PALAVRA

Era uma palavra, isso sabia.

Apenas não compreendia porque não fazia sentido por si, porque não podia ser apenas palavra como se entendia mas submeter-se ao arbítrio na sua interpretação. Até a palavra solidão se bastava, toda a gente a conotava com um conceito universal. Sozinha, a solidão já tinha um significado e isso ainda lhe juntava a coerência. Até a solidão conhecia a independência das muletas como a palavra as entendia, todas aquelas de que precisava para se conseguir explicar.

Uma palavra sozinha sentia-se palavra nenhuma porque precisava das outras até para se afirmar na condição:

ÉS UMA palavra.

E isso já a palavra sabia, mas todos os outros precisavam das outras palavras para a reconhecerem na condição sem ficarem com cara de ponto de interrogação a olharem para uma palavra e só quererem saber afinal o que quer dizer em concreto, ali, a palavra palavra, mas palavra o quê, foi a pergunta que lhes deixei.

 

É que palavra de honra que às tantas já nem eu sei.

 

publicado por shark às 21:40 | linque da posta | sou todo ouvidos