Domingo, 31.08.08

INGRATO NÃO SOU

sem fogo

Foto: Shark

publicado por shark às 18:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 30.08.08

EU GOSTO DE ANIMAIS

a festa do cão

Foto: Shark

publicado por shark às 15:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

HÁ NUVENS NO LITORAL

O tempo está farrusco no meu refúgio alentejano.

publicado por shark às 15:35 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 29.08.08

IMAGENS DE VERÃO

ao largo

Foto: Shark

publicado por shark às 17:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA NO UMBIGO DE HOJE PORQUE NÃO O TENHO POR GARANTIDO PARA AMANHÃ

Muito (quase tudo) do que fazemos ou deixamos por fazer é fruto do mero acaso.

A coincidência no cruzamento dos caminhos, a sorte e o azar, a vontade e a disponibilidade muitas vezes criada a custo, contra uma série de obstáculos potenciais, que se deixa por concretizar.
“Fazer planos” é uma expressão ininteligível para mim. Porque pressupõe a existência de um amanhã que não está garantido seja para quem for, porque adia a concretização de algo que era para ser feito hoje, agora, e nunca depois. E porque um plano dificilmente passa de uma declaração de intenções, tão vulnerável se prova perante as inúmeras circunstâncias que o podem alterar ou mesmo excluir.
 
Nisto não se presuma o livre arbítrio a comandar o início de cada novo dia, a versão “extremista”, mas apenas a racionalização do facto de ser ambiciosa mas irrealista (quase arrogante) a fé no dado adquirido que boa parte das vezes se converte numa desnecessária desilusão.
O destino, ou Deus, ou acaso, ou aquilo que quisermos chamar à gigantesca incógnita que qualquer futuro representa, transcendem-nos com o seu poder e ditam as regras a toda a hora, mesmo que queiramos conceder-nos o benefício da dúvida na responsabilidade por uma realização qualquer.
Só depois de feito, só depois de acontecer, o plano pode revelar-se coincidente com o desfecho que arriscámos na previsão. Mas pode verificar-se precisamente o contrário e nem me parece que a estatística beneficie a versão optimista dos que traçam com rigor os passos que não sabem se efectivamente darão amanhã.
 
Considero mais cautelosa e frutífera a noção de que hoje, agora, podemos ter como garantida qualquer das nossas acções, qualquer das nossas contrapartidas pelos momentos menos bons que possamos acautelar quando são viáveis, certas. Adiar implica arriscar o fracasso enquanto fazer só acarreta a possibilidade de resultar menos bem e de ser necessário repetir para fazer melhor ou ter que viver com a mácula. Varia consoante a pessoa.
 
Há muito deixei de acreditar, e não se leia nisso qualquer espécie de frustração, no planeamento para o futuro-interrogação que me deixa à mercê do tal mero acaso tão hábil em trocar-nos as voltas. A cada esquina (do tempo) pode surgir sem aviso o desmentido formal da tal certeza no cagar de tudo aquilo que logo se vê amanhã.
Por isso forço muitas vezes a antecipação daquilo que desejo aconteça e com isso incorro no excesso de pressa que intimida muitos daqueles que lidam comigo em qualquer das minhas dimensões.
Por isso baralho tanto o rigor das previsões e das certezas de quem calha partilhar comigo de forma mais próxima o tempo que tenho, o tempo que tive ou o tempo que me resta por gastar.
 
É a minha forma de estar na vida, assumida nos seus benefícios e devidamente punida pelas suas contradições. Decidida ao sabor das contigências a que sou alheio, vivida de acordo com a estrutura primordial do homem que sou, tantas vezes em rota de colisão com formas diferentes da minha, algumas tão do agrado de quem comigo se cruza agora, cruzou no passado ou, quem sabe, acabará por partilhar comigo um lapso de tempo do seu.
É aleatória, instável, garantida apenas pelo desenrolar de cada dia e por aquilo que ele revelar. À minha imagem e semelhança, tamanha a imprevisibilidade das minhas respostas aos estímulos e da natureza das minhas reacções.
 

O melhor de mim próprio quando tal é possível não é um favor que faço seja a quem for, é o mínimo que me merece quem corra o risco que represento para quem se aproxima demais.

publicado por shark às 15:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

EU GOSTO DE PESSOAS

festa de campo maior

Foto: Shark

publicado por shark às 12:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

CHAMEM-LHE TRIBUTO OU OUTRA COISA QUALQUER

Gosto da forma como se movem, graciosas, usam as mãos como o vento que faz bailar as folhas secas no Outono.

Também gosto da sua voz, melódica, sensual, que ecoa na minha mente como o som dos pássaros na floresta quando recebem os primeiros sinais da Primavera a chegar.
A pele, agradável, sensível como papel de arroz, tem a textura ideal e transforma cada toque num arrepio interior. A pele emana calor como o da terra banhada pelos raios do sol de Verão.
E ainda reúnem todo um conjunto de características só suas, variáveis, imprevisíveis, que marca a sua intervenção na vida com um colorido tão forte que não existe Inverno onde a sua presença se faça sentir.
 
Gosto de as ver, de as pensar e de as ouvir. Há um brilho especial em cada um dos seus olhares, a alma aos gritos por detrás, intensas, complexas, capazes de alternarem a doçura de um beija-flor quando fazem amor e a bravura desmedida de uma leoa mãe.
São excelentes conversadoras também, interessantes, interessadas, sempre muito empenhadas em sentirem cada porção do seu tempo bem vivida.
Acolhedoras à chegada como generosas à partida. Beijam sempre com a emoção de uma última vez, mas olham com a esperança de quem acredita que nada no mundo acabará amanhã ou depois.
 
São capazes de dar tudo numa relação a dois, abnegadas. E são fortes, determinadas, independentes se necessário na gestão de uma vida unifamiliar. É a elas que se confiam os filhos para criar quando a decisão se impõe. Mulher, profissional e mãe, num corpo de aparência frágil mas animado por uma mente que só aceita a palavra vencer.
Também são capazes de sofrer as muitas dores que a Natureza, a condição ou os outros (as características só suas, o ciúme, o instinto de posse, o desgoverno do amor e da paixão) impõem e eu admiro-lhes a tenacidade, a resistência, a capacidade de encontrarem paciência e motivação para nunca desistirem do papel que sentem como predestinado. Da mesma forma, transcendem-se enquanto protagonistas de recurso numa existência quase sempre marcada pelas variações impostas de fora ou aquelas que promovem para buscarem uma vida melhor.
 
Gosto muito de as sentir, na cama ou fora dela.
Gosto de as mimar com gestos, palavras ou com qualquer dos meios de que na minha mente e no meu corpo posso dispor.
Adoro a sua forma dramática de experimentarem o amor que cultivam, que agarram, que as faz explodirem como papoilas vermelhas num campo qualquer ou como bandos de aves que de repente parecem fazer vibrar o próprio céu.
 
Assumo sem reservas que são elas a minha felicidade, o meu destino, a fonte de praticamente tudo quanto me move nesta vida que só me interessa se me souber capaz de lhes agradar.
Sou capaz de definhar perante a sua falta, pesadelo, e a sorte, generosa, não me falha nesse domínio e até a pessoa mais importante de todas para mim nasceu mulher.
 
Gostava de as compreender para ser perfeito na sua avaliação, moldável como plasticina às expectativas e necessidades de cada uma das que ao longo da minha vida tenha a sorte de poder conhecer melhor.
Sou-lhes grato e quero sempre agradecer o seu impacto em quase todas as minhas realizações.
 
Como esta que vos ofereço, reconhecido, por tudo quanto nestes 43 anos recebi de bom.
Não me importa que escarneçam o tom ou questionem hipotéticas motivações.
Sou aquilo de que sou capaz, sou aquilo que a vida me faz e aceito as respectivas consequências, o bem ou o mal.
 

Mas sou e serei, ninguém conteste, até ao fim dos meus dias, um homem que no balanço de uma existência e das suas melhores recordações colocará as mulheres no topo do seu mais alto pedestal.

publicado por shark às 11:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

NÃO COMPREENDO

As mulheres.

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publicado por shark às 01:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (28)
Quinta-feira, 28.08.08

MAIS NA TV DO QUE NA AUTARQUIA

Depois de avaliado o mandato de Moita Flores enquanto Presidente da Câmara de Santarém, sobretudo na análise da sua disponibilidade para as diversas funções que exerce em simultâneo, descobri qual a edilidade certa para o seu perfil.

 

Nas próximas eleições autárquicas será o candidato à Presidência da Câmara de Filmar.

publicado por shark às 14:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

NUM ESPAÇO ENTRE ESTRELAS

nascituro

Foto: Shark

 

O momento de silêncio instalou-se entre ambos e deslocou o centro das suas atenções para os olhares.
E naquele instante ela sonhou-se felina, arrojada, disponível para o receber. Ele, atordoado, imaginou-se transformado em vento ou mesmo num manto quente de nevoeiro de Verão, capaz de a envolver por completo num abraço interminável, de mergulhar no seu regaço em busca dos pontos mais recônditos para explorar.
 
Construíram sem pressa uma ponte naquele olhar intenso.
Mas atravessariam a nado a curta distância que os separava, agitando a cada braçada o leito sereno do rio imaginário para uma enxurrada que explodiu nas suas bocas onde as palavras, arrastadas pela força da torrente, se converteram em sons que flutuaram à deriva ao sabor da brisa pelo silêncio da noite mágica que os acolheu no seu reservatório de memórias perdidas no tempo, num espaço entre estrelas.
 

Muito perto de um ponto no horizonte onde o sol não tardaria a nascer.

publicado por shark às 12:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

CORES ALENTEJANAS

pedalêra

Foto: Shark

publicado por shark às 10:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

JOVENS DELINQUENTES APELAM AO CRIME NA NET

É o título principal do Correio da Manhã de hoje.

 

Chamem depressa o Moita Flores que ele explica a cena na boa.

publicado por shark às 01:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

DO TEXAS PARA LOS ANGELES

Anda um helicóptero da polícia a fazer um granel do caneco aqui na zona.

As Quintas (do Mocho e da Fonte) estão a servir de estúdio para uma longa metragem, a avaliar pelos meios utilizados pelas autoridades.

 

Os mânfios põem-se a roubar carros na Expo e por causa deles hoje ninguém dorme na zona de Sacavém...

publicado por shark às 01:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

CARJACKING NO ESTACIONAMENTO DO VASCO DA GAMA

Dois fulanos roubaram um carro no parque de estacionamento do Centro Comercial Vasco da Gama mas fizeram-no com uma atitude muito desportiva.

 

(Usaram como arma dois tacos de basebol...).

publicado por shark às 00:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)
Quarta-feira, 27.08.08

ENTARDECER

menu celestial

Foto: Shark

publicado por shark às 21:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (25)

CHUVA A PARTIR DE SEXTA

Ou a triste despedida de um Agosto de águas frias.

publicado por shark às 20:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

COGUMELO MÁGICO EM GRANDE

A Smart Shop Cogumelo Mágico, do Carlos Marabuto, tem um site remodelado e muito funcional. Entretanto outro empreendedor do ramo acaba de abrir mais uma loja no Bairro Alto.

E eu não posso deixar de recomendar aos apreciadores destes materiais para a carola que se podem mandar vir pelo correio na boa uma variedade que experimentei e gostei imenso: Spice Diamond (maconha brasileira com mais uns perlimpimpins).

 

Vale a pena, digo-vos eu. E se não gostarem digam que eu fico com as sobras...

:-)

publicado por shark às 12:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (41)
Terça-feira, 26.08.08

CORES ALENTEJANAS

azul alentejano

Foto: Shark

publicado por shark às 20:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Segunda-feira, 25.08.08

TOPO DO MUNDO

prestes a zarpar

Foto: Shark

 

De que te serve trepares ao cume da montanha se não quiseres ser o primeiro a assistir ao nascer do sol?
Porque acumulas conhecimento e a isso dedicas o teu tempo se não pretendes depois ensinar alguém ou apenas aplicar na prática tudo aquilo que a teoria te revelou?
E porque esqueces quem algum dia te amou, nesse presente valioso que o passado te ofereceu, ignorando tu se no futuro ainda existirá alguém capaz de te sentir assim?
 
Abre os olhos ao horizonte e deixa que ele te surpreenda como uma fonte infindável que jorra espectáculos de luz e de cor.
Aprende a utilizar o teu saber acumulado, valioso, no teu mundo ansioso pela vitória da inteligência sobre a inútil sapiência dos que a guardam para si ou a encaminham de forma desastrada para as mãos dos brutos que a possam deturpar na essência ou na aplicação.
E não deixes de cultivar a memória de cada pessoa que te amar, não ignores o coração que te grita o oposto daquilo que a razão congemina para te confundir com a sua lógica cega, materialista, egoísta, que te priva de apreciares o que afinal fez a diferença nesses dias especiais que anseias e esqueceste como proporcionar.
 
De que te serve olhares o mar se deixas que se atrofie em ti a alma de navegador?
Porque não substituis aos poucos essa sede de sabedoria, esse culto da teoria, pela prática permanente, sistemática, do amor?
 
E o que esperas, com a madrugada prestes a partir, para te fazeres ao caminho, para começares a subir?
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publicado por shark às 20:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

EU GOSTO DE PESSOAS

talvez um duche

Foto: Shark

publicado por shark às 16:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 24.08.08

PASSA TEMPO

De repente, o tempo pode adquirir uma nova dimensão. O tempo desperdiçado em vão, em merdinhas que não valem a pena, insignificâncias que não fazem história porque não ficam na memória seja de quem for. As arrelias também, supérfluas, a reclamarem para si um tempo que deve ser gasto a sorrir enquanto a vida nos permite acreditar que o tempo nunca vai acabar e essa é afinal a mais traiçoeira das nossas ilusões.

 
Num instante, a velhice temida pode passar a uma fase apetecida pois só o tempo valioso nos permite senti-la a chegar. E o tempo pode mesmo não sobejar, às mercê das armadilhas que qualquer existência enfrenta, ditames da sorte, estatística aziaga que pode trocar as voltas ao maior dos optimistas quando entende inflamar o pavio que antes queimava ao ritmo lento a que cada dia passava quando o tempo parecia jamais se esgotar.
 
Mas o tempo, indiferente aos protagonistas de ocasião, caminha de acordo com a percepção que dele se tem. Não se perturba com o mal ou com o bem que aconteça à sua passagem, a cada um a sua viagem e tanto lhe faz onde fica a última estação ou simples apeadeiro para aqueles a quem acaba o bilhete, chamem-lhe destino ou chamem-lhe sorte, mantém o mesmo ritmo desde o dia em que começou a contar.
 
Os grãos de areia na ampulheta a escoar, implacáveis, na correria em que o tempo se lança no relógio daqueles que descobrem, de repente, que pelos caprichos terrenos ou pelos desígnios do céu a sua ampulheta encolheu e tudo na vida adquire uma nova dimensão. A vida condicionada por outro tipo de preocupação, direccionada para o usufruto do que resta, acelerada à medida do tempo que decidiu de forma súbita encurtar nos planos palermas, a longo prazo, de alguém.
 
O tempo que cada um de nós tem para deixar rasto da passagem enquanto nos iludimos com a miragem de uma eternidade conquistada depois de o fim se esboçar no instrumento de medida do tempo que nos resta de vida para usufruir.
 

O tempo que se passeia assim, misturado na areia que de repente pode parar de cair.

publicado por shark às 15:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

despedida em glória

Foto: Shark

publicado por shark às 15:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sábado, 23.08.08

A POSTA NA PRISÃO PERPÉTUA E NAS PRISÕES-EMPRESA (2)

O Estado não esconde a sua dificuldade em financiar o sistema prisional e não raras vezes fica-nos a ideia de que fazem tudo ao seu alcance para retirarem das penitenciárias o máximo de reclusos possível.

A reforçar esta ideia está a soma de indultos, de penas demasiado leves e raramente cumpridas na íntegra e a manifesta brandura dos tribunais na aplicação dos correctivos tal como gostaríamos de os entender.
 
É estapafúrdio obrigar a sociedade a custear a reclusão dos seus marginais, dos seus párias ao ponto de o preço a pagar ser o que refiro no parágrafo introdutório desta posta.
Um criminoso é julgado e condenado a pagar a sua dívida à sociedade, tanto no facto de ser privado da liberdade como na óbvia intenção de que sinta essa pena como um castigo.
Não é essa a realidade das nossas prisões, onde grassam a SIDA, os estupefacientes e a boa vida para muitos moinantes com bom corpo para bulirem.
A única reinserção social possível é a que assenta na disciplina implícita num compromisso profissional ao longo do cumprimento da pena, que permita a cada recluso obter formação adequada num determinado ofício passível não só de gerar riqueza para sustentar os seus vícios e mordomias mas também de lhe fornecer um currículo capaz de lhe abrir as portas às oportunidades cuja falta possa ter servido de pretexto para a sua má onda.
 
 
Trabalhar reintegra
 
Capitalismo puro, sem dúvida, é o modelo que proponho para garantir a qualidade e a eficácia do nosso sistema prisional. Prisões-empresa, geridas nos moldes das empresas públicas mas abertas ao investimento privado, trocando a exploração da mão de obra especializada no interior dos estabelecimentos prisionais pela sua remuneração, formação e eventual integração futura nos quadros das empresas que lhes tutelem a actividade profissional.
Aos reclusos que por doença ou impedimento devidamente comprovado ou aos que se recusassem a trabalhar seriam garantidas pelo Estado as condições mínimas de sobrevivência, nomeadamente os cuidados médicos, a alimentação e o alojamento com o mínimo de conforto e de dignidade. E isso já é mais do que muitos mereceriam…
 
Quanto aos restantes, seriam os próprios a definir o seu nível de conforto no cumprimento da pena em função da riqueza produzida. Teriam hipótese de investir nos seus espaços como em garantir a subsistência das famílias deixadas no exterior.
Teriam hipótese de aprender como se deve fazer lá fora para evitar o regresso a uma cadeia qualquer.
Acredito que ao fim de alguns anos os resultados em matéria de reinserção social seriam significativamente melhores e permitiriam uma poupança considerável e não só em termos económicos.
 
Todos ganharíamos
 
Essas prisões-empresa viabilizam financeiramente a aplicação de penas, qualquer que seja a respectiva duração. Permitem aos reclusos a aprendizagem de um ofício e a obtenção de salários, diplomas e reconhecimento que lhes confiram hipóteses a sério de reintegração posterior. Minimizam as consequências mais comuns nas famílias dos reclusos, que acabam por experimentar dificuldades que estão na origem da perpetuação da criminalidade “inevitável”, quase hereditária.
E podem ser equipadas com tecnologia superior, tanto ao nível das unidades produtivas como dos sistemas de segurança que impeçam de facto qualquer tentativa de fuga.
Seriam prisões de máxima segurança a custo zero, financiadas em boa medida pelos impostos sobre a remuneração dos/as detidos/as.
 
Como exemplo flagrante de um benefício deste modelo coloco o financiamento da construção e apetrechamento de creches e de escolas básicas para os filhos das reclusas, evitando separar as crianças das respectivas progenitoras ao longo do cumprimento da pena e possibilitando-lhes crescerem sem vergonha das mães que veriam a trabalhar lá dentro como acontece cá fora.
Não são questões menores quando avaliamos o que está em causa, no caso concreto, em termos de perspectivas de futuro para as pessoas (sim, são pessoas) envolvidas numa experiência que é sempre traumática seja para quem for.
 
Esta posta expõe de forma resumida o modelo que defendo para a manutenção de um sistema capaz de albergar de forma eficaz a população prisional no seu todo e recuperar para a sociedade uma percentagem significativa senão a esmagadora maioria.
Um sistema capaz de viabilizar a instauração da pena de prisão perpétua e o endurecimento do Código Penal que eliminasse a crescente apetência pela justiça pelas próprias mãos.
 

Estou disposto a debater com quem quiser os detalhes da minha opinião, mesmo (e acima de tudo) correndo o risco de lhe serem descobertas as respectivas debilidades e/ou incoerências, mesmo ao nível da avaliação ética e moral dos pressupostos que tal solução acarretaria.

publicado por shark às 19:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

O PROMETIDO É DEVIDO

o moinho lá adiante

Foto: Shark

publicado por shark às 19:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

A POSTA NA PRISÃO PERPÉTUA E NAS PRISÕES-EMPRESA

 

Antes de me deitar ao assunto, gostava que tivessem como certo o meu cepticismo quanto à reinserção social (tal como é promovida) e a minha objecção à pena de morte enquanto alternativa para punição de qualquer crime e ainda menos enquanto meio eficaz de dissuasão.
Se cada pena aplicada deve constituir, e é essa a Justiça que uma população pode entender, uma forma de compensar as vítimas e os seus, de tranquilizar os cidadãos relativamente à sua segurança e de oferecer a qualquer marginal uma hipótese concreta de arrependimento e consequente reabilitação, a limitação da pena máxima a um período inferior a 50 anos desmente, pelo menos, os dois pressupostos iniciais de entre os que enumerei.
 
Quem opta pela criminalidade enquanto modo de vida rejeita a viabilidade do trabalho como forma de ganhar o sustento, tal como quem é capaz de ferir ou matar alguém constitui uma ameaça permanente que nenhuma sociedade pode descuidar.
Em ambos os casos, a percepção de segurança é construída com base nas certezas da eficácia policial, da dureza do Código Penal para com os crimes mais hediondos e da certeza de que a sociedade possui mecanismos para manter controladas e se possível regeneradas as suas (inevitáveis) ovelhas negras.
 
Se aos juízes compete aplicar as penas em função da gravidade das ofensas e ponderando as atenuantes e contraprovas que os advogados consigam reunir, à população compete em última instância definir o que sente como justo nas medidas de coacção a aplicar. Sobretudo no que concerne aos crimes que mais aterrorizam uma população, o sentimento de justiça depende da proporção dos castigos aplicados e não existe razoabilidade entre uma pena de prisão de dez anos para o assaltante de um banco sem vítimas a lamentar e uma de oito anos para um bandalho pedófilo capaz de molestar sexualmente uma criança que pode ser filho/a de qualquer um de nós.
 
 
Os novos e cada vez mais numerosos monstros
 
Da mesma forma soa-nos absurda a noção de que um assassino em série dificilmente passará mais anos dentro do que um cidadão apanhado pela vida num desvario que o leve a eliminar fisicamente um chefe canalha ou um vizinho embirrento e provocador.
É nessa distinção entre os graus de violência em causa e a repugnância que a sociedade evidencia perante cada um que deve enquadrar-se a ponderação da pena por parte de um juiz.
Deveria ser bebida nessa percepção colectiva a medida das penas definidas no nosso paupérrimo Código Penal. E isto não constitui um parecer jurídico, apenas a lógica leiga de um cidadão comum. Tudo o que vá além disso será uma imbecilidade da minha parte assumir, pois nada mais me move do que suscitar o debate em torno de algo que não sinto poder confiar à cobardia dos políticos ou ao critério deformado de quem molda o sistema judicial.
Se já me perturba o divórcio entre a política e os cidadãos, assusta-me essa mesma ruptura entre nós e quem tece a malha jurídica que nos assegura protecção.
 
A prisão perpétua garante aos juízes um intervalo entre zero e mais infinito na gradação das penas aplicadas e, em simultâneo, garante aos cidadãos a hipótese de verem os maiores monstros, as aberrações, confinados a espaços de onde não possam sair para poderem repetir as manifestações macabras dos seus desequilíbrios sem explicação cabal e definitiva.
E ao contrário da pena de morte, essa sim definitiva, permite a emenda dos erros judiciais que possam condenar de forma injusta inocentes e que assim poderiam dispor de meios para a reposição da justiça que lhes possa assistir.
 
Esta primeira posta visa defender a instauração da pena de prisão perpétua para os autores de crimes mais hediondos ou para todos os reincidentes na prática de crimes violentos dos quais resultem danos físicos e morais para as suas vítimas e respectivos familiares.

E deixa clara a minha preferência pelo endurecimento do Código Penal em detrimento da aposta em quantidade nos efectivos policiais ou, ainda pior, no aumento da autonomia decisória, do poder efectivo, das polícias com base no argumento do medo que seria de resto o único que poderia explicar tal opção.

publicado por shark às 18:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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