Sábado, 30.06.07

A MÁQUINA DO TEMPO

Ainda há dias os Rolling Stones deram um espectáculo em Portugal e já têm idade para serem avôs.
Mas agora vejo a minha herdeira ouvir músicas das Doce (Mania) e fico com a sensação de que há algo que me está a escapar neste filme...

HÁ GANDAS EMPREGOS...

vigilante de piscinas.jpg
Fotos: Shark

A POSTA NA VITÓRIA DO PORTUGAL CARETA

careta.jpg
Foto/Imagem: Shark

Num único noticiário dei conta de três indicadores óbvios da viragem portuguesa para uma forma de ser e de estar que me repugna.
Factos aparentemente isolados e sem qualquer relação entre si constituem os sinais preocupantes da lenta agonia lusitana rumo à opção mais triste, a da má onda.

Este ponto de vista, vindo de um gajo que afirma amar a Pátria sem recear de todo o uso do termo e os rótulos associados a quem não alinha em perdas de identidade do seu país em abono de uma uniformização europeia (ou mesmo ocidental) que a longo prazo nos descaracterizam e podem acabar por destruir como Nação, pode soar estranhamente derrotista.
E a linguagem será excessiva, pelo menos à luz do retrato presente do nosso território e do povo que o ocupa, mas vou tentar justificar-vos a minha posição com base nos tais indicadores de que falei a abrir.
Quatro dos cinco maiores bancos portugueses entenderam aplicar “multas” a quem se atrase mais do que cinco dias a liquidar a prestação do seu crédito à habitação. Só o BES resistiu a esse apelo merdoso de enterrar ainda mais a imagem desta banca vampira e a situação angustiante de muitas famílias apanhadas pela crise que ninguém parece conseguir inverter.

O execrável Ministro da Saúde, símbolo perfeito da chusma careta que vai tomando conta de Portugal, provocou mais uma vítima da sua falta de sentido de humor.
Por causa de uma alusão a um facto verídico, criado por uma das várias intervenções infelizes desta criatura saída de um baú poeirento para infernizar as existências alheias.
Qualquer pretexto serve para punir pessoas e instilar a lei da rolha com base no medo que tanto agrada ao poder prepotente que só aos caretas serve e agrada.

O B.Leza encerra hoje as suas portas. Não por falta de clientes, não por falta de dinheiro para o manter em funcionamento, não porque alguém se tenha queixado de algum aspecto negativo associado à sua presença ali prás bandas do Conde Redondo.
O B.Leza, um ícone do lado mais divertido e saudável da noite lisboeta, vai fechar porque os proprietários do imóvel entenderam vendê-lo a quem o pudesse transformar num condomínio de luxo.

Estes três exemplos da “caretização” que se vai aos poucos instalando sisuda sobre os cantos das bocas de quem prefere sorrir são uma gota no oceano de opções bafientas que nos retiram aos poucos a alegria de viver.
É um exagero?

Quem tem a coragem de afirmar na minha cara que é justo permitir a um banco uma punição suplementar a quem se atrasa num pagamento por falta de condições para o efectuar? É preciso ter a noção do que isso implica de desumanidade, essa atitude implacável num país gabado pela sua moderação relativamente a outros expoentes deste capitalismo cada vez mais selvagem e desapiedado.
E eu não concordo com estas exibições foleiras que o poder financeiro protagoniza cada vez mais.

Da mesma forma rejeito em absoluto pessoas, mais ainda governantes, capazes de protagonizarem episódios como o que o Ministro Correia de Campos acumula na sua infeliz passagem pelo poder.
É um cara de pau, mesquinho, intolerante. É uma pessoa sem perfil para nos representar num executivo em condições e instila na governação uma suave fragrância da prepotência hostil que a Revolução alegadamente extinguiu.

E quanto à catedral lisboeta do ritmo africano, independentemente da legitimidade (ou até da necessidade) de quem permitiu esta substituição dos sons alegres de quem se divertia à grande pelo silêncio careta do dormitório de nível superior, o sinal transmitido é o do fim de quase tudo na capital do país que possa representar uma forma de prazer que incomoda a dinastia careta.
Recordo o Parque Meyer, a Feira Popular, a Praça Sony, só para citar alguns dos outros espaços extinguidos pela cobiça imobiliária e sua ligação próxima com o poder que cruza os braços perante esta acumulação de atentados à nossa alegria de viver.

Não reconheço nestes exemplos o país a que me orgulho de pertencer e que gostaria de ver evoluir no sentido do que entendo por agradável. Uma realidade colectiva não se constrói à custa da maioria, em função das necessidades e/ou caprichos dos que possuem nas mãos as rédeas de uma chefia qualquer.

Aflige-me mais do que qualquer indicador, esta inclinação progressiva para uma forma de fazer as coisas que privilegia os critérios financeiros ou “políticos” em detrimento das pessoas e da felicidade que se presume tratar-se do mais óbvio objectivo deste nosso espaço comum.

E vamos ver se o tempo me dará ou não a razão que prefiria não ter.
Sexta-feira, 29.06.07

DESCANSEM A VISTA

rasgar o céu com a luz.jpg
Foto: Shark
shark às 21:10 | linque da posta | sou todo ouvidos

OPTIMISMO (em versão Technorati)

Mais de seis biliões de pessoas de todas as raças, credos e cores.

Some of them have to be good.

A PARTIR DE TI

desconhecida.jpg

Como um sopro quente do vento suão recebo no meu rosto a respiração ofegante que te denuncia a vontade de ir mais além.

Como a passagem da corrente que magnetiza o metal, recebe no teu ventre a carícia dos meus lábios que se colam à delícia dessa pele fundamental.

Para a minha sobrevivência nesta curta existência que nunca concebi sem me sentir próximo de ti e daquilo que representas nesse trono onde assentas um estatuto que te aproxima da perfeição.

Como um Inverno gelado num ermo isolado recebo no peito a intempérie impiedosa da tua ausência que me tolhe incapaz de prosseguir.

Como a aragem da madrugada que fustiga naquela estrada o viajante solitário sentado à espera da boleia para um destino qualquer, mais próximo do céu.

Para junto de uma mulher que nunca conheceu.
shark às 10:57 | linque da posta | sou todo ouvidos

CONTRA A MARÉ

remar.jpg
Foto/Imagem: Shark
shark às 10:38 | linque da posta | sou todo ouvidos

TENHO DUAS CORRENTES EM MÃOS

E está-me a dar a vontade de as abordar de uma forma diferente. Muito diferente.
Tags:
shark às 09:49 | linque da posta | sou todo ouvidos

TONS SADINOS

fe difusa.JPG
Foto: Shark
shark às 09:34 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE PESSOAS

summer call.jpg
Foto/Imagem: Shark
shark às 09:25 | linque da posta | sou todo ouvidos

CAUSA PERDIDA

desertor.jpg
Foto/Imagem: Shark
shark às 01:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

NA PRÁTICA

Era mesmo só o que faltava...
shark às 00:51 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 28.06.07

EU GOSTO DE CANDEEIROS

sintra lamp.jpg
Foto: Shark

BLACK & WHITE

ponta da ponte.jpg
Foto: Shark

UM MUNDO SÓ SEU

degelo.jpg

Aos poucos o nevoeiro a levantar.
O sol a abrir caminho por entre o manto incolor da cegueira temporária, faz-se luz em cada recanto da ilha deserta e tudo o que não se via parece agora ao alcance da vista outra vez.
O navio lá adiante, pintando o horizonte com a sua presença visual. Apenas um barco, afinal, vontade alguma de embarcar para longe daqui.

Aos poucos o fim da bruma e um rasto de espuma que desponta logo ali onde a areia se deixa beijar pelas ondas do mar e a terra acaba. Engolida pela água cada vez mais manchada por pedaços de azul. Do céu que se percebe destapado e envia um recado que brilha nas penas daquele bando de gaivotas que voam a liberdade e transportam a verdade aos olhos de marujos e de náufragos sem uma rota para a fé.

Como estrela polar, a luz a brilhar de passagem nas asas de uma viagem silenciosa no reflexo dos olhos de alguém. E nem interessa quem, entregue a si próprio, sentado nas rochas a soprar o nevoeiro e a descobrir o mundo inteiro nas intermináveis horas de meditação.
Lições do passado, no presente avisado acerca do futuro que um mago lhe revelou. No dia em que naufragou, abalroado de surpresa por um torpedo na proa. O fim inesperado de uma embarcação condenada ao estaleiro pela falta de dinheiro de um arruinado armador.

Aos poucos a visão cristalina de um mundo só seu. Perdido por entre o breu o furor cosmopolita, abandonada em definitivo a vontade de acreditar no milagre a ressuscitar nado morto. Aquilo que nasce torto e jamais se pode endireitar.
A sensação de acordar no final do sonho e passar o testemunho ao próximo corredor, um momento de libertação indolor que sabia necessário.
O reencontro com algo que o nevoeiro tapava e agora se mostrava ao brilho da luz.

A saudade esquecida no meio da euforia pelo regresso da paz.
Tags:
shark às 11:37 | linque da posta | sou todo ouvidos

FLOWER POWER

a cor de um sorriso.JPG
Foto: Shark
Quarta-feira, 27.06.07

JUSTIÇA ÀS DIREITAS

O ilustre D. Pacheco Pereira, sumidade em matéria de blogosfera que de vez em quando produz umas atoardas como a da “percentagem de lixo” que os seus estudos de mercado mentais definem, voltou a dizer de sua justiça.
Repito: de sua justiça (e da justiça de alguns seus correligionários entusiastas), pois no meu conceito de justiça não se encaixa de forma alguma um disparate como a responsabilização legal dos editores de blogues pelo conteúdo das caixas de comentários.

Ou seja, provavelmente inspirado na pureza da sua caixa de comentários (inexistente) no Abrupto, JPP encontrou a fórmula teórica para arrastar a interactividade nula do seu espaço aos dos outros por via de uma interpretação curiosa do conceito de blogue.
Em causa está a possibilidade de qualquer editor de um blogue arcar com as consequências legais de uma intervenção infeliz por parte de um visitante do seu espaço.

Calculo que seja fácil a quem abdica da principal distinção entre um blogue e um vulgar site da Internet (a caixa de comentários) acreditar que qualquer editor de blogues pode manter vigilância 24 horas/dia sobre as asneiras que algum palerma possa deixar no seu espaço para o entalar.
Mais concretamente, o editor de um blogue só pode ir de férias depois de fazer como os estabelecimentos comerciais e fechar as caixas nesse período ou arrisca-se a regressar a casa e ter a Judite à porta por causa de um insulto deixado por um inimigo qualquer.

Isto para mim é um absurdo sob qualquer perspectiva. Criminalizar quem bloga pelas intervenções dos outros, presumindo que o foi o editor quem as publicou? Mas que raio de presunção é essa?
Quer dizer, um gajo deixa um livro em branco na sede da associação de moradores para a malta dizer de sua justiça. Vem o vizinho malandro e bota lá uma calúnia anónima contra o JPP ou algum dos seus incondicionais e o culpado é o dono do livro porque o deixou em branco ao dispor do maralhal?

O editor de um blogue publica posts e publica comentários de sua autoria. Quem comenta (“publish”, isto faz lembrar algo?) num blogue alheio é que assume a publicação, aproveitando a goela da liberdade de expressão que JPP não aceita na versão “liberdade” da coisa tal como um blogue a representa, quando não confere o direito de resposta/contestação no espaço virtual soberano. E quem o apoia acaba por denunciar o mesmo desconforto (quando anui à criminalização de quem permite a divulgação pública das palavras de outrem em respeito ao formato que a blogosfera privilegia).

Mas de um gajo que considera lixo o trabalho de noventa por cento dos seus colegas (maioria na qual terão que se integrar necessariamente muitos dos que subscrevem as suas ideias peregrinas) espera-se o quê?
Tags:

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

parque eduardo vii.JPG
Foto: Shark
shark às 19:55 | linque da posta | sou todo ouvidos

SEXTO SENTIDO

som de mulher.jpg
Foto/Imagem: Shark

Desenhar um corpo com o olhar, contornos percorridos aos poucos para forçar na memória os traços permanentes de tão magnífica visão.

Moldar um corpo com as mãos, a carne pressionada pelos dedos que a agarram como um náufrago abraça uma tábua de salvação e depois passeiam, em dedinhos de lã, pela linha costeira da beleza traseira que se arrepia como se beijada por uma brisa fresca no final de uma tarde de Verão.

Aspirar um corpo com o olfacto, a variedade de fragrâncias que se espalham no acto de libertação de uma pele dos trapos que a impedem de respirar. Essência de desejo num perfume intenso de mulher.

Saborear um corpo com a língua, a pele macia em emissão contínua nos transmissores que enviam à mente e seus sensores as ondas de choque variáveis, pois nos pontos mais sensíveis cada toque desperta no corpo a energia contida de duas placas continentais.

Ouvir um corpo gritar ainda mais o prazer na voz alterada de uma mulher quando nela se produz algo parecido a uma explosão interior. O som de quem faz o amor mais ardente a um ritmo alucinante e se entrega por inteiro a um momento irrepetível na pauta das emoções.

Amar um corpo com o coração e estimular-lhe a tesão mais completa na humidade espontânea de uma mente erecta pela paixão que o romance atiça.

No fogo que se espreguiça pelo olhar até o vento soprar de uma boca que beija aquele corpo que deseja deixar-se consumir pelas chamas crepitantes, o cheiro a queimado dos amantes no lençol encharcado pelo rescaldo que o reacendimento implicou.

E mesmo assim não se apagou.
shark às 12:43 | linque da posta | sou todo ouvidos

PAINTING THE SKY

rebirth.JPG
Foto: Shark
Terça-feira, 26.06.07

A POSTA QUE TAMBÉM NÃO INALASTE

cruzado anti haxixe.gif


Embalado por uma efeméride que serve, acima de tudo, como pretexto para os fundamentalistas debitarem as suas atoardas ignorantes mas politicamente correctas, o CDS/PP apontou hoje baterias às drogas leves.
Notem que eu escrevi drogas LEVES. E é aqui que assenta a estupidez corriqueira dos meninos de coro que vociferam contra aquilo que nos seus tempos betosos do liceu os fazia sentirem-se iguais aos outros meninos menos bem vestidos.

Nuno Melo, um rosto habitual dos centristas/populistas nos circuitos mediáticos, deu hoje voz a essa absurda cruzada da falange careta num noticiário da SIC Notícias com o beneplácito palerma do eterno totó Mário Crespo.
O beto de serviço, tão rebelde na sua actuação política enquanto o seu partido feito em cacos era gerido por quem teve tomates para lhe deitar a mão, alinhou no discurso estafado dos alegados malefícios da cannabis na população nacional.

Para início de argumentação, o iluminado invocou as salas de chuto mais umas estatísticas comparativas entre Portugal e a Suécia(?) nessa matéria. E depois de colocar a coisa no seu contextozinho infantil de quem acredita que os maus oferecem droga nos rebuçados para aliciarem as criancinhas, avançou para uma elaborada teoria acerca do índice de THC no haxixe.
O THC é a parte da planta que “bate”. Ou seja, sem THC a cannabis transforma-se no popular cânhamo que este país já tanto cultivou e só serve para fabricar têxteis e papel alternativo ao que dizima florestas por todo o planeta.
E o Nuninho afirmou que “há 20 anos o haxixe tinha apenas 3% de THC e agora tem trinta”.

no pulpito.gif

Pois eu, que ao longo dessas duas décadas tive o prazer de avaliar a evolução da cena de forma directa e não através de relatórios produzidos por caretas armados aos cucos, afirmo que isso é uma triste falácia. Triste por não corresponder a uma verdade porreira e falacioso por servir de sustentação para o temível papão da esquizofrenia e, mais rasteiro ainda, para móbil do elevado índice de insucesso escolar português.
Como qualquer político hábil, o central-populista desviou assim na boa um problema nascido da incompetência de sucessivos colegas seus para as costas dos dealers de chamon que, ao contrário dos seus colegas da pesada, mal conseguem ganhar para a bucha com as suas transacções “malévolas”.

De resto, só faltou o Nuninho apresentar um gráfico que provasse um insucesso escolar ainda maior na Holanda (onde a malta pode fumar daquilo sem a canga proibicionista), mesmo contrariando o habitual argumento do aumento de consumo que a despenalização terá provocado nesse país bem mais desenvolvido e inteligente do que aquele que produz os Nunos Melos e outros betinhos sem piadinha nenhuma.

Continuo sem perceber a falta de visão destes ignorantes que preferem entregar ao livre arbítrio e ao milagre da multiplicação dos polícias o controlo da substância (implicando esse controlo pelo Estado a cobrança de impostos sobre as verbas movimentadas pela surra), em vez de separarem as águas e explicarem com clareza que no ícone do Casal Ventoso o haxixe era material para fazer cócegas e que os iates de Medellin não têm paralelo com as traineiras de Tânger.

E pronto, fico por aqui com a minha forma de comemorar a efeméride.
Só mesmo para não deixar estes artolas sozinhos no púlpito a debitarem as suas rezas que cada vez mais me soam heresias.

FERNÃO CAPELO

seagull on broken mirror.jpg
Foto/Imagem: Shark

AMANHÃ DEVE SER GRUPO...

...Se tivermos em conta o aviso publicado no Weblog pela Cátia Pitrez.
Por isso, e se hoje a máquina funcionar bem, é só aviar postas... :-)

(De acordo com um recado que me chegou pelo blogue onde a caixa se vai aguentando, comentar aqui é que não dá. Tenham paciência.)
Tags:
shark às 20:29 | linque da posta | sou todo ouvidos

ALWAYS LOOK AT THE BRIGHT SIDE OF LIFE

aquecimento global.jpg
shark às 14:53 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA QUE FOI POR BEM

Aprendemos aos poucos a interpretar os sinais subtis da mentira piedosa. São poucas as circunstâncias que a justificam, ainda que existam condições pontuais para a legitimar aos olhos de quem a usa.
Por norma, o pretexto é mentir para não magoar alguém. Um clássico, muito útil para quem disfarça a cobardia ou a hipocrisia inerentes à incapacidade de assumir os seus mais delicados calcanhares.
O outro pretexto mais comum é mentir para pura e simplesmente ocultar os lados que se consideram menos bons, os ângulos menos favoráveis do carácter que sabemos fraquinho mas precisamos de pintar um nadinha melhor.

De qualquer forma, a mentira piedosa implica uma fuga a uma verdade qualquer que pode aplicar-se ao próprio como a alguém que se queira enganar. Porque é isso que está em causa, o logro implícito numa mentira qualquer. Ainda que devidamente embrulhada no tal papel fantasia que disfarça um presente envenenado à espera de um dia, inadvertidamente, se abrir aos olhos de quem engoliu uma treta.
E é por isso que mesmo a mais bem intencionada patranha acaba por ferir a confiança merecida por quem a utilizou.

Na maioria dos casos são coisas desnecessárias, impulsivas ou condicionadas por um processo de raciocínio influenciado por uma personalidade menos forte ou por um medo qualquer.
Mente-se para evitar uma chatice, tão simples afinal. Mas depois de a mesma mentira se repetir éne vezes acaba por assumir um estatuto de justificação para uma falha qualquer que se ocultou dessa forma. Um lenitivo para a consciência que possa incomodar.

O problema com a mentira piedosa é o facto de ser menos convicta, displicente, fácil de apanhar num lapso qualquer. E difícil de remediar nessas circunstâncias, pela desconfiança que qualquer mentira descoberta induz.
E esse problema agrava-se quando outros lapsos ou mentiras entram de repente na equação sob um manto de dúvida quanto às alegadas boas intenções que, a cada nova história mal contada, se desmascaram como um recurso habitual de quem as contou.

A piedade acaba aí, aos olhos de quem se sente defraudado(a) por alguém. Sobretudo quando se percebe que não existe qualquer hipótese de salvaguardar o tal pressuposto de que nos mentem para nos preservar de um mal pior.

É que essa escala de valores só ao próprio compete definir.
E uma mentira pressupõe por regra mais do que um interveniente, nem que seja pelo possível alastrar boca a boca de uma questionável (e se calhar bem merecida) reputação e respectivas repercussões.

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

Quantos são? Quantos são?

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO