ONDE PARAM OS MILHÕES???

Tenho conhecimento pessoal, não ouvi dizer, de um caso concreto que me suscita enorme apreensão acerca da verdadeira condição da banca em Portugal, nomeadamente o Millenium BCP.

Em causa está uma bagatela, um crédito à habitação no valor de cerca de 20 por cento do imóvel que garante a operação financeira, pedido por alguém sem incidentes bancários e com fiadores de solidez comprovada.

Depois de dados todos os passos necessários, avaliação, recolha de documentos, já passaram 30 dias. Um mês, sem qualquer resposta. Nem mesmo uma desculpa forjada, tamanha é a evidência de que pouco há a explicar.

Nenhum banco demora um mês a recolher informação acerca de alguém e ainda menos leva esse tempo a avaliar a capacidade de endividamento, a dimensão do risco em causa num empréstimo cujas características levaria à aprovação e à marcação da escritura em pouco mais de 48 horas. E sei do que estou a falar.

 

Que hipóteses restam para o banco em causa nem sequer comunicar a decisão relativa à aprovação depois de passadas quatro semanas sobre a abertura do processo?

O raciocínio requerido não é muito para se concluir que só a falta de liquidez, e tendo em conta o valor em causa estamos perante uma falta de pilim mesmo muito assustadora, pode estar nos bastidores do embaraço de quem aceitou o negócio em causa e agora se vê a braços com uma situação cujas respostas concretas não poderá fornecer sem comprometer seriamente (ainda mais) a imagem de um banco cujas acções valem metade de uma bica.

 

Repito, para que percebam bem o que está em causa: um negócio dos que sempre estiveram no topo das prioridades comerciais de qualquer banco nos últimos anos, com margem de risco quase nula e envolvendo uma verba insuficiente para comprar um T1 na Brandoa está pendente de resposta há um mês inteiro.

 

E não ouvi dizer. A verdade é mesmo esta, escarrapachada onde mais nos dói.

publicado por shark às 22:17 | linque da posta | sou todo ouvidos