A POSTA WANTED DEAD OR ALIVE

Há cerca de três anos fui assaltado. Roubaram-me um telemóvel caro, para além de que até este episódio sempre achei que valia a pena apresentar queixa para não permitir que aldrabem a estatística, e só por isso me dirigi à esquadra da PSP mais próxima (a menos de 100 metros do local da ocorrência…).

Nessa ocasião tive oportunidade de levar com a primeira demonstração de brilhantismo do sistema, quando o agente que recolhia o depoimento entendeu estranhar o facto de eu, a quem tinham acabado de roubar o telemóvel, não ter de imediato telefonado para a polícia

Ainda assim, porque conseguiria identificar o gatuno sem dificuldade em qualquer lugar, avancei com a queixa formal e fiquei a aguardar o que se seguiria.

Em má hora o fiz

 

Só dois anos depois do sucedido, e quando o equipamento roubado já estaria quase obsoleto, fui contactado pela PSP. Teria que me dirigir a Odivelas, uns bons quilómetros do local onde resido e o crime aconteceu, para ver umas fotos e identificar o gatuno.

Lá fui e lá identifiquei, ficando a saber na altura que desconheciam o paradeiro do meliante e caso não chegassem à fala com o rapaz o processo acabaria arquivado.

Algum tempo depois recebi uma carta que me dava conta disso mesmo: o bandido andava em parte incerta e a partir daí nada mais a fazer.

 

Fiquei desiludido, admito. Mas mesmo tendo que abdicar da justiça fiquei de consciência tranquila por ter cumprido o que achava o meu dever de vítima de tais circunstâncias e por isso deixei cair o assunto sem mais.

Contudo, vários meses passados, voltei a receber uma convocatória para me dirigir à esquadra onde tinha apresentado a queixa no ano de 2009.

Estranhei mas fui.

Queriam apenas entregar-me um papel que constitui um dos maiores insultos com que o sistema judicial e o Estado Português me confrontaram em 47 anos de vida. Tratava-se de uma espécie de intimação para estar presente de novo em Odivelas para fazer nem sei bem o quê, ainda de volta da tal averiguação que me foi dada por encerrada por escrito.

O problema, o insulto, não reside no facto de me quererem voltar a fazer perder horas de trabalho em deslocações a um local sem nada a ver com aquele onde tudo aconteceu, reside sim no facto de nessa espécie de intimação constar uma ameaça de detenção em caso de falta injustificada.

 

Ou seja, fui assaltado a menos de 100 metros de uma esquadra de polícia, o gatuno foi por mim identificado na qualidade sem que isso acarretasse a sua detenção, o objecto roubado já não possui qualquer utilidade ou valor mesmo que fosse possível a sua recuperação, só perdi tempo nas deslocações associadas ao processo em causa e têm a lata de me ameaçar com detenção, a vítima, caso me recuse a prosseguir com uma perda desnecessária de tempo e de dinheiro que ainda agravam o prejuízo por mim sofrido? E querem ser levados a sério?

 

Claro está que me baldei e da mesma forma não reagi a outra convocatória deixada na caixa do correio pela PSP. Posso ser até um foragido da justiça sem o saber, mas assumo a desobediência a esta deselegância disparatada que me torna presa mais fácil do sistema do que o próprio criminoso a quem tentei fazer pagar pelo que fez.

Espero sinceramente que alguém acabe por cair em si e deixe prescrever o assunto ou outra treta qualquer daquelas que vão safando os poderosos, que esta justiça a que não pretendo recorrer no futuro em ocasiões similares me desampare a loja e aguarde outra oportunidade para prenderem alguém (para variar).

Mas se quiserem insistir, terei todo o gosto em usufruir dos meus 15 minutos de fama perante as testemunhas de qualquer tribunal e da Comunicação Social que não deixarei de informar, com cópias de toda a papelada, para que de uma vez por todas acabem os absurdos deste país refém de pessoas inaptas em sistemas imbecis. 

publicado por shark às 16:16 | linque da posta | sou todo ouvidos