Domingo, 30.10.05

ELECTRODOMÉSTICOS A PRESTAÇÕES

Lembranças que o tempo costurou.

loja das maquinas.JPG
Foto: sharkinho
publicado por shark às 22:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (25)

A POSTA PRÓ BONECO...

Só mesmo para entreter a vista. E adoçar o vosso dia.

pastel de nata.JPG
publicado por shark às 20:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Sábado, 29.10.05

A POSTA À CAP

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Foto: sharkinho

Pensando bem...
Porque não?
publicado por shark às 14:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)
Sexta-feira, 28.10.05

SUMO DE PAIXÃO

a traccao.jpg

Nem era a pressa de a possuir como um possesso, de acelerar o corpo inteiro ao ritmo das batidas do coração que ela alimentava. Queria, isso sim, colar-se de novo à sua pele. Percorria-lhe os contornos com o olhar que desviava ocasionalmente da televisão. E ela fascinante, com um copo na mão, transparente, que distorcia a visão de uma pequena parte de si mas não a escondia. Queria apenas aproximar-se de novo e retomar o que haviam interrompido umas horas de sono e um sumo bebido, sorriso nos lábios e olhos marotos, daquele copo vazio cujo rebordo ela acariciava com as pontas dos dedos.

Já os dele a tocavam, arrepiada, sentia-se desejada e espelhava-o com malícia no brilho dos seus olhos azuis. Não era a pressa e ele assim o provava, buscando no corpo em brasa os pontos mais sensíveis da pele que o fazia vibrar. Com a boca também, com as mãos e com os pés, calor partilhado um pouco por todo o lado pelo resto de si. No rosto a adoração, nariz enfiado nos cabelos doirados pelos raios de sol que despontava, enebriado pelo cheiro que aprendera a amar.
E ela sabia. Encorajava-o com os sons que libertava, na exacta proporção da loucura que se apropriava dela aos poucos, na exacta medida da sua tesão.

Saborearam com calma cada instante daquela fusão, corpos sem segredos nem medos por ultrapassar. Tudo valia, com regras definidas a dois, na intimidade construída pelas palavras e cimentada pelas acções. E era sólida nas fundações.
De concreto o respeito, de mel o beijo no peito que ele lhe dedicou no final de uma viagem espacial em que ambos embarcaram, em simultâneo, antes de na cozinha se espremerem mais laranjas para encher de novo o copo vazio que entretanto rebolara pelo chão e ela apanhou outra vez...


Posta-resposta ao mais recente desafio que a Hipatia lançou.
publicado por shark às 12:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)
Quinta-feira, 27.10.05

TALVEZ AMANHÃ

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Na minha secretária um decreto-lei. Mais uma obrigação que o Estado descartou. O Estado é aquele organismo medonho ao qual sustentamos os vícios para que, em contrapartida, a máquina faça a gestão do pecúlio comum e vá fazendo avançar o país. Um pouco como acontece com a administração do nosso condomínio, embora esta execute o seu trabalho sem direito a uma retribuição.
O problema é que a administração do condomínio não pode "deixar cair" as obrigações que lhe competem. Parquímetros a cumprirem o papel dos polícias, clínicas privadas a cumprirem o papel dos hospitais, companhias de seguros a cumprirem o papel da segurança social e toda a gente a tentar exercer a Justiça em nome dos tribunais. É esta a realidade que o decreto-lei na minha secretária traduz. O Estado que nos representa, essa realidade que se criou para cuidar de nós, é afinal o primeiro dos nossos problemas. E cada vez aceita menos responsabilidades em troca do dinheiro que lhe confiamos para gerir, resultados expressos nos orçamentos anuais que disfarçam a falência técnica de toda uma Nação.

Parece uma realidade distante, essa estrutura pesada por nós paga para nos servir. Mas os dramas que nos afligem têm cada vez mais um bode expiatório que ninguém consegue punir. A culpa é do Governo, seja ele qual for. Nunca é nossa, os que pagam nos impostos as mordomias de quem não se abnega em prol do seu país. Senhor do seu nariz, o aparelho burocrático apropria-se dos nossos bens sempre que falha o retorno na colecta ou embica para um rumo que nos atravessa o terreno de sonho em troca de uma indemnização absurda.
Autista, oferece-nos formulários para que expressemos a nossa indignação. Ou encaminha-nos para as urnas, onde a vulnerabilidade da Democracia perante os medíocres nos prepara o funeral. Mais uma desilusão, feita de promessas adiadas, medidas contestadas e uns metros acrescentados no fundo do buracão. Anos a fio, como se o assunto não nos diga respeito, perpetuam-se os mesmos nas rédeas da situação.

Na minha secretária, um conjunto de papéis que me esfregam nas ventas a urgência de uma nova revolução. Mentalidades alteradas, ideologias repescadas e o fim da apatia. Mas hoje não é o dia, refugio-me no trabalho que tenho por fazer.

E lá fora não pára de chover.
publicado por shark às 12:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Quarta-feira, 26.10.05

VALEU A PENA!

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Foto: sharkinho

Hoje tive uma das maiores alegrias dos últimos tempos. Pude pela primeira vez olhar para o rosto dela, uma menina. A quem ajudaremos de forma decisiva a obter um presente melhor e um futuro em condições. E já aguardamos notícias do próximo, um rapaz.

Hoje consegui sentir que o dia valeu a pena.
publicado por shark às 21:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)

QUESTÕES TÉCNICAS

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Desculpem este corte temporário na nossa comunicação mas parece que há uma avaria qualquer no sistema de comentários do charco.
publicado por shark às 16:48 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 25.10.05

A POSTA NAS TORRES

Não costumo fascinar-me com edifícios modernos, mas estes enchem-me a vista.

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 19:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA NO PRINCÍPIO

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Assumo que a mais forte motivação que me agarrou à blogosfera foi precisamente o facto de ter ao meu alcance pessoas em condições, que eu podia avaliar pelas palavras e pelas criações antes de somar mais desgostos aos que a vida já me deu.
O meu blogue é o meu diário e o anonimato que adoptei equivale, como já referi algures, ao cadeado que o protege de olhares indiscretos e de gente mal intencionada. Ontem, em clima de novela mexicana que traduz a minha vida tal como ela tem sido, o cadeado deixou de existir.

A quente, surpreendido pelo enxovalho público a que me submeteram, entreguei ontem os pontos a quem pretendia fazer-me mal silenciando-me pela calúnia. De cabeça fria, e depois de ler as opiniões de quem me comenta (os amigos que agora me orgulho de ter a meu lado), retive o conceito referido pelo Soslayo: quem não deve não teme. E é o caso, pois tudo o que afirmo neste espaço tem meios de se comprovar.
Chamo-me Jorge Manuel e só não refiro o apelido porque o reneguei dias atrás por motivos que, a meu ver, ontem ficaram esclarecidos. Somando este dado aos que agora conhecem, é fácil descobrir quem sou por detrás do nick que me identifica neste meio.

Isso abre as portas à única defesa que me resta contra as calúnias que me possam ser dirigidas. Porque quem quiser pode agora verificar in loco o que valho afinal e qual a reputação de quem tentou denegrir-me. Nada tenho a esconder e multiplicam-se neste espaço as revelações que me denunciam imperfeito, como qualquer um de vós.
Um ano de blogosfera e de relações extra-virtuais com dezenas de pessoas que blogam falam por mim. Uma vida inteira sem nada que me obrigue a virar a cara para o outro lado, quem quer que se cruze no meu caminho, complementa essa informação que vos forneci ao longo destes meses de Charquinho.

De resto, diversas aparições públicas deram-me a conhecer pessoalmente à maioria dos(as) que me acompanham. Não sou tão anónimo quanto isso e respondo pelas minhas fraquezas e imperfeições. Mas respondo pelo resto também, pelas coisas de que me posso orgulhar. E isso confere-me o direito de blogar (de falar) sem medo, sem ceder à tentativa vil de me limitar a liberdade de expressão (uma ironia...).

Decidi estragar a festa a quem agiu com o nítido objectivo de me silenciar, de evitar verdades incómodas. Estas últimas, admito-o, não as contarei. De resto, retirei do blogue a posta que serviu de pretexto para me vilipendiarem na praça pública. Para poupar os visados à crueza de um desabafo que não teria coragem, ou sacanice, para lhes dirigir. Em nada mudo a opinião que lá expressei e até fiquei mais convicto das minhas razões, mas nunca seria capaz de os expor desta forma sem eu próprio estar salvaguardado da identificação que os pudesse tornar visíveis por inerência.
Não voltarei por isso a falar de mim no que envolva terceiros. Pelo menos neste espaço, sob esta capa agora transparente que me cobria. Porque não pretendo servir-me deste meio ou de outros para atacar seja quem for. Já o afirmei.
E não receio (mais) represálias por não ter rabos de palha.

Sou aquilo que escrevo aqui, certo ou errado, bem ou mal pensado, mas sempre fiel à verdade como a interpreto ou interpretei. Não tenho o monopólio da razão, insisto, mas tenho o direito de manifestar a minha visão do que me rodeia. Desse não abdico, mesmo à mercê de quem queira aproveitar-se da minha exposição para os seus ajustes de contas. Estou cá para os receber, dêem a cara também.
Na blogosfera ou fora dela, agora que é fácil encontrarem-me no sítio de onde nunca precisei de fugir.
publicado por shark às 09:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (60)
Segunda-feira, 24.10.05

A POSTA NO FIM

Nem sei quantos de vocês receberam um email ou uma entrada na caixa de comentários do vosso blogue a meu respeito, mas pouco me importa nesta altura. Essa mensagem foi enviada por alguém da minha família, a única pessoa que conhecia a minha identidade, indignada pela denúncia (até hoje) anónima dos meus progenitores numa posta a que chamei Cordão Umbilical. E essa indignação deriva sobretudo do motivo que mais me afastou do que apelidei de corja e na qual ela, como a atitude em causa ilustra, sempre se integrou na perfeição. Quem me conhece já sabe porquê e de quem se trata.

Por isso não lavarei aqui a dita roupa suja, sobretudo agora que a estupidez de quem reagiu com medo que eu lhe expusesse as vergonhas acabou com o anonimato que, afinal, até protegia os interesses dos visados e dela própria (também descrita neste blogue). Não prima pela inteligência, como a sua existência parasitária comprova, essa pessoa que agora se juntou ao rol dos defuntos na minha agenda...

Claro que poderia aqui defender a minha posição e exibir as provas necessárias, mas isso é irrelevante. Não é o conteúdo da mensagem que me preocupa mas apenas a questão do anonimato que assim me impede de blogar neste espaço e sob o nick que adoptei. Porque esse anonimato protegia as pessoas de carne e osso que descrevi nas minhas postas e não passariam de desabafos inócuos se esta reacção de defesa patrimonial não acontecesse. E para facilmente entenderem o calibre de quem me caluniou, pessoa mesmo muito chegada, reparem no facto de ter escolhido o dia do aniversário da minha filha para executar mais uma das suas traições.
Ainda que duvidem da essência do meu carácter, capaz de suscitar tal atitude da parte de uma ex-familiar, julgo que entenderão porque reneguei os meus laços a tal clã. A pessoa que me pregou esta partida é a pessoa mais querida da minha filha.

Pouco mais há a acrescentar perante os factos em apreço. Resta-me despedir-me de todos quantos acompanharam este charco, deixando ao critério de quem já me conhece o futuro da nossa relação.
Ficará aqui o testemunho que cedo ou tarde vos levará à autora desta infâmia, nas postas que escrevi ou nos textos que ela assina (numa banca perto de si).
Deixo também o alerta que o meu exemplo pode ilustrar: nem aos mais próximos podemos confiar a nossa identidade blogueira...
publicado por shark às 21:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (31)

A POSTA DE PAI

Hoje é um dia muito especial para mim. Há precisamente seis anos aconteceu o mais importante momento de toda a existência que conheci. Foi às cinco da madrugada, mas por um lapso de uma médica tonta só tomei conhecimento dessa alegria duas horas depois. Chorei copiosamente e sem controlo como nunca antes me acontecera, emocionado.
Ela entrou na minha vida à pressa, sem pachorra para esperar pelo contacto com o mundo cá fora como o seu temperamento justifica. Tem sede de viver, sôfrega de emoções.
É uma lutadora, talhada à medida do tempo que a acolherá.

De mim herdou o desenho dos lábios e um feitio levado da breca, mais o culto da palavra que faz questão de salientar. Adora aprender o significado do que se diz e nunca utiliza um vocábulo a despropósito. Uma mania que também eu exibi em pequeno e, de alguma forma, me acompanhou ao longo do caminho. Coisas que os genes sabem explicar. Mas eu explico-o pelo amor de pai, pela sensação estranha de não existirem diferenças que nos distingam, de naquela pessoa existir tanto de meu que tocar na sua pele é como tocar na minha. Mas muito mais agradável.
E adoro a sua voz, a cor do cabelo, o sorriso desdentado, a expressão profunda do seu olhar. Perco-me a observá-la, enquanto cresce tão de repente que mal tenho tempo de processar as transformações que nela o denunciam. Ainda na minha ideia a sua figura minúscula de prematura com menos de dois quilos à nascença mal se consolidou (que saudades dos banhos que lhe dava como se tivesse nos braços uma boneca de cristal) e já dou comigo a olhá-la enquanto faz os trabalhos de casa, compenetrada, numa etapa bem avançada do seu processo de formação.

Esforço-me para fugir à versão lamechas que traduziria o sentimento que me invade neste instante, para conter as palavras que expressem a magia deste amor descomunal que me domina. Se calhar não consigo e por isso fico por aqui, deliciado com a imagem de um rosto que hoje ocupa quase a totalidade da minha carola.
E partilho convosco, aqui em baixo, a interpretação que a minha herdeira faz do seu pai tubarão. Babado como nenhum.

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publicado por shark às 10:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (42)
Domingo, 23.10.05

A POSTA NAS PONTES (LISBOA)

Tenho a sorte de morar numa cidade onde se estendem duas das mais belas pontes do mundo. E esforço-me por conseguir retratá-las à altura, mas enfim...
Fiquem com uma pequena amostra das minhas inúmeras tentativas.

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 19:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A FUGA DAS GALINHAS II

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Acabaram as aventuras promíscuas nos arrebaldes dos galinheiros nacionais. Chorosas, as galinhas veêm-se enclausuradas e assim privadas do contacto esporádico com as aves de arribação.
Para os galos, sempre ciosos da sua exclusividade territorial, a gripe das aves constitui uma boa notícia. Mesmo que lhes custe a perda de um dos seus ofícios, o de despertadores naturais, e assim aumentem as probabilidades de acabarem no tacho. O instinto de posse que os atormentava sempre que as levianas se aproximavam envergonhadas dos patos-bravos, das andorinhas macho e, pior ainda, dos belos cisnes que as impressionavam com a elegância do seu porte, sobrepunha-se ao medo de se verem enfiados no galinheiro a aturarem os cacarejos incessantes do seu harém.

Entristecidas, as ovíparas viram-se privadas de uma das suas maiores alegrias: a de assistirem ao regresso triunfal dos seus amores de Outono, os que escapavam à mira dos caçadores estúpidos e incapazes de distinguirem uma águia de uma perdiz. Nem os carteiros (pombos-correio, claro) quebram agora a monotonia do aviário, dias a fio sem notícias da passarada vai-vem que planava graciosa no céu.
Nem comem, coitadas, entediadas pelo piar ensurdecedor dos pintaínhos e apoquentadas pelo ar machão dos galarós de crista murcha que lhes surgem como única opção. Uma rapidinha à galo e pouco mais, espreitando com tristeza pelas redes de protecção os papagaios selvagens (excelentes conversadores), o imponente pombo torcaz ou mesmo, à falta de melhor, uma codorniz mais atrevida...

Corre-lhes mal a vida e ninguém pode valer-lhes nesta época conturbada. Lá fora, os gansos recordam-lhes aventuras escaldantes que nem de perto viviam (nem mesmo com um galo capão) nos dias saudáveis e livres da gripalhada transmissível e mortal que as privou de se exibirem em feiras e exposições. Nada para lhes quebrar a rotina poedeira, um namorico à maneira, a monogamia forçada numa existência confinada. O sol aos quadradinhos, o adeus aos patinhos multicolor e a todas as aves migratórias (qualquer ave que migre periodicamente - resolução 004, de 18/09/85, do CONAMA, Brasil). Da tia, pensam os galináceos portugas que já nem nas churrasqueiras têm a saída de outros dias...

Os humanos, a braços com a peste suína, as vacas loucas e mais uma carrada de preocupações alimentares, andam alheios ao drama dos galinheiros, na busca desesperada de uma vacina que lhes salve o fricassé e a canja. Mas a solução para o problema das galinhas ninguém arranja, privadas do amor ocasional com alguma ave sensacional e cheia de histórias para contar.
E elas a definhar, num triste cacarejo, aguardam uma porta entreaberta, aproximam-se da mais esperta e espreitam a hipótese de fuga que possa surgir.

Voando baixinho em sonhos, à socapa, anseiam recuperar um dia a boa vida que agora lhes escapa.
publicado por shark às 18:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA NO MANU

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Arranjar motivação para traduzir aquilo que alguns bloggers escrevem em português já requer por vezes mais paciência do que a que consigo arranjar. Nunca me passaria pela cabeça frequentar um blogue estrangeiro, escrito numa língua que não domino e mesmo assim encontrar motivação para o acompanhar.
E muito menos seria capaz de comentar esse blogue na minha língua-mãe, arriscando no mínimo a indiferença dos anfitriões.

Por isso mesmo, não deixo de me surpreender agradavelmente com o esforço que o Manu aplica na sua qualidade de visitante e de comentador(!!!) do Charquinho. O Manu é francês e, não sei como, veio parar ao charco e tem vindo a acompanhar-nos com intervenções que mostram que percebe tudo o que se passa, mesmo nas entrelinhas...

É algo que me provoca orgulho e admiração. E por isso, não posso evitar dedicar-lhe uma posta de boas vindas como deve ser. Tem sido um amigo desta casa e merece a minha maior consideração.

Assim, é com todo o gosto que vos convido a conhecerem o blogue do Manu (onde tive a honra de ser o primeiro comentador) e descobrirem o seu talento para retratar a terra onde vive.
Ao contrário de mim (o que deve dificultar ainda mais a sua tarefa de tradução) ele não se alonga em "lençóis" e é fácil de ler.
Na minha opinião, esta presença do nosso colega de França ilustra o potencial da internet em geral e da blogosfera em particular para quebrar quaisquer barreiras que nos afastam da gente boa que se encontra em qualquer lugar.
Cliquem no linque acima e vão lá dar um abraço (em português ou em francês) a este colega cuja atitude me parece, a todos os títulos, de louvar.

Merci, Manu!!!
publicado por shark às 00:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 22.10.05

A POSTA NOS CÉUS

Gosto muito do céu e dos efeitos extraordinários que nos oferece a toda a hora. E decidi partilhar convosco alguns desses momentos que apanhei, for your eyes only...

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Fotos: sharkinho
publicado por shark às 17:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Sexta-feira, 21.10.05

A POSTA TRICOLOR

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Foto: sharkinho

Entre a terra e o céu, a paixão que brilha no teu olhar.
publicado por shark às 18:18 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 20.10.05

A POSTA NA FOTOGRAFIA V

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Foto: sharkinho

Tempo de castanhas.
publicado por shark às 09:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (20)
Quarta-feira, 19.10.05

PROXIMIZADE ABSOLUTA

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Apenas para que ninguém fique com a ideia de que o Proximizade (o blogue que nasceu umas postas atrás) está "pendurado" e que não teria passado de uma euforia passageira, quero aproveitar esta posta para confirmar a todos(as) quantos(as) tomaram contacto com essa vontade por nós manifestada que, sem dúvida, trata-se de uma realidade que a nossa blogosfera está a produzir. Ou seja: a ideia não morreu e está em ebulição no local apropriado.

Por uma questão de eficácia, reduzimos a actividade inicial de estruturação do projecto a um grupo de voluntários(as) cuja dimensão permite a troca de informação numa "mailing list" (o que seria quase impossível num colectivo de maiores dimensões - somos dez nesta fase) e por telemóvel, as únicas formas viáveis para um grupo de gente que bloga em diferentes pontos do país poder acertar as agulhas necessárias.

O blogue já existe fisicamente e está em fase de "retoques". Da sua estrutura e objectivos, bem como da organização do trabalho do grupo inicial (que iremos alargar esta semana com os "reforços" em stand by), consta a nossa tarefa nesta altura e essa não tem, naturalmente, qualquer visibilidade que vos possamos transmitir.
De resto, uma iniciativa que se pretende credível e funcional é complicada de definir e trazer à prática quando sabemos que todos têm as suas vidas para atender e o trabalho é desenvolvido à distância.

Tudo isto para renovar o convite a todos(as) quantos(as) se sintam disponíveis para colaborar e ainda não o tenham feito por julgarem que o objectivo parou no tempo: proximizade at gmail.com é o ponto de encontro das vontades que se pretendam manifestar. Toda a ajuda é bem vinda em qualquer das equipas que estamos a constituir, sobretudo quando já é ponto assente que o Proximizade estenderá o seu âmbito a uma multiplicidade de causas de âmbito nacional e internacional.
Qualquer pessoa (com ou sem blogue) pode oferecer-se para colaborar com parte do seu tempo para a construção desta iniciativa que, recordamos, visa disponibilizar um espaço dinâmico de canalização de apoios para instituições de índole humanitária que cuidaremos de seleccionar com o máximo rigor possível.
Por outro lado, tencionamos direccionar a nossa actividade para a divulgação e a intervenção directa no apadrinhamento de crianças em países onde a fome e a pobreza grassam sem fim à vista.
No fundo, propomo-nos mobilizar a blogosfera (e não só) em torno da necessidade premente de acabar com a atitude passiva que está a deixar morrer uma parte do mundo que partilhamos.

Dentro de dias, o Proximizade será inaugurado e contamos com o vosso suporte para a respectiva divulgação no momento oportuno.

Contamos convosco para transformar esta ideia num sucesso.
E o sucesso mede-se em sorrisos da esperança que é urgente motivar.
publicado por shark às 23:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Terça-feira, 18.10.05

SANTO NÃO SOU

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Foto: sharkinho

Tinha cerca de oito anos. Acabado de chegar à rua, descobri um aglomerado de malta amiga nem cem metros adiante. Reinava uma estranha agitação na miudagem e eu, claro, apressei-me a chegar junto do acontecimento que tanta algazarra provocava naquela pequena multidão de gaiatos como eu.
E a malta gritava: "Atrasado! Atrasado! Maluquinho! Maluquinho!". E eu juntei a minha às suas vozes esganiçadas, ainda mal percebera a quem se dirigiam as invectivas do pessoal.

No meio da turba, assustado, um jovem com talvez dezasseis anos na altura pedia com o olhar que o deixassem em paz enquanto avançava a custo para uma fuga impossível de concretizar. Todos os que o perseguiam corriam mais do que ele alguma vez seria capaz.
E a malta gritava, gozava, aqui e além uns empurrões. E ele cada vez mais aflito, sem escapatória, procurava em vão alguém que lhe valesse naquele cerco de neandertais.
Ninguém mexeu uma palha, adultos à janela e gente que passava ao largo sem ligar. Indiferentes àquele olhar. Como eu, que o fixava enquanto gritava e não percebia que a loucura estava do nosso lado afinal.

Formou-se uma pequena clareira em seu redor e ele, desesperado, aproveitou para deitar a mão com extrema dificuldade a uma pedra solta da calçada que descobriu no chão. Todos bateram em retirada e eu não, deixei-me ficar a uns dez metros do rapaz, atrevido, desafiador, exibindo mais uma vez a minha ousadia aos putos que precisava impressionar.
A pedra da calçada voou. E pouco tardou até o sangue jorrar em profusão do lenho que na minha cabeça abriu aquela lição.
Como se o destino me quisesse ensinar aquilo que escapara aos meus progenitores, o respeito pelos diferentes de mim.
Aprende-se depressa assim.

Transportado de urgência para uma clínica próxima do bairro, um enfermeiro desajeitado coseu-me a ferida com oito pontos a sangue frio. Mereci a dor que cada um dos furos no couro cabeludo ensanguentado, cabelo rapado, aquela agulha de sapateiro me provocou.

À moda siciliana, logo se preparou o ajuste de contas com a família do agressor. Que não se concretizou. Porque eu, ainda atordoado, troquei as voltas à situação. Avancei para o rapaz e estendi-lhe a mão, pedi-lhe desculpa pela forma bruta como o tratei. E ele, lágrimas nos olhos, retorquiu descoordenado, dedos crispados pela sua paralisia cerebral.
O assunto morreu ali.

Ainda hoje me perturba o personagem que vesti, o mais duro do gang que se reuniu para a vergonha que protagonizei. Nem no arrependimento me consolei. Mas aprendi.
Ainda hoje me revoltam os gestos de gozo dos canalhas como eu fui, as brincadeiras de mau gosto dirigidas por despeito a quem merece o respeito que a diferença ou a desdita nunca justificam renegar.

Ainda hoje não me perdôo pela atitude que tomei.
Da mesma forma não hesito em punir os que ignoram essa regra que a vida me ensinou. Dedico-lhes o ódio que a mim próprio dirigi. A revolta que senti, acumulada pelas injustiças que já testemunhei desde esse dia que me embaraçou e no corpo me marcou a lembrança do castigo, é hoje canalizada para a fúria mal controlada que não me torna um homem melhor.

Assumo que não sei perdoar quem se comporta de forma tão vil.
Assumo que não sei ignorar a chacota debochada de quem algures perdeu o rasto à decência.
Assumo, para minha vergonha, que nessas circunstâncias a violência afigura-se solução.

Para os que abusam da falta de princípios e enxovalham ou agridem (directa ou indirectamente) os que não se podem defender eu assumo: trago sempre uma pedra na mão.
publicado por shark às 10:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)
Segunda-feira, 17.10.05

A POSTA COLUMBÓFILA

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Foto: sharkinho

Tenho imensas saudades de jogar xadrez.
Mas quando olho para o ar imbecil do adversário virtual, um computador sem rosto nem alma, falta-me a pachorra.
Às vezes dá-me vontade de lhe espetar um murro no monitor, mas isso não abonaria da minha capacidade de desenhar uma estratégia inteligente e ganhadora. E podia custar-me um dinheirão.
Vou aguardar por um momento mais propício e um destes dias dou-lhe o xeque do costume, com a minha rainha.

Era mais giro se fosse um daqueles computadores que aprendem com as próprias asneiras, capaz de ocultar os calcanhares de aquiles, pois assim farto-me de vencer sempre com a mesma jogada...
publicado por shark às 21:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Domingo, 16.10.05

A POSTA REPSOL

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BLOGOSFERA

Postos à prova. Todos os dias.
publicado por shark às 22:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Sábado, 15.10.05

A POSTA QUE CONSEGUIMOS!

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Foto: sharkinho

É difícil nesta altura concentrar-me na feitura de uma posta "normal". Como podem constatar pelas anteriores, a minha cabeça está presa num objectivo que a desvia de quase tudo o que daria tema para uma destas minhas conversas convosco.
Em causa está a possibilidade de em conjunto fazermos alguma diferença, de servirmos de exemplo para que outros acreditem na sua capacidade de intervir, de descruzar os braços perante as realidades que nos devem atormentar. E esta hipótese vai nascer da blogosfera, desta comunidade virtual que nos une.

Desta vez, a união faz-se em torno de um objectivo que só pode orgulhar quem a ele se associe de alguma forma. É uma oportunidade de ouro para que cada um de nós desvie uma parte da sua atenção para aqueles que não têm quem lhes deite a mão.
Temos um meio, uma via de comunicação. Só precisamos da vontade e da fé. O resto acontece porque queremos que assim seja, porque precisamos de combater a sensação de impotência que, estou certo, já vos afectou de uma forma ou de outra.
Em causa estão crianças. Que padecem de dificuldades que mal conseguimos entender, quando aos nossos filhos nunca se coloca a hipótese de lhes faltar a comida no prato, dias a fio, até a morte acontecer.

Às vezes ficamos com a ideia de que o sofrimento de milhões é um mal necessário e que não há nada a fazer. O tanas! Obstáculos não faltam, pretextos desanimadores também não. Mas eu não consigo viver mais tempo com a imagem de uma mãe a quem desfalece um filho nos braços, com o meu comodismo a contribuir para que tal aconteça. Não me suporto cúmplice de tanta tragédia, por abstenção. Pela indiferença.
Com menos de cem homens, Fidel Castro concretizou uma revolução. Não está em causa a ideologia, o sucesso, o benefício que essa revolta trouxe (ou não) para o povo que se deixou contagiar pelo espírito de Sierra Maestra. É um exemplo de que bastam uns quantos para mudar o que parece inalterável.

No momento em que escrevo estas linhas, o embrião de uma iniciativa improvável nos dias apáticos que vivemos está a crescer, está a mover pequenas elevações que são um grupo de pessoas cujo esforço poderá amanhã mover as montanhas que se formem com a multiplicação de vontades que cada um de vós pode ajudar a concretizar. Não sei no que isto dará, apenas acredito que uma vida que se salve, um futuro que se ofereça, fará valer a pena agitarmos as águas da nossa consciência e arregaçarmos as mangas para lutar contra a indignidade que está a acontecer a esta hora. Enquanto eu gasto o meu latim a tentar convencer-vos que vale a pena, estes minutos investidos num simples texto, várias crianças em diversos pontos do planeta soltaram o seu último suspiro.
Isto dói.

Não vale a pena? Porquê? Porque os líderes corruptos dos países pobres desviam os donativos? Porque os líderes gananciosos dos países ricos os sustentam no poder, com o nosso beneplácito, para poderem manter o status quo desta merda de civilização ocidental onde nada falta excepto a vergonha?
Era só o que faltava. Não está em causa apenas a vida ou a morte de milhões de pessoas a milhares de quilómetros de distância. Está em causa a dignidade com que nos comportamos, a felicidade que nos escapa por entre as brechas que se criam num quotidiano feito de trivialidades sem sentido algum.
Salvar vidas, oferecer esperança. Isso sim, são coisas que nos podem ajudar a enfrentar o espelho com um brilho no olhar.

É por isso que vos convoco para esta pequena batalha que iremos travar, pela nossa própria salvação enquanto pessoas de bem. Não basta provarmo-nos capazes de vencer as pequenas barreiras de treta que uma vida normal acarreta. Temos que querer ir mais além, temos que nos afirmar, de nos agigantarmos perante a desdita dos que nasceram no sítio errado, no tempo mais cruel que a Humanidade já experimentou.

Gostava muito que a blogosfera, as pessoas que a fazem, pudesse um dia ser recordada como o ponto de partida para uma forma de estar mais solidária e actuante.
Gostava que conseguissemos contagiar o mundo inteiro com a exibição da nossa capacidade de intervenção.

Um pedacinho desse sonho está em marcha para se concretizar. E vocês, vão deixar-se à margem do milagre que podemos em conjunto materializar?
publicado por shark às 21:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Sexta-feira, 14.10.05

AGORA NÃO PARAMOS

inenarravel.jpg

Como podem ver na posta Apenas Mais Um, mais abaixo, e respectiva caixa de comentários, a coisa não vai cair em saco roto.
Assim, vou contactar o Paulo Querido a fim de o convencer a alojar gratuitamente um novo blogue que dará corpo a uma iniciativa concreta, nos moldes sugeridos por quem se manifestou nessa ocasião (nomeadamente a Partilhas).
A ideia é congregar num blogue colectivo toda a informação e os mecanismos necessários para a comunidade blogueira poder intervir numa acção directa de apoio a crianças africanas. Nos próximos dias irei dando conta aqui no charco, e estou certo que os colegas o farão nos seus, da evolução dos acontecimentos.
Para já, solicito a todas as blogueiras e blogueiros interessados em contribuir com o seu tempo (e o seu apoio financeiro, numa fase posterior) e motivação que me contactem pelo proximizade at gmail.com para "contarmos espingardas".
Eufigénio, Zu, Partilhas, Mar, Susana e Lisa: conto convosco para o grupo de arranque, dado terem sido as pessoas que mais pareceram sensibilizadas para a questão e com vontade de não deixar morrer a ideia numa posta. Confirmem a vossa disponibilidade por email ou, os que já o tiverem, pelo meu telemóvel.
Todos os(as) que pretendam aderir a esta ideia, por favor: não se inibam! Quantos mais, melhor!
Até já!

Primeira actualização: ao grupo inicial de voluntários juntaram-se a Sofia e a Luna. BEM VINDAS!
publicado por shark às 10:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (68)
Quinta-feira, 13.10.05

ATRÁS DO TEMPO

menina antiga.JPG
Foto: sharkinho

Ontem, num noticiário, uma jovem jornalista da RTP enchia o microfone, a propósito de uma exposição qualquer acerca de esposas de ex-Presidentes da República, com um chavão muito em voga: atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher.
Confesso que não entendo esta velha máxima, sobretudo vinda da boca de uma gaiata.

Se eu fosse um grande homem, gostaria de ter ao meu lado uma grande mulher.
publicado por shark às 17:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (28)

A ÚLTIMA A MORRER

primeira luz.JPG

segunda luz.JPG

terceira luz.JPG

lamparina.JPG

fogo no ceu2.JPG

Fotos: sharkinho
publicado por shark às 09:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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