Sábado, 14.05.05

A POSTA NO GLORIOSO

Tenho evitado falar de bola no charco. Mas hoje não posso calar a minha quota-parte na festa da grande nação benfiquista. Desculpem-me esta manifestação de regozijo, caso colida com a vossa tristeza. (Aguentem-se à bronca. E aproveitem a nossa ausência na prova europeia para ver se ganham qualquer coisinha).
SLB, SLB, GLORIOSO SLB! SLB, SLB, GLORIOSO SLB!!!
publicado por shark às 22:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Sexta-feira, 13.05.05

OS DIAS ESPECIAIS...

...Também se fazem das efemérides importantes.
Hoje, ELA faz anos. E por isso eu sinto-me feliz.
Tags:
publicado por shark às 00:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (28)
Quinta-feira, 12.05.05

A POSTA NO BEM

Wooden_door_2.gif

Uma pessoa amiga (colega de trabalho) alertou-me para o facto de a felicidade de cada um de nós ser susceptível de atrair as más ondas dos outros. Algo que leu nem sei onde, mas que associou de imediato às minhas circunstâncias actuais. Isto a propósito da divulgação pública das nossas emoções. E eu agradeço a preocupação dessa pessoa. Mas não a subscrevo. E explico-vos porquê.
As pragas valem o que valem, como quaisquer bruxarias ou outras exibições de força do mal como este se manifesta nas pessoas pequenas. São crendices ao dispor de qualquer charlatão ou outro tipo de ser mesquinho.
Mas mesmo admitindo, para apimentar esta posta, que existem cromos capazes de transformarem uma galinha preta noutra coisa que não uma canja em condições, qualquer mal só penetra onde o bem se distraiu. Maniqueísta, bem sei.

As más ondas, como a inveja, o despeito ou o ciúme doentio, podem alimentar nas pessoas ofendidas ou rejeitadas (ou ofendidas pela rejeição) um enorme rancor. E esse diz-se alimentar a parafernália ao alcance da bruxa ou do bruxo comum e facilitar a propagação dos malefícios até à(s) pessoa(s) a atingir. Um bocado como a ADSL dos harry potters de trazer por casa.
Contudo, diz-se também que o mal não consegue vergar as forças do bem e isso deriva do poder da fé. Por exemplo, em Deus. Eu chamo-lhe Amor e não apenas por ser romântico ou agnóstico, mas porque aprendi ao longo da vida que essa é a maior de todas as forças e não oferece contestação. Alimenta até o ódio que algumas pessoas conseguem sentir, se defraudadas de alguma forma nas suas expectativas em relação a algo ou alguém.

Neste pressuposto, qualquer pessoa ou relação munidas de fé em Deus (ou no Amor) são imunes mesmo às mais complexas artimanhas do voodoo (e a outras). E o mesmo acontece no que toca aos cépticos perante esses alegados poderes malévolos e poderosos ao alcance do cidadão comum ou de um Mestre ou Professor qualquer coisa com anúncio no Correio da Manhã. Lérias, tão válidas como as profecias dos visionários religiosos, o pessimismo dos velhos do restelo ou as pragas da vizinha de cima.

A pessoa amiga e bem intencionada que me alertou, e não sou pobre e mal agradecido, merece a minha gratidão pelo facto de se preocupar com um assunto que nem lhe diz respeito de forma alguma. Aprecio pessoas assim, embora lhes reconheça alguma propensão para a paranóia. Coisas que se desculpam na boa a quem nos quer bem.
Até por isso, doravante darei mais atenção ao que essa pessoa tem para dizer.
Porque não acredito em bruxas nem em varinhas de condão. Porém, eu que gosto de partilhar a minha felicidade com as outras pessoas, também gosto de me sentir preparado para o que der e vier. Mesmo que venha, sabe-se lá, uma figurita a correr sem rumo certo, julgando que voa, patética, montada afinal numa simples e vulgar vassoura.
publicado por shark às 13:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (28)
Quarta-feira, 11.05.05

A POSTA COBARDE

virar a direita.gif

Às vezes as pessoas surpreendem-me. Às vezes não. Existem formas de identificar nos outros as hesitações que contrariam a sua vontade expressa, aquilo em que apenas anseiam acreditar.
Mas não acreditam de facto, pois não arriscam. Os riscos que corremos são uma bitola para avaliar a força das nossas convicções. E das nossas paixões. Se não arriscamos, é porque não acreditamos nas hipóteses de sucesso da nossa empreitada ou não confiamos nas certezas apregoadas na primeira pessoa.

Eu admiro as pessoas corajosas, as que são capazes de assumirem o que dizem, de fazerem aquilo a que se propõem. Sem medo nem meias tintas ou mensagens subliminares, arriscando de facto. Admiro-as e também gostava de me ver assim. Como gostava de o ver noutras pessoas. Não é bem assim e isso acaba por se amplificar nos meandros da blogosfera, onde podemos dizer tudo mas recuamos perante o papão da opinião de terceiros, condicionamos a nossa liberdade de expressão. E podemos induzir em erro as outras pessoas.

Não sou melhor do que os outros nesse aspecto. E também tenho momentos de hesitação. Mas quando me decido, avanço e fico a aguardar as repercussões. Nem sempre são agradáveis, as repercussões. Podem até implicar sérios riscos de perda, a níveis bem reais, exteriores a este mundo à parte que construímos a cada instante.
Contudo, os riscos existem para aprendermos a enfrentá-los. Precisamente na medida dos valores em causa, da nossa coragem ou da nossa determinação. E essas não se avaliam pelas nossas palavras mas pelas nossas acções (as palavras também podem agir).

A blogosfera empurra-nos para as entrelinhas, para as mensagens cifradas que dizem tudo sem nada esclarecer. Quem quiser que adivinhe.
Às vezes não pode ser assim.
Para não dar margem a equívocos, falsas esperanças e futuras desilusões. Para afirmar o que somos, aquilo em que acreditamos. Para definir perante os outros as regras do jogo que entendemos aplicar, num dado momento e em circunstâncias especiais. Se são mesmo essas as que queremos jogar e não alimentamos fantasias ou ilusões nos bastidores da nossa intenção.

Gostava de seguir por esse caminho, mas tenho que alinhar pela bitola mais comum. Não por medo do risco, mas pelo sentido das proporções, do equilíbrio que deve existir entre as apostas de cada um. Nem todos sabem merecer essa frontalidade que afinal mesmo a blogosfera desmascara como mera utopia. Salvo raras excepções. E nem todos a sabem enfrentar.
Por isso esta posta não é corajosa, embora diga o que me vai na alma e pretenda deixar tão clara quanto possível a ideia que tenho tentado transmitir por outras vias. Quem viu já sabe. Quem não viu já tem forma de o saber.
Acho que assim fica tudo dito na mesma.
publicado por shark às 10:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (85)

E AGORA MUDANDO DE ASSUNTO

gatinho goes2.JPG

Os olhares felinos encantam-me.
publicado por shark às 00:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Terça-feira, 10.05.05

A POSTA ILEGAL

tubarao2.jpg

Senti-me como peixe na água.
Tags:
publicado por shark às 12:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (54)
Segunda-feira, 09.05.05

RESERVA DE PROPRIEDADE

Cat_-_Cartoon_02.jpg

Travaram os dois a fundo, evitando à justa a colisão. Saíram dos veículos, possessos, convencidos das suas razões. Haviam descoberto em simultâneo aquele precioso lugar vago no parqueamento, ambos ligaram o pisca e iniciaram a aproximação. Exactamente ao mesmo tempo, triste coincidência, e nenhum abdicaria do seu inegável direito. Envolveram-se em acesa discussão, berraram.
Os dois jovens, classe média abastada e formação superior, não chegaram a um consenso e desataram ao murro. Andaram naquilo um bocado, ninguém se metia que o problema não era seu. Até que um perdeu a luta. E não gostou.
Correu para o porta-bagagens. Quando o outro lá chegou deu-lhe com a chave de rodas numa têmpora e ele tombou. Deitou as mãos à cabeça, o adversário morreu.
Enquanto a polícia o prendia, ensanguentado e em choque, outro cidadão estacionou a sua viatura, satisfeito, naquele oportuno lugar vazio.
publicado por shark às 10:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (52)
Sexta-feira, 06.05.05

A POSTA NAS DUAS MARGENS

basketballing4.gif

Não faço...

vascodagama4.jpg

...a coisa...

gaivotazul.jpg

...por menos.
publicado por shark às 11:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)
Quarta-feira, 04.05.05

A POSTA NA BOA ONDA

quartosete.jpg

Há espaços que se agarram a nós como sanguessugas. São parasitas das emoções que nos invadem quando os lembramos, colam-se às memórias como adereços, como cenários do palco onde a nossa vida acontece e os aplausos que ecoam são os sons dos momentos especiais que associamos a cada lugar e às pessoas que a eles nos ligaram pela sua presença num lapso de tempo que recordamos feliz.

São coisas de pedra, sem vida própria, a que nem atribuímos qualquer importância quando as olhamos sem paixão. Nem sabemos que existem até ao dia em que servem de referência para o que de importante ali nos aconteceu. E sabemos que deixarão de existir um dia, convertidos em ruínas, entulho e pó, como nós e as recordações que acarinhamos. Marcos da nossa pequena história pessoal, insignificantes aos olhos de quem não a partilhou. Meras fachadas.

E no entanto, tão intensas as alegrias e as dores, as tristezas e os amores, as esperanças e as desilusões. Tanto de nosso e de quem nos partilhou em dado instante, amigo ou amante, embutido nas paredes onde se acotovelam as imagens sobrepostas das experiências de quem por lá passou antes de nós. Ou depois.
Tanto de tudo. Tanto de bom.

Inexpressivos, os espaços, numa fotografia apreciada por quem nunca os conheceu. Como a que acima vos exibo, branco e amarelo, mais o azul acima, cores que o sol pinta com reflexos de luz. Instantâneo de uma realidade da qual apenas uns quantos (re)conhecem o tom. Mensagem indecifrável, segredo. Que vos conto sem fornecer pormenores, apenas com a garantia de que o espaço retratado faz parte de mim e de que assim vos ofereço outro retalho do homem que sou. Numa ilustração de uma fachada que afinal pode nem vos dizer nada, se nada vos liga aos contornos que mal esbocei.
Mas que diz tudo a quem justificou, afinal, a minha vontade de estar ali, todos os dias, na lembrança do que passou e na esperança do que ainda está por vir.

São coisas de pedra que construímos na cabeça para nos abrigar o coração.
Tags:
publicado por shark às 17:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (146)
Terça-feira, 03.05.05

ABERTURA FÁCIL

abertura fácil2.gif

A porta do armário não abriu. Nem a murro. Decidiu então sair sem se barbear. Num Domingo, acabaria por ser questão de pouca monta. Mas acabou por lhe estragar o bom humor com que acordara.

Quase correu para o carro quando se apercebeu da bizarra criatura que se aproximava. Premiu ansiosamente o comando do fecho centralizado, mas nada aconteceu. A pilha acabara ali os seus dias. Teve de aturar a habitual ladainha acerca de factos sobrenaturais e charlatanices diversas que o vizinho de cima, o "bruxo", despejava sobre quem se atravessava no seu caminho. Nessa manhã, o tema incidia sobre sinais premonitórios.
Nervoso, ia tentando abrir a porta da viatura com a chave, enquanto balbuciava desculpas de ocasião e "urgentíssimos afazeres". Só queria livrar-se do maluco. Acabou por partir a chave. O carro ficaria fechado, nessa linda manhã de Primavera.

Meteu-se ao caminho, cuspindo impropérios. Seria um esticão, feito a pé, mas nada o faria perder a sessão semanal do seu desporto favorito. Quando virou, na outra ponta da rua, ouvia ainda o profeta do apocalipse, castigando sem piedade o paciente contabilista do sétimo esquerdo.

A caminhada acalmou-o. Respirou fundo e apreciou a paz que envolvia o bairro. Aqui e além, crianças brincavam felizes. Reparou num menino que tentava sem sucesso despir o blusão. Abordou-o, confiante, para a boa acção do dia. Bem se esforçou, mas o fecho polilon, encravado, não abriu. Ficou, figura de parvo, com a patilha partida entre os dedos. No resto do caminho, o choro convulsivo do petiz martelou-lhe a consciência.

O calor apertava. Decidiu matar a sede na máquina da esquina, com uma lata de sumo fresquinho. Partiu uma unha, somou mais uma patilha perdida entre mãos. E projectou contra a vedação de arame uma lata por abrir.
Rosnou cumprimentos quando entrou no vestiário. Bufava, possesso. Sedento, nem assim se atreveu a tentar abrir a torneira, certo de mais um fiasco nesse dia de cão. Pegou no equipamento e seguiu o instrutor, sem proferir um som. A cada passo, foi concluindo que azar tem limites e auto-injectou-se de precioso optimismo.

O sorriso deliciado pelo vento frio no rosto morreu-lhe nos lábios. Porque diabo se havia de lembrar do "bruxo" num momento daqueles, interrogou-se, enquanto enfiava o indicador na anilha de abertura do pára-quedas...
Tags:
publicado por shark às 11:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (62)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

A verdade inconveniente

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO