Sábado, 30.12.06

PARTE DE MIM

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Foto: Mariana

Gosto de entender a escrita como uma arte. De me sentir capaz de pegar numa paleta de palavras, numa caneta com ou sem teclas feitas pincel, e encher esta tela com as cores da minha emoção ou a que outros fazem acontecer.
Gosto de me ver pintor, artista. De acreditar que é possível fazer arte com as palavras mais a alma que me faz. De carregar do cinzento da ira o mesmo céu que antes brilhou azul num estado de espírito cheio de sol. De espalhar o vermelho quente da paixão exactamente no mesmo chão branco e frio onde antes derramei as cores das palavras que falam de amores caídos como anjos no inferno da desilusão.

Adoro enfrentar o duelo com o espaço branco por preencher de mim. Ou de quem me suscita algum tipo de vibração, as histórias que tento contar com o coração. Ou com a cabeça, antes que ela esqueça os pormenores que interessam para colorir esta tela que os olhos de alguém irão depois apreciar. E talvez partilhar as emoções que reinam em cada pedaço do que sou, em cada texto que vos dou.
Cada texto um novo quadro pintado com as melhores palavras de que disponho para a combinação de tons, a evocação de sons, os detalhes que vos transmitam com a máxima clareza aquilo que pretendo dizer sob a forma de expressão que melhor consigo usar.

É isso que me move acima de tudo nesta demanda pela atenção que me possam dar. Nada mais tenho a ganhar com esta entrega de boa parte de mim, talvez o melhor de tudo aquilo que sou.
E é isso que vos dou aqui. Parte de mim, tão genuína quanto sou capaz de a retratar. Apenas um homem sedento de amar o muito que a vida tem para apaixonar qualquer um, empenhado em exprimir esse sentir sem medo algum. Á vista de quem encontre a sintonia perfeita com as cores que utilizei ou mesmo dos que me rejeitem à partida e se estejam nas tintas para a essência daquilo que me move ou para a beleza que por vezes sou capaz de reproduzir.

Gosto de escrever. E aquilo que tenho para dizer são imagens da minha forma de sentir o mundo que me rodeia. Prefiro uma emoção a uma ideia, nada mais. Por isso não inspiro respeito a intelectuais, mas sei que consigo falar a língua dos amantes nos momentos relevantes em que provo seja a quem for que trato por tu o amor e essa é uma certeza que me basta.
Não pretendo saber um pouco de tudo, mas exijo que um ombro desnudo de mulher não tenha segredos para mim quando o pinto com as palavras intensas e bonitas que lhe façam justiça, uma cor perfeita, e retribuam um pouco do prazer que me provoca a sua contemplação.

Justiça feita ao que a vida tem de mais maravilhoso para me encantar. Ou antes pelo contrário, quando a razão me aperta o coração com realidades que me chocam ou apenas me provocam e eu, zaragateiro, não sou capaz de me ficar como preferiria.

E escrevo o que diria, sem hesitar. Aquilo em que acreditar, todas as cores da emoção que me subjuga e me conduz por caminhos que nem sempre jogam certo e se reflectem depois em textos carregados de borrões.

É disso que se trata aqui. Tudo mais são ilusões ou equívocos iguais aos das pessoas normais como eu gostaria de me acreditar.

Isso mais a magia da libertação, a força indomável da expressão que aprendi a respeitar e que amo acima de quase todas as coisas.

Parte de mim, para vos dar.
publicado por shark às 13:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (27)
Sexta-feira, 29.12.06

ISTO TÁ MESMO BOM...

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...Para curtirmos um fim de ano na praia.
publicado por shark às 12:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

ASSIM DE REPENTE...

...Só me ocorre desejar a todas e a todos quantas/os esbanjam uma porção do seu tempo neste blogue UM EXCEPCIONAL 2007!

(Mais tarde logo arranjo uma posta mais compostinha... Ah, e não se esqueçam de darem um pulinho à CASA DE ALTERNE pois eu de vez em quando prefiro editar no blogger e estou a estudar algumas novidades exclusivas para aquele espaço, já a partir de Janeiro.)
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publicado por shark às 10:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 28.12.06

DECORAÇÃO DE INTERIORES

humilde casinha de deus.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 22:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A MINHA VIDA TÃO MELHOR

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Foto: Shark

Sabes, eu não consigo ignorar o facto de tu não ires ler estas palavras agora. Talvez daqui a uns tempos, quando te sentir capaz de as interpretar na essência e de entenderes a emoção que tento transmitir desta forma.
Claro que tenho fé que perdoarás a pequena traição implícita neste acto de permitir ao olhar de terceiros o acesso a algo que só a ti se destina. E a mim, que sinto cada vez mais forte o amor que me despertas desde a primeira vez que tive o privilégio de te contemplar.

Linda, aos meus olhos. E com o tempo a passar fui descobrindo em ti outros atributos que acrescentam algo mais à pessoa especial que te provas a cada dia. Nas mais pequenas exibições daquilo de que te compões e que me surpreendem num crescendo de admiração.
E são muitas as expectativas que alimentas com essa tua forma bonita de te revelares ao mundo que terá de te merecer.

Aquilo que podes valer, somados os argumentos que coleccionas. Os caminhos que seleccionas com a delicadeza de uma menina e a firmeza da mulher determinada que evolui em ti.
Tudo o que expões na generosidade de alguém que confia naqueles que ama e nada consegue esconder. Sincera, frontal, capaz de distinguir um bem de um mal com uma lucidez que me espanta.

O dom da palavra que usas para dar voz a uma alma precoce, um espírito que distorce o tempo e se adianta, o anjo que és, mesmo antes de conheceres o céu em que me soltas para voar com as asas que o teu amor me confere.
Aquilo que me sugere a tua expressão carinhosa quando me ofereces espontânea um beijo ou uma carícia que nem precisei de pedir.
Tudo o que me mostras por detrás do caldeirão das emoções que herdaste latina, incapaz de evitar que transbordem para fora desse teu coração sensível.

As memórias que me forneces numa enxurrada, em cada tirada genial das muitas que brotam da tua imaginação, em cada momento de partilha, de contacto. Na brincadeira bem humorada ou no desafio atrevido para uma sessão de karaté a brincar, o instinto de defesa que te incuti por te temer frágil às mãos de quem possa querer magoar-te seja de que forma for.

A minha vida tão melhor desde a tua entrada nos planos que faço contigo na base das mais importantes decisões.
A tua vida tão prioritária, a minha daria para a preservar intacta, sem pestanejar. Pelo amor que te tenho e pela certeza cada vez maior de que és alguém especial, das que fazem falta a um mundo que se queira melhor.

Por isso te garanto uma confiança que não se trai.
Por isso alimento a esperança ilimitada de um pai.
publicado por shark às 12:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (27)

TERRA SANTA

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Foto: Shark
publicado por shark às 10:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quarta-feira, 27.12.06

VERDADE E CONSEQUÊNCIAS - A Face Visível de um Webflop

Já vi pelo menos um blogue referenciar/publicitar este top como um indicador da sua enorme visibilidade. E nem só a nossa vaidade se alimenta destes indicadores. Existem trabalhos universitários feitos com base nos números disponíveis na blogosfera, peças jornalísticas, decisões de anunciantes, coisas sérias que implicam escolhas feitas com base em algo que sendo público se presume fiável (sobretudo tendo em conta a reputação de quem tutela o sistema).

Ou seja, os topes da treta (que toda a gente alega não terem para si qualquer importância mas são referenciados constantemente por essa mesma toda a gente depois de neles constarem) constituem um dos barómetros da evolução desta brincadeira cada vez mais séria em que a blogosfera se tornou. E isto não se aplica apenas em termos individuais.
A única forma de perceber a evolução quantitativa e outras dos espaços que constituem esta comunidade, as preferências de quem visita, é medi-la. E essa medição obtém-se como?
Precisamente pelos contadores públicos disponíveis, como este. Que desmente este outro e lhe desmascara a escassa fiabilidade.

A falta de atenção ao pormenor por parte de quem gere esta plataforma assume contornos tão absurdos como o que denuncio na posta anterior e que, de resto, o top dos “Mais Visitados” ilustra na sua dimensão fantasmagórica.
Ou então o Weblog é o maior sistema de fidelização de visitas do mundo, pois na tabela disponível dos 25 blogues mais visitados constam nada menos do que nove espaços que já não estão a funcionar nesta plataforma. Nove em vinte e cinco! E alguns sofrem oscilações diárias de centenas de visitas, mesmo estando inactivos há mais de um ano.

Teria piada se não espelhasse precisamente a incúria que está na origem da saída de parte desses nove (e de mais uns quantos) excelentes blogues, um fenómeno que empobrece esta comunidade virtual no seu todo e deveria envergonhar quem (há de haver alguém) preste contas pelo funcionamento e evolução desta iniciativa empresarial que o Paulo Querido tão bem concebeu e manteve ao longo de muito tempo.
E se me sinto no direito de colocar as coisas desta forma é porque investi e invisto muito de mim na presença virtual e reconheço em muitos colegas, mesmo alguns que abomino, o mesmo empenho que as sucessivas panes desmotivam e fenómenos visíveis como os indicadores de que falo traem por denunciarem a balda a que isto tudo começa a soar.

Eu não descobri a pólvora. Limitei-me a olhar para algo que alguém é responsável por manter acessível ao público e a descobrir as incongruências que nem vou aqui alongar à questão aritmética, demasiado óbvia para passar ao lado de um olhar minimamente profissional. Ninguém pode levar a sério um desempenho assim e não vejo como pretendem os mandantes do AEIOU continuar a recolher dividendos directos pelo aluguer que nos cobram (e indirectos com base na publicidade que só o nosso trabalho lhes permite angariar) e nem se dignam zelar pelos meios ao nosso alcance para (também) avaliarmos as consequências negativas, por exemplo, das caixas de comentários sistematicamente inoperacionais que nos inferiorizam os blogues perante os alojados noutras plataformas, inibindo potenciais visitantes/comentadores.

Mas também pouco há a esperar de quem nem discorreu que ter um blogue permite, por exemplo, desejar Festas Felizes à comunidade que lhes atura a inépcia (já que enviar emails a uma lista pré-definida de endereços de clientes/utentes deve dar uma trabalheira do caraças…).
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publicado por shark às 20:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

THE AMAZING WEBLOG GHOST CHARTS

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Aproveitando a embalagem da caixa de comentários outra vez aos soluços, o que me dá sempre motivação para abordar estes temas banais e desinteressantes, e pegando numa posta que aqui publiquei tempos atrás acerca de algo que o Weblog denomina de "serviço" no seu blogue e que consta de uns topes relativos aos espaços alojados na plataforma mais irregular do planeta, volto ao assunto porque aconteceu mais um insólito.

Na posta que referi, eu chamava a vossa atenção para o facto de no tal top existir um relativo aos "mais participados" - mais comentados DA SEMANA - cuja composição incluía diversos blogues absolutamente inactivos. Mortos, por assim dizer.
Na sequência dessa posta, ou por feliz coincidência, a rapaziada que toma conta disto resolveu o problema fechando a torneira aos blogues-fantasma. E fez muito bem pois tal como eu dizia na altura, se existem os tais tops associados a contadores que só eles podem controlar é para funcionarem como deve ser.

Pois hoje, danado com o facto de não conseguir responder a comentários no meu blogue e ciente de que estamos numa época de "vacas magras" em matéria de comentários por toda a blogosfera, fui dar uma vista de olhos no estado das coisas ao tal top que dantes incluía blogues defuntos.
E pasmei com a dinâmica de um blogue chamado Ilmatto e de um outro chamado 555 (os dois primeiros classificados dessa tabela por volta da 15h de hoje). Pasmei tanto que fui tentar perceber o segredo por detrás de tanta participação.

Não percebi.
Porque é segredo.
Tão secreto, mas tão secreto que o Ilmatto não regista um único comentário desde o dia 7 de Dezembro e o 555 oculta a sua imensa participação desde 16 de Novembro...
E o blogue da Floribella, que entretanto subiu ao segundo lugar por troca com o 555, registava ao longo da semana apenas cerca de 40 dos mais de trezentos comentários que a tabela do Weblog anuncia.

É um mistério, mais um, do funcionamento desta coisa.
Depois dos blogues-fantasma, os comentadores-fantasma.

Só espero que tanta necrofilia nas tabelas não seja prenúncio de algum funeral...
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publicado por shark às 16:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

PAINTING THE SKY

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Fotos: Shark
publicado por shark às 14:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA QUE A CULPA É DOS OUTROS

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Preparava-me para almoçar, no restaurante do costume, quando o bacano começou a elevar o tom de voz duas mesas à minha esquerda.
Fazia parte de um grupo de oito pessoas e berrava indignado:

- Mas há alguém aqui que não faça o mesmo que eu, algum de vocês pode afirmar que nunca fugiu aos impostos? Deixem-se de merdas, faço-o eu como faz toda a gente!

Nenhum dos restantes o desmentiu.
E eu até rangi os dentes com a gana que me deu de entrar na conversa à bruta. Não sou um menino de coro em muitas matérias, mas respondo pelo meu comportamento nas questões fiscais. Não, nunca fugi aos impostos e sim, estou-me nas tintas para os maus exemplos que os outros possam dar nesse domínio.

Farto-me de afirmar que adoro pagar impostos. Quem me dera, aliás, pagar muito mais. E nunca arranjei esquemas para me furtar a esse compromisso, nem permiti a qualquer contabilista que o fizesse por mim para me tranquilizar a consciência.
Esta mentalidadezinha de treta que arrasta provavelmente a maioria dos portugueses para jogadas que fintam os cofres do Estado das mais engenhosas ou descaradas maneiras é uma das explicações para vermos o resto da União Europeia a distanciar-se de nós na pirisga.

Isto não é moralismo da tanga. O bacano estava a gabar-se por conseguir enganar o fisco. A gabar-se, como se isso constituísse um indicador da sua brilhante inteligência. Poucos dias antes apontava o dedo ao Sistema Nacional de Saúde, que utiliza sem hesitar e que sobrevive à custa dos impostos que chicos-espertos como ele se gabam de evitar.
Provavelmente trata-se de um dos patriotas de pacotilha que forraram a varanda com bandeiras nacionais quando a moda pegou.
Este “orgulho” parolo dos habilidosos que defraudam o Estado de toda a maneira e feitio é um cancro da sociedade que estamos a construir, não há volta a dar à falta de ética implícita nestas manobras de diversão por parte de quem na prática se recusa a custear os serviços que utiliza e defende como direito inalienável.

Fujo a este tipo de conversas com pessoas que me sejam próximas. Porque me enojam estas atitudes e porque fico entalado entre o conhecimento factual de uma ilegalidade e o facto de não me predispor a ser o “chibo” que mete a boca no trombone.
Conheço um que viveu mais de dois anos à conta da Segurança Social, numa baixa fraudulenta, enquanto acumulava riqueza num esquema de economia paralela a fazer o mesmo que a saúde não lhe permitia fazer ao serviço do patrão, há mais de dez anos atrás.
Conheço dois que depois dos cinquenta anos de idade conseguiram um “tacho” na Função Pública apenas com o fito de mamarem uma reforma à conta. Nunca se safariam através das vias normais, caso se candidatassem aos cargos que ocupam.
Conheço um que utilizava a viatura de serviço de uma empresa pública para durante o horário de trabalho exercer uma actividade comercial bastante lucrativa e que lhe garantiu um nível de vida bem acima daquele que o seu imerecido salário permitiria. Agora ainda tem a lata de receber uma reforma mensal.
Conheço outro que pagava o seguro contra todos de um carro bem melhor do que o meu endossando-me cheques do então denominado Rendimento Mínimo Garantido.

São apenas quatro exemplos, dos muitos que coleccionei ao longo de uma vida a assistir à forma mesquinha como milhares de portugueses traem o seu país, sonsos de merda que têm a lata de se considerarem honestos apenas porque “toda a gente o faz”. Como os ratos de Hamelin, seguem o trilho uns dos outros e em vez de exigirem aos políticos e aos governantes que apliquem bem o dinheiro dos impostos servem-se deles como maus exemplos a seguir. “Ah, isto é tudo a comer e tal…”
E assim tranquilizam as consciências.

Deviam ter vergonha, estes parasitas da sociedade.

São estes cidadãos comuns tão “exemplares” e “decentes”, estes pequenos bandalhos que transformam o meu país numa realidade onde cada vez mais hesito ser boa ideia criar a minha filha.
publicado por shark às 10:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (28)

H2O

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Fotos: Shark
publicado por shark às 09:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Terça-feira, 26.12.06

BUSH-A-TOON & Cia.

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Desde o fiasco das armas-fantasma de destruição maciça que serviram de falso pretexto para um novo Vietname à inépcia para descobrir o paradeiro do novo “hermano” de Ramos Horta (Bin Laden), passando pelas procuradas (wanted) linhas aéreas United Clandestines, a CIA parece empenhada de há uns anos a esta parte em auto-destruir a sua credibilidade.

Agora vem um médico espanhol desmentir o cancro de Fidel e declará-lo quase pronto para regressar dos mortos anunciados pela secreta americana que, de resto, terá prestado um valoroso serviço ao seu arqui-inimigo criando o clima ideal para um retorno apoteótico.

E embora custe relembrar o episódio, dificilmente a CIA não sairá chamuscada pela História quando o atentado ao World Trade Center se revelar ao público em todo o esplendor da cegueira dos espiões mais trapalhões que o mundo conheceu.

Dá a sensação que o presidente Bush himself, pródigo nas calinadas, é o maestro da cacofonia que esta CIA de brincar produz.
Não acertam uma. Ou, para utilizar uma expressão que encaixa como uma luva no desempenho destes sofisticados artolas, é cada cavadela cada minhoca…

Curiosamente, o povo americano não reage a tanta exibição de incapacidade e deixa andar como se nada fosse, mesmo confrontado a toda a hora com o desnorte desta sua derradeira (e única verdadeira) linha de defesa contra as ameaças reais (e fictícias) que a nova ordem mundial criada pelo petro-cowboy texano geram na penumbra da sua desorientação e que tem saído muito cara aos cada vez menos abastados cofres de Washington.

O vespeiro em que o Iraque se tornou, e que os homens da CIA não previram, prepara-se agora para conhecer uma nova acha para a fogueira sob a forma de um líder deposto e já meio esquecido a quem decidiram apressar o estatuto de mártir eterno.
A corda no pescoço de Saddam apertará ainda mais o nó que estrangula a imagem americana a nível mundial, pois ninguém duvide que se tratará de mais um tiro no pé que os nabos sobrinhos do Tio Sam se aprestam a (deixar) dar.

Parece intencional, tanto disparate. Por ser tão descarado, quase infantil, e trazer os operacionais da CIA para as parangonas quase sempre no papel de bobos da corte do rei momo que o seu povo elegeu.
É um fartar vilanagem de erros de cálculo, de inconfidências de bradar aos céus por parte dos seus antigos colaboradores, de falsos alarmes que descontraem em demasia ou de dentadas num traseiro que ninguém cuida de vigiar.
É CIAneto para um presidente em agonia nas sondagens.

E devem ser um dos mais hilariantes motivos de galhofa para um homem “do ofício” como Putin.
Que por acaso, se calhar outro galo cantaria, só aterrou no Kremlin depois da Cortina de Ferro se transformar num véu de (aparente) cetim…
publicado por shark às 18:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

A DESTEMPO

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Foto: Shark
publicado por shark às 12:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

GOSTAVA DE SABER

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Foto: Shark

Gostava de saber explicar-me. Mais perante mim mesmo do que a todos vós que se constituem testemunhas mais ou menos distantes daquilo que sou.
Mas a sério que gostava de ter certezas tão absolutas como as que exibem a maioria das pessoas que contacto em cada dia. Pelo menos assim o alardeiam, com uma confiança que me desarma e me perturba sempre que tento explicar-me e não encontro uma resposta definitiva. Ou mesmo um simples palpite que não se veja desmentido por uma actuação desconcertante ou por uma evidência irracional.

Gostava de saber o que sou, aos meus olhos. Para entender melhor como se desenham os meus contornos nos olhares de cada um dos que me observam e me criticam a toda a hora as fraquezas, me castigam com a dureza das palavras ou me banem do seu círculo como um pária a evitar. Para adequar melhor a minha natureza por explicar às de tanta gente que soa tão certa de si ao ponto de me definirem com uma clareza de que nem eu sou capaz.

Gostava de saber o que existe em mim de nefasto, de tão prejudicial que me afasta da imagem que cultivo, a de pessoa de bem, e me rotula de indesejável, descartável, perigoso até.
Aquilo que me afasta dos outros por perceber que se afastam de mim e me negam a hipótese de lhes oferecer um simples pedido de desculpa ou mesmo uma explicação para tudo o que não se enquadra no nível de exigência que pareço suscitar.
Como se um homem como eu nunca pudesse falhar, fiável como um autómato e dócil como um animal de estimação.

Isso sei que não sou e sabendo não gostaria.
publicado por shark às 12:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

ON THE ROCKS

rochas e mar.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 10:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 25.12.06

O CONTO DE REIS - Epílogo (O Natal já era, tavam à espera de quê?)

final feliz.jpg

Instalou-se um silêncio expectante na casinha de madeira do casal Nicolau e Natália quando o Espírito do Quadro se pronunciou.
JC, por seu lado, parecia algo alheado da questão. Como se soubesse por antecipação o que se seguiria. E isso nem espantaria ninguém…

- Trago-vos a Boa Nova! – anunciou o Espírito com voz solene.

“O Nicolau bem precisava, coitado. E até bastava ser nova…”. JC pensou mas não disse.

E o Espírito prosseguiu com a sua revelação (que por questões ligadas ao Direito Canónico não podem ser expostas num blogue herético), na essência destinada a explicar porque o seu papel no conto consistia apenas em justificar-lhe o fim apressado que o aproximar da meia-noite de dia 25 recomendava.

- Mas não vamos transformar-nos em abóboras, pois não?

Um chiu em uníssono soou na sala quando Nicolau, completamente xexé, abriu a boca para soltar os disparates do costume.

- Não, amigo. Vamos transformar-nos em lixo informático, perdidos nos arquivos mortos de um blogue qualquer. – esclareceu o Espírito, tranquilizador.

- Isso quer dizer que ninguém vai ler esta merda e tudo não passou de um pesadelo saído da mente de um filisteu moderno?
- Sim, Natália. Assim consta no que está escrito.
- No que se está a escrever…
- Sim, mas quando alguém ler já terá acontecido…
- Mas enquanto personagem da história não tenho nada a ver com isso. Neste instante ainda não está escrito e por isso não vejo como se justificam de forma lógica essas palavras.

O Espírito já bufava.

- Certo, Natália. Mas a única forma de fazer sentido a minha aparição é justificá-la com a minha omnisciência…
- Atão mas o omnisciente não é o puto? Não é o Pai dele que está em todo o lado e tal? E tu, desculpa que te diga, és ainda mais absurdo enquanto personagem de ficção do que qualquer um de nós…

Perante o desespero do Espírito, cuja alteração fisionómica permitia antever (mesmo sem estar escrito) que não tardaria a adornar o pescoço de Natália com uma das suas telas (agora são telas mesmo), JC decidiu finalmente poisar o copo de três no tampo da mesa e acabar com a animada desconversa.

- Bom, como sabem eu tenho uma sólida reputação enquanto orador eficaz…
- Vem aí conversa fiada… - Natália não conseguia reprimir os seus ímpetos de amazona verbal.
- Natália, faz-me um favor: vai dar de comer às renas.
- Vai tu partilhar a palha com o burro. E de caminho arranja uns morfes prá vaquinha também. Estou a falar da vaquinha da tua…

Nicolau, muy macho, esmurrou a mesa e impôs a sua voz de trovão.

- Natália, nem mesmo no contexto de uma posta idiota podes sentir-te no direito de ires longe demais. O JC é um amigo desta casa!
- Pois sim, por ele já estavas a dar milho aos pombos no jardim da Estrela…
- Gosto dele como se de um filho se tratasse, bem o sabes. E há muita gente a sério, potenciais leitores desta palermice, que o respeita e não tolera determinado tipo de liberdades criativas.
- Isto agora é o quê? Lá porque usam barbas (o ícone adulto do JC também) vão armar-se em fundamentalistas? Não se pode tocar no menino? Ponham-se com essas tretas e eu, que até tenho jeito para o desenho, dedico-me já às caricaturas!

JC respirou fundo. Sabia que Natália nutria por Nicolau um grande amor que lhe instilava o instinto protector e a fazia proferir tantas ofensas. Era isso mais o impacto da falta de… animação nas noites frias do Alasca (a cena do pólo norte foi apenas um mito americano para desviar as atenções). Mas ele perdoava a quem lhe tinha ofendido desde há séculos atrás e não ia sacrificar a coerência por causa da leviandade de um escriba menor, um reles mortal sem costas para levar duas chibatadas bem aviadas.

- Acalma-te, Natália, que isto é só para inglês ler.

JC aproveitou para fazer uma pausa e acabar com o resto do trotil.

- No fundo, tudo o que acontece é fruto da Vontade do Criador. E isso aplica-se também a este conto, provindo das mãos de um membro do Seu rebanho (aí pára, que eu tou a escrever mas não tou a dormir. Se te esticas corto-te já o pio…).

Nota do autor: o autor também pode intervir nas suas chachadas, ou não? Bom, vamos lá devolver a palavra ao baixinho.

- E por isso não devemos levar demasiado a sério os seus devaneios ou mesmo as incongruências da história. Por exemplo: onde é que estão os reis que dão título ao conto?

Pronto. E agora basta. Querias um conto de reis (mil escudos, para quem já não se lembra da moeda portuguesa)? Toma lá cinco euros, deposita o excesso do arredondamento numa caixinha de esmolas qualquer e pisga-te que esta história acaba aqui.

E vocês, leitores, estavam à espera de quê? Neste blogue o todo-poderoso sou eu.

Mando mais do que o próprio JC!

(E a boa nova que o Espírito da Quadra trazia convidou-me para ir tomar um café…)
publicado por shark às 21:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

PECADOS MORTAIS

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A mesma igreja (com minúscula, sim) que recusou um enterro religioso ao Piergiorgio nem hesitou em participar de forma empenhada no do Augusto, dias antes.
Assim se vê a (pouca) força do JC (nas mentes obscuras e hipócritas por detrás dos altares de fachada)...
publicado por shark às 14:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

NATAL SEM PALAVRAS

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Foto: Shark
publicado por shark às 13:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

NATAL EM IMAGENS

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Foto: Shark
publicado por shark às 12:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

PARABÉNS PELO 2006º ANIVERSÁRIO, JC

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Fotos: Shark
publicado por shark às 12:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 24.12.06

O CONTO DE REIS - Uma Novela no Espírito do Quadro (Cap III)

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JC não estranhou quando Nicolau pousou sobre a mesa as cuba livres, que declinou com cortesia. “Já sabes que eu só bebo tinto, é a tradição desde a última jantarada…”

- Ah pois, com os “apóstrofos”! Mas não faz mal, tenho ali um alentejano de 97 que é de estalo. E na adega há mais (o de 2004 é ganda malha)!

Os olhos de Nicolau brilhavam com o reflexo das luzinhas da árvore enquanto pensava nas “pomadas” que reunira ao longo de muitos anos de distribuição de encomendas natalícias. As gorjetas não pagavam impostos e isso em muito contribuía para a paz financeira que Natália tudo faria para preservar.

- Vê lá mas é se te emborrachas outra vez este ano, Nicolau… Lá por agora não conduzires, isso não faz com que possas esticar-te na bebida.

Ela recordava-se do último pifo, dois Natais antes, quando finalmente lhe haviam apreendido a carta de trenó em definitivo. Para não o embaraçarem, e por respeito a tantos anos de dedicação, haviam fingido que o médico da Direcção Geral de Aviação não lhe renovara a carta.
Mas ainda assim, Natália receava a mistura com a medicação (pela surra, costumava desfazer comprimidos azuis – só um nadinha – no meio da sopa).

- Pois é, cá estamos outra vez… - JC estremeceu quando a matrona voltou a abrir a matraca. Vinha lá sarilho pela certa…
E assim se confirmou.

- Então, JC, o Zé já se conformou com aquela questão… hummm… da paternidade duvidosa?

Era um assunto muito sensível para o bebé nas palhinhas sentado e ela bem o sabia.
Ficou com um chorrilho de palavrões, pecado sem perdão, mesmo à porta da boquinha infantil.
Os sininhos da porta salvaram a situação por um triz.

Nicolau, já meio tocado, abriu a porta e abraçou com intensidade o recém-chegado como se entre ambos existisse alguma espécie de proximidade.

- Porra, pá, que me parte as (cos)telas!

Era o Espírito do Quadro, um pintor frustrado que só servia para justificar o subtítulo de uma posta marada e para ver se surgia um final qualquer prá coisa antes de o Natal acabar.
Divorciado da esposa, uma amiga íntima de Nicolau na sua fase jovem e irreverente, vivia da venda de bustos para enfeitar o Natal dos hipócritas e de, como o nome indica, quadros nos quais retratava espíritos do Natal Passado e outros fósseis que o consumismo desenfreado enterrara de vez.

Natália até se benzeu, para gáudio do menino que decantava o Herdade Grande com a mestria de um escanção.
Nunca esquecera os rumores da ligação entre o seu Nicolau e a flauzina da Quadra (que agora deixara cair o apelido do ex).
Dali só podia vir bronca.

Contudo, o artista surpreenderia todos com a sua intervenção.

- Desculpem incomodar, espero não ter interrompido nada…

JC contorceu a boquinha num esgar de anuência, perante o olhar severo de Natália. Nicolau, bochechas rosadas, sorria com um ar imbecil e olhava para o Espírito do Quadro como se de um filho se tratasse.

- Venho cá para vos contagiar com a paz e a harmonia que a Quadra (não tou a falar da minha ex, claro) deve a todos inspirar!

O trio nem tugiu nem mugiu, enquanto aguardava a sequência do surpreendente intróito.
publicado por shark às 16:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sábado, 23.12.06

O CONTO DE REIS - Uma Novela no Espírito do Quadro (Cap. II)

tragedia natalicia.gif

Natália encolheu os ombros perante o olhar alucinado de Nicolau, convencido como nos anos anteriores de que havia recebido a bênção da paternidade na figura daquele bebé nas palhinhas gelado e agora iluminado pela luz quente da lareira.

- Tás bom, JC? – inquiriu ela sem grande entusiasmo.

Com as gengivas a baterem castanholas, o pequeno visitante respondeu com um aceno afirmativo de cabeça. Entretanto, o velho das barbas ruminava as siglas tentando associar o nome à pessoa enquanto ateava a braseira com um fole.

- Olha lá, ò Gepeto da tanga: tens a coisa organizada para este ano? – perguntou JC, agasalhado com um xaile de Natália (“não babes essa treta outra vez, menino, ou amanhã tenho outra vez uma chusma de beatas a snifarem-me o estendal”).

- As prendas? – retorquiu Nicolau – Sim, sim. Falei com os gajos da Manpower e eles desenrascaram-me um bacano da Associação de Reformados e Pensionistas da Pampilhosa. Eu tinha contactado o Centro de Emprego, mas só me mandam putos novos sem carta de condução de trenó…

- Mas quais prendas, pá? Achas que eu ainda ligo a essa tanga? A malta já nem faz presépios nem o camandro, compram aqueles muita farsolas das lojas dos trezentos e metem-nos num canto…
A passagem de ano, meu! É a tua vez de organizar a cena, lembras-te?


Nicolau esbofeteou a testa.

- Pois é, no ano passado foi o… o…
- O Manitu, sim, e já sei que adorou a tua fatiota e que te chamou irmão, ò pele-vermelha de trazer por casa. Mas já que falaste na cena das prendas, vou abrir o jogo contigo. Ando um bocado chateado com a onda do pessoal andar a curtir o meu aniversário sem me ligar pevas.

Natália levantou os olhos do tricô e fixou o pequeno traquina.

- E o que é que o Nicolau tem a ver com isso, ò fedelho?
- Fedelho? Olhe que o respeitinho é muito bonito. Eu já sou falado há dois mil anos e aqui o barbas ainda nem completou um século de impressão em papel de embrulho…
- Deves-te julgar muito importante… Tu tens é dor de cotovelo. Vai mas é fazer chorar imagens da mãezinha prás missas do galo, ò milagreiro da treta.

Nicolau, aflito, balbuciava palavras de concórdia mas nenhum dos dois parecia querer amainar o tom.
E o pequeno JC prosseguia:

- Ganda lata a sua… É por causa do patrocínio da marca? Mas olhe que também vendem Coca-Cola em garrafa. Se calhar anda distraída a promover o consumo dessa zurrapa para arrotar…

Nicolau apanhou logo a deixa.

- Olhem, e por falar em bebidas: vamos tomar qualquer coisinha?
- O puto bebe suminho. É proibido servir bebidas alcoólicas a penetras de fralda. E desmonta do xaile que tem dona, ò meia-leca!

Natália não suportava o miúdo e via nele uma ameaça à estabilidade financeira do seu agregado. Podia lá agora vir um rapazola dar cabo da reforma dourada ao seu Nicolau…

(continua)
publicado por shark às 23:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

UP AND DOWN

escadaria curvilinea.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 12:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 22.12.06

SANTINHO! (repost com dedicatória)

Grande Laboratório.jpg

Jurou vingança perante o Conselho logo que lhe confirmaram a sua dispensa do cargo de assistente do departamento de Estudos Galácticos.
Acreditava ser o melhor cientista do universo e não tolerava a ideia de ser afastado das suas cobaias, criaturas raptadas em centenas de planetas distantes.
Dedicara a vida ao trabalho e rejeitava a ideia de que tinha de alguma forma sido afectado pelo contacto excessivo com alguns espécimes. Acusavam-no de comportamento agressivo e sabia que isso resultaria em demissão.

Já antevira tal desfecho e tratou de retirar a sua criatura preferida do casulo em que a colocara tempos atrás. Sabia que a cobaia era portadora do vírus mais letal que se conhecia e arrastou-a para um local movimentado de Crion, dentro de um saco isolador. Retirou da bolsa o antídoto, injectou-se e libertou do saco a criatura rosada.

O inferno instalou-se quando o terráqueo espirrou.

-/ /-

O texto acima (que já publiquei aqui, algures) serve como apresentação/recomendação de um dos blogues que mais tem prendido a minha atenção nos últimos tempos.
Escolhi este texto e respectiva ilustração para o efeito e não me perguntem porquê. Ocorreu-me fazer a coisa desta forma.
Se a curiosidade vos vencer, visitem o BITAITES.
Eu acho que é tempo bem empregue.
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publicado por shark às 23:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

IMAGENS DE UM NATAL DIFERENTE II

pai natal pendurado.jpg
"Fónix! Eu bem lhes disse que a curva era muito apertada..."

Foto: Shark
publicado por shark às 15:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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