A POSTA NO DIREITO DO CONSUMO (2)

Um conceito que se vulgarizou e ganhou novos contornos por via da sua aplicação corrente, amplamente divulgada na Comunicação Social pela sucessão de excessos cometidos em matéria de ligações perigosas, é o da promiscuidade.

Esta palavra tão em voga visa atribuir um cunho negativo a algo que embora generalizado não passa de uma prática daquelas que desvirtuam o funcionamento das pessoas e das instituições, podendo até minar a sua operacionalidade por lhe adulterarem a missão.

 

Quando o professor Mário Frota, indignado (também) pela confusão entre a associação de consumidores que lidera e uma outra organização alegadamente com os mesmos objectivos mas de génese empresarial, desabafa essa realidade bizarra a primeira coisa que me ocorre é o absurdo implícito em ser atribuído tanto destaque a uma empresa que escolheu os direitos do consumidor como mote para a sua obtenção de lucro e tão pouco a uma associação propriamente dita e com provas dadas naquilo que é o seu objectivo único.

O absurdo, de resto, abraça-se ao ridículo quando percebemos que faz tanto sentido ter uma empresa a zelar pelos direitos dos consumidores como termos uma associação de defesa do consumidor a representar os interesses de comerciantes ou de industriais.

 

É confusa, esta coisa da promiscuidade, precisamente pelo evidente contra senso destas misturas de narizes em matéria de tentações demoníacas que resultem destes pactos com o diabo da sede de poder ou de lucro (que é quase a mesma coisa).

Contudo, facilmente imaginamos o anjinho no gerente de uma empresa que defende os seus consumidores das restantes em rota de colisão com o diabinho que na sua consciência de gestor alerta para a receita extraordinária que uma simples omissão pode providenciar.

 

E é aí que percebemos a existência de um risco óbvio, o de prevalecer, nem que seja por uma questão de sobrevivência do projecto (para todos os efeitos) comercial, o apelo financeiro sobre a questão dos princípios.

 

publicado por shark às 15:46 | linque da posta | sou todo ouvidos