Terça-feira, 30.11.04

LÁ DEU O BRAÇO A TORCER...

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Na Tasca da Democracia já serviram melhor. Nos últimos tempos, por teimosia da cozinheira, levámos com queques e copinhos de leite a um preço exorbitante. Saiu cara, a brincadeira. E deu-nos cabo do estômago, este enjoo de comida ligeira. Mas a cozinheira lá deu o braço a torcer e vamos ter outra vez mais escolhas na ementa.

A clientela da Tasca não se manifestou com grande exuberância. Pareciam os adeptos do Benfica, a gritarem golo à toa quando a bola entrou na baliza do Baía para depois deixarem morrer o grito perante a decisão final do trio de arbitragem.
Claro que a satisfação é inegável. A malta andava agoniada com a insistência absurda da cozinheira teimosa num prato de digestão impossível, sobretudo para os diabéticos e para os alérgicos à lactose. Não faltava quem apresentasse protesto, sempre que os queques vinham duros ou os copinhos de leite azedavam. Mudava-se um queque aqui e além, mas o sabor era o mesmo...

Agora, a rapaziada olha para o menu e a escolha aumenta. Até porque parece que se poderá pedir os queques e os copinhos de leite em separado. Mas o resto não suscita grande entusiasmo na maioria dos clientes.
A opção natural, instintiva, é apostar nas açordas. Moles, mal condimentadas e ainda por cima eram prato do dia antes de nos servirem lanches à hora da refeição principal. Sabe pouco a mudança, até porque não tiveram tempo de apurar.
Mas e o que dizer da tomatada? Sempre a mesma coisa e cada vez mais mal servida...
Nos pratos do dia ainda temos o menu turístico, uma espécie de empadão, mas nunca sabemos o que se pode esconder debaixo de tanto puré. Não constitui ainda uma alternativa para a refeição mais séria.
Daí para baixo, é só refeições de segunda. Só mesmo para fazer uma boquinha, que a fome não se mitiga com um jaquinzito ou uma omeleta simples, sem cebola.

Por isso mesmo, e ainda que não tarde a substituição da cozinheira, a Tasca da Democracia só serve os apetites da minoria que rapa os tachos até nada sobrar. Os outros comem porque tem que ser. O estabelecimento não é grande coisa e perde cada vez mais clientes habituais, mas dizem que é o melhor que se consegue arranjar por aí. Temos que acreditar em dias melhores e num prato diferente que constitua uma verdadeira opção e nos apeteça saborear. Entretanto, há que tomar uns comprimidos para a azia e engolir em seco perante este período negro da nossa gastronomia eleitoral.

Quer perder peso político? Pergunte-lhes como...
publicado por shark às 19:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

GAZETA DO CHARQUINHO

Já há uns tempos que andava à procura de uma utilidade decente para o antigo espaço deste blogue, no Blogger. Hoje, durante o blackout do Weblog.Pt, ocorreu-me que o outro espaço pode ser útil por exemplo neste tipo de situação.
Daí, a CASA DE ALTERNE (ex-CHARQUINHO) mudará de nome a partir do início de 2005 mas já mudou de 'linha editorial'. O novo blogue será denominado GAZETA DO CHARQUINHO e passará a ser um espaço informativo, um diário da actividade na blogosfera.
Tentarei, com o apoio de quem se quiser colaborar nesta iniciativa, criar um blogue dinâmico e útil onde se possam relatar os eventos e as pessoas ligadas a este fenómeno.
Conto com a vossa ajuda no sentido de me fornecerem factos que justifiquem a respectiva divulgação e, naturalmente, com as vossas visitas e comentários que ajudem a adequar a GAZETA DO CHARQUINHO às vossas preferências.
Neste CHARQUINHO, o programa segue dentro de momentos...
publicado por shark às 11:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Segunda-feira, 29.11.04

QUASE VÉSPERA DE SEXTA

Esta é uma segunda-feira melhor do que as outras. Com toda a carga pejorativa do primeiro dia a seguir ao fim-de-semana, esta segunda traz no horizonte uma quarta especial.
Aliás, esta segunda é quase tão segunda como a próxima quinta. E isto só soa confuso a quem não sabe dar o devido valor a um dia de folga.
Quero lá saber se é feriado por isto ou por aquilo, o calendário sorri para mim com outra cor no dia um. A cor de um dia sem vergar a mola, livre de outro compromisso que não o de usufruir à lágárdére de um belo período de 24 horas. E depois é fim-de-semana outra vez.
Trabalhar é bom, não me interpretem mal. Mas sexo também é óptimo e nem assim se proporciona mais de oito horas por dia, cinco dias por semana. As coisas devem ter conta, peso e medida. Ao sétimo dia Ele descansou e eu, que nem sou santo, sinto falta de descansar ao terceiro também. Por isso esta é uma semana perfeita no meu entender e não desgosto tanto da segunda-feira como se poderia esperar.
Estou mesmo bem disposto e quero que todos partilhem desta boa disposição. Hoje, na fila de trânsito, se alguém me chamar filho da puta tratarei essa pessoa como a um irmão!
publicado por shark às 15:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)
Domingo, 28.11.04

I LOVE AMERICA

Porque tem um bom sistema educativo...

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...a mais moderna tecnologia...

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...uma generosidade pragmática...

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...e desinteressada...

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...o super-homem...

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...o hamburger...

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...warner brothers...


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...uma visão esclarecida do mundo...

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...e da democracia.

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É impossível resistir-lhe...


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(a partir de uma ideia original de Luís Delgado)


...o american dream é a fantasia global!


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publicado por shark às 09:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Sexta-feira, 26.11.04

FRAGMENTOS DA ESTIVA (ESTIVAIS)

praiavigiada2.jpg


Huuum, ah...au...oh.
Ui, ui, ui, mmm, ai.
Au, au, ai, tá quase...
Ai, ai, ah, oh...depressa. Sim, sim...sim, pá! São esses, os chinelos azuis que estão na bagageira. Depressa, pá, manda-os para aqui que a merda da areia está a escaldar-me os pés há mais de cem metros...

---

-É pá, segue tu que eu não aguento mais...
-Deixa-te disso, vá. Estamos quase a chegar ao cimo.
-Já dizias isso há uma hora atrás, quando parámos para descansar...
-Anda lá, vale a pena, o parque de campismo tem uma vista sensacional. Por falar nisso, onde é que pousaste a tenda? Que cara é essa? Tu não me digas que...

---

-Boa tarde. Olhe, a gente queria umas amêijoas, pãozinho, três imperiais,...
-Excuse me sir, a bit slower please.
-Atão mas você não fala português? Em Lagos?
-Sim, mas...just a little...
-Bom, well, we want beer, três, and some...é pá, como é que se diz amêijoa?

---

- Boa noite, chô guarda! A carta? Sim tenho aqui na carteira...dê-me só um instantinho que ela aparece já... Se calhar ficou ali no... Como? Se bebi, chô guarda? Não, aaa, quer dizer, sim. Um bocadinho, à refeição. Soprar no balão? Agora? Bem, para ser sincero realmente bebi mais qualquer coisita no bar e na discoteca...
Cheirou-lhe a quê no interior do carro, chô guarda? Nãããã, impossível. No meu carro?...
publicado por shark às 10:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)
Quinta-feira, 25.11.04

LIVRO DAS POSTAS

O blogue Barnabé vai lançar um livro às postas (as melhores que postaram entre 10 de Setembro de 2003 e 10 de Setembro de 2004).
Um milhão de visitantes é número de respeito, faz as delícias de qualquer editor e a malta da esquerda não anda a dormir à sombra do capital. Oportuna, esta edição abre um precedente curioso e confere às postas (postes, em terminologia EDP) um estatuto editorial equivalente ao das crónicas publicadas noutros meios e formatos.
Fico satisfeito com esta manifestação de pujança da blogosfera.
O Barnabé tem mais uma coisa para ser diferente dos outros. E a Oficina do Livro também.

Nota: era minha intenção publicar uma foto do livro em (da) causa. Contudo, uma caixinha do Weblog que me dizia para escolher o botão de pesquisa para localizar o ficheiro no disco duro, sim essa, cristalizou a expressão durante o tempo suficiente para eu perceber que afinal estava a jogar às escondidas com o jpegzinho. E o sacaninha ganhou...
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publicado por shark às 18:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA ESCAMADA

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Palavra. Assim, quieta, num canto da folha. Sem sentido, à espera da companhia de outras como ela. As únicas capazes de lhe fornecer uma explicação de si mesma, perplexa com a ambiguidade de uma palavra só, quando apenas uma palavra deveria bastar.
O sentido que lhe faltava não era uma lacuna no sentido convencional. O sentido, afinal, padecia do mesmo problema. Na condição de palavra e enquanto conjunto de letras que queriam dizer alguma coisa a quem as soubesse ler. Eram vários os sentidos que lhe atribuíam mas ele sentia-se único, atónito com a variedade nas interpretações possíveis para uma palavra só. Como se cada palavra fosse concebida para atrair mais companheiras, e criassem novas expressões, frases completas, parágrafos elucidativos, capítulos de um livro que alguém se orgulharia de publicar. Milhares de palavras reunidas para construírem uma coisa qualquer, importante. Decisiva até.

Palavra. À espera de companhia para poder comunicar melhor. Palavra só. Mas afinal já eram duas. Olha uma palavra só. De repente, a frase brota da boca, descodificada pela mente da pessoa que a compreendeu à sua maneira. Mais vale só? - interroga-se a palavra, intimidada com a falta de privacidade que a presença de outras palavras lhe pode acarretar. Palavras feias, talvez. Más companhias. Abeirou-se de imediato a pessimista e sentou-se à direita da palavra só. A palavra disse não sou. Mas parecia e por isso lhe enviaram o castigo pejorativo de uma péssima conotação. A palavra rotulada de pessimista não estava sozinha outra vez. Mas queria, ou assim julgava, até decidir meditar por algum tempo, a sós.
E por isso a deixaram quieta, noutra zona da folha, à espera do que viria, riscos calculados de uma solidão voluntária que a iria (alegadamente) proteger. Receava ser mal interpretada, tinha medo da incompreensão. Palavra que sim, afirmou. Que sim lá ficaram e palavra aprendeu a gostar do novo sentido que o trio lhe conferia. Sentia-se uma palavra melhor. Entretanto aprendeu algo mais, formulou uma hipótese e testou as conclusões.

Palavras. Reunidas em harmonia, perfeitas na combinação. Inequívocas.
Porém, palavras é só uma. Artificialmente multiplicada por se travestir num plural. Sem precisar de outras palavras para seguir no sentido que pretendia, individual no ajuntamento, virtual na sua realidade que ambicionava comunicar. Não precisou de uma multidão de palavras para melhor se exprimir, bastou-lhe sintetizar o espírito da união que a sua pluralidade traduzia. E para os bons entendedores, calculava, apenas uma letra bastaria.
publicado por shark às 10:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Quarta-feira, 24.11.04

PASSO A VIDA NISTO, PORRA...

Existem blogues que aprecio, blogues dos quais não gosto, blogues que-me-estou-nas-tintas e blogues que ainda nem conheci. De cada vez que encontro o anúncio do fim de algum espaço na blogosfera sei, por antecipação, que alguma coisa se perdeu.
O abandono de um blogue por parte dos seus criadores ou criadoras empobrece o todo, pois a manta de retalhos em que transformamos isto só sobrevive pela sua heterogeneidade. Se todos os blogueiros imitassem o estilo de determinado blogue a saturação seria inevitável e a blogosfera desapareceria de forma natural, como a moda que alguns a desejariam. Mas não é.

Alguns de nós esmeram-se no trabalho que produzem, sacrificam pela utilidade do seu espaço a hipótese de dizerem algo de si. Merecem-me a maior consideração, pois eu não me sinto capaz de tanto altruísmo e abnegação. O Apdeites integra-se nesta categoria. É um blogue que aprecio e por isso dei conta do que julgava ter sido apenas mais um dos (demasiados) desabafos que tenho encontrado nos últimos tempos. Nunca foi minha intenção parodiar com uma ocorrência que julgava ser uma ficção. Apenas tento seguir o conselho que alguém deu de não levar isto dos blogues demasiado a sério e esforço-me por manter um ambiente de boa disposição neste retrato fiel do que valho e do que sou. Sou um gajo trapalhão.

Ao JP Graça, a quem não caiu bem o tom da posta anterior, reitero as desculpas pelo mal-entendido que inadvertidamente criei.
E aproveito para dar conta de outro tom de despedida num blogue que sempre acompanhei. O Classe Média também ficou por ali.
Continuo sem vontade de rir.
publicado por shark às 18:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

ARDEU MAIS UM...

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Apdeites ón fáia
Houve um incêndio. O escritório ardeu.

O apdeites continua online, mas ficam suspensos os seguintes serviços:

- detecção de novos blogs
- inscrição de novos blogs
- eliminação de blogs antigos
- assistência a utilizadores
- correspondência

Para todos os visitantes, utilizadores e amigos: até qualquer dia, se calhar. Ou, se calhar, não.

JP Graça
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publicado por shark às 14:50 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Terça-feira, 23.11.04

COELHINHOS DA CARTOLA

Sou um incondicional do blogue As Ruínas Circulares. Também sou um incondicional do João Pedro da Costa, o mentor da cena.
Podia (e posso) debitar aqui as múltiplas justificações para esta minha tendência ruinosa. Mas prefiro tentar explicar-vos de uma forma mais sintética, com apoio visual.
Os Coelhinhos Suicidas que o JP tem vindo a publicar no seu blogue, a partir de uma ideia original de um cámone chamado Andy Reilly, valem pela conjugação perfeita da simplicidade no traço com a da ideia a exprimir. E requerem um apurado sentido de humor.
Muita gente tem gabado, invejado e cobiçado os Coelhinhos do JP. Mas o JP é apenas um adulto interessante. Interessante mas adulto.

O desenho que ilustra esta posta não é do JP. É da MIOSÓTIS, em maiúscula e bold para vos ajudar a fixarem o nick da jovem autora. A MIOSÓTIS é filha da 1poucomais. A MIOSÓTIS (parabéns, querida, pelo teu fantástico desenho) já é uma blogueira das nossas (os Coelhinhos Maluquinhos falam por si) e adivinhem lá que idade tem.
Nove aninhos. Aos nove anos de idade, a filha da simpática Azul produziu o seu Coelhinho Suicida tal como o podem apreciar aqui e no blogue do João Pedro (até ver...). Eu fiquei impressionado, pois aos nove anos pouco mais fazia ou dizia do que baboseiras (ainda existe muito dessa criança em mim).
Agora digam-me lá, sobretudo os que já conhecem os coelhinhos em causa e que irão perceber melhor a dimensão da coisa, digam lá se a MIOSÓTIS não é uma garota especial e se o Ruínas não possui o condão de atrair muitos dos momentos mágicos com que a blogosfera nos encanta? É a torto e a direito, amigas e amigos, é uma coisa sem explicação...

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publicado por shark às 18:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

(I)MORAL DA HISTÓRIA, por: marciano anónimo

Toda a população do planeta festejou o milagre inesperado. Em vez de atingir a superfície e aniquilar todos os seres vivos ali existentes, o gigantesco asteróide fixou-se numa órbita e adquiriu estatuto de satélite natural.
Os festejos duraram meses. Só pararam quando surgiu uma questão pertinente. A posição do asteróide em relação ao sol era sempre a mesma, por uma irritante coincidência. Um continente permanecia na sombra desde a sua chegada.
Nas semanas seguintes, génios de muitos países tentaram calcular os séculos que o pequeno desfasamento nos movimentos relativos demoraria para deslocar a sombra e qual o respectivo impacto no clima global. Isso despoletou o maior fluxo migratório de que havia registo, num êxodo maciço para locais iluminados pelo sol.
Os atritos surgiram quando algumas nações proibiram a entrada de mais refugiados.
Ninguém sobreviveu à guerra que daí derivou. Entretanto, o asteróide fragmentou-se, desaparecendo na totalidade poucos anos depois.
publicado por shark às 17:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A PUBLICIDADE FAZ DE MIM O QUE QUER

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publicado por shark às 10:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Segunda-feira, 22.11.04

PESCADINHA DE RABO NA BOCA

Quando as testemunhas chegaram estavam os dois à estalada. Um aviava um estalo no outro. O outro retorquia com estalo no um. Estiveram nisso um bocado, perante o olhar atónito de algumas testemunhas e o ar de gozo de outras. Ninguém sabia exactamente o que se passara, mas todos presumiam ser coisa séria pela violência crescente que as agressões assumiam.
Às tantas um deles resolveu perguntar ao outro:
- Por que motivo estás a esbofetear-me?
O outro, mão alçada, hesitou.
- Porque tu esbofeteaste-me primeiro.
- Mas não foi a ti que eu esbofeteei...
- Se não foi, pareceu...
- Ora porra, estás a bater-me sem saberes bem porquê?
- Atão e tu, olhá gaita!
- Ao menos eu bati-te porque levei uma estalada que nem me era dirigida.
- E eu bati-te porque estava convicto de que me tinhas dado a estalada anterior.
- Ora essa, nunca me fizeste mal nenhum. Havia de te bater porquê?
- Porque às vezes apetece-te e eu era o gajo que tinha a cara mais à mão.
- Mas então... a estalada que me deste era para quem afinal?
- Nem era para ser uma estalada, estava apenas a sacudir umas moscas que não me largam da mão, mas às tantas a coisa descambou. Não me perguntes como nem porquê.
- Eu também já não me lembro muito bem, ou pelo menos não tenho a certeza. Mas já que aqui estamos...
publicado por shark às 19:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

A POSTA FRESQUINHA

Realmente, vale a pena estar atento ao que me dizem nas caixas de comentários. Não raras vezes tenho tido a sorte de receber excelentes conselhos por parte das pessoas que me deixam umas palavrinhas.
Foi o caso da Mi, simples, objectiva e muito desenrascada na solução que aventou. ‘A solução talvez passe por pôr aí umas postas fresquinhas, não?’ Fabulosa. E tem mesmo toda a razão.

Claro que nisto dos blogues é como nos mercados do peixe, a coisa não funciona à segunda-feira. Mas existe a vantagem das postas virtuais sobre as outras, saem sempre frescas para o prato do freguês. Acabadas de pescar, algures no vasto oceano da informação ao dispor ou no pequeno aquário de conhecimentos que temos no interior do crânio.
Confesso que hoje a faina não correu de feição. E estaria num sarilho enorme, não fora a Mi deixar-me o recado singelo que serviu para me arrancar do torpor.
Nem precisei de deitar a rede ao mar outra vez, o assunto caiu-me no colo.

Já insisti nesta tecla por diversas vezes e continuo a sentir-me motivado para a tocar, até porque não me constam milagres para os lados do Weblog.PT e a actualidade não se perdeu. O tema da viabilização da máquina que o Paulo Querido para nós montou é recorrente na minha postura, mas adquire uma nova frescura quando surgem sinais de que alguém deu atenção ao problema.

Será apenas mais um a optar pelo caminho que se impõe, mas para mim o Eufigénio Lagoa já se havia distinguido como um blogueiro capaz de discernir a razão e de agir em conformidade. A sua passagem ao grupo de pagantes do Weblog.PT, mesmo quando lhe restam dúvidas se irá prolongar a sua permanência na blogosfera (deves estar a brincar, Eufigénio...), é digna de uma posta das minhas.
Os bons exemplos são sempre peixe graúdo e nunca precisam de ir ao congelador.
publicado por shark às 17:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Domingo, 21.11.04

PEGUEM-ME DE CARAS, POR FAVOR

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Por vezes não consigo entender o que as outras pessoas me dizem (ou pretendem dizer-me), sobretudo quando as pessoas mandam recados em forma de enigma. Sou um asno em matéria de puzzles, enigmas ou charadas. É outra das minhas limitações. Prefiro as verdades e as opiniões inequívocas, inteligíveis e directas. Inequivocamente direccionadas, para eu saber que se referem a mim ou algo de meu, expressas em discurso directo e sem recurso a analogias, para eu perceber bem o trocadilho, e acima de tudo frontais, pois tenho aversão aos toques de espora.
Já dei mostras de saber encaixar as biqueiradas que mereci. Pedi desculpa, pouco mais haverá a fazer, e apresentei justificações quando julguei possuí-las. Sem merdas, sem jogos de palavras, sem aquele tom ‘vocês sabem do que estou a falar’ que me provoca urticária.

Detesto touradas, mas admiro uma classe de intervenientes nesse espectáculo tradicional: os forcados. A pega de caras requer uma coragem ao alcance de apenas alguns. É feita sem recurso aos instrumentos de tortura que me desagradam, como as bandarilhas, que dão poucas hipóteses aos touros de fazerem alguma justiça no redondel.
O único senão é serem precisos tantos para dominar o animal, mas dada a envergadura do bicho é compreensível que se equilibre a parada dessa forma. Seja como for, é de caras, sem cavalinho nem capote para distrair. O único que fica atrás é o rabejador, destinado a praticar esqui no meio da poeira enquanto serve de travão adicional.

Também não sou adepto da caça ‘desportiva’. Não vejo a piada de dezenas de milhar de fulanos armados, agachados no mato, em busca de alvos que não passam de trofeus numa competição onde a luta é desigual e, a meu ver, desumana. O tempo dos caçadores acabou quando o último pele-vermelha foi aprisionado numa reserva qualquer. Tirando esses e outros povos em extinção que ainda caçam para comer, só entendo a caça dos nossos dias e do nosso mundo ocidental como uma tourada sem pega de caras. È tiro ao pato, à lebre, às cegas, sobre criaturas que não se podem defender (nem sabem de onde parte o tiro) e seguramente nada fizeram para merecer tal destino.

Isso não implica que me vejam nas manifes contra as touradas ou no voluntariado de qualquer associação de defesa dos animais. Ajo de acordo com a minha consciência e sensibilidade e deixo aos outros a possibilidade de fazerem as suas escolhas, não me inibindo de expressar o repúdio pelas mesmas, se me desagradam, como esta posta é exemplo. Mas o problema desta posta é precisamente o de eu aplicar o mesmo estilo que critico, pois não tendo a certeza do que queriam dizer e se o que disseram me era dirigido escrevo às cegas, tenho que me cingir ao domínio da especulação. E fico no papel do touro que marra no vazio ou no da peça de caça que não sabe para que lado fugir. Sempre com a esperança secreta, no entanto, de o tiro passar ao lado. Ou de apanhar a jeito o sacana que me picou sem eu lhe fazer mal nenhum...
publicado por shark às 19:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (41)
Sábado, 20.11.04

A MINHA PRIMEIRA VEZ

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Estou furiosa com o movimento feminino. Estão sempre a dizer que as mulheres são mais inteligentes do que os homens.
É verdade, mas devia ser mantido em segredo, senão estraga a pândega.
Anita Loos




Bom dia. Não costumo recorrer a citações, mas achei que esta entrava bem na posta.
Ontem fui ao meu primeiro jantar de blogueiros, apareci de surpresa e fiz a minha estreia nestes blind dates colectivos que tanta curiosidade me despertavam.
O evento decorreu na Mealhada e foi organizado por duas blogueiras afamadas, a Gotinha e a São Rosas. Se o evento em questão ilustra o espírito habitual da coisa, faço-me desde já convidado para todos os convívios desta natureza que venham a acontecer.
Consegui regressar a casa, algures a meio da madrugada, e já não foi nada mau. O meu aspecto era deplorável: medi forças com a tenaz de uma sapateira mergulhada no arroz de marisco e a tenaz da sapateira ganhou. O molho era a sua arma e o meu martelinho idiota provocou a detonação. Vi logo que o caldo estava entornado e entrei num acordo tácito com a parceira do lado, vítima dos danos colaterais. Perdido por um...

Mandámos vir reforços. Espumante caseiro, tinto, para acompanhar o leitão. Espumante caseiro, muito. A festa instalou-se, abrilhantada pela Tuna Meliches, e precisava de duas postas para abordar todos os pormenores. Para além das organizadoras, conheci mais uns quantos blogueiros(as) e comentadores(as) oficiais. Tudo gente boa, até metia impressão. E se, no início, fica sempre a sensação esquisita de estarmos face-a-face com as pessoas ‘do lado de lᒠdo monitor, com malta desta craveira o degelo acontece sem demora. Assunto não nos faltou. Faltou-me foi pedalada para acompanhar os últimos resistentes na sua romaria pela noite coimbrã (eu tinha que ir dar comer ao cão, enfim...).

A São e a Gotinha, como esperava, revelaram-se duas senhoras fora do comum. Superaram até as minhas melhores expectativas. Pela simpatia, sorriso fácil, pelo acolhimento, tudo à fartazana, e sobretudo pelas surpresas que prepararam para nos entreter. Quem não foi, amigas e amigos, não sabe o que perdeu mas posso assegurar que é disso que se trata. E no final, até tivemos direito a um poema feito de propósito pelo Orca (um tipo espectacular). Sim, a Cultura esteve presente, sempre que o vozeirão do Jorge Costa o permitiu (outro tipo espectacular, que bloga mas não consegui descobrir onde).
Aumentou a intensidade da minha ligação à blogosfera. Aumentou a minha consideração pelas pessoas que agora conheço ao vivo e a cores. E aprendi ainda duas importantes lições: nunca, mas mesmo nunca, se deve desafiar uma tenaz de sapateira. E não vale a pena contar com o espumante caseiro, tinto, para tirar as nódoas difíceis...
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publicado por shark às 12:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Sexta-feira, 19.11.04

A POSTA QUE SIM

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Ontem foi um dia especial para mim na blogosfera. Por diversos motivos, com a mesma hierarquia no contributo para a felicidade que me proporcionaram como blogueiro e na pele de uma pessoa comum.
Como qualquer ser humano normal tenho os meus pontos fracos. E também tenho momentos menos bons (referi alguns), nomeadamente os que implicam alguma insegurança. Até porque sou um indivíduo mais dado à emoção descontrolada do que à cautela racional. Vulnerável perante fenómenos de rejeição

Isto de ser blogueiro é uma aventura para um tipo como eu. Um tipo como eu só pode blogar de uma maneira: como um tipo como eu. As naturais limitações de um tipo como eu só atrapalham se descartarmos a hipótese de, a espaços, conseguir transcender-me para as compensar. Noutras palavras, potenciando os recursos e a motivação um tipo como eu é capaz de não fazer má figura. A reacção à posta anterior enche-me de confiança porque me ajuda a acreditar que sou capaz de dar a volta, quando as coisas correm menos bem. E contribui para a minha felicidade porque as pessoas, muitos de vós, entenderam o problema e reagiram como seria de esperar. Gente boa, comportam-se como amigos sem me conhecerem de lado algum (na sua esmagadora maioria) que não neste mundo virtual.
Para perceberem a relevância de cada uma das presenças registadas na minha caixa de comentários, atentem bem na figura patética que eu ontem faria se ninguém passasse cartão ao texto que escrevi...
Um tipo como eu envaidece-se de partilhar o tempo com pessoas assim, capazes do melhor, tão inteligentes quanto sensíveis, tão exigentes quanto disponíveis. Simplesmente sensacionais.

Para mim a blogosfera são as pessoas e o resto são efeitos especiais em HTML.
Os riscos que corremos todos, neste trapézio sem rede, só os acredito compensados pelos laços de amizade que a blogosfera nos permita criar. Relações alicerçadas, na prática, pelas palavras que partilhamos e pelas atitudes que tomamos no dia-a-dia desta intensa e (regra geral) espontânea interacção.
Alguém é capaz de me citar uma compensação mais gratificante do que esta maravilha de que tento dar-vos conta, deste belo dia na blogosfera, tão especial para um tipo como eu?

Aposto que não.


Nota do editor: Apresentamos a nossas desculpas pela interrupção. Esta postura lamechas, da qual não se publicará uma trilogia, é alheia à nossa vontade em teoria mas irreprimível na óptica do utilizador.
O Charquinho retoma a programação habitual dentro de alguns instantes.


Nota do editor 2 (alter ego do primeiro): A ilustração acima é da autoria do famoso desenhador João Pedro da Costa, do famoso blogue Ruínas Circulares, a quem paguei uma pequena fortuna (por causa da taxa de urgência, tinha que ser para hoje mas o tipo estava numa festa qualquer à volta de um arbusto tripeiro).
Aposto que ninguém tinha adivinhado...
publicado por shark às 11:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (41)
Quinta-feira, 18.11.04

A POSTA QUE NÃO

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A blogosfera não cessa de me surpreender. Ainda há dias isto estava um festão, casa cheia de pessoal, comentários à brava e eu todo feliz a fazer de anfitrião.
Ontem, parecia que o meu blogue tinha cócó. Até deixaram o PN a falar sozinho na caixa de comentários...
É como se a malta andasse de um lado para o outro, aos magotes, hoje vamos parar aqui, amanhã vamos dar uma volta elsewhere. Um tipo fica boquiaberto. Depois sente-se inseguro e relê vezes sem conta a posta de que ninguém gostou (onde é que eu errei, o que é que eu disse que não devia, e por aí fora...). Por fim, a resignação.

Na blogosfera estão sempre a acontecer coisas. É um mundo dinâmico e cheio de pedal, num ritmo que valha-me Deus. Olha, fulano disse assim. Beltrano disse assado. E agora sicrana respondeu. Olha que quiz tão engraçado. O bacano do tadechuva está engripado (as melhoras, pá). Mais o jantar que acontecerá amanhã e outro que acabou de acontecer. Outro rasgo de génio num blogue qualquer. Todos os dias, novas entradas. A cada instante, aguaceiros de palavras e de ideias, de imagens bonitas ou divertidas que a gente gosta de apreciar.
Clica-se nos favoritos e o cursor passeia por uma lista interminável de curiosas designações. Escolhe-se um ao acaso e a partir daí é sempre a abrir para visitar o máximo possível enquanto há tempo para o fazer. Uma correria.

E entretanto a preocupação do costume, a próxima posta como será? Que assunto, que abordagem, que ilustração? O dia passa a correr e a malta anseia por coisas novas, diferentes, inteligentes, capazes de lhes prender a atenção por uns instantes, talvez até para comentar. Um tipo esforça-se, tenta dar o seu melhor para a malta gostar. Depois, fica-se à espera de ver no que dá. Umas vezes, maravilha, viva rapaziada que bom tê-los por cá. Outras vezes, desilusão, a caixa de retorno vazia e a sentença traçada no conta-gotas do maldito contador desse dia. Talvez corra melhor amanhã...

Vou dar a minha volta, ver como param as modas, deixar um comentário para ficar um rasto de mim. Talvez me encontrem dessa forma, ou seria melhor que não. O desprezo a que nos votam as intervenções ou a rispidez de quem não entendeu a piada. Já fiz merda outra vez. Hoje estou outra vez em dia não. Mas sei que os dias não são todos iguais e algum dia irei acertar no filão.
Jackpot da posta acertada, taluda na lotaria da visitação.

Aposto que sim.
publicado por shark às 12:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (54)
Quarta-feira, 17.11.04

ENCHIDOS MONIZ

cerveja.jpg

A NOTÍCIA:
Um indivíduo de Vila do Conde entrou com o carro pela montra de um estabelecimento comercial. Acusava uma taxa de alcoolemia no sangue superior a nove na análise efectuada.
O lesado, proprietário do estabelecimento, sorria para a câmara enquanto descrevia o notório estado de embriaguez do fulano que lhe abalroou a fachada.
O agente de seguros que tratou da participação de sinistro sorria e confessava nunca ter lidado com um processo que referisse uma taxa tão elevada.
O Henrique Garcia também sorria porque a notícia parecia ter muita piada.
O único a demonstrar algum pudor foi o condutor ébrio. Mesmo que tenha sorrido, recusou dar a cara ao repórter e desperdiçou de forma inglória os seus quinze segundos de fama.

A NÃO-NOTÍCIA (OU O CONTRADITÓRIO REPESCADO):

A não-notícia entrou de imediato. Um laboratório afiançava que é fácil corromper a análise efectuada, basta uma negligência menor por parte de quem a manuseia. O laboratório, na prática, levantou uma ponta de descrédito sobre a validade das análises utilizadas em circunstâncias como as referidas na notícia.
Depois veio um médico. Afirmou sem hesitar que seria impossível algum ser humano sobreviver a tamanha quantidade de álcool no sangue. Impossível do ponto de vista científico. Logo, a hipótese era falsa mesmo que constasse de uma análise rigorosa (que, por acaso, pode ser facilmente corrompida).
A análise que deu origem à notícia foi imediatamente desmascarada pela não-notícia, ou seja, aquele facto noticiado assentava num falso pressuposto como se provou pelos factos apresentados na notícia que se seguiu.

Isto comprova a postura exemplar da TVI no que concerne às liberdades de expressão e de opinião dos seus jornalistas, a quem tenham restado dúvidas na sequência da novela Marcelos sem Açúcar.
publicado por shark às 15:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Terça-feira, 16.11.04

GOD, I HATE FUCKING REPUBLICANS.

A frase não é minha. É de um americano (presumo), blogueiro como nós e que criou um espaço a que chama Fallujah in Pictures.
O blogue em questão, afirma ele, visa chamar a atenção para o lado oculto da guerra que está a acontecer no Iraque.
Não é bonito de se ver e não aconselho as pessoas mais sensíveis a visitarem a coisa.
Abstenho-me de mais comentários.
publicado por shark às 16:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

GANDA BRONCA!

mconchas.gif Isto tinha que acabar mal. A legítima descobriu a outra. Fez um putedo dos antigos e pôs-me as malas à porta, assim que percebeu a marosca. O Charquinho no Blogger acabou tal como o conhecemos, a minha ex mudou-lhe o nome e tudo. Pelo menos, foi o que me disseram. E também ouvi dizer que ela entregou aquilo a um marmanjo com reputação duvidosa, só para me arreliar. Agora, resta-me juntar os trapinhos com a do Weblog e contratar um bom advogado. A sharkinha não dará tréguas, como qualquer mulher atraiçoada, e eu sofrerei as consequências do meu comportamento leviano. Ainda estou meio abananado com isto tudo, mas se calhar foi melhor assim. Charquinho só há um! E é este. Declaro que não me responsabilizo por quaisquer dívidas ou dúvidas que o comportamento da minha ex e do seu novo brinquedo possam suscitar. Eu sou um homem sério e vou refazer a vida o melhor que puder, com dignidade, ao contrário daquela flausina que me quer desgraçar. Ah, e ela que tire o cavalinho da chuva: fica com a casa, fica com os putos, fica com a massa. Mas o cão é meu. Se um gajo não se impõe...

publicado por shark às 12:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Segunda-feira, 15.11.04

BIGAMIA POSTAL

bombing4peace.jpg

Apenas alguns visitantes mais atentos repararam na vida dupla que alimento na blogosfera. Sim, é verdade, tenho no Blogger a mulher legítima e a outra está no Weblog.PT.
A minha nova amante, como um dos meus prezados comentadores lhe chamou (com alguma propriedade, admito-o), entrou de rompante na minha vida. Foi na blogosfera que a conheci, apresentada por terceiros e insistida por quartos, e não tardei a sucumbir ao seu encanto.
Claro que não é confortável esta minha situação. Reparto carinhos pelas duas e acreditem que me esforço para nenhuma se ver privada da minha inteira dedicação. Mas vamos por partes.

Sempre me disseram que na internet tudo pode acontecer. Sexo explícito, sexo implícito, sexo dos anjos e até infidelidade conjugal (não necessariamente por esta ordem). Um rol interminável de ameaças à harmonia postal (de posta). Na blogosfera encontrei o amor da minha vida virtual e foi nela que o encontrei pela segunda vez. A legítima (por ter sido a primeira), à qual ainda hoje dei testemunho de porfiar pela sua felicidade como sempre o fiz, oferecendo-lhe um eficiente sistema de comunicação (para que nunca se sinta só durante as minhas mal explicadas ausências), foi amor à primeira vista e parte-me o coração a ideia de a deixar. A outra, por ora menos bela mas muito mais próxima dos meus valores e ideais, foi amor à segunda vista e teve de mim uma clássica exibição de compromisso pois montei-lhe apartamento num condomínio fechado, de luxo (apenas €59,50 por ano, uma pechincha), para a poder visitar com a necessária discrição.

Ainda não sei para que lado cair com maior frequência. Posto aqui, posto ali e hoje até postei nas duas ao mesmo tempo. Estou encantado com esta dicotomia, com este pingue-pongue emocional. Bem sei que não é justo nem moral, mas reparto-me feliz e tento superar as dificuldades (e os perigos) que uma vida dupla acarreta. E ainda pior, até ao dia em que encontrar uma receita milagrosa para lidar com este conflito de interesses, submeto as relações mais próximas à tensão de enfrentarem as duas se quiserem obter a totalidade de mim.

Apelo à vossa compreensão. O amor cega. Mas eu sei que encontrarei uma solução que privilegie a defesa da paz. E esta última frase serve para dar sentido à ilustração que escolhi para esta posta, pois eu não sabia como a explicar fora do contexto...
publicado por shark às 14:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (23)
Domingo, 14.11.04

VAI UMA TORRADINHA?

Numa entrevista que concedeu ao Weblog.PT, a Catarina do 100nada referiu que muitas vezes sentimo-nos (os blogueiros) tentados a ir atrás dos gostos e das pressões dos leitores. Por outro lado, na caixa de comentários do Ruínas Circulares um leitor interrogava-se se isto dos blogues é algum concurso. E um pouco por todo o lado encontram-se referências directas dos autores dos blogues aos indicadores que nos referenciam, os escassos ‘estudos de audiências’ a que temos acesso para compreender a evolução do nosso trabalho.

Não existe volta a dar. Na maioria dos casos, quem bloga só sente que o esforço vale a pena quando o retorno incentiva a continuar. O retorno mais óbvio é o número de visitas que um blogue consegue acolher. A quantidade (e a qualidade) dos comentários que nos deixam é outra medida do impacto que as nossas imagens, palavras e sons provocam nas pessoas com quem nos partilhamos, queiramos ou não.
Um dos mecanismos mais importantes de divulgação de um blogue é o linque nos espaços dos colegas, sendo claro que a multiplicação desse tipo de referências está directamente associada ao entusiasmo que nós e/ou o nosso desempenho suscitam na vizinhança. Aliás, apesar de ser inegável que o fenómeno da blogosfera ganha crescente importância e dimensão, quase todos os meios de divulgação partem do seu interior. Palpita-me que uma realidade andará sempre de mãos dadas com a outra e cada vez será mais evidente o cariz indissociável da sua ligação. Disputamos afinal a atenção e o tempo das mesmas pessoas que os (outros) órgãos de comunicação reclamam para si.

Faz para mim todo o sentido analisar a estatística do desempenho do meu blogue. Não gosto de trabalhar pró boneco nem tenho paciência para monólogos ou para causas perdidas, para além de que respeito como critério fundamental a pressão indirecta dos meus visitantes. Naturalmente, só porque a minha posta mais bem sucedida teve por tema o futebol isso não implica que eu decida competir com o terceiro anel. A minha opinião não diverge sobremaneira da que a Catarina manifestou na sua excelente entrevista ao Luís Ene.
Porém, entendo que todos os que investimos o nosso tempo e, em alguns casos, o nosso dinheiro nesta forma de comunicar tenhamos o cuidado de a compreender, de nos esmerarmos na sua feitura e de promovermos a respectiva divulgação.

Por esse motivo, não me choca assistir às manifestações de júbilo dos que se veêm distinguidos numa posta de um blogue credenciado, num medidor estatístico relevante ou num comentário daqueles de nos fazerem perder a respiração. E quero fazer a minha parte na divulgação de tudo de bom que encontre entre as largas centenas (três mil?) de blogues portugueses que existem para me impressionar. Quando o conseguem, os blogues ou as pessoas por detrás, estimulo quem me visita a ir conhecer essas realizações. Nada mais simples e natural.

E sim, eu gostava de merecer pelo meu Charquinho um prémio no tadechuva, uma citação no Blogotinha ou um lugar de topo no blogómetro do Weblog.PT, só para citar alguns. Repito: eu gostava de merecer.
Só existe um caminho para o conseguir e depende de duas ordens de factores. A repetição da vossa presença, todos os dias, e a primeira visita de muitos outros como vós, aliadas à minha capacidade e perseverança para vos agradar a todo o instante com o meu desempenho enquanto anfitrião. E só pago €59,50 por ano pela renda e o senhorio é um baril, faz as obras todas...
Quem não gosta de acolher bem os outros e de os fazer sentirem-se como em sua casa? A ciência da coisa está inteirinha nesta questão. O resto são pormenores.
Fiquem por aqui à vontade, quanto tempo quiserem, que eu não me importo de dormir no sofá. E um favaios? Também marchava, não? Vou num instante buscar.
publicado por shark às 17:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sábado, 13.11.04

IN SONO VERITAS

Ontem tive um sonho esquisito. Sonhei que estava a ver televisão, um noticiário, se o subconsciente não me falha.
Muito realista este sonho, o pivô até descrevia o teor da peça que iria entrar de seguida.
Tratava-se de uma medida do governo e consistia no seguinte: o Estado iria pagar mais de 500 euros aos advogados pela tarefa de dissuadir os cidadãos de recorrerem aos tribunais. Em alternativa, ou seja, se o advogado levasse o cidadão teimoso a tribunal, o Estado pagaria apenas pouco mais de 80 euros pela tarefa.
Fartei-me de rir quando acordei. Essa ia ser gira. Lembrou-me aquele anúncio de um banco que mostra os funcionários da concorrência a pedirem ao cliente que não vá à instituição anunciada. Please dont go. Não vá. Imaginam um causídico, expressão séria, olhos postos no seu cliente:

- Ò senhor Fagundes, que ideia mais disparatada. Ir a tribunal por uma coisinha de nada? Entupir ainda mais o sistema judicial da nossa Nação? Ora, ora. Mais automóvel, menos automóvel. Faça lá as pazes com o rapaz que conduzia ébrio e sem carta e que lhe destruiu a viatura sem querer. Seja misericordioso, vá...

Ou então, se tal notícia fosse verdadeira, qualquer dia teríamos os médicos a receberem as cem mocas por afastarem o pessoal das urgências e das listas de espera:

- Atão, o que temos aqui? Uma perninha cortada, foi? Acidente de trabalho...pois. Mas olhe que isso passa, deixe lá. Tem que dar tempo ao tempo. Dói-lhe muito e deita imenso sangue, é? Ó senhora enfermeira, traga-me aí uma garrafa de bagaço e duas embalagens de pensos rápidos, por favor! E peça aos administrativos para irem preenchendo a papelada para dar alta a este ferido ligeiro.

Ou ainda mais caricato, as forças da autoridade a receberem os tais 500 euros para dissuadirem os condutores de circularem nas estradas, para acabar de vez com os engarrafamentos. Assim do género obrigarem o pessoal a ficar sem carta por estacionarem nas passadeiras e nos passeios, multarem-nos por deitar a beata pela janela na Avenida da República ou bloquearem e rebocarem os carros depois da pessoa pagar o estacionamento numa zona controlada por um parquímetro que não funciona (que recebe a massa mas não emite talão).
As coisas que a nossa carola inventa...
publicado por shark às 11:57 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 11.11.04

ESTOU SÓ A AQUECER O LUGAR

Enquanto espero dias melhores, aproveito para recordar o pessoal das dificuldades da Weblog.PT. Não custa uma fortuna, a versão a pagantes. E assim, eu (que acabei de chegar) não corro o risco de me ver inesperadamente despejado por falta de guito para um servidor em condições...
Claro que este comentário é um teste e não faço ideia do que acontecerá quando premir os botões mais abaixo...
publicado por shark às 17:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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