não ser mais um sucedâneo com o qual se entretêm as vítimas voluntárias da chacina emocional produzida por um único mal que é o da mentira a prevalecer. A traição que acaba por desfazer os sonhos da cor das rosas de príncipes perfeitos e princesas formosas que existem apenas no imaginário popular. O amor que não se permite catalogar em determinados cacifos identificados por etiquetas a tal ponto obsoletas que a realidade ameaça soltar uma gargalhada quando enfrentamos o espelho e percebemos que aquele velho já não dispõe do tempo necessário para sonhar. Já não consegue voltar uns anos atrás e emendar aquele erro que se faz quando viramos a cara à paixão.
 
Memórias de um momento em que decidimos arriscar contra tudo o que seria de esperar nos preceitos que nos vestem algum tipo de pele que a sociedade não desdenhe se posta a nu. O tempo de aceitar que o amor tem sempre um lugar que é o seu nesta vida cuja terra prometida não pode ser conquistada amanhã ou depois.
O tempo vivido a dois.
 

O tempo partilhado, imperioso, num pedaço de vida marginal a tudo quanto lhe possa beliscar a legitimidade total à luz daquilo a que só pelo amor são obtidas (como só a ele são devidas) quaisquer explicações.

publicado por shark às 22:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

O SORRISO FICA...

...Mas é do camandro um gajo acabar de publicar a posta anterior e desabar uma carga de água no minuto seguinte...

 

:-)

publicado por shark às 11:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (37)

ENTÃO E UMA PESSOA PODE LÁ NÃO SORRIR...

...Quando acorda num dia assim tão cheio de sol?

 

Tenham uma semana do baril!

publicado por shark às 11:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 25.01.09

SER BENFIQUISTA

mau para o negócio

Foto: Shark

publicado por shark às 23:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

AS MINHAS MERDINHAS

Há muito percebi que ninguém é perfeito. E embora tenha demorado mais um nadinha, acabei por conseguir perceber-me nessa condição.

Foi um choque, admito, dar conta da quantidade de sinais da minha imperfeição. Levei algum tempo a digerir a desilusão, mas ultrapassei o problema.
Como?
Tomei a firme decisão de me esforçar por compensar com aquilo que tenho de melhor quem, vá-se lá saber porquê, ao longo do caminho tivesse que me aturar as impurezas.
Nem sempre basta, essa espécie de compensação, também já o aprendi à minha custa e de outras pessoas. Mas é a minha forma de não baixar os braços, de não me acomodar à garantia de im(p)unidade baseada na solidez aparente de uma ligação emocional. É do que disponho por ausência de alternativas.
Sou, nas minhas grandezas e misérias, um gajo que tenta equilibrar a parada. Tento fazer tudo onde outros dão nada. Tento fazer com que valham a pena o tempo e a emoção investidos em mim.
 
Por isso, e só por isso, me sinto no direito de exigir que respeitem e tenham em conta as minhas merdinhas.
publicado por shark às 22:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

BRILHO ESCARLATE

Dois posts excelentes acerca de dois temas interessantes.

Casamento entre homossexuais e a delicada questão da adopção que está associada à do matrimónio.

 

Recomendo-os. Estão AQUI.

publicado por shark às 21:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

TODOS DIFERENTES, NINGUÉM IGUAL

Fico sempre estupefacto quando alguém (ou eu próprio) privilegia a opção que garanta a prevalência das suas decisões por antecipação, por uma questão de orgulho ou necessidade de afirmação do controlo das mesmas, em detrimento da opção mais consentânea com aquilo que o coração, o impulso ou mesmo a evidência de que seria a mais feliz recomendam.

 

Somos naturalmente parvos quando nos permitimos correr ao sabor daquilo a que chamamos educação, ainda que sintamos que isso colide frontalmente com o que sabemos ser melhor para nós. Isso soa-me à arrogância típica de quem se presume eterno, imortal, e não aceita o facto de que a vida passa mesmo a correr e ninguém adorará um dia a nossa lápide por termos sido alguém "fiel a si próprio" - fiel a presupostos tomados em circunstâncias distintas, leia-se - em vez de termos sido apenas felizes enquanto a oportunidade existiu.

 

Claro que cada um saberá de si e não me compete julgar as posições alheias, restando-me desejar boa sorte no futuro de quem se sinta mais confortável se coerente com as traves mestras da sua formação.

Todavia, custa-me sempre ver preteridas as razões do coração por serem mais fácil de embicar por aquelas que a cabeça um dia ditou. Sinto isso como uma forma de cristalizar no tempo uma realidade que nunca é estática o bastante para não nos contrariar naquilo que acreditámos em tempos, nos tempos em que tal crença nos serviu. 

 

Até pela minha firme convicção de que só mesmo os burros não mudam de opinião.  

publicado por shark às 18:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Sábado, 24.01.09

ANOITECER METROPOLITANO

anoitecer metropolitano

 

 

Foto: Shark

publicado por shark às 18:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

MAIS UMA GRILINHA, PERDÃO, MENINA NO BERÇO

Deu entrada há minutos, a mais recente aquisição para a creche virtual.

publicado por shark às 17:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

ANDA TUDO DOIDO? NÃO... DEVE SER BOATO... (2)

Quem já tenha passado algum tempo numa pequena localidade belga, caracterizadas por uma pacatez impressionante, ainda fica mais surpreendido com o acontecimento que domina a atenção dos belgas nesta altura.

Dificilmente poderia ser mais hediondo, o crime cometido numa aldeia a cerca de trinta quilómetros da capital de mais um país do norte da Europa a ser manchado por um acto tresloucado de um facínora. A ideia de existir um homem com 20 anos capaz de entrar numa creche para esfaquear indiscriminadamente os bebés ali deixados em aparente segurança pelos pais afigura-se, de imediato, impossível.

Mas agora todos descobrimos que não é.

 

Multiplicam-se na estatística europeia (na americana é o que se vê) estas aberrações, estes exemplos flagrantes de que não existe um limite para aquilo que a crueldade e/ou a loucura humana podem produzir.

E nem sequer podemos atribuir de caras o eclodir destes fenómenos, destas insanidades bizarras, a um factor qualquer. São aleatórios na localização geográfica, na escolha das vítimas e mesmo no perfil dos monstros que de repente se revelam em chacinas inexplicáveis à luz de qualquer abordagem racional.

Este bandalho belga, o mais recente, tem 20 anos. O bandalho austríaco agora a ser julgado por ter transformado a família num harém, Prietzl ou coisa que o valha, é septuagenário...

 

Estes canalhas medonhos que podem germinar em silêncio na porta do lado reúnem a imprevisibilidade e a cobardia inerentes à ameaça terrorista com a desumanidade mais desconcertante que nos pode confrontar. Não existe forma de prevenir, não existe forma de impedir. A desconfortável sensação de insegurança que este tipo de crimes nos instila é demolidora para a confiança que precisamos de depositar nos outros para podermos manter uma vida em sociedade digna desse nome. Para resistirmos ao medo do desconhecido (e do conhecido também) que nos fecha na aparente segurança do casulo que cada vez mais sentimos necessidade de fortificar.

 

Mas como este exemplo tão triste que a Bélgica agora digere nos prova, não é possível acreditar em bastiões inexpugnáveis ou em "santuários" de protecção.

E pouco mais nos resta do que encontrar uma qualquer fé que nos permita acreditar como improvável a mera hipótese de se cruzar no nosso caminho ou no dos que amamos algum monstro tão desumano assim. 

 

publicado por shark às 12:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 23.01.09

RASTOS DE SOL

rastos de sol 

Foto: Shark

publicado por shark às 20:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A POSTA NOS LÍDERES SEM COR

A questão (recorrente) do Freeport Alcochete parece constituir mais uma daquelas situações em que as suspeitas de cambalacho tresandam aos olhos da população que percebe, em sinais como a presença de familiares em negócios dependentes do aval de ministros, a panelinha nunca provada do costume que apenas parece servir os interesses de quem se movimenta melhor no seio de uma classe política enxovalhada (logo, enfraquecida).

Ou seja, todos ficamos a saber que é mais do que provável existirem jogadas de bastidor em benefício de quaisquer políticos no poder ou dele afastados (o BPN ainda tem muitas histórias por contar…) e conhecemos o final da história, o da impunidade dos directa ou indirectamente implicados em cada novo escândalo de pólvora seca.
 
Destes guiões cíclicos na política como em outros domínios da sociedade portuguesa apenas consigo beber pela rama.
Olho para os políticos que atingem determinados patamares do poder e assumo-os como gente capaz, pelo menos capaz de se destacar do meio de uma multidão com idênticas ambições. E depois interrogo-me acerca das suas motivações, as reais, para abdicarem do sossego de uma posição confortável na vida, longe da ribalta mas com influência nas suas áreas de actuação, habitualmente em funções mais bem remuneradas (este aspecto não é, de todo, irrelevante).
 
Claro que como qualquer cidadão e eleitor gostaria de poder acreditar no apego à causa pública, no amor pela Pátria ou quaisquer outros valores arcaicos que apenas adornam o estatuto dos governantes e são desmentidos por vislumbres de ganância e de compadrio como o caso Freeport evoca. Mas não posso.
O comportamento dos políticos no poder é já descarado, tamanha a sucessão de flopes que têm resultado das poucas fugas de informação ou daquilo que resulta do jornalismo de investigação que temos (tão fraquinho que as duas realidades praticamente se confundem), e a apatia generalizada tende a perpetuar este estado de coisas na realidade do país.
 
É ponto assente que nesta fase do campeonato qualquer cidadão com dois dedos de testa e alguma atenção ao que acontece à sua volta há muito deixou de acreditar na alternância democrática, ou mesmo na relevância das ideologias no sentido do seu voto (os que ainda insistem, e bem, nesse instrumento de poder popular).
Aos poucos torna-se claro que mais importante do que a cor partidária ou mesmo a corrente política que representem, os nossos líderes devem ser avaliados em função do respectivo carácter.
Em última análise, uma pessoa de bem, virtualmente incorruptível, é sempre a pessoa certa para a função.
 
O caso português
 
No caso concreto de Portugal, a minha conclusão anterior ainda ganha mais força perante a óbvia submissão ao que possa emanar das instâncias comunitárias. A esquerda e a direita pouco ou nada interferem nas decisões finais que mais mexem com o nosso dia-a-dia, pelo que de pouco nos vale a troca do PS pelo PSD ou vice-versa. E estou certo que o mesmo se aplicará aos restantes partidos com condições para chegarem ao poder de alguma forma. Interessam mais as pessoas do que as ideias, pois nenhuma ideia é concretizável sem pessoas em condições para a aplicarem na prática.
E por condições entendo as que derivam da soma da capacidade individual com a motivação para a aplicar em benefício de terceiros, de uma nação.
O caso Freeport serve apenas para nos renovar a certeza de que algo de estranho se passa e que esse algo de estranho explica boa parte das falhas que encontramos no funcionamento do país, na sensação desconfortável de que a fanfarra Magalhães apenas encobre os sinais que se multiplicam de uma decadência cujo desfecho apenas podemos delinear sem rigor. O preço, esse sabemo-lo elevado e sentimos na pele as suas consequências, a cada dia, tal como o constatamos na mais do que evidente perda de competitividade relativamente aos países de leste (algo que nos envergonha, em face da realidade do passado destes novos competidores na comunidade europeia que integramos).
 
Por isso me entusiasmam cada vez menos as discussões “políticas” acerca de factos consumados, por contraponto à dissecação exaustiva do perfil de quem, por princípio, não pode nem deve ter algo a esconder no seu passado em matérias relevantes, que possam influenciar o seu desempenho quando ocupam determinado cargo a partir do qual podem influenciar, e de que maneira, o desenrolar das nossas vidas e, acima de tudo, das de quem terá o futuro condicionado pelas asneiras que permitirmos nesta altura.
De um potencial Primeiro-Ministro interessa-me mais saber se possui um passado isento de mácula em matérias sensíveis como a corrupção, a ganância ou qualquer outro sinal de alarme relativamente à sua conduta profissional.
 
Sobretudo interessa-me perceber se estou perante alguém com um carácter firme, de convicções fortes e bem sustentadas. Com amor comprovado pela Pátria que formamos e lhe compete servir, intocável do ponto de vista ético e com um entusiasmo e um espírito de missão que consiga ler-lhe no brilho do olhar.
 

Essa pessoa terá o meu voto e o meu apoio. Sem condições.

publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NO MOLHO DE SAPATEIRA

Por norma guardo estes segredos para mim. Contudo, depois dos autênticos insultos como os sinto de cada vez que vejo desperdiçar um animal com uma mistela deslavada entendo tomar esta medida radical.

Os restaurantes e cervejarias desta terra (honrosa excepção aos de Vila Franca de Xira) não sabem ou não querem respeitar esse magnífico animal que é a sapateira. O molho, ou recheio, de uma sapateira não pode ser encarado de forma leviana e feito às três pancadas com Calvé e derivados. Isso e atafulharem o interior do bicho com ovo cozido (uma aberração!)...

 

Só existe uma maionese à altura de uma sapateira fresca e saborosa: Vianeza (a antiga Helmann's). Tirando essa, só penando a fazer uma e todos sabemos o quanto é difícil obter a melhor consistência.

E a mostarda? Jamais Savora ou qualquer outra cujo sabor se imponha sobre o gosto a mar que deve prevalecer num molho em condições. A mostarda deve ser tão neutra quanto possível e nunca se deve ceder à tentação da cor (que deve ser tão fiel ao original quanto se puder).

 

Os pickles são um must. Discretos, mas suficientes. Bem picados para não se dar por eles no meio da confusão. E deitam-se só no fim, na proporção ideal para o sabor obtido na prova.

 

A cerveja, não mais do que o equivalente a duas colheres de sopa, deve ser Super Bock. As outras dão cabo do sabor.

 

E mais do que isto não estou preparado para dizer.

Mas podem crer que sei do que estou a falar e se tiverem tino podem fazer um sucesso com essa criatura magnífica que se alia ao pão torrado com manteiga para nos conferir um empurrão determinante para os mais altos planos de um colestrol a que não podemos virar a cara, sempre que a coisa é feita como deve ser.

 

Depois é compensar noutras refeições. E chorar por mais. 

publicado por shark às 09:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (25)
Quinta-feira, 22.01.09

ANOITECER

noite espreitada

Foto: Shark

publicado por shark às 17:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

NESTE MEU TEMPO(RAL)

Ondas sucessivas que rebentam pouco abaixo de onde assento os pés. Firme na rocha que aguenta o impulso da água para reclamar o que sente como o seu lugar no futuro leito que a terra lhe ocupa.

O mar às cabeçadas no paredão, mesmo abaixo de onde encontro o chão onde pouso os dedos para sentir a firmeza necessária para acreditar numa qualquer forma de solidez.
 
Na praia a areia de rocha que o mar desfez, como pó, e eu sinto um nó na garganta quando me apercebo insignificante no contexto e me reconheço a caminho da terra que serei um dia quando o meu tempo decidir que acabou.
As marcas das passadas, as marcas ali deixadas à mercê dos elementos que me ignoram em cima de uma rocha com destino traçado pelo mar enfurecido quando o vento decide aliar o seu sopro à força colossal do companheiro na paisagem que contemplo como uma miragem, tentando rasgar com a força ilusória do meu olhar o horizonte escuro como breu em busca do sol.
As marcas apagadas pela subida da maré, cada sulco deixado pelo meu pé enquanto caminhava rumo a este local onde as ondas, sucessivas, rebentam como granadas pouco abaixo de onde resisto com a rocha, de onde assisto à demolição implacável desta faixa litoral.
 
E sinto-a tão igual à que o tempo me provoca, essa erosão que me desloca aos poucos para uma nova dimensão daquilo que possa, tão insignificante, representar para lá do fim que perspectivamos como uma passagem para outro lugar, como pó, como a areia que a rocha sangrou na sua luta interminável com o seu inimigo natural.
O tempo, que se associa a um elemento apenas com o fito de destruir qualquer veleidade de quem sonhe a eternidade que só a ele compete usufruir no cumprimento da sua função, presente na minha cogitação solitária acerca do futuro que apenas me permite ambicionar, milagres da fé, ou do passado que cuidará de apagar como a marca do meu pé, egoísta, com a subida da maré que ameaça agora engolir-me se não cuidar de fugir para outro lugar, desertor, deixando ao rochedo a missão de enfrentar o medo da erosão a sós.
 
Fujo acobardado para o meu exílio num ponto mais elevado da falésia, tentando adiar um pouco mais a última viagem enquanto me convenço de que se trata de coragem esta vontade de viver que é uma forma alternativa de combater o tempo invasor.
Enfrento-o armado com o amor que me prende afinal a esta realidade intemporal como a quero acreditar, do cimo deste ponto estratégico de observação do horizonte no meu coração que insiste em bater acelerado quando me sinto apaixonado e descubro um sentido para a existência porque tomo consciência do meu papel.
 

E então consigo ver o sol, brilhando na crista das ondas sucessivas que rebentam sem cessar um pouco abaixo do ponto onde decido enfrentar o agressor, numa manobra arriscada, sulcando palavras de amor na areia daquela praia isolada (na memória de cada história por mim contada), atrevido, insistente, mesmo sabendo que é tempo perdido, indiferente, este tempo investido a imortalizar cada paixão que protagonizo quando perco o juízo e me acredito capaz de contrariar o tempo que irá apagar, com o auxílio da brisa e do mar, cada uma das palavras e das recordações desta insignificância que sou eu, quando pararem de bater todos os corações que algum dia aceleraram o meu.

publicado por shark às 12:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)
Quarta-feira, 21.01.09

FLOWER POWER

rouge

Foto: Shark

publicado por shark às 10:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Terça-feira, 20.01.09

SEM MERDAS

As coisas que realmente importam. Coisas que nos transportam para um patamar que sentimos superior dentro daquilo que somos e de tudo quanto podemos ser pelos outros que nos fazem também. Sentir mais além o que acontece, pelo efeito da interacção sem medo do que a emoção possa arrastar de menos bom.

Os pedaços, que a vida nos oferece sob a forma de gente, de memória, aquilo que se sente de facto, para lá do entorpecimento que a vida igualmente produz e nos tolda à supremacia inadiável do mais belo que só o outro nos permite vislumbrar.

 

A oportunidade de amar alguém de forma incondicional, sem medo do mal que tantas vezes acontece apenas no interior das nossas mentes cicatrizadas pelas águas passadas onde afogámos algures a esperança e debilitámos a confiança a que nos podemos permitir.

Uma nova forma de sentir a importância de quem nos distingue da multidão e estende a sua mão amiga e nos ajuda nos momentos da vida em que todos precisamos de ouvir aquela voz que nos tenta explicar, ou apenas consolar, onde errámos para que possamos corrigir e onde acertámos para que possamos repetir aquilo que nos orgulha por sabermos ser o melhor de que somos capazes e que se revela em todo o seu esplendor sob a influência do amor ou de uma amizade que se preza, na alegria e na tristeza, quando descobrimos essas verdades universais.

 

A sorte de nos sabermos especiais aos olhos de alguém, o impacto que isso tem no sorriso que lançamos ao espelho em cada manhã quando acordamos para usufruir do melhor que a vida tem para nos dar enquanto dura.

A realidade nua e crua da irrelevância dos amigos de circunstância ou das quecas isentas de emoção, desprovidas de uma razão que as consiga eternizar. A verdade despida por detrás de uma realidade vivida sem o desperdício inútil de uma relação fútil seja com quem for. A sinceridade absoluta no amor e na amizade, solidez a toda a prova depois de ultrapassadas as hesitações iniciais e o efeito da surpresa pelo choque da certeza que brota de forma espontânea no solo fértil do sentimento genuíno e nos permite respirar aliviados esse ar tão puro e isento de receios que nos possam atrofiar.

 

A vontade de aproveitar tudo aquilo que os outros nos dão, guiados pelo coração que sabemos melhor conselheiro nas escolhas que fazemos ou nas alternativas que nos assumimos para oferecer a alguém que saiba merecer nada menos do que o melhor de nós.

 

A verdade tão simples, passeando displicente mesmo em frente do nariz tão entupido como o olhar distraído, ineficaz, que passeamos no lado oposto, habitado pelo medo que nos cega e nos constipa, daquele onde nos aguarda um rosto familiar de alguém que nos quer abraçar tal e qual somos e não um qualquer arquétipo da pessoa que nos gostariam.

 

A vida tão bela que erradica qualquer mazela das que o passado nos infligiu em cada lição que nos deu acerca do preço a pagar quando desviamos o olhar daquilo que interessa afinal e nos perdemos por caminhos sem nexo.

 

A vida desejável, tão intensa e agradável como o melhor momento de sexo. 

publicado por shark às 19:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

I HOPE HE CAN

Quando penso em todos os factos que me levam a acreditar, na minha perspectiva maniqueísta do mundo, que o Mal começa a prevalecer à escala global, a tomada de posse de Obama só pode gerar em mim a maior das expectativas.

 

Quando (se) a coisa descambar a sério e o confronto se tornar inevitável, reside nele a maior esperança de que o Bem possa de alguma forma equilibrar a parada.

publicado por shark às 16:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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