Espera que passe

À espera.

O ciclo que parece completar-se mas acaba por se fechar sobre si próprio já perto de um fim aparente, de uma conclusão em nada diferente da que nos ofereceu no início que não passava de outro falso ponto final nos seus 360 graus.

A volta completa numa partida feita chegada, uma espécie de eternidade nesse caminho, numa estrada que começa e acaba no mesmo lugar. Uma espécie de rotunda, tão larga que consegue enganar a mais atenta observação e transmite uma falsa sensação de rumar adiante mas apenas conduz ao ponto de partida pintado como uma meta para disfarçar.

A espera.

 

Pelas decisões adiadas, pelas conclusões precipitadas pelo apelo da especulação. Um tapete feito de pontos de interrogação, calcorreado de olhos abertos, às cegas, ladeado de efígies de esperanças feitas em pedra oriunda de uma montanha de desilusões.

Talvez amanhã, no máximo depois. Mas afinal era cedo demais e é preciso aguardar uma nova oportunidade no cais de uma doca ou de uma estação, na paragem do coração que às vezes passa por ali para transportar os sonhos de grandeza para onde a tristeza tratará de os acordar, talvez à partida, talvez à chegada, será uma saída? Dá acesso a uma entrada que não passa de um alçapão.

 

O mergulho de cabeça onde o ciclo recomeça, mais uma e ainda outra vez, percorrido de lés a lés enquanto a ampulheta faz o pino para entreter o tempo a passar mais depressa diante do olhar desorientado daquele viajante sentado num banco, ansiosamente à espera de uma boleia para um lugar distante, para um ciclo diferente, onde a espera não demore tanto tempo a passar.

publicado por shark às 00:27 | linque da posta | sou todo ouvidos