A POSTA NO VIDRO DO CARRO DA TUA SOGRA, PALERMA!

Existem uns autocolantes amarelos que podemos colar nas caixas do correio para assinalar a nossa intenção de não deixar atafulhar a caixa com as inevitáveis lembranças dos nossos amigos dos supermercados e das caixilharias de alumínio.

A ideia é permitir ao cidadão comum uma palavrinha a dizer quanto ao abuso na papelada num espaço que é seu e pelo qual até deve dizer a última. Faz sentido, por muito antipática que soe aos distribuidores de folhetos e similares em particular e aos publicitários em geral.

Então eu, proprietário de um veículo automóvel, devo ou não ter igualmente algum tipo de legislação, um selo para o vidro ou coisa que o valha, que garanta o mesmo direito consignado quanto à caixa do correio no caso dos limpa pára-brisas do carro?

 

A chuva de Verão é a cereja no topo do bolo em matéria de exibição do absurdo da publicidade escarrapachada nos vidros dos automóveis, nessa altura transformada numa pasta que deixada a secar quando regressa a bonança, acaba colada e difícil de limpar.

Contudo, essa iniciativa publicitária de eficácia duvidosa e por norma associada a negócios geridos por amadores implica ainda um aumento significativo do lixo provocado pelo aumento de papéis amarrotados no asfalto, completamente inúteis e na maioria arrancados em fúria pelos condutores que nem a vista passam pela mensagem que o anunciante burro pretendia divulgar.

É uma fonte de irritação permanente e em casos extremos (quando por exemplo aproveitam o vidro traseiro e a pessoa só repara em andamento) pode até comprometer a segurança na condução.

 

Esta forma de publicidade constitui para mim um abuso ainda maior do que o implícito no recurso à caixa do correio a que a lei entendeu pôr cobro, pois se a uma caixa de correio ainda se pode alegar a fragilidade na argumentação inerente ao facto de ser um receptáculo destinado a mensagens externas, no caso do vidro de um carro nem essa característica se pode invocar.

É uma pura e simples estupidez, tão estupidamente óbvia na ineficácia que não consigo lembrar, sem nomes ou referências de localização, mais do que umas clínicas dentárias barateiras, uns restaurantes orientais com entregas ao domicílio e umas seguradoras telefónicas. Isso mais os fulanos que compram qualquer carro usado, mesmo sem inspecção...

 

Considero abusiva essa utilização do meu carro estacionado como veículo publicitário não autorizado e não entendo a dualidade de critérios expressa na permissividade quanto a esta distribuição de lixo em propriedade alheia por contraponto com o espírito da lei que criou os tais autocolantes amarelos.

Trata-se de um abuso e como tal deveria ser liminarmente proibido porque viola regras elementares de bom senso e porque, extremando a coisa para lhe perceber a natureza, constitui-se precedente para um dia os distribuidores de panfletos em vidros de carros começarem a olhar para os óculos das pessoas com uma expressão gulosa e que nada prenunciará de bom.

publicado por shark às 21:43 | linque da posta | sou todo ouvidos