SUPER-PODERES A SÉRIO: A INCORRUPTIBILIDADE ABSOLUTA

O povo é sábio e afirma que todo o homem (ou mulher) tem um preço.

Se tivermos em conta a realidade actual será um preço de saldo ou o fenómeno da corrupção não teria proliferado ao ponto de minar o bom funcionamento de países inteiros.

 

Por outro lado, algures no passado a corrupção era como a pobreza, envergonhada, e ninguém ficava indiferente à respectiva denúncia ou exposição. Isso acontecia porque as pessoas sentiam a corrupção como uma fraqueza ou mesmo uma desonra e tentavam abafá-la dourando a pílula com os factores exógenos ou com as desculpas de circunstância para a falha que não se iria repetir.

Parece ficção, num mundo onde a corrupção é praticada de forma sistemática da base até ao topo das hierarquias e sem critérios de índole social ou outros. Varia o preço que os homens têm e o valor do que se venha a obter de forma que, até ver, dizem indevida.

Mas toda a gente é cúmplice, nos actos ou nas omissões, da generalização desta lei da selva civilizada que distorce a realidade porque desequilibra a igualdade de oportunidades e pode até influenciar de forma definitiva as vidas de quem saia a perder.

Essa é uma das características inevitáveis desse jogo que é a corrupção: não há empate possível.

 

O tal povo que é sábio sabe mesmo do que fala quando refere a existência de uma tabela com o preço de cada pessoa. Apesar do conforto dos maus exemplos que vêm de cima (a saída airosa mais medíocre de entre as várias possíveis) e que conferem alguma paz de espírito aos aparentes macaquinhos de imitação (se os grandes fazem…), a chamada pequena corrupção é meiga na denominação mas só se nos esquecermos que uma formiga isolada é inofensiva mas ninguém se queira ver enterrado até ao pescoço com um bando delas nas proximidades.

O tal preço individual pode ser determinado pela permeabilidade às tentações como pela ganância intrínseca (há quem prefira chamar-lhe ambição desmedida) ou até pela pressão de determinada conjuntura. Mas se lhe chamam preço é porque algo se vendeu e algo se comprou e dizem que a mercadoria nestas transacções é a alma de quem nelas intervém, corruptores e corrompidos, e nem a tolerância excessiva da própria Justiça perante os poucos casos que a enfrentam conseguiu até agora pintar cor de rosa um fenómeno que só alimenta circuitos medonhos.

 

Num mundo onde predomina a gula pelo poder e pelos bens materiais ou outros que este confere é muito difícil, se não impossível, encontrar um ser humano absolutamente incorruptível.

E se algum dia descobrirmos uma pessoa dessas talvez valha a pena nem arriscar a democracia e entregarmos de imediato a esse super-herói as rédeas do maior poder que tivermos à mão.  

publicado por shark às 17:05 | linque da posta | sou todo ouvidos