AS MAMAS DA PRINCESA KATE

Há malta que acha piada, ver partes desnudas do corpo de pessoas famosas. Comem com os olhos e não se ralam com quaisquer consequências sobre as pessoas visadas, as pessoas como atracções de circo para os palhaços de uma multidão ávida de segredos e de imagens que sabem proibidas ou não as valorizariam desta forma ignóbil.

A princesa Kate casou com o filho de uma figura pública que morreu a fugir aos que tentavam violar a sua privacidade para obterem lucro à conta de uma interpretação idiota do que liberdade de Imprensa significa. Ninguém pode adivinhar as repercussões de um episódio destes na estrutura emocional de uma pessoa, figura pública ou não, e cada um/a dos que compram essas bodegas a que chama revistas é culpado/a pela manutenção destes abusos, não podendo olhar para o lado como se nada tivesse a ver.

 

Eu gosto de mamas, imenso. Desde que lhes descobri o encanto tenho apreciado com deleite as que a minha vista consegue alcançar. Mas vejo as de quem gosta de as mostrar, a mim, em privado, ou ao público em geral. E bastam-me essas, pois reconheço a qualquer pessoa, famosa ou não, o privilégio de tomar decisões acerca do seu corpo, da sua vida, da sua intimidade a que tem direito como qualquer abutre com uma máquina fotográfica que ganhe a vida dessa forma desprezível, tentando ultrapassar todas as barreiras que lhes tentem impor a fim de que percebam a verdadeira intenção da pessoa visada.

Essa intenção, preservar a intimidade para os mais íntimos, é um direito para mim mais legítimo do que aquele de que se servem os canalhas, paparazzi e quem os remunera, para justificarem os seus excessos.

 

Só existem duas formas de acabar com esta ameaça à privacidade das pessoas: endurecimento radical a nível legislativo, a fim de dissuadir os oportunistas que lucram com estas indignidades, ou um boicote por parte dos consumidores deste material obsceno na motivação.

Se a primeira hipótese depende de factores que já todos percebemos estarem associados acima de tudo às ligações perigosas entre o dinheiro e todos os outros poderes, a segunda só requer um pingo de vergonha nas trombas de quem acha piada a pousar a vista em algo que nunca estaria ao alcance das suas mãos tão nojentas como o carácter incapaz de distinguir certo ou errado, acéfalos, merdosos, gente pequenina que só serve para alimentar os que montam as arenas onde sacrificam seja quem for para gáudio da turba de mirones cretinos.

 

É assim que vejo as mamas da princesa Kate, como a imagem de mais uma vítima de uma das características que mais me enojam na maioria dos meus semelhantes que renego como iguais: a capacidade de ignorarem (na maioria dos casos, a ignorância é inata) ou de justificarem perante si próprios esse desejo mesquinho de absorver tudo aquilo que não é para ver mas uma corja de sanguessugas disponibiliza na mesma a um preço acessível ao mais miserável dos palermas.

Sim, gosto imenso de mamas. Por acaso até me fascinam mais os traseiros, mas qualquer porção de um corpo feminino é um retalho de paraíso e a respectiva visão é para mim um prazer.

Mas é fácil distinguir, mesmo numa tola sem qualquer frequência escolar, o certo e o errado, a oferta generosa de um peito ao nosso olhar e o buraco de fechadura por onde podemos espreitar como cobardes aquilo que sabemos instintivamente não estar ao nosso alcance ou não precisaríamos dessa figurinha triste para usufruir.

 

É assim que me fazem sentir todos os asquerosos que se babam como ogres sobre as fotos proibidas que valorizam com a compra dos pasquins que as publicam porque qualquer outra publicação o faria.

E só o faria porque não escasseiam as bestas ansiosas, consumidores de qualquer trampa mediática, para as enriquecerem como prémio pela sua generosidade com aquilo que nunca lhes pertenceu.

publicado por shark às 15:20 | linque da posta | sou todo ouvidos