Segunda-feira, 25.02.08

COISAS DE GAJO

Este é um blogue de gajo, por muito maricas que o discurso possa soar às vezes.
E por isso de vez em quando tenho que vincar a minha masculinidade, nomeadamente através do recurso a um tipo de sabedoria que gaja alguma possui.
A primeira faz parte do aeiou da pessoa com pila.
Outras, ainda mais másculas e necessariamente muito profundas, se seguirão.
(Era isto ou arrancar os botões de cima às camisas todas para exibir a farta penugem...)

Um gajo só aprende a andar à porrada no dia em que leva as primeiras bem dadas.
publicado por shark às 23:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

LIBERDADE DE IMPRESSÃO

the urge to paint.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 11:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

VALUPITE AGUDA

Com o armistício assinado na guerra civil da Parvónia e a Media Markt a meter o rabinho entre as pernas com o polémico escuteiro do seu anúncio a desaparecer pela magia de uma "boa acção" por cagufa, foi agora lançada mais uma campanha publicitária (do Banco Espírito Santo) feita à custa da ridicularização de um grupo específico de profissionais.
Desta feita os visados são os vendedores de automóveis, caricaturados na sua versão menos agradável.

O problema destas paródias publicitárias reside numa lógica muito simples e difícil de desmentir.
Para se justificarem na função os publicitários provam-nos a sua influência na tomada de decisão do seu público-alvo de circunstância. Ou seja, conhecedores dos seus instrumentos mais eficazes (os media, nomeadamente a televisão), arvoram-se capazes de manipularem os impulsos de compra de fatias aleatórias da audiência massificada.
E tudo indica que se confirma o pressuposto.

Ora, a mesma lógica que lhes sustenta a eficiência é a que confere aos media um impacto determinante na formação de decisões. E de opiniões também.
E é aqui que entra a face foleira do argumento utilizado nestas ridicularizações pontuais desta ou daquela realidade, sem que isso se revele particularmente eficaz ou possa sobrepor-se às hipotéticas alternativas.
Se aceitamos o impacto da publicidade nas pessoas não há como fugir à evidência da sua eficácia pela negativa.
E nesse caso, a imagem de um grupo ou classe profissional sai efectivamente lesada no boneco que os anúncios pintam.
A delicada questão das fronteiras

Anda um enorme sururu no Aspirina em torno da sensível questão das caricaturas a Maomé e um dos aspectos mais polémicos é precisamente o da definição do que é ou não insultuoso e, por tabela, de quais os limites (se existirem) da aplicação prática do conceito de liberdade de expressão que é tão cara a quem se revê no modelo de sociedade que é a nossa.
O paralelo que encontro nestes dois aparentes conflitos entre a liberdade criativa e a sensibilidade (ou vulnerabilidade) de determinado grupo de pessoas reside precisamente nos pontos de convergência das duas questões levantadas, passe a relevância de cada uma.

A liberdade de expressão não deve constituir-se plataforma para abusos. Contudo, a definição de abuso pode ser moldada ao sabor das conveniências de quem pretenda encontrar pretextos para a cercear. Quero com isto dizer que se o livre arbítrio de quem insulta ou inferioriza pode resvalar para os terrenos pantanosos do fartar vilanagem, mais facilmente a manipulação oportunista de falsas virgens ofendidas pode converter-se numa ameaça à liberdade em si própria.

Na questão da publicidade de mau gosto, o episódio Media Markt conheceu um epílogo que se transportado para o exemplo das caricaturas a Maomé faria com que os dinamarqueses pedissem desculpas públicas e banissem os trabalhos da polémica. E esse precedente seria tão encorajador para a chantagem de bombistas como o será para qualquer grupo influente que acene com as formas de pressão ao seu alcance no Estado de Direito para se proteger de uma eventual imagem lesiva.
O paralelo reside na cedência que basta ver-se multiplicada para se arreigar como um costume, como uma prática recomendável.
E isso constitui um perigo real para o conjunto de valores que nos distinguem, enquanto civilização, das que se revejam num modelo onde o bom senso é substituído pelo proibicionismo e pela força bruta fundamentalista.

Definição de prioridades

E foi essa a verdade que a argumentação inflexível do Valupi nos dois posts publicados acerca da bronca das caricaturas enfatizou. Entre o enquadramento legislativo que evite os excessos ou permita a sua reclamação (jurídica) por qualquer pessoa ou grupo que se sintam lesados e o recuo inerente a uma retracção em função de qualquer ameaça desproporcionada o mal menor é sempre o primeiro destes dois cenários.

Os publicitários que optam por denegrir a imagem de uma classe profissional, legitimados pelo direito que possuem de o fazer, são uns imbecis aos meus olhos e só revelam falta de capacidade para enveredarem por um caminho talvez menos fácil mas seguramente mais digno na abordagem.
Os empresários que cedem à ameaça latente de terceiros só para evitarem transtornos são uns cobardolas revisionistas.
Mas isso é a minha opinião, que sou livre de emitir porque vivo no lado do mundo onde esse direito não é algo de negociável. Porque sou igualmente responsável pelas consequências dos meus actos e afirmações, caso o seu teor ultrapasse o que a Lei defina como legítimo dentro do espaço de manobra que a liberdade me confere.

Eu não subscrevi o visível recuo da Media Markt, como não levei a sério as virgens ofendidas escutistas. Sei que a indústria automóvel possui os meios necessários para contrapor à “arrogância” criativa dos anúncios bancários uma resposta adequada e proporcional.
E ainda sei que anos atrás um banco “revolucionário” impôs a sua diferença através da ridicularização dos processos arcaicos da concorrência (as velhas chapinhas numeradas de metal, lembram-se?), pelo que nem se pode dizer que são incapazes de apontarem as baterias aos “seus” da mesma forma que os caricaturistas escandinavos podem embicar para questões tão delicadas como a pedofilia que a Igreja Católica tem albergado no seu seio (certamente com uma expressão tão minoritária como a dos extremistas que ameaçam de morte quem os melindre, no contexto da multidão que arrastam na imagem intolerante mas que certamente não representam).

Com conta, peso e medida

Já fui vendedor de automóveis e numa primeira reacção, instintiva, senti-me incomodado com a ridicularização implícita na campanha que referi. Mas se tivesse que ameaçar uma instituição bancária (jamais as pessoas que as integram – também valorizo essa diferença) com uma acção à bruta jamais seria sob o pretexto de desatinar com uma chalaça mas eventualmente por me “fecharem a torneira”, executarem uma hipoteca e fazerem-me sentir a mais na sociedade e no mundo a que quero pertencer.
Precisamente o que me querem fazer sentir os fundamentalistas que ameaçam matar quem os hostilize com reacções à sua visão afunilada das coisas que se traduz numa conduta criminosa mesmo à luz dos preceitos que alegadamente defendem.
Talvez porque seja assim que eles próprios se sentem.

Mas a culpa não é minha, nem do modelo de sociedade em que me revejo.
E isso não me cega às desigualdades e injustiças que dele resultem, como estas não podem servir de pretexto para abdicar por medo de coisas tão preciosas como o sentido de humor para poder rir-me destas palermices todas.

Ou de debochar com a sua essência tão séria e no entanto, pelas suas inúmeras incongruências e equívocos, quase a roçar o descaradamente infantil.
publicado por shark às 11:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

O LÁPIS AZUL DA CONTENÇÃO

As emoções descontroladas a berrarem prosas frontais, extremadas.
E eu, contra natura, ando entretido a amordaçá-las.
publicado por shark às 09:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Domingo, 24.02.08

CONTINENTE SEGUROS

De repente dei comigo a comprar batatas num escritório da concorrência...
publicado por shark às 23:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

HIPOTECAS EMBRIONÁRIAS

penhora nascitura.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 23:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

THE CONSTANT GARDENER

É um filme que levanta inúmeras questões, qual delas a mais relevante, em torno do papel da indústria farmacêutica no contexto dos diversos dramas que o continente africano produz.
Excelente desempenho dos actores, excelente realização, um argumento assim-assim. Com uma história de amor de permeio.

Mas eu de cinema percebo pouco. E de dinheiro, e de poder, tal como a película os caracteriza de forma seca e crua.

(E o Pequito, que é feito do homem?)
publicado por shark às 22:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

EU GOSTO DE PASSARINHAS

vou ali e já venho2.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 15:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

ESTEREOGRAMA LARANJA

Olhando fixamente para um ponto qualquer da anémica liderança de Menezes é possível distinguir com clareza o recorte 3D do seu Primeiro-Ministro sombra, empoleirado num varandim da bancada parlamentar que lidera.

Em segundo plano, numa dimensão mais viewmaster, os barões assinalados afiam cutelos com ar de quem não quer a coisa.
publicado por shark às 13:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

IT'S A BOY!

Finalmente há mais um menino no Berço.
publicado por shark às 00:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 23.02.08

GOING UP

gaiola dourada.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 18:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

PERDIDOS E ACHADOS

à vela.jpg
Foto: Shark

Viajas incógnito nos confins de um porão bafiento sem saberes sequer qual o destino final dessa embarcação.
Viajas sem saberes a razão de te meteres ao caminho, escondido dos outros que acreditas piratas. Foges de ti próprio, afinal, refugiado nos pretextos que inventas para negar esse medo que te empurra pela prancha no meio das ruas.
E tu avanças como recuas, ao sabor de uma corrente que não controlas, numa hesitação imprudente que te amarra a uma saudade que te agarra pelos cabelos, arrastado à força para outros lugares onde te escondes dos outros. Ao sabor da tua ondulação interior.

Disfarças-te, amante, para que o amor não te possa reconhecer. Ocultas-te, cobarde, para que não te impeçam de fugir. De ti próprio, rumos aleatórios, com os outros a servirem de bodes expiatórios para as viagens que recusas em teoria mas te servem na prática como argumentos nessa táctica que te esquiva para outros portos em busca de respostas às perguntas que não ousas verbalizar.

Viajas enclausurado na mais absoluta escuridão, refém do coração que te apaga a luz do discernimento e ilumina cada momento com clarões coloridos de visões dos amores que dás por perdidos. Tão perdidos como tu, que viajas sem saberes porquê e te afastas aos poucos de todos os pontos de referência gravados na consciência que te alerta em vão quando já foste longe demais.

Encontras-te a sós com os fantasmas dos avós que acreditas possuírem a explicação para esse impulso que te trai, para essa esperança que se esvai repartida na bagagem que reclamas como perdida entre os achados nas respostas que jamais saberás interpretar.

Viajas para procurar um espaço por preencher no vazio das tuas (demasiadas) interrogações.
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publicado por shark às 12:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

VERDETE

greenpiss.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 11:44 | linque da posta | sou todo ouvidos

SE AINDA EXISTE FICÇÃO CIENTÍFICA EM PORTUGAL

Reconheço este nosso colega como um dos principais responsáveis pela sobrevivência do género no nosso país.
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publicado por shark às 11:37 | linque da posta | sou todo ouvidos

AZULÃO



Your Inner Color is Blue



Your Personality: Your natural warmth and intuition nurtures those around you. You are accepting and always follow your heart.



You in Love: Relationships are your top priority, and this includes love. You are most happy when you are serious with someone.



Your Career: You need to help others in your job to feel satistifed. You would be a great nurse, psychologist, or counselor.

publicado por shark às 11:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 22.02.08

ENTARDECER

suburban sky 2.jpg
Foto/Imagem: Shark
publicado por shark às 19:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

COISAS ÚTEIS, PARA VARIAR

Tal como há uns tempos atrás aprendemos aqui a plantar couves no terraço ou na varanda, para o fim-de-semana chuvoso (e, por isso, bom para a lavoura) que se avizinha tenho em carteira mais uma posta útil para dar a pedrada no charco das tretas sem jeito nenhum que aqui, como na maioria das alternativas, habitualmente encontram.

Stay tuned para mais uma colaboração externa (de prata da casa) no sítio do costume.
publicado por shark às 18:52 | linque da posta | sou todo ouvidos

E PARA ESTE FIM-DE-SEMANA, VAI UM ALERTA LARANJA OU ANANÁS?

Já anda tudo a preparar caminho para dois dias caseiros, com os manda-chuvas a profetizarem a medo (que isto dos tiros ao lado constantes para depois a malta, sem alerta nenhum, levar com água pelo lado de cima da porta tem os seus efeitos colaterais) que vem aí mais uma borrasca.

Chuva, vento e trampa acumulada em tudo quanto poderia dar vazão aos aguaceiros mais à água que muitas autarquias meteram com as rasuras nos PDM por encomenda. É o que aparentemente nos espera para o período em causa.

E a rapaziada da Protecção Civil já tem as galochas à mão, não vá a coisa (estes micro-el niños são imprevisíveis) descompor-se um nadinha...
publicado por shark às 18:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

SAUDADE DO VERÃO

armona sul.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 09:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

TERAPIA DE GRUPO

Apresento as minhas desculpas pela ausência mais prolongada do que é costume, mas na reunião dos BA (Blogólicos Anónimos) recomendaram-me para ontem um período de abstinência virtual.

Eu disse virtual...
publicado por shark às 09:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 21.02.08

PURE CHESS

- Porque é que o jogo ficou empatado?
- Porque o peão recusou-se a avançar para dar ao rei dos outros o golpe de misericórdia.
- ...?!
- Ele diz que não encontrou o gajo que assina os xeques...
publicado por shark às 12:32 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE PESSOAS

silhuetas.jpg
Foto/Imagem: Shark
publicado por shark às 12:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

PERGUNTAR NÃO OFENDE (3)

Porque é que para quem abandona isso chama-se desistência e para quem é abandonado já se chama deserção?

Há alguma diferença de monta entre os dois conceitos?
publicado por shark às 12:09 | linque da posta | sou todo ouvidos

PERGUNTAR NÃO OFENDE (2)

Onde se traça a fronteira entre a hipocrisia e a mentira piedosa, o que verdadeiramente as distingue?

O pretexto?
publicado por shark às 11:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Entre o fim absoluto do contacto entre pessoas (partilha de existências) e o respectivo falecimento qual é a diferença para as partes envolvidas, em termos práticos?

A esperança de um dia talvez?...
publicado por shark às 11:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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