Segunda-feira, 30.04.07

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

tivoli.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 15:10 | linque da posta | sou todo ouvidos

SENTIDO OBRIGATÓRIO

imenso azul.gif

Tão simples. Deixarmo-nos embalar pelas ondas num imenso azul e chamar-lhe vida preciosa que é urgente saborear.
E enfrentar tempestades, que sempre existirão, as tormentas que experimenta qualquer navegador, mesmo que fique em terra e ignore o amor.
A aventura da existência, a sorte e o azar, o poder navegar sobre os espaços que incluímos no mapa de viagem pessoal.
O privilégio de escolher como o fazer, o rumo nas nossas mãos, pelas cartas que indicam os portos de abrigo ou ao acaso pelo desconhecido que urge desvendar.

Mistérios que guardamos naquilo que somos e a mente é tudo aquilo que nos faz. Ou a alma, como preferem os adoradores de deuses que acreditam ser esta apenas uma etapa num percurso que só depois do final poderá ser absolutamente feliz.
A nossa fé num amanhã para avançar num rumo qualquer nesta viagem sem sentido algum quando a abraçamos sem vontade de a usufruir.
Sem sabermos sequer de que lado das nuvens olharemos o céu daqui a nada.

E a vida na nossa mão, as rédeas que o torpor idiota do efeito da ressaca de dias desperdiçados a correr nos leva a ignorar e quando nos apercebemos que precisamos agarrar o leme e virar é quase sempre tão tarde demais. As decisões que deixamos por tomar, optimistas, até ao dia em que alguém terá que as decidir por nós. Ou ficarão para sempre adiadas nas memórias enterradas em conjunto com um invólucro que afinal deveria ter servido sempre e só para sentirmos o prazer da existência.

A vida a doer, pela evidência que nos obriga a reconhecer aquilo que vivemos às cegas. Aquilo que tapamos com as talas laterais que roubam à vista a felicidade que às vezes só surge de relance no ângulo alargado de uma visão periférica. Passam-nos ao lado as oportunidades melhores, o encanto de amores ou mesmo a inigualável experiência de ver um filho a crescer. Depressa demais, quando nos deixamos atordoar pelos narcóticos de um sucesso feito de plástico, inventado de propósito para nos impedir de olhar a sério para aquilo que interessa afinal.
Drogados pelo ópio do povo que é a ilusão da riqueza, o desvio de uma certeza que todos os dias é iluminada por um novo nascer do sol.

A esperança que aniquilamos com o tempo que desperdiçamos a fugir das coisas que nos fazem sorrir, cegos pelo cumprimento de um desígnio que não passa de uma obrigação que alguém nos vendeu.
Uma história mal contada que precisamos com urgência alterar, cada um o seu desvio para a linha alternativa nos carris da locomotiva ou esculpida pelo destino nas palmas das mãos.

Uma guinada no leme, repentina, viramos naquela esquina para o lado oposto onde a ilha deserta ou outra terra incerta nos podem aguardar. O destino a mudar quando não serve os propósitos sagrados de qualquer ser dotado de vida e capaz de decidir por si só.

O exemplo de uma avó ou de qualquer pessoa infeliz que não teve aquilo que quis enquanto podia lutar pela sua obtenção.
A verdade na nossa mão, a cada instante mais clara.

Porque o tempo não pára.
Mas o mesmo não acontece com o nosso coração.
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publicado por shark às 10:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

SAUDADE DO VERÃO

brilho estival.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 09:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA QUE MORDEM A CENA

legalize it.jpg

Nem vale a pena comparar o número de vítimas mortais de ataques de cães em Portugal com o de pessoas mortas por tubarões. Em Portugal, nas Bahamas ou na Austrália. Tanto faz.
Os tubarões são como os lobos. Maus à partida. A única diferença é que o mito ligado aos tubarões pratica surf e o Capuchinho, ao que se sabe, era uma criança tolinha ou então tinha uma avó mesmo muito feia. Ou não era cliente da Multiópticas.

Ninguém esquece uma dentada de tubarão, onde quer que ela aconteça. O estúpido do Spielberg, a quem também não perdoo ter optado por um tachista kraut em detrimento do nosso Aristides de Sousa Mendes para fazer a sua lista minúscula, é apenas um dos responsáveis por essa fama sanguinária dos esqualos.

Mas é mesmo assim. Ninguém esquece uma dentada de tubarão, mesmo (e sobretudo) enquanto deglute uma sopinha de barbatanas daquelas com que os chineses começam a ameaçar de extinção uma espécie que acompanhou a evolução deste planeta idiota desde há milhões de anos. Milhões de anos! Para acabar numa tigela ao lado do arroz chao-chao…

No entanto, e pelo contrário, as dentadas aos tubarões não contam. Como têm fama de maus a malta pode morder à vontade que ninguém censura. Mas têm pena dos quatro pitbules que mataram uma senhora na zona de Sintra, abateram os pobres bichinhos. Fazem bem em ter pena, pois o dono dos cães é que merecia uma mão pesada da justiça.
Mas isso não vem ao caso, pois em nada contribui para defender a minha teoria.

Reparem que até a Fox, na sua recente série cujo título me apraz (Shark, claro) investe num James Woods sublime na pele da espécie. Impiedoso, predador, mordaz (esta eu podia evitá-la, porra…).
A imagem dos tubarões é péssima e até os pescadores veteranos fazem gala de se gabar quando apanham algum (dos mais minorcas, pois…) por distracção.

E por isso mesmo, a malta acha que vale tudo. É cachaporra no bicho até ele parar de nadar. Quase como se não tivesse o direito de ocupar as águas que um dia podem, sabe-se lá, destruir os parques de campismo da Costa da Caparica. De certeza que foram os tubarões que deram à cauda e, tal como as asas das borboletas no Japão, provocaram um maremotozinho só por represália por não terem condições para provar um pedaço de banhista portuga.

Tudo isto a propósito não sei bem do quê, só presumo.
Mas a razão ninguém me tira.

E um açaime ninguém me põe.
publicado por shark às 00:35 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 29.04.07

EU GOSTO DE ANIMAIS

dark shark.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 22:48 | linque da posta | sou todo ouvidos

AFINAL GANHOU O FC PORTO...

Como o Sporting também aderiu à moda dos empatas, os clubes da capital acabam de se afastar um ao outro do título.

"Se não é para mim também não é pra ti. Bem feita!"

Prontos.
publicado por shark às 21:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

EU GOSTO DE PESSOAS

dying for a smoke.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 21:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

MAKE UP

primavera pintada.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 16:51 | linque da posta | sou todo ouvidos

DUELO FRATRICIDA

Vai ser mais logo, no estádio do Glorioso.
Que vença o melhor (e esse já todos sabemos qual é...)
publicado por shark às 12:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 28.04.07

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

noite na baixa de lisboa.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 21:01 | linque da posta | sou todo ouvidos

NA RUA DOS OUTROS

sem abrigo.jpg
Foto/Imagem: Shark

À tua volta a cidade que te olha com piedade ou com o desprezo a que se votam os que se colocam ou são colocados do lado de fora por alguma razão.
Já nem olhas, saturado, e ignoras esse fado urbano que é o teu, isolado, num oceano cujas ondas te arrastam para a periferia do mundo que te naufragou.

Caminhas por entre as sombras de quem passa ao lado do teu corpo massacrado pelas noites mal dormidas, desprotegido, nas lajes geladas do chão que por castigo a cidade te impôs.
Acreditas que só te resta (sobre)viver assim, sempre próximo do fim que não temes sempre que gemes as dores que ninguém pretende ouvir. Enxotado para um ponto afastado dos sentidos tão sensíveis que protestam contra a fractura exposta que representa essa miséria imposta pelos andrajos que a sociedade te vestiu.
Quando te baniu por alguma razão.

A autoridade na perseguição a esses sinais de perigo, um futuro sem abrigo que pode abater-se sobre cada um de nós. Porque basta sentirmo-nos sós em demasia num mundo que desconfia dos que não conseguem esconder a solidão. Ninguém deita a mão a alguém que assume a desistência quando lhe acaba a resistência contra as agressões do exterior.

A cidade à tua volta e a falta de amor que te isolam como uma peste a evitar. Tu e os outros a caminhar em sentidos opostos, lado a lado no mesmo espaço onde te sentem a mais. E é assim que te entendem os que te olham com misericórdia ou te borrifam com a água benta da sua presunção. Beatas no chão que pisas, esses restos que fumas, esses vícios passados dos outros presentes na tua boca sem voz.
Uma cortina de fumo entre aquilo que te rodeia e a tristeza à vista no teu olhar.

Insistes em caminhar para lado algum nessa cela sem tecto, uma estrela tão perto que quase consegues tocar, cadente, que rasga o céu com o rasto brilhante até a luz desaparecer e o teu olhar se estatelar na gravidade da situação, o rebordo de outra garrafa vazia no frio do chão. A caridade fugaz dos poucos que iluminam o trilho que insistes percorrer sob a luz da cidade que um dia te apagou.

A corrente que arrastou a tua memória para longe do desalento que um dia te desligou.
Da tomada de consciência, irrelevante, daquilo que vi.

Dessa ausência indiferente dos outros como de ti.
publicado por shark às 12:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

PAUSA PUBLICITÁRIA

publi cidade.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 01:14 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 27.04.07

UMA TRABALHEIRA

Com a primeira parte das férias acabadinhas de marcar (beach, beach!) e com a sonolência de quem se deitou apenas duas horas antes de acordar preparo-me para uma incursão pela gastronomia indiana.
Depois é ver no que dá o início do fim-de-semana.

Espero que o vosso seja excelente.
publicado por shark às 17:53 | linque da posta | sou todo ouvidos

BLACK & WHITE

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Foto: Shark
publicado por shark às 09:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

NÃO OLHES AGORA

alma foragida.jpg

Coisas que não podem ser ditas, angústias proscritas na boca e reclusas no coração. Segredos cativos, talvez ignorados nas masmorras do esquecimento em que se transforma o pensamento quando a verdade nos dói.
À espera de uma ocasião imprevista para se esgueirarem, na ânsia de escaparem para os cenários fantasiados de um crime por cometer.
Só precisam de obter uma fracção de segundo, um instante em que não se conseguem esconder essas coisas que não podem ser ditas mas espreitam pelas janelas abertas no momento de desatenção fatal de um olhar guardião prisional das emoções que alguém tentou ocultar.

Uma alma escondida com sonhos de foragida que sem querer deixou espelhar.
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publicado por shark às 07:38 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 26.04.07

TALVEZ EM ALCOENTRE OU NO LINHÓ...

dar e receber.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 21:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

FLOWER POWER

balde de girassois.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 12:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA SEM CORANTES

Se tivermos em conta a forma como os próprios definem a sua motivação para blogar, cada cabeça sua sentença, não existe uma definição “universal” para o que nos prende a esta plataforma de comunicação.
Uns dizem que blogam para si, transformando o blogue numa espécie de diário “secreto” sem cadeado que se deixa à porta do prédio para toda a vizinhança o ler (quando até existem formas de bloquear o acesso aos outros com a simples exigência de uma password). Outros dizem que blogam apenas porque não gostam de escrever para a gaveta, o meu caso, ou pela simples sede de comunicar sem arriscar alguns contratempos analógicos a que nos podemos poupar neste meio virtual.
Outros nem sequer oferecem explicações. Mas também blogam e não são poucos.
Contam-se pelos dedos de uma mão aqueles que assumem publicamente a atenção às estatísticas, aos contadores que nos indicam quantas visitas o nosso trabalho angariou e assim permitem avaliar o nosso desempenho, pela evolução dos números, aos olhos dos outros. Sim, sim, quantidade não é qualidade e todos sabemos que a malta nem quer saber destas coisas (mesmo os que têm até mais do que um contador e de vez em quando se descuidam com um post acerca da visita número xis ou com o desabafo acerca da curva descendente que o gráfico das “audiências” não consegue esconder).
Contudo, se os que afirmam blogarem para si incorrem no óbvio contra-senso de tornarem público o que afirmam ser privado, os que invocam o gosto de exibirem aquilo de que são capazes também terão alguma dificuldade em explicar-me a lógica de “não lhes interessar” quantas pessoas apreciaram essa exposição.

Em resumo, há muitos bustos na pala de quem bloga e a maioria dos que apontam o dedo aos que não escondem andarem nisto (também) pela pica de chegar ao maior número possível de pessoas só o fazem para disfarçarem o desconforto de se sentirem a falar sozinhos, incapazes de assumirem com frontalidade que ou até têm jeito mas necessitam de alterar o figurino do seu trabalho ou, truth hurts, mais vale irem tentar o Second Life (onde a malta só precisa de ter palheta e nenhum outro talento – ou respectiva ausência – é necessário para dar nas vistas).

E que entendo eu por figurino do nosso trabalho? O tema dos posts, o estilo das gravuras, a regularidade na publicação (as “pausas retemperadoras” são um convite à desmobilização dos visitantes) e a vontade de fazermos o melhor que conseguimos por respeito a quem nos visita. É nestes aspectos que podemos fazer a diferença que se nota depois nos contadores (aqueles em que ninguém repara e até, quando beliscam o ego, são pintados como uma ameaça cheia de papões informáticos para justificar a sua eliminação).

Torna-se por demais evidente que a velha “mama” da troca de linques como se de cromos se tratassem, o comentáriozinho da treta copiado em doses industriais só para marcar presença no máximo de espaços possível (pela estúpida “obrigação” de retribuir um simples olá) e o “empurrão” recíproco de amigos de circunstância já foram chão que deu uvas. A malta diz que sim, muito giro e tal, mas depois não papa grupos e vai visitar os blogues que verdadeiramente interessam…
O amadurecimento da blogosfera está a conduzir as coisas num sentido que não interessa a quem nada tem de novo para dar, a filtragem de quem vale a pena em detrimento da “popularidade” sustentada numa maior ou menor teia de influências que antes disfarçava nos números as lacunas de quem agora se vê relegado para um plano, nas suas ambições desajustadas, confrangedor.

O tempo da projecção indevida está a acabar para quem anda nisto sem argumentos ou sem estaleca para enfrentar diariamente a pressão de fazer bem para garantir o regresso de quem antes observou.

E isso só pode ser boa notícia para quem leva isto a sério, dá o seu melhor e nada tem a esconder.
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publicado por shark às 10:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

HAVE A NICE DAY!

estranha luz.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 09:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

É INDECENTE

Interromperem assim o feriado a uma pessoa.
publicado por shark às 08:04 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 25.04.07

...

Uma das coisas que a Liberdade nos permite é podermos pensá-la sem medos ou vergonhas.
Eu gosto de a pensar porque muitas vezes é a pensar que melhor se sentem as coisas.

E é bom senti-las porque viver é acima de tudo sentir.
Amanhã vou iniciar o dia como participante em mais um funeral, desta vez o de um homem que infelizmente não conseguiu aguentar mais um dia para comemorar a sua Revolução, um comuna que encontrou ontem a libertação que, em determinadas condições, a morte constitui.

Vou assim continuar a minha homenagem habitual às mulheres e aos homens que se bateram pela tal Liberdade que a Revolução nos ofereceu, à qual dei início com a sua voz (a do Zeca) cantada, homenageando amanhã com a minha presença um homem que se dá à terra no aniversário de um dos seus dias especiais.

Este, o meu, está marcado pela perda que amanhã se confirma.
Mas também pelo orgulho imenso de ver num desenho feito há pouco pela minha filha com sete anos de idade que a sua percepção do 25 de Abril é feita de flores, de sorrisos e de paz.

E é por esse sorriso que me encanta de quem pode falar sem mordaças que me baterei, até ao fim dos meus dias, para que nunca se perca no tempo o ideal que Abril representa e os abusos ou negligências que a fragilidade de um sistema democrático permite nunca conspurcarão.


livres a voar.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 00:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Terça-feira, 24.04.07

SKY PAINTINGS

sopro dos deuses.JPG


fogo e água.JPG


dois humores.JPG

Fotos: Shark
publicado por shark às 17:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

DESPORTO RADICAL - A Caça

caça grossa 2.gif

Nem sempre nos calha falarmos de assuntos que nos interessam. Por vezes até se justifica abordarmos temas que abominamos por esta ou aquela razão, apenas para garantir que não existem temas tabu.
No entanto, e embora a caça seja o desporto radical desta prosa, permito-me (com a vossa licença) não esbanjar o nosso tempo a falar do quanto é fascinante disparar uma arma de fogo sobre um animal qualquer. Ou da injustiça de já quase não haver alvos de determinadas espécies, uma queixa frequente dos que não frequentam coutadas particulares.

(Pode ler esta crónica também na VOX)
É que a caça, como qualquer atirador experimentado o alegará como escapatória para o seu estatuto de “matador”, domina o Homem (sobretudo com minúscula, pois as mulheres em regra só há pouco tempo começaram a vestir o camuflado – muitas vezes precisamente durante a ausência prolongada dos seus consortes caçadores) desde há milénios.
A caça está arreigada nos hábitos e costumes da população, apesar de arriscada, e assim se prova como é radical a postura do portuga contemporâneo. Por outro lado, a modalidade constitui um excelente pretexto para dezenas de milhar de chanfrados (sim, porque um gajo acordar às três da manhã numa noite gelada e deixar a mulher sozinha na cama para ir matar passarinhos num ermo qualquer, enfim…) poderem conservar de forma legal uma arma de fogo com a qual muitas vezes acabam por caçar os passarões que lhes entram pela janela do quarto pela surra enquanto procuram lebres ou perdizes no campo.

Claro que isto é uma caricatura da realidade, pois existem muitas famílias onde é bem aceite este passatempo ancestral que por vezes até dá para poupar uns trocos em carne no mercado da freguesia.
Não faltam as que abençoam o pretexto para verem pelas costas os cretinos que aturam dias a fio, torcendo com afinco pela abertura de uma nova época de tirinhos que lhes desamparem a loja aos fins-de-semana.
A caça pode assim servir de terapia para evitar algumas separações perfeitamente evitáveis (olhos que não vêem…).

E assim proliferam pelo dia a dia as adaptações que a sociedade fez desta popular modalidade para poder praticá-la em quaisquer condições.
Durante as campanhas eleitorais, por exemplo, é frequente encontrar os caçalíticos (caçadores políticos) em plena caça ao voto nas feiras e outros locais onde abundam alvos potenciais.
Mas também é famosa a caça ao “pato”, com variante externa (angariadores de rua do time-sharing) ou interna (caçadores/as telefónicos dos mais variados embustes). Em ambos os casos, o “pato” é aliciado com viagens e outros engodos e quando dá por ela já tem as rodelas de laranja nas margens da travessa onde o irão trinchar, mês a mês.

Em voga nestes tempos de crise, a caça à multa adquire particular relevância e se antes só os agentes da autoridade podiam disparar coimas, a EMEL e outras empresas camarárias de extorsão legalizada podem agora disputar as peças de caça em plena via pública.


Das Caçadeiras

Outra variante mais moderna, conhecida pela caça ao disponível em condições, é praticada em exclusivo por caçadoras e distingue-se pela extrema dificuldade de encontrar alvos adequados que, de acordo com as praticantes federadas, escasseiam. De resto, o disponível em condições é uma espécie em permanente via de extinção na parte inferior da pirâmide etária (solteirus incautus) embora se encontre com relativa facilidade nas camadas mais maduras da população (divorciadus recentis).
Pela lei da oferta e da procura (e porque se alguém os descartou algum defeito lhes encontrou), esta última peça de caça é menos valorizada e normalmente abatida apenas para consumir os cartuchos remanescentes (excepção feita ao divorciadus recentis abastadus entradotis, muito cobiçado como troféu – depois de embalsamado pela sua caçadora ou “recém viúva” fica óptimo numa parede da sala).

Muito mais haveria a dizer acerca deste desporto tão popular, mas ficamo-nos pela recomendação prudente de que se fiquem pela caça aos gambuzinos. Não requer uma licença (nem mesmo dos visados), dispensa armas de fogo, não coloca espécies em risco e, acima de tudo, evita as deslocações frequentes sob o frio da madrugada e evita assim que ao fim de algum tempo mais valha a alguns caçadores dedicarem-se à pesca…
publicado por shark às 10:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Segunda-feira, 23.04.07

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

aos herois da grande guerra.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 19:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

NOTAS VALSAS

musica para olhar.gif

O som do piano que ecoa na sala por entre as vénias que o silêncio lhe oferece nas bocas caladas de quem se presta a ouvir.
A música das palavras ditas dessa maneira, tocadas pelos dedos cuja mestria se mede na reprodução fiel de emoções escritas numa pauta para alguém as interpretar depois. O teatro musical, dramático o impacto daquela virtuosa combinação dos sons nos ouvidos sensíveis e conhecedores.

A expressão de inspirados autores na impressão traduzida nos rostos de olhares perdidos pelo palco imaginário para onde a música os transportou. Ou fechados à realidade do auditório improvisado onde as teclas produzem cores que voam pelo ar como pássaros a planar ao sabor do vento que soprou do coração de um compositor. No céu da imaginação.
Talvez uma ode ao amor ou apenas a evocação de uma sangrenta batalha, a glória de um monarca ou a euforia alheia de uma paixão que se absorveu.

Nas notas alinhadas em silêncio, o ritmo e o tempo de cada momento contado nas teclas por dedos esguios. Para experimentar num mutismo reverente e no fim aplaudir.
Bailar com os olhos a melodia na pauta que pode ser feita de vários papéis, num palácio de sonho como rainhas e reis ou como simples peões num enredo qualquer do tabuleiro universal.

O silêncio final rasgado na sala pelas palmas das mãos quando vibram ainda os últimos acordes, o derradeiro capítulo, o acto terceiro de mais uma peça solta na vida que se escuta, tal e qual como se vê.

Ou talvez nas entrelinhas de um livro que se lê.


(Hoje, dia de S. Jorge, é também o Dia Mundial do Livro)
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publicado por shark às 08:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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