Sexta-feira, 31.03.06

Haverá

bute bazar!.jpg
aqui

coisa melhor que fechar a porta à sexta-feira que já passou e antecipar um fim-de-semana inteirinho para fazer coisa nenhuma, que é o mesmo que dizer, tudo o que nos der na bolha?

Só mesmo a perspectiva de ir estar contigo!

(sem prejuízo de também desejar um Glorioso fim-de-semana para os leitores deste blog. O meu vai ser) :-)

Mar
publicado por shark às 18:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

SÓ PARA...

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Foto: sharkinho

...Vos desejar um excelente fim-de-semana.
publicado por shark às 16:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 30.03.06

Escrita inócua

claro como água.gif
aqui


em que terra quer mesmo dizer terceiro planeta do sistema solar, ou o solo sobre que se anda, ou ainda povoação, território ou campo e nada mais do que isso e água significa rigorosamente líquido incolor e inodoro, composto de hidrogénio e oxigénio.
Nada de confundir substantivos comuns tais como homem, país, gato ou concretos como rapaz e árvore ou mesmo um mais abstracto tal como profundidade, por exemplo, com tentativas veladas de se dizer mais do que se parece querer fazer.
Se optarem por essa via de interpretação, incorrerão em grave risco de malentendidos e ofensas virtuais, com as consequentes e correspondentes medidas de retaliação patética e vagamente desesperada por parte da pretensa vítima.
Sugiro que, logo que se sintam levemente tentados a descortinar significados obscuros e ocultos nas entrelinhas de uma frase que diga algo como hoje está quase a chover mas ainda faz sol, tomem um ultralevure, agarrem num pau de incenso e se sentem de pernas cruzadas, embalando o corpo para a frente e para trás, num ângulo nunca superior a 90º, emitindo sempre um som cavo mais ou menos semelhante a hommmmmmm....
Costuma resultar. A leitura da obra completa em três tomos "Como ultrapassar a mania de perseguição antes que ela me apanhe" também pode ajudar.

Este aviso é dirigido à blogosfera em geral e aos leitores deste Charco em particular.
Aprendam que eu não vivo sempre. Não precisam de agradecer.

Mar
publicado por shark às 14:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA NOS ORIFÍCIOS

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 10:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 29.03.06

Dia de Violetas

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aqui


O dia, hoje, cheira-me a violetas. A sério.
Há um cheiro a violetas que nasce das pedras, se entranha na pele das minhas mãos e me embriaga os sentidos. Pareço um cachorro ou perfumista, a farejar o ar à procura da fonte do mistério.
Não sei se, durante a noite, um bando de gnomos mágicos munidos de baldes minúsculos e panos de limpeza, lavou as lajes e os troncos das árvores, sacudiu poeiras e rancores, arejou recantos esquecidos e perfumou de violetas o dia que nascia.
Não sei.
Mas aspiro com deleite o aroma e a alquimia com que amanheceu o meu dia.

Mar


eu tou cá desconfiada que, o culpado disto tudo é um sabonete líquido novo que comecei a usar mas não digam nada a ninguém...
publicado por shark às 09:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Terça-feira, 28.03.06

A POSTA ESPOLIADA

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A Polícia de Segurança Pública tinha avisado: o crime violento aumentou no nosso país. Sobretudo o assalto à mão armada.

Hoje, em pleno estádio da Luz, seis milhões de portugueses sentiram na pele essa realidade terrível quando um cidadão de origem britânica nos espoliou da glória dos vencedores. Só uma pena de prisão perpétua na penitenciária da Multiópticas serviria de castigo para esse cámóne pitosga, esse mister danger dos relvados, esse bife vilão.

O Glorioso vai ser campeão.
Mas hoje fomos todos escandalosamente roubados!
publicado por shark às 22:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Conta-me Histórias...

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aqui



...daquilo que eu não vi *



Que o poeta é um fingidor já toda a gente sabe. Agora, o que é admirável é observar quem, não sendo poeta, ou nem sabendo compor duas frases gramaticalmente correctas sequer, manipula a arte de fingir com tal mestria que quase poeta se diria. (ena, até eu já versejo)

A princípio, até dá para acreditar. A necessidade aguça o engenho, como se sabe, e a manha (que até rima com sanha) adquire um refinamento digno dos guiões de Fellini. Ele são odes à Família, Deus Pátria e afins e mais as declarações incendiadas de princípios e despudores ou então verdadeiros manifestos sobre a Vida e o Amor. Que mudam de protagonistas com a leveza de quem escreve uma rima, voláteis, como o carácter de quem os profere.

Depois, o excesso denuncia a verdadeira essência, a da carência. A contínua insistência em gritar ao mundo aquilo em que se quer acreditar, revela a real inexistência do que tanto se apregoa.
O que é genuíno é óbvio e não carece de afirmação contínua, repetida, a tresandar a falso, qual néon no meio da euforia que os inebria e tira a valia ao que tanto se esforçam por fazer crer. A si próprios, mais ainda do que aos outros.

É um processo com fases diversas, comuns a todos os artistas, apenas mais ou menos lento consoante o grau de empenho e fé.
Apreciadas e facilmente identificadas por quem assiste de camarote à performance. Do subtil e vagamente tímido palpar de terreno, passa para um crescendo de exercícios práticos nas várias potencialidades a explorar, atingindo por fim o êxtase do auto-convencimento.

É nesta fase que o seu amargo complexo crónico de inferioridade se transfigura em síndrome do espelho, espelho meu, haverá alguém mais bela do que eu.
Daqui para a frente, como num processo de adicção a uma viciante droga, é preciso mais e sempre mais.

São seres humanos sui generis, estes. E é um passatempo fascinante, observar-lhes o raciocínio tortuoso enquanto se pensam (e gabam de ser!) os maiores e mais espertos. Porque perdem a noção do ridículo que a sua actuação representa aos olhos dos "outros", nós, as pessoas que vivem vidas sem alarde, tão mais ricas que as suas e, por isso, sem necessitarem de publicidade.

Enquanto manobradores da difícil arte do embarrilamento, tiro-lhes o chapéu.
Despertam-me pena, enquanto meus semelhantes que nunca conheceram melhor vida que a do fazdeconta.

Mar

* do original dos Xutos e Pontapés
publicado por shark às 08:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Segunda-feira, 27.03.06

A POSTALADA CAPITAL

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Primeiro dos dias úteis. Uma utilidade duvidosa, excepto para quem encara o trabalho como um prazer. Eu também encaro o trabalho dessa forma, pois sinto-me fodido sempre que se torna imperativo prestar esse tributo à sociedade para que esta me aceite e me reconheça como um igual.
Integro-me na cena porque não me assumo pária, presto serviços, prostituo a minha energia em troca de uma remuneração que me permitiria adquirir os símbolos do estatuto que merece quem melhor se governa neste jogo social.

Eu governo-me bem, como qualquer mercador numa terra de vendilhões (das próprias almas, até). Esforço-me por bulir de uma forma não mercenária, evito cegar pela ambição recusando a ilusão de me equiparar a um pequeno milionário por via de possuir meia dúzia de sinais exteriores que fazem um vistaço na figura de qualquer cidadão como eu, de classe média. Esturrico mais facilmente o pilim numas imperiais e numa bela sapateira do que num calçado finório na sapataria da moda. Sou assim, algo desenquadrado do meu meio. Sem classe alguma a defender.

A minha origem é mesmo o povão. Só o milagre de uma Revolução, acontecida na melhor altura para os putos de famílias sem cheta nessa época, me permitiu acompanhar o agregado familiar na sua escalada, na ascensão à etapa seguinte da degradação moral inerente à sede de enriquecimento que nos afasta do essencial. Porque a fuga às privações monetárias implica a concentração num objectivo incompatível com a manutenção de um contacto familiar (e não só) próximo e saudável. As repercussões desse caminho pela ambição acabam por se fazer sentir, quando tudo gira em torno da sede de trepar até ao ponto mais elevado possível da cadeia alimentar de uma economia canibal.
Por isso mesmo abdico do sucesso tal como o medem agora, recuso trabalhar fora de horas e, dizem, isso faz toda a diferença no percurso de um trepador social acelerado, de um vendedor.
Pois faz.

O trabalho por gosto, excepto para uma minoria de apreciadores, de lutadores, de sonhadores e acima de tudo de felizardos é um luxo. E eu não gosto do meu porque me impõe (como todos) uma carrada de sapos para engolir, uma espécie de vassalagem aos que (lá em cima) só acreditam na capacidade dos que abraçam determinado perfil. Fato e gravata. Na mona. Padronizado. Olhar frio e discurso consensual. Nenhuma rebeldia. Alinhamento perfeito com a postura que se entende ideal. Uma espécie de chefia à distância, por inerência, sobre quem renegou o conforto de um salário pago por patrões.
E eu sou alérgico à autoridade moral que o dinheiro lhes dá, ou seja a quem for, sufoca-me o poder que o dinheiro garante. Salvo raras excepções que resultam de uma improvável mas feliz conjugação, quando o vil metal se concentra nas melhores mãos. Sou um não alinhado e por isso me entendem como uma espécie de ameaça velada ou, no mínimo, como um mal necessário.
Porque sou “bem sucedido” apesar de refilão, capaz de circular por esta estrada que é afinal uma pista de competição, vencedor na minha corrida nos moldes que a sociedade definiu como bitola.

Porque hoje é segunda-feira apeteceu-me discorrer acerca da labuta (essa puta) que nos é imposta na mais generosa fatia de cada dia que nos compete viver num mundo pensado assim. E do bem material que a sustenta e nos move nesta jornada de luta em horário de expediente and behond. O discurso não soa optimista e até me permiti recorrer a um palavrão ou dois, mas acreditem que apenas resulta de uma visão pragmática de quem acaba de se despedir de mais um abençoado fim-de-semana. Um pequeno desabafo, para justificar a utilidade do blogue e vos dar mais umas dicas acerca do respectivo co-autor.

Agora é vergar a mola, na boa, de olhos postos no final do dia em que os objectivos são outros, bem melhores, e com a mente aguçada para me guiar o jogo de ancas necessário para porfiar nesta guerra sem quartel pelo lugar ao sol num espaço onde predominam as sombras. Sem apanhar com os estilhaços das deflagrações alheias, sem espalhar em meu redor o metal incandescente da minha própria rebentação.
Sem pressa nem aflição, ziguezagueando por entre os torpedos dirigidos à consciência, à irreverência, à capacidade de resistência às agressões do exterior.

E eu vagueio pela realidade alternativa que construo aos poucos, liberto uma parte de mim que passeia sem preocupações, alheia a este ritmo frenético que não passa de uma estupidez sem sustento.
Vou então para fora cá dentro. Blindado pelas convicções.

E desarmado pela lucidez.
publicado por shark às 16:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A posta antecipatória

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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fernando Pessoa

Mar
publicado por shark às 14:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 26.03.06

Dias Assim

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foto Mar

Gosto de dias assim.
Soalheiros, de aragens frescas.
Uma nuvem de cabelos, esvoaçante, em torno de um pescoço desnudo.

Nas notas de um perfume que nos envolve, mora o registo do tempo que o imortalizou na nossa memória olfactiva.
Como um filme antigo, em câmara lenta, visionado em repeat mode.
Gosto de lembranças assim.

Mar
publicado por shark às 17:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

A POSTA NAS FOTOS ESPREITADAS

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 16:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Sábado, 25.03.06

NA PELE DO TEMPO

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Foto: sharkinho

O tempo não voa quando marca a distância mais longa entre dois pontos que se querem unidos num só. A saudade é a unidade de medição e cresce na proporção inversa ao tempo que falta percorrer.
A distância que o tempo acrescenta enquanto se arrasta pela espera de um dia que virá, sempre demasiado tempo depois. O mesmo tempo que desgasta e assim afasta quem espera do seu caminho original.
Desespera, afinal.

E eu sinto na pele a falta de tudo o que a tua lhe dá.
publicado por shark às 11:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sexta-feira, 24.03.06

A POSTA NO CU BEM BOM

o fotografo tava la.jpg

Desde os primórdios do charco nunca escondi o meu fascínio por tudo quanto se relaciona com o feminino. Os corpos também, pois sou sensível às diferenças anatómicas que nos distinguem e desde puto (e apesar de ter adoptado os conselhos dos veteranos e olhar sempre “pela surra” para não intimidar ou incomodar alguém com o mirone descarado) nunca consegui reprimir uma observação discreta dessas figuras mágicas que embelezam as ruas deste país onde, sem contestação, residem as mais belas mulheres do planeta. Conteste quem quiser. Já fui a países suficientes e já vi imagens de mulheres de muitos sítios para poder retirar as minhas conclusões e defendê-las com toda a convicção.
E gostos não se discutem (excepto, talvez, com os congéneres do Brasil – mas mesmo aí existe o toque inconfundível da beleza lusitana como eterno legado dos Descobrimentos que nos orgulham).

Tudo isto a propósito do Cubembom, um blogue onde se faz o culto da parte do corpo que o nome indica. O cu é, sempre foi, uma referência para a libido masculina. Quando nos cruzamos com uma mulher jeitosa é quase irreprimível o impulso para voltar a cabeça e apreciar os contornos dessa zona tão apelativa que, de resto, encontra paralelo nas mulheres que, cada vez mais, assumem o seu interesse por esse componente do nosso físico.
E se as mamas, essa luz que orienta como um farol no meio do breu os olhares libidinosos de qualquer observador com pila, são explicadas no seu encanto pela teoria do desmamado precoce, o mesmo não acontece com o traseiro que ocupa um espaço incontestado no topo das preferências (referências?) da rapaziada que observa.

Por isso mesmo, é uma questão de justiça elementar que alguém blogue o culto nadeguista e ofereça aos(às) verdadeiros(as) apreciadores(as) um espaço estritamente vocacionado para a exposição das bonitas imagens que se encontram por aí.
É o que acontece no Cubembom e a Gotinha, sempre atenta ao pormenor, não deixou escapar o que será provavelmente o traseiro mais vistoso que o charco já publicou, na posta das fotografias que eu gostava de ter tirado (umas postas abaixo, que eu não tou com pachorra para a lincar e com esta descrição quem gostar destes assuntos vitais não se perde pelo caminho).

Eu sou um desmamado precoce assumido. No entanto, o rabiosque feminino disputa em igualdade de circunstâncias com os seios, os olhos e o cabelo a minha atenção à anatomia das mulheres. Isto porque constitui o mais poderoso agitador do meu badalo (do sino de alarme que todos possuímos para nos avisar dos estímulos de índole… hmmm… estética).
Claro que nesta altura, e para contrariar quem possa até este parágrafo ter concluído que não passo de mais um atesoado debochado e sem vergonha, poderia enveredar pela descrição elogiosa de tudo quanto há de destacável no conjunto deslumbrante de que qualquer mulher se faz. A sensibilidade, a inteligência emocional, uma porradona de argumentos que reúno para explicar a minha vincada tendência hetero, tudo isso faz parte do magnetismo que me atrai como um mosquito para a tal luminosidade que cada uma de vós representa no meu mundo às escuras na ausência do seu elemento principal. E não estou (só) a falar de seios, de vaginas, de rabos ou de qualquer outra delícia corporal que o criador (ou Criadora) desenhou para que o paraíso pudesse ser digno desse nome.
Porém, seria hipócrita fazer de conta que não se repara nesses detalhes de um conjunto inegavelmente harmonioso no todo e invariavelmente belo nas partes. Por isso não me abstenho de assumir, já quarentão, a mesma atracção da adolescência pelas imagens que o Cubembom disponibiliza para deleite de uma audiência adulta de todos os géneros e idades.

E porque vem a propósito e para terminar esta recomendação/elegia desse fantástico relevo que nos seduz, reproduzo na íntegra o Piropo do Dia que encontrei no Sociedade Anónima, assinado pela Cecília R.

Estava aqui a olhar para o teu rabo e lembrei-me que hoje é dia mundial da poesia.
publicado por shark às 11:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)
Quinta-feira, 23.03.06

EU NÃO SEI SE OS MORTOS CONSEGUEM LER

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Pegando ainda na posta da minha sócia, que muito apreciei, e porque o tema me fascina, decidi gastar um pouco do nosso tempo a abordar essa complicada questão da felicidade, tal como a entendo, e em que medida é nossa a escolha nessa matéria.
Existe um ponto no qual (em teoria) eu e a Mar estamos de acordo: isto (a vida) esgota-se na pirisga e ainda temos os pianos de cauda imprevistos para nos darem cabo dos planos para os amanhãs que nada nos garante nascerem com o nosso testemunho. Daí, é obrigatório esmifrar cada oportunidade que nos surja e que se enquadre dentro do que definimos como limites da nossa gulodice pelo prazer que a vida nos dá.
E é decisivo atribuirmos o devido valor às coisas boas e relativizarmos tudo o que nos perturba hoje pelo peso que (não) terá amanhã.
Ou seja, temos que nos chatear menos e aproveitar muito mais. Temos que ser gratos pela existência livre de impedimentos a sério, quando esta se proporciona.

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Contudo, a Mar é um nadinha mais pessimista do que eu. Ela não acredita nas utopias, afirma-se realista e aceita o que a vida lhe der (o que considera ser possível a vida dar-lhe, aliás). Eu quero mais. E quando não tenho o que quero acredito que é possível obter. E só desisto quando não há mesmo mais nada a fazer, o que, quando o objectivo vale a pena, implica um porradão de desgostos e de desilusões em catadupa.
Mas também implica a esperança ao longo do caminho e eu, agnóstico, considero-me um homem com muita fé.

A felicidade não é eterna, não é permanente e é um conceito tão vago que dificilmente terá uma interpretação comum para dois seres humanos. Temos formas diferentes de sentir e atribuímos um significado distinto às incidências do percurso. Variamos na intensidade, na ambição, na reacção às cicatrizes que os momentos maus nos provocam. E ainda variamos no feitio, na disponibilidade para sorrir, numa data de merdas que transformam qualquer arquétipo de perfeição numa salada (muito) mista.
A felicidade pode ser instantânea e durar apenas alguns segundos ou uma vida inteira (que pode ser curta). E será sempre uma felicidade condicionada à nossa forma de a experimentar.
Por isso a fortuna não basta a alguns e a miséria não retira a alegria a muitos mais.

Certo é que ser feliz implica (até prova cabal em contrário) estar vivo e capaz de usufruir das imensas benesses ao dispor. Mas por capaz entendo ter condições físicas e anímicas que nos permitem atacar as melhores fatias do bolo. E sonhar com a forma de melhorar a receita, para as sobremesas saberem cada vez melhor. Não é utópico para mim forçar a barra da felicidade, mesmo quando reúno no meu perímetro as condições mínimas para satisfazer os requisitos “universais” do tal conceito. Demais é um termo que não se conjuga com a felicidade como a entendo.
Porque uma parte dessa euforia que até pode derivar de um conjunto de pressupostos ilusórios, subjectivos, reside precisamente no estrebuchar sem sossego para alcançar o próximo patamar da escadaria, o nível seguinte deste jogo onde as vidas não se podem comprar quando se extinguem, como a Mar salienta na sua posta.

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A piada disto tudo, na óptica de um idealista, consiste em enfrentar esses desafios que os outros consideram impossíveis de abraçar, surrealistas, patéticos até. Um gajo espalha-se e levanta-se logo a seguir e reformula a abordagem e espalha-se outra vez e acumula memórias, experiências, concretiza fantasias e finta a morte com uma vida a valer.
Depois do fim logo se verá como se dá a volta à cena, se existirem outros palcos depois do pano cair. Aí, ninguém nos julgará pelo que fizemos ou pelo que deixámos por fazer e duvido que quaisquer julgamentos nos cheguem aos ouvidos ou nos dêem comichões no espírito depois de nos soterrarem sob uma lápide qualquer.

É esse o principal fundamento do primado da desbunda, esse direito inalienável dos que a têm como alternativa por entre desgraças como o nascer e o morrer e as partidas foleiras que uma vida nos pode pregar.
Perseguir a utopia, acreditar em ideais “impossíveis” e dar cabo do coiro a contrariar os derrotismos consensuais é, a meu ver, uma receita excelente para dar a volta à pasmaceira que os dias normais nos instalam. Qualquer frustração inerente ao fracasso de um delírio, de uma ambição desmedida ou de uma simples irrequietude que nos empurra para um nível tolerável de extravagância, de loucura (mais ou menos) controlada, constitui um preço que se justifica pagar. É que nada nos tira a pica que dá tentar ir um nadinha mais além, mesmo arriscando uma decepção.

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Decepcionante deve ser um gajo ter adiado a felicidade para mais tarde, por ser “impossível” nessa altura, e ver-se às tantas a duzentos à hora em linha recta para um candeeiro ou a definhar aos poucos numa cama de hospital.
A vida representa para mim nada mais do que um lapso de tempo durante o qual posso optar entre querer e fazer já, mesmo que não seja comummente aceite como normal (e aceitar as eventuais consequências), ou deixar para depois, para uma fase da existência em que (alegadamente) os factos permitem outro tipo de leitura, mais prudente e avisada.

Pode ser que sim, se tudo correr pelo melhor. Mas também pode o destino trocar-me as voltas.

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E eu não sei se os mortos conseguem ler.
publicado por shark às 21:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 22.03.06

Eternidade e mais um dia

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aqui

Quase desaprendemos o ofício da escrita alegre. Na corrida das manhãs de olhos pesados, duches rápidos, mochilas, lancheiras, sacos de ginática, raispartaaescolamaisosistema que nos transforma e aos putos em animais de carga, nas filas nervosas de minutos a escoar para o atraso da praxe, dedos tamborilantes no volante, mais os bons dias e a última hora dos recentes atentados num país algures lá longe...ainda.
E um dia destes, a morte.
Na chegada malhumorada ao local onde passamos metade das horas dos dias de vida que vamos queimando um a um, preciso de um café forte oxalá o chefe nem se lembre que existo, e o som do fax, telefone, a reunião às 10, 11 mais a das 14.30, por entre a cusquice sobre o último caso com a colega nova, que se diz que anda a passar por baixo da chefia intermédia e lá por dentro o bichinho a roer que a gaja é podre de boa, onde diabo irei hoje variar da fast food comida a correr, agora é que vai ser, uma salada, inscrevo-me no ginásio da esquina, vão ver, fico mil vezes melhor que ela, não passa de hoje, e as novidades da estação a cair perfeitas no manequim estilizado e os standes de automóveis, joalherias, sapatos, tentações mais a putaquepariu a conta-ordenado no limite e ainda falta uma semana.
E depois, a morte.
Quase esquecemos a escrita da pele, a que sabe o amor que um dia conhecemos, o marulhar de emoções que desperta o tom de voz que nos sussura ao ouvido, como és importante para mim. Apressados que estamos nos compromissos fiscais que nos obrigam, na prestação da luz, água, telefone, internet, tv que nos sufoca, no crédito à habitação que nos consome.
E a morte ali, ao virar da esquina.
Deprimimo-nos, desgastamo-nos, desperdiçamo-nos e choramos. Ou rimos, alucinamos e quase perdemos o tino, invejamos, odiamos, maldizemos, criticamos, não confiamos. Esgotamo-nos.

E, de repente, a morte. Não a nossa, a de outros, trágica, chocante porque inesperada, porque é fim e isso basta já que o simples conceito de fim é triste.

E é aí que nos apetece a vida e o infinito, mexer na terra com dedos de criança, embarcar no azul das sensações, construir um reino do outro lado do espelho, onde as ruas são feitas de bolacha e as casas chupa-chupas gigantes.
É nessa altura que queremos esticar o prazo que trazemos carimbado à nascença e pensar que a eternidade se pode guardar numa caixinha ali ao lado do coração.

Pomos o contador a zeros e esperamos redimir-nos, recomeçando a viver.

Mar
publicado por shark às 19:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

A QUEM NÃO ENTENDEU A POSTA ANTERIOR

Sabem que dia mundial é hoje?
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publicado por shark às 14:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

sem título

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publicado por shark às 10:11 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 21.03.06

No tempo em que eu acreditava

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aqui

que as pessoas eram isentas, tinha a convicção de que também eram sinceras.
Quando eu ainda era ingénua o suficiente para crer que os actos se praticavam sem que um inconfessável objectivo individual os movesse, era capaz de apreciar tudo o que de novo se me oferecia ao olhar.
Nesse momentos de crença ou fé, até era capaz de sorrir ao ler um email, aplaudir o esforço que produzia um texto mediocre mas, ainda assim, um texto.
Nessas eras longínquas, confesso, os dias tinham mais piada, a expectativa tirava-me o sono, a esperança ainda me vestia.

Hoje, dois anos, alguns encontros blogueiros e um projecto colectivo volvidos, ensinaram-me o alfabeto com que leio as caixas de comentários semi-vazias.

Mar
publicado por shark às 20:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA NO PEQUENO DRAMA DO QUOTIDIANO

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Foto: sharkinho

"A merda do 70 chega sempre atrasado. Já vou levar uma pissada do chefe..."
publicado por shark às 09:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 20.03.06

CHINA GIRL

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(Ainda) Não conheço blogue algum que seja um tratado da literatura contemporânea. Nem é isso que se exige a um blogue, feito por pessoas sujeitas a um dia-a-dia normal e que nem sempre estimula a criatividade e/ou a inspiração.
A malta não anda pela blogosfera em busca da reencarnação virtual do Pessoa ou da Florbela Espanca. Gostamos de postas bem esgalhadas, em português escorreito e tal, mas o que procuramos é um não sei o quê, um momento, que faz sentir que valeu a pena gastar o tempo a ler o que alguém concebeu para, literalmente, nos oferecer.

Um blogue bem escrito pode ser uma seca, tal como um blogue escrito com os pés pode primar por um sentido de humor e uma abordagem de tal modo criativa que um gajo não deixa de por lá passar. Falo na perspectiva do visitante, claro, que o somos todos ou esta merda toda fechava as portas.
Daí, vagueio como os outros pelos linques que vou coleccionando por este ou aquele motivo e na maioria das vezes a montanha pariu um rato e levo a banhada (como pode acontecer a quem aqui aterra).

Contudo, e felizmente existe um contudo, esta massa anónima de escribas (comunicadores/as) compulsivos/as possui o condão de se transcender em rasgos que considero geniais. Pelo ritmo, pela ideia, pela pica que transparece por entre as palavras que até se comem umas às outras para ver qual brilha mais num conjunto feliz.
Essa pica de que vos falo é, no meu entender, o motor das maiores realizações que tenho encontrado nesta comunidade (maioritariamente) de amadores como eu.
Qualquer que seja o tema, qualquer que seja a abordagem. Quando um blogueiro ou uma blogueira ataca o teclado com aquele killer instinct do “agora é que é, levam com um naco de prosa nas beiças que até manda ventarola” temos posta das boas.

No caso em apreço, que move este meu gesto de puro reconhecimento, trata-se de uma blogueira. China Blue, do Sociedade Anónima. “Kit do Enconanço Perene”, o texto. É uma filha da mãe de uma posta das que eu idolatro, das que me agarram a esta cena como uma lapa.
Não faço a coisa por menos, saturado que ando de uma falta de originalidade e de pica que também neste charco se faz sentir. É que a parte fixe desta cena reside precisamente no entusiasmo com que a malta se senta à frente do monitor pelo gozo da escrita, pelo prazer da comunicação com palavras que exprimem ideias ou retratam a nossa perspectiva acerca de uma treta qualquer.
E nem me armo aos cucos a dissecar as reais intenções, a motivação ou essas porras que cada um sabe de si e quem lê, por regra, não percebe um boi.
Falo apenas do prazer e do talento de quem escreveu, oferecido de bandeja a quem quiser ler. Neste contexto, estou-me a cagar para as teorias implícitas ou explícitas que cada um pode sempre extrair do que os outros (as outras) debitam na sua prosa.

E recomendo, sem hesitar, a leitura sem preconceitos (nem outras merdas que só atrapalham), just for the fun, de uma posta como há muito não encontrava.
publicado por shark às 19:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA NAS FOTOS QUE GOSTAVA DE TER TIRADO

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publicado por shark às 12:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

CÉU MUITO NUBLADO, VENTO FRACO (com rajadas)

Bom dia.
Logo pela manhã gosto de fazer uma curta ronda pela blogosfera, meia dúzia de espaços de grande requinte e subtileza, só para apalpar o terreno relativamente ao estado de espírito que preside em cada dia.
Essa pequena sondagem assume particular preponderância às segundas-feiras, pois permite-me entrar em sintonia blogueira com algumas referências minhas em matéria de humor. É que a blogosfera diz muito do que se passa lá fora, pois por incrível que pareça por detrás de cada blogue existe (pelo menos) uma pessoa (mais os respectivos alter-super-egos) das que cruzam os nossos caminhos no café do bairro, na paragem de autocarro ou na fila do centro de saúde local.

Tentei descobrir uma foto que ilustrasse a tendência para esta semana que começa, uma espécie de boletim meteorológico para o clima instalado na periferia (ou no extremo oposto da galáxia) do charco. E descobri. Encontrei o boneco perfeito para definir a percepção que me deixou a leitura dos blogues seleccionados para o início de mais um ciclo de dias úteis (para quem?).

Senhoras e senhores, a previsão para o estado do tempo, para o ambiente que se fará sentir na blogosfera que acompanho é o seguinte:

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Foto: sharkinho
publicado por shark às 10:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 19.03.06

A POSTA PROGENITORA

O brilho nos olhos e o sorriso nos lábios denunciam-lhe a impaciência. Começou a preparar tudo no dia dos namorados, com a dedicação de quem ama e quer provar esse amor a um feliz contemplado. E esse sou eu, o felizardo que lhe lê no entusiasmo e na alegria, na euforia que lhe tira o sono quando prepara a homenagem a uma pessoa importante da sua vida, o quanto represento na sua estrutura emocional.

Nem sempre lhe mereço esse amor, distraído com realidades alternativas que me afastam do seu mundo. E no fundo cada momento de atenção que disperso pelas coisas secundárias, em vez de me concentrar no essencial que sei de antemão não durará para sempre com esta intensidade e emoção, é uma perda irreparável para ela e para mim.
As coisas são mesmo assim.

Outras pessoas, outros alvos do carinho que ela sabe dedicar, assumirão crescente importância ao longo das etapas que irá percorrer no futuro próximo da vida que lhe desejo imensa e feliz. E eu ficarei a saber nessa altura o quanto de precioso desperdicei nas coisas a que me dediquei no tempo que ela teve para me oferecer.
Esse tempo é agora e tem hora marcada para acabar, ou pelo menos para se transformar numa parcela que sobra do dela enquanto o meu se escoa rumo ao dia em que não restará tempo algum.

Hoje o seu dia é todo para mim.
E eu sinto-me o melhor homem do mundo, na minha pele privilegiada de pai.

olhos teus.JPG
publicado por shark às 12:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

O PRIMEIRO DIA

mantasevarios 259.jpg
foto sharkinho


Foi tudo.
Desde a chegada, intempestiva a nossa, por via do entusiasmo na conversa a dois que nos ditou o atraso (e o que queríamos, inicialmente, era chegar antes de toda a gente, para sermos os anfitriões perfeitos...), até ao cheiro a relva cortada de fresco que se espalhou pelos ares logo a seguir ao jantar.
No momento da chegada, os olhos. Todos os pares, sem excepção, a observar espantados os detalhes de cada um. A surpresa em alguns. Noutros, apenas o riso.
Foi perfeito.
A conversa fluiu, como antes já acontecera na caixa de comentários da posta romântica. Foi só uma continuação. Tal como esperávamos.
Houve algum receio claro. De não nos darmos, afinal, assim tão bem, de tempos mortos a falar do frio ou do calor. O receio, naturalmente associado a algo novo. O receio, aliado à grande expectativa. O receio, pelo quanto de responsabilidade implicava ser os organizadores do momento.
Dissipou-se, o receio, tão rápido quanto o jantar decorreu por entre gargalhadas e histórias. Tão depressa quanto os sorrisos se instalaram em todos nós.

Foi um espaço de pura magia, o que criámos ali. Com momentos inesquecíveis. Diferentes, para cada um dos participantes. Registámo-los de forma única e intransmissível. Mas todos os pudémos experimentar.

Foi o primeiro dia.
Que abriu a porta a outros, muitos, cada um com detalhes próprios e irrepetíveis. Bonitos, todos.

Foi há um ano.



Mar
publicado por shark às 12:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 18.03.06

A POSTA NA VÉSPERA

mapamantas.jpg

Na véspera?
Bom, na véspera só queria um momento de magia.

E assim aconteceu. Do princípio ao fim.
publicado por shark às 18:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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