À ESPERA QUE CAIA

Ora vejamos: o Governo está feito num harmónio, preso pelo fio de uma coligação que parece albergar no seu seio uma autêntica oposição. Temos gente dos dois partidos dessa casa desavinda a virarem o dente ao dono, que é como quem diz a tentarem fazer a folha à coligação e ao Governo, necessariamente por esta ordem para não dar tanto nas vistas e o PSD não se transformar numa espécie de PASOK portuga em próximas eleições.

Temos ainda um Orçamento para ser aprovado por uma maioria que já está em contagem de espingardas para evitar algum dissabor rebelde no Parlamento no qual, de resto, não poderão contar com o conforto de uma nova abstenção rosa, sempre montes de violenta.

Por falar em rosa, de repente António José, fermoso mas não seguro, acordou para o imperativo moral de ser líder da oposição, ou pelo menos de dar a pala, mas toda a gente percebeu que à rapidez com que afocinhou na demissão do seu antecessor se têm sucedido as intervenções demasiado mornas e a pegarem de empurrão, sempre tarde e más horas.

De resto, também se notou o esforço de outro líder partidário com a saída anunciada, Louçã, para tentar apanhar o comboio da contestação popular para, eventualmente, tentar ocupar o espaço deixado vago por quem deveria ter sido o rosto da contestação pelo menos umas horas antes da Manuela Ferreira Leite. Foi um bom esforço, o do Bloco, para aparecer no boneco sem dar demasiado nas vistas e atiçar o povo nas ruas contra algum tipo de colagem por parte de políticos que, como o povo deixou bem claro, não são deixados de fora no balanço ao que tem corrido mal.

Mas não resultou e o povo é mesmo quem mais ordena desta vez.

Por abrir está ainda o embrulho preparado pelas centrais sindicais, talvez uma ou duas greves gerais que podem dar o safanão que falta aos equilíbrios ainda mais precários do que os poucos ou nenhuns empregos disponíveis.

Aliás, a contestação generalizada deverá ter desenterrado o machado de guerra com a manif de dia 15 e a greve nas refinarias pode, paradoxo, atear ainda mais a revolta dos cidadãos... por falta de combustível.

No meio disto tudo o tempo passa e o pesadelo de cada fim de mês aproxima-se para muitos de nós, pelo que temos aí um início de semana à maneira e cheio de motivos de interesse para os noticiários nos dias em que não haja nada de importante para dizer acerca do campeonato de futebol.

Que a vossa seja boa que eu estou como o país: à espera que caia.  

publicado por shark às 00:42 | linque da posta | sou todo ouvidos