Terça-feira, 29.08.06

VOO 93

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Foto:Shark


Vi hoje e fiquei impressionado. É um filme, mas parece um documentário. Sem aquele espírito “top gun” que caracteriza os épicos modernos de Hollywood, a película fala de cobardes e de heróis, de gente normal encurralada pelo destino a bordo de um avião da United Airlines. O único que não atingiu o seu alvo no dia 11 de Setembro de 2001.

O filme fala-nos de factos e de emoções. De desespero, de medo, de coragem e acima de tudo de fé. A fé em nome da qual quatro jovens arrastaram consigo para a morte os restantes passageiros e a tripulação de um avião que desviaram da rota para com ele atingirem o Capitólio.
Seriam, de acordo com os registos sonoros desse dia funesto, os próprios passageiros e as hospedeiras sobreviventes a impedirem o voo 93 de terminar como os que atingiram o World Trade Center e o Pentágono.

O filme tenta reconstituir os eventos de forma factual, quase jornalística. As emoções, bem presentes nos últimos instantes de uma longa-metragem cujo final todos conhecemos, são as que se adivinham em tais circunstâncias. O terror de quem se despede dos seus e de si mesmos, pessoas de todas as idades, pouco antes da tentativa desesperada de retomarem pela força o controlo da aeronave condenada.

E de repente o fim, para todos os ocupantes daquela barca do inferno. A tensão numa sala de cinema onde o silêncio denunciava o nó na garganta de quem (todos os presentes) tem a consciência de que podia acontecer a qualquer um de nós e que seríamos igualmente impotentes para evitar o trágico desfecho que a História registou.
Uma infâmia para uns e uma estranha forma de glória para outros. As mortes, todas elas, inevitavelmente desnecessárias.
E as que continuarão a acontecer na ressaca violenta daquele ponto de viragem para o mundo tal como o conhecemos até esse dia.

O mal à solta e as vidas anónimas ceifadas à bruta em nome de um falso pretexto, pois Deus algum pode encontrar na morte de inocentes (ou de culpados) a solução seja para o que for.
Mas isso já sou eu a opinar. O filme é seco e cru no que respeita a considerandos de natureza ética, religiosa ou moral. Cada um tira as suas conclusões, enquanto no ecrã, a bordo do avião em queda, todos rezam ao Deus que lhes alimenta a fé. O medo em todos por igual, o absurdo.

Dei por bem empregue o meu tempo. E recomendo sem hesitar a quem goste de cinema feito para nos agarrar à cadeira e nos transportar para o drama diante do nosso olhar.

Sabemos antecipadamente o fim deste Voo 93.
E ansiamos que nunca venham a existir pretextos para futuras sequelas.
publicado por shark às 01:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Domingo, 27.08.06

ALENTEJO LITORAL

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Fotos: Shark
publicado por shark às 22:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

GENTE QUE BLOGA - São Rosas

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Foi a primeira pessoa, das que blogam, que conheci na versão analógica. Foi também quem organizou o meu encontro blogger de estreia, magnífico, no decorrer do qual pude confirmar que se trata de alguém fora do comum.
Claro que bastaria uma visita à Funda São (o blogue) para ficar espantado com a desenvoltura com que o sexo é mimado todos os dias naquele espaço onde prevalece o bom humor.
São (mesmo) Rosas as cores com que se fazem acontecer de uma forma original e despudorada (sem falsos pudores) as cenas explícitas ou implícitas de um assunto que, afinal, está sempre na moda e interessa abordar qualquer que seja o tom.
E o daquele blogue, embora demasiado hardcore para a maioria das sensibilidades, pauta-se por um “não sei o quê” que filtra os tradicionais labregos que costumam assentar arrais onde lhes dê o cheiro a gaja fácil.
Mas dá-se ao respeito, esta São que acolhe a poesia com a mesma alegria que nos transmitem as ilustrações em catadupa nos posts como nos comentários ou as anedotas e cartoons que debocham na boa com o lado castiço e brejeiro da sexualidade que todos deveríamos cultivar com frequência.

E tudo isto, com a Gotinha a funcionar como uma parceira perfeita e diversos colegas a colaborarem no blogue individual mais colectivo de que há memória, acontece n’A Funda São.
É um blogue ímpar, impossível de imitar. Arrojado, divertido, “escandaloso”, alterna textos sublimes com paródias “de partir o tarôlo”.

E a mentora, pessoa que me deixou uma inesquecível impressão (rima com…com… confuSão, não é?), tem uma estrica para blogar que bate certo com a que pude observar no dia em que conheci a croma.
Será sempre uma referência para mim nesta comunidade que se faz de gente de todos os tamanhos (a São não desdenha minorcas mas prefere XXL) e feitios.

Vão-lhe ao blogue já, eu sei que ela deixa. Mas não se esqueçam de levar o BI, o boletim de vacinas e uma mente (tem que se começar por algum lado) bem aberta.
Aquilo é mesmo só para maiores de idade, vacinados/as contra o preconceito e apreciadores/as da melhor fruta.

E termino com uma rima. É de morrer a___________.

Se forem lá num instantinho, estou certo de que saberão completar a frase.
A Funda São é o Googléu (um google com as maminhas ao léu) e tem o motor de busca na zona da_______.

Vão lá que encontram de certeza.
publicado por shark às 00:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sábado, 26.08.06

A POSTA PRA VER

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Foto: Shark
publicado por shark às 19:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 25.08.06

OS BRAVOS DO PLUTÃO

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Nem sei bem o nível de autoridade que possuem para despromoverem assim um corpo celeste. Porém, agradou-me o relativo arrojo do grupo de cientistas que acaba de determinar que o longínquo Plutão não se encaixa naquilo que se define como um planeta.
Conhecendo a tradicional renitência da comunidade científica em desdizer-se desdizendo os seus pares, entendo a dificuldade desta opção. Logo numa altura em que a Imprensa ia somando parangonas acerca da descoberta de “mais um planeta no sistema solar” (acho que já ia em doze), implicando a projecção mundial dos respectivos “descobridores” e a sua “imortalização”, vem esta rapaziada dar cabo dos Atlas e das cartas astrológicas com a sua posição sobre a matéria.

De repente, Plutão não passa de um anão. E os outros minorcas que os telescópios descortinaram no meio de um espaço forrado de luzinhas (gosto desta expressão, tão fofa) adquirem agora o estatuto de calhaus de segunda enquanto Neptuno passa a planeta-vassoura das (agora) oito vedetas do nosso sistema solar.
É uma autêntica revolução e adivinha-se o sururu no seio de uma comunidade de carolas cuja inteligência cristaliza muitas vezes na teoria do facto consumado que não os obriga a refazerem os cálculos e os pressupostos.

É destes bravos gestos que se faz o progresso da Ciência em particular e da Humanidade por tabela. Os putos podem abandonar a mnemónica do cão do Mickey para fixarem o nome do nono calhau a contar do Sol e os astrónomos que andavam a acumular planetas mais pequenos do que algumas luas vão tirar o cavalinho da chuva. De ora em diante não lhes bastará toparem uma pedrita em órbita da nossa estrela bronzeadora para se armarem ao pingarelho. É pegar na fita métrica e ver se o pedaço de rocha não passa afinal de um reles meteoro com motor de 50cc.

Nem mais, rapaziada. É acabar com esta balda planetária, “olha ali um!, olha ali outro!”. Ponham os olhos em Júpiter, esse colosso capaz de levar meia dúzia de pedradas de um cometa que reconduziriam esta nossa merdita azul ao saudoso tempo das criaturas unicelulares na boa e é como se nada fosse, mais cratera menos cratera.
Bem vistas as coisas, e por comparação, Mercúrio, essa caganita fervente, só se safa por ser um vizinho próximo da malta senão era logo: cresce e aparece ó berlinde da treta que isto de ser planeta não é para qualquer bolinha.

É assim e tem mesmo que ser. Há que pensar estas coisas e redefinir os critérios para não ser tudo à brava. Se não tem as medidas oficiais, bute com eles para as páginas secundárias dos manuais. A comunidade científica tem mesmo que se manter atenta a estes assuntos prioritários e gastar a massa em objectivos à altura da desmedida ambição humana.

Nem percebo como é possível andarem algumas aventesmas com cérebros tão porreiros a esbanjarem neurónios em cenas como a cura para o cancro, o fim da fome no planeta Terra (sim, nós somos um big rock, planeta de pleno direito) e fontes alternativas de energia e tal.

First things first.

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publicado por shark às 11:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quinta-feira, 24.08.06

CADA UM TEM...

...Os Heróis que merece.


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Ernest Hemingway
(21/07/1899 - 02/07/1961)
publicado por shark às 18:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

SEM SAÍDA

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Foto: Shark


É impossível encontrar uma saída airosa para a maior das emoções.
Quando acaba, se for intenso e genuíno, seja qual for a consciência que tenhamos ou os motivos reais para justificar-lhe um fim, não há fuga possível ao vazio que se instala e nada consegue preencher.
As nossas culpas, as de terceiros, nem mesmo os desígnios divinos colmatam com explicações desnecessárias uma perda que sentimos irreversível, quaisquer que sejam as circunstâncias que a provoquem.

A nossa felicidade fica sempre comprometida perante as dúvidas, as mágoas, os remorsos, os desprezos até. E acima de tudo pela saudade. De quem se amou ou apenas, egoísta, da força e da beleza da emoção que se sentiu e nunca será repetida ou reproduzida na íntegra.
Ninguém resiste incólume à extinção de uma violenta paixão, ao frio interior que resta quando um amor chega ao fim e temos a noção dessa realidade maldita, enfrentamos a desistência de um compromisso que se firmou mas um dia deixou de valer a pena.
Impossível de contornar, tudo isso mais o colapso (sempre) prematuro de algo que desejamos eterno, imortal, utopia.

Por isso, e por quanto possa soar paradoxal ou fatalista, a única garantia de um final verdadeiramente feliz para um grande (grande) amor é a morte de quem o viva.
publicado por shark às 12:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Quarta-feira, 23.08.06

A POSTA NOS CROMOS

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Fotos: Shark
publicado por shark às 21:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA CO-INCINERADA

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Foto: Shark

Como qualquer pessoa que preste alguma atenção a noticiários televisivos, tenho tido acesso a muitas palavras acerca da controversa co-incineração que volta a estar na ribalta nesta altura.
O problema pode (deve) ser abordado de muitas formas, sobretudo se tivermos em conta as populações que terão de viver com o assunto paredes-meias.
Existe a questão ecológica e nem essa parece consensual. Existe a questão político-partidária e explica o vigor de algumas reacções.
Contudo, existe sobretudo a questão agora levantada em Souselas, nomeadamente a legislação camarária que tenta inviabilizar a decisão estatal, e que concentra para já a minha atenção.

Estes braços-de-ferro políticos nunca são isentos de repercussões, pelo que constituem de precedente. De um lado temos uma autarquia empenhada em rejeitar a solução que a envolve directamente num processo com alguns contornos polémicos e até difusos (e todos sabemos que ninguém pode facilitar em matéria de saúde pública). Do outro temos o Estado (ou o Governo, pois o Estado no seu todo também abrange as autarquias visadas nesta situação) a impor a alternativa que considera mais adequada, tanto na forma como na respectiva localização.
Aqui nasce a razão do meu temor. Depois de ser definida pelo Governo a versão definitiva da co-incineração lusitana, uma das autarquias que albergam os pilares do processo emite legislação que inviabiliza na prática a concretização do que o Governo decretou.
Alguém terá que perder esta batalha. E depois?

Depois temos um Estado enfraquecido na sua capacidade decisória, caso os “rebeldes” consigam efectivamente sobrepor os seus interesses locais aos que a decisão governamental enfatiza. Ou temos um Estado gerido por uma maioria absoluta naturalmente mais arrogante e coerciva na abordagem a este tipo de questões, caso o primado do interesse nacional sobre os direitos desta ou daquela localidade consiga vingar de uma forma ou de outra (como acredito acontecerá).
E resta-nos apenas esperar que a coisa não ultrapasse o campo da ginástica legislativa, pois existem exemplos pontuais de como estas teimosias degeneram em conflitos que resultam sempre em prejuízo do cidadão comum.

Custa-me pender para qualquer dos lados intervenientes na disputa, não apenas porque a informação de que disponho é incapaz de garantir (ou de desmentir) a validade da opção em causa mas também porque me preocupam acima de tudo as perdas que podem resultar de um excesso de zelo na aplicação de medidas tão controversas.
Se a decisão estatal for bloqueada pela tal proibição de circularem veículos com cargas perigosas na zona de Souselas (sem acessos, só por helicóptero) teremos a burra nas couves pelo que isso implicará em circunstâncias análogas no futuro. E se, por outro lado, o actual Governo impuser a sua força, por via legislativa ou pior, teremos aberta a porta para a ditadura da maioria e nenhuma localidade deste país ficará a salvo de decisões enérgicas mas eventualmente erradas que as possam lesar.

Por tudo isto, entendi relevar a evolução do assunto no que respeita a este desafio ao que o poder representa. Decisões, mais do que importantes são inadiáveis no que concerne ao tratamento dos detritos que o país produz. E se calhar a co-incineração até constitui uma opção acertada.
Porém, o simples facto de existir uma oposição tão obstinada à concretização prática do que a legislação preconiza faz pressupor que não se trata de uma opção sem reservas ou ameaças potenciais para quem a terá aplicada nas suas traseiras. É mais sério do que possa parecer, este receio manifestado pela população de Souselas e que constitui afinal a única justificação (e o único sustentáculo) plausível para o endurecer das posições dos seus líderes locais.

Ganhe quem ganhar esta disputa, suspeito que no saldo final teremos todos qualquer coisa a perder.
publicado por shark às 12:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Terça-feira, 22.08.06

A POSTA BANCÁRIA

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Fotos: Shark
publicado por shark às 18:06 | linque da posta | sou todo ouvidos

DEIXO-ME ESTAR

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Foto: Shark


Deixa-me percorrer o teu corpo como uma estrada sem fim, calcorreada por mim à procura de nós, apenas guiado pelo som da tua voz. Um destino tatuado no caminho traçado pelos contornos desse horizonte que desenhas no ponto onde se aconchegam os meus olhares embevecidos.
Deixa-me cerrar as pálpebras para estimular outros sentidos, tactear às cegas com o palato a mensagem sonora na tua boca, pontuada pelo ritmo crescente do bater do teu coração. Sinais de fumo na evaporação do suor que tento arrefecer com um sopro de amor, na brisa que os meus lábios libertam quando te ofereço num murmúrio as palavras que não consegues dispensar.

Deixa falar esse corpo que percorro em busca de socorro para o desejo que se apodera de mim como uma aflição. Beijar a tua mão, princesa, quando te exprimo a certeza de que reconheço este percurso como a palma da minha que te aplaude em surdina enquanto passeia à deriva por todos os teus pontos cardeais. Rosa dos ventos, no carinho desses momentos em que te toco de raspão com o fósforo que incendeio, pontas dos dedos, o fogo que ateio nos pelos eriçados, selvagem, que despertam alvoraçados pela passagem subtil desta emoção que te transmite a minha mão quando te sonda devagar.

Essa boca para beijar, oxigénio, salvação. Falta-me a respiração, o ar rareia no cimo desse teu peito a que me agarro com medo de cair para o abismo que a tua ausência produziria, decerto mergulharia para a minha morte emocional.
Finco-me num ponto seguro para lutar por um futuro na terra natal em que te transformas quando regresso ao lar que construíste para nós, mesmo à beira de uma escarpa que desafia o meu olhar quando espreito pelas janelas que a tua paixão abriu.

Foi a vida que me sorriu, tardia, no instante em que oferecia a um viajante desnorteado esse rumo acertado num cruzamento feliz.

O instinto que me diz sei bem para onde vou.

Perder-me em ti para saber onde estou.
publicado por shark às 16:01 | linque da posta | sou todo ouvidos

VACANCES DO ESQUALO 3

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Fotos: Shark
publicado por shark às 11:42 | linque da posta | sou todo ouvidos
Segunda-feira, 21.08.06

A POSTA QUE NÃO SABEMOS DE QUEM ELE ESTÁ A FALAR

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Foto: Shark


De vez em quando gosto de fazer uma incursão pelo tema Blogosfera. Bem sei que pouco interessa a quem não avalia esta realidade sob o prisma de quem a constrói. Mas para quem se integra no grupo dos que fazem acontecer, existem tópicos que nos tocam de forma mais notória.

Isto a propósito de algo que li no espaço do Weblog.pt, nomeadamente numa discreta referência à criação de uma listagem editada do Blogómetro (um medidor de “audiências”). Para resumir, os editores desta listagem decidiram criar duas em paralelo, uma com “tudo ao molho e fé em Deus” e uma outra, a nova, onde sob critério dos editores são eliminados, por exemplo, os blogues de cariz pornográfico.
Mas não é essa a questão que move estas palavras e sim um comentário do Ognid, do Catedral, a propósito dessa inovação de utilidade ainda por comprovar mas reveladora de um novo empenho por parte de quem gere esta plataforma. E reza assim a parte que prendeu a minha atenção:

Não me aquece nem me arrefece nada disso. Se os blogs mais vistos são os porno então devem estar nos lugares que ocupam pelas visitas que têm. Pior, muito pior, é quem utiliza métodos "menos limpos" para aumentar o número de visitas. E há para aí muitos, oh se há. Até dos mais "respeitáveis".

O Ognid, membro conceituado desta comunidade virtual, fala em métodos “menos limpos” para aumentar o número de visitas. Isto soa inconcebível, considerando o que está em causa. Só por vaidade descontrolada ou ganância bem direccionada passaria pela cabeça de alguém aldrabar os contadores. Mais: na parte da ganância, só para embarretar terceiros (eventuais anunciantes/patrocinadores) faria sentido proceder à vigarice em causa.

Mas o bizarro nesta intervenção é, e que o Ognid me perdoe, o discurso à Octávio Machado (vocês sabem bem a quem me estou a referir), trazido para a blogosfera pela voz de um dos seus protagonistas. O meu colega blogueiro lança uma acusação pública, uma “boca”, mas omite factos e nomes. “Muitos”, afirma ele sem os nomear, e “até dos mais respeitáveis” (não sei como se mede essa respeitabilidade, confesso), são vigaristas (penso que será o termo a aplicar, caso se verifiquem os pressupostos que o Ognid levanta com a sua intervenção).

O discurso do futebol, do “sistema”, entra assim na Blogosfera. E isso faz-me confusão. Gosto das coisas claras, com os bois chamados pelos nomes, com a coragem da denúncia levada ao único expoente que lhe confere alguma legitimidade e resultado prático. Assim, lançada ao ar a ver se alguém veste a carapuça, soa apenas como uma acusação leviana e despeitada que levanta suspeitas sobre os tais “muitos” dos quais, naturalmente, este espaço fará parte enquanto não forem identificadas as situações que permitem ao Ognid afirmar com tanta convicção esta certeza perturbadora.

E a perturbação resulta, para lá da tristeza implícita na suspeita em causa, da constatação de que existem de facto suspeitas acerca da verdade dos números expressos nalgum medidor que o Ognid não identifica. E essa falsidade resultará dos tais métodos “menos limpos” que desconheço mas gostaria de aprofundar (para entender até que ponto bate no fundo a consciência de quem bloga e alinha nesses malabarismos), aplicados por “muitos” dos até agora insuspeitos sucessos de popularidade neste jogo para crescidos que parece entrar num domínio muito “profissional”.
Isto, claro, se o Ognid puder provar o que afirma. Com factos, com provas inequívocas de que existe quem falseie os números. Para desmascarar os impostores, os batoteiros, e para todos sabermos o porquê da vulnerabilidade dos contadores em causa e exigirmos a respectiva correcção.
Acho que é assim que se faz e gostaria imenso de ver concretizadas (ou desmentidas) as acusações que o homem do Catedral deixou, como minas, na caixa de comentários do Weblog.

É que a gente gosta de saber o calibre das pessoas com quem lidamos, tal como na vida “lá fora”, e (pelo menos no meu caso concreto) não gostamos de nos ver num rol potencial de “muitos” que fazem não se sabe bem o quê nem para quê mas acima de tudo não se sabe QUEM está a fazê-lo e onde.
E isto não me ocorre por causa da suma importância dos contadores numa fase em que poucos extraem dividendos do seu trabalho publicado, mas porque me incomoda ver lançar suspeitas sobre toda uma comunidade (“muitos” é uma data de gente) sem avançar com algo de palpável para conferir legitimidade e substância à afirmação produzida.

Talvez o Ognid se sinta tentado a esclarecer melhor o teor do que acima reproduzi. Caso contrário, acho que ficamos conversados.
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publicado por shark às 13:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

VACANCES DO ESQUALO 2

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Fotos: Shark
publicado por shark às 00:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 17.08.06

FERNÃO CAPELO

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Fotos: Shark
publicado por shark às 18:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

VACANCES DE ESQUALO

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Fotos: Shark
publicado por shark às 17:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 16.08.06

TONS DE VERÃO 3

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Fotos: Shark
publicado por shark às 23:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 15.08.06

A POSTA NA HISTÓRIA DE UM AMOR SEM FIM

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Foto: Shark

Olha para mim como se eu fosse aquele fim que os teus meios justificam por ser o mais feliz. Faz de nós a tua história mais sentida, o melhor da tua vida naquilo que tenho para te dar.
Um homem a corpo inteiro, amante companheiro, a tua escolha acertada quando o desejo ou a carência se sobrepõem a todas as coisas do mundo que prometo obliterar da consciência de ti. Parado, à espera que regresses comigo de um espaço e de um tempo vividos a dois.

Olha-me depois, com a certeza absoluta de que esta paixão impoluta é feita de tudo aquilo que se quer. Entre um homem e uma mulher, unidos na carne pela alma que fundiram na cama que partilham e na vida onde sem o outro nenhum deles se revê.
Aquilo que se lê nesse teu olhar convicto, no teu amar restrito aos momentos que me incluem. Essa mensagem que me fornece a corrente e me oferece de repente a vontade e a força para te provar o quanto estou próximo de ti. Dentro, se possível.

Conheço-me imprevisível mas aposto na minha persistência, pois a nossa consistência desafia as suas ameaças, olhos nos olhos, os teus e os meus, inabalável no que melhor a confirma. Indestrutível, também pelo teu lado. Quando se sente ameaçado reages com a fúria de leoa, um rugido que ecoa quando me agarras pelos cabelos e te vens sabendo-me teu como afirmas sempre que lutas. Nos momentos em que disputas um lugar que te pertence e nada te convence do contrário, sobretudo quando analisas atenta tudo aquilo que o meu olhar te diz.
E as minhas palavras também.

Mais o corpo que não me deixa mentir, seduzido. Sente-se atraído pelo toque que não estranha, a pele que a minha boca banha com beijos húmidos. Liquefeitos em instantes perfeitos de sintonia, o coração que se arrepia com a sensação indescritível que a nossa intimidade produz.
Não perdes o norte à nossa relação forte porque te guio com a minha mão, não alumio apenas os perigos que deves evitar, estou pronto para os desafiar em tua defesa. A minha firmeza é feita do poder que só o amor a sério confere. E tu és uma mulher que justifica qualquer guerra, no mar ou em terra, no céu para onde me transportas sempre que demonstras o teu empenho na minha presença a teu lado. A toda a hora, afinal, mesmo inibida pelo medo que te possam causar as minhas limitações.

Se algum dia vacilei foi apenas porque me sei incapaz de corresponder à tua altura. Esta paixão que tanto dura padece de um calcanhar de Aquiles, sempre que me perfiles com os príncipes encantados que nunca conseguirei igualar.
Aquilo que sei falar é o que vales para mim e a medida dessa importância assume natural preponderância em tudo o que faço para ti.

Como esta posta que escrevi, contigo na ideia, para nos perpetuar.
Foi escrita na areia mas nem tu, as marés da tua memória, nem o tempo, as ondas da nossa história, conseguirão algum dia apagar.
publicado por shark às 18:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

NÁITE NO LUGAR DE PORTO COVO

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Longe vão os tempos do campismo (muito) selvagem no matagal denso diante da Ilha do Pessegueiro. E das maluqueiras refrescantes na fonte do centro da praça. O Rui Veloso cantou bem demais o encanto de uma terra onde agora se pavoneia a roupa de marca em corpos super bronzeados, numa versão miniatura do Algarve multilingue burguês.

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Permaneceu a fé mas desapareceram os indígenas, com as casas abarbatadas aos poucos por gelatarias, cervejarias e lojas de todo o tamanho e feitio.
O coração de Porto Covo transformou-se numa espécie de outlet com paredes caiadas, debruadas a azul.

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Da magia das noites de Porto Covo, outrora silenciosas e profundas, restam agora pouco mais do que saudosas memórias que uma locomotiva chamada progresso remeteu para o som do esquecimento abafado pelas vozes da multidão que enxameia uma localidade que cresceu depressa demais.


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Ainda assim, o apelo irresístivel de uma mão-cheia de recordações intensas de Verão arrasta-me com frequência para esta terra alentejana litoral.
Devolve-me à lembrança o Alentejo. (...) rumando sem passado nem futuro.

Fotos: Shark
publicado por shark às 02:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Segunda-feira, 14.08.06

TONS DE VERÃO 2

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Fotos: Shark
publicado por shark às 20:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 13.08.06

TONS DE VERÃO

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Fotos: Shark
publicado por shark às 22:49 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 12.08.06

A POSTA QUE SÓ COMES COM OS OLHOS

É uma das mais flagrantes distinções entre um homem e um chavalo. Quando toca a apreciar mulheres, os rapazolas desdenham à partida determinados “alvos de mercado”.
Só valem a pena as mais novas, gandas mamas e gandas cus, o resto são sacos de batatas com pernas que até estragam o horizonte visual destes pequenos aprendizes de labrego incapazes de verem para lá do que as suas vistas (curtas) conseguem alcançar.

Têm a tesão concentrada no olhar e cegam com o imponente mastro que enxergam no meio da testa, entre os cornos que tanto se esforçam por merecer. Não vêem boi e julgam-se verdadeiros entendedores quando falam das medidas certas para um corpo de fêmea que não passa de um corpo e a cena da fêmea é só para disfarçar.
Não é de mulheres que gostam, mas de ícones estereotipados que até podem ser tão másculos na mona como na… postura.
Eram capazes de enfiar a pila (e a língua, oxalá) na fechadura de uma porta, depois de a fita métrica (ou a balança) lhes confirmar a excelência do orifício numa óptica tridimensional.

Porque para estes atesoados visuais, uma porta não passa de um adorno utilitário e nunca lhes passaria pelas tolas embebidas em pus de borbulha olharem para a porta e observarem com atenção o que ela pode esconder por detrás. Porque o valor de uma porta reside precisamente naquilo a que a ela nos dá acesso, entrada ou saída, na riqueza do que encontramos depois de atinarmos com a chave certa.
Estes fedelhos sem vergonha partilharão (há sempre raparigas parvas ou distraídas) a vida com uma pessoa que envelhecerá, eventualmente engordará (talvez na sequência da violência que o seu corpo sofre para darem filhos a estes coirões) e é fácil adivinhar o respeito e a consideração que estes futuros velhos babosos lhes concederão.
Porque são mais estúpidos e insensíveis do que as portas que acima citei.

Uma mulher bonita e com contornos perfeitos pode ser tão interessante (na cama ou fora) como um artigo de jornal escrito por uma besta a granel. Um bocejo embrulhado numa casca reluzente, como um Ferrari com o motor de um Citroen dois cavalos.
Uma mulher madura, experiente, determinada, sem merdas, pode ser a protagonista da mais espectacular cambalhota ou do diálogo mais apelativo que um gajo experimenta na vida e em nada a sua idade, peso ou outras marcas da passagem do tempo ou de uma combinação genética aziaga contam seja o que for nessa dimensão da realidade que os meninos de escola nunca saberão entender. Na cama ou fora, uma mulher a sério mede-se pelo que dela transpira em sensualidade, em inteligência, num rol interminável de iguarias que estes pseudo-devoradores de comida enlatada não alcançam nem à chapada nos beiços sem tino.

Isto a propósito de um post que li no Controversa Maresia, onde tomei conhecimento de uma alarvidade por escrito praticada com o beneplácito dessa instituição da Imprensa nacional que parece empenhada em acolher toda a trampa que possa encher chouriço e sacos de plástico com papel. O Expresso transforma-se aos poucos numa Maria (vai cas outras) boçal e onde há espaço de sobra para estes Maneis com tanta aversão ao tecido adiposo exterior ao seu obtuso córtex cerebral.

E a malta paga para ler estes gemidos provocados pelos ténues movimentos peristálticos no interior da reduzida massa encefálica que depois os converte em gases feitos palavras que afinal também libertam odores.
Tresandam a disfunção eréctil, ejaculação precoce, masturbação intelectual e outros recalcamentos que a medicina já consegue atenuar e as remunerações auferidas por estes calhaus podem custear na boa.

Mas talvez umas palmadas bem assentes nos cuzinhos bebés pelas suas mãezinhas com corpos danone resolvessem o problema.
publicado por shark às 20:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)

SEGUROS DE NÓS

Eu gosto da publicidade sincera. Como aquele anúncio de uma seguradora, por exemplo, em que se chama a atenção do consumidor enfiando-lhe uma flecha no cu, olha que barato meu parvalhão, mesmo sabendo que se calhar quando houver bronca leva uma flechada no coração…
Pelo menos assim ninguém pode dizer que não conhecia as armas com que se atingem os tolos. As mesmas que convertem os clientes em imbecis, figuras patéticas, potenciais compradores de uma merda qualquer que sendo (parecendo) uma pechincha só pode tratar-se de embuste ou de produto barato para gente palerminha e sem capacidade de decisão ou vontade própria.

Gosto acima de tudo quando as corporações desenfreadas se pegam umas com as outras e desatam a descobrir carecas. Os outros vendem a xis e a gente faz a coisa pela metade. Os outros têm aquilo a menos e a gente tem isto a mais. Os outros enganam o público e nós nem aderimos a esses esquemas. E por aí fora, connosco, os patos, a aprender nesses momentos como somos endrominados pela compra por impulso ou por preguiça. Uma flecha enterrada no traseiro, em cada prateleira ou catálogo onde deitamos a mão à pior opção só para não esbanjarmos o tempo nas necessárias análises e comparações.

Enfiamos os barretes mesmo quando se torna evidente que bastaria percorrer mais uns metros, mais umas páginas, mais não sei o quê que nos pouparia um prejuízo ou, no mínimo, uma enorme desilusão.
E o mesmo se passa relativamente às nossas escolhas em matéria de pessoas. Tanta opção ao alcance e tanta gente a embicar para as escolhas menos acertadas, impossíveis até. Apenas porque sim.

A flecha do Cupido, directa mas insegura, que nos tolda a perspectiva e nos arrasta para alvos que não podemos atingir. Os alvos somos nós, da nossa distracção que impede a visão clara e objectiva do que se passa à nossa volta e nos empurra como carne tola para o canhão dos desgostos evitáveis.
Claro que os há fiéis à marca, publicidade outra vez, encostam-se ao tronco mais próximo e deixam-se dormitar nas emoções falhadas à sombra da luz que tudo revela se não tentarmos encobri-la com uma peneira qualquer. Ou os que se sentem bem servidos e não pretendem experimentar incógnitas para (re)confirmar as suas decisões ganhadoras.
Na verdade existem sinais inequívocos que bastam para nos reencaminhar a chamada para outro número qualquer, disponível, onde se possa encontrar uma alternativa cabal do outro lado da linha em vez do sinal de ocupado que constitui sempre uma frustração.

A publicidade faz de nós o quer, como uma posta mal interpretada, e pode mandar-nos serradura para os olhos.
Mas não podemos ignorar as contra-indicações bem claras nas letrinhas pequenas da embalagem que nos (a)trai.
publicado por shark às 17:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 11.08.06

DEPOIS DISTO:

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(Obrigado, Gotinha!)

NUNCA MAIS BEBO SAGRES.
publicado por shark às 18:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA PRA VER

comporta te bem.jpg


telhado molaflex.jpg


big sister is watching you.jpg

Fotos: Shark
publicado por shark às 16:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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