Sexta-feira, 30.06.06

GENTE QUE BLOGA - EMIÉLE

Como vos referi tempos atrás, a ausência de linques no espaço lateral do charco corresponde apenas à minha incapacidade para lidar sem problemas com os bastidores desta coisa.
No entanto, sinto vontade de partilhar convosco os espaços e as pessoas que, por este motivo ou aquele, mais prendem a minha atenção ao longo do tempo que dedico a blogar em casa alheia.
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A Emiéle é sem sombra de dúvidas uma blogueira exemplar. Constituía para mim a alma do Afixe de saudosa memória, como várias vezes afirmei a quem quis ouvir. Todos os dias as postas aterravam em catadupas, notícias frescas, episódios curiosos e pequenas fugas inadvertidas da emoção que ela deixa correr pelas veias que funcionam como sistema de canalização para o combustível de foguetão que lhe alimenta a pedalada.
Incansável, prosseguiu no mesmo ritmo quando a carreira a solo nos proporcionou o Pópulo que, diga-se de passagem, é uma referência do Weblog à semelhança da respectiva autora.

É incontornável, a alusão à energia que a Emiéle liberta na sua forma de blogar. Contagia, pelo exemplo, pela clarividência, pelo tom cordato com que “ataca” os problemas (mesmo quando a indignação se escapa para o teclado e topamos todos que a mostarda lhe subiu ao nariz). E impressiona pela abrangência também.
A Emiéle fala do que for preciso, pois nenhum tema parece intimidá-la e encontra sempre um ângulo para tratar a “notícia”, o pedaço de informação acerca do qual lhe dá na bolha partilhar a sua perspectiva única com quantos a visitam.

É inimitável e por isso se destaca com naturalidade nesta multidão que formamos. É empenhada, interessada, leva a sério aquilo que faz. Quase como uma missão.
E é sensata, coisa rara neste mundo virtual. Escreve simples, directo, sem flores. A sua verdade dos factos mais a opinião implícita de uma mulher que parece absorver a vida em seu redor e se recusa guardá-la só para si.

O Pópulo é uma manifestação de pujança, de vigor, um espaço onde tudo acontece à velocidade de um meteoro que a vista mal consegue acompanhar.
A Emiéle é uma blogueira sem rival no seu género.

Por isso foi o primeiro nome que me ocorreu quando ponderei quem deveria estrear esta nova secção que passará a acontecer no charco, por norma, todas as sextas-feiras.
Ide lá ver porquê.
publicado por shark às 11:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)
Quinta-feira, 29.06.06

AINDA A PROPÓSITO DE CANDEEIROS...

...E só para concluir o tema.

Se isto:

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São tubarões martelo.
E isto:

pila de tubarao martelo.JPG


É um objecto fálico, como é que eu, o Shark, posso evitar a imediata e terrível associação de ideias?
publicado por shark às 15:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

FALO DE LUZ

Descobri há pouco, na caixa de comentários da posta abaixo, que sou um apreciador de objectos fálicos. É por estas e por outras que vale a pena termos um blogue, para aprendermos a conhecer os lados obscuros da nossa personalidade complexa.
Às vezes, mergulhados nas nossas certezas e convicções, alheamo-nos do nosso verdadeiro eu e apontamos na direcção errada.
A avaliar por esta surpreendente revelação que uma letra associada a alguém que se preocupa comigo e tenta acompanhar-me nesta travessia pelo deserto das minhas limitações e tendências reprimidas me ofereceu, não tardarei a pegar de marcha-atrás.

Confesso que fiquei abismado. Perturbado até, receoso de me descobrir de olhos fixos num pepino, num gargalo de garrafa ou mesmo num martelo pilão. É que um gajo passa a adolescência toda mais uma parte substancial da vida adulta a consolidar os seus gostos e apetências e de repente, pimba! O machão das dúzias (eu) gosta de falos em forma de candeeiro.
O que seleccionei para vos exibir o lado gay do meu carácter está apagado, como o Farpas muito bem destacou nessa caixinha do meu embaraço. Não sei se fica menos fálico assim, mas só os entendidos na matéria (fálica) poderão ajudar-me a interpretar se o meu candeeiro apagado corresponde, na minha mente em negação, a um pénis pouco brilhante ou a uma erecção mal iluminada.

Contudo, custa-me gastar o meu tempo nesses assuntos. E isto porque, lamentavelmente, o meu candeeiro pessoal só prova estar ligado à corrente na presença de pessoas que nunca precisam de mudar a lâmpada.
Ele há coisas sem explicação, nesta realidade confusa que são os nossos desejos e as nossas tendências sexuais. Valem-nos os de fora, atentos, imparciais. Mordem logo os tiques de expressão que denunciam a verdadeira essência do que nos faz.

Resta-me agora assumir-me perante vós, nada tenho a esconder nessas matérias. Sou um livro aberto e, graças a um comentador anónimo, descobri que gosto que me leiam com a luz acesa.

Passo então a exibir alguns pertences do meu jardim secreto fotográfico que julgo confirmarão a suspeita que sobre mim passou a pender. Mas sem problema algum, pois sempre defendi é que a malta goste e faça. Com as grutas de Altamira ou um candeeiro de mesa de cabeceira na mona, tanto faz.

Não tou aqui pra enganar ninguém.


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parece um candeeiro mas de pila se trata.jpg

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Fotos: Shark
publicado por shark às 12:08 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

GOSTO DE CANDEEIROS

Assim:

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Foto: Shark
publicado por shark às 00:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 28.06.06

PURE CHESS 3

Long Live The King! (Martin Luther, mais concretamente)

A torre preta regressou ao tabuleiro com base no argumento de que a sua captura constituira um acto indigno de pura descriminação racial.
publicado por shark às 17:59 | linque da posta | sou todo ouvidos

PURE CHESS 2

Reputação Manchada

Todos no reino ficaram perturbados quando se soube que Sua Eminência acabava de comer mais um pequeno peão.
publicado por shark às 17:43 | linque da posta | sou todo ouvidos

PURE CHESS

Orgulho Machão

O que mais custou a Sua Majestade foi ver-se encurralado não pelo cavaleiro mas pela esposa do monarca inimigo.
publicado por shark às 17:36 | linque da posta | sou todo ouvidos

DÚVIDA METÓDICA

Não existo.
publicado por shark às 12:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

DÚVIDA BLOGUEIRA

Ainda não percebi se a malta fala muito de sexo quando tem fartura ou quando lhe sente mais a falta…
publicado por shark às 12:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA NA PONTE (Vasco da Gama)

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Fotos: Shark
publicado por shark às 11:12 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 27.06.06

FAZ-TE BEM, AFASTARES-TE DE MIM

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Disse-lhe ele em tom paternalista, descontraído, mais uma vez. E ela esboçou o sorriso amarelo possível a quem não pode protestar sem ao mesmo tempo experimentar uma estranha forma de humilhação. Mas engoliu a pasta viscosa de indignação com tristeza mais a revolta batida em castelo, tão clara como a certeza que ele acabava de lhe (re)transmitir.
Sem réstia de fé, ela prosseguiu com a explicação do afastamento temporário como consequência de inúmeras partidas que a falta de empenho dele lhe pregava. Magoada pelo desmazelo, gritava-lhe em voz baixa, inaudível, que lhe pedisse para ficar perto, que lhe pedisse desculpa, humilde, por aquilo que ele desvalorizava, por sistema, como simples lapsos ou distracções que deixava cair a toda hora em cima dos dedos dos pés imaginários de um amor já sem pernas para andar.

E ele insistia, deixa-te disso e bute curtir. Numa boa, assim o queria, brincamos ao faz de conta e a coisa resulta na mesma. Mas não era assim que ela pretendia. Pedia-lhe respeito e cortesia e ele refugiava-se na sua falta de pachorra para as formas mais sérias de fazer as coisas.
Aligeira, dizia ele, que tudo correrá melhor.

E ela abria o jogo, lutava. Por aquilo que acreditava ser indispensável para justificar uma relação digna de tal nome. Mas perdia. Vezes sem conta, goleada, pontapés na boca virtuais. Até a esperança lhe chamar maluca e abandonar o ringue de forma voluntária.

Aconteceria quando ele menos esperava, sem hora marcada, sem qualquer agitação. Apenas a constatação da influência que ele exercia, levada à letra, mas nos termos que ela decidisse impor. O fim absoluto das ilusões romanescas, a ligação descomprometida e livre dos condicionalismos que tanto o atormentavam, liberal, quando ela os defendia. A faca de dois gumes para a arrogância masculina, expressa na resposta que ela escondeu por detrás de um sorriso ligeiro, no meio de um pensamento que pela primeira vez a invadiu, quando finalmente caiu em si.

(Não perdes pela demora…)

E não perdi. Pouco tempo depois, há cerca de vinte anos, descobri a minha pequena costela conservadora.
publicado por shark às 21:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

MESMO COM AS LETRAS TODAS

aeiou.bmp

Ainda há dias voltei a zurzir na pele da malta do AEIOU, no que já se encaminhava para assumir contornos de tradição. É que eu sou um bocado rude na forma como manifesto a indignação, da mesma forma como tento ser gentil quando as coisas me agradam.

Agradou-me a reacção da Cátia Pitrez à minha posta (que ela, polida, apelidou de sugestão), reacção essa que me chegou na forma de email. Exactamente como aconteceria nos tempos a que queremos regressar. Ou ainda melhores, pelos meios superiores de que o AEIOU dispõe para tomar conta desta realidade construída e mantida a meias.

Pois é, pela voz (pelo teclado) da Cátia, o AEIOU comprometeu-se a resolver o problema que aqui expus. E o que tem isso de especial?
Nada, se quisermos ver as coisas de forma desapaixonada.
Mas eu não sei ver as coisas dessa forma e por isso digo que a especialidade consiste em três aspectos que prenderam a minha atenção:

1 – Ao meu tom jocoso a roçar o hostil, correspondeu uma mensagem formal mas sem frieza;

2 – A malta do AEIOU lê os nossos blogues. Eu não encaminhei a minha crítica para eles e, todavia, obtive uma resposta;

3 – À questão que levantei correspondeu um compromisso de resolução do problema.

Do conjunto destes factores depreendo uma nova política nas relações da empresa connosco e isso faz-me saborear por antecipação um regresso aos tais dias melhores que defendo.
É que eu não acredito em instituições sem rosto, sem alma, sem comunicação. E a Cátia, assumindo o papel que a empresa lhe atribuiu, acaba de conferir tudo isso à realidade sem contornos definidos que para nós se afigura o AEIOU SA e este barco que mantemos à tona. Pelo menos neste episódio obtive aquilo que reclamava e a partir de agora terei o cuidado de lhes comunicar previamente por email, sempre para pugnar por um Weblog à altura, aquele que a nossa vontade exige melhor do que qualquer outra plataforma.

Fica expresso o meu reconhecimento pela nova atitude que a Cátia personificou.
Eu gostei.
publicado por shark às 19:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

EM SENTIDO FIGURADO

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Concentrou o olhar na pequena caixa em cima da mesa. Deixou-se estar, dentro de si, sentado numa cadeira imaginada a contemplar o receptáculo de algo que desconhecia mas que presumia tratar-se de uma parte significativa daquilo que o compunha.
Algo de que sentia a falta, mesmo sem saber do que se tratava, encerrado naquela caixa pousada numa mesa desenhada pela imaginação dentro de um crânio com arame farpado e um guarda armado para evitar as intrusões. Para sua protecção, incapaz de permitir que algum curioso emboscado pudesse observar em simultâneo o que pressentia como uma revelação.

Tentava controlar as emoções e só aí lhes dava pela falta, a sua reprodução mental sentada num espaço imaginário com fundo cinzento como um horizonte de temporal. A ausência mais notada e a caixa apontada como principal suspeita de conter algo que lhe pertencia, de forma ilegítima. Imoral.

Olhou a caixa com um ar circunspecto, agente secreto, detective particular. Lá dentro a resposta, certamente. E ele antecipava o gosto da vitória pelo desvendar do mistério, mesmo ao alcance da sua mão sonhada naquela figura sentada sem nexo no meio de um ambiente sombrio.
Fantasmas em seu redor, ameaças. Comiam como traças os retalhos de tecido do seu uniforme de soldado desertor. Fugira do amor, em plena batalha, incapaz de pactuar com a disciplina militar que lhe impunham os sargentos instrutores.

Esburacado, como se sentia. E seguramente preferia sentir-se embaraçado perante uma plateia, semi-nu, do que enfrentar o julgamento que se impunha, carrasco e juiz, daquilo que sentia como mais uma pequena facada na carne retalhada da sua esperança em agonia final.
E a caixa, se calhar, continha a sentença que apreciava de fora com os olhos que a sua cabeça inventava para lhe proporcionar o triste espectáculo das suas introspecções num ecrã panorâmico com imagens em três dimensões.

Esticou a mão para a abrir, culpado da loucura que lhe agravava a pena com a vontade irreprimível de se auto-flagelar. Suportava as culpas alheias mais as vinganças merecidas pelas suas reacções. Na caixa as punições que o aguardavam e ele de mão esticada para soltar os demónios dentro de si, outra vez.

Afinal quando a abriu contemplou o vazio.
E cruzou os braços, fatigado, o que em sentido figurado simbolizava as lágrimas que se sentia incapaz de verter.
publicado por shark às 10:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 26.06.06

PALAVRAS É NAS DE BAIXO

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a melhor sangria de portugal.JPG


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(É que eu hoje nem jantei. Ah, e normalmente dispenso a sobremesa...)

Fotos: Shark (ouviste, "carla"?)
publicado por shark às 23:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA PARA MIM

Aviso: esta posta é extensa, o tema não interessa a ninguém senão a mim próprio (apenas o meu umbigo é tido em consideração) e a caixa está fechada porque não busco críticas, palpites, opiniões ou palmadinhas nas costas.
Ou seja, quem se predispuser a ler esta conversa com os meus botões não pode depois vir queixar-se que sou chato, esquizofrénico, paranóico, imbecil, sem gosto para pijamas ou outra merda dessas.
Esta treta é um blogue individual, intimista, aquilo que quiserem chamar-lhe. Mas é meu e ponho cá o que me der na bolha. Só lê quem estiver praí virado ou padecer de insónias.

Para evitar o transtorno basta não clicarem onde diz continue a ler a posta para mim.


É fácil, não é?
Nada do que eu diga, escreva ou faça de errado é susceptível de suscitar a compreensão, o perdão ou o simples benefício da dúvida seja da parte de quem for. E muitas vezes no que faço acertado também.
Sou um gajo fácil de diabolizar, por uma data de motivos que quem me detesta não deixará de enumerar mentalmente perante esta posta.

Contudo, o mesmo não se passa de mim para com muitas outras pessoas. Gosto de acreditar, esforço-me por entender as razões que assistem aos outros e, salvo raras excepções, consegui sempre encontrar uma forma de dar a volta às traições e às desconsiderações que, como qualquer pessoa, já causei como já sofri.
Fiz alguns amigos assim e até recuperei dois ou três amores (anos atrás).

Mas comigo não. Faço merda, levo nas trombas e fico logo até à morte com a canga do vilão. Isso não me faz perder o sono, até porque em última análise quem me deixa cair de forma tão simples afinal nunca se ralou pevas comigo ou com as minhas razões ou momentos menos maus.
Ou seja, podem tirar o cavalinho da chuva se vos dava mais jeito interpretar isto no sentido calimero da coisa. Cada vez mais aceito que mais vale só do que mal acompanhado e não é a primeira vez que assumo essa opção, embora me doa como a qualquer outro ser humano e, por inerência, animal social.

É que um gajo farta-se de ver o seu feitio apontado a dedo à mínima falha, as suas acções colocadas em causa por hipotéticas segundas intenções ou porras do género e, acima de tudo, as suas palavras distorcidas sob qualquer pretexto como se fosse impossível alguma vez ter razão no que sinto ou penso.
Às vezes é quase como se eu não tivesse o direito de existir para algumas pessoas, como se tudo em mim fosse desenhado para agredir a Humanidade inteira e nada de meu possa ser considerado algo de bom.

Passo de bestial a besta a toda a hora e Deus me livre de aplicar essa filosofia a qualquer outra pessoa. Heresia. O cabrão tem a mania e merece desprezo, desconfiança, punição. O cabrão sou eu, nesta história. E se não concedo a ninguém oportunidade de comentar esta reflexão não é porque tema as larachas jocosas seja de quem for (e já estou farto de o provar a quem duvida), mas apenas porque com toda a sinceridade estou-me nas tintas para a opinião de terceiros relativamente a este particular.

Ainda assim, e embora reconheça as inúmeras máculas na minha estrutura, nomeadamente a minha permeabilidade a algumas emoções que me perturbam e desnorteiam, recuso o estatuto sistemático de mau da fita que me oferecem na maioria dos guiões, como se todos os figurantes da película fossem os anjos e eu o inevitável pecador.

De vez em quando preciso de uma comédia. E estou certo de que esta posta será um excelente pretexto para muitos de vós soltarem, no mínimo, um sorriso que faz tão bem às pessoas, mesmo que mal intencionado ou movido pelo escárnio fácil de quem se empertiga perante as fragilidades alheias. É mais um trunfo que vos dou, certo que estou de mim e da minha inquebrantável capacidade de resistência a essas merdas. E até depende da minha disposição do momento, a forma como reajo. Na boa ou à bruta, nos extremos de mim.

Porque tal como os outros, possuo coisas boas e coisas más. Mas medo não tenho.
E não admito ser julgado a toda a hora sob falsas premissas ou punido como uma criança por cada uma das minhas falhas, com as contrapartidas que dou a serem sempre encaradas de forma ligeira como uma mera obrigação.
Como um detalhe menor.

Quem não gostar do embrulho tem a porta sempre escancarada. Só fazem falta os que cá estão (na blogosfera e fora dela) na condição de pessoas como eu, inconstantes, imprevisíveis, alternando a perfeição com a inevitabilidade da sua frágil condição humana que a atrapalha ou impossibilita.
Valho o que valho e nunca prometi um milagre de criatura. Mas repito que não admito a canga do vilão, sobretudo a quem não possua razões de queixa e queira apenas embirrar ou a quem tenha ou possa ter tido acesso ao contrabalanço das minhas macacoas.

E agora não me venham chatear a porta com o tamanho do lençol ou o seu cariz umbiguista ou a porra.

Ver acima, se tiver falhas de memória.
publicado por shark às 22:32 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NA ECONOMIA DE PACOTILHA

Aqui há dias, num daqueles programas com mais de duas horas que passam nas televisões que não transmitem jogos do mundial, mas que nem por isso perdem de vista a mama dos patrocinadores milionários da competição, ouvi um daqueles “ilustres” comentadores do costume (um economista do qual nem me ocorre o nome) afirmar a um jornalista, em tom jocoso, que “nem que Portugal fosse campeão do mundo isso traria algo de novo para a economia nacional”.
E o jornalista, claro, toca a vestir a pele e a alinhar na opinião incontestada mas nunca inquestionável do “seu” guru de serviço.

Nunca me deu para estudar economia, mas já percebi pelos resultados que há algo de errado nos modelos que estes esforçados cidadãos elaboram. A minha conta bancária é um exemplo flagrante desta premissa…
Ainda assim, ao longo dos anos universitários e mesmo depois, fui aprendendo com o que li e com o que vi a extrair algumas conclusões que não encaixam de todo em algumas destas “doutrinas” que os supra sumos da batata frita económica nos impingem.

Vou pegar pelo exemplo que refiro.

Portugal, e isso é mais do que evidente, não consegue promover a sua imagem no exterior o bastante para conseguir sequer acabar com a ideia generalizada de que somos uma província de Espanha (o que é falso, excepto na província alentejana de Olivença).
E mesmo os economistas que não percebem de bola puderam observar o impacto do Europeu 2004 no nosso país e nos dos outros.
Assim sendo, quando o tal economista afirma que “quando muito, o futebol gera consumo. Mas investimento não”, eu pergunto-me em que domínio ele enquadra os proventos do turismo (se o nome do país é mais divulgado, há mais hipóteses de ser uma alternativa turística, ou não?).

E a construção de estádios e das respectivas ligações, não tem impacto nos índices relativos à actividade da Construção Civil (esse “consumo” exorbitante de cimento)?

E a confiança de potenciais investidores externos num pequeno país de que antes nunca ouviram falar e que, nessa feliz hipótese, passaria a estar nas bocas da esmagadora maioria da população mundial por ter obtido um feito que, queira-se ou não, é entendido como muito mais representativo da capacidade de um povo do que, por exemplo, um Prémio Nobel da Literatura?

O que é que me escapa no raciocínio daquele fulano a quem dão tamanho crédito que até influencia a perspectiva dos jornalistas? Um país ser campeão mundial não influencia em nada o rumo da sua economia, nem mesmo a produtividade e os índices de confiança da respectiva população?

Mas em que raio de escolas obtêm estes tipos as suas licenciaturas?
publicado por shark às 17:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

REFÉM

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Me assumo.
Do amor que me aprisionou.
publicado por shark às 11:08 | linque da posta | sou todo ouvidos

A POSTA NA TABELA FANTASMA

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O top de comentários do Weblog transformou-se numa página de necrologia e oferece-nos a oportunidade de render as homenagens póstumas a diversos blogues que esta tabela de velórios (e o Charco está lá, porra…) rende, constituindo alguns deles verdadeiros case studies do que a confusão instalada pelo spam e as caixas abertas em blogues parados podem realçar.

Uma análise breve à lista dos 25 blogues mais comentados da semana nesta plataforma sui generis permite-nos descobrir candidatos ao Guiness como o Semiramis (mais de dois mil comentários na posta “fatídica”, acumulados desde Fevereiro) ou o Gato de Uma Orelha Só (perto das quinhentas entradas, quase quinhentas spamadas, ali expostas desde o dia em que o blogue conheceu a extrema unção por parte do respectivo criador, meses atrás).

E já vão dois. Mas há mais extintos nesta lista de “mais participados”.
O Dias de Blogue há quase 365 deles que não bloga. O Com Pinga de Sangue está sem pinga de coisa alguma desde o ano novo e só com uma transfusão do Top do Weblog se mantém na "ribalta". O Enigmódromo está como o nome indica, misterioso, vivinho da silva e cheio de comentários (mas ninguém se acusa). O Short Stories também não percebi muito bem, pois passou a Bunkerproject (um photojournal do Tiago) e não sei se é um blogue sequer (mas se é, é dos mais participados. Claro.).

E quem soma dois a quatro obtém meia dúzia.
No Papel de Parede anunciam que “ainda cá estamos”. Mas desde Maio que estão mas não piam e os fiéis comentadores parecem nem dar conta…
O Microcosmos não dá sinal de vida desde Novembro do ano passado. Mas os de cima comprovam que não é necessário blogar para obter excelentes lugares nos melhores rankings e este não é excepção. Quem não aprecia um grupo de comentadores tão persistente?
Ainda há o Planeta Diário (que tudo indica ter passado a trimestral). Meses após a última edição, tem leitores e dos que comentam! A Imprensa escrita devia pôr os olhos neste exemplo de longevidade e de fidelização da clientela.

E vão nove. Em vinte e cinco. Sobram dezasseis, o que é razoável.
O problema é que encontro lá blogues como o Delírios (cujo visual não parece vocacionado para atrair multidões) e o Rei Vai Nu (também pouco comentado, como se pode perceber pelas últimas entradas – e isto não é desprimor para ninguém, no charco não reina a confusão nas caixas… - o que faz estranhar a sua presença nesta tabela, convenhamos).

Sobram catorze. Pouco mais de metade. Activos e efectivamente comentados. E o que quer isto dizer? Quer dizer que a malta do Weblog não está atenta e que irá descredibilizar os indicadores que nos faculta naquilo que inclui num espaço chamado “Serviços”. Serviços pagos, recordo eu, que justificam medidas mais empenhadas para os manter operacionais.
E não tentem colar-me a pele do “malandro” que escolheu o Weblog como alvo prioritário das suas atoardas. Se eu menti em algum aspecto, digam-me. Por favor.
Preferia estar enganado do que ter que admitir que o AEIOU se está nas tintas para esta cena toda. E enquanto não estiver certo do contrário e, pelo menos, até Outubro (quando expira o período que paguei), tudo farei para me certificar que não dormem no ponto (como estes sucessivos indicadores, aliados aos silêncios comprometedores, nos transmitem).
Explicações e pedidos de desculpa. Como qualquer empresa do mercado. É o que se exige a quem não cumpre. E a malta pressente que o Weblog, como quase metade da sua listagem de mais participados, já conheceu melhores dias.

E eu ambiciono dias melhores. Porque me esforço e porque assisto todos os dias ao resultado do esforço de muitas e de muitos como eu, a pagantes, para tornar esta realidade dinâmica e apelativa (à medida dos interesses comerciais do AEIOU, que defendemos por tabela…).

Já têm sorte por ainda não ter chegado o dia em que terão de pagar para contarem com os melhores e/ou os mais visitados para manter viva a plataforma.
E isto é quase uma profecia.

Pode tornar-se, se não fazem pela vidinha e tentam seduzir os vossos clientes/fornecedores que já bateram ou ameaçam bater em retirada, quase uma maldição…


Nota: Não incluo linques por dois motivos. Para não ser mais um a enviar visitas para blogues abandonados. E porque esta posta foi feita com base nesta tabela (onde os mais cépticos podem comprovar o que afirmei.)
publicado por shark às 09:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Domingo, 25.06.06

GRITA-SE PORTUGAL, PORTUGAL!

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Que bela final seria...
(Foto: Shark)


O redor da minha casa parece o exterior do estádio onde a selecção nacional de futebol acaba de correr com os porcalhões dos onze holandeses que envergonharam o seu país (que não reconheço neste comportamento) com duas derrotas: a desportiva e a outra.
A outra foi uma série de atitudes muito foleiras e indignas de uma equipa com os pergaminhos holandeses.

Portugal estará no sábado a disputar com a Inglaterra o lugar na meia-final com todo o mérito, embora privado de alguns dos seus melhores (lesionados ou expulsos). Mas hoje ficou provado que melhores são eles todos, pois os que entraram foram decisivos para a manutenção da vitória.tangencial.

Mais do que uma vitória merecida da nossa selecção, que se bateu com galhardia, foi um triunfo do futebol que este Mundial merece ver. Os brutos e maus perdedores sem talento não têm lugar nesta competição.

É um jogo, vale o que vale.
Mas eu estou orgulhoso das cores do meu Portugal!
publicado por shark às 22:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

HOJE É DIA DE ELEIÇÕES

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Foto: Shark

Pelo menos eu estou a torcer para que percam os mesmos...

(Até os esprememos!)
publicado por shark às 14:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

FIZESTE-ME FALTA

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Foto: Shark


Amava-me de uma forma muito intensa, quase desesperada. Porque via, porque sabia que eu não era nessa altura mais do que um meteoro que lhe passava pela vida a correr.
E eu percebia o seu anseio em aproveitar a sorte que lhe restava, na sua perspectiva. Que na minha as coisas assumiam outras proporções e via na sua paixão devotada apenas mais uma desilusão que a minha presença na vida ofereceria a alguém.

Os olhos dela ganhavam mais brilho quando eu aparecia no Dois. Nesse dia derradeiro passava a minha malha preferida dos AC/DC, Back In Black, quase um hino ao negro algo gótico que me trajava na altura. Como sempre, aproximei-me do balcão para pedir a cerveja sem a qual a minha noite na pista não podia oficialmente começar. E como sempre já vinha acelerado de outras andanças, fumos em barda e cerveja até doer a pila de tanto mijar.

Mas raramente perdia o controlo de mim e dei por ela nem dez metros adiante, à espera da sua deixa para poder beijar-me como se o seu mundo acabasse amanhã. E fazia-me sentir que esse mundo era eu e eu achava que não valia a pena a aposta, ela só perdia o seu tempo, mal investido num homem que só sabia fazer contas de sumir. Para outro lado qualquer. E depressa.
Era esse o ritmo dos meus dias e nada nem alguém conseguia meter-me travão.

Ela nem tentou. Apenas se aproximou conforme podia, só às vezes, quando eu não desaparecia para um ponto qualquer no horizonte que me parecia bom para observar o pôr-do-sol. E só regressava algum tempo depois, dias até. E ela entregava-se de novo a mim, depois de me chamar a atenção com insistentes carícias no cabelo comprido e revolto que tanto apreciava. E eu, sem assumir qualquer compromisso, oportunista, não conseguia rejeitar tamanha devoção e deixava-me arrastar pela sua beleza e pela sensualidade que transparecia de toda aquela mulher.

Nem sei quanto tempo as coisas se mantiveram assim. Ela a amar-me e eu a fugir, não dela mas de mim. Na correria, com medo que acabasse a energia que me empurrava mais além. O mundo inteiro, era já ali. E eu não podia parar, a corrente quase a acabar e a malta amiga a incentivar-me para avançar um pouco mais na loucura de cada dia. O limite mais distante, o desafio mais importante, mulheres bonitas, grande som, toneladas de chamon, litros de cerveja e muito futebol.
A festa da vida em movimento e ela, terrivelmente apaixonada, a atrapalhar a minha passada quando o que eu queria era acelerar.

Egoísta, nem hesitei. Sabendo que nunca abrandaria, chegou enfim o dia em que parei. A corrida dela na minha peugada, demasiado próxima, demasiado óbvia, ao ponto de me embaraçar. Com o excesso de amor (como é isso possível)? Mas assim parecia na altura, essa doença cuja cura resolvi encontrar antes que a situação ficasse descontrolada.
Jogada combinada, a malta a dar de frosques de mansinho e eu a levá-la para um canto onde a surpresa foi minha pois a ela bastou reparar na minha expressão.

Depois de meia dúzia de palavras vãs, desculpas esfarrapadas, cortesia, acho que lhe pedi desculpa (e bem podia), beijei-a na testa e virei-lhe as costas. Abri caminho pelo meio da pista à bruta, como se fosse de toda aquela gente a culpa de eu ser um gajo assim. Incapaz de valorizar a paixão, de abrandar a pressão da fúria de chegar depressa a lado algum.
Rosto fechado e cérebro anestesiado pela mistura de sensações malucas. Tudo no extremo, sempre um nadinha mais para lá do risco a não pisar. Para provar aos outros o que me desmentia nos raros momentos de tranquila solidão.
O mais atrevido, o mais arrojado, o mais capaz de converter o medo e o bom senso em instantes patéticos de absoluta estupidez em riscos desnecessários que corri.

Antes isso, essa glória dos danados, essa revolta mal contida que se libertava enraivecida no seio de um grupo dos meus iguais. Antes isso do que um amor comprovado, uma companheira dedicada à minha satisfação. Mas que era doce e tentava acalmar-me com o som quente da sua voz e as mãos como bocas no meu cabelo, saboreava-me com os dedos e eu descontraía mas depois qualquer coisa acontecia e eu arrancava rumo a outro pedaço de vida qualquer. E sentia-me desconfortável naquele papel.

Hoje é outro, o meu desconforto quando olho para trás em busca das memórias que me merecem as pessoas que tentaram fazer-me feliz. Não conseguiram, a esmagadora maioria, senão em breves instantes, amadas ou amantes, quando me permitia uma pausa na correria e atinava na boa.
Mas ela conseguiu sempre respeitar-me, entender-me, inspirar-me confiança, confiar em mim.
Nunca me permitia experimentar a solidão.

Ela já não estava por perto quando finalmente percebi a falta que me fazia o calor do seu olhar e o toque suave das suas mãos.
Mais a sua companhia, no alto da falésia da Boca do Inferno que eu gostava de chamar minha, o meu miradouro interior que só ela conheceu, a única “honraria” com que a distingui, tão especial, depois de tudo quanto deu sem nada exigir em troca. Apenas parcelas de mim, em trânsito para outra emoção forte que não a incluía. E ela esperava e sofria.

Recordei há dias o seu amor incondicional que desdenhei, enquanto deixava o olhar percorrer as ondas como fizemos em silêncio ou em conversas muito íntimas, a dois. Permiti-me esse pecado capital na minha estrutura sempre tão avessa à saudade e tão alérgica às despedidas, a propósito já nem sei do quê...

Talvez a propósito de mim, do muito que já perdi pelo que fui e do que ainda perderei pelo que sou.
publicado por shark às 13:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 24.06.06

A POSTA COPIADA

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O plágio desperta-me um sentimento de asco profundo. Como exibição pública de mediocridade, como revelação de cleptomania intelectual, como manifestação do nojo de pessoa por detrás desse comportamento aberrante.
Por plágio entendo a cópia e reprodução de algo produzido por outrem, assumindo-se a respectiva autoria descaradamente ou por inerência.

Ou seja, um inepto ou uma bronca qualquer pegam no trabalho dos outros e fazem um vistão, mesmo que sejam incapazes de produzir por si algo de bom.
E esses expoentes máximos da imbecilidade (acreditam sempre que nunca serão desmascarados/as e são tão básicos que muitas vezes nem têm o cuidado de adiarem a exibição da sua apropriação indevida) proliferam por este meio sem regras onde muitos chegam a defender que “sim, é legítimo copiar porque tá na net e viva a liberdade e coiso e tal…”.

Não me flixem. Uma coisa é encontrarmos algo que apreciamos e pedirmos licença à autora ou ao autor para o reproduzirmos seja onde for. E sempre, mas SEMPRE, com a indicação (o linque) do espaço onde encontrámos o ORIGINAL. Aplica-se a textos, a fotos, a seja o que for que não é nosso apenas por estar ao alcance de qualquer um.
Não há volta a dar, é uma vergonha para quem o faz. Desmascaram-se assim como indigentes cerebrais, crápulas mesquinhos e com costela de carteiristas (sim, porque o mal é roubar a primeira cena…).
Nunca fariam parte do meu leque de opções em matéria de convívio ou de contacto sequer.

A única forma de combater essa praga é através da respectiva denúncia, o que, neste nosso suporte tão plural, equivale a conceder publicidade de borla ao prevaricador. Não o farei, mas cito os nomes do blogue alegadamente plagiado (Aliciante) e do blogue alegadamente ladrão (Me Myself And I) para que possam por comparação retirar as vossas conclusões. Não sou polícia, nem investiguei coisa alguma para confirmar o pressuposto atrás incluído, daí os alegadamentes da praxe.
Mas acho que os factos falam por si.

A blogosfera é um paraíso para a gentalha sem princípios e sem pudor. Cada vez é mais urgente expor essa bandalheira de pessoas e criar mecanismos para as entalar perante a Lei que, em nome da independência deste meio, parece não ser aplicável em defesa dos direitos de autor.
E multiplicam-se cada vez mais estas badalhoquices impunes, numa blogosfera cada vez mais parecida com o mundo “lá fora” no que este tem de pior.

A liberdade de expressão nunca justificará este tipo de comportamento vil. Aliás, nem a de expressão nem qualquer outra pois ser livre não implica uma carta branca para se fazer o que nos dá na bolha.

Ao que vejo, e porque vi publicados os trabalhos pela Mad em primeiro lugar, a “Carla Sousa”, seja quem for, assina textos e fotos dos outros com um inequívoco “by Carla” que não lhe esconde as intenções. E já bloga há tempo suficiente para perceber as regras do jogo.

E é obvio que não as percebeu.

ADENDA: Como podem constatar no comentário da Mar, na caixa, também o Sociedade Anónima foi alvo da pirataria da fulana. Os alegadamentes deixam de fazer sentido.
A tipa é mesmo daquelas...
publicado por shark às 17:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Sexta-feira, 23.06.06

A POSTA PARA VER

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Fotos: Shark
publicado por shark às 23:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA NA ESTACA ZERO

A vida é feita de avanços e de recuos. Um pouco como as marés ou os ciclos da economia. É frase feita, mas parece que na estratégia mais comum e bem sucedida um passo atrás pode valer dois adiante depois.

(E vice-versa, digo eu.)
publicado por shark às 22:59 | linque da posta | sou todo ouvidos

SOL NASCENTE

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Foto: Shark

Fez-se esquecido do tempo perdido a sonhar um amor que nunca existiu, nessa forma ideal. Ela chegou e ele sorriu, lábios humedecidos pela sede de beijos proibidos, incapaz de virar a cara e recusar a cedência ao apelo que o coração lhe gritava por detrás de um peito a galope que a razão se esforçava, sem sucesso, para travar.
Sentiu-lhe o cheiro do cabelo e estremeceu. Tinha a noção de que perdia nesse instante a batalha interior contra a violência de um amor que o agredia. Mas impossível de renegar.

Masoquista, avançou. E no empenho que dedicou estava a certeza adquirida de que nenhuma esquina da vida o libertaria daquela prisão emocional. Amou-a até o corpo lhe pedir clemência, condenado, o pescoço marcado pelo ferro em brasa de um chupão. Daquela boca sempre sua que vestia o rosto da mulher nua com sorrisos despidos de pudor, marotos.
Cumplicidade que se fez em muitos momentos de nudez, da alma também.

A felicidade simples da emoção adolescente num adulto consciente da sua reclusão mal assumida. Pregava-lhe uma partida em cada troca de olhares, raios de luz rasgando o espaço entre ambos como o prenúncio de uma tempestade de Verão. O calor que os derretia, no amor que os fundia como vidro pronto a moldar.
Cálices de cristal, reflexos coloridos pela luz intensa do sol que os iluminava abraçados mesmo à beira de uma mesa posta para dois.

Vinho gelado a arrefecer as gargantas que aquecia depois, com as palavras que devolvia embriagadas de fantasia mas controladas pela lucidez. Choque térmico de correntes opostas numa ligação paradoxal, fios descarnados, pontas soltas, a energia desperdiçada no desnecessário acerto das contingências e limitações. Imensas discussões, para nada. Acertos das agulhas magnéticas com pólos sobrepostos, atraem-se os opostos quando não falha o sentido de orientação.

Mas ele fez-se esquecido do tempo investido a alimentar uma ilusão. Ela partiu e ele sorriu, lábios abertos de par em par, promessa renovada, na separação forçada, de um reencontro inevitável algum tempo depois.
Ela não negava aquilo que a arrastava para os braços que agora a envolviam sob a tez alaranjada do ocaso que os despediu.

E a mente dele partiu desarvorada rumo à alvorada do dia em que estariam juntos outra vez.
publicado por shark às 16:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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