Quinta-feira, 30.11.06

HOJE ACORDEI MAIS CEDO...

parto solar urbano.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 12:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Quarta-feira, 29.11.06

NOS MEUS SONHOS

drag me around.jpg
Foto: Shark

Como as folhas de uma árvore no início do Outono os meus dedos desfalecem sobre o teu corpo nu e deixam-se arrastar ao sabor do vento gelado num húmido arrepio.
publicado por shark às 20:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

A POSTA PRA VER

ponte emoldurada.JPG

Foto: Shark
publicado por shark às 11:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

PARADOS NO TEMPO

A "minha" blogosfera, aquela que incluo na deambulação pelos espaços que aprecio, não cessa de me pregar cagaços ou mesmo de me dar desgostos. É que um gajo habitua-se a estes pequenos prazeres e assume-os quase como um ritual, dá-se pela falta deste ou daquele pouso habitual e a sensação é esquisita.
É que bem vistas as coisas, quando um blogue congela no tempo ou pura e simplesmente desaparece a gente sente a coisa mais ou menos como naquela situação em que nos damos bem com um vizinho e até parece que um dia podemos vir a ser amigos e tal. E de repente descobrimos que esse vizinho resolveu mudar de casa e não deixou rasto algum...

Não sei se será o caso do Auto Estrada do Norte, um blogue ao qual me afeiçoei deveras, e do Blue Velvet, um clássico da minha visitação.
Mas a confirmar-se o pior, sinto isso como uma perda.

A "minha" blogosfera anda assim...
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publicado por shark às 11:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 28.11.06

THE HOUSE OF THE

rising sun.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 17:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

UM NATAL LIGHT, COM GELO E LIMÃO

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Já tresanda. A inauguração oficial da maior árvore, barulho das luzes, e o ressurgimento da Leopoldina, a iluminação artificial das ruas e o massacre dos anúncios a bonecas com telemóvel e a telemóveis com bonecos mais os folhetos em barda na caixa do correio em vez dos postais que caíram em desuso. A tensão crescente de ver o subsídio a escoar-se nas mazelas do Verão à rica enquanto se aproxima o momento inevitável de enfrentar a multidão apressada das compras de última hora.
Pelo meio, os poucos que tentam relembrar a malta que não foi o pai natal quem nasceu nesse dia cada vez mais coke e ainda menos os que se esforçam por cultivar um espírito da coisa que não aceita visa ou mastercard.

Entro sempre em conflito interior nesta quadra natalício-consumista que parece desenhada para se autodestruir em labaredas de saturação. Gosto do pretexto que o Natal oferece para sermos todos um nadinha diferentes, um pouquinho melhores do que no resto do ano em que a vida nos absorve num galope desenfreado que não deixa espaço para nada ou ninguém. E desgosto assistir à cedência colectiva a toda a pressão comercial que desaba nos ombros fatigados da maioria de nós.

Para muitos a coisa coloca-se em termos próximos do martírio. “Tenho que dar uma prenda a fulano porque ele deu-me uma treta qualquer no ano passado. E outra a sicrano porque é um gajo importante na organização que me fez um favor. E o puto quer uma consola xpto e estão esgotadas. E não posso esquecer-me do par de peúgas para cumprir o ritual.”
Ala que eles aí vão para os hipermercados, para as lojas de rua, “sim, é para oferecer”, as lâmpadas novas para a árvore, com música, compradas na loja do chinês em conjunto com as oferendas baratas para cumprir calendário na consoada embrulhada de um vizinho ou de um amigo afinal só “conhecido” que se presenteia quase por obrigação.

A generosidade imposta por oposição ao clima de festa desinteressada, o sorriso espontâneo (que deveria contagiar os cristãos como os ateus) convertido num esgar de desagrado pelo frete de ter que ir comprar.
Os natais dos hospitais e coitadinhos dos pobrezinhos, as reportagens da praxe acerca das vidas geladas na marginalidade de um universo paralelo, desabrigadas em caixas de papelão. As sopinhas que lhes dão, para borrifar um pouco de humanidade na rotina da cidade que os ignora um ano inteiro e agora esbanja o dinheiro numa farsa mercantil.

Não é esse o meu natal, embora baste uma filha para me ver enredado de alguma forma nos brinquedos da moda que a bombardeiam nos seus canais de televisão. O medo de a fazer sentir-se inferiorizada relativamente aos amigos e colegas, vaidosos de pequeninos com o seu karaoke da floribella e outros sinais exteriores da riqueza que um dia irão alardear como os progenitores.
A herança que deixamos da banalização que alimentamos com a nossa incapacidade para impor aquilo que se sabe ser mais bonito mas não encaixa no absurdo em que a nossa vida se tornou.

Um grande galo, e não falo da missa, não conseguirmos ignorar uma tristeza mansa que se instala discreta no meio da confusão na mente anestesiada pela pressão que nos afasta dos mais importantes ideais.

Hipotecamos os nossos natais no crédito ao consumo que os comprou algures, carregamos essa cruz.
Talvez acabemos um dia com a alma pendurada no prego da loja de penhores, mesmo ao lado da efígie empoeirada de um tal de Jesus.
publicado por shark às 11:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 27.11.06

SAUDADE DO VERÃO

final do dia.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 18:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

SENHORA DE MIM

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A mulher perfeita não existe. E ainda bem. A sua inexistência deriva do facto de uma mulher em condições ser aquela que vive bem com as suas imperfeições e as assume com tamanha naturalidade que as transforma em meras chamadas de atenção para tudo o que possui de bom para partilhar com quem a observa no todo que a compõe.
A mulher perfeita seria necessariamente arrogante porque a sua inteligência superior não lhe permitiria ignorar o facto de constituir um ideal, uma criatura suprema, cobiçada ou invejada por gente invariavelmente inferior.
Seria uma pessoa triste também. Pela constatação de lhe ser vedada a luta pela melhoria que move todos quantos possuem algo em si para corrigir, por se sentir limitada à manutenção da sua condição, isolada no cimo do pedestal.
Essa pessoa mulher não poderia ser uma pessoa melhor. E por isso prefere enfrentar os desafios que a sua natureza lhe coloca, com a mesma frontalidade e firmeza que aplica aos que lhe lançam a toda a hora a partir do exterior.
A mulher perfeita é sem dúvida a que aceita na boa as questões de pormenor de somenos importância porque lhes vislumbra a irrelevância, pragmática. Os quilos a mais, as rugas que despontam, o mau feitio manifestado em mais do que um dado período em cada mês. Detalhes que compensa com o resto de si enquanto destrinça com clareza o que importa de facto corrigir.

Ela não reage agressiva à indiscrição elegante de um olhar seduzido pela sua presença carnal, mais visível porque enfatizada pela segurança que alardeia e pela certeza absoluta que irradia quanto ao rigor das suas escolhas. E pela convicção que nela transpira de que não existe qualquer obstáculo letal a um instante mais sensual, reunidos os pressupostos para uma possível concretização da cedência à atracção que reconhece decisiva para o equilíbrio que procura manter.
E gosta de fazer ou que lhe façam o amor inadiável no calor da sua mais intensa tesão. Ou da simples paixão despertada pela frase adequada ou pelo toque subtil de um qualquer pormenor que nunca escapa à sua percepção de fêmea potencialmente disponível para quem a saiba merecer.

Sem estorvos artificiais ou dogmas fundamentais, sem vergonha do seu instinto animal. Recatada na pose mas sem renegar o sentido de humor ou o apelo interior que lhe justifica cada aposta, filtrada com o saber da experiência mais o dom da inteligência que em conjunto lhe franqueiam os actos de liberdade que se reserva.
Sem medos nem falsos pudores, na cama com os seus amores. Eternos ou não, pois a vida é parca em opções sedutoras como em relações duradouras e ela cedo aprendeu tal lição.
Em cada decisão o seu cunho pessoal, o arrependimento normal de quem erra de vez em quando mas prefere arriscar e até podia refugiar a frigidez emocional mal disfarçada em argumentos de merda que a impediriam de ser feliz.

A mulher perfeita, paradoxal, nunca se rejeita sensual com base nos diferentes papéis que a vida lhe acarreta. É amante, é mãe. E excelente profissional também. Exímia em todas as missões, capaz. De conseguir distingui-las na execução, sem nunca admitir a confusão que a possa castrar pois recusa amputar qualquer parte de si, no todo, essencial.
É filha, é amiga, é senhora ou rapariga e não se atrapalha no conflito entre a loucura e a lucidez que a empurram à vez para uma forma de estar. Eufórica ou melancólica, passiva ou activa, dominadora ou confiada ao poder que alguém decide exercer sobre si num arrebatamento consentido pelo reconhecimento de uma força irreprimível ou de um jeito másculo, circunstancial, que se manifestou, desejável se oportuno.

Sem pressupostos ou imposições. Com lugar para a irreverência na análise à consciência daquilo que pode ou deve fazer. Porque sabe o que quer na sua lógica de mulher tão flexível nos conceitos por admitir subordiná-los, sabedora, a diferentes interpretações.
Alimenta ilusões e contos de fada, menina, como assenta em profundas convicções a realidade que desatina mas enfrenta à sua medida, os pés bem firmes no chão.
Resistente inquebrantável à adversidade, combatente implacável pela paridade. Sem espalhafato, serena, a vitória pela evidência que só os estúpidos não conseguem distinguir. Ela sabe prevalecer sobre as falsas questões e as absurdas tradições que se esforçam por a convencer de uma inferioridade artificial.

É uma pessoa normal, alheia contudo aos clichés que dão jeito à maioria para cristalizar uma versão universal do padrão associado à alegada debilidade da cruz que um pipi representa. A fraqueza feita força no poder que não desdenha exercer pelos atributos do género, praticante de um judo misturado com xadrez, o adversário estatelado na baba que ingénuo derramou enquanto ela congeminava o método mais simples de o arrastar para o chão.
Por vezes apenas um sorriso matreiro. Ou talvez um argumento certeiro, de surpresa, para levar a água ao moinho vencedor, no seu imparável caminho para a perfeição rejeitada.

Só a trai o amor, calcanhar de Afrodite, a cegueira instantânea que lhe perturba a concentração e a empurra para fora dos carris de uma linha determinada, para os braços de uma incógnita carmim chamada emoção.

A mulher perfeita apaixonada constitui para mim a mais sublime imperfeição.
publicado por shark às 12:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Domingo, 26.11.06

AIR POST

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Foto: Shark
publicado por shark às 20:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

CONTRACEPÇÃO HOTELEIRA

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Foto: Shark


Habituei-me aos poucos à ideia de as unidades hoteleiras não permitirem animais nas suas instalações. É chato e tal, os bichos fazem barulho, sujam tudo, podem suscitar alergias. Enfim, podem perturbar o sossego de quem busca um hotel para uma noite descansada ou um restaurante para uma refeição em boas condições higiénicas.
Habituei-me apesar do transtorno que isso me causa, pois sempre tive cão e nem sempre tenho disponibilidade financeira ou outras condições para arranjar quem tome conta do bicho para eu poder usufruir também desses privilégios que a hotelaria pode oferecer.

O princípio em causa, aquilo que leva os responsáveis pelos hotéis e restaurantes a recusarem liminarmente a presença de animais nos seus espaços de lazer, é fácil de assimilar. Mesmo um inconformado como eu, que já me vejo empurrado para a rua a contra-gosto sempre que quero fumar um cigarro (outro incómodo que a hotelaria decidiu banir, seguindo o exemplo das transportadoras e aproveitando o trilho que a Lei e os costumes vão criando), aceita os argumentos e age em conformidade.

Claro que só um parvo não percebe que a proibição, qualquer proibição, incute nos mais comodistas uma aversão natural aos alvos dessas limitações.
Cada vez menos gente se predispõe a acolher um animal na sua vida e cada vez mais pessoas preferem dispensar nas suas casas e mesmo nos seus carros a presença de quem fuma, impondo as mesmas regras que a hotelaria populariza.
A malta deixa cair na boa tudo quanto possa constituir um embaraço, um inconveniente, a maçada de qualquer limitação.
Fiquei a saber hoje, na revista de Imprensa de dois canais de televisão, que as unidades hoteleiras começam a impor restrições na admissão de famílias com crianças.
Neste caso concreto nem vale a pena dissecar a argumentação que queiram impingir para justificarem tal medida. Nem mesmo o facto de não ser ilegal essa reserva específica do direito de admissão.

Ninguém me conhece por moderado no discurso ou mesmo no comportamento quando as decisões de outrem me enojam. E é o caso.
Esta nova tendência, que coloca os putos ao nível dos cães, é mais uma machadada num valor fundamental e sagrado. Tão grave, na minha óptica pessimista de quem adivinha o impacto de tal aberração nos casais jovens sem filhos e nos que adoram qualquer pretexto para os confiarem a terceiros, tão grave que assumo sem problema que qualquer hotel ou restaurante que me tente privar da companhia da minha filha terá que chamar a polícia para acabar com o putedo. E garanto que não tenho medo de defender esta causa na pele de arguido num tribunal.

Dão-me saudades do tempo da “velha senhora”, estes liberais da trampa que aceitam o mercado como equilibrador natural destas coisas. Dizem eles que à proibição de uns corresponderá o incentivo de outros e nascerão as unidades hoteleiras vocacionadas para acolherem essas famílias indesejáveis noutros estabelecimentos. E apetece-me mandar à merda esses teóricos que ignoram o valor da Família como o primordial em qualquer sociedade, em qualquer civilização digna desse nome.
As crianças, como os anciãos (talvez os próximos alvos da purga), não podem ser interpretadas como uma inconveniência em circunstância alguma. Não podem servir de pretexto para vedar às pessoas o acesso aos locais da sua preferência, remetendo-as para onde as deixam entrar.

Estas anomalias indignas fazem-me ferver por dentro, pelo efeito que lhes adivinho num país onde a taxa de natalidade já não lhe permite compensar os desequilíbrios da pirâmide etária. Onde muitos jovens encaram a paternidade como um estorvo à progressão na carreira ou mesmo à manutenção de uma relação conjugal sem ondas.

Estas regras do jogo nojento que o dinheiro impõe empurram-me em simultâneo para a esquerda radical que não acredita no bom senso do mercado e exige maior intervenção do Estado na regulação destas coisas e para a direita mais conservadora que coloca valores como a Pátria e a Família no lugar que acredito intocável.
Viram-me do avesso e obrigam-me a soltar o labrego em mim, nos actos como nas palavras.

Representam o que de pior encontro naquilo que os mais cordatos assimilam de forma pacífica como as “consequências naturais do progresso e da evolução”.

Nem os macacos evoluíram de um modo tão repugnante, em muitos domínios.
publicado por shark às 12:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 25.11.06

FERNÃO CAPELO (Urban Mix)

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Fotos: Shark
publicado por shark às 17:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

TERRA PROMETIDA

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Foto: Shark

Promete-me que esquecerás o que fomos e entenderás o que somos, sem tristeza nem dor.
Deixa partir o amor para o seu recato, um canto afastado e discreto daqueles onde se guardam as memórias e se perdem as ilusões.
Vira as costas às recordações e abraça um futuro melhor assim, a vida passada sem mim nos teus dias do presente oferecido pela minha ausência.
A pacata inconsciência de um coma, estendida na cama que nunca partilhámos, faz de conta, finge que nunca aconteceu noutro espaço que não um sonho teu. Deixa cair.

Passa pelos locais que me estão associados de alguma forma e aprende como se contorna o desconforto de uma saudade que deves renegar. Uma tesoura imaginária a recortar na fotografia a silhueta que pertencia a quem precisas esquecer.
Sabes que não podes manter ocupado o lugar deixado vago pela desilusão que não choras, agora que esperas pela renovação do teu sentir.
Sei que te queres apaixonar outra vez e acreditar que se fez justiça quando acabou a paixão postiça que te amarrava a um ideal sem sentido, esse amor condenado que agarraste em vão e fugiu da tua mão como um pássaro selvagem, partiu para uma viagem pelo céu e tu sabias que não era teu o coração acelerado que sentias no peito onde adormecias feliz.

Promete-me que também partirás agora para outra vida lá fora, livre de novo para buscar o desejo a que te habituei. Não escondo que sei o quanto custa recomeçar, disponível para amar, a sementeira da entrega num campo arado que sentes rasgado pelas garras do destino que nos afastou. Feridas que o tempo não cicatrizou de forma instantânea, saradas apenas as que a revolta submeteu à cirurgia, pela urgência de salvar o que podia.
Para sobrar de ti o bastante para viveres convalescente um amanhã qualquer nesse corpo de mulher que enrolo em caracol na escada do pensamento, como um cachecol que me resguarda do frio que a saudade provocou quando sorriu, trocista, enquanto se fingia fadista e trauteava canções de amor só para me entristecer.

Promete-me ainda, nesta aventura que finda, que saberás sempre acolher nas tuas promessas o benefício da dúvida que a minha actuação estúpida permitir.

Promete-me acima de tudo que as deixarás por cumprir.
publicado por shark às 11:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 24.11.06

LUMINOSIDADES

pirilampo.JPG
Foto: Shark
publicado por shark às 20:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

UMA MESQUITA NO CALDO

tradicionais.jpg
Foto: Shark


Sempre me causou alguma admiração a forma disciplinada como os quadros do PCP acatam qualquer decisão que o partido lhes impõe. E não falo de admiração propriamente dita, mas de espanto perante o espírito de sacrifício que tal implica e a capacidade de engolirem sapos como o recente episódio da Câmara de Setúbal tão bem ilustrou.

Esta rebeldia que Luísa Mesquita protagoniza, recusando aceitar o “convite” para abandonar o parlamento em nome da renovação, soa a traição aos princípios que o partido sempre defendeu (sem a sua contestação) e quem nele milita sabe de antemão ter que enfrentar.
Contudo, a reacção da deputada comunista agora caída em desgraça também deixa no ar a ideia de que o PCP nem sempre sabe reconhecer o mérito e a dedicação dos seus leais militantes.
Aos 54 anos de idade e depois de muitos anos de imersão na vida político-partidária, não é de presumir que uma antiga professora do ensino secundário possa retomar o ofício que abandonou sob a presunção de que nunca teria que enfrentar tal decisão por parte do partido a quem, diz ela, nunca negou seja o que for.

É um partido diferente dos outros e ninguém pode alegar o desconhecimento das regras do jogo. Décadas de clandestinidade forçaram a organização a constantes adaptações que acabaram por endurecer os processos internos que, afinal, têm mantido a coesão no interior do mais hermético e inflexível partido do panorama político nacional.
Eu, por exemplo, nunca conseguiria adaptar-me a um esquema assim.
Mas lá está: quem opta por integrar a estrutura sabe do que a casa gasta e só por ingenuidade se pode sentir à margem deste tipo de decisões.

Por isso estranho a atitude da política, tanto quanto entendo a revolta da mulher. Existem tiques de comportamento no PCP que colidem com a percepção que temos de um partido de esquerda, compreensíveis à luz da sua história mas impossíveis de encaixar no que se entende por uma relação saudável dos militantes com o seu partido. Os outros imploram a participação activa dos seus filiados (pelo menos que paguem a quotização, quase sempre simbólica), enquanto o PCP “recruta voluntários” com base naquilo que os comunistas interpretam como uma obrigação, servir a democracia por intermédio de quem, na sua ideia, mais a defende contra as ameaças do costume (aquilo que o povo baptizou de cassette).

Luísa Mesquita, agora numa posição insustentável no partido como na bancada parlamentar, terá dado um tiro no pé com este seu grito do ipiranga.
E com a sua iniciativa, longe de atear um rastilho semelhante ao que abriu caminho para as badaladas cisões de anos atrás, apenas dará razão à corrente mais ortodoxa do PCP e acabará inevitavelmente isolada na sua desdita que, bem vistas as coisas, só a surpreendeu se andou distraída quanto aos mecanismos de funcionamento da estrutura na qual depositou uma confiança digna de uma "passaroca".

E será essa, provavelmente, a única imagem que irá perdurar na sequência da bronca que em má hora terá abraçado neste caldo que entornou.
publicado por shark às 09:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Quinta-feira, 23.11.06

DEJÁ VU

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O torniquete, cada vez mais ávido da dor alheia, aprendeu a dosear o aperto de uma forma que prolongava a agonia e dessa forma lhe rendia mais e mais daquele prazer cruel.
Ganhou vida própria, independente do algoz que acreditava comandar a pressão exercida. A tortura devida sob a falsa batuta de quem a aplicava nos corpos e nas almas que quantas vezes lhes fugiam por entre a brisa de um suspiro final.

Nunca iria a tribunal, inimputável, quando a revolução aconteceu e o depositaram num museu onde o rosto de outros culpados não se perpetuaria, desbotando a imagem cada vez mais difusa pelo tempo que tudo perdoaria.

E o objecto facínora, tão quieto numa prateleira esquecida, completamente só, ruminava a lembrança coberto pelo pó e alimentava a esperança de rever o que viu.

A fé justificada pela memória curta de uma História filha da puta que tantas vezes se repetiu.
publicado por shark às 20:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 22.11.06

TRIBUTO

ponto no espelho.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 23:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

QUINZE MIL EMOÇÕES

São números e valem o que valem. Mas se podem (e devem) discutir-se os critérios que definem a qualidade de um blogue, não há como ignorar os factos que se exprimem na estatística.
Pouco tempo depois de atingir as 150 mil visitas (desde Janeiro de 2006) no contador menos "generoso" e teoricamente mais fiável, este charco viu registado o seu comentário 15 mil em dois anos de existência.

Este número justifica por si só a minha aposta neste trabalho e acresce, na satisfação que isso me provoca, o facto de a autora desse comentário simbólico ser precisamente a comentadeira mais activa do tasco.
A Mar, minha parceira blogueira, assinou na posta abaixo esse "marco" que, naturalmente, agrada a qualquer "escrevinhador" (como ela nos chama).

Queiramos ou não, os números reflectem o interesse que o nosso trabalho suscita e se assim não fosse nenhum blogue teria contadores. E os números deste espaço não são batoteados com scripts, corantes ou conservantes de qualquer espécie. São a realidade do que o Charquinho representa para mais pessoas do que algum dia me atrevi a ambicionar.

E essas, todas elas, e sem que nisso interfiram as simpatias ou animosidades pessoais, são a razão de ser desta treta. São quem justifica o empenho e merece o meu carinho, pela atenção que reservam ao que concebo para lhes oferecer.

A minha gratidão é imensa e tentarei reflecti-la no melhor que conseguir dar de mim para vos justificar o regresso em cada novo dia.
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publicado por shark às 21:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

O BLOGUE DO NIM

Ao que parece, um sujeito de nome Goucha, que apresenta programas na televisão há já vários anos, decidiu hoje fazer serviço público. Levou ao seu programa, penso eu que matinal, um convidado que havia ficado viúvo há cerca de 8 anos, depois da mulher ter morrido na sequência de um aborto clandestino. Depois da entrevista, na qual o homem ficou arrasado, o tal de Goucha não se coibiu de utilizar a miséria humana alheia para fazer campanha pelo SIM. Um verdadeiro nojo, revelador do tipo de campanha que alguns se preparam para fazer. O mais extraordinário, ou talvez não (lembrem-se quem é o actual accionista maioritário!), é que tudo isto se tenha passado a cobro de um canal de televisão, em prime time matinal, sem que tenha havido qualquer contradita.

In “TVI pelo aborto”, por Rui Castro, Blogue do Não.


Escolhi este pedaço de argumentação, mas não faltaria por onde pegar. O blogue do não, um espaço livre de exposição dos pontos de vista dos adeptos da criminalização do aborto, é a face visível da bonomia cristã no folclore costumeiro sempre que a questão se coloca.

Não é preciso dissecar o post para nele encontrar a sensatez e o rigor com que os “defensores da vida” (entre aspas para frisar a ironia implícita em defender a vida por nascer, considerando um nojo denunciar a morte desnecessária de quem a perdeu por culpa da clandestinidade que a legislação impõe) revelam o tipo de campanha que já estão a fazer.
O autor deste desabafo tão self explained esclarece-nos logo na segunda frase a sua condição de telespectador chocado, ao ponto de se interrogar se o programa que (alegadamente) viu de manhã é de facto matinal.
E segue no seu tom cordato e estimulador de um diálogo em clima de paz referindo-se à situação em causa como “miséria humana”. Um “verdadeiro nojo”, como o autor salienta, esta utilização da verdade dos factos que se converte automaticamente (na perspectiva dos que renegam as evidências) num acto de campanha pelo sim.

Faço campanha pelo NIM. Isto porque me assumo no lado oposto da barricada que o dito blogue representa, sem no entanto pactuar com a tradicional e tendenciosa distinção dos que estão contra o aborto e dos que estão “a favor”.
Eu não estou a favor e tenho quase a certeza de que a “miséria humana” que o Manuel Luís Goucha terá identificado no seu programa também não estaria. Ninguém no seu juízo perfeito está a favor do aborto, sobretudo se já passou por tal experiência.
E é essa “subtil” colocação dos “a favor” da coisa por oposição aos que estão “contra” que me impede de assumir o SIM como a minha resposta inequívoca (que votarei) à questão a referendar.

Os canais de televisão, independentemente de quem forem os seus accionistas, são Órgãos de Comunicação Social e possuem por inerência o direito (e o dever) de exibirem os factos mesmo quando estes enojam os que pretendem ignorá-los. Faz parte da crueldade que a liberdade de expressão encerra para quem prefere abafar a realidade no lodaçal do que se sabe que existe mas que se prefere remetido para a masmorra do silêncio pueril.

E acredito que é (também) em nome desse silêncio conveniente que os “defensores da vida” se insurgem contra uma alteração legislativa que evite adicionar a carga de um processo crime aos vários medos que as mulheres se vêem obrigadas a enfrentar nessas circunstâncias. Os medos, as vergonhas e os riscos concretos que o Manuel Luís Goucha terá exposto ao olhar de quem os prefere ignorados.

Se a actual legislação fosse adequada, como defendem os Nãos, o problema estaria resolvido e os canais televisivos não teriam estes exemplos de “miséria humana” para citar. É que é fácil proibir (mantendo ilegal) mas o tempo que entretanto decorreu não nos deu provas de que tenham sido criadas soluções, as verdadeiras contraditas, as alternativas concretas para quem se vê a braços com um problema bem real cuja resolução, em última análise, foi Deus, que inspira a posição da maioria dos “contras”, quem decidiu bem ou mal confiar às suas controversas criações.

Às “boas” e às “más”…
publicado por shark às 12:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

PONTOS DE VISTA

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Foto: Shark
publicado por shark às 09:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Terça-feira, 21.11.06

DA PILA E DE OUTRAS COISAS BANAIS

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O Sérgio chamou-me a atenção para uma realidade que me anda a escapar. E escapa-nos muita coisa no meio do critério subjectivo que nos vale para apreciarmos a mercadoria que expomos a uma freguesia exigente mas generosa (sim, pois qualquer comentador/a desta plataforma é um exemplo de persistência e de pachorra dignos de realçar).

Tenho andado mais denso do que nos primeiros dias do charco. São fases, julgo eu, que um gajo para aguentar a pedalada diária desta cena tem mesmo que variar no estilo e na forma. Senão enjoa, como acontece perante os blogues dos colegas que cristalizam num dado tema ou estilo e não descolam dali.

Dou pela falta dos assuntos aparentemente banais, coisas do dia-a-dia faladas na boa, que ninguém aborda precisamente porque a banalidade retira a um blogue todo o status e afasta-o da rota corriqueira dos aspirantes a intelectuais.
Eu não aspiro, até porque me sobram as lacunas ou escasseia a paciência, e por isso permito-me luxos como escrever acerca do que me passa pela vista e não acerca das ideias de gajos que já estão a fazer tijolo há séculos.
É uma opção tão razoável como realista, vinda de um gajo como eu.

(Nota: a partir daqui começa um lençol "daqueles". Depois não digam que não estão avisados/as...)
Há muito tempo que não falo daqueles temas que podem interessar o cidadão comum. Como os aspectos ligados à nossa pila, esse objecto de culto de que muitos falam mas quase sempre numa óptica cheia de fantasia.
Eu gosto de olhar para a minha pila como olho para o resto de mim. Nas grandezas e nas misérias, como o arquivo do charco vos permite confirmar.
E não é porque ache a minha pila especial, melhor do que as outras. Ou mesmo incomum, apesar da acentuada inclinação esquerdista que lhe confere um estatuto minoritário.

Lembrei-me da pila quando absorvia das palavras do Sérgio aquilo que entendo como uma crítica construtiva daquelas que se levam a sério e se reflectem depois no trabalho a produzir. Claro que a associação de ideias entre a minha pila e o Sérgio não passa de uma coincidência, até porque das várias mazelas na minha reputação blogueira ainda não consta a suspeita de uma tendência latente para a homossexualidade que, de resto, ninguém duvide que assumiria de forma pública (pois só assim a coisa perde o cunho “vergonhoso” que lhe pintam moralistas da treta, machões de garganta e outros burgessos sem talento para pintar seja o que for).

Mas vamos então à minha abordagem de hoje em torno do meu falo. E sei do que falo, pois mantenho com ele uma relação de independência mas adornada com os devidos contornos emocionais que qualquer homem deve manter com essa porção fantástica da nossa anatomia.
Lembrei-me do dito precisamente quando me ocorreu que é óptimo para aligeirar a prosa.
É que não há como adensar um tema ligado ao pénis sem cair no ridículo.

E ocorreu-me também que para a geração anterior à minha, a pila era um tema tabu. Era como se não existissem pilas, pelo menos no discurso dos homens do tempo do meu pai.
Eu nunca vi a pila do meu pai. E embora duvide que essa possibilidade trouxesse algo de novo ou de interessante à minha perspectiva acerca da coisa (do coiso), não posso deixar de ter em conta a forma como para ele a pila era uma vergonha a esconder (e presumo que também a escondia de vez em quando em locais semelhantes aos que recolhem a minha preferência – mas isso é outro assunto tabu, numa família como a nossa em que os machos se pautam pelo recolhimento do silêncio nessas matérias).

Eu não escondo a minha pila à minha filha, embora não a pavoneie pela casa nem faça questão de a evidenciar seja perante quem for. Sempre que por acaso o olhar curioso de criança se fixa no dito cujo, limito-me a desdramatizar perguntando-lhe porque não presta tanta atenção a um dos meus dedos mindinhos ou a outra parte do corpo.
Acredito que a desmistificação do tabu, a redução da pila ao seu devido lugar no conjunto de que um homem se faz, é meio caminho andado para lhe evitar paranóias futuras.

Confesso que apesar de não apontar um dedo acusador ao meu pai por me ter ocultado deliberadamente a visão, as coisas são como são, ou mesmo o diálogo acerca desse detalhe que partilhamos, teria preferido poder conversar com ele quando constatei a tal inclinação fálica de esquerdalha que me distinguia do resto da malta e me assustou como o caraças até ao dia em que o experimentei no “campo de batalha” e a coisa nem correu nada mal.
Porque essas cenas não se partilham com os amigos, certo e sabido que nos tornamos alvo da chacota por causa de uma mera borbulha ou de um simples sinal nessa idade de todas as descobertas.

E por isso optei, quando pela primeira vez a garota entrou pela casa de banho e me apanhou em pleno chichi, por dar a pala de indiferente, de lhe explicar nas calmas que se tratava da questão de pormenor mais óbvia que distinguia as meninas como ela e a mãe de meninos como eu e o meu cão. E em que medida isso explicava o facto de eu fazer chichi de pé (difícil foi contextualizar o alçar da pata que o meu fiel amigo herdou dos seus antepassados das alcateias ancestrais).

Foi a minha escolha. Sou e serei enquanto viver um pai de confiança para a minha menina, tal como me orgulho de ter sido até esta data um amante cuidadoso e, na medida do possível, respeitador. A minha pila não é uma pistola desengatilhada e não há margem para constrangimentos numa relação sem tretas como a tenho habituado a viver comigo e recuso-me a entender o meu estimado “companheiro de luta” como algo de embaraçoso e que urge esconder.
E isto não é paleio de naturista, repito. Não é minha tradição exibir a nudez (fora do âmbito privado que a torna essencial) e admito que nesse particular tenho a alma muito mais desnuda…

O tema desta posta incide, portanto, numa faceta das várias que só quem tem pila pode verdadeiramente entender e com isso distingo claramente o meu blogue como do género masculino. Um blogue de gajo, como é costume rotular.

E eu adoro essa minha condição por uma data de razões, sendo que a primeira é a compatibilidade óbvia entre esse género que a combinação de cromossomas em boa hora ditou e a verdadeira loucura que sempre nutri pelo sexo oposto. Facilita bastante o meu culto dessa adoração que, entre outras coisas, me permitiu aprender a andar quando já toda a gente se preocupava com a minha locomoção tardia (fui atrás de duas vizinhas do lado, a correr, e nunca mais perdi esse apelo interior para as longas caminhadas por um bom motivo).

Agora sou obrigado a encerrar o lençol, até porque já percebi que nesta fase do texto já estou a falar para as paredes e mesmo os leitores mais esforçados saltitaram o olhar entre parágrafos e zarparam para outro linque qualquer.

Mas não quis deixar de corresponder ao alerta que o novel colega brazuca me deixou.
E sei que os mais antigos frequentadores desta casa já sabem do que ela gasta.

De vez em quando, estico-me. E o assunto pareceu-me elástico qb.
publicado por shark às 09:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (31)
Segunda-feira, 20.11.06

CAIS EM TI

querer ficar.jpg
Foto: Shark


A esperança num futuro distante era mais forte do que o desespero presente naquilo que o passado lhe serviu.
Por isso não partiu quando a oportunidade lhe foi concedida. Rejeitou a despedida e abraçou a fé que assomava, discreta, no prenúncio vago de um evento que contrariava o fim que renegou com a sua teimosia militante.

De malas aviadas em redor dos pés bem assentes no cais, acendeu um cigarro enquanto assistia à largada de outros participantes na corrida que abandonou mesmo antes de começar.
A embarcação a zarpar para outro destino e ela insistente na receita que originava a maleita que lhe atormentava o coração, uma estranha opção que o instinto lhe impunha.
Sentenciada pela emoção julgada improcedente na primeira instância da análise racional, recurso interposto pela inteligência emocional que traía as decisões impulsivas das que se arrependia depois.

O barco a partir e a sua existência a prosseguir em terra firme, a lembrança de um nome que não conseguia esquecer.
Gaivotas reunidas no mastro de um arrastão, testemunhas alinhadas da sua indecisão aparente. Afinal apenas cedia num instante alucinado pela ira passageira que nunca implica que se queira embarcar numa alternativa qualquer.
Arremedos de mulher e nada mais.

Sorria no cais por entre uma baforada que se via misturada com o fumo das chaminés de muitos navios que não temiam os desafios e avançavam sem medos, flutuavam por entre os segredos que os oceanos escondiam no fundo da sua alma inconstante que oscilava ao ritmo das marés, barcos alheios à incógnita submersa sob a espuma dos receios provocados pela ondulação.

Sorria pela constatação inevitável da verdade expressa naquela bagagem pousada, outra viagem adiada, impossível.
A quilha na proa que antes rasgava raivosa a superfície do mar cedia à força da âncora que se agarrava na popa, teimosa, à vontade de ficar.
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publicado por shark às 15:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

ON THE ROCKS

cor de alma.jpg


estado de alma.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 09:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Domingo, 19.11.06

ALGODÃO DOCE

nova luz.JPG
Foto: Shark

Um dos aspectos que mais me ajudam a tolerar a temperatura baixa destes meses “do Norte” é a ausência de monotonia no céu.
Aquele azul imenso, calor intenso, dos dias quentes e limpos do Verão dá lugar a um cenário recortado em pedaços de algodão doce para o olhar. Padrões aleatórios de nuvens a ornamentar o fundo em todo o horizonte visual, ao sabor dos caprichos do vento e da influência da luz.

A luz é outra nestes dias brilhantes da estação agasalhada, constipada pelo frio que entra pelas mesmas frinchas das janelas onde meses antes acolhemos com agrado uma brisa que faz toda a diferença quando nos arrefece o suor que a canícula borrifou na pele a ferver.
Gosto da luz do Outono, mais límpida, mais genuína do que aquela que nos ilumina filtrada pelo efeito do calor.

Coisas simples, afinal, as que distinguem os dias uns dos outros e quebram a rotina das sensações primárias que o corpo e a mente processam enquanto sentimos a vida a passar nos dias que recuso iguais aos anteriores e aos que (eventualmente) virão depois.

Gosto da luz do Outono porque me oferece a diferença que preciso reconhecer, em cada dia, no brilho dos olhares que amo ou na forma das sombras desenhadas no chão.
publicado por shark às 16:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 18.11.06

UNITED COLORS

pouco verde.JPG
publicado por shark às 21:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

PALAVRA QUE NÃO SEI

E gostava. De saber como a escrever, enfeitiçada, mágica como um abracadabra, chave de acesso ao portão encantado que nos separa da realidade alternativa onde a felicidade pura é o tesouro. Ao alcance de cada leitor.

Essa palavra, estou certo, é sinónimo de amor.
publicado por shark às 11:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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